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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A ARTE PÚBLICA E A REPRESENTAÇÃO IDENTITÁRIA DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos, temos assistido ao nível do espaço urbano nacional a uma cada vez maior interação entre arte e cidade, contexto que no âmbito da promoção de uma cidadania ativa e de uma gestão socialmente consciente do espaço público, tem impulsionado vários artistas a desenvolver uma série de obras, como por exemplo murais, em parceria com as comunidades locais.  

A arte pública, liberta dos códigos mais formais e específicos dos museus e galerias, tem feito também o seu caminho no seio da geografia da diáspora lusa. Assumindo mesmo, na linha preconizada pela socióloga Ágata Dourado Sequeira, um “papel de destaque na construção de um espaço público consciente da sua história, presente e futuro, e sobretudo dos cidadãos que o constroem simbolicamente”.

É o caso da comunidade portuguesa em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, que nas últimas décadas tem dinamizado uma série de intervenções artísticas no espaço público, visando através da sua representação identitária aproximar-se ainda mais da cidade e dar-se a conhecer melhor à comunidade canadiana em geral.

Ainda no mês passado, foi inaugurado no “Little Portugal” de Toronto, um mural do artista português Alexandre Farto, conhecido por Vhils, cuja inspiração centra-se na história do movimento feminino Cleaners Action, da década de 1970, liderado por trabalhadoras portuguesas. Como foi o caso de Idalina Azevedo, uma das líderes da greve conhecida por ‘Wildcat’, nas Torres TD, em Toronto, em 1974, que viabilizou alguns direitos para as empregadas de limpeza.

Além deste projeto da iniciativa da vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto, a luso-canadiana Ana Bailão, da Associação Comercial do Little Portugal na Dundas, presidida por Anabela Taborda, e da Embaixada de Portugal no Canadá, o bairro português alberga desde o início de outubro, um galo de Barcelos gigante, um dos mais conhecidos símbolos da cultura popular lusa. Com quase três metros, e inserido no ano da arte pública promovido pela autarquia de Toronto, o mais icónico símbolo de Portugal é simultaneamente uma homenagem à comunidade luso-canadiana, e uma forma de revitalizar a Business Improvement Area (BIA), procurando assim atrair os consumidores ao pequeno comércio.

A zona entre as ruas Bathurst e Dufferin, conhecida desde os anos 70 como “Little Portugal”, tem sido pela sua ligação umbilical à comunidade luso-canadiana, alvo de várias manifestações culturais no campo de ação da arte urbana. Há sensivelmente um ano, o coração urbano da comunidade portuguesa em Toronto, foi palco da inauguração de um mural com mais de seis metros de altura, dedicado à fadista Amália Rodrigues, figura maior da cultura portuguesa do século XX, e referência e símbolo da portugalidade.

Criado no âmbito do projeto do empresário de Montreal, Herman Alves, que tem como objetivo criar uma aldeia global virtual colocando 25 murais em pontos centrais da diáspora portuguesa no mundo, este imponente mural junta-se a um outro instalado em Mississauga. Na mesma esteira, a Camões Square em Toronto, que tem desempenhado nas últimas décadas um papel notável na exaltação da portugalidade no centro da cidade, acolhe um enorme mural que retrata o ensino da língua portuguesa e o primeiro barco que levou emigrantes portugueses para o Canadá, o Saturnia.

É neste espaço simbólico, que se encontra o Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente, por ação do empresário e filantropo Manuel DaCosta, laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, assim como, a fonte dos pioneiros portugueses, um mural de azulejos e um pequeno jardim. Ainda neste entrecho, refira-se que desde 2003, foi instalado na estação de metro Queen’s Park em Toronto, um painel de azulejos, fabricado em Lisboa, da autoria de Ana Vilela, que aborda a exploração portuguesa no Novo Mundo.

Estes exemplos de intervenções artísticas no espaço urbano de Toronto, e outros que se encontram ou possam vir a ser projetados, assumem-se claramente como uma importante mais-valia cultural e identitária da comunidade luso-canadiana, uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas na América do Norte.

CANADÁ: REVISTA “AMAR” DESTACA COMUNIDADE BARCELENSE EM TORONTO

A revista Amar acaba de conferir especial destaque à Associação Migrante de Barcelos Community Centre on Toronto pela passagem do seu 23º Aniversário.

