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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MEMÓRIAS DA MIGRAÇÃO DE GENTES DE CASTRO DAIRE PARA LISBOA

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  • Crónica de Daniel Bastos

No final do passado mês de outubro, o município de Castro Daire, através da Biblioteca Municipal, a Binaural Nodar e a Casa do Concelho de Castro Daire em Lisboa, organizaram o evento “Da serra para a fábrica”, uma iniciativa integrada no projeto Europa Criativa “Onde a cidade perde o seu nome” que incluiu como parceiros principais a La Fundició (Catalunha, Espanha), a Binaural Nodar (Viseu Dão Lafões, Portugal) e a Fundatia AltArt (Cluj-Napoca, Roménia).

A atividade, composta por uma performance/tertúlia audiovisual e participativa, assim como partilha de receitas gastronómicas e uma exposição retrospetiva, de objetos, fotografias, paisagens sonoras e registos audiovisuais, foi o culminar de mais de três anos de trabalho dedicado ao resgate e difusão de memórias de milhares de pessoas originárias do concelho de Castro Daire. Uma localidade situada na região Centro, distrito de Viseu, que ao longo do século XX assistiu à debandada de muitos filhos da terra para a zona oriental de Lisboa, onde hoje se situa a freguesia de Marvila, para trabalharem em fábricas, armazéns, na estiva, em pequenas mercearias e em tantos outros mesteres.

Comummente conhecido com um país de emigrantes espalhados pelos quatro cantos do mundo, o original projeto castrense ilumina uma profícua área de investigação que tem ainda muito por caminho por desbravar. Designadamente os fluxos de população dentro de Portugal, igualmente impelidos pela procura de melhores condições de vida, e também originadores de inúmeras transformações socioculturais e económicas no território nacional.

No caso concreto da migração de gentes de Castro Daire para Lisboa, como revelam os responsáveis pelo singular projeto de preservação da identidade cultural local, muitas destas famílias que abalaram para a zona oriental da capital portuguesa, inicialmente viveram quase todas em bairros informais, autênticas aldeias beirãs na cidade e posteriormente rumaram para apartamentos, ou por via da sua associação a cooperativas de habitação como a do bairro da PRODAC, ou porque simplesmente conseguiram amealhar o suficiente para comprar uma casa mais condigna. Décadas depois, muitos ficaram, outros regressaram à terra, acabando quase todos por formar uma condição intermédia: a de castrense alfacinha.

LUÍS ESTEVES, PRESIDENTE DA CASA DO CONCELHO DE CASTRO DAIRE, LEVA AS “CASAS REGIONAIS EM LISBOA” AO COLÓQUIO INTERNACIONAL PROMOVIDO PELO INATEL E O CENTRO DE ESTUDOS DE ECONOMIA PÚBLICA E SOCIAL (CEEPS)

Casas Regionais em Lisboa em Colóquio Internacional - 18 e 19 NOV - Teatro da Trindade INATEL

CASAS REGIONAIS EM LISBOA é tema apresentado no X Colóquio Ibérico de Economia Social do CIRIEC, I Colóquio Internacional de Economia Social da Fundação INATEL, subordinado ao tema genérico ‘Sustentabilidade do Território, Património e Turismo Social’, a acontecer, nos dias 18 e 19 de Novembro, no Teatro da Trindade em Lisboa.

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A comunicação está ao encargo de Luís Esteves, nosso conhecido presidente de direção das Casa de Castro Daire em Lisboa, membro do Conselho Nacional da CPCCRD (Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto) e membro da direção da ACCL (Associação das Colectividades de Lisboa) e sua intervenção intitula-se ‘Casas Regionais em LisboaRepositórios rurais em espaços culturais urbanos’.

O colóquio contará com um primeiro dia, para a participação de especialistas nacionais e internacionais nos temas em apreço e com um segundo dia, para a realização de comunicações por parte de docentes e investigadores provenientes de várias instituições de ensino e investigação, alargando o debate e aprofundando o conhecimento sobre as matérias neste contexto. A abertura cabe aos principais representantes das entidades envolvidas e dos representantes da Comissão Europeia e Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal e termina com um concerto Worl Music Concept com Lula Pena (Portugal) e Muzsikás (Hungria).

Luís Esteves dedica a sua investigação de doutoramento, ao fenómeno de estruturas associativas, sem fins lucrativos, do século XX, resultante do fluxo migratório das aldeias para as cidades. Estes espaços urbanos são elementos estruturantes, de identidade e memória, arquivos de herança rural, enriquecedores do património histórico e cultural. Aspiração de ‘reaportuguesar’ Portugal num país idealizado, por meio das atividades realizadas em coletivo de ritos e rituais, por via da recolha do folclore e levantamentos etnográficos dos usos e costumes dos antepassados. Estudo de investigação-ação, inserido num modelo etnográfico que revela as práticas do migrante português como ser intermediário do reconhecimento e transmissão do seu próprio património. Principais atores de promoção e divulgação da cultura tradicional e popular portuguesa na capital lisboeta, incluindo a salvaguarda e produção da documentação geral mais significativa.

Através da análise em campo, as Casas Regionais em Lisboa funcionam como locais de sociabilidade, pontos de encontro, que implicam simultaneamente os modos de interação na vida quotidiana e suas formas de agrupamento permanente cujos estatutos e modos de funcionamento são núcleos geradores de iniciativas próprias, aglutinadores de vontades, universo de dirigentes e dirigidos, possuidores de organogramas semelhantes. O que torna possível a afirmação da singularidade de cada uma destas Casas Regionais como repositório de uma tradição que tem na sua fonte um complexo de valores de património ético comum com o qual os associados se identificam e em torno do qual se mobilizam. São estes valores que fazem a diferença, a defesa de interesses e promoção de temáticas de relevo para as regiões, manifestações evidentes da sociedade organizada, ou seja, como expressão da sociedade civil, fator de estabilização e pacificação de caráter intergeracional que assenta em larga medida nos laços dos afetos que radicam na cultura, valores, modos de ser e de estar. 

REGIONALISTA DE CASTRO DAIRE APRESENTA TESE DE DOUTORAMENTO ACERCA DAS CASAS REGIONAIS EM LISBOA

“Quanto país cabe em uma cidade? – As Casas dos Concelhos Embaixadas Regionais em Lisboa” é como se designa o projeto de investigação de seu doutoramento sobre o atual enquadramento das Casas Regionais em Lisboa que está a ser realizado pelo Dr. Luís Esteves, um regionalista que é presentemente o Presidente da Casa do Concelho de Castro Daire, na capital lisboeta.

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Este projeto de investigação constitui um estudo em forma de peça documental através dos materiais escritos, fílmicos e sonoros produzidos. Pretende ser um registo atualizado sobre as Casas Regionais no ativo, quem são e como se expressam.

Um fórum associativo em documentário que resulta da participação/ação do investigador nos discursos rurais da arquitectura urbana presente na nossa capital. Explorar conceitos derivados, como: associativismo, regionalismo, fluxo migratório, etnografia, tradições e cultura popular.

No plano de trabalhos consta entrevistas com os presidentes de direção, no sentido de conhecer e perceber o objecto de estudo, passando pela história, missão, seus valores e, consequentemente, pelas atitudes e percepções dos seus representantes.

Procurar saber quem são, o que as define, o que fazem, como se organizam, quais os recursos. Conhecer o passado, o presente e as suas perspectivas futuras. Um conjunto de questões que definem a entidade e respondem certamente às características do fenómeno colectivo de encontro de fluxos migratórios na capital lisboeta.

Surge o cinema como instrumento de recolha e tratamento de dados, grelha de observação e proposta de reflexão e discussão.

Natural do concelho de Castro Daire, região da Beira-Alta, o Dr. Luís Esteves ingressou aos 18 anos no Curso de Estudos Artísticos, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo iniciado a especialização na variante de Cinema, na Université Sorbonne Nouvelle Paris III.

Após a Licenciatura, conclui os estudos académicos no Brasil e, em 2011, torna-se Mestre em Estudos Artísticos com especialização na área dos Estudos Fílmicos e da Imagem pela Universidade de Coimbra, convénio com a Universidade Gama Filho (Barra-Downtown) – Rio de Janeiro.

Atualmente, a par do Doutoramento em Artes do Media na Universidade Lusófona de Lisboa, seus compromissos passam por lecionar no Conservatório D'Artes de Loures e é também Presidente da Casa do Concelho de Castro Daire, em Lisboa

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