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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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NACIONALISTAS GALEGOS DEFENDEM A LÍNGUA PORTUGUESA QUE É TAMBÉM O SEU IDIOMA – O GALEGO!

Os nacionalistas gelagos estão a optar por escrever sob a ortografia portuguesa e, desse modo, deixarem de fazê-lo através das regras ortográficas do castelhano que é a língua oficial de Espanha. A iniciativa não é inética uma vez que o deputado nacionalista no Parlamento Europeu, Camilo Nogueira Román, o fazia como uma forma de se exprimir em liberdade no seu próprio idioma – o galego reintegrado ou seja, o galego-português – algo que estava impedido de fazê-lo nas cortes de Madride.

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Contudo, a generalização desta prática que está agora a verificar-se contribui para a afirmação da Galiza no contexto internacional uma vez que o galego – ou português – constitui o idioma oficial de 9 países independentes, para além de numerosos territórios e comunidades espalhadas pelo mundo de que Macau, Malásia e a antiga Índia Portuguesa serão as mais relevantes! – abrangendo quase 300 milhões de falantes. Refira-se ainda que se trata de uma língua e franca expansão em virtude de alguns dos países de expressão portuguesa serem actualmente países economicamente emergentes.

Para além desta opção que rompe com o “isolacionismo” imposto pelo castelhano que o remete o galego a um dialecto insignificante quando, desde os cancioneiros trovadorescos da Idade Média já consituía uma língua nacional – ainda a Espanha estava muito longe de se concretizar como um país! – esta iniciativa constitui uma afirmação de identidade da Galiza onde também o insígne poeta autor de Os Lusíadas teve as suas raízes.

Para além das suas afinidades linguísticas, históricas e culturais, a Galiza deveria formar com Portugal um único corpo, sob a forma confederal ou outra qualquer. Sob as muralhas do castelo – Castela! – escondem-se sempre as masmorras onde se mantêm aprisionadas as nacionalidades da Galiza, Catalunha, Euskadi, Canárias, Ceuta e até o território português de Olivença.

BRAGA PROMOVE ACTIVOS TURÍSTICOS EM BARCELONA

Município e ACB presentes no Salão de Turismo de Barcelona

O Município de Braga esteve presente no Salão de Turismo ‘B Travel’, que decorreu entre os dias 20 e 22 de Abril, em Barcelona. Com a participação neste evento especializado, o Município cumpriu mais uma etapa na estratégia de internacionalização da marca Braga junto de mercados com elevado potencial, promovendo assim os seus activos turísticos.

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Ao longo da feira, milhares de visitantes procuraram obter informações sobre Braga, tendo-se revelado esta iniciativa um palco privilegiado para promover o conhecimento sobre a Cidade nas suas mais diversas vertentes: património, gastronomia, comércio, história, cultura, alojamento, eventos, desporto, natureza e turismo religioso e de negócios.

Com cerca de seis mil metros quadrados, a iniciativa reuniu 200 expositores, incluindo agências de viagens, hotéis, operadores de cruzeiros, empresas de transporte e empresas de serviços de turismo, em representação de 40 destinos internacionais.

À semelhança do que aconteceu em Ourense e em Paris, a participação de Braga contou com a parceria da Associação Comercial de Braga e de operadores turísticos da Cidade.

Para Altino Bessa, vereador responsável pela área do Turismo, a parceria com os operadores locais é fundamental para a afirmação de Braga como destino turístico. “Acreditamos que é desta forma, em parceria com os agentes públicos e privados, que Braga pode vingar neste mercado tão competitivo”, referiu Altino Bessa, salientando a importância da promoção em mercados de proximidade como o espanhol.

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CATALUNHA QUER INDEPENDÊNCIA - ESPANHA PODE ESTAR À BEIRA DA GUERRA CIVIL!

A incapacidade do governo espanhol em apresentar soluções políticas que vão ao encontro dos povos da Catalunha mas também de Galiza e Euskadi, para além das fórmulas há muito tempo gastas do antigo regime ditatorial do generalíssimo Franco, está a criar um problema insanável que vai afectar a Península Ibérica e mesmo a União Europeia no seu conjunto.