Trata-se de uma revista mensal de distribuição gratuita na comunidade lusófona no Canadá com uma presença mensal na Comunidade Lusófona.

Este projeto pretende ganhar o seu espaço como revista de referência entre os “nossos”, sendo um meio informativo, educativo e de entretenimento sobre os mais variadíssimos temas de interesse para a Comunidade, mas também de diálogo e comunhão da diversidade, onde além da atualidade quotidiana, pretende igualmente dar conta dos assuntos e realidade não tão óbvios e muitas vezes condenados à invisibilidade por falta de agenda, conhecimento ou recursos dos seus protagonistas. Pretende também ser uma ferramenta de apoio aos empreendedores lusófonos a residir no Canadá, divulgando e apoiando os seu projetos e, acima de tudo, ser um elo de ligação entre toda a comunidade lusófona.

A Revista Amar é uma empresa subsidiária dos grupos Cyber Planet Inc. e MDC Media Group. Por seu turno a Associacao Migrante de Barcelos de Toronto, Ontário, é uma entidade constituída pela comunidade barcelense que promove a cultura portuguesa através do nosso folclore tradicional, comida e eventos sociais.

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MANUEL CARVALHO: UM OLHAR ATENTO SOBRE A COMUNIDADE PORTUGUESA DE MONTREAL

  • Crónica de Daniel Bastos

O Canadá, uma nação que abrange grande parte da América do Norte e se estende desde o oceano Atlântico, a leste, até o oceano Pacífico, a oeste, alberga uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas, que se destaca hodiernamente pela sua diversa atividade associativa, económica e sociopolítica.

Estima-se que atualmente vivam no Canadá mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

Em Montreal, a segunda maior cidade do Canadá e a primeira da região de Quebeque, onde o número total de portugueses e lusodescendentes deverá ser superior a 60.000 pessoas, ao longo das últimas décadas, o escritor Manuel Carvalho tem mantido um olhar atento sobre a realidade da comunidade luso-canadiana nesta região marcada historicamente pela tradição e cultura francesa.

Manuel Carvalho nasceu em 1946, em Cicouro, um povoado situado no extremo norte do concelho de Miranda do Douro, confinante com território espanhol. Depois de viver grande parte da juventude nos Outeiros da Gândara dos Olivais, nos arredores de Leiria, período em que se iniciou nas letras através da imprensa local, participou na Guerra do Ultramar em Angola, tendo emigrado para Montreal no alvorecer dos anos 80, onde exerceu a função de designer industrial.

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Manuel Carvalho, profícuo escritor luso-canadiano

Desde então, promoveu entre 1983 e 1985, os Jogos Florais Luso-Canadianos, e foi responsável em Montreal pela organização de bibliotecas, concursos, coletâneas literárias e festas culturais direcionadas para a comunidade portuguesa. Com uma vasta colaboração literária espalhada por diversos jornais e revistas no seio das comunidades portuguesas este genuíno cultor das artes e letras é coordenador da revista online “Satúrnia – Letras e Estudos Luso-Canadianos” onde tem divulgado dezenas de autores.

No decurso deste ano, Manuel Carvalho lançou o seu mais recente trabalho, o livro Horizontes, com chancela da Escritório Editora e capa da pintora Maria João Sousa (Majão), também ela emigrante no Canadá. O livro, que é dedicado aos portugueses de Montreal, reúne várias crónicas que o escritor mirandês tem ao longo dos últimos anos escrito nas páginas da imprensa luso-canadiana, e que espelham singularmente a mundividência da comunidade lusa em Montreal.

Na esteira de Onésimo Teotónio Almeida, professor catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University, nos Estados Unidos, que assina o prefácio da obra: “Há décadas que venho lendo com prazer a escrita de Manuel Carvalho. Narrativas curtas, incisivas, feita de traços fortes e certeiros que, numa penada, economicamente desenham personagens e situações, esboçam cenas vivas, prenhes de humanidade, colocando o leitor por dentro de momentos fortes da experiência emigrante portuguesa no Canadá francês – mais precisamente Montreal - mas que poderiam se de qualquer canto da diáspora portuguesa – Newark, Paris, Dusseldorf, Londres, Johannesburg ou Sydney. Tudo narrado num português tão puro como o melhor tinto do Douro”.

