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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MEMÓRIAS DA DITADURA REVISITADAS NA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO UMA OBRA CONCEBIDA PELO HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS

Foi hoje apresentado em Toronto o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, foi apresentada na Peach Gallery, um dos espaços culturais de referência da comunidade luso-canadiana.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), acompanhado do comendador Manuel DaCosta, no decurso da apresentação do livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”, na Peach Gallery em Toronto

A sessão de apresentação, que encheu a Peach Gallery de emigrantes, lusodescendentes, líderes comunitários e dirigentes associativos luso-canadianos, esteve a cargo do comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que enalteceu o trabalho de Daniel Bastos em prol promoção e divulgação das comunidades portuguesas. Segundo o mesmo, a apresentação do livro no ano em que se assinala meio século da Revolução de Abril e no início das comemorações da Semana de Portugal em Toronto, constitui um justo reconhecimento do papel da comunidade luso-canadiana ao longo dos anos no engrandecimento dos valores da liberdade e da portugalidade.

Refira-se que a totalidade das receitas da venda dos livros que esgotaram rapidamente, reverteram a favor da Magellan Community Foundation, uma instituição responsável pela construção em Toronto, do primeiro lar de cuidados a longo termo para idosos de expressão portuguesa.

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A sessão cultural encheu a Peach Gallery de emigrantes, lusodescendentes, líderes comunitários e dirigentes associativos luso-canadianos

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Após a apresentação da obra, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira e prefácio do investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, e onde é revelado o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nos anos 60 e 70. A iniciativa cultural computou a estreia do documentário  “África, como eu a vi”,  uma produção da MDC Media Group, realizada por Paulo Fajardo, que através da recolha de testemunhos de antigos combatentes da Guerra Colonial, homenageia aqueles que lutaram pela inclusão de Portugal num mundo de consciência democrática.

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CASA DO MINHO EM WINNIPEG (CANADÁ) FESTEJOU 50 ANOS COM 400 SARRABULHOS

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  • Crónica deTito de Morais

A Casa do Minho do Canadá, situada na cidade de Winnipeg, festejou 50 anos, fundada que foi a 5 de Maio de 1974, por um grupo de amigos oriundos de Portugal, principalmente Manuel Rodrigues Sousa, de S. Martinho da Gândara, casado com Maria da Conceição Sousa, da vila de Ponte de Lima.

Um vasto programa de dois dias preencheu a efeméride, com muito empenho e trabalho duma vasta equipa dirigida pelo Presidente Samuel Sousa, seguidor dos passos do pai fundador.

A cerimónia foi aberta pela governadora da província, Maritoba, Anita Neville, ao som do Hino do Canadá e restantes autoridades: cônsul de Portugal, Paulo Cabral; Presidente da Câmara de Winnipeg, Scott Gillingham; o vice, da de Viana do Castelo, Manuel Vitorino e o Presidente da Junta de Chafé, António Oliveira Lima

Durante mais de dez horas assistimos à animação, com música popular portuguesa, do DJ Kevin Fontes e clássica. Foram interpretantes desse momento, mais de duas dúzias de grupos, duetos, artistas individuais, da região e de outras partes do Canadá. Recordamos algumas das participações: Associação Cultural do Minho, de Toronto; Centro Cultural Português de Mississauga, Ontário; Alegria, da Associação Portuguesa de Manitoba;  Aldeias de Portugal; Estrelas do Norte, de Totonto; Balada Dance Team, da Roménia; Pérolas do Atlântico, da Casa dos Açores, Ontário; os sons quentes da Banda Brazilian Vibe, e da Itália, a Stelle Di Calabria, o Coral Alexis Chlopecki Singer, de Maritoba e Croatian Dance Group, da Croácia.

Em tempo de intervenções de convidados, solicitaram-nos uma palestra de meia hora para recordar o navegador João Álvares Fagundes (1460?-1522). Enumeramos nossas pesquisas em Portugal e França, recordando o ilustre altominhoto que, entre um e dois anos antes de falecer foi pioneiro dos portugueses no Canadá, ao reconhecer as actuais províncias marítimas da Nova Escócia, Terra Nova e Labrador, cujas ilhas e terras o rei D. Manuel I lhe reconhecera por carta de 22 de Março de 1521, documento da Torre do Tombo, Lisboa.

