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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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LUGRE “RIO LIMA: UM NAVIO CONSTRUÍDO EM VIANA DO CASTELO DESTINADO À PESCA DO BACALHAU NOS MARES DA TERRA NOVA

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Lugre bacalhoeiro de bandeira verde-rubra construído, em 1919/1920 (foi lançado à água no dia 22 de Janeiro desse último ano), nos estaleiros do Campo da Feira, em Viana do Castelo, e pertença, ao tempo, da Parceria de Pescarias de Viana. Os trabalhos de realização deste veleiro decorreram sob a supervisão do mestre carpinteiro José Lopes Pereira Maiato. O «Rio Lima» era um navio com casco em madeira, de 3 mastros, que apresentava uma arqueação bruta de 317,33 toneladas. O seu comprimento (entre perpendiculares) era de 48 metros, a boca media 9,80 metros e o pontal 4,47 metros. Só em 1934 foi equipado com 1 máquina. A equipagem deste bacalhoeiro -destinado à pesca longínqua era, geralmente constituída por 41 homens, incluindo marinheiros e os pescadores dos dóris. Durante a sua vida activa, o «Rio Lima» teve vários capitães, sendo o primeiro de todos eles José Francisco Carrapichano; que o comandou de 1920 a 1922. Este navio cumpriu a sua missão de pesqueiro nos mares da Terra Nova até ao dia 6 de Maio de 1951, data em que naufragou, com água aberta, nos Grandes Bancos canadianos. Não há notícias de ter havido vítimas entre os seus tripulantes. Na altura da sua perda, o navio já navegava com as cores da Empresa de Pesca de Viana. Que, na lista dos seus armadores, sucedeu à Companhia Marítima de Transportes e Pescas, Lda., também ela sedeada na bonita cidade da foz do Lima.

Fonte: http://alernavios.blogspot.com/

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Convés do Lugre Rio Lima

 

Em 12 de Setembro de 1919 o jornal "A Aurora do Lima" fazia referência ao início da construção do lugre "Rio Lima", destinado à pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova para a Parceria de Pescarias de Viana. O Rio Lima era o terceiro navio daquela empresa construído para esse efeito, em resultado do cumprimento do plano inicial de aquisição de três navios que só agora foi possível pôr em execução devido à guerra.

O lugre "Rio Lima" foi construído nos estaleiros da Parceria, no Largo 5 de Outubro e lançado à água no dia 22-01-1920, cerca das 15:20 horas perante numerosa assistência vinda dos mais recônditos locais de Viana e arredores, como era hábito em acontecimentos semelhantes.

Este belo navio foi construído sob orientação do mestre construtor naval sr. José Lopes Ferreira Maiato e tinha como características principais: Tonelagem de arqueação bruta 317,33 tons; tonelagem de arqueação líquida 264,42 tons; comprimento entre perpendiculares 48,00 metros; boca (1) 9,80 metros; pontal (2) 4,47 metros e alojamentos para 41 tripulantes.

A curiosidade que despertava nas pessoas o lançamento à água de um navio novo, especialmente para a pesca do bacalhau, como nos dá conta "A Aurora do Lima", é disso digno de registo "... fez com que em toda a margem, desde a Alfândega até à doca, os caes se coalhassem de gente da cidade e das aldeias próximas, e no rio uma grande porção de barcos que vogavam cheios de espectadores concorria para a bellesa d'aquelle espectáculo sugestivo e brilhante, que oxalá repetisse por muitas vezes".

Estes eventos, importantes na vida de uma empresa, eram aproveitados para festejar com autoridades, amigos e trabalhadores, que de uma forma ou de outra contribuíram para o processo, trocando impressões uns, outros dando largas à sua fogosidade e animação num convívio retemperador de energias para novas tarefas.

O momento do bota- abaixo é sempre precedido de alguma expectativa e ansiedade, mas, logo que se cortam as amarras que prendem o navio ao berço que o viu nascer e crescer, e o volume inerte desliza nos carris e mergulha nas águas calmas do Lima, estralejam os foguetes, as businas e apitos dos navios surtos no porto vibram incessantemente; assobios, palmas, clamores de alegria soam por todo o lado onde as pessoas se amontoam para ver tão importante como estranho fenómeno para muitos um "milagre", tão incrédula é a sua visão.

Um acontecimento desta natureza numa cidade da província onde tão poucas coisas dignas de monta acontecem, é sempre aproveitado para comemorar com "opíparo" banquete, como aconteceu com o lançamento à água do lugre "Rio Lima".

A casa da D. Anna Malheiro Pitta de Vasconcellos, contígua ao estaleiro, por gentileza desta senhora, foi aproveitada pela Parceria, para oferecer um lanche que foi muito concorrido por grande número de pessoas da mais alta sociedade Vianense que aos brindes dos srs. Dr. Jesus Araújo, Rodrigo de Abreu e Lima e Álvaro de Araújo desejaram as maiores prosperidades à Parceria e ao comércio em geral, agradecendo no final, em nome da empresa o sr. João Baptista Ferreira.

Terminado o lanche, nos escritórios da firma, que ficavam situados nos baixos do prédio onde este decorreu (3), foi inaugurado um "... excellente retrato do nosso ilustre amigo sr. dr. Gaspar Teixeira de Queiroz, integérrimo Juiz de Direito, que foi sem dúvida alguma, a alma mater da creação d'aquella sociedade mercantil.",como refere o "A Aurora do Lima" de 23-01-1920.

A apologia do ilustre homenageado foi feita pelo gerente da Parceria o sr. João Baptista Ferreira, também ele um fundador, enaltecendo as qualidades morais e o dinamismo e empenho que o homenageado devotou a Viana do Castelo e ao seu crescimento e engrandecimento (4).

Neste acontecimento tão importante para os Estaleiros, Parceria de Pesca de Viana e para a cidade, não podiam ficar de fora os principais intervenientes, os que deram corpo e forma a tão belo como robusto navio, dando o melhor do seu saber e do seu esforço, quantas vezes suportando riscos que a profissão comporta, que são os trabalhadores. Também para eles houve reconhecimento da Parceria que na carpintaria dos Estaleiros mandou montar uma longa mesa, onde coubessem todos, belíssimamente decorada e onde não faltou comida com abundância para todo o pessoal.

Para rematar tão brilhante festa, que movimentou muita gente na cidade, especialmente a Confeitaria Brasileira, que serviu o banquete, realizou-se nas salas do palacete, uma animadíssima e concorrida festa onde se dançou até cerca das três horas da madrugada.

Eram assim naquele tempo os "bota-abaixo" dos navios da Parceria, que primava e fazia jus em assinalar de forma impressiva tão importantes datas.

Glossário:

(1) Boca - largura máxima

(2) Pontal - altura da quilha ao convés

(3) Local onde se situa actualmente o restaurante "Casa de Armas"

(4) O Dr. Gaspar Teixeira de Queiroz era natural dos Arcos de Valdevez

Fontes:

"A Aurora do Lima": 12-09-1918;23-01-1920

Viana do Castelo, 2010-05-07

Manuel de Oliveira Martins

Fonte: https://maolmar.blogs.sapo.pt/

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Tripulantes do Lugre Rio Lima

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O Capitão do Lugre Rio Lima, João Pereira Cajeiro

A GALERIA DOS PIONEIROS PORTUGUESES EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada em 2003 pelos lusodescendentes José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel da Costa, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Conquanto a presença regular de portugueses neste território do norte da América remonte ao início do séc. XVI, a emigração portuguesa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes lusitanos.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade portuguesa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel da Costa, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel da Costa, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades portuguesas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro entre as pátrias de acolhimento e de origem.

DANIEL BASTOS APRESENTOU EM TORONTO NOVO LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E O NASCIMENTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

No passado sábado foi apresentado em Toronto, no Canadá, o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), na sessão de apresentação do livro “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, acompanhado do comendador luso-canadiano Manuel da Costa

A obra, concebida e realizada pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada na Galeria dos Pioneiros Portugueses, um museu que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá.

A sessão muito concorrida, que contou com a presença de vários representantes da comunidade luso-canadiana e órgãos de comunicação social da diáspora, esteve a cargo do comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que enalteceu o trabalho que o investigador da nova geração de historiadores nacionais tem realizado em prol das Comunidades Portuguesas.

Segundo Manuel da Costa, a iniciativa promovida pela Galeria dos Pioneiros Portugueses, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal no Canadá, visou enriquecer a história, cultura e cidadania da comunidade luso-canadiana, incentivando nessa esteira Daniel Bastos, a conceber novos trabalhos junto da comunidade portuguesa, porquanto uma comunidade sem memória é uma comunidade sem história.

Refira-se que no decurso da tertúlia, ocorreram várias intervenções por parte de representantes da comunidade luso-canadiana, como foi o caso de Armando Branco, presidente da Liga dos Combatentes do Núcleo de Ontário, e de Artur Jesus, representante da Associação Cultural 25 de Abril de Toronto, que explanaram a missão destas relevantes coletividades e destacaram as conquistas de Abril no desenvolvimento de Portugal.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

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O PASSEIO DA FAMA DE PORTUGUESES NO CANADÁ

No âmbito das comemorações do 10 de junho, uma vez mais assinalaram-se um pouco por todo o mundo, as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

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Este ano as comemorações do Dia de Portugal, abriram oficialmente em Portalegre, capital de distrito do Alto Alentejo, e na senda dos três anos de mandato do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estenderam-se às comunidades portugueses, mormente a Cabo Verde, arquipélago localizado ao largo da costa da África Ocidental, onde residem quase 20 mil compatriotas.

A singularidade das comemorações do Dia de Portugal junto das comunidades lusas, além de reveladora do papel essencial da Diáspora na afirmação da pátria de Camões, é um justo e merecido reconhecimento às trajetórias de vida dos inúmeros compatriotas que pelos quatro cantos do mundo alteiam o amor pátrio. 

Um destes prodigiosos exemplos de amor pátrio e exaltação da cultura e língua portuguesa além-fronteiras encontra-se nas celebrações do Dia de Portugal promovido pela comunidade portuguesa de Toronto, no Canadá. Território na América do Norte, onde uma vez mais, milhares de participantes e espectadores participaram na Parada de Portugal, uma das maiores manifestações de orgulho luso, no Mundo.

É também no seio da comunidade lusa em Toronto, estimada em cerca de 300 mil portugueses e luso-descendentes, que desde 2013, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, se assinala o Portuguese Canadian Walk of Fame. Uma iniciativa carregada de enorme simbolismo, impulsionada pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que tem como principal objetivo realçar os percursos de sucesso de luso-canadianos para que sirvam de inspiração às gerações vindouras.

O passeio da fama de portugueses no Canadá, localizado na Camões Square, onde pontifica uma estátua em homenagem ao poeta da epopeia dos descobrimentos, em pleno âmago de uma nação diversa e multicultural, espelha publicamente a notável capacidade de afirmação da comunidade lusa no Canadá. Um dos maiores países do mundo, onde os portugueses através da argamassa da cultura e língua de Camões, honram o seu passado, constroem o seu presente e projetam o seu futuro.