VIANA DO CASTELO: “GIL EANNES – O ANJO DO MAR” – UM LIVRO DE JOÃO DAVID BATEL MARQUES EDITADO PELA FUNDAÇÃO GIL EANNES

“Gil Eannes – O Anjo do Mar” é a mais recente obra do escritor João David Batel Marques, o mesmo autor da coleção “A Pesca do Bacalhau”. Trata-se de uma edição bilingue – em Português e Inglês – com excelente apresentação gráfica e profusamente ilustrada, que transporta o leitor a uma época cuja missão do navio consistia em prestar apoio à frota bacalhoeira nos mares da Terra Nova e Gronelândia.

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Qual “Anjo do Mar”, com os costados de branco vestidos, o navio Gil Eannes irrompia por entre as brumas, como um ano emergindo das águas gélidas, acudindo aos pescadores nas horas mais difíceis e temidas.

O Navio-Hospital Gil Eannes foi construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo em 1955. Navegou em muitos mares cumprindo as mais variadas missões. E, quando o seu destino já parecia traçado, eis que os vianenses se uniram e resgataram ao seus destino inglório de ser transformado num monte de sucata. E, em Janeiro de 1998, o navio regressou à cidade onde foi construído – Viana do Castelo!

José Maria Costa – Presidente da Fundação Gil Eannes – descreve com satisfação o acolhimento do navio Gil Eannes: “Em Viana do Castelo, temos o privilégio de acolher, na nossa antiga doca comercial, um navio que representa uma parte importante da história da nossa cidade e até do nosso país”.

O navio Gil Eannes tornou-se entretanto um importante pólo museológico, exemplar único de um navio hospital onde, por vezes através de delicadas intervenções cirúrgicas, foi possível salvar numerosas vidas de quem, na faina do mar, ousava enfrentar as situações mais perigosas para garantir um dos alimentos que durante muitas décadas foram o principal sustento do povo português.

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VIANA DO CASTELO NO FÓRUM DE ECONOMIA URBANA - URBAN ECONOMY FORUM 2021 NO CANADÁ

O Presidente da Camara Municipal, José Maria Costa, foi convidado para o 3º Fórum de Economia Urbana (UEF 2021), que se realizará a 4, 5, e 6 de outubro, por ocasião do Dia Mundial do Habitat. Viana do Castelo assume-se assim como parceiro próximo do Fórum de Economia Urbana, adquirindo uma filiação honorária por um período de um ano.

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O UEF 2021 é organizado em colaboração com a UN-Habitat e co-organizado pela Cidade de Brampton, Canadá, e será o maior fórum de sempre, com cerca de 250 oradores, incluindo 12 Ministros, 40 Presidentes de Câmara e líderes de cidades de todo mundo e numerosos líderes académicos e do sector privado.

A UEF é uma organização global sem fins lucrativos que tem como principal intuito apoiar a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, com especial enfoque no ODS 11: tornar as cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

A UEF avança na realização deste objetivo ao fazer avançar o discurso global e a ação sobre economia urbana sustentável, recursos urbanos, e gestão urbana. 

MINHOTOS NO CANADÁ REPRESENTAM AS TRADIÇÕES DO MINHO

O Grupo Folclórico e Etnográfico Português de Montereal – Canadá – sediado na cidade de Laval, nos subúrbios de Montreal, na província do Quebec.

O “Coração do Minho” é o ramo minhoto do Grupo Folclórico e Etnográfico Português de Montreal. Este agrupamento é diferente de qualquer outro grupo no mundo. Com mais de 50 anos de existência, representa hoje o folclore e a etnografia do Minho. E, de outras regiões do país, mas de forma diferenciada.

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IN MEMORIAN FERNANDO CRUZ GOMES

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso da semana passada assinalaram-se os 82 anos do nascimento de Fernando Cruz Gomes, saudoso decano dos jornalistas da comunidade portuguesa no Canadá, falecido em 2018, e que era um dos rostos mais conhecidos da numerosa prole luso-canadiana que vive e trabalha em Toronto.