Quanto a gastronomia, ela repartiu-se pelo jantar de Sábado, um Roast beef, e o almoço de Domingo, com o Sarrabulho á moda de Ponte de Lima. Na cozinha, ampla, a coordenação de serviço por parte dos Chefs: Jeff Coelho, luso – canadiano, e Paulo Santos, que nos acompanhou de Ponte de Lima em mais de treze horas de avião com as miudezas necessárias para o prato típico limiano; no salão de festas, oito centenas de comensais deliciaram – se com o eficaz apoio de quinze colaboradores na confecção das iguarias, enquanto outros tantos serviam às mesas, os ágapes escolhidos e os vinhos verdes e maduros com todo o carinho e atenção.

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HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS REVIVE EM TORONTO MEMÓRIAS DA DITADURA REVISITADAS NA COMUNIDADE PORTUGUESA

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No próximo dia 1 de junho (sábado), é apresentada em Toronto a obra “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

O livro, concebido pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, é apresentado, às 10h00, na Peach Gallery em Toronto.

Neste novo livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira, e prefácio do historiador e investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nos anos 60 e 70.

Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.

Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, e no início das comemorações da Semana de Portugal em Toronto, a Peach Gallery, localizada na 722 College Street, um dos espaços culturais de referência da comunidade luso-canadiana, após a apresentação do livro, exibirá estreia de documentário “África, como eu a vi”, realizado e produzido por Paul Fajardo, através dos testemunhos de antigos combatentes do Ultramar.

Neste sentido, esta iniciativa cultural no âmago da comunidade portuguesa em Toronto, metrópole onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, constitui um reconhecimento do contributo e papel inestimável da comunidade luso-canadiana ao longo dos anos no engrandecimento dos valores da liberdade e da portugalidade. 

Refira-se que a edição da obra se deveu em grande parte ao mecenato de empresas que partilham uma visão de responsabilidade social e um papel de apoio à cultura, em particular, do grupo empresarial do comendador luso-canadiano Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto. Sendo que a totalidade das receitas da venda dos livros na sessão aberta à comunidade, reverte a favor da Magellan Community Foundation, uma instituição responsável pela construção em Toronto, do primeiro lar de cuidados a longo termo para idosos de expressão portuguesa.

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PORTUGUESES NO CANADÁ (WINNIPEG) REALIZAM BANQUETE DA PÁSCOA

  • Crónica de Tito de Morais

A comunidade portuguesa residente no Canadá, realiza mais uma vez cerimónias da Páscoa, onde para além de actividade religiosa também a gastronomia está incluída no programa. Assim, na cidade de Winnipeg, capital da província de Manitoba, o Centro Português Casa do Minho, liderado por Sammy Sousa, de Ponte de Lima, realiza no Domingo 31 do corrente, o Banquete da Páscoa. Trata-se de um convívio á mesa, limitado ao espaço da sede da coletividade, cuja ementa compreenderá uma canja de galinha e Bacalhau á Brás, entre outras iguarias.

Recorde-se, que a Casa do Minho de Winnipeg, tem realizado este ano vários eventos gastronómicos como:o Jantar Minhoto com Bacalhau á Braga (ou à Narcisa); a Feijoada Minhota, o Domingo Gordo com Carne Alentejana, a Massa à Portuguesa com Bacalhau desfiado, e agora, o  Banquete pascal.

Sobre a sede desse centro cultural português, informemos que se situa nas chamadas pradarias canadianas. Manitoba, é um território que faz fronteira com os Estados Unidos da América, os estados de Dakota do Norte e do Minnesota.

No âmbito da promoção da cozinha tradicional portuguesa, a Casa do Minho de Winnipeg, pretende ainda realizar mais eventos similares. Em estudo está um almoço com Sarrabulho á Moda de Ponte de Lima, animação cantares populares, e uma outra actividade com vinhos brancos e tintos.