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O próprio regime monárquico cujas virtualidades são por cá frequentemente evocadas, não é capaz de adoptar um modelo federal do tipo “reino unido” – nem tão pouco aceitar a realização de um referendo acerca da forma de regime!

Perante tal inflexibilidade, a aspiração independentista da nação catalã levará inevitavelmente a uma profunda separação da Espanha e à rejeição absoluta das instituições monárquicas e do próprio rei, cada vez mais vistas como símbolos da ocupação e da repressão que a cada dia mais se acentua.

Apesar do carácter pacífico que sempre caracterizou o povo da Catalunha, o incremento da perseguição e da repressão que se tem vindo a fazer sentir sobretudo desde as últimas detenções de dirigentes nacionalistas, envolvendo inclusive instituições locais, está a levar a sociedade catalã para um terreno que pode muito facilmente degenerar em violência generalizada.

No meio disto, a União Europeia não será a mesma e as brasas do nacionalismo catalão vão seguramente incendiar outros nacionalismos em toda a Europa – e não apenas na Península Ibérica. A Espanha pode mesmo estar à beira de uma nova guerra civil!

PORTUGAL AJUDADO PELA CATALUNHA? CORRIA O ANO DE 1640!

* Crónica de Paulo Freitas do Amaral

Nos tempos que correm e noutros passados as coincidências entre Portugal e Catalunha não se resumem só ao facto do uso do povo catalão de cravos vermelhos ou ao facto de termos eleições marcadas no mesmo dia.

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É curioso verificar que as coincidências aconteceram também no passado dos dois povos. Portugal consegue a sua restauração da independência em 1640 muito ao facto de Filipe  IV (de Portugal) III (de Espanha) estar preocupado com a independência da Catalunha e ter ordenado o envio de tropas para aquele ponto da península ibérica e com isso ter desguarnecido o território português. 

A luta por uma Catalunha independente evoca pontos comuns com a História Portuguesa.

Este cruzamento da história destes territórios foi efectivo em 1640. Filipe IV demorou ainda cerca de 12 anos a vencer a revolta independentista na Catalunha, enquanto em Portugal, os conjurados matavam Miguel Vasconcelos e proclamavam Dom João IV como Rei. Aquando do 1- de Dezembro, havia seis meses que a Catalunha lutava contra o poder de Filipe IV. Desta forma o Rei espanhol que já se ocupava de combater os catalães, optou por investir numa das revoltas simultâneas. Filipe IV empenhou-se em combater a revolta catalã.Mas as preocupações espanholas não se ficavam só pela Catalunha, o país vizinho atravessava a guerra dos trinta anos, e enviava tropas para a Catalunha, para a França e para a Flandres, frente de batalha em que o ministro conde.duque de Olivares apostou, enquanto Luís XII e Richelieu faziam da Catalunha um protectorado francês. Olvidares, no entanto quanto a Portugal, tentou outro método em que apostava em assassinar o Rei (1641)

Posteriormente a doze anos de luta do exército franco-catalão catalão, Filipe IV consegue dominar a revolta  e reconquista Barcelona. Já no que toca a Portugal, Espanha reconhece a independência em 1668

Seria possível a restauração da independência portuguesa sem a luta do povo catalão? As opiniões dividem-se mas provavelmente sim, embora diferente…o tempo de guerra seria provavelmente maior do que os 28 anos que durou...

SERÁ QUE A DEVOLUÇÃO DO TERRITÓRIO DE OLIVENÇA A PORTUGAL TAMBÉM É ILEGAL FACE À CONSTITUIÇÃO ESPANHOLA?

O governo de Madrid impede o povo catalão não possui o direito de decidir o seu destino político através de referendo alegando que este instrumento democrático é inconstitucional. Será que a constituição espanhola também impede a Espanha de restituir a Portugal o território que mantém ilegitimamente ocupado há mais de dois séculos, apesar dos compromissos que assumiu nesse sentido?

Em 20 de Janeiro de 1801, Espanha, cínica e manhosamente concertada com a França Napoleónica, sem qualquer pretexto ou motivo válido, declara guerra a Portugal e, em 20 de Maio, invade o nosso território, ocupando grande parte do Alto-Alentejo, na torpe e aleivosa «Guerra das Laranjas». Comandadas pelo «Generalíssimo» Manuel Godoy, favorito da rainha, as tropas espanholas cercam e tomam Olivença.

Ao assinar em 1817, o Tratado de Viena, a Espanha concordava e comprometia-se a devolver o território português de Olivença. Referia o artigo 105.º dor eferido Tratado o seguinte: “As Potências, reconhecendo a justiça da reclamações formuladas por Sua Alteza, o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, sobre a vila de Olivença e os outros territórios cedidos à Espanha pelo tratado de Badajoz de 1801, e considerando a restituição destes objectos como uma das medidas adequadas a assegurar entre os dois Reinos da Península aquela boa harmonia, completa e estável, cuja conservação em todas as partes da Europa tem sido o fim constante das suas negociações, formalmente se obrigam a empregar por meios conciliatórios os seus mais eficazes esforços a fim de que se efectua a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal. E as Potências reconhecem, tanto quanto depende de cada uma delas, que este ajuste deve ter lugar o mais brevemente possível”.

Não obstante, a Espanha até ao momento nunca honrou a sua palavra, quaisquer que fossem os regimes políticos que ali tiveram vigência, o que nunca os coibiu de cinicamente nos tratar por “hermanos”…

Em 1864, Portugal e Espanha trataram de proceder à delimitação da sua fronteira comum. Perante a recusa do Estado Português em reconhecer a soberania espanhola sobre o território de Olivença, a Comissão Internacional de Limites Luso-Espanhola interrompeu os seus trabalhos na zona da desembocadura do rio Caia, tendo os mesmos apenas sido retomados em 1926, a partir da desembocadura da ribeira dos Cuncos no rio Guadiana, portanto a sul de Olivença.

O Estado Português jamais reconheceu a ocupação do território de Olivença por parte de Espanha, razão pela qual se mantém por colocar os marcos fronteiriços naquele local. Tratando-se de um território de jure pertencente a Portugal nem sequer se coloca juridicamente a questão da autodeterminação – o que se coloca é, do ponto de vista moral, a ocupação em si mesma, ao arrepio do direito internacional, contra os compromissos que assumiu que leva a descredibilizar a palavras dos seus governantes e os protestos de amizade em relação ao povo português. Ou será que a devolução do território que não legalmente não lhe pertence também é inconstitucional face à nova Lei em Espanha?

Carlos Gomes

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GALEGOS SOLIDÁRIOS COM A CATALUNHA

Milhares de galegos descem à rua em várias cidades da Galiza para manifestar o seu apoio à realização do referendo na Catalunha e à causa independentista.

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A repressão que se anuncia sobre o povo catalão está a gerar uma onda de solidariedade por toda a Espanha, com maior incidência na Galiza e no País Basco.

Refira-se que o sucesso da Restauração da Independência de Portugal face ao domínio filipino em 1640 se deveu em grande medida ao levantamento fracassado na Catalunha, vulgarmente conhecido por “revolta dos segadores”.

Também em Portugal está prevista para hoje uma concentração em frente à embaixada de Espanha, em Lisboa, ao final da tarde.

Fotos: BNG

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NACIONALISTAS GALEGOS DEFENDEM CATALUNHA INDEPENDENTE

Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão. – Artigo 7º, Alínea 3 da Constituição da República Portuguesa

Vários dirigentes nacionalistas da Galiza participaram ontem em Barcelona na “Diada”, como é conhecido o dia que assinala a conquista de Barcelona pelo rei de Espanha Filipe V em 1714 depois de um cerco de 14 meses.