Natural da vila de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, Fernando Cruz Gomes, iniciou nos finais dos anos 50 a sua vida profissional como jornalista, no vetusto “Primeiro de Janeiro”, um jornal diário que se publicou na cidade do Porto. Mas foi em solo africano, mais concretamente em Angola, antiga província ultramarina portuguesa, onde residiu durante 25 anos, que o seu trabalho jornalístico ganhou amplitude e profundidade, através do desempenho de funções em diversos meios de comunicação, jornais e rádios, como o "ABC Diário de Angola", a "Rádio Eclésia", no diário de Luanda "O Comércio", "A Província de Angola" (atual “Jornal de Angola”), no "Rádio Clube de Benguela" e na "Emissora Oficial de Angola".

No início da Guerra do Ultramar em Angola, a 15 de março de 1961, Fernando Cruz Gomes, chegou a acompanhar sozinho os combates entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação deste território da costa ocidental de África. Durante o seu percurso jornalístico por terras africanas, o profissional de comunicação social, foi ainda presidente da secção de Angola do Sindicato Nacional de Jornalistas, onde se manteve até finais de 1974.

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O historiador Daniel Bastos (esq.), cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, entrevistado em 2014 pelo jornalista Fernando Cruz Gomes (dir.) na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto

 A sua chegada ao Canadá ocorreu em 1975, ano do conturbado processo de descolonização. Na nova pátria de adoção, foi fundador e diretor de jornais comunitários, como "Popular", "Comércio", "Mundo", “ABC Portuguese Canadian Newspaper” e "A Voz", e editor e repórter na CIRV Rádio e na FPTV.

As suas multifacetadas funções jornalísticas em Toronto, inclusive de correspondente durante vários anos da Lusa, foram fundamentais para a promoção e conhecimento da língua, cultura e pulsar da comunidade luso-canadiana. E estiveram na base do justíssimo reconhecimento de que foi alvo em 2014, com a atribuição da Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços relevante que prestou à pátria de Camões.

A vida e obra de Fernando Cruz Gomes, que se encontram vertidas no livro Um Homem Novo Por entre os horrores da guerra, cuja edição a título póstumo em 2019 constituiu uma homenagem sentida da família e da comunidade portuguesa em Toronto, recordam a citação afetuosa do escritor brasileiro Coelho Neto: “a saudade é a memória do coração”.

A PRESENÇA PORTUGUESA NO MUSEU DA IMIGRAÇÃO DO CANADÁ

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  • Crónica de Daniel Bastos

O Canadá, uma nação que abrange grande parte da América do Norte e se estende desde o oceano Atlântico, a leste, até o oceano Pacífico, a oeste, alberga uma das mais dinâmicas comunidades lusa que se destaca atualmente pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico.

Conquanto a presença regular de portugueses no território remonte ao início do séc. XVI, a emigração portuguesa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo luso-canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes lusitanos.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que presentemente vivam no segundo maior país do mundo em extensão territorial, mais de meio milhão de luso-canadianos. Sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

A dinamização da presença portuguesa no território canadiano tem merecido por parte da comunidade lusa uma especial atenção, como revela a fundação no início do séc. XXI da Galeria dos Pioneiros Portugueses. Um espaço museológico em Toronto, impulsionado no presente pelo comendador Manuel da Costa, que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

A relevância da presença portuguesa neste território da América do Norte está igualmente patente num dos mais importantes museus nacionais do Canadá, mormente o Museu Nacional da Imigração Canadiano do Pier 21.

Localizado em Halifax, na província da Nova Escócia, no oeste do Canadá, as instalações do Museu da Imigração do Canadá ocupam o Pier 21, um antigo porto com terminal de navios transatlânticos, que funcionou entre 1928 a 1971, e que durante esse período recebeu mais de um milhão de imigrantes. Em 1999, o antigo porto deu lugar ao Museu da Imigração, sendo que em 2011 tornou-se oficialmente no Museu Nacional da Imigração Canadiano.

Enquanto espaço museológico singular que homenageia o contributo estruturante da imigração no progresso do Canadá e que o catapulta para um dos países mais desenvolvidos do mundo, o Museu Nacional da Imigração Canadiano conserva nas suas variadas coleções inúmeros testemunhos da presença portuguesa no país. Designadamente antigos pertences de emigrantes lusos que chegaram ao Canadá entre 1953 e 1954, como passaportes, fotos de famílias, uma guitarra e roupas, que em parte foram doados pela Casa da Madeira Community Centre.