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CASA DO MINHO EM WINNIPEG (CANADÁ) FOI FUNDADA HÁ 50 ANOS – LIMIANO MANUEL RODRIGUES SOUSA FOI O PRINCIPAL IMPULSIONADOR!

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Nas últimas décadas, a comunidade portuguesa de Winnipeg consolidou-se como uma das mais organizadas, cultural e socialmente, na região. No entanto, nem sempre foi assim. Quando a Casa do Minho foi fundada, no longínquo ano de 1974, a comunidade já contava com cerca de vinte e cinco mil pessoas, mas era servida apenas por uma associação. Embora a intenção não tenha sido de rivalizar com a única organização existente na época, a Casa do Minho foi inevitavelmente formada por necessidade. O que aconteceu depois é um exemplo de perseverança, resiliência, compromisso e dedicação dos seus associados e amigos.

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Manuel Rodrigues Sousa é um exemplo dessa devoção. Foi um dos fundadores da Casa do Minho e tornou-se uma figura respeitada na comunidade portuguesa de Winnipeg devido às suas décadas de dedicação abnegada como voluntário com funções e responsabilidades variadas. Ainda ativo no campo associativo, o seu legado transpôs gerações e inspirou outros jovens a seguir os seus passos. Um exemplo perfeito disso é o seu filho mais novo, Samuel Sousa, que tem estado no centro das atenções em muitas das iniciativas da organização e que agora é o seu novo presidente.

Nascido a 10 de novembro de 1943, em S. Martinho de Gandra, Ponte de Lima, Manuel Sousa trabalhou desde cedo como lavrador. Rapidamente desenvolveu uma afeição especial pelo folclore e juntou-se ao grupo da sua aldeia na tenra idade de 15 anos. Em 1964, alistou-se no exército e um ano depois viajou para a Guiné-Bissau para lutar numa guerra colonial desnecessária durante três longos anos. Voltou para a sua cidade natal em 1967, quatro dias após o falecimento do seu pai. Nesse mesmo ano, casou-se e começou a trabalhar como camionista para uma fornecedora de materiais de construção. Cinco anos depois, a 4 de junho de 1972, partiu para o Canadá num voo que pousou em Toronto, cidade onde planeava ficar e, mais tarde, juntar a sua família. No entanto, ele foi convencido por conhecidos a voar mais para o oeste, para Winnipeg, onde chegou dias depois. Eventualmente adquiriu estatuto de residente permanente no Canadá e, a 16 de abril de 1975, viajou a Portugal para trazer consigo a sua esposa e dois filhos, tornando Winnipeg o seu lar permanente.

Quando cheguei, a comunidade era grande. Há quem diga que naquela época tínhamos mais portugueses aqui do que agora porque a imigração estava aberta e tínhamos gente a chegar a toda a hora. […] Embora aqui tivéssemos muita gente, havia pouco envolvimento na comunidade”, disse Manuel Sousa em entrevista realizada via Zoom. “Em 1973, comecei a envolver-me. A Associação Portuguesa de Manitoba era a única associação na altura, mas eram poucas as pessoas que estavam envolvidas”, acrescentou.

Embora a participação da comunidade na vida associatiava não fosse proeminente, Manuel Sousa testemunhou a integração inaugural de um rancho português no Folklorama, um evento que exibe as diversas culturas e etnías de Winnipeg durante duas semanas repletas de interesse a cada agosto. "O Senhor José Vieira, natural de Oleiros (Ponte da Barca), formou o rancho, em 1967 ou 68, que fazia parte da Associação Portuguesa. Em 1973, o Sr. Vieira convidou-me para fazer parte do grupo”, recordou Manuel Sousa.

Foi aqui que Manuel Sousa se envolveu pela primeira vez no trabalho comunitário em Winnipeg, mas mal sabia ele que o rancho folclórico da Associação serviria de prelúdio para a formação da Casa do Minho. Aconteceu que, na época, o rancho não tinha equipamento para ampliar o som para que os irmãos Garcia e Luciano Matias, os acordeonistas que acompanhavam o rancho na altura, fossem devidamente ouvidos pelo público. Garcia Matias decidiu comprar um microfone e um conjunto de colunas e então propôs que, embora não cobrasse pelos ensaios, lhe pagassem 10 dólares por cada atuação. Os elementos do rancho concordaram prontamente mas o Sr. Vieira não conseguiu convencer a Direcção da Associação Portuguesa, que tinha dois administradores que se opunham veementemente à proposta. Disso resultou uma ruptura entre José Vieira e a Associação, que o levou a formar o seu próprio grupo denominado Casa do Minho Portuguese Folk Dances. Assim, a nova associação foi formada. José Vieira tornou-se o seu primeiro Presidente.

