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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A GALIZA, O GALEGO-PORTUGUÊS E A BUSCA POR INDEPENDÊNCIA

Semana passada, entrevistei a professora moçambicana Marisa Mendonça - que assumiu em Outubro a diretoria executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (ILLP), vinculado à Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) - sobre o novo acordo ortográfico. Mas foi inevitável a pergunta sobre como integrar a Galiza na CPLP. Ela me respondeu que o IILP-CPLP vem acompanhando o processo em curso na Galiza, de recuperação e reconhecimento do galego-português.

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Diplomática e cautelosa, a professora Marisa disse que aguarda o posicionamento do governo espanhol, uma vez que a CPLP trabalha com Estados e não pode ferir a soberania nacional. E acrescentou: “Sabemos que há uma série de conversações sobre como conduzir esse processo. É necessário dar-se o tempo que a complexidade do processo exige.”

Quase ao mesmo tempo, recebi mensagem de Camilo Nogueira, engenheiro industrial, licenciado em ciências econômicas, deputado três vezes (1981-93 e 1997-99) no Parlamento da Galiza e um mandato no Parlamento Europeu (1999-2004). Segundo Camilo, os nacionalistas galegos reivindicam a identidade entre o galego e o português, o galego-português, e trabalham por esse reconhecimento oficial.

No Parlamento Europeu, Camilo falava em galego “sem qualquer problema, aproveitando a oficialidade do português”. Já, no Congresso espanhol, suas colegas deputadas são proibidas de fazer pronunciamento em galego. “O Estado espanhol nem sequer reconhece o galego-português, negando uma riqueza evidente. (…) Esquece que, através do Brasil, também se fala o galego-português nascido na Galiza histórica.”

Por isso, Camilo não parece muito otimista. Acha que a Galiza deve inspirar-se na Catalunha, no País Basco e na Escócia, e lutar pela independência. “A Galiza quer separar-se de um império europeu.”

Tanto que, quando o encontrei na Galiza, Camilo acabava de voltar de um evento em Barcelona - era uma manifestação dos independentistas catalães, que reunira dois milhões de pessoas para reivindicar o direito de decidir sobre o futuro da Catalunha; o seu direito de autodeterminação para configurar-se como Estado na União Europeia. Recentemente, Camilo esteve de novo em Barcelona, a convite do “partido amigo” Esquerra Republicana de Catalunya, ou Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que poderá governar a província (estado, para nós brasileiros) a partir das próximas eleições.

Seja o movimento social pela regeneração do galego-português, seja a luta pela independência da Galiza, o fato é que entidades como a Associaçom Galega da Língua (AGAL)*, a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP)** e o Parlamento de Galicia*** terão papel cada vez mais importante neste processo.

Um pouco de história

O movimento nacional galego surgiu no século XIX (1846), como os da maioria dos atuais Estados europeus, ao fio da soberania popular e frente à monarquia Borbon, relata Camilo Nogueira. Apesar do caráter diferenciado da Galiza, as monarquias ou ditaduras espanholas negaram a sua personalidade e o auto-governo.

A língua própria foi proibida na Galiza desde 1500, prossegue Camilo. No entanto, conservava-se em Portugal e se expandia por outros continentes, mantendo-se inequivocamente nas classes populares. Igualmente, evoluía-se o galego-português do Brasil.

A Galiza foi assim marginada, de tal maneira que, se em 1800 tinha cinco vezes mais população que a atual província de Madrid, podendo chegar a ter sete milhões de habitantes, hoje ficou reduzida a três milhões. Entre 1860 e 1920, forçadas pelo poder espanhol, três milhões de pessoas tiveram que emigrar para a América e outro um milhão para países europeus. Apesar de tudo, a Galiza resistiu como nação e hoje tem um perfil econômico relativamente avançado...

Apesar da imposição do castelhano para eliminar a língua galega, esta é conhecida pela quase totalidade da população e falada habitualmente pela maioria, assegura Camilo. O castelhano é conhecido por todos, mas não pode fazer desaparecer o galego, o galego-português.

Durante a Segunda República (1931-1936), os nacionalistas galegos, com o apoio da esquerda republicana estatal, conseguiram um Estatuto de Autonomia, lembra Camilo. “Depois de 40 anos de Ditadura, conseguimos de novo o Estatuto de Autonomia, com uma certa autonomia política e econômica, com o galego como língua oficial, sendo o castelhano co-oficial. Agora, os nacionalistas galegos reivindicam a soberania como Estado na União Europeia.”****

*Associaçom Galega da Língua ( http://www.agal-gz.org/corporativo/ )

**Academia Galega da Língua Portuguesa ( http://academiagalega.org/ )

***Parlamento de Galicia ( http://www.parlamentodegalicia.es/sitios/web/default.aspx )

****Veja mais sobre a Galiza em  http://www.jornaldaslajes.com.br/integra.php?i=1479

Fonte: José Venâncio de Resende / https://www.jornaldaslajes.com.br/

NACIONALISTAS GALEGOS DEFENDEM A LÍNGUA PORTUGUESA QUE É TAMBÉM O SEU IDIOMA – O GALEGO!

Os nacionalistas gelagos estão a optar por escrever sob a ortografia portuguesa e, desse modo, deixarem de fazê-lo através das regras ortográficas do castelhano que é a língua oficial de Espanha. A iniciativa não é inética uma vez que o deputado nacionalista no Parlamento Europeu, Camilo Nogueira Román, o fazia como uma forma de se exprimir em liberdade no seu próprio idioma – o galego reintegrado ou seja, o galego-português – algo que estava impedido de fazê-lo nas cortes de Madride.

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Contudo, a generalização desta prática que está agora a verificar-se contribui para a afirmação da Galiza no contexto internacional uma vez que o galego – ou português – constitui o idioma oficial de 9 países independentes, para além de numerosos territórios e comunidades espalhadas pelo mundo de que Macau, Malásia e a antiga Índia Portuguesa serão as mais relevantes! – abrangendo quase 300 milhões de falantes. Refira-se ainda que se trata de uma língua e franca expansão em virtude de alguns dos países de expressão portuguesa serem actualmente países economicamente emergentes.

Para além desta opção que rompe com o “isolacionismo” imposto pelo castelhano que o remete o galego a um dialecto insignificante quando, desde os cancioneiros trovadorescos da Idade Média já consituía uma língua nacional – ainda a Espanha estava muito longe de se concretizar como um país! – esta iniciativa constitui uma afirmação de identidade da Galiza onde também o insígne poeta autor de Os Lusíadas teve as suas raízes.

Para além das suas afinidades linguísticas, históricas e culturais, a Galiza deveria formar com Portugal um único corpo, sob a forma confederal ou outra qualquer. Sob as muralhas do castelo – Castela! – escondem-se sempre as masmorras onde se mantêm aprisionadas as nacionalidades da Galiza, Catalunha, Euskadi, Canárias, Ceuta e até o território português de Olivença.

FORTES COMA UNHA MIÑOCA

O español, ou castelán, que tanto me ten, é o quinto idioma máis falado na Unión Europea. Non é gran cousa. Por enriba están o alemán, o inglés, o francés e o italiano, nesta orde. Así que se Europa segue a coller folgos, Deus non o queira, o español collerá categoría de lingua máis minoritaria do que xa o é. Os máis patriotas dirán que o español sempre será importante porque o falan máis de 500 millóns de persoas. Non se fíen, queridos e queridas. Na lingua materna dos galegos expresámonos 230 millóns e xa ven de que nos serve, cando vostedes en lugar de vir a aprendela veñen a queixarse de que nós a falemos. Saiban que para un alemán, un inglés, un francés ou un luxemburgués, o español é un idioma inútil. Tarde ou cedo impoñeranse en Europa o inglés, a pesares do Brexit, e o alemán, e farano en detrimento de todas as demais linguas, entre elas o español. Dirán os da plataforma "Wir sprechen deutsch", que o lóxico é que todos os europeos falemos na lingua que nos une e non nas que nos separan, como o español ou o polaco. Achtung.

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Virán de fóra a queixarse de que en Burgos os sinais de tráfico ou os rótulos dos comercios non estean escritos en alemán e si "nese dialecto que non serve para nada e só entenden os nativos". Sucederá. Será dentro de 15 anos ou dentro de dous séculos, pero acontecerá. Non teñan a menor dúbida. Virán de toda Europa a recoller firmas para que os nenos madrileños poidan aprender soamente o inglés ou o alemán. Diranlles como teñen que pronunciar os nomes das súas cidades, pobos e aldeas. Vostedes cren que o seu idioma é poderoso en Europa porque o é en España, como o galego o é na Galiza, pero trabúcanse. O español fálano en Europa 46 millóns entre unha poboación de 512. Un 9%. Iso é case nada.

Vostedes dirán entón que o español hai que protexelo fronte ás imposicións externas dun imperialismo lingüístico que vén acabar co seu idioma e coa súa cultura. Ninguén lles fará caso fora do Estado español, créanme. E terano ben merecido, por pinflois. A Galiza viñeron ultimamente vostedes a recoller firmas para esixir o dereito a falar español, coma se ese dereito non existise desde o principio dos tempos. Vimos queixas airadas porque Mercadona ou Carrefour poñen carteis en galego ou en valenciano; á Xunta de Galicia reprocháronlle que escriba os seus chíos en galego. En Catalunya, o pasado venres, insultaron a Gemma Nierga, catalá, por falar catalán. O pianista James Rhodes, inglés afincado en Madrid, perdeu seguidores furiosos nas redes sociais porque cando vén a Galiza escribe en galego e cando vai a Catalunya en catalán: "Deixo de seguirche por escribir unha mensaxe nun idioma que non é o común de todos os españois". E dinllo vostedes a un inglés! Van vostedes pasados de licorca barato feito con alcol metílico, ou que?

Pois saiban isto: que falar español en Europa é cada día menos importante. Un idioma pequerrechiño, coma o galego, que máis aló dos Pireneos pinta menos que o euskera. Non se suban á parra; non pensen que o español vai ser máis importante en Berlín por impoñelo en Catalunya ou na Galiza. A pesares de vostedes, todos os habitantes do Estado español respectámolo e falámolo tan ben como vostedes ou mellor. O que lles molesta é que ademais teñamos unha lingua propia e lla ensinemos aos nosos fillos. Din que o español é marxinado en Catalunya, en Euskadi ou na Galiza. Iso, meus reises, é unha soberana falcatruada. Son vostedes os que veñen aos nosos países a marxinarnos o idioma, coma se o seu fose mellor que o noso ou que calquera outro que se fale en algures.

Saiban que cando a súa lingua, a de Cervantes e a de El Prenda sexa marxinada en Europa, contarán coa comprensión de galegos, vascos, navarros, valencianos, baleares ou asturianos, porque sabemos o que é aturar a xente crispada que nos menospreza por manter vivo un idioma e sentirnos orgullosos del. Saiban que teñen vostedes o mesmo dereito a dicir Sangenjo que nós a rirnos de quen o fai. Saiban que o seu idioma, que non pinta nada en Europa, merece para un galego ou un catalán o mesmo respecto que merece o noso, o chinés mandarín ou o taushiro, que por desgraza xa só o fala unha persoa, o peruano Amadeo García, porque outros como vostedes acabaron con el. Saiban que se cadra soben un día a un metro en Londres e poden atoparse con imbéciles que insultan a quen fala español, como fixeron vostedes con Gemma Nierga. Non crean que por impoñelo na Galiza gañan vostedes o respecto dun holandés ou dun alemán. Non sexan parvos. Non sexan inorantes máis aló das súas posibilidades.

Acabarán un día como eses matóns da escola que se meten co máis débil da clase ata que chegan ao recreo e atopan outras bestas que están catro cursos por riba. Será entón cando se decaten do débiles que son vostedes, fortes coma unha miñoca.

Fonte: Rodrigo Cota / https://www.diariodepontevedra.es/

A LÍNGUA PORTUGUESA É O IDIOMA DA GALIZA

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"Por eso no nos cansaremos de aconsejar a nuestro literatos que adopten la ortografía portuguesa, que es con ligerísimas, casi imperceptibles variantes, la que usaban nuestros antepasados, que nosotros hemos abandonado sin motivo y debemos recuperar. […]

Hay, sin embargo, quien ha hecho la afirmación de que una vez adoptada la ortografía portuguesa, el gallego se refunde en el portugués y por tanto desaparece, y que por eso debe darse al gallego, para que adquiera fisionomía propia y exclusiva, algo que lo separe del portugués para que este no lo absorba.

A este argumento debemos objetar que si ambos idiomas fueron uno mismo hasta que tomaron o iniciar tomar distinto rumbo merced al capricho de un monarca enemigo de Galicia, no vemos la razón de que continúen separados porque no debieron separarse jamás.

Como quiera que sea, necesitamos adoptar una buena ortografía, y una vez adoptada, que se respete y se use, porque de lo contrario tendremos tantos lenguajes como escritores, yendo a parar muy pronto el gallego a manos del enterrador."

DELEGADO REGIONAL DE CULTURA VISITA VIZELA

A Câmara Municipal de Vizela recebeu a visita do Delegado Regional de Cultura, António Ponte, na passada sexta–feira.

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A visita teve como objetivo três pontos fundamentais:

1.º as obras de requalificação da Praça da República, no sentido de emissão do parecer sobre os vestígios arqueológicos dos tempos romanos naquele local;

2.º análise da possibilidade de financiamento da requalificação do Cine Parque, um edifício com relevo histórico, dando-lhe a dignidade que merece e passando novamente para a fruição de todos os vizelenses;

3.º visita ao Museu da Mota para avaliação das condições para a criação de um museu de relevância nacional em Vizela.

Esta visita insere-se na implementação de uma política cultural municipal, através da demonstração da importância e do papel fundamental que a cultura tem no desenvolvimento de Vizela.

NOVO SERVIÇO DOS TRANSPORTES URBANOS DE BRAGA (TUB) REFORÇA APOSTA NO TURISMO CULTURAL

Ligação ao Mosteiro de Tibães passa a funcionar aos Sábados, Domingos e Feriados

A partir do próximo Sábado, a linha 50 dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), que faz a ligação entre centro da Cidade e o Mosteiro de Tibães, passa a funcionar aos fins-de-semana e feriados. Este novo serviço terá quatro ligações diárias, coordenadas com os horários de visita do Mosteiro, e estará em funcionamento até ao final de Setembro.

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Durante a apresentação deste serviço, que decorreu hoje, no Mosteiro de Tibães, o presidente da Câmara Municipal de Braga enalteceu a postura pró-activa dos TUB em responder às necessidades da população, mas, também, ao aumento do número de turistas que a Cidade tem vindo a registar.

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“Esta medida não só traduz a forte aposta dos TUB na promoção cultural, patrimonial e turística do Concelho, como demonstra a constante procura por parte da empresa em se ajustar às reais necessidades dos Bracarenses”, referiu o Autarca, lembrando as medidas já tomadas como a criação de novas linhas, o reforço das frequências ou aumento de circulação em determinados eixos estruturantes da mobilidade no Concelho.

Como referiu Ricardo Rio, os TUB procuram soluções para corresponder a novos desafios e novas dinâmicas que o Concelho vem enfrentando. “Este novo serviço vem valorizar ainda mais o Mosteiro de Tibães, um activo que durante muito tempo pareceu à margem daquilo que era o radar dos focos de atracção da nossa Cidade. Agora o Mosteiro está mais perto não apenas dos Bracarenses mas, também, dos milhares de turistas que chegam a Braga e querem conhecer este espaço”, concluiu o Autarca.

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FÉRIAS EM FAFE... É NA DESPORTIVA!

Férias desportivas e culturais arrancam em Junho. Inscrições abertas na Casa da Cultura

A Câmara Municipal de Fafe volta a promover, por mais um ano, as férias desportivas e culturais no concelho.

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A iniciativa, que se tem revelado um sucesso, arranca dia 25 de Junho e prolonga-se até dia 3 de Agosto.

Este ano, o âmbito cultural volta a fazer parte das actividades. Para além da prática de modalidades desportivas, como Andebol, Basquetebol, Futsal, estão também previstas disciplinas artísticas, teatro, música, cinema, jogos tradicionais e diversas oficinas.

A Cidadania, o Ambiente e a Saúde são outras das temáticas programadas, com percursos pedestres, segurança rodoviária, visitas a instituições do concelho, PicNics, entre tantas outras.

As férias desportivas e culturais destinam-se a crianças e jovens, que frequentam o ensino básico, residentes no concelho de Fafe.

As inscrições devem ser feitas até dia 20 de Junho, na Casa da Cultura.

CAFÉ CULTURAL REGRESSA A FAFE

Hip-Hop, Pop-Rock e Graffiti em destaque

O projecto Café Cultural está de regresso a Fafe este mês, com a Música e o Graffiti a tomarem o lugar central de mais uma edição, que conta, desta vez, com artistas nacionais e brasileiros.

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Em Maio, as Residências Artísticas começam já amanhã e terminal no final do mês. No dia 18, Andy Scoth promove um Workshop de Música Hip Hop na Escola Profissional de Fafe. No dia 22, o mesmo Workshop acontece na Escola Professor Carlos Teixeira.

A 24 de Maio, é a vez de apresentarmos o Graffiti no Parque da Cidade. Um dia depois, no Club Fafense, tem lugar a Sinergia Artística, com um concerto de Rivando Gois e Andy Scoth, no Club Fafense, às 21h30.

Este ciclo de Residências Artísticas termina dia 28, com o Workshop de Graffiti na Cercifaf.

Todas as actividades são abertas ao público e de entrada livre.

O Café Cultural Residências Artísticas é um projecto, criado numa parceria entre o Município de Fafe e a organização Café Cultural do artista plástico e produtor brasileiro, Vicente Coda, que estimula as mais variadas linguagens artísticas através do acolhimento e de interacção.

BARCELOS DIVERSIFICA ACTIVIDADE CULTURAL

Diversidade marca programação de maio do Teatro Gil Vicente

O Teatro Gil Vicente apresenta no mês de maio uma programação diversificada com teatro, cinema, música, humor, dança e pintura.

Integrado no ciclo de concertos Jazz ao Largo, atua no dia 11 o trio Hitchpop. No dia 12, realiza-se o espetáculo “Fado Comentado” com Adriana Moreira (voz), Artur Caldeira (guitarra portuguesa) e Daniel Paredes (guitarra clássica).

No dia 19, o Teatro Gil Vicente acolhe o XII Capas Traçadas – Festival de Tunas Femininas Cidade de Barcelos, organizado pela Tuna Feminina do IPCA.

No dia 26, é a vez do concerto de Cavalheiro, projeto do músico Tiago Ferreira, que apresenta o seu mais recente álbum “Falsa Fé”. Todos estes concertos têm início às 21h30.

Na vertente teatral, a Associação D’Improviso – Artes do Espetáculo apresenta, no dia 5, às 21h30, a peça “A Casa de Bernarda Alba”. No dia 27, às 16h00, o Teatro do Farol apresenta a peça infantil “A Lebre e a Tartaruga”. Também para os mais novos, a Capoeira – Companhia de Teatro de Barcelos leva à cena “Os Três Porquinhos” no dia 29, com sessões às 14h30 e às 16h00, e no dia 30, com sessões às 9h30 e às 11h00.

A dança tem uma forte presença na programação de maio do Teatro Gil Vicente, com destaque para as habituais “Folk Sessions”, promovidas pelo Grupo de Danças e Cantares de Barcelos e Associação Coreto, nos dias 7, 14, 21 e 28, sempre às 21h00. Destaque, ainda, para o espetáculo de música e dança “Didálvi, Arte e Vida”, no dia 18, e para o Sarau Solidário do IPCA, promovido pelo Curso de Gestão de Atividades Turísticas, no dia 15, ambos às 21h30.

O Zoom Cineclube continua a levar o cinema ao Teatro Gil Vicente, com a exibição, no dia 10, às 21h30, do filme “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev, e no dia 13, às 16h00, numa sessão para toda a família, de “O Super-Formiga”, de Ask Hasselbalch.

No dia 17, às 21h30, a Associação Ventura Terra apresenta o filme “Ventura Terra -Projetar a Modernidade”, da autoria de Fernando Carrilho, numa sessão que contará com a presença do realizador.

O humor também tem lugar com o espetáculo de stand-up comedy intitulado “Humor Mulato” protagonizado pela dupla João Dantas e Cristiano Fernandes, dia 24, às 21h30.

O palco do Teatro Gil Vicente vai acolher ainda a Final Concelhia do Projeto Up Cávado Empreendedorismo nas Escolas, promovido pela CIM Cávado e Município de Barcelos, dia 2, às 14h30.

Por fim, até ao dia 27, está patente a exposição de pintura de Maggi Marello e Shaz Bilyard, intitulada “Duas Amigas, Dois Pincéis”.

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BARCELOS DIVULGA ACTIVIDADES NO TEATRO GIL VICENTE

Diversidade marca a programação de março no Teatro Gil Vicente

Durante o mês de março, o Teatro Gil Vicente garante animação quase diariamente à cidade. Da programação, destacam-se os concertos do festival Harmos, de 21 a 23, e o Ciclo Jazz ao Largo, que traz a palco Miguel Ângelo Quarteto, no dia 16, às 21h30.

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Miguel Ângelo Quarteto, é composto por Miguel Ângelo (contrabaixo e composição), João Guimarães (saxofone culto), Joaquim Rodrigues (piano/rhodes) e Mário Costa (bateria). O quarteto interpreta músicas originais do contrabaixista, deixando transpor nessas execuções as suas sensibilidades individuais.

A Associação Zoom abre a programação com o filme “ O Pagador de Promessas” de Anselmo Duarte, no dia 1, “Aquarius” de Kleber Mendonça Filho, no dia 8; “Tainá: Uma Aventura na Amazónia” de Tânia Lamarca e Sérgio Bloch, no dia 11; e “Pixote” de Héctor Babenco, no dia 15. A entrada tem o valor de 3,5€ para o público em geral, e gratuito para sócios da Zoom.

O teatro sobe ao palco do Gil Vicente nos dias 2 e 3, às 16h00, com a peça de teatro “Artimanhas de Sacapin” de Moliére, da Nova Comédia Bracarense, e tem um custo de 2€. No dia 9, às 21h30, é a vez de “A Vida é Curta Demais para Passar Lençóis a Ferro”, de Sofia Bernardo, com entrada gratuita, sujeita a reserva.

Ainda na programação do Teatro Gil Vicente para o mês de março, destaque para duas sessões de música e poesia: no dia 4, às 16h00, “Galarotes Diabinhos Cabeçudos e Apitos”, com José Fanha e Daniel Completo; e no dia 10, às 21h30, “No Feminino” com voz de Alberto Serra, acompanhado de Nuno Fernandes na guitarra.

A dança marca presença nos dias 5, 12, 19 e 26, às 21h00, com as habituais sessões da Folk Sessions Barcelos, do Grupo de Danças e Cantares de Barcelos e a Associação Coreto - Associação para a Promoção de Artes e Culturas. As sessões são de inscrição obrigatória.

A dança continua nos dias 18, às 15h00, com o espetáculo “Reis Magos?? Não, Rainhas Godas” pela Escola de Dança de Barcelos.  O espetáculo tem um custo simbólico de 2,50€, valor que reverte a favor do GASC – Grupo de Ação Social e Cristã.

Nos dias 25, às 18h00, e 26, às 21h00, é a vez da Escola de Dança “Nico Dance Studio” apresentar o espetáculo “Ser único”. A entrada tem o valor de 5€.

No dia 8, às 21h00, será inaugurada a exposição de pintura“ Mulheres de Luz e Sombra”, de Maria Beatitude.

No dia 24, às 21h00, realiza-se a 3.ª Gala do Desporto da Associação Moto Galos.

A programação do mês de março do Teatro Gil Vicente termina no dia 30, com a atuação do Coro Académico do Instituto Politécnico do IPCA.

Os bilhetes para assistir aos espetáculos no Teatro podem ser adquiridos no local, ou através de reserva por e-mail (tgv@cm-barcelos.pt) ou telefone (253 809 694).

SAMPAIO DA NÓVOA: UM MINHOTO NA UNESCO

Por proposta do actual governo, o Presidente da República acaba de nomear o Prof. Doutor Sampaio da Nóvoa para representar Portugal no Despartamento da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, vulgo UNESCO.

Felicitando desde já o ilustre minhoto e desejando-lhe as maiores felicidades no novo cargo, aproveitamos a ocasião para reproduzir o depoimento que em 14 de janeiro de 2016 teve a amabilidade de conceder ao BLOGUE DO MINHO, tendo sido publicado em http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/sou-valenciano-4922768

SOU VALENCIANO!

- Afirma o Prof. Doutor Sampaio da Nóvoa em depoimento exclusivo ao BLOGUE DO MINHO

Pertencemos sempre ao lugar onde nascemos. Valença é a minha mátria, terra da minha mãe. Em Vila Verde dei os primeiros passos e disse as primeiras palavras. Em Caminha, na escola pública, com o professor Laureano, aprendi as primeiras letras.

O Minho é o lugar da minha família e da minha infância. Foi daqui que parti para tantas viagens, dentro e fora de Portugal. As raízes foram sempre comigo.

O meu país começa em Valença e continua pelo outro Minho, do meu pai (Póvoa de Varzim, Famalicão, Guimarães), e continua pelo Porto, por Aveiro, por Coimbra e, claro, por Lisboa, onde passei a parte maior da minha vida adulta.

Antes de tomar a decisão de me candidatar a Presidente da República, precisei de vir às origens. Sozinho, revisitei os lugares da minha infância. Fechei os olhos, para ver dentro de mim. Senti que, em tempos tão duros, ninguém tem o direito de se esconder, de se resignar. Primeiro, em Lisboa, a 29 de Abril, depois, no Porto, a 25 de Maio, apresentei aos portugueses as razões e os princípios da minha candidatura.

“Arrisque e siga sempre o seu coração” – disse-me o Presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura. É o que estou a fazer. Em nome de um país mais justo, mais humano, mais solidário. Com a certeza de que quanto mais pertencemos a um lugar mais pertencemos ao mundo inteiro.

António Sampaio da Nóvoa

TERTÚLIA VIANENSE DEBATE CULTURA EM VIANA DO CASTELO

No seguimento das Tertúlias sobre Cultura em Viana do Castelo, teremos a próxima, no dia 28 de Fevereiro, no salão nobre do Vianense, e que versará especialmente " Cultura, paz e direitos humanos".

Os oradores são: os professores Armando Borlido e Teodoro da Fonte, a psicóloga Carla Oliveira, a advogada Mariana Rocha Neves e o padre Renato Oliveira.

A moderadora, como habitualmente, será Ilda Figueiredo.

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COMUNICADO DA COOPERATIVA DE ARTES, INTERVENÇÃO SOCIAL E ANIMAÇÃO, CRL

DO “OUTRO LADO DAS ONDAS” HÁ UMA HISTÓRIA INTERATIVA PARA SE OUVIR, VER E TOCAR

A partir do dia 9 de fevereiro, o Paços dos Duques, em Guimarães, recebe instalação interativa que junta Portugal e Colômbia numa viagem de som e imagem.

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‘O Outro Lado das Ondas’ é uma instalação interativa que procura criar um diálogo cultural, visual e sonoro entre dois países separados por um oceano: Portugal e Colômbia.

Resultado de uma residência artística internacional promovida pela cooperativa CAISA CRL, a instalação, aberta ao público de 9 a 16 de fevereiro, no Paço dos Duques, em Guimarães, apresenta o trabalho interdisciplinar de artistas de ambos os países de áreas como a música, o vídeo e a arte interativa.

A instalação recorre a instrumentos tradicionais de Portugal e Colômbia, nomeadamente o cavaquinho, a viola braguesa, o bombo e a marimba de chonta (Pacífico colombiano), que, transformadas em interfaces, possibilitam ao público uma experiência mais sensorial e dinâmica através do toque com o objeto artístico. 

A apresentação ao público da instalação realizar-se-á dia 9 de fevereiro, pelas 21h30, com uma performance multidisciplinar, e contará com a presença da equipa artística. 

Ficha Técnica:

Produção: CAISA C.R.L.

Direção Artística: Alberto Fernandes e Daniel Escobar Vásquez

Direção Musical: Atlantic Percussion Group

Músicos : Alberto Fernandes, José Afonso Sousa e Tomás Rosa

Vídeo: Daniel Fernandes e Daniel Escobar Vásquez

Programação e Instalação: Daniel Escobar Vásquez

Comunicação: Sara Rêgo 

Secretariado: Nathalia Gomes

Residência Artística: Centro e Laboratório Artístico de Vermil (CLAV)

Alberto Fernandes

Presidente do Conselho de Administração da CAISA C.R.L.

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GALEGOS MAIS EMPENHADOS DO QUE NÓS NA LÍNGUA PORTUGUESA

Floresça, fale, cante, ouça-se, e viva

A Portuguesa língua, e já onde for

Senhora vá de si soberba, e altiva.

Se ’té’qui esteve baixa, e sem louvor,

Culpa é dos que a mal exercitaram:

Esquecimento nosso, e desamor.

António Ferreira (século XVI)

Haverá algum português que não entenda um galego ou algum galego que não nos perceba na conversação comum? Dificilmente, pois as nossas duas Línguas são irmãs-gémeas.

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Algo as distingue, porém, no contexto linguístico mundial: enquanto o Galego permaneceu durante séculos “fechado” como Língua oral de uso particular, sem direito a entrada na esfera cartorial, o Português tornou-se independente e oficial, evoluiu mais radicalmente e acabou por ser disseminado por todos os Continentes ao acompanhar a Expansão.

Não admira que, hoje, os galegos desejem associar-se às vantagens de uma Língua franca que eles compreendem como se fosse sua e que é falada e escrita em todo o Mundo por 250 milhões de pessoas: o sexto idioma mais usado no planeta, o quinto mais corrente na Internet e o terceiro no ‘ranking’ idiomático das redes sociais Facebook e Twitter.

Foi com este quadro histórico em mente que o parlamento da Galiza aprovou em Abril passado, por unanimidade, um diploma legal que protege a introdução progressiva da Língua Portuguesa em todos os níveis de ensino oficial naquela Comunidade Autónoma espanhola.

A Lei para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia (é este o seu título) já está em vigor e permitirá melhorar o ensino do Português na Galiza. No presente ano lectivo, mais de 2.500 jovens galegos aprendem a nossa Língua em escolas primárias e secundárias, na rede de ensino oficial de idiomas e nas Universidades de Vigo, Santiago de Compostela e A Coruña.

O diploma legal sublinha que “o Português, nascido na velha Gallæcia, é idioma de trabalho de vinte organizações internacionais, incluída a União Europeia, assim como língua oficial de nove países e do território de Macau, na China.

Entre eles figuram potências económicas como o Brasil e outras economias emergentes. É a língua mais falada no Hemisfério Sul”.

Sendo a Língua própria da Galiza inter-compreensível com o Português, e oferendo por isso “uma valiosa vantagem competitiva em muitas vertentes, nomeadamente na cultural, mas também na económica”, o parlamento galego decidiu “fomentar o ensino e a aprendizagem do Português com o objectivo, entre outros, de que empresas e instituições aproveitem a nossa vantagem linguística, um valor que evidencia a importância mundial do idioma oficial dum país vizinho, tendo em conta também o crescente papel de blocos como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”.

Há muito que na Comunidade Autónoma da Galiza se ouvem vozes em defesa do Português e do seu ensino regular nas escolas oficiais.

A grande novidade deste novo diploma reside na oficialização dessa velha aspiração como “objectivo estratégico do governo galego”.

Diz o diploma: “Os poderes públicos galegos promoverão o conhecimento da Língua Portuguesa e das culturas lusófonas para aprofundar os vínculos históricos que unem a Galiza com os países e comunidades de Língua Portuguesa, e pelo carácter estratégico que as relações económicas e sociais têm para a Galiza, no quadro da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal”.

A Lei prevê ainda o intercâmbio entre cadeias de televisão galegas e portuguesas.

O interesse da Comunidade da Galiza pela nossa Língua (mesmo que numa vincada óptica economicista, capaz de entristecer os puristas) parece infinitamente mais empenhado do que aquele que a burocracia portuguesa dedica ao assunto.

É meritório o trabalho do Instituto Camões, do Observatório de Língua Portuguesa, do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e de várias outras instituições que trabalham pela difusão do Português, ainda que acorrentadas às grilhetas do absurdo Acordo Ortográfico.

Mas a dieta minguada que o Orçamento concede ao ensino e propagação da Língua e da Cultura é ridícula, quando comparada com as reais necessidades de uma política conjugada de “investimento” (passe a palavra) na difusão da nossa Identidade.

Em 2007, quando as vacas ainda estavam gordas e o dinheiro corria como leite e mel, o orçamento anual do Ministério da Educação para a difusão da Cultura e para o ensino do Português no estrangeiro não alcançava sequer os 40 milhões de euros – uma quantia insignificante se posta em confronto com os muitos milhares de milhões desbaratados anualmente em decisões estatais ruinosas.

E se a verba não chegava a 40 milhões em 2007, é apenas possível imaginar a que se reduzirá hoje, após sete anos de cortes médios de 10 por cento ao ano no orçamento da Educação…

Não admira que Joseph Ghanime, dirigente da Associação de Docentes de Português na Galiza, tenha lamentado há dias a falta de “medidas concretas” e de “algum interesse” de Portugal com vista a uma promoção “mais ambiciosa” do Português no sistema educativo galego.

A Galiza dá-nos assim uma bela lição, até porque não é principiante no ensino do Português. Os últimos dados disponíveis apontam para mais de 2.500 estudantes galegos matriculados em aulas oficiais de Língua Portuguesa, entre o ensino primário e o universitário, passando pelas escolas oficiais de línguas.

Essas aulas são ministradas por cerca de 90 professores, agrupados na Associação de Docentes de Português na Galiza (ADPG), que pugna por uma melhor organização da sua actividade.

Até agora, a constituição de turmas de Português no ensino secundário galego tem sido feita na base do voluntariado, não existindo um corpo permanente de docentes da Língua, ao contrário do que sucede, por exemplo, com o Inglês ou o Francês.

É esta escassa especialização que a ADPG deseja superar, propondo que o governo autonómico crie um quadro expresso de professores de Português que só a esta Língua se dediquem.

Curiosamente, apesar da proximidade geográfica e das afinidades históricas e culturais, a Galiza não é a Comunidade Autónoma do Reino de Espanha com mais alunos de Português. Enquanto a Galiza conta 2.500 alunos numa população de 2,3 milhões, a Extremadura (apenas com um milhão de habitantes) tem 20 mil alunos a aprender o Português em 140 centros do ensino oficial, enquanto o canal público extremenho de televisão emite o programa “Falamos Português”, em colaboração com o Instituto Camões.

Este aparente paradoxo explica-se facilmente: embora o interesse pela Língua Portuguesa seja mais intenso na Galiza, muitos galegos têm a convicção de que as nossas duas Línguas são tão semelhantes que não é preciso ter aulas – um equívoco que ignora o facto de o ensino de uma Língua implicar uma envolvência cultural e social que tem de ser aprofundada.

Esta consciência da necessidade de aprofundamento dos conhecimentos linguísticos e culturais é muito mais corrente no meio universitário, como está demonstrado pela existência de vários cursos de Filologia Portuguesa e Estudos Portugueses nas Universidades de A Coruña, Vigo e Santiago. 

Um pouco de História

Durante a dominação romana da Península, a Província da Galécia incluía as regiões bracarense (Braga), lucense (Lugo) e asturiense (Astorga). A partir do ano 212, a sua capital foi Braga, a nobre e erudita Bracara Augusta, que estendia a sua jurisdição do Rio Douro ao Mar Cantábrico.

Reorganizada sob Fernando Magno após o colapso do Império, toda esta região manteve características próprias. Foi só no século XI que o Rei Alfonso VI, avô de D. Afonso Henriques, juntou a Galiza, Portugal e as Astúrias aos territórios de Castela e Leão, na tentativa de formar uma grande unidade peninsular.

Mas ao pedir auxílio aos barões franceses na sua guerra contra os mouros, Alfonso abriu as portas a uma nova subdivisão do território que unificara, pois foram os descendentes desses barões borgonheses que estiveram na origem das lutas pela re-autonomização do Noroeste da Península Ibérica.

Os primos Raimundo e Henrique da Borgonha vieram a casar-se com duas filhas de Alfonso VI, Urraca e Teresa, a quem o monarca ofereceu a Galiza e o Condado Portucalense, respectivamente. Afonso Henriques, filho de Teresa e Henrique, acabou por questionar o vínculo e lutou em 1128, em São Mamede (Guimarães), contra o domínio de Leão e Castela representado por sua mãe.

O facto de, em São Mamede, a Galiza ter apoiado Teresa contra Afonso Henriques deveu-se à enorme influência exercida pelos bispos na sociedade desse tempo. A rivalidade entre os prelados de Braga e Santiago de Compostela levou à formação de dois “partidos”, tendo os seguidores do arcebispo bracarense Paio Mendes apoiado o “partido” da independência e os seguidores do prelado galego Diego Gelmirez o “partido” de Leão e Castela.

De todo o modo, bispos à parte, a origem comum na Gallæcia Magna manteve a Galiza e Portugal em grande proximidade social e cultural, sobretudo depois de Afonso Henriques ter visto confirmada a autonomia portuguesa em 1143 e de os próprios galegos terem iniciado tentativas de se libertarem, eles próprios, do domínio do Rei de Castela e Leão.

O facto de a Galiza nunca ter conseguido obter essa autonomia fez com que a língua galaica não tivesse estatuto de língua escrita durante muitos séculos, condicionando a sua evolução. Pelo contrário, Portugal, Estado-Nação com um percurso próprio, viu a sua língua evoluir até um estatuto clássico. No dizer de Alexandre Herculano, “o Português não é senão o dialecto galego, civilizado e aperfeiçoado”.

Um pouco de Linguística

Tanto o Português como o Galego resultam de evoluções diferentes a partir de um mesmo idioma comum. Esse idioma original, resultante de uma evolução própria do Latim Vulgar, foi usado na Gallæcia Magna (isto é, num território que hoje corresponde à Galiza, ao Norte de Portugal e à zona Oeste das Astúrias).

Segundo o linguista Ivo Castro, da Universidade de Lisboa, a existência autonóma de uma língua romance galaico-portuguesa começou a ser patente no século VII, quando se verificaram dois fenómenos: a palatalização dos grupos iniciais latinos pl-, kl-, fl- na africada palatal surda tš; e a lenição das soantes intervocálicas latinas -n- e -l-.

Quando se iniciou a Reconquista cristã, a partir do século IX, o romance galego-português era a língua do Noroeste da Península Ibérica. Os distintos caminhos políticos seguidos posteriormente nas várias regiões onde era falada determinaram as progressivas transformações paralelas do galaico-português.

No território de Portugal (Reino independente a partir do século XII), a antiga língua comum evoluiu independentemente e a partir do século XIII já existia claramente aquilo que designamos por Português Antigo. “A abundante produção escrita em Português torna possível, desde então, observar com mais pormenor as mudanças que a língua vai sofrer entre os séculos XIII e XV e que, por graduais transições, a levarão a transformar-se de língua medieval em língua clássica”, como salienta Ivo Castro, agravando-se “o distanciamento em relação ao Galego, entretanto impedido pelo domínio castelhano de existir como língua de cultura”.

Fonte: https://jornaldiabo.com/

Frontispício-da-primeira-edição-da-Grammatica-da-Língua-Portuguesa-de-João-de-Barros-1540

QUEM SÃO OS REINTEGRACIONISTAS GALEGOS?

Sem que muitos portugueses desconfiem, há um movimento galego que luta pelo reconhecimento público de que o galego e o português são uma só língua. Falo dos reintegracionistas.

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Perguntarão algumas pessoas: por que razão não insistir na autonomia da língua galega quer em relação ao espanhol quer em relação ao português?

Muitos reintegracionistas dirão que é simples respeito pela verdade dos factos: o galego e o português funcionam, em muitos aspectos, como um sistema linguístico comum, principalmente se usarmos uma perspectiva histórica.

Pessoalmente, juntaria a este argumento factual (sempre perigoso nestas coisas das línguas e das identidades) um argumento prático: o galego está ameaçado pelo espanhol, não pelo português. Uma perspectiva que junte o galego ao português dá-lhe uma força que não teria sozinho. Como mera língua regional, o galego está ameaçado. Como um dos três ramos principais do português (galego, português de Portugal e português do Brasil) há uma comunidade internacional a dar força à língua.

Ou seja, os galegos vêem-se na posição de poder dizer que a sua língua é falada por 200 milhões de pessoas, ao mesmo tempo que resistem à erosão do seu uso, por substituição pelo espanhol.

Assim se explica que alguns dos mais entusiásticos defensores da lusofonia sejam galegos.

Como complemento, republico aqui (sem qualquer alteração) este comentário de um leitor galego a um post anterior:

“A mim pessoalmente, o galego serve-me para perceber sem dificuldade o que o senhor escreve sem ter estudado nunca a língua de Camões.

Acho que o senhor também não há ter demasiados problemas para perceber o conteúdo destas linhas nem para identificar o código como português , embora seja um português esquisito. E, insisto, eu nunca estudei a língua portuguesa!

Em resumo, o galego serve-me para comunicar-me com mais de 200 milhões de pessoas espalhadas ao longo de quatro continentes.

Se a isso somamos o castelhano, já temos mais de 500 milhões (sem contar os utentes que tenham o espanhol como segunda língua). Isso sem muito esforço. O potencial linguístico da Galiza é enorme. Ou será, o dia que acheguemos o galego um bocadinho do português.”

Fonte: Marco Neves / http://www.certaspalavras.net/