No espólio do Museu da Imigração do Canadá destaca-se na entrada do núcleo museológico uma escultura em madeira, uma obra de arte que retrata os 500 anos da presença portuguesa no território, e que foi doada em 2003 pelo emigrante luso Maurício Almeida. Assim como, uma garrafa com vinho da madeira aberta, que chegou ao Canadá com o emigrante português Augusto da Silva em 1953, e está identificada como “O que trarias? Quem e o que deixarias para trás?”.

Mais de que um espaço museológico onde estão conservados e expostos objetos sobre o fenómeno migratório, o Museu da Imigração do Canadá reconhece e valoriza na prossecução da sua missão a importância dos imigrantes, como é o caso dos portugueses, na construção do notável mosaico cultural da nação canadiana.

GALO DE BARCELOS CANTA NO CANADÁ

Um Galo de Barcelos gigante marcará presença com grande destaque na cidade de Toronto, no Canadá.

A decoração do Galo está aberta a concurso aos artistas da região, que terão de inspirar-se em um de dois desafios: o significado universal do galo enquanto símbolo solar e a história original do Galo de Barcelos.

O Galo de Barcelos ficará exposto na zona conhecida como Little Portugal no outono deste ano.

Uma grande comunidade de lusodescendentes que são autênticos Embaixadores das tradições da nossa região que habitam ,orgulhosamente, os seus afetos!

Fonte: https://www.facebook.com/TurismoPortoNortePortugal/

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NAVEGADOR VIANENSE JOÃO ÁLVARES FAGUNDES ESTUDADO NA UNIVERSIDADE DE TORONTO (CANADÁ)

FAGUNDES, JOÃO ALVARES, explorador português; fl. 1521.

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Fonte: Wikimedia Commons

Fagundes, natural de Viana, Portugal, parece ter sido membro de uma empresa organizada por moradores daquela cidade que desejavam fundar uma colônia na Terra Nova. Fagundes recebeu cartas patente do rei Manoel de Portugal (1495-1521) concedendo-lhe a capitania de todas as terras que ele poderia descobrir entre a "Terra Cortereal" (a costa leste da Terra Nova) e os territórios atribuídos à Espanha pelo tratado de Tordesilhas [assinado em 7 de junho de 1494 entre Espanha e Portugal para resolver conflitos decorrentes da primeira viagem de Colombo]. Em 13 de março de 1521, ele teve um tabelião de Lisboa devidamente registrado suas descobertas, feitas durante uma viagem recente, provavelmente no ano anterior. Entre elas, ele mencionou as três ilhas na Baía de Watering-Place (Baya d'Auguoada), outras ilhas que ele chamou de "Fagundas", o arquipélago de Saint-Pantaléon, o arquipélago das 11.000 Virgens, e a ilha de Santa Cruz.

O arquipélago das 11.000 Virgens aparece pela primeira vez na "Carta Atlântica" (BN, Paris). É geralmente dado como certo que este arquipélago é o grupo Saint-Pierre-Miquelon-Langlade com as pequenas ilhas ao seu redor. H. P. Biggar e W. F. Ganong identificaram a Baía de Watering-Place com a Baía de Chedabucto, entre a Ilha do Cabo Breton e a Nova Escócia, onde há três ilhas relativamente grandes (Madame, Janvrin e Petite-de-Grat); mas como a linha de demarcação entre as terras atribuídas à Espanha e as designadas para Portugal foi geralmente pensada para cortar o Estreito de Cabot, é improvável que Fagundes tivesse reivindicado a Ilha do Cabo Breton, que foi incluída na zona espanhola. Harrisse identificou Watering-Place Bay com o Golfo de São Lourenço, e Hoffman (Cabot para Cartier, 35) sugeriu que "depois de 1521 Fagundes transferiu suas operações para as águas da Nova Escócia". Não há dúvida de que Fagundes descobriu a costa sul da Terra Nova, entre a Raça do Cabo e o Cabo Ray; mas se ele também explorou a Ilha do Cabo Breton e penetrou no Golfo de São Lourenço continua a ser uma questão de especulação.

Uma ilha chamada "Fagunda" aparece em mapas em português posteriores (por Lopo Homem, Vaz Dourado, etc.). É colocado a sudeste do Cabo Breton, bastante perto da atual localização da Ilha Sable. Esta ilha pode ser aquela que Fagundes chamou de Santa Cruz, e que ele localizou "ao pé do banco".