“Em 4 de maio de 1974, o Sr. Vieira registou o grupo no Folk Arts Council. Foi na garagem dele que fizemos os primeiros ensaios”, recordou Manuel Sousa. “Sou um dos fundadores, membro número 8. Não tínhamos membros pagantes e formamos o nossa próprio Executivo composta por voluntários. Demos-lhe o nome de Casa do Minho mas, na altura, pouquíssimos membros eram minhotos”, acrescentou.

Durante cerca de nove anos, o folclore manteve-se como a principal atividade da associação, mas o teatro, produzido pelos seus voluntários, e organizações de jantares para celebrar ocasiões especiais como a Páscoa e o Ano Novo também iam ganhando o seu espaço. “A nossa primeira peça [de teatro] foi em 1975. Depois começámos a comemorar o Carnaval, a Páscoa e o Ano Novo [numa época em que] esses jantares formais não eram organizados. Fomos nós que começámos. Alugávamos salões e os voluntários serviam”, disse Manuel Sousa. A primeira festa de Ano Novo foi realizada em 1976.

Embora a garagem de José Vieira se tenha tornado um local viável para os ensaios nos meses de verão, as coisas não pareciam tão promissoras quando o primeiro inverno chegou, obrigando o grupo a mudar-se para um local com aquecimento adequado. “O Bomba Club, na Sargent [Avenue] tinha uma cave espaçosa. Como o Sr. Vieira era cliente lá, eles concordaram em alugar o espaço para nós ensaiarmos. Pagávamos 20 ou 30 dólares por mês. Depois, alugámos uma casinha na Isabel [Street] onde ficamos até 1983. Depois, havia um senhor dono de uma padaria (Continental Bakery) que não usava o espaço do último andar. Alugámos por 100 dólares por mês”, lembrou Manuel Sousa.

É em 1983 que a Casa do Minho assiste a um crescimento significativo. Após nove anos de tentativas falhadas para participar do Folklorama de Winnipeg, a sua candidatura foi finalmente aprovada. Foi Manuel Sousa que ficou responsável por todo o processo, já que José Vieira se encontrava de férias em Portugal na altura. "O Senhor Vieira estava em Portugal e fomos chamados para uma reunião no Folk Arts Council. O meu inglês era fraco na altura e tive que trazer ajuda. Fizeram algumas perguntas e eu disse-lhes que representaríamos o norte de Portugal, de Valença a Coimbra. Disse-lhes também que os Açores e a Madeira não estavam bem representados [no folklorama] e que também os representaríamos. Eles disseram que considerariam a nossa participação e sugeriram que encontrássemos um salão para servir como nosso pavilhão. Sir John Franklin [Centro Comunitário] tinha um salão e uma cozinha separada. Lá, podíamos receber mais gente”, contou Manuel Sousa. Mais tarde, a cave da Imaculada Conceição, igreja católica portuguesa, tornou-se o local do pavilhão do Folklorama da Casa do Minho até que a organização adquiriu o seu edifício atual, em 1997.

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Fotos: Paulo Ferreira

HISTORIADOR DANIEL BASTOS PARTICIPOU EM COLÓQUIO SOBRE OS 70 ANOS DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM MONTREAL (CANADÁ)

No passado fim de semana, 18 e 19 de novembro, o escritor e historiador Daniel Bastos, participou em Montreal, a maior cidade da província do Quebeque, no Canadá, onde vivem mais de 75 mil portugueses e lusodescendentes, no colóquio “70 Anos da Comunidade”.
No decurso da iniciativa, promovida pela LusoPresse e LusaQTV, dois relevantes órgãos de informação da comunidade portuguesa em Montreal, e que decorreu na Casa dos Açores do Quebeque, Daniel Bastos apresentou no dia 18 de novembro (sábado) uma comunicação intitulada “O Empreendedorismo e Solidariedade das Comunidades Portuguesas”.