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Mais de 1 milhão de catalães desceu ontem à rua para apoiar a causa da independência da Catalunha e o direito à realização de um referendo de autodeterminação, proibido pelas instituições espanholas, o qual deverá realizar-se no próximo dia 1 de Outubro.

O governo de Madrid, dominado ainda por uma visão franquista da “Espanha Una” que outrora animava as milícias falangistas que ambicionavam de igual modo integrar Portugal nesse projecto, não consegue apresentar uma solução política que passe eventualmente por um modelo federal, qualquer que fosse a forma de regime, monárquico ou republicano.

As várias nações que actualmente formam a Espanha reclamam a sua independência e, à Catalunha, certamente se seguirá a Galiza e Euskadi, redesenhando o mapa político da Península Ibérica, com repercussão inclusive para além dos Pirenéus. Em relação à Galiza, forma conjuntamente com Portugal uma só nação!

Fotos: BNG

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RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL FOI HÁ 375 ANOS!

Portugal e a Catalunha estão nações unidas por laços históricos!

Passam 375 anos desde a data histórica da Restauração da Independência de Portugal em relação ao domínio dos reis de Espanha. Um punhado de portugueses tomou de assalto o Paço da Ribeira, aprisionaram a Duquesa de Mântua e defenestraram o traidor Miguel de Vasconcelos. Estava proclamada a restauração da independência.

Seguiu-se a aclamação de D. João IV, Duque de Bragança, como rei de Portugal e dava-se início a uma sucessão de batalhas militares que duraram 28 anos, com vista a consolidar a independência, as quais culminaram com a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668. Este tratado, celebrado entre Afonso VI, de Portugal e Carlos II, de Espanha, pôs fim à Guerra da Restauração, dando lugar nomeadamente à devolução de Olivença que esteve durante 11 anos sob ocupação espanhola. Apenas a praça de Ceuta ficou na posse de Espanha.

Para o sucesso do golpe palaciano contribuíram diversos fatores internos como o descontentamento dos nobres que haviam perdido os seus privilégios e eram preteridos relativamente à nobreza castelhana; a burguesia que via o seu negócio prejudicado pela concorrência dos comerciantes ingleses, holandeses e franceses e também os constantes ataques aos navios que transportavam os seus produtos e, finalmente, o povo sobre quem recaíam cada vez mais pesados impostos.

Mas, puderam os conjurados de 1640 também contar com diversos fatores externos que se revelaram favoráveis, de entre os quais se salienta a revolta que eclodira na Catalunha em 7 de junho daquele ano, contra o centralismo imposto pelo Conde-Duque de Olivares e a presença de tropas castelhanas em território catalão. Tratou-se da “Guerra dos Segadores”, assim denominada por ter tido origem imediata na morte de um ceifeiro, a qual teve lugar entre 1640 e 1652.

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Os catalães proclamam a República Catalã em 26 de janeiro de 1641. Porém, o falecimento do seu principal chefe Pau Claris, leva a um desenvolvimento do conflito do qual resulta na incorporação de parte da Catalunha no território da França.

Tanto a revolta da Catalunha como a Restauração da Independência de Portugal contaram com o apoio do Cardeal Richelieu, o que aliás explica a defenestração – termo originado de fenêtre – de Miguel de Vasconcelos, prática muito em voga à época em todas as revoltas que ocorreram noutros países europeus. Deste modo, conseguia a França alargar as suas fronteiras políticas, fazendo-as coincidir com acidentes naturais como os Pirinéus a ocidente, o rio Reno e os Alpes a oriente, de maneira a melhor defender-se do poderio da Casa de Áustria de onde descendiam os reis de Espanha cujos domínios, no continente europeu, incluía Portugal, Nápoles, Sicília, Milão, Sardenha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Ilhas Canárias, Maiorca, Rossilhão, Franco-Condado, para além dos reinos de Castela, Leão, Valência, Aragão e a Catalunha propriamente dita.

Com o casamento em 1469, do rei Fernando II de Aragão com Isabel I de Castela, a Catalunha vinha perdendo as suas liberdades enquanto nação soberana e jogava agora a sua oportunidade de recuperar a independência política.

Dando prioridade ao esmagamento da revolta catalã, o rei Filipe IV, de Espanha, ordena ao Duque de Bragança e a muitos nobres portugueses que o acompanhem na repressão à Catalunha, tendo-se a maior parte deles recusado a obedecer.

Enquanto a Catalunha sucumbiu perante o poderio castelhano, Portugal conseguiu sair vitorioso da guerra travada contra a Espanha que durou 28 anos e veio a confirmar a nossa independência como nação soberana, em grande medida graças à revolta catalã. Por conseguinte, possuem os portugueses uma dívida histórica aos catalães na medida em que a sua sublevação foi bem-sucedida em grande medida devido à revolta dos segadores da Catalunha.

É a privação da liberdade nacional que nos leva a atribuir-lhe maior valor, parecendo por vezes que a desprezamos sempre que a damos como garantida!

Decorridos que são 375 anos sobre tais acontecimentos históricos, eis que a Catalunha volta a aspirar à sua própria independência política. Em coerência, não podemos nós, portugueses, deixarmos de reconhecer à Catalunha e ao povo catalão o direito à liberdade que em 1 de dezembro de 1640 lográmos alcançar. Portugal e a Catalunha estão unidas por laços históricos!

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PENÍNSULA IBÉRICA VÊ NASCER UMA NOVA NAÇÃO INDEPENDENTE: A CATALUNHA!

Dentro em breve, a Europa poderá assistir ao nascimento de uma nova nação soberana e independente na Península Ibérica: a Catalunha!

Os catalães vão no próximo dia 27 de setembro ser chamados a votar para as eleições autonómicas da região, as quais vão constituir na prática um plebiscito à independência.

Apesar do decreto que convoca as referidas eleições não incluir qualquer referência ao carácter plebiscitário das mesmas, as forças políticas nacionalistas formaram a frente independentista “Juntos Pelo Sim” – “Junts pel sí”, em catalão – congregando a Convergência Democrática de Artur Mas, a Esquerda Republicana da Catalunha de Oriol Junqueras e os comunistas das Candidaturas de Unidade Popular.

Porém, o projeto de independência da Catalunha conta com a oposição do PSC (Partido Socialista da Catalunha), o PPC (Partido Popular da Catalunha), a ICV-EUiA (partido comunista) e o Catalunya Sí que es Pot (Podemos catalão) e do Ciudadanos.

Perante a manifesta dificuldade da Espanha vir a adotar um modelo federal, quer sob o regime monárquico ou republicano, o caminho iniciado pela Catalunha rumo à independência parece irreversível.

Uma eventual declaração unilateral da independência por parte da Catalunha trará profundas alterações políticas na Península Ibérica e a nível europeu. O independentismo catalão preconiza a construção de um Estado Federado do qual farão ainda parte a Comunidade Valenciana, Aragão, Ilhas Baleares, El Carxe (Comarca de Múrcia), Andorra, o território francês do Rossilhão (Catalunha Norte) e L’Alguer, na Sardenha, em Itália.

Entretanto, o exemplo da Catalunha pode ainda vir a ser seguido pelo País Basco (Euskadi) com evidentes consequências no mapa político de França, a Galiza e as Canárias, despertando os nacionalismos adormecidos nos mais variados pontos da Europa, à semelhança do que ocorreu no século XIX.

À semelhança do que sucedeu com o Sacro Império Romano-Germânico de Carlos Magno que em grande medida inspirou os construtores da atual União Europeia, a crise económica e financeira e o encerramento das fronteiras pode ditar o seu fim e abrir o caminho à reconfiguração da Europa com o aparecimento de novas nações.

De uma coisa temos a certeza: os catalães estão a fazer História. Nós, portugueses, recuperámos a independência face a Espanha em 1640 – nessa altura, a revolta da Catalunha foi esmagada!