Foto existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, cedida ao autor deste artigo
O Dr. Alves dos Santos tem sido precisamente uma dessas figuras ilustres e desconhecidas cuja estatura moral e craveira intelectual em muito prestigiam o nosso concelho.
De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.
Apesar dos esforços desenvolvidos não conseguimos identificar possíveis descendentes ou outros familiares, nomeadamente na Freguesia de que foi natural. Sabemos unicamente que era filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos e Ana Maria Alves Soares.
Não é nosso propósito aqui fazer a sua biografia mas, no caso vertente, não resistimos a enumerar alguns dados biográficos pois o conhecimento do Dr. Alves dos Santos não dispensa apresentação.
Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.
Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.
A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:
- “Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;
- “O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;
- “A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;
- “O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;
- “Elementos de filosofia científica”, em 1918;
- “Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;
- “Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923;
O Dr. Alves dos Santos foi militante do Partido Republicano Nacionalista desde que se extinguira o Partido Republicano Evolucionista do Dr. António José de Almeida.
Sobre o seu perfil político, o periódico “O Despertar” de Coimbra, na sua edição de 19 de janeiro de 1924 afirmava:
“Foi um orador fluente. Tanto da tribuna sagrada como em comícios públicos e mais tarde no parlamento, o sr. Dr. Alves dos Santos era sempre ouvido com o mais vivo interesse.
Conhecedor a fundo da língua, o saudoso extinto era fecundo em maravilhosas imagens, chegando, por vezes, a empolgar a assistência, com o seu gesto largo e manifesta sinceridade que exprimia às suas palavras.
Os seus adversários políticos, nomeadamente, eram os primeiros a reconhecer-lhe o mais formoso talento”.
Ainda segundo o mesmo periódico, o Dr. Alves dos Santos era uma figura “essencialmente popular, sem escusados preconceitos”, “estimadíssimo em Coimbra” e “um amigo devotado das crianças, às quais dedicava os mais vivos afectos”, razão pela qual lhes consagrou muitos dos seus estudos.
O Dr. Alves dos Santos residia no número catorze da rua Alexandre Herculano, na cidade de Coimbra, e faleceu na sequência de “uma horrorosa enfermidade para a qual a sciencia médica é ainda impotente”, conforme noticiava a “Gazeta de Coimbra”, no dia do seu falecimento.
No seu funeral estiveram representadas a Universidade de Coimbra, o Governador Civil do Distrito, os ministros do Interior e do Trabalho, a Câmara Municipal de Coimbra e a Misericórdia local entre numerosas outras entidades. Isto apesar da vontade manifesta do Dr. Alves dos Santos na realização de uma cerimónia fúnebre discreta.
Na Câmara Municipal e no Centro Nacionalista foi içada a bandeira nacional a meia haste e na Câmara dos Deputados foi aprovado um voto de sentimento.
Os restos mortais do Dr. Alves dos Santos encontram-se depositados no Cemitério da Conchada, em Coimbra, mais concretamente na sepultura nº. 16 do leirão nº. 23, conforme notícia publicada em “O Despertar” de 19 de janeiro de 1924.
O seu nome não consta da toponímia da cidade de Coimbra nem do Concelho de Ponte de Lima.
Contudo, como dizia o periódico acima citado na referida edição, o Dr. Alves dos Santos foi um “patriota dos mais eminentes, foi sempre um grande liberal, perdendo o país no saudoso finado um dos seus filhos mais ilustres”.
- Carlos Gomes em “O Anunciador das Feiras Novas”, nº X, Ponte de Lima, 1993
Notas:
1. Alguns anos após a publicação deste artigo, a Câmara Municipal de Ponte de Lima atribuiu o seu nome a uma das artérias da vila limiana.
2. O Dr. Alves dos Santos não teve descendentes diretos. De acordo com pesquisas genealógicas posteriormente efetuadas, Augusto Joaquim Alves dos Santos era oriundo da família Carmo (da Além) dos quais teve origem o apelido Santos e que, por sua vez, veio a ligar-se a um dos ramos da família Gomes, estes provenientes da Balouca. Por conseguinte, os Gomes que se encontram ligados ao “Carmo” são descendentes indiretos do Dr. Alves dos Santos, atualmente primos a partir do 3º grau.
A foto, publicada na revista “Ilustração Portugueza” de 28 de janeiro de 1922, mostra a visita do Dr. Alves dos Santos, na qualidade de Ministro do Trabalho, ao asilo D. Maria Pia
AUGUSTO JOAQUIM ALVES DOS SANTOS ALÉM DE EMINENTE PEDAGOGO FOI O INTRODUTOR DO ENSINO DA PSICOLOGIA EM PORTUGAL
O Dr. Alves dos Santos – um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima – foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923, “Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco“na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.
Figura controversa, padre apóstata, monárquico convertido ao republicanismo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É apontado como o principal autor da reforma do ensino primário de 1911. Pioneiro em Portugal da Psicologia Experimental, criou o primeiro laboratório nesta área. Conhecia em profundidade os principais psicólogos europeus do seu tempo, tendo privado com Henri Piéron (colaborador de Binet), cursou no Instituto Jean-Jacques Rosseau, em Genebra, com Edouard Claparède e Paul Godin.
De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.
Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.
Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.
A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:
“Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;
“O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;
“A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;
“O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;
“Elementos de filosofia científica”, em 1918;
“Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;
“Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923.
O Dr. Alves dos Santos (segundo a contar da direita) foi Ministro do Trabalho no governo do Dr. Cunha Leal
O Dr. Alves dos Santos, um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima, foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923, “Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco“na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.
Num dos trabalhos publicados na Revista Portuguesa de Pedagogia a propósito da criação do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra, J. F. Gomes inclui alguns dados biográficos que transcrevemos: “Alves dos Santos nasceu em Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866 e faleceu em 17 de Janeiro de 1924, com 58 anos incompletos. Doutorou-se na Faculdade de Teologia de Braga em 1890. Com a extinção da Faculdade de Teologia, Alves dos Santos é colocado na Faculdade de Letras de Coimbra, sendo nomeado professor de pedagogia por Decreto de 9 de Dezembro de 1911. (…) De Agosto até finais de Novembro de 1912 efectua uma visita às Universidades de Genebra e Paris, tendo adquirido livros e equipamento laboratorial que lhe permitiram fundar e organizar no regresso a Coimbra o laboratório de psicologia experimental, tendo o funcionamento deste sido iniciado em meados de Fevereiro de 1913”. Este foi, pois, o primeiro laboratório de psicologia experimental instalado em Portugal.
Em 1992, Professor Dr. Amâncio da Costa Pinto, actualmente professor catedrático a exercer docência na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, publica na revista Psychologica um artigo científico sob o título “Estudos de Memória Humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra”, no qual analisa “o modo como a memória humana foi abordada a nível teórico e a nível experimental”, fazendo incidir a sua reflexão no capítulo “Mnemometria” da obra “Psicologia Experimental e Pedologia” do Dr. Alves dos Santos e também na tese de doutoramento “ O problema da recognição: Estudo psicológico teórico-experimental”, do Dr. Sílvio de Lima, publicada em 1928. A parte do artigo dedicada ao estudo da obra do Dr. Alves dos Santos aborda os seguintes temas: A “Noção de memória”, a “Classificação das memórias”, “Mecanismos e operações de memória” e a “Descrição dos dois estudos experimentais realizados”.
Afirma o articulista que “…este capítulo e os restantes do livro, além de terem por objectivo promover as investigações do Laboratório e os trabalhos dos alunos, constituem um excelente manual de formação dos futuros investigadores em psicologia experimental. Se o livro não foi usado como tal durante as décadas seguintes, não foi por falta de mérito e valor pedagógico nele contido”. E acrescenta: “Alves dos Santos apresenta ainda uma concepção inovadora de memória humana, ao afirmar que é precisamente a memória que torna “possível e inteligível a unidade e a identidade do eu”. Só muitas décadas mais tarde, nomeadamente nos anos 70 e 80, é que o estudo da memória humana veio a ter o protagonismo por ele antecipado. Acrescente-se a finalizar a elaboração temerosa, porque esboçada em nota de rodapé, mas valiosa e consequente, de uma classificação das memórias humanas, tema que voltou a interessar os investigadores nestes últimos 20 anos”.
A título de curiosidade e sem pretender reproduzir integralmente o artigo referido, transcrevemos uma breve passagem a respeito da “Classificação das memórias” que é feita: “Alves dos Santos rejeita a noção de que a memória é uma mera faculdade para reter ideias. A memória enquanto faculdade é “um erro”, já que não há uma memória, mas “memórias ou um feixe de memórias”, e estas em regra são muito desiguais, tanto em qualidade, como em quantidade…”. A causa desta diversidade resulta “da estrutura do órgão, que as elabora, e das circunstâncias da sua produção”. Por estrutura do órgão Alves dos Santos refere-se provavelmente à complexidade e plasticidade do cérebro, enquanto que as circunstâncias de produção teriam a ver com “a riqueza das respectivas associações”.
Alves dos Santos propõe dois sistemas de classificação de memórias. O primeiro sistema de memória é desenvolvido no corpo do texto e classifica a função mnésica em inorgânica, orgânica e psíquica. É uma classificação proposta na sequência talvez dos estudos de Rbot.
A memória inorgânica seria uma expressão da energia físico-química.
A memória orgânica, de ordem biológica, seria privativa de seres dotados de sistema nervoso. As modificações neste tipo de memória seriam susceptíveis de persistência, mesmo após ter desaparecido o estímulo que as desencadeou e de reprodução activa destas através da evocação e da identificação.
Alves dos Santos não define nem esclarece o mecanismo destas operações, principalmente as respeitantes à reprodução das impressões e modificações conservadas. Acrescenta no entanto uma explicação fisiológica para o seu bom funcionamento ao referir que a conservação depende da plasticidade do cérebro proporcionada pela nutrição e que a reprodução seria dependente do estado do aparelho vascular.
(…) Para justificar esta diversidade de memórias, Alves dos Santos adverte: “Não é de admirar, pois que “memórias” cada um tem as suas; e, todas juntas, são tantas, como os cabelos da cabeça”.
Relativamente ao Laboratório de Psicologia Experimental da Universidade de Coimbra, fundado em 1912 pelo Dr. Alves dos Santos, os seus aparelhos e outros instrumentos então utilizados encontram-se actualmente à guarda do actual Laboratório de Psicologia Experimental existente na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, constituindo um núcleo museológico devidamente catalogado e descrito num volume dedicado ao laboratório e ao seu fundador. De referir ainda que, apesar do ensino da psicologia ter-se iniciado naquela Universidade em 1911, apenas no ano lectivo de 1976/1977 teve início o Curso Superior de Psicologia inserida na Faculdade de Letras para em 1980 ser finalmente criada a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.
Não vamos enumerar aqui a sua vasta obra literária e científica como também não nos alongaremos na sua descrição biográfica porquanto já o fizemos em edições anteriores da revista Anunciador das Feiras Novas, bastando para tal os interessados seguirem as referências bibliográficas do presente artigo. Lembramos apenas, a quantos estejam porventura interessados em conhecer a sua obra, que podem consultar na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima o seu livro “Elementos de Filosofia Sciêntífica”, constituindo este o único título disponível neste local. Contudo, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, encontram-se depositados além daquele, ainda os seguintes livros do Dr. Alves dos Santos: “Um plano de reorganização do ensino público: projecto de lei, para apresentar à Câmara dos Senhores Deputados”, “O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia”, “Orações fúnebres”, “Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias… 13 de Novembro de 1907”, “Estatística geral da circumscripção escolar de Coimbra, relativa ao anno de 1903-1904” e “O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação”.
A propósito do Doutor António de Pádua, outro médico ilustre que nasceu no concelho limiano, escrevia Francisco de Magalhães, no Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, o seguinte: “Honrada e, ainda mais, envaidecida sentia-se, também, Ponte de Lima. É que sucedeu, e no decurso de uma porção de anos, três filhos seus – desta vila pequenina, sempre, porém, farta de glórias – pertencerem, simultaneamente, ao corpo docente da Universidade de Coimbra, a saber: Doutor Alfredo da Rocha Peixoto, da Faculdade de Matemática; Doutor Augusto Joaquim Alves dos Santos, da Faculdade de Teologia; e Doutor António de Pádua, da Faculdade de Medicina.
Qual a cidade de província, populosa mesmo – e intencionalmente saio dos limites duma vila – que se pudesse exprimir, naquele instante, sob este aspecto, como Ponte de Lima ?”
Não obstante, como disse o cronista, Ponte de Lima ter-se sentido “honrada e, ainda mais, envaidecida”, o Dr. Alves dos Santos permaneceu no desconhecimento da generalidade dos seus conterrâneos até muito recentemente, tendo cabido à revista “Anunciador das Feiras Novas” o mérito de o ter dado a conhecer e divulgar a sua obra. Ainda assim, uma sugestão feita à Câmara Municipal de Ponte de Lima e por esta unanimemente aceite, com vista à realização de uma homenagem por ocasião da passagem dos setenta e cinco anos sobre a data do seu falecimento, acabaria por cair no esquecimento em virtude da mudança de vereação entretanto verificada. Ficámo-nos pela atribuição do seu nome a uma artéria da vila quando foi necessário escolher novos topónimos para arruamentos entretanto construídos.
Contudo, a memória do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos merecia mais porquanto constituiu uma das figuras mais notáveis do concelho de Ponte de Lima. A sua brilhante carreira de pedagogo, cientista e escritor bem justificaria a sua escolha para patrono de um estabelecimento de ensino no concelho de Ponte de Lima, proposta que pode ser apresentada pela Câmara Municipal ao abrigo do Decreto-Lei nº. 314/97, de 15 de Novembro. Assim exista vontade e Ponte de Lima sentir-se-á mais “honrada e, ainda mais, envaidecida”!
Carlos Gomes. O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIII, Ponte de Lima, 2006
Transcrição:
“Aos vinte e hum dias do mês de outubro do anno de mil e oito centos sasenta e seis n’esta parochial Igreja de Sancta Maria da Cabração, concelho de Ponte do Lima Diocese de Braga Primaz Baptizei Solenemente hum indevido do sexo masculino a quem dei o nome de Augusto Joaquim Santos que nasceo nesta freguesia no dia quatorze de outubro pelas quatro horas da manha do dito mês e anno folho legitimo de Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos e Anna Maria Alves Soares natural da freguesia de Sam João da Rebeira e ele natural desta freguesia recebidos (…) de Ponte de Lima mas parochianos Proprietarios e moradores no Lugar da Igreja desta freguesia. Nepto Paterno de Antonio Jose Rodrigues dos Santos já defunto e Anna Joaquina Dantas proprietários e moradores no Lugar de Igreja que he desta freguesia e ella hoje residente na freguesia da Labruje deste concelho Materno de Antonio Jose Alves, Soares digo de Antonio Jose Alves e Mariana Luisa Soares da freguesia de Sam João da Ribeira Lugar de Crasto proprietários e forão Padrinhos o Reverendo Manoel Joaquim Soares thio do Baptizado e Maria Rosa Alves, solteira thia do Baptizado ambos da freguesia de Sam João da Rebeira Lugar de Crasto os quais todos sei serem os próprios. E para constar labrei em duplicado o prezente assento que depois de lido e conferido perante os Padrinhos comigo assinarão Era est supra.
os Padrinhos Manoel Joaquim Soares
Maria Rosa Alves
O Parocho Antonio Raymundo da Cunha Ferreira”
(Arquivo Distrital de Viana do Castelo. Fundo Paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de baptismos. Datas extremas: 1855 – 1890. Fls. 33 Cota 3.13.1.32)
O Dr Alves dos Santos nasceu na Freguesia de Santa maria da Cabração, em 14 de Outubro de 1866, tendo sido batizado na respetiva igreja paroquial no dia 21 do mesmo mês, conforme consta do seu assento de batismo, tendo a cerimónia sido celebrada pelo pároco António Raymundo da Cunha Ferreira.
Também seu pai, Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos nasceu na freguesia da Cabração enquanto a mãe, de nome Anna Maria Alves Soares, era natural de São João da Ribeira, residindo então no Lugar de Crasto.
Era neto paterno de António José Rodrigues dos Santos e de Anna Joaquina Dantas, ele natural da Cabração e ela da freguesia da Labruja. Os bisavós paternos conhecidos chamavam-se João Rodrigues dos Santos e Maria Affonso e os avós maternos António José Alves e Mariana Luís Soares.
A casa onde nasceu e viveram os seus ancestrais situa-se lo Lugar da Igreja, a escassas dezenas de metros da capela de Nossa Senhora do Azevedo, no caminho que vai em direção ao Passal e à Além.
Foi determinante na sua formação a influência que nele exerceu o reverendo Manoel Joaquim Soares, seu tio materno e padrinho de casamento. Seguindo as pisadas do tio, ingressou no Seminário de Braga onde frequentou o curso de Teologia, tendo inclusive chegado a receber ordens sacras.
Desistiu da carreira eclesiástica para se tornar num notável professor e escritor, tendo muitas das suas obras refletido a sua formação seminarista.
Alves dos Santos foi ainda Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho no governo chefiado por Cunha Leal, Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra, deputado eleito pelo círculo de Coimbra, tendo inclusive presidido à Câmara dos Deputados. Um ano após a implantação da República, chefiou o Gabinete do Presidente do Governo Provisório.
À data do seu falecimento em 17 de janeiro de 1924, Alves dos Santos contava 58 anos de idade. Residia então em Coimbra, mais concretamente na rua Alexandre Herculano, nº. 14. Era casado com Maria Adélia de Oliveira, natural do Porto, não tendo deixado descendência direta.
Na Freguesia da Cabração, o apelido Santos cedeu lugar ao Gomes desde que, Maria Joaquina dos Santos, prima em primeiro grau de Alves dos Santos, casou com Manuel António Gomes, este nascido no Lugar da Balouca, da mesma freguesia.
A imagem mostra o assento de óbito de Augusto Joaquim Alves dos Santos da Conservatória do Registo Civil de Coimbra.
Carlos Gomes. Anunciador das Feiras Novas. Ano XVII. Ponte de Lima. 2000 (Adaptado)
Uma comitiva da Grã Ordem Afonsina (GOA), associação cultural sediada em Guimarães, irá deslocar-se a Coimbra, no próximo dia 6 de Dezembro, para aí prestar mais uma vez a justa homenagem a Afonso Henriques, em dia do 840º aniversário da sua morte.
Os membros irão deslocar-se ao Mosteiro de Santa Cruz, por volta das 11h da manhã para, junto do Túmulo Real, deixar depositada uma coroa de flores e dedicar algumas palavras de circunstância.
Esta iniciativa ocorrerá em simultâneo com as cerimónias que decorrerão em Guimarães, onde os restantes membros da GOA estarão presentes juntamente como o Presidente da CM de Guimarães, Dr. Ricardo Araújo, para junto à famosa escultura de Soares dos Reis procederem a semelhante homenagem.
Fado e Teatro nas Aldeias são os dois eixos programáticos da edição 2025. Concerto de Fado de Coimbra marca este sábado. arranque do projeto Descentra Cultura no concelho de Caminha
Um concerto com Fado de Coimbra, no Valadares, Teatro Municipal de Caminha, marca o início, amanhã, sábado, do projeto “Descentra Cultura” no concelho de Caminha. Trata-se da aposta numa programação diversificada e itinerante, que percorre freguesias e núcleos populacionais muitas vezes afastados dos circuitos culturais convencionais. A edição de 2025 apresenta dois grandes eixos programáticos: Fado e Teatro nas Aldeias.
O primeiro momento, como referimos, acontece já amanhã, pelas 22h00. Este será um de três concertos, três perspetivas sobre a alma do fado, com propostas que vão do fado tradicional ao contemporâneo. “Uma viagem musical por locais simbólicos do concelho, em noites de verão que se querem memoráveis”.
Teatro nas Aldeias, o segundo eixo, tem a mira a comédia, tradição e identidade local, que ganham vida através do espetáculo “As Alcoviteiras”, um Teatro do Mexerico.
Com estas representações, “o teatro sai dos palcos formais e instala-se em espaços comunitários — parques, largos e logradouros — reforçando a ligação afetiva entre a arte e o território”.
Os objetivos do projeto são: promover o acesso generalizado à cultura em todo o concelho; valorizar espaços públicos como lugares de fruição cultural; estimular o envolvimento da comunidade e a coesão territorial; dinamizar a oferta cultural local, com entrada livre e formatos acessíveis; comunicar de forma clara e cuidada, garantindo visibilidade, envolvimento e compromisso com o público.
“O Descentra Cultura é, assim, mais do que um programa: é uma estratégia de inclusão cultural, proximidade e valorização do território”.
PROGRAMA
FADO
Sempre às 22h00 | Entrada livre
14 junho – Fado de Coimbra, no Teatro Municipal de Caminha (Valadares)
16 julho – Fado ao Luar, no Auditório António Pedro (Moledo)
30 agosto – Vozes do Fado, na sede do Grupo Recreativo e Cultural dos Amigos de Seixas
TEATRO NAS ALDEIAS
Sempre às 16h00 | Entrada livre
22 junho – Âncora (Parque Infantil, Av. Paulino Velho Gomes)
29 junho – Vilar de Mouros (Largo do Casal)
13 julho – Vile (Logradouro da antiga escola primária)
20 julho – Arga de Baixo (junto à Capela de Santo Antão)
…mas desconhecem que a lampreia não é peixe mas ciclóstomo e não é pescada mas capturada. Melhor faria se não metesse o nariz naquilo que não lhes diz respeito nem cabe no rio Mondego!
“A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) aprovou hoje uma posição em que recomenda a interdição da pesca de lampreia a nível nacional e uma intensificação da fiscalização, face à escassez deste peixe nos rios portugueses.
A posição foi discutida e aprovada por unanimidade hoje em conselho intermunicipal da Região de Coimbra, que decorreu na Câmara de Montemor-o-Velho.
No entanto, a proposta inicial que ia a discussão defendia apenas a interdição de pesca de lampreia no Médio Mondego, para garantir que o projeto apresentado recentemente de criação de santuários de lampreia a montante da ponte-açude, em Coimbra, pudesse ser feito com segurança, já que é nessa zona que ocorre a reprodução de lampreias e onde estas ficam em modo larvar durante alguns anos, antes de descerem o rio.
A proposta inicial defendia a proibição de captura de lampreias a partir de 24 de março no Médio Mondego, por forma a garantir o sucesso desse mesmo projeto.
Além dessa proposta, foi acrescentada uma recomendação para a proibição de pesca da lampreia a nível nacional, após discussão no conselho intermunicipal.
O presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, defendeu que a CIMRC deveria ser mais ambiciosa e não interditar apenas a pesca no Médio Mondego, mas em todo o rio.
“Em 2018, passaram na ponte-açude 10 a 15 mil [lampreias], em 2024 menos de duas mil. O grande contingente existe a jusante [da ponte-açude]”, notou o autarca, defendendo que a restrição não deveria ser apenas na zona do Médio Mondego mas estender-se para a principal zona de pesca, situada na Figueira da Foz e em Montemor-o-Velho.
Para o presidente da Câmara de Penacova, concelho onde a confeção da lampreia é uma tradição, a CIMRC deveria defender outras medidas, correndo-se o risco “de um dia destes não haver lampreia, que é um ativo importante para a economia e para os festivais”.
O presidente da CIMRC, que também preside à Câmara de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, disse que é “favorável, incondicionalmente, à interdição”.
O autarca de Montemor-o-Velho, onde a confeção da lampreia também tem tradição, considerou que a decisão de interdição deveria ser “alargada a todos” os rios portugueses, para “não atingir apenas os pescadores” deste território.
Ao mesmo tempo, defendeu uma “intensificação da fiscalização”.
“Não podemos continuar a discutir o assunto sem tomarmos medidas concretas. O ciclo de vida da lampreia é de vários anos e, se deixarmos a coisa a marinar, corremos o risco de um dia destes não haver lampreia”, reforçou Álvaro Coimbra.
Nesse sentido, a proposta da CIMRC junto do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) aprovada hoje foi de interdição da pesca no Médio Mondego e recomendação da proibição da sua captura em todos os rios, a nível nacional.”
Nota [para o Presidente da República, António José de Almeida,] indicando os nomes de diversos possíveis condecorados com ordens honoríficas. Mencionando os nomes de João Duarte de Oliveira, Augusto Joaquim Alves dos Santos, Manuel Luís Coelho da Silva, Alberto Homem Pinto da Costa Cabral, Francisco da Cunha Matos, Manuel da Silva Gaio e Manuel Mário de Figueiredo Temido. Datada de 1922
Recorde-se que o Dr. Alves dos Santos foi um ilustre limiano, nascido na Freguesia de Santa Maria da Cabração e veio a ser Presidente da Câmara Municipal de Coimbra entre outros cargos que exerceu.
Passam no próximo dia 17 de Janeiro precisamente 100 anos sobre a data do falecimento do ilustre limiano Augusto Joaquim Alves dos Santos.
É sabido que o Concelho de Ponte de Lima possui uma extensa galeria de figuras notáveis como nenhum outro se pode orgulhar. É de igual modo verdade que, por vezes, muitas destas figuras ilustres permanecem durante certo tempo ignoradas por falta de conhecimento, apesar de em vida terem atingido grande notoriedade.
Foto existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, cedida ao autor por aquela entidade
O Dr. Alves dos Santos tem sido precisamente uma dessas figuras ilustres e desconhecidas cuja estatura moral e craveira intelectual em muito prestigiam o nosso concelho.
De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.
Apesar dos esforços desenvolvidos não conseguimos identificar possíveis descendentes ou outros familiares, nomeadamente na Freguesia de que foi natural. Sabemos unicamente que era filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos e Ana Maria Alves Soares.
Não é nosso propósito aqui fazer a sua biografia mas, no caso vertente, não resistimos a enumerar alguns dados biográficos pois o conhecimento do Dr. Alves dos Santos não dispensa apresentação.
Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.
Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.
A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:
- “Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;
- “O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;
- “A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;
- “O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;
- “Elementos de filosofia científica”, em 1918;
- “Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;
- “Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923;
O Dr. Alves dos Santos foi militante do Partido Republicano Nacionalista desde que se extinguira o Partido Republicano Evolucionista do Dr. António José de Almeida.
Sobre o seu perfil político, o periódico “O Despertar” de Coimbra, na sua edição de 19 de janeiro de 1924 afirmava:
“Foi um orador fluente. Tanto da tribuna sagrada como em comícios públicos e mais tarde no parlamento, o sr. Dr. Alves dos Santos era sempre ouvido com o mais vivo interesse.
Conhecedor a fundo da língua, o saudoso extinto era fecundo em maravilhosas imagens, chegando, por vezes, a empolgar a assistência, com o seu gesto largo e manifesta sinceridade que exprimia às suas palavras.
Os seus adversários políticos, nomeadamente, eram os primeiros a reconhecer-lhe o mais formoso talento”.
Ainda segundo o mesmo periódico, o Dr. Alves dos Santos era uma figura “essencialmente popular, sem escusados preconceitos”, “estimadíssimo em Coimbra” e “um amigo devotado das crianças, às quais dedicava os mais vivos afectos”, razão pela qual lhes consagrou muitos dos seus estudos.
O Dr. Alves dos Santos residia no número catorze da rua Alexandre Herculano, na cidade de Coimbra, e faleceu na sequência de “uma horrorosa enfermidade para a qual a sciencia médica é ainda impotente”, conforme noticiava a “Gazeta de Coimbra”, no dia do seu falecimento.
No seu funeral estiveram representadas a Universidade de Coimbra, o Governador Civil do Distrito, os ministros do Interior e do Trabalho, a Câmara Municipal de Coimbra e a Misericórdia local entre numerosas outras entidades. Isto apesar da vontade manifesta do Dr. Alves dos Santos na realização de uma cerimónia fúnebre discreta.
Na Câmara Municipal e no Centro Nacionalista foi içada a bandeira nacional a meia haste e na Câmara dos Deputados foi aprovado um voto de sentimento.
Os restos mortais do Dr. Alves dos Santos encontram-se depositados no Cemitério da Conchada, em Coimbra, mais concretamente na sepultura nº. 16 do leirão nº. 23, conforme notícia publicada em “O Despertar” de 19 de janeiro de 1924.
O seu nome não consta da toponímia da cidade de Coimbra nem do Concelho de Ponte de Lima.
Contudo, como dizia o periódico acima citado na referida edição, o Dr. Alves dos Santos foi um “patriota dos mais eminentes, foi sempre um grande liberal, perdendo o país no saudoso finado um dos seus filhos mais ilustres”.
- Carlos Gomes em “O Anunciador das Feiras Novas”, nº X, Ponte de Lima, 1993
O Dr. Alves dos Santos (segundo a contar da direita) foi Ministro do Trabalho no governo do Dr. Cunha Leal
A foto, publicada na revista “Ilustração Portugueza” de 28 de janeiro de 1922, mostra a visita do Dr. Alves dos Santos, na qualidade de Ministro do Trabalho, ao asilo D. Maria Pia
Notas:
1. Alguns anos após a publicação deste artigo, a Câmara Municipal de Ponte de Lima atribuiu o seu nome a uma das artérias da vila limiana.
2. O Dr. Alves dos Santos não teve descendentes diretos. De acordo com pesquisas genealógicas posteriormente efetuadas pelo autor, Augusto Joaquim Alves dos Santos era oriundo da família Carmo (da Cabração) da qual descendiam os de apelido Santos.
Transcrição:
“Aos vinte e hum dias do mês de outubro do anno de mil e oito centos sasenta e seis n’esta parochial Igreja de Sancta Maria da Cabração, concelho de Ponte do Lima Diocese de Braga Primaz Baptizei Solenemente hum indevido do sexo masculino a quem dei o nome de Augusto Joaquim Santos que nasceo nesta freguesia no dia quatorze de outubro pelas quatro horas da manha do dito mês e anno folho legitimo de Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos e Anna Maria Alves Soares natural da freguesia de Sam João da Rebeira e ele natural desta freguesia recebidos (…) de Ponte de Lima mas parochianos Proprietarios e moradores no Lugar da Igreja desta freguesia. Nepto Paterno de Antonio Jose Rodrigues dos Santos já defunto e Anna Joaquina Dantas proprietários e moradores no Lugar de Igreja que he desta freguesia e ella hoje residente na freguesia da Labruje deste concelho Materno de Antonio Jose Alves, Soares digo de Antonio Jose Alves e Mariana Luisa Soares da freguesia de Sam João da Ribeira Lugar de Crasto proprietários e forão Padrinhos o Reverendo Manoel Joaquim Soares thio do Baptizado e Maria Rosa Alves, solteira thia do Baptizado ambos da freguesia de Sam João da Rebeira Lugar de Crasto os quais todos sei serem os próprios. E para constar labrei em duplicado o prezente assento que depois de lido e conferido perante os Padrinhos comigo assinarão Era est supra.
os Padrinhos Manoel Joaquim Soares
Maria Rosa Alves
O Parocho Antonio Raymundo da Cunha Ferreira”
(Arquivo Distrital de Viana do Castelo. Fundo Paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de baptismos. Datas extremas: 1855 – 1890. Fls. 33 Cota 3.13.1.32)
REVISTA "ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA" NOTICIOU O FALECIMENTO DO DR. ALVES DOS SANTOS
A revista “Ilustração portuguesa” de 26 de janeiro de 1924, publicou a notícia do falecimento do Dr Alves dos Santos.
Após a romagem a Zamora nos dias 29 e 30 de abril de 2023 para comemorar o 898º aniversário da Investidura de Cavaleiro e inaugurar uma escultura de D. Afonso Henriques produzida por dois artistas vimaranenses, a Grã Ordem Afonsina promoverá a deslocação a Coimbra nos próximos dias 02 e 03 de dezembro de uma Embaixada de cidadãos com devoção patriótica para prestar homenagem ao primeiro Rei de Portugal e agradecer-lhe a consecução da Independência de Portugal há quase nove séculos.
Com os olhos postos nas comemorações dos 900 anos da Investidura de Cavaleiro em Zamora, no dia 8 de junho de 2025, a Grã Ordem Afonsina entendeu que se impunha também a introdução no calendário festivo nacional de uma cerimónia destinada a homenagear o ínclito Fundador de Portugal, em Coimbra,, no Panteão Nacional de Santa Cruz onde repousam os seus restos mortais, elegendo para esse efeito o primeiro fim de semana de dezembro, por se enquadrar num ciclo temporal coincidente com o aniversário do seu falecimento (06 de dezembro) e o feriado nacional comemorativo da Restauração da Independência de Portugal (01 de dezembro).
E assim, em parceria com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal e a Câmara Municipal de Coimbra, e em coordenação com o programa de visita a esta cidade dos Duques de Coimbra (a Senhora Dona Maria Francisca Isabel de Herédia e Bragança e o Sennhor D. Duarte de Sousa Araújo), a convite da Confraria da Rainha Santa Isabel, elaborou-se o seguinte programa:
1º Dia - sábado, 02 de dezembro
*08h00 - Partida de Guimarães junto ao Estádio D. Afonso Henriques;
*11h00 - Chegada a Coimbra e visita guiada à Universidade de Coimbra (Sala dos Capelos, Capela e Biblioteca Joanina);
*13h00 - Almoço de "Conjurados" no Hotel Quinta das Lágrimas, com a presença dos Duques de Coimbra;
*16h00 - Homenagem a D. Afonso Henriques no Panteão Nacional de Santa Cruz, em parceria com a Associação de Veteranos Lanceiros de Portugal e com a presença dos Duques de Coimbra;
*17h00 - Conferência na Casa Municipal de Cultural de Coimbra subordinada ao tema "Papel da Igreja na História da Fundação de Portugal", que contará com comunicações do Prof. Doutor Saul António Gomes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra sobre o "Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra", do Padre Dr. André Maurício Reis da Silva com o título "S. Teotónio, uma página de história, um capítulo de santidade" e do bracarense Dr. Rui Ferreira "D. João Peculiar: a segunda figura da nacionalidade".
2º Dia - Domingo, 03 de dezembro
*11h00 - Santa Missa Dominical na Igreja do Mosteiro da Rainha Santa Isabel, em sufrágio de D. Afonso Henriques e em Ação de Graças pela consecução da Independência de Portugal. Antes da Missa terá lugar o acto de investidura dos Senhores Duques de Coimbra como Irmãos da Confraria da Rainha Santa Isabel, seguindo-se o cortejo solene de entrada na Igreja desde o Coro Baixo do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
*15h00 - Visita guiada ao Museu Machado de Castro.
*17h00 - Regresso a Guimarães.
Agradecendo desde já a melhor divulgação da presente nota informativa, mantenho-me disponível para todos os esclarecimentos necessários.
A iniciativa é da Grã Ordem Afonsina e visa prestar homenagem a D. Afonso Henriques junto do Panteão Real, na Igreja de Santa Cruz, pela obtenção da independência de Portugal. Trata-se de uma viagem cultura e patriótica. A propósito, não deveriam os restos mortais do nosso primeiro Rei repousarem em Guimarães, a terra que foi também o seu berço?
Vai estar patente ao público, a partir do 27 de outubro e até 11 de novembro, uma exposição coletiva de pintura, “Vivacidade Moderna” na Galeria Albuquerque Lima, na cidade de Coimbra.".
O objetivo principal desta exposição é proporcionar aos visitantes uma experiência imersiva nas cores e expressões de pinceladas modernas e descontraídas.
A exposição contará com obras de seis artista, de diversas nacionalidades, que apresentam diferentes estilos e abordagens em suas criações, sendo eles: Ben Smith Martin, Helô Plautier, Lobo, Mário Costa, Mutes e Piera Zuercher.
O arcuense Mutes é um dos pintores convidados, conhecido pelo seu Des-Cubismo Contornísmo, e a sua forte e explosiva paleta de cores muito vivas.
Passa no próximo dia 17 de Janeiro de 2024 precisamente o 1º centenário do falecimento em Coimbra do Dr. Alves dos Santos. De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, nasceu em 14 de Outubro de 1866 na Freguesia de Santa Maria da Cabração, concelho de Ponte de Lima, e faleceu na cidade de Coimbra. Era filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos e de Ana Maria Alves Soares.
A atribuição do seu nome a um estabelecimento de ensino em Ponte de Lima como seu patrono seria a homenagem mais digna a dar a conhecer a personalidade e a obra de um dos mais ilustres limianos
O Dr. Alves dos Santos – um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima – foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923,“Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco“na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.
Figura controversa, padre apóstata, monárquico convertido ao republicanismo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É apontado como o principal autor da reforma do ensino primário de 1911. Pioneiro em Portugal da Psicologia Experimental, criou o primeiro laboratório nesta área. Conhecia em profundidade os principais psicólogos europeus do seu tempo, tendo privado com Henri Piéron (colaborador de Binet), cursou no Instituto Jean-Jacques Rosseau, em Genebra, com Edouard Claparède e Paul Godin.
De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.
Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.
Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.
A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:
“Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;
“O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;
“A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;
“O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;
“Elementos de filosofia científica”, em 1918;
“Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;
“Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923.
A foto, publicada na revista “Ilustração Portugueza” de 28 de janeiro de 1922, mostra a visita do Dr. Alves dos Santos, na qualidade de Ministro do Trabalho, ao asilo D. Maria Pia
Transcreve-se o assento paroquial de batismo de Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos, pai de Augusto Joaquim Alves dos Santos, também ele natural da Freguesia de Cabração, concelho de Ponte de Lima, cuja imagem junto se reproduz.
“Manoel Joaquim filho legitimo de Antonio Jose Rodriguez dos Sanctos, e de Anna Joaquina Dantas do Lugar da Egreja desta freguesia de Santa Maria da Cabração julgado de Ponte de Lima; nasceo no dia quinze de Agosto de mil oito centos trinta, e nove, foi baptizado solenemente na pia Baptismal desta Igreja, com imposição dos sanctos oleos, no dia dezoito do ditto mês, por mim padre Joao Antonio Pereira de Amorim Paroco desta Igreja. Forao padrinhos, Joao Antonio Rodrigues, solteiro (…) Maria Joanna Rodrigues solteira ambos (…) e do mesmo Baptizado. Nepto Paterno de Joao Rodrigues dos Sanctos, e de Maria Affonso do Lugar da Igreja desta mesma (…) materno do Padre Manoel Jose de (…), e de Rosa Maria de Antas solteira, ambos da freguesia da Labruje, Lugar do Socorro. Pª constar fiz este assento que assino: era dia mês comes est. Supra.
O Paroco Joao Antº Perª de Amorim Vigº”
(Arquivo Distrital de Viana do castelo. Fundo paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de baptismos. Nº. do livro: 2 Fls 4 Cota 3.13.1.31)
O Dr. Alves dos Santos (segundo a contar da direita) foi Ministro do Trabalho no governo do Dr. Cunha Leal
A revista “Ilustração portuguesa” de 26 de janeiro de 1924, publicou a notícia do falecimento do Dr Alves dos Santos.
Depois da 3.ª fase em Arcos de Valdevez o CNAV – Clube Náutico de Arcos de Valdevez participou na quarta e derradeira fase do Campeonato Nacional de Kayak Polo em Coimbra no corrente mês Agosto. O CNAV fez-se representar por duas equipas no escalão sub16 (escalão em que o clube se sagrou vice-campeão nacional em 2022).
A equipa D, com um percurso invicto até à final, obteve o 2º lugar da fase, ficando em terceiro lugar a nível nacional.
A equipa E conseguiu o 5 lugar da classificação final.
Os resultados dos escalões mais jovens mostram o trabalho que vem sendo desenvolvido pela equipa arcuense e certamente continuará a dar frutos no futuro.
“Manuel Joaquim filho legítimo de Antonio Jose Rodriguez dos Sanctos, e de Anna Joaquina Dantas do lugar da Egreja desta freguezia de Sancta Maria da Cabração julgado de Ponte doLima; nasceo no dia quinze de Agosto de mil oito centos trinta, e nove, foi baptizado solenemente na pia Baptismal deste Igreja, com imposição dos sanctos oelos, no dia dezoito do ditto mês, por mim Padre Joao Antonio Pereira de Amorim Paroco desta Igreja. Forao padrinhos, Joao Antonio Rodrigues solteiro, (…) Maria Joanna Rodrigues solteira ambos (…) e do mesmo Baptizado. Nepto Paterno de João Rodrigues dos Sanctos, e de Maria Affonso do Lugar de Igreja desta mesma materno do Padre Manoel Jose de (…), e de Rosa Maria de Antas solteira, ambos da freguezia da Labruje, Lugar do Socorro, Pª constar fiz este assento que assino: era dia e mês est supre.
O Paroco Joao Antº Perª de Amorim Vigº”
Transcrição do assento de baptismo de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos, pais de Augusto Joaquim Alves dos Santos.
Fonte: Arquivo Distrital de Viana do Castelo. Fundo Paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de batismos. Nº. do livro: 2. Fls. 4 Cota 3.13.1.31.
Foto existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, cedida ao autor
A Federação do Folclore Português e a AFERM - Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego, com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra e da Fundação Inatel, encontram-se a preparar o Congresso Nacional de Folclore para os dias 05 e 06 de novembro de 2022, em Coimbra, no Centro de Congressos de S. Francisco.