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Daniel Bastos no colóquio “70 Anos da Comunidade” em Montreal (Canadá)
O historiador minhoto refletiu assim, no espírito da iniciativa, sobre o passado, presente e futuro das comunidades luso-canadianas, que se destacam atualmente na América do Norte pela sua dinâmica associativa, económica e sociopolítica. E cujas raízes remontam a um grupo pioneiro de emigrantes portugueses que desembarcaram a 13 de maio de 1953, em Halifax, na Nova Escócia.
Refira-se que no dia 19 de novembro (domingo), o escritor e historiador participou num salão do livro promovido pela LusoPresse e LusaQTV dedicado à diáspora, através da apresentação da segunda edição do seu último livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”.
Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS PARTICIPA NO CANADÁ EM COLÓQUIO SOBRE OS 70 ANOS DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM MONTREAL

Nos dias 18 e 19 de novembro, o escritor e historiador fafense Daniel Bastos, autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, participa em Montreal, a maior cidade da província de Quebeque, no Canadá, onde vivem mais de 75 mil portugueses e lusodescendentes, no colóquio “70 Anos da Comunidade”.

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No decurso da iniciativa, promovida pela LusoPresse e LusaQTV, dois relevantes órgãos de informação da comunidade portuguesa em Montreal, e que decorrerá na Casa dos Açores do Quebeque, Daniel Bastos apresentará uma comunicação intitulada “O Empreendedorismo e Solidariedade das Comunidades Portuguesas”. Procurando assim, no espírito do colóquio refletir sobre o passado, presente e futuro das comunidades luso-canadianas, que se destacam atualmente na América do Norte pela sua dinâmica associativa, económica e sociopolítica, e cujas raízes remontam a um grupo pioneiro de emigrantes portugueses que desembarcaram a 13 de maio de 1953, em Halifax, na Nova Escócia.

Refira-se que no ano passado, no âmbito dos Prémios Corte-Real 2022, criados em 2016 pelo jornal LusoPresse de forma premiar o mérito comunitário de elementos distintivos de entre toda a comunidade portuguesa do Quebeque, o historiador natural de Fafe foi distinguido com o Prémio Corte-Real Reconhecimento.

Historiador, escritor e professor, Daniel Bastos, é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que pretende criar uma plataforma entre diversos núcleos museológicos, arquivos e coleções respeitantes à história e à memória, à vida e às perspetivas de futuro dos portugueses que vivem e trabalham fora do seu país.

ANTÍNIO DA SILVA: UM BRACARENSE QUE FOI UM PIONEIRO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA PARA O CANADÁ

  • Crónica de Daniel Bastos

Recentemente foi celebrado com profundo simbolismo e sentimento de pertença, exposto em inúmeras atividades e eventos, o 70.º aniversário da emigração portuguesa para o Canadá.

Uma das mais relevantes comunidades lusas na América do Norte, que se destaca pela dinâmica da sua atividade associativa, económica e sociopolítica, as suas raízes remontam a 1953.  Ano em que, ao abrigo de um Acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram no Saturnia, a 13 de maio, em Halifax, província de Nova Escócia, os primeiros emigrantes portugueses.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

Foi a partir deste valioso legado histórico, que se assinalou a efeméride cujo programa oficial computou a presença de representes oficiais do governo português, a realização de atividades literárias e artísticas. Uma verdadeira dinâmica cultural que envolveu e fortaleceu o espírito identitário das comunidades portuguesas disseminadas pelo imenso território canadiano.

Entre os dias 13 e 14 de maio, um dos momentos cimeiros do programa oficial em Toronto, metrópole onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, foi indubitavelmente a presença de António da Silva, um dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Natural de Dume, povoação do concelho de Braga, no Baixo Minho, onde nasceu em 1930, António da Silva integrou o primeiro contingente de emigrantes portugueses que desembarcaram a 13 de maio de 1953, em Halifax. Estofador de profissão, mas almejando melhores condições de vida, na esteira de centenas de milhares de portugueses que nessa década encetaram uma trajetória emigratória para a América do Norte e o centro da Europa, o bracarense, instalado primeiramente em Toronto, acabou pouco tempo depois da sua chegada por se estabelecer em Ottawa, a capital do Canadá, localizada na província de Ontário.