Nada mais se sabe sobre o empreendimento de Fagundes. Ele gastou grandes somas de dinheiro, mas não sabemos se ele realmente fundou uma colônia. Parece, no entanto, que os estabelecimentos pesqueiros portugueses foram criados ao longo da costa da Terra Nova, provavelmente por homens de Viana ou dos Açores.

Bibliografia

"1516–1521. Descobertas de João Álvares Fagundes", Archivo dos Açores, IV (1882), 466-67. E. A. de Bettencourt, Descobrimentos, guerras e conquistas. . . . (Lisboa, 1881) 132-35. Armando Cortesão, Cartógrafia e cartógrafos portugueses dos séculos XV e XVI (2v., Lisboa, 1935), I, 287-88. W. F. Ganong, "Mapas cruciais, II." Henry Harrisse, A descoberta da América do Norte: uma investigação crítica, documental e histórica, com um ensaio sobre a cartografia do novo mundo. . . (Londres, 1892), 182-88. Hoffman, Cabot para Cartier, 35, 100-1. Precursores (Biggar), xxii-xxiv.

Fonte: L.-A. Vigneras / University of Toronto / Université Laval

MINHOTOS EM TORONTO CELEBRAM 43 ANOS DO SEU GRUPO FOLCLÓRICO

Fundada a 13 de outubro de 1977 a Associação cultural do Minho de Toronto, celebrou anteontem o seu 43 Aniversário.

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Este ano, inflizmente não se realizam as habituais cerimónias devido à situação que atravessamos e que alterou as nossas vidas e a forma como nos relacionamos. Quero nesta ocasião saudar todos os membros do executivo, Sócios e simpatizantes e não esquecendo os nossos patrocinadores que ao longos dos anos tem ajudado está casa.

Esperamos em breve, podermos estar juntos e teremos oportunidade de celebrar estes 43 anos e muitos mais que queremos sejam prosperos e com saude para todos nós! Contamos com todos vocês.

Por em quanto ficam aqui umas fotos para ajudar a matar a saudade um pouco!

Presidente da Assembleia

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A GALERIA DOS PIONEIROS PORTUGUESES EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada em 2003 pelos luso-canadianos José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel da Costa, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Conquanto a presença regular de portugueses neste território do norte da América remonte ao início do séc. XVI, a emigração portuguesa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes lusitanos.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade portuguesa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel da Costa, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel da Costa, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades portuguesas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro entre as pátrias de acolhimento e de origem.   

Como apontam Miguel Monteiro e Maria Beatriz da Rocha-Trindade no artigo “Emigração e Retorno”, o processo de musealização da memória histórica e social da emigração nacional, além de fomentar o conhecimento e a investigação, promove igualmente “a pesquisa do papel dos emigrantes nos territórios de emigração e de retorno na arquitetura, indústria, comércio, filantropia, jornalismo, associativismo, artes, no trânsito das ideias em Portugal e nos territórios de destino”.

CAMÕES RÁDIO & TV, UMA ESTAÇÃO AO SERVIÇO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Ao longo do anos a comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes na nação canadiana, tem sido palco de uma notável multiplicidade de meios de comunicação social produzidos pelos emigrantes lusos e seus descendentes.

Como destaca a investigadora Sónia Ferreira em A emigração portuguesa e os seus meios de comunicação social: breve caraterização, no termo da primeira década do séc. XXI “existiam na província do Ontário cerca de seis rádios com difusão em português: cinco estações consideradas portuguesas e uma estação multicultural que dispõe de programação em língua portuguesa. Em termos de imprensa portuguesa foram contabilizados, para o Canadá, 22 publicações. O Canadá apresenta-se mesmo como um exemplo relevante pela multiplicidade de meios de comunicação social migrantes existentes”.

No profícuo campo dos órgãos de comunicação social luso-canadianos, uma das estações que mais se tem destacado ao longo da última década tem sido indubitavelmente a Camões Radio & TV. Uma estação radiofónica e televisiva integrada na empresa de comunicação social MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, que desde a sua génese se tem posicionado como uma plataforma de inovação e informação ao serviço da comunidade portuguesa, inclusive lusófona, no território canadiano.

Ao longo da última década a Camões Radio & TV tem-se destacado no panorama da imprensa luso-canadiana em Toronto através do lançamento de novos programas de rádio e televisão, novas secções de informação temática e novos conteúdos, inovando e seguindo os principais desafios da comunicação social da Diáspora. Prosseguindo uma missão e visão ao serviço da comunidade portuguesa em Toronto, a Camões Radio & TV destaca-se atualmente por produzir informação de qualidade, de forma ética e independente, que ajuda a promover a cidadania e o desenvolvimento económico, cultural e social da comunidade luso-canadiana.

A dimensão social, estreitamente ligada à solidariedade, é mesmo uma das marcas mais características da Camões Radio & TV, indelevelmente ligadas aos valores preconizados, em geral, pela MDC Media Group, e em particular pelo seu presidente, o comendador Manuel da Costa.

Presentemente, nestes tempos difíceis que atravessamos devido aos efeitos da pandemia de coronavírus, que gerou num curto espaço de tempo uma crise mundial sem precedentes, e que também afetou a comunidade luso-canadiana, a Camões Radio & TV, em linha com a MDC Media Group, encontra-se a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Bank of Canada, procurando assim ajudar a minimizar os efeitos da crise socioeconómica que bateu à porta de muitos concidadãos. Uma campanha de solidariedade, entre várias outras já dinamizadas pela Camões Radio & TV ao longo dos anos, que sublima a epígrafe de Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso”.

LUGRE “RIO LIMA: UM NAVIO CONSTRUÍDO EM VIANA DO CASTELO DESTINADO À PESCA DO BACALHAU NOS MARES DA TERRA NOVA

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Lugre bacalhoeiro de bandeira verde-rubra construído, em 1919/1920 (foi lançado à água no dia 22 de Janeiro desse último ano), nos estaleiros do Campo da Feira, em Viana do Castelo, e pertença, ao tempo, da Parceria de Pescarias de Viana. Os trabalhos de realização deste veleiro decorreram sob a supervisão do mestre carpinteiro José Lopes Pereira Maiato. O «Rio Lima» era um navio com casco em madeira, de 3 mastros, que apresentava uma arqueação bruta de 317,33 toneladas. O seu comprimento (entre perpendiculares) era de 48 metros, a boca media 9,80 metros e o pontal 4,47 metros. Só em 1934 foi equipado com 1 máquina. A equipagem deste bacalhoeiro -destinado à pesca longínqua era, geralmente constituída por 41 homens, incluindo marinheiros e os pescadores dos dóris. Durante a sua vida activa, o «Rio Lima» teve vários capitães, sendo o primeiro de todos eles José Francisco Carrapichano; que o comandou de 1920 a 1922. Este navio cumpriu a sua missão de pesqueiro nos mares da Terra Nova até ao dia 6 de Maio de 1951, data em que naufragou, com água aberta, nos Grandes Bancos canadianos. Não há notícias de ter havido vítimas entre os seus tripulantes. Na altura da sua perda, o navio já navegava com as cores da Empresa de Pesca de Viana. Que, na lista dos seus armadores, sucedeu à Companhia Marítima de Transportes e Pescas, Lda., também ela sedeada na bonita cidade da foz do Lima.

Fonte: http://alernavios.blogspot.com/

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Convés do Lugre Rio Lima

 

Em 12 de Setembro de 1919 o jornal "A Aurora do Lima" fazia referência ao início da construção do lugre "Rio Lima", destinado à pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova para a Parceria de Pescarias de Viana. O Rio Lima era o terceiro navio daquela empresa construído para esse efeito, em resultado do cumprimento do plano inicial de aquisição de três navios que só agora foi possível pôr em execução devido à guerra.

O lugre "Rio Lima" foi construído nos estaleiros da Parceria, no Largo 5 de Outubro e lançado à água no dia 22-01-1920, cerca das 15:20 horas perante numerosa assistência vinda dos mais recônditos locais de Viana e arredores, como era hábito em acontecimentos semelhantes.

Este belo navio foi construído sob orientação do mestre construtor naval sr. José Lopes Ferreira Maiato e tinha como características principais: Tonelagem de arqueação bruta 317,33 tons; tonelagem de arqueação líquida 264,42 tons; comprimento entre perpendiculares 48,00 metros; boca (1) 9,80 metros; pontal (2) 4,47 metros e alojamentos para 41 tripulantes.

A curiosidade que despertava nas pessoas o lançamento à água de um navio novo, especialmente para a pesca do bacalhau, como nos dá conta "A Aurora do Lima", é disso digno de registo "... fez com que em toda a margem, desde a Alfândega até à doca, os caes se coalhassem de gente da cidade e das aldeias próximas, e no rio uma grande porção de barcos que vogavam cheios de espectadores concorria para a bellesa d'aquelle espectáculo sugestivo e brilhante, que oxalá repetisse por muitas vezes".

Estes eventos, importantes na vida de uma empresa, eram aproveitados para festejar com autoridades, amigos e trabalhadores, que de uma forma ou de outra contribuíram para o processo, trocando impressões uns, outros dando largas à sua fogosidade e animação num convívio retemperador de energias para novas tarefas.

O momento do bota- abaixo é sempre precedido de alguma expectativa e ansiedade, mas, logo que se cortam as amarras que prendem o navio ao berço que o viu nascer e crescer, e o volume inerte desliza nos carris e mergulha nas águas calmas do Lima, estralejam os foguetes, as businas e apitos dos navios surtos no porto vibram incessantemente; assobios, palmas, clamores de alegria soam por todo o lado onde as pessoas se amontoam para ver tão importante como estranho fenómeno para muitos um "milagre", tão incrédula é a sua visão.

Um acontecimento desta natureza numa cidade da província onde tão poucas coisas dignas de monta acontecem, é sempre aproveitado para comemorar com "opíparo" banquete, como aconteceu com o lançamento à água do lugre "Rio Lima".

A casa da D. Anna Malheiro Pitta de Vasconcellos, contígua ao estaleiro, por gentileza desta senhora, foi aproveitada pela Parceria, para oferecer um lanche que foi muito concorrido por grande número de pessoas da mais alta sociedade Vianense que aos brindes dos srs. Dr. Jesus Araújo, Rodrigo de Abreu e Lima e Álvaro de Araújo desejaram as maiores prosperidades à Parceria e ao comércio em geral, agradecendo no final, em nome da empresa o sr. João Baptista Ferreira.

Terminado o lanche, nos escritórios da firma, que ficavam situados nos baixos do prédio onde este decorreu (3), foi inaugurado um "... excellente retrato do nosso ilustre amigo sr. dr. Gaspar Teixeira de Queiroz, integérrimo Juiz de Direito, que foi sem dúvida alguma, a alma mater da creação d'aquella sociedade mercantil.",como refere o "A Aurora do Lima" de 23-01-1920.

A apologia do ilustre homenageado foi feita pelo gerente da Parceria o sr. João Baptista Ferreira, também ele um fundador, enaltecendo as qualidades morais e o dinamismo e empenho que o homenageado devotou a Viana do Castelo e ao seu crescimento e engrandecimento (4).

Neste acontecimento tão importante para os Estaleiros, Parceria de Pesca de Viana e para a cidade, não podiam ficar de fora os principais intervenientes, os que deram corpo e forma a tão belo como robusto navio, dando o melhor do seu saber e do seu esforço, quantas vezes suportando riscos que a profissão comporta, que são os trabalhadores. Também para eles houve reconhecimento da Parceria que na carpintaria dos Estaleiros mandou montar uma longa mesa, onde coubessem todos, belíssimamente decorada e onde não faltou comida com abundância para todo o pessoal.

Para rematar tão brilhante festa, que movimentou muita gente na cidade, especialmente a Confeitaria Brasileira, que serviu o banquete, realizou-se nas salas do palacete, uma animadíssima e concorrida festa onde se dançou até cerca das três horas da madrugada.

Eram assim naquele tempo os "bota-abaixo" dos navios da Parceria, que primava e fazia jus em assinalar de forma impressiva tão importantes datas.

Glossário:

(1) Boca - largura máxima

(2) Pontal - altura da quilha ao convés

(3) Local onde se situa actualmente o restaurante "Casa de Armas"

(4) O Dr. Gaspar Teixeira de Queiroz era natural dos Arcos de Valdevez

Fontes:

"A Aurora do Lima": 12-09-1918;23-01-1920

Viana do Castelo, 2010-05-07

Manuel de Oliveira Martins

Fonte: https://maolmar.blogs.sapo.pt/

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Tripulantes do Lugre Rio Lima

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O Capitão do Lugre Rio Lima, João Pereira Cajeiro