Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BARCELOS DIVULGA ACTIVIDADES NO TEATRO GIL VICENTE

Diversidade marca a programação de março no Teatro Gil Vicente

Durante o mês de março, o Teatro Gil Vicente garante animação quase diariamente à cidade. Da programação, destacam-se os concertos do festival Harmos, de 21 a 23, e o Ciclo Jazz ao Largo, que traz a palco Miguel Ângelo Quarteto, no dia 16, às 21h30.

AgendaMar2018-TGV_web_

Miguel Ângelo Quarteto, é composto por Miguel Ângelo (contrabaixo e composição), João Guimarães (saxofone culto), Joaquim Rodrigues (piano/rhodes) e Mário Costa (bateria). O quarteto interpreta músicas originais do contrabaixista, deixando transpor nessas execuções as suas sensibilidades individuais.

A Associação Zoom abre a programação com o filme “ O Pagador de Promessas” de Anselmo Duarte, no dia 1, “Aquarius” de Kleber Mendonça Filho, no dia 8; “Tainá: Uma Aventura na Amazónia” de Tânia Lamarca e Sérgio Bloch, no dia 11; e “Pixote” de Héctor Babenco, no dia 15. A entrada tem o valor de 3,5€ para o público em geral, e gratuito para sócios da Zoom.

O teatro sobe ao palco do Gil Vicente nos dias 2 e 3, às 16h00, com a peça de teatro “Artimanhas de Sacapin” de Moliére, da Nova Comédia Bracarense, e tem um custo de 2€. No dia 9, às 21h30, é a vez de “A Vida é Curta Demais para Passar Lençóis a Ferro”, de Sofia Bernardo, com entrada gratuita, sujeita a reserva.

Ainda na programação do Teatro Gil Vicente para o mês de março, destaque para duas sessões de música e poesia: no dia 4, às 16h00, “Galarotes Diabinhos Cabeçudos e Apitos”, com José Fanha e Daniel Completo; e no dia 10, às 21h30, “No Feminino” com voz de Alberto Serra, acompanhado de Nuno Fernandes na guitarra.

A dança marca presença nos dias 5, 12, 19 e 26, às 21h00, com as habituais sessões da Folk Sessions Barcelos, do Grupo de Danças e Cantares de Barcelos e a Associação Coreto - Associação para a Promoção de Artes e Culturas. As sessões são de inscrição obrigatória.

A dança continua nos dias 18, às 15h00, com o espetáculo “Reis Magos?? Não, Rainhas Godas” pela Escola de Dança de Barcelos.  O espetáculo tem um custo simbólico de 2,50€, valor que reverte a favor do GASC – Grupo de Ação Social e Cristã.

Nos dias 25, às 18h00, e 26, às 21h00, é a vez da Escola de Dança “Nico Dance Studio” apresentar o espetáculo “Ser único”. A entrada tem o valor de 5€.

No dia 8, às 21h00, será inaugurada a exposição de pintura“ Mulheres de Luz e Sombra”, de Maria Beatitude.

No dia 24, às 21h00, realiza-se a 3.ª Gala do Desporto da Associação Moto Galos.

A programação do mês de março do Teatro Gil Vicente termina no dia 30, com a atuação do Coro Académico do Instituto Politécnico do IPCA.

Os bilhetes para assistir aos espetáculos no Teatro podem ser adquiridos no local, ou através de reserva por e-mail (tgv@cm-barcelos.pt) ou telefone (253 809 694).

SAMPAIO DA NÓVOA: UM MINHOTO NA UNESCO

Por proposta do actual governo, o Presidente da República acaba de nomear o Prof. Doutor Sampaio da Nóvoa para representar Portugal no Despartamento da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, vulgo UNESCO.

Felicitando desde já o ilustre minhoto e desejando-lhe as maiores felicidades no novo cargo, aproveitamos a ocasião para reproduzir o depoimento que em 14 de janeiro de 2016 teve a amabilidade de conceder ao BLOGUE DO MINHO, tendo sido publicado em http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/sou-valenciano-4922768

SOU VALENCIANO!

- Afirma o Prof. Doutor Sampaio da Nóvoa em depoimento exclusivo ao BLOGUE DO MINHO

Pertencemos sempre ao lugar onde nascemos. Valença é a minha mátria, terra da minha mãe. Em Vila Verde dei os primeiros passos e disse as primeiras palavras. Em Caminha, na escola pública, com o professor Laureano, aprendi as primeiras letras.

O Minho é o lugar da minha família e da minha infância. Foi daqui que parti para tantas viagens, dentro e fora de Portugal. As raízes foram sempre comigo.

O meu país começa em Valença e continua pelo outro Minho, do meu pai (Póvoa de Varzim, Famalicão, Guimarães), e continua pelo Porto, por Aveiro, por Coimbra e, claro, por Lisboa, onde passei a parte maior da minha vida adulta.

Antes de tomar a decisão de me candidatar a Presidente da República, precisei de vir às origens. Sozinho, revisitei os lugares da minha infância. Fechei os olhos, para ver dentro de mim. Senti que, em tempos tão duros, ninguém tem o direito de se esconder, de se resignar. Primeiro, em Lisboa, a 29 de Abril, depois, no Porto, a 25 de Maio, apresentei aos portugueses as razões e os princípios da minha candidatura.

“Arrisque e siga sempre o seu coração” – disse-me o Presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura. É o que estou a fazer. Em nome de um país mais justo, mais humano, mais solidário. Com a certeza de que quanto mais pertencemos a um lugar mais pertencemos ao mundo inteiro.

António Sampaio da Nóvoa

TERTÚLIA VIANENSE DEBATE CULTURA EM VIANA DO CASTELO

No seguimento das Tertúlias sobre Cultura em Viana do Castelo, teremos a próxima, no dia 28 de Fevereiro, no salão nobre do Vianense, e que versará especialmente " Cultura, paz e direitos humanos".

Os oradores são: os professores Armando Borlido e Teodoro da Fonte, a psicóloga Carla Oliveira, a advogada Mariana Rocha Neves e o padre Renato Oliveira.

A moderadora, como habitualmente, será Ilda Figueiredo.

28056504_1657438787677145_6456752456939981087_n

COMUNICADO DA COOPERATIVA DE ARTES, INTERVENÇÃO SOCIAL E ANIMAÇÃO, CRL

DO “OUTRO LADO DAS ONDAS” HÁ UMA HISTÓRIA INTERATIVA PARA SE OUVIR, VER E TOCAR

A partir do dia 9 de fevereiro, o Paços dos Duques, em Guimarães, recebe instalação interativa que junta Portugal e Colômbia numa viagem de som e imagem.

14601094_10155028430617289_7017036051127889881_n-2

‘O Outro Lado das Ondas’ é uma instalação interativa que procura criar um diálogo cultural, visual e sonoro entre dois países separados por um oceano: Portugal e Colômbia.

Resultado de uma residência artística internacional promovida pela cooperativa CAISA CRL, a instalação, aberta ao público de 9 a 16 de fevereiro, no Paço dos Duques, em Guimarães, apresenta o trabalho interdisciplinar de artistas de ambos os países de áreas como a música, o vídeo e a arte interativa.

A instalação recorre a instrumentos tradicionais de Portugal e Colômbia, nomeadamente o cavaquinho, a viola braguesa, o bombo e a marimba de chonta (Pacífico colombiano), que, transformadas em interfaces, possibilitam ao público uma experiência mais sensorial e dinâmica através do toque com o objeto artístico. 

A apresentação ao público da instalação realizar-se-á dia 9 de fevereiro, pelas 21h30, com uma performance multidisciplinar, e contará com a presença da equipa artística. 

Ficha Técnica:

Produção: CAISA C.R.L.

Direção Artística: Alberto Fernandes e Daniel Escobar Vásquez

Direção Musical: Atlantic Percussion Group

Músicos : Alberto Fernandes, José Afonso Sousa e Tomás Rosa

Vídeo: Daniel Fernandes e Daniel Escobar Vásquez

Programação e Instalação: Daniel Escobar Vásquez

Comunicação: Sara Rêgo 

Secretariado: Nathalia Gomes

Residência Artística: Centro e Laboratório Artístico de Vermil (CLAV)

Alberto Fernandes

Presidente do Conselho de Administração da CAISA C.R.L.

27583582_928477597310865_210175984_n

unnamed

GALEGOS MAIS EMPENHADOS DO QUE NÓS NA LÍNGUA PORTUGUESA

Floresça, fale, cante, ouça-se, e viva

A Portuguesa língua, e já onde for

Senhora vá de si soberba, e altiva.

Se ’té’qui esteve baixa, e sem louvor,

Culpa é dos que a mal exercitaram:

Esquecimento nosso, e desamor.

António Ferreira (século XVI)

Haverá algum português que não entenda um galego ou algum galego que não nos perceba na conversação comum? Dificilmente, pois as nossas duas Línguas são irmãs-gémeas.

camões-portugal-revista-estante-fnac

Algo as distingue, porém, no contexto linguístico mundial: enquanto o Galego permaneceu durante séculos “fechado” como Língua oral de uso particular, sem direito a entrada na esfera cartorial, o Português tornou-se independente e oficial, evoluiu mais radicalmente e acabou por ser disseminado por todos os Continentes ao acompanhar a Expansão.

Não admira que, hoje, os galegos desejem associar-se às vantagens de uma Língua franca que eles compreendem como se fosse sua e que é falada e escrita em todo o Mundo por 250 milhões de pessoas: o sexto idioma mais usado no planeta, o quinto mais corrente na Internet e o terceiro no ‘ranking’ idiomático das redes sociais Facebook e Twitter.

Foi com este quadro histórico em mente que o parlamento da Galiza aprovou em Abril passado, por unanimidade, um diploma legal que protege a introdução progressiva da Língua Portuguesa em todos os níveis de ensino oficial naquela Comunidade Autónoma espanhola.

A Lei para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia (é este o seu título) já está em vigor e permitirá melhorar o ensino do Português na Galiza. No presente ano lectivo, mais de 2.500 jovens galegos aprendem a nossa Língua em escolas primárias e secundárias, na rede de ensino oficial de idiomas e nas Universidades de Vigo, Santiago de Compostela e A Coruña.

O diploma legal sublinha que “o Português, nascido na velha Gallæcia, é idioma de trabalho de vinte organizações internacionais, incluída a União Europeia, assim como língua oficial de nove países e do território de Macau, na China.

Entre eles figuram potências económicas como o Brasil e outras economias emergentes. É a língua mais falada no Hemisfério Sul”.

Sendo a Língua própria da Galiza inter-compreensível com o Português, e oferendo por isso “uma valiosa vantagem competitiva em muitas vertentes, nomeadamente na cultural, mas também na económica”, o parlamento galego decidiu “fomentar o ensino e a aprendizagem do Português com o objectivo, entre outros, de que empresas e instituições aproveitem a nossa vantagem linguística, um valor que evidencia a importância mundial do idioma oficial dum país vizinho, tendo em conta também o crescente papel de blocos como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”.

Há muito que na Comunidade Autónoma da Galiza se ouvem vozes em defesa do Português e do seu ensino regular nas escolas oficiais.

A grande novidade deste novo diploma reside na oficialização dessa velha aspiração como “objectivo estratégico do governo galego”.

Diz o diploma: “Os poderes públicos galegos promoverão o conhecimento da Língua Portuguesa e das culturas lusófonas para aprofundar os vínculos históricos que unem a Galiza com os países e comunidades de Língua Portuguesa, e pelo carácter estratégico que as relações económicas e sociais têm para a Galiza, no quadro da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal”.

A Lei prevê ainda o intercâmbio entre cadeias de televisão galegas e portuguesas.

O interesse da Comunidade da Galiza pela nossa Língua (mesmo que numa vincada óptica economicista, capaz de entristecer os puristas) parece infinitamente mais empenhado do que aquele que a burocracia portuguesa dedica ao assunto.

É meritório o trabalho do Instituto Camões, do Observatório de Língua Portuguesa, do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e de várias outras instituições que trabalham pela difusão do Português, ainda que acorrentadas às grilhetas do absurdo Acordo Ortográfico.

Mas a dieta minguada que o Orçamento concede ao ensino e propagação da Língua e da Cultura é ridícula, quando comparada com as reais necessidades de uma política conjugada de “investimento” (passe a palavra) na difusão da nossa Identidade.

Em 2007, quando as vacas ainda estavam gordas e o dinheiro corria como leite e mel, o orçamento anual do Ministério da Educação para a difusão da Cultura e para o ensino do Português no estrangeiro não alcançava sequer os 40 milhões de euros – uma quantia insignificante se posta em confronto com os muitos milhares de milhões desbaratados anualmente em decisões estatais ruinosas.

E se a verba não chegava a 40 milhões em 2007, é apenas possível imaginar a que se reduzirá hoje, após sete anos de cortes médios de 10 por cento ao ano no orçamento da Educação…

Não admira que Joseph Ghanime, dirigente da Associação de Docentes de Português na Galiza, tenha lamentado há dias a falta de “medidas concretas” e de “algum interesse” de Portugal com vista a uma promoção “mais ambiciosa” do Português no sistema educativo galego.

A Galiza dá-nos assim uma bela lição, até porque não é principiante no ensino do Português. Os últimos dados disponíveis apontam para mais de 2.500 estudantes galegos matriculados em aulas oficiais de Língua Portuguesa, entre o ensino primário e o universitário, passando pelas escolas oficiais de línguas.

Essas aulas são ministradas por cerca de 90 professores, agrupados na Associação de Docentes de Português na Galiza (ADPG), que pugna por uma melhor organização da sua actividade.

Até agora, a constituição de turmas de Português no ensino secundário galego tem sido feita na base do voluntariado, não existindo um corpo permanente de docentes da Língua, ao contrário do que sucede, por exemplo, com o Inglês ou o Francês.

É esta escassa especialização que a ADPG deseja superar, propondo que o governo autonómico crie um quadro expresso de professores de Português que só a esta Língua se dediquem.

Curiosamente, apesar da proximidade geográfica e das afinidades históricas e culturais, a Galiza não é a Comunidade Autónoma do Reino de Espanha com mais alunos de Português. Enquanto a Galiza conta 2.500 alunos numa população de 2,3 milhões, a Extremadura (apenas com um milhão de habitantes) tem 20 mil alunos a aprender o Português em 140 centros do ensino oficial, enquanto o canal público extremenho de televisão emite o programa “Falamos Português”, em colaboração com o Instituto Camões.

Este aparente paradoxo explica-se facilmente: embora o interesse pela Língua Portuguesa seja mais intenso na Galiza, muitos galegos têm a convicção de que as nossas duas Línguas são tão semelhantes que não é preciso ter aulas – um equívoco que ignora o facto de o ensino de uma Língua implicar uma envolvência cultural e social que tem de ser aprofundada.

Esta consciência da necessidade de aprofundamento dos conhecimentos linguísticos e culturais é muito mais corrente no meio universitário, como está demonstrado pela existência de vários cursos de Filologia Portuguesa e Estudos Portugueses nas Universidades de A Coruña, Vigo e Santiago. 

Um pouco de História

Durante a dominação romana da Península, a Província da Galécia incluía as regiões bracarense (Braga), lucense (Lugo) e asturiense (Astorga). A partir do ano 212, a sua capital foi Braga, a nobre e erudita Bracara Augusta, que estendia a sua jurisdição do Rio Douro ao Mar Cantábrico.

Reorganizada sob Fernando Magno após o colapso do Império, toda esta região manteve características próprias. Foi só no século XI que o Rei Alfonso VI, avô de D. Afonso Henriques, juntou a Galiza, Portugal e as Astúrias aos territórios de Castela e Leão, na tentativa de formar uma grande unidade peninsular.

Mas ao pedir auxílio aos barões franceses na sua guerra contra os mouros, Alfonso abriu as portas a uma nova subdivisão do território que unificara, pois foram os descendentes desses barões borgonheses que estiveram na origem das lutas pela re-autonomização do Noroeste da Península Ibérica.

Os primos Raimundo e Henrique da Borgonha vieram a casar-se com duas filhas de Alfonso VI, Urraca e Teresa, a quem o monarca ofereceu a Galiza e o Condado Portucalense, respectivamente. Afonso Henriques, filho de Teresa e Henrique, acabou por questionar o vínculo e lutou em 1128, em São Mamede (Guimarães), contra o domínio de Leão e Castela representado por sua mãe.

O facto de, em São Mamede, a Galiza ter apoiado Teresa contra Afonso Henriques deveu-se à enorme influência exercida pelos bispos na sociedade desse tempo. A rivalidade entre os prelados de Braga e Santiago de Compostela levou à formação de dois “partidos”, tendo os seguidores do arcebispo bracarense Paio Mendes apoiado o “partido” da independência e os seguidores do prelado galego Diego Gelmirez o “partido” de Leão e Castela.

De todo o modo, bispos à parte, a origem comum na Gallæcia Magna manteve a Galiza e Portugal em grande proximidade social e cultural, sobretudo depois de Afonso Henriques ter visto confirmada a autonomia portuguesa em 1143 e de os próprios galegos terem iniciado tentativas de se libertarem, eles próprios, do domínio do Rei de Castela e Leão.

O facto de a Galiza nunca ter conseguido obter essa autonomia fez com que a língua galaica não tivesse estatuto de língua escrita durante muitos séculos, condicionando a sua evolução. Pelo contrário, Portugal, Estado-Nação com um percurso próprio, viu a sua língua evoluir até um estatuto clássico. No dizer de Alexandre Herculano, “o Português não é senão o dialecto galego, civilizado e aperfeiçoado”.

Um pouco de Linguística

Tanto o Português como o Galego resultam de evoluções diferentes a partir de um mesmo idioma comum. Esse idioma original, resultante de uma evolução própria do Latim Vulgar, foi usado na Gallæcia Magna (isto é, num território que hoje corresponde à Galiza, ao Norte de Portugal e à zona Oeste das Astúrias).

Segundo o linguista Ivo Castro, da Universidade de Lisboa, a existência autonóma de uma língua romance galaico-portuguesa começou a ser patente no século VII, quando se verificaram dois fenómenos: a palatalização dos grupos iniciais latinos pl-, kl-, fl- na africada palatal surda tš; e a lenição das soantes intervocálicas latinas -n- e -l-.

Quando se iniciou a Reconquista cristã, a partir do século IX, o romance galego-português era a língua do Noroeste da Península Ibérica. Os distintos caminhos políticos seguidos posteriormente nas várias regiões onde era falada determinaram as progressivas transformações paralelas do galaico-português.

No território de Portugal (Reino independente a partir do século XII), a antiga língua comum evoluiu independentemente e a partir do século XIII já existia claramente aquilo que designamos por Português Antigo. “A abundante produção escrita em Português torna possível, desde então, observar com mais pormenor as mudanças que a língua vai sofrer entre os séculos XIII e XV e que, por graduais transições, a levarão a transformar-se de língua medieval em língua clássica”, como salienta Ivo Castro, agravando-se “o distanciamento em relação ao Galego, entretanto impedido pelo domínio castelhano de existir como língua de cultura”.

Fonte: https://jornaldiabo.com/

Frontispício-da-primeira-edição-da-Grammatica-da-Língua-Portuguesa-de-João-de-Barros-1540

QUEM SÃO OS REINTEGRACIONISTAS GALEGOS?

Sem que muitos portugueses desconfiem, há um movimento galego que luta pelo reconhecimento público de que o galego e o português são uma só língua. Falo dos reintegracionistas.

torre-de-babel-pesquisa

Perguntarão algumas pessoas: por que razão não insistir na autonomia da língua galega quer em relação ao espanhol quer em relação ao português?

Muitos reintegracionistas dirão que é simples respeito pela verdade dos factos: o galego e o português funcionam, em muitos aspectos, como um sistema linguístico comum, principalmente se usarmos uma perspectiva histórica.

Pessoalmente, juntaria a este argumento factual (sempre perigoso nestas coisas das línguas e das identidades) um argumento prático: o galego está ameaçado pelo espanhol, não pelo português. Uma perspectiva que junte o galego ao português dá-lhe uma força que não teria sozinho. Como mera língua regional, o galego está ameaçado. Como um dos três ramos principais do português (galego, português de Portugal e português do Brasil) há uma comunidade internacional a dar força à língua.

Ou seja, os galegos vêem-se na posição de poder dizer que a sua língua é falada por 200 milhões de pessoas, ao mesmo tempo que resistem à erosão do seu uso, por substituição pelo espanhol.

Assim se explica que alguns dos mais entusiásticos defensores da lusofonia sejam galegos.

Como complemento, republico aqui (sem qualquer alteração) este comentário de um leitor galego a um post anterior:

“A mim pessoalmente, o galego serve-me para perceber sem dificuldade o que o senhor escreve sem ter estudado nunca a língua de Camões.

Acho que o senhor também não há ter demasiados problemas para perceber o conteúdo destas linhas nem para identificar o código como português , embora seja um português esquisito. E, insisto, eu nunca estudei a língua portuguesa!

Em resumo, o galego serve-me para comunicar-me com mais de 200 milhões de pessoas espalhadas ao longo de quatro continentes.

Se a isso somamos o castelhano, já temos mais de 500 milhões (sem contar os utentes que tenham o espanhol como segunda língua). Isso sem muito esforço. O potencial linguístico da Galiza é enorme. Ou será, o dia que acheguemos o galego um bocadinho do português.”

Fonte: Marco Neves / http://www.certaspalavras.net/

MANUEL ANTUNES PUBLICA NA REVISTA IBEROAMERICANA DE TURISMO ARTIGO SOBRE TURISMO E MUSEOLOGIA

A RITUR – Revista Iberoamericana de Turismo acaba de publicar um artigo do Prof. Doutor Manuel Antunes subordinado ao tema “Do turismo aos museus, com passagem pela cultura”. Pelo seu elevado interesse, reproduzimos com a devida vénia as páginas que inserem o artigo em questão.

12801499_10206655359286783_8144836663810073778_n

Aproveitamos para lembrar que, no próximo dia 30 de Junho, pelas 15 horas, o Prof. Doutor Manuel Antunes vai estar em Loures para fazer uma palestra dedicada ao tema “Vilarinho da Furna: História e Tradições Populares de uma Aldeia Afundada”. A iniciativa que se realiza no âmbito do FolkLoures’18, terá lugar no Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte – local onde se reúne a Assembleia Municipal de Loures – constituindo uma iniciativa do Grupo Folclórico Verde Minho que conta com o apoio da Câmara Municipal de Loures.

Capturar1

Capturar2

Capturar3

Capturar4

Capturar5

Capturar6

Capturar7

Capturar8

Capturar9

Capturar10

Capturar11

Capturar12

Capturar13

BRAGA PROMOVE REFLEXÃO SOBRE DIVERSIDADE CULTURAL

O Município de Braga e a Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa promoveram o ‘Melting Cooking Pot’, uma iniciativa que teve como objectivo a reflexão sobre a temática da diversidade cultural.

IMG_0050

A acção, realizada no gnration, no passado dia 15 de Dezembro, realizou-se no âmbito do projecto ‘Braga Integra’, financiado pelo FAMI - Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração, com a finalidade de contribuir para a desconstrução de preconceitos e estereótipos associados a migrantes e minorias étnicas e potenciar a abertura ao diálogo intercultural.

Durante a sessão foram dinamizados dois Workshops sobre as temáticas “Nós, na Diversidade – O Diálogo Intercultural” e “Eu, na Diversidade – Escuta-Activa”, pela (Y)ABC- (Youth) as Agents of Behavioural Change – Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Braga.

Os participantes iniciaram uma viagem pelas diferentes culturas, partilhando valores, usos e costumes e tal como numa viagem trouxeram na bagagem um enriquecimento ao nível do conhecimento, comunicação, compreensão, escuta, respeito, partilha e confiança, potenciadores do diálogo intercultural e do reconhecimento da diferença e diversidade na promoção da integração na sociedade.

A iniciativa contou com as intervenções do vice-presidente do Município, Firmino Marques, e da representante da Cruz Vermelha, Sónia Diz.

VIZELA AGENDA ACTIVIDADES CULTURAIS

Agenda para dezembro da Casa Municipal de Cultura Jorge Antunes

A Câmara Municipal de Vizela dá a conhecer a agenda da Casa Municipal de Cultura Jorge Antunes para dezembro.

Nesta época natalícia, o destaque é dado às Oficinas de Natal e às Férias em Cheio.

Nos dias 6 e 13, destaque para a oficina de origami de Natal, onde os participantes poderão aprender a construir estrelas com recurso à dobragem.

Os dias 7 e 14 estão reservados para a elaboração de decorações de Natal com recursos a materiais recicláveis e o dia 15 é dedicado aos postais pop-up.

Estas oficinas são gratuitas mas implicam uma inscrição. Destinam-se a maiores de 12 anos.

As Férias em cheio realizam-se entre 18 e 28 de dezembro e consistem em atividades para crianças dos 6 aos 12 anos, com o objetivo de promover a arte, a leitura e a brincadeira durante as férias do Natal. 

A inscrição deverá ser feita por atividade para bmvizela@cm-vizela.pt ou 253585812 / 253585386.

Mais se informa que nos sábados, dias 23 e 30 de dezembro, a biblioteca estará encerrada.

VIZELA REALIZA SARAU CULTURAL

Sarau Cultural Olhares na Memória na Casa Municipal de Cultura Jorge Antunes

A Câmara Municipal de Vizela, através da Casa Municipal de Cultura Jorge Antunes, promove o Sarau Cultural ‘Olhares na Memória’, de António Veiga, no próximo dia 2 de dezembro, pelas 17h00.

A sessão contará com momentos de teatro, música e com a apresentação do livro ‘Olhares na Memória’, de António Veiga.

Livro de António Veiga

IBÉRICO? SÓ CONHECEMOS O PORCO…

Senhora do Almortão

Ó minha Mãe Soberana

Virai costas a Castela

Não queirais ser castelhana

- Popular, Beira Baixa

Numa altura em que os povos de Espanha procuram libertar-se das grilhetas de Castela, eis que surgem solicitos os serventuários do iberismo a inventar “plataformas ibéricas de cultura popular” como se a identidade cultural do povo português e a sua matriz étnica tivesse algo a ver com a do país vizinho, apesar da proximidade geográfica. E, sintomaticamente, não referem uma plataforma luso-espanhola mas “ibérica” como se a Restauração da nossa Independência nem sequer tivesse ocorrido em 1640!

01

Claro que todos os laços de cooperação com quaisquer povos é salutar e deve contribuir para a fraternidade universal – jamais para a dominação cultural! Mas essa cooperação deve ser estabelecida prioritariamente com os países e povos que em todos os continentes partilham connosco a língua e com eles também partilhámos os nossos usos e costumes. E, no contexto da Península Ibérica, com o povo irmão da Galiza, a Catalunha com a qual possuímos afinidades desde os tempos medievais quando os peregrinos se dirigiam a Santiago de Compostela e levavam consigo tradições que influenciaram o nosso cancioneiro galaico-minhoto e ainda, sem esquecer naturalmente o território português de Olivença que parece não merecer o mesmo cuidado e atenção…

Mas, como se Portugal não constituísse uma realidade política, social e cultural própria, diversa e independente do país vizinho, eis que uma vez mais se desenterra o cadáver do iberismo e volta-se de novo a falar da Ibéria. Mas, verdadeiramente ibérico apenas nos apraz o porco, aquele que depois de ter sido alimentado a bolota na planície alentejana, é desgraçadamente levado para os matadouros de Espanha, porventura até em Badajoz onde ocorreu a dita reunião de ibéricos!

Mas, porventura nenhum português se exprimiu de forma tão eloquente como o nosso imortal Eça de Queirós quando afirmou:

“Sobre a Espanha sabem o meu pensamento [. ..I; detesto os encontros e abraços da panela de ferro com a panela de barro: detesto mais que se vá pedir esmola a um pobre e auxílio a um paralítico. Detesto também o sistema militar da Espanha, e aquela sinistra colaboração de generais e fidalgos. De resto, amo tudo, na Espanha. Somente gostava mais dela se ela estivesse na Rússia”

Eça de Queirós. “Distrito de Évora”, 11" 13, 21 Fev. 1867, p. 2.

Foto: https://www.porcopretoalentejano.com/

BARCELOS APOSTA NA DIVERSIDADE NA PROGRAMAÇÃO CULTURAL DO PRÓXIMO MÊS

Diversidade marca programação de novembro do Teatro Gil Vicente

Durante o mês de novembro, o Teatro Gil Vicente garante animação quase diariamente à cidade. Da programação dá-se destaque ao teatro, havendo lugar também para música, cinema, dança, formações e conferências.

Nos dias 1, 4 e 5 realizam-se em parceria com a ESMAE – Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo e A Capoeira – Companhia de Teatro de Barcelos, um conjunto de formações na área do Teatro, que têm continuidade até Dezembro.

No dia 4, às 21h00, será inaugurada a Exposição de Fotografia de Marta Gaspar, “Urbanidades”.

A Associação ZOOM – Cineclube de Barcelos apresenta quatro noites de cinema: “Extensões do 25.º Curtas Vila do Conde”, no dia 2; “A Noiva estava de luto” de François Truffaut, no dia 16; “Weekend” de Jean-Luc-Godard, no dia 23, e “Hardly Working” de Jerry Lewis, no dia 30. As sessões têm início às 21h30, e têm entrada paga.

A música marca presença no Teatro  Gil Vicente, no dia 17, às 21h30, com “Kether/Travo/Quadra/Malcontent”; no dia 8, às 15h00, com a atuação do Grupo de Cantares da Cruz Vermelha de Campo, uma ação incluída no Programa Sénior, e nos dias 24 e 25, às 21h30, com “O Encontro de Coros”, uma iniciativa no âmbito do Projeto Artístico.

O IPCA - Instituto Politécnico do Cávado e Ave promove várias iniciativas no decorrer do mês: no dia 3, às 22h00, a Noite de Serenatas, no âmbito do XII Barca Celi – Festival de Tunas Cidade de Barcelos; nos dias 10 e 11, às 9h00 e 18h00, o evento “Digicom 2017” – Conferência Internacional de Design e Comunicação Digital, e no dia 22, às 21h00, terá lugar o espetáculo solidário “Aqui há Dança” do Fundo de Emergência do IPCA.

A dança marca presença no dia 15, às 21h00, com as habituais sessões da Folk Sessions Barcelos, da Coreto - Associação para a Promoção de Artes e Culturas.

O teatro chega ao palco do Gil Vicente com espetáculos no âmbito do 30º Festival de Teatro de Barcelos: no dia 4, “As Férias no Algarve” apresentado pelo grupo Os Pioneiros da Ucha, às 21h30; no dia 5, “A Influencia de Tanato”, pelo “Só Podia Teatrices&Companhia, às 16h00; no dia 11, “Noite de Núpcias de Gargalhadas” pelo “Branselho” – Grupo de Teatro Amador da Pousa, às 21h30; no dia 12, “Republica de Mulheres” pelo TPC – Teatro Popular de Carapeços, às 16h00; no dia 18, “Pequenos Crimes Conjugais”, pelo Teatro Fuori Rotta (Pádua-Itália), às 21h30; no dia 19, “O Genro Doutor”, pelo Teatro Experimental de Feitos, às 16h00; e, no dia 26, “Menina Júlia”, pela Capoeira – Companhia de Teatro de Barcelos, às 16h.

Mas estes não são os únicos dias que a sétima arte passa pelo Gil Vicente. Nos dias 7 e 21, às 10h30 e 14h00, o Grupo de Teatro da APACI vai representar a peça infantil “O Principezinho”, um programa a pensar nos mais pequenos.

A grande maioria dos espetáculos tem entrada livre. Os bilhetes podem ser adquiridos no local, ou através de reserva por e-mail (tgv@cm-barcelos.pt) ou telefone (253 809 694). 

TEATRO NOVEMBRO

GALIZA NA CPLP?

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acaba de celebrar os 21 anos da sua criação com algumas decisões que, não implicando uma mudança essencial, podem gerar novas dinâmicas e expectativas.

28657_118550818165376_6524162_n

A última reunião do Conselho de Ministros, realizada o passado 20 de julho em Brasília, produziu duas novidades de interesse em relação aos “observadores associados”, países que não entram no grupo restrito dos membros de pleno direito, e os “observadores consultivos”, categoria reservada às entidades da sociedade civil.

No primeiro caso, o Conselho de Ministros adotou uma «Resolução sobre o reforço da cooperação com os observadores associados» que pretende dar um papel mais claro a estes países membros, até ao presente num papel limitado. Com esta decisão promove o acesso dos seus representantes aos expedientes internos, e a sua implicação nas políticas comuns, por meio da participação em reuniões do Comité de Concertação Permanente e o Conselho de Ministros, em fórmulas que ainda terão de ser estabelecidas. Desse modo os associados, como a Turquia, Senegal, Uruguai, Japão ou a Maurícia, adquirem maior margem de manobra em termos políticos e diplomáticos, o que acarreta simultaneamente o alargamento da CPLP em termos de capacidade de atuação em cenários que vão além do espaço de língua oficial portuguesa.

As discussões sobre o alargamento da CPLP e as dúvidas que suscita a entrada de novos países “não lusófonos”, são temas que têm vindo a ser comentados na comunicação social de Portugal com relativa frequência. O assunto vai muito além da questão da Guiné Equatorial e do seu processo de admissão, primeiro como país associado, depois como membro de pleno direito. Equaciona-se entre manter a organização estritamente no território de língua portuguesa, como oficial ou de herança, ou o estabelecimento de fórmulas de integração e colaboração de países que, sem ter uma relação direta com a nossa língua, mostram interesse em fazer parte do conjunto lusófono, por diversos motivos. Por outras palavras, a escolha situa-se entre manter a CPLP no atual espaço, ou promover um alargamento que a converta num ator com peso a larga escala.

Quanto aos observadores consultivos, a CPLP adotou uma resolução em que foi aceite a Academia Galega da Língua Portuguesa, com o patrocínio do Governo da República de Angola. A decisão fecha o périplo desta candidatura galega, apresentada em 2011, e vem reconhecer o papel da sociedade civil neste processo, dispondo agora de um interlocutor direto nesse organismo internacional.

É possível entrar na CPLP?

Isso não significa a entrada formal da Galiza na CPLP. Poderia ser admitida, em determinadas condições. Os galegos fomos consultados, através das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, em 1989, por iniciativa do Governo do Brasil, sobre o processo de criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. E novamente em março de 1993, na ronda de consultas sobre a criação da CPLP, por iniciativa do Embaixador José Aparecido de Oliveira, como pode ser observado na documentação da Comissão Galega do Acordo Ortográfico, de que a Academia Galega da Língua Portuguesa é depositária.

Em segundo lugar, diversos governos galegos tiveram atuações em direção à CPLP. Isso aconteceu durante as presidências de Manuel Fraga e Emílio Pérez Touriño. Como sabemos, com resultados insatisfatórios. Em 1989, porque a redação inicial do projeto, concebido como comunidade de povos, se converteu em comunidade de estados, o que impossibilitou formalmente a admissão da Galiza. Contudo, os estatutos incluíram um parágrafo para a entrada como observadores associados de «entidades territoriais dotadas de órgãos de administração autónoma». Posteriormente, durante a presidência de Touriño, falhou a negociação com o Ministerio de Asuntos Exteriores da Espanha, provavelmente porque não fora preparada adequadamente.

Lei Paz-Andrade

A lição dessas experiências apontava para a necessidade de procurar um grande acordo político e social, reunindo apoios para retomar essa iniciativa. Isso implicava que os principais motores das políticas antilusófonas nas décadas de 1980 e 1990, instauradoras do modelo isolacionista para o galego, deveriam chegar, de alguma forma, a algum entendimento com o reintegracionismo. Isto aconteceu, parcialmente, com a Iniciativa Legislativa Popular Paz-Andrade, convertida em lei do Parlamento da Galiza em março de 2014.

A lei fornece um instrumento valioso para desenvolver as políticas tendentes a essa integração na Lusofonia. Porém, aos três anos da sua aprovação, há vários riscos que ameaçam gravemente o processo, como o facto de não ter-se criado uma só vaga para professores de português no ensino público, o que é um claro incumprimento dos acordos e produz frustração nos milhares de pessoas assinantes da ILP. Outro risco não menos importante é a inexistência de uma comissão oficial de trabalho sobre a aproximação da Lusofonia, como se sugeriu no Parecer sobre o Desenvolvimento da Lei Paz-Andrade, documento imprescindível que deveria servir como roteiro.

Contrariamente ao declarado por representantes do Governo, a política linguística é observada com atenção no Palácio dos Condes de Penafiel. Apresentar o galego como língua “intercompreensível”, mas “independente do português” coloca a Galiza, simbolicamente, da parte de fora. E quem se põe de fora dificilmente pode sentar-se à mesma mesa. Paralelamente, não pode pedir-se a entrada na CPLP e, ao mesmo tempo, manter a tradicional política de exclusão das pessoas e entidades da sociedade galega que publicam em português. Na ausência de movimentos do Governo e instituições involucradas, a participação direta da sociedade civil galega na CPLP só poderia deixar em evidência a deterioração das expectativas geradas com a própria Lei Paz-Andrade.

Ângelo Cristovão

Vice-Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa e Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Publicado no ‘Novas da Galiza’, Setembro 2017, p. 16-17

José Ângelo Cristóvão Angueira (Santiago de Compostela, 1965), licenciado em Psicologia pela Universidade de Santiago, especializou-se em Psicologia Social. Empresário. Vice-Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa e membro da sua Comissão de Relações Internacionais. Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa; Sócio da AGAL desde 1983 e Sócio fundador da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia.

Fonte: http://pgl.gal/galiza-na-cplp/

PORTUGAL COMEMORA HOJE DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO

Programa Qualifica ainda não responde a mais de meio milhão de analfabetos !

8 de Setembro de 2017

COMEMORA-SE, HOJE, O DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO e a APEFA assinala, este dia, em parceria com a Câmara Municipal de Aljustrel, com a realização do Fórum ALFABETIZAR NO SEC XXI, o novo paradigma de alfabetização solidária”, em Aljustrel, um concelho do interior Alentejano.

Celebra-se, hoje, o Dia Internacional da Alfabetização, instituído em 1967, pela ONU e UNESCO, com o objetivo de alertar para este flagelo que, em pleno sec. XXI, atinge milhões de pessoas, em todo o mundo.

Em Portugal, mais de meio milhão de pessoas são analfabetas. São cidadãos sem qualquer nível de escolaridade, que não sabem ler nem escrever.

Portugal apresenta uma das mais elevadas taxa de analfabetismo, de 5.2 %, ocupando um dos últimos lugares da tabela dos países europeus.

A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS solidariza-se com estas pessoas e repudia, profundamente, a ausência de uma estratégia nacional, política e solidária, no combate ao analfabetismo em Portugal.

Neste sentido, a APEFA apresenta, amanhã durante o fórum, o Projeto-piloto “PERCURSOS DE CIDADANIA ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA” que visa uma resposta da cidadania ativa.

 Segundo os Censos 2011, Portugal tem sem qualquer nível de escolaridade, na faixa etária dos 15-24, 6.434 adultos; dos 25-44 anos, 42.945 adultos; dos 45-64 anos, 75.659 adultos;

E, dos mais de dois milhões de portugueses maiores de 65 anos, 412.710 mil também não tem qualquer nível de escolaridade.

 Estes portugueses, são, completamente esquecidos e ignorados pelas últimas políticas de Educação de Adultos que, na lógica da empregabilidade, reforça a subordinação funcional das políticas e práticas de Educação de Adultos às exigências do mercado. Este grupo de portugueses está impedido de um direito inalienável do acesso à formação, por constrangimentos e puro vazio legal, que teima em persistir, situação já denunciada junto das estruturas do Ministério da Educação.

APEFA lança um desafio aos políticos e à comunicação social: erradicar o analfabetismo em Portugal com a implementação de Plano Integrado de Erradicação do Analfabetismo. Gestos simples! criar uma opinião pública sensível e favorável e retomar, legalmente,  as chamadas “modalidades perdidas” – o extra-escolar, a alfabetização, para possibilitar a criação de dinâmicas territoriais locais, promovendo a oferta formativa ajustada, diferenciada e flexível, identificada com os territórios, favorecidos e desfavorecidos.

A APEFA defende políticas de Educação de Adultos, coerentes, promotoras de coesão social e atentas a toda a sociedade portuguesa, integradas e solidárias com os territórios vulneráveis e de baixa densidade.

O PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS

Armando Gomes Loureiro

MUSEU DE OLARIA DE BARCELOS RECEBE CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE CULTURAS PARTILHADAS

Museu de Olaria recebe 5.ª Conferência Internacional Sharing Cultures

O Auditório do Museu de Olaria recebe, de 6 a 8 de setembro, o Congresso Sharing Cultures 2017, 5ª Conferência Internacional sobre Património Imaterial, uma parceria entre o Município de Barcelos e a Green Lines - Instituto para o Desenvolvimento Sustentável.

Capturarolaria

A riqueza do património cultural barcelense, como o artesanato, as tradições, a feira semanal, a Festa das Cruzes, o Caminho de Santiago, entre outros, são o mote que tornam Barcelos o lugar perfeito para reunir investigadores e académicos em torno da salvaguarda e promoção do património imaterial.

As sessões de trabalho, com apresentação de trabalhos e artigos científicos, decorrem durante os três dias, das 14h às 15h30. Noutros horários, no dia 7 haverá uma sessão, entre as 9h e as 10h, e no último dia do congresso estão agendadas mais duas sessões, a primeira entre as 9h e as 10h e a segunda das 11h às 12h.

Quanto a visitas e atividades sociais, no primeiro dia os grupos participantes irão ter a oportunidade de fazer uma visita guiada no centro da cidade de Barcelos, que irá mostrar os principais pontos turísticos da cidade, como a Igreja Matriz, a Ponte Medieval, o Palácio dos Condes de Barcelos e o Museu Arqueológico de Barcelos. A visita contemplará também a Câmara Municipal, a Torre da Porta Nova, a Igreja do Senhor Bom Jesus da Cruz, entre outros pontos interessantes, com guias que contarão a história e as lendas de cada lugar.

No final desta visita guiada, haverá ainda a possibilidade de fazer um percurso de 4 quilómetros do Caminho Português de Santiago, entre o Senhor da Cruz e a Igreja de Abade de Neiva, com transporte gratuito de regresso ao Museu.

No dia 7, quinta-feira, está reservada uma visita à feira semanal e a participação em workshops com artesãos locais que, no Museu de Olaria, irão ensinar as técnicas para moldar o barro e criar peças únicas pelas próprias mãos.

A participação é de inscrição obrigatória, para isso utilize o contacto e-mail do secretariado do congresso sc2017@greenlines-institute.org. Para mais informações consulte o website http://sharing.greenlines-institute.org ou a página de Facebook da Green Lineshttps://www.facebook.com/Greenlines/

Nota sobre a Green Lines

A Green Lines é uma organização não-governamental (ONG) que desenvolve os seus esforços na promoção das várias vertentes que integram o amplo conceito de desenvolvimento sustentável. A sua intervenção está organizada em torno de um conjunto de ações de investigação, formação e divulgação. Este conjunto de ações assenta prioritariamente na cooperação internacional com organizações similares, fundações, universidades, académicos e investigadores, procurando ter uma ação positiva e interventiva na promoção e sedimentação dos princípios do desenvolvimento sustentável, tanto no âmbito científico, quanto nos âmbitos sócio-cultural, de desenvolvimento e de cooperação.

GERÊS DIVULGA PROGRAMAÇÃO CULTURAL EM SETEMBRO

PROGRAMAÇÃO CULTURAL PARA SETEMBRO NO GERÊS

O conjunto de eventos designado por "Animação de Verão" prossegue em Setembro no Gerês. A programação é diversificada, sendo todos os eventos de acesso gratuito. O destaque vai para os Hot Air Balloon, banda que no final de 2016, com o seu albúm de estreia “Behind the walls”, foi nomeada para os The Independent Music Awards, atribuídos em Nova Iorque.

Setembro

JORNADAS SOBRE “A LÍNGUA COMO OPORTUNIDADE” REALIZARAM-SE EM SANTIAGO DE COMPOSTELA

Língua Portuguesa é um ´veículo privilegiado´ de ligação entre os povos

Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga e do Eixo Atlântico, participou hoje, dia 10 de Julho, nas Jornadas “A Língua como Oportunidade”, organizadas pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e pelo Concello de Santiago de Compostela, contando com o apoio da Academia Galega de Língua Portuguesa. O Autarca Bracarense integrou a cerimónia de abertura e um painel dedicado ao tema ´A oportunidade do Camiño Português de Santiago´.

CMB10072017SERGIOFREITAS0000008144.jpg

Assinalando a entrada do Município de Santiago de Compostela para a UCCLA, como Membro Observador - no dia 19 de Abril, por ocasião da sua XXXIIIª Assembleia Geral, realizada em Luanda - as duas organizações decidiram realizar umas jornadas com o objectivo de abordar a importância da língua, nomeadamente na vertente económica.

Segundo o Edil, este tipo de iniciativas ´corporiza o esforço de abrir portas´ à colaboração entre instituições, cidadãos e Cidades. “Cada vez mais as Cidades são o espaço natural de colaboração e são muitas as redes que, a nível internacional, têm o compromisso de suprimir barreiras, estreitar laços culturais, promover o desenvolvimento das regiões e a partilha de boas praticas para que os resultados sejam os melhores”, referiu.

De acordo com Ricardo Rio, a língua é um veículo privilegiado de ligação entre as Cidades, cidadãos e Estados distantes entre si. “Em todo o mundo temos Cidades com as quais dispomos de um canal de comunicação que deve potenciado. Este é o momento de saudar a iniciativa de Santiago de Compostela de se juntar à UCCLA, um espaço de colaboração que contribui para a união entre os povos e para a promoção do desenvolvimento integrado”, disse.

A proximidade entre o galego e o português permite ser entendido na forma de relacionamentos económicos com as Cidades UCCLA e os mercados em que se inserem, inclusive os mais distantes, como os da China. Os percursos do turismo, nomeadamente o turismo religioso e o arquitectónico a ele ligado são, igualmente, formas de intercâmbio que as jornadas reflectiram.

Sobre o Caminho Português de Santiago, Ricardo Rio realçou a necessidade de uma maior articulação entre os diversos agentes no terreno. “Essa é a dimensão em que estamos mais atrasados. É perceptível a inexistência de uma estrutura que junte o turismo, estruturas regionais e culturais. Esse é um dos grandes desafios que lançamos ao Governo, o de replicar do lado português uma estrutura com as funções do Xacobeo em Espanha, que possa ter uma acção eficiente. Essa é a prioridade das prioridades”, salientou.

Apesar da necessidade de maior articulação, o autarca enfatizou as melhorias e o crescimento da notoriedade do caminho português nos últimos anos, reflectido num aumento considerável de utilizadores. “Passamos de mais de 20 mil visitantes há 5 anos atrás para quase 40 mil em 2016, o que representa já uma parcela próxima dos 20% dos visitantes que chegam a Santiago. Esta realidade tem um elevado valor económico e mobiliza os actores colectivos a responder aos desafios, nomeadamente à muita qualificação física que falta concretizar e à promoção internacional que tem de continuar a ser desenvolvida, sendo a candidatura a classificação do caminho português como património imaterial da humanidade um importante passo nesse sentido”, disse.

Presentes nas Jornadas estiveram personalidades como Vítor Ramalho, Secretário-Geral da UCCLA, Joám Evans Pins, secretário-geral da Academia Galega da Língua Portuguesa, Valentín Garcia Gómez, Secretário-geral de política linguística, Lídia Monteiro, directora-coordenadora do Turismo de Portugal, Gonçalo Mello Mourão, representante permanente do Brasil junto da CPLP, e Martiño Noriega Sánchez, Alcaide-Presidente do Concello de Santiago de Compostela, bem como representantes empresariais portugueses e galegos.

CMB10072017SERGIOFREITAS0000008148.jpg

CMB10072017SERGIOFREITAS0000008149.jpg

CMB10072017SERGIOFREITAS0000008151.jpg

NUNO SÁ QUER CRIAR ROTEIRO DA CULTURA POPULAR EM VILA NOVA DE FAMALICÃO

Nuno Sá, candidato à presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, defende a criação de um roteiro das festas populares do concelho de Vila Nova de Famalicão, com informação sempre atualizada.

Nuno Sá com a população1

O candidato do PS falava este domingo, 21 de maio, na freguesia de Delães, durante as festas de Nossa Senhora das Candeias, tendo participado nas cerimónias religiosas e contactado com a população. “Temos de honrar as tradições da cultura popular fornecendo informação atualizada sobre as festas que se realizam nas 49 comunidades do concelho de Vila Nova de Famalicão, assim como sobre as nossas tradições mais genuínas”, preconiza Nuno Sá, adiantando que “as festas populares e as tradições são elementos identitários fortes e fundamentais da comunidade famalicense e das suas freguesias, que têm de ser preservados e valorizados”.

Nuno Sá deu o exemplo da Festa de Nossa Senhora das Candeias, que não era realizada há dois anos e que agora foi retomada. “A Câmara Municipal pode assumir um papel ativo na promoção e divulgação da nossa cultura popular”, afirma Nuno Sá, considerando fundamental a existência de um roteiro, com informação rigorosa sobre os eventos e tradições famalicenses, no quadro de uma política de comunicação cultural e turística que tenha como estratégia o enriquecimento da população famalicense e a atração de turistas.

Nuno Sá esteve também na freguesia de Ruivães, onde participou na Feira do Associativismo, tendo terminado o domingo na Praça D. Maria II, onde assistiu a um concerto no âmbito do Dia Internacional da Família.

Nuno Sá em contactos com a população2