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O pioneiro da emigração portuguesa para o Canadá, António da Silva (esq.), acompanhado do historiador Daniel Bastos, na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, no âmbito do 70.º aniversário da emigração portuguesa para o Canadá.

Conseguindo com abnegado trabalho e resiliência ultrapassar as dificuldades iniciais, em particular as do novo idioma, o clima e cultura, António da Silva casou na década de 1950 com Delfina, uma imigrante natural de Espanha, construindo em comum uma família sustentada pelo laborioso trabalho na área do estofamento.

No alvorecer dos anos 60 consegui mesmo começar a trabalhar por conta própria, abrindo a empresa “Da Silva Estofados”, que venderia uma década depois aos seus funcionários. Mantendo, paralelamente, uma importante colaboração e participação no seio da comunidade portuguesa, através essencialmente do Lusitania Portuguese Recreation Centre, em Ottawa.

A presença do nonagenário emigrante nas recentes comemorações do 70.º aniversário da emigração portuguesa para o Canadá, acompanhado de vários familiares, foi um cintilante sinal de respeito pelo passado da comunidade luso-canadiana, e concomitantemente, de construção do presente e esperança no seu futuro.

Nas palavras abalizadas do Comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, “alma mater” do programa alusivo ao 70.º aniversário da emigração portuguesa para o Canadá. Os pioneiros da emigração portuguesa para o território canadiano, como António da Silva, encarnam overdadeiro espírito português", humildade e coragem aceitaram o desafio e integraram-se para contribuir e construir o país que o Canadá é hoje”.

HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS APRESENTOU EM TORONTO LIVRO DEDICADO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

No passado dia 13 de maio (sábado), o escritor e historiador Daniel Bastos apresentou em Toronto, metrópole onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, a segunda edição do seu último livro Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro), no decurso da apresentação do livro “Comunidades – Emigração e Lusofonia” na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, acompanhado do Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva (de pé), da Socióloga das Migrações, Maria Beatriz – Rocha Trindade, e do Comendador Manuel DaCosta

A segunda edição da obra, agora revista e aumentada, que reúne as crónicas que o historiador tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo, foi apresentada na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, no âmbito das celebrações oficiais dos 70 anos da emigração portuguesa para o Canadá.

A sessão de apresentação, que encheu o espaço museológico de emigrantes, lusodescendentes, empresários, dirigentes associativos, autoridades consulares e órgãos de informação da diáspora. E contou com a presença dos representes oficiais do governo português, Augusto Santos Silva, Presidente da Assembleia da República, Paulo Cafôfo, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, e António Leão Rocha, Embaixador de Portugal no Canadá, esteve a cargo de Maria Beatriz Rocha-Trindade, Presidente da Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa, e do Comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto.

Nesta última obra, o escritor revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam. Como é caso da comunidade luso-canadiana, que se destaca atualmente na América do Norte pela sua dinâmica associativa, económica e sociopolítica, e cujas raízes remontam a um grupo pioneiro de emigrantes portugueses que desembarcaram a 13 de maio de 1953, em Halifax, na Nova Escócia.

Refira-se que a totalidade das receitas da venda dos livros que esgotaram rapidamente, reverteram a favor da Magellan Community Foundation, uma instituição responsável pela construção em Toronto, do primeiro lar de cuidados a longo termo para idosos de expressão portuguesa, com 350 camas.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração, Daniel Bastos, cujos apresentadores da obra em Toronto confluíram no papel que o mesmo tem desempenhado ao longo dos últimos anos na “promoção e valorização das comunidades portuguesas espalhadas um pouco por todo o mundo”, é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

Fotos: José A. Rodrigues

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JOÃO ÁLVARES FAGUNDES – O PIONEIRO DA PRESENÇA PORTUGUESA NO CANADÁ

A poucos dias de se assinalar os 70 anos da emigração portuguesa no Canadá, alicerçados no legado histórico do grupo cabouqueiro de emigrantes portugueses que desembarcaram a 13 de maio de 1953, em Halifax, na Nova Escócia, e que constituem os pioneiros do mais de meio milhão de luso-canadianos que vivem e trabalham atualmente no segundo maior país do mundo em área total, adquire particular  simbolismo rememorar as raízes mais remotas da presença regular de portugueses neste território da América do Norte.

Raízes mais remotas, que remontam ao alvorecer do séc. XVI, à epopeia dos descobrimentos marítimos, mais concretamente à figura do intrépido navegador João Álvares Fagundes, conhecido como um dos primeiros exploradores da Terra Nova, a província mais ao leste do Canadá, no Atlântico Norte, e uma importante zona de pesca do bacalhau.

Natural de Viana do Castelo, onde terá nascido por volta de 1470, e onde se encontra sepultado, na Sé Catedral, a João Álvares Fagundes deve-se o reconhecimento de parte das costas do nordeste americano, naquelas que são hoje as províncias marítimas canadianas da Nova Escócia, e da Terra Nova e Labrador.

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Estátua de João Álvares Fagundes em Viana do Castelo

Estando até aos dias de hoje em constante debate a temática histórica das navegações no séc. XVI nos mares setentrionais da América, a historiografia tem confluído, como alude Damião Peres, que ao navegador vianense “se deve atribuir a exploração das costas austrais da Terra Nova, bem como o descobrimento e exploração do golfo de São Lourenço e ilhas afins. Um alvará de D. Manuel I, datado de 1521, fez-lhe doação da capitania dessas terras, dizendo-as descobertas por ele”.

É no entrecho deste legado histórico que se encontra o fundamento da existência em Halifax, na Nova Escócia, província no oeste do Canadá que acolhe hodiernamente uma comunidade de cerca de 4 mil luso-canadianos, de um monumento comemorativo da expedição quinhentista com a inscrição “Portuguese Explorer * 1520 * Alvares Fagundes”.

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Monumento comemorativo em Halifax da expedição de João Álvares Fagundes

Neste sentido, e a poucos dias de se assinalar os 70 anos da emigração portuguesa no Canadá, reviver a figura histórica e lendária de João Álvares Fagundes, é na linha do passado remoto da presença portuguesa no território canadiano, essencialmente um sinal de confiança na construção do presente e futuro da comunidade lusa no Canadá.

 Uma das mais relevantes comunidades lusas na América do Norte, que se destaca pela dinâmica da sua atividade associativa, económica e sociopolítica, tanto que como reiteradamente tem destacado Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá: “A cultura portuguesa está presente nas nossas vilas e cidades de diversas formas, com valores tradicionais de família, trabalho árduo e paixão pelo futebol. Os luso-canadianos são a chave da explicação do Canadá de hoje”.

HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS DISTINGUIDO NA COMUNIDADE PORTUGUESA DE MONTREAL (CANADÁ)

No âmbito dos Prémios Corte-Real 2022, uma iniciativa organizada pelo jornal LusoPresse, um relevante meio de comunicação social da comunidade portuguesa em Montreal, a segunda maior cidade do Canadá e a primeira da região de Quebeque, o historiador Daniel Bastos, colaborador regular da imprensa de língua portuguesa no mundo, foi distinguido no decurso do mês de março com o Prémio Corte-Real Reconhecimento.

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Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, e atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Daniel Bastos foi distinguido em conjunto com o economista Carlos Leitão, até há pouco tempo ministro das Finanças do Quebeque, e de Duarte Miranda, ex-vice-presidente Internacional do Banco Royal do Canadá, pelo trabalho que tem desenvolvido em prol da diáspora lusa e vertido nas páginas do jornal luso-canadiano.

Refira-se que o Prémio Corte-Real com três categorias distintas, Louvor, Carreira e Reconhecimento, foi criado em 2016 de forma premiar o mérito comunitário de elementos distintivos de entre toda a comunidade portuguesa do Quebeque.

Estima-se que atualmente vivam no Canadá mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo.