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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA: PRIMEIRAS PÁGINAS DO INVENTÁRIO DE MENORES EM 1914 POR ÓBITO DE JOSÉ RODRIGUES, MORADOR DA CABRAÇÃO NO LUGAR DE ESCUSA

Inventariado: Domingos José Rodrigues, casado com a inventariante, morador que foi na freguesia de Cabração, Ponte de Lima, falecido em 15 de janeiro de 1914, sem testamento. Inventariante: Emília Maria de Matos, a viúva, moradora na freguesia de Cabração, Ponte de Lima. Filhos: João Rodrigues, de 12 anos; José Manuel Rodrigues, de 10 anos; Maria Rodrigues, de 7 anos; Piedade Rodrigues, de 3 anos; Domingos Rodrigues, de 1 mês.

Fonte: Arquivo Distrital de Viana do Castelo

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PONTE DE LIMA: PRIMEIRAS PÁGINAS DO INVENTÁRIO DE MENORES EM 1921 POR ÓBITO DE JOSÉ MANUEL DOMINGUES, MORADOR DA CABRAÇÃO

Inventariado: José Manuel Domingues, casado com a inventariante, morador que foi na freguesia de Cabração, Ponte de Lima, falecido em 24 de novembro de 1921. Inventariante: Maria Clara de Matos, a viúva, moradora na freguesia de Cabração, Ponte de Lima.

Fonte: Arquivo Distrital de Viana do Castelo

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PONTE DE LIMA: GOVERNO SUBMETEU AO REGIME FLORESTAL PARCIAL OS BALDIOS DE CABRAÇÃO E ARCOZELO

O Ministério da Economia - Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, através do Decreto nº. 39764, publicado em Diário do Governo n.º 179/1954, Série I de 1954-08-16, submeteu ao regime florestal parcial os terrenos baldios pertencentes às Juntas de Freguesia de Cabração e de Santa Maria de Arcozelo, concelho de Ponte de Lima.

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PONTE DE LIMA: HABITANTES DA CABRAÇÃO FORAM EM 1942 EXPROPRIADOS EM BENEFÍCIO DA EMPRESA QUE EXPLOROU A MINA DOS MONTEIROS

O Ministério da Economia - Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, através do Decrecto 32109, publicado em Diário do Govêrno n.º 147/1942, Série I de 26 de Junho de 1942, concedeu à Compagnie Française des Mines, concessionária da mina denominada Monteiro, situada no concelho de Ponte do Lima, a expropriação por utilidade pública de vários terrenos para assegurar o abastecimento de água à lavaria e construir uma barragem destinada a reter as areias provenientes da oficina de tratamento do minério.

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PONTE DE LIMA: PONTE DA CABRAÇÃO FOI CONSTRUÍDA EM 1953 E CUSTOU QUASE 375 CONTOS

O Ministério das Obras Públicas - Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos, por decrecto nº 39431, publicado em Diário do Governo n.º 253/1953, Série I de 14 de Novembro de 1953, autorizou a Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos a celebrar contrato para a execução das obras de construção da ponte sobre a ribeira de Cabração, no concelho de Ponte de Lima. Custaram 374.945$00.

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PONTE DE LIMA: ESTADO NOVO SUBMETEU EM 1954 BALDIOS DE CABRAÇÃO E ARCOZELO AO REGIME FLORESTAL PARCIAL

O Ministério da Economia - Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, através do Decrecto nº. 39764 publicado em Diário do Governo n.º 179/1954, Série I de 16 de Agosto de 1954, submeteu ao regime florestal parcial os terrenos baldios pertencentes às Juntas de Freguesia de Cabração e de Santa Maria de Arcozelo, concelho de Ponte de Lima.

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O CULTO DOS MORTOS NO MINHO

O cemitério – termo proveniente do latim coemeterium, por sua vez derivado do grego Kimitírion – constitui o local onde se depositam os mortos com vista ao seu repouso eterno ou seja, onde se abrem as respectivas sepulturas.

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Igreja Paroquial de Cabração, concelho de Ponte de Lima, vendo-se o cemitério paroquial antigo e novo.

Nos tempos mais remotos, os cemitérios situavam-se geralmente fora dos muros da cidade, distantes das igrejs e outros locais de culto, como sucedia com a Geena às portas de Jerusalém. Na Roma antiga, encontravam-se nas catacumbas que constituíam espaços subterrâneos destinados ao sepultamento, as quais vieram a ser utilizadas pelos cristãos para as suas práticas religiosas com secretismo devido às perseguições de que eram alvo.

Com o tempo, as igrejas vieram a tornar-se locais de sepultamento uma vez que eram considerados como locais sagrados. Porém, sobretudo a partir do século XVIII, o crescimento populacional viria a causar falta de espaço no interior dos templos e nos espaços contíguos. Começaram então para o efeito a serem construídos cemitérios junto do adro das igrejas mas, por via da tradição, esta prática ainda não obtinha grande adesão.

Em 28 de Setembro de 1844, a pretexto de razões sanitárias, o governo de Costa Cabral proíbe os enterros nas igrejas. As famílias passaram a ser obrigadas ao pagamento das despesas do funeral depois do delegado de saúde certificar o óbito. Este constituiu o rastilho para a Revolução da Maria da Fonte, protesto a que se veio juntar a outras reclamações populares em todo o Minho.

A medida sanitária não era imediatamente aplicável por falta de locais destinados exclusivamente ao sepultamento – cemitérios – mas, com o decorrer do tempo, estes foram sendo construídos, as sepulturas abertas no interior das igrejas e os cadáveres transladados para os cemitérios paroquiais. Reduziam-se, desse modo, focos de contaminação no interior das igrejas onde o povo se juntava para o culto e os incensários eram insuficientes para purificar o local.

Nalgumas igrejas ainda se conservam as pedras tumulares identificando personalidades de relevo da comunidade, tal como o local de sepultamento. Noutras, onde não se cuidou da preservação da memória histórica, as sepulturas foram aterradas e o pavimento cimentado. E a memória local perdeu-se!

Foto: José Pinto

JORNAL “DINHEIRO VIVO” NA SUA EDIÇÃO DE HOJE: FREGUESIAS DE PONTE DE LIMA RECUSAM PROJETO DE EXPLORAÇÃO DO LÍTIO

As autarquias justificam a posição com "as sucessivas ameaças de que o território tem sido alvo, agora concretizadas por um pedido de exploração de lítio e outros minerais, denominado Cabanas".

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As Juntas de Freguesia de Arcozelo, Calheiros, Labruja e União de Freguesias de Bárrio e Cepões, em Ponte de Lima, manifestaram a sua "total oposição a qualquer projeto de mineração nos seus territórios", foi divulgado esta segunda-feira.

A resolução foi tomada por aquelas autarquias do concelho de Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, no domingo e hoje enviada à agência Lusa, pelo movimento Serra SOS d'Arga.

No documento, promovido e subscrito pelo movimento cívico, as autarquias justificam a posição com "as sucessivas ameaças de que o território tem sido alvo, agora concretizadas por um pedido de exploração de lítio e outros minerais, denominado Cabanas".

Segundo as autarquias, o pedido de mineração, apresentado junto da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), "afetará de forma irremediável os seus territórios, a qualidade de vida, o bem-estar e saúde das suas populações".

As autarquias e o movimento cívico e luta contra a exploração de minérios na Serra D'Arga "rejeitam liminarmente tal intenção".

As freguesias de Ponte de Lima dizem ser "sucessivamente fustigadas pelos impactos de outras indústrias extrativas" e esta posição visa "impedir que mais um atentado ao território seja perpetrado".

"O desenvolvimento não se promove à margem da população. O interesse nacional de nada serve se se colocam em causa a reabilitação do território e os investimentos que estas freguesias têm feito nos últimos anos na promoção do seu património", sustentam as autarquias na resolução.

Além de reafirmarem "a sua total oposição a qualquer projeto de mineração nos seus territórios, aquelas freguesias "repudiam qualquer atentado contra o seu património natural e cultural, únicos e insubstituíveis, não permitem qualquer tipo de exploração mineira que ponha em risco a saúde, o modo de vida e bem-estar das comunidades locais, o investimento privado e ainda todo o investimento público realizado na valorização do território".

Vão ainda "exigir ao Governo a imediata exclusão do território do plano nacional do lítio e a não atribuição de quaisquer direitos de exploração de depósitos minerais a empresas privadas", e "empregar todos os esforços e recorrer a todos os meios ao seu dispor no sentido de impedir a destruição de todo o trabalho desenvolvido, nas últimas duas décadas, quer pelas autarquias e agentes sociais locais, quer pelas comunidades em prol do desenvolvimento sustentado e sustentável nestes territórios".

"Exigimos a todas as empresas mineiras que retirem os seus pedidos de prospeção e exploração. A nossa posição é final e não vamos ceder nem um milímetro: aqui não entram. Aqui não furam. Minas aqui nunca mais", frisa a resolução.

Na nota hoje enviada à Lusa, acrescentam que, "à semelhança das Juntas de Freguesia dos concelhos de Caminha e Vila Nova de Cerveira e da União de Freguesias de Cabração e Moreira do Lima, em Ponte de Lima, que também se veem confrontadas com três pedidos de exploração de lítio e outros minerais, Arcozelo, Calheiros, Labruja e União de Freguesias de Bárrio e Cepões decidem envidar todos os esforços para travar este ataque sem precedentes ao património dos seus territórios".

"As juntas de freguesias de Caminha e Vilarelho, Seixas (no concelho de Caminha) e Montaria (Viana do Castelo) decidiram também subscrever a resolução aprovada em 09 de janeiro, em reunião onde estiveram presentes as Freguesias e Comissões de Baldios afetadas pelos pedidos Aldeia, Ledo e Vilarinho", adiantam.

O movimento SOS Serra d' Arga "congratula-se vivamente com o exercício de solidariedade de todos os autarcas alto-Minhotos, que desembainham armas" em defesa de um território que é a alma de todos".

Fonte: https://www.dinheirovivo.pt/ / Foto:Rui Manuel Ferreira / Global Imagens

MINHO: A HERÁLDICA MUNICIPAL E O FOLCLORE

Remonta muito provavelmente à Idade Média a origem da heráldica destinada a identificar o estatuto social de famílias nobres, parte das quais distinguidas por actos de bravura e serviços prestados ao rei. Os brasões – ou cotas de armas – eram geralmente pintados ou cosidos sobre as cotas de malha dos guerreiros medievais também como forma de identificar o cavaleiro em combate uma vez que a armadura o tornava irreconhecível.

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Com o declínio da nobreza e a ascenção da burguesia a partir do século XIX, os brasões medievais foram perdendo importância e reconhecimento para, sobretudo a partir do século XX, regressarem com o objectivo de distinguir os municípios.

Estes brasões, criados inicialmente de forma arbitrária, foram a partir de 1930 normalizados por decisão da Direcção Geral da Administração Pública, atribuindo à Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses a competência de dar o parecer compulsório.

E assim, entre outras regras, foi estabelecido que as cidades, vilas e freguesias fossem representadas através de uma coroa mural de prata com cinco, quatro e três torres respectivamente, também estas de prata. São escassas as excepções que confirmam esta regra. Os brasões municipais são ainda compostos do escudo português e de um listel com o nome do respectivo município.

No século XIX, ainda a missa era celebrada em latim pelo que as imagens possuíam uma especial função catequética, destinada a transmitir os ensinamentos ao povo que participava na celebração mas não entendia o que o padre dizia. Por conseguinte, atraídas pelos motivos decorativos e revelando elevado dote artístico, as moças copiavam o que viam para embelezar os seus trajes nomeadamente na aplicação dos bordados. Não admira, pois, que o traje minhoto revele nalguns casos uma certa expressão da arte barroca que caracteriza muitas das nossas igrejas. O mesmo sucede com o brasão real que adorna o avental do traje de noiva e de mordoma enriquecido de vidrilhos.

Mas, os brasões municipais eram praticamente inexistentes à época e, sobretudo, com as formas normalizadas como actualmente conhecemos. Por essa razão, o aprecimento dos brasões municipais nos trajes de alguns grupos folclóricos constitui um anacronismo e uma adulteração do traje tradicional que deve a todo o custo ser corrigida.

O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM OS CRUZEIROS?

O cruzeiro constitui uma cruz monumental em pedra, geralmente colocada sobre uma plataforma formada por alguns degraus. Encontram-se predominantemente junto de igrejas, adros, praças, cemitérios, encruzilhadas e outros caminhos a assinalar percursos habituais de procissões religiosas.

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Cruzeiro na Cabração, concelho de Ponte de Lima. Encontra-se situado numa encruzilhada e constitui um ponto de referência à procissão religiosa que se realiza por ocasião das festas em honra de Nossa Senhora do Azevedo.

 

O seu aparecimento ao século III da Era Cristã, imediatamente após o imperador Constantino ter alegadamente convertido-se ao Cristianismo e adoptado a cruz como seu símbolo. Desde então, passaram a ser erigidos cruzeiros um pouco por todo o império romano, constituídos como um padrão destinado a levar a cabo o processo de cristianização e, ao mesmo tempo, extirpar o paganismo com a sua localização nas encruzilhadas de caminhos, sítios frequentemente atribuídos à realização de rituais pagãos.

A Contra-Reforma ocorrida no século XVI fez aumentar a quantidade de cruzeiros, bem assim como outros elementos de devoção religiosa, acabando por torná-los parte da religiosidade popular.

De uma maneira geral não apresentam qualquer valor artístico, existindo porém alguns com interessantes motivos escultóricos.

MINHO: O QUE SÃO AS “ALMINHAS DO PURGATÓRIO”?

Alminhas: Portugal foi o único país a criar estes monumentos

Portugal é o único país do mundo que possui no seu património cultural, localizadas habitualmente à beira de caminhos rurais e em encruzilhadas, as alminhas, representações populares das almas do Purgatório que suplicam rezas e esmolas e que frequentemente surgem em microcapelinhas, padrões, nichos independentes ou incrustados em muros ou nos cantos de igrejas, painéis de azulejo ou noutras estruturas independentes. Mas uma grande parte deste património representativo da religiosidade popular portuguesa está a degradar-se crescentemente, rodeada por silvas, alvo de actos de vandalismo avulso e reflexo directo e generalizado da pressa da vida actual, do abandono das zonas rurais do país e da indiferença que predomina nas autarquias em relação aos pequenos monumentos saídos da imaginação e da devoção do povo.

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Nicho de "Alminhas do Purgatório" na Cabração, concelho de Ponte de Lima

 

"As alminhas são uma criação genuinamente portuguesa e não há sinais de haver este tipo de representação das almas do Purgatório, pedindo para os vivos se lembrarem delas para poderem purificar e "subir" até ao Céu, em mais lado nenhum do mundo a não ser em Portugal", afirma António Matias Coelho, professor de História, investigador de manifestações da cultura religiosa e popular e organizador de dois encontros nacionais sobre Atitudes perante a morte, realizados há alguns anos na Chamusca.

"No cristianismo primitivo só havia Céu e Inferno, a ideia do Purgatório só surgiu na Idade Média, quando a Igreja, na sequência do Concílio de Trento de 1563, o impõe como dogma, numa lógica de resposta católica à Reforma levada a cabo pelos protestantes. Passava assim a haver um estado intermédio para as almas das pessoas que faleciam. E em vez do dualismo do Céu, para os bons, e do Inferno, para os impuros, criou-se um estado intermédio, um local onde durante algum tempo as almas ficariam a purificar", observa o historiador, evidenciando, porém, a forma específica como em Portugal se interpretou as indicações de Trento.

Representações públicas

"É na sequência do Concílio de Trento que são criadas as Confrarias das Almas, como forma de institucionalizar a crença no Purgatório e impor a convicção de que as almas dos mortos sairiam tanto mais cedo do Purgatório quanto mais orações e esmolas fossem feitas pelos vivos. Aliás, tudo dependia dos vivos, unicamente a eles competia sufragar as almas que esperavam pela purificação", observa António Coelho. Mas, reflexo eventual de uma forma religiosa, emocional e sentimental própria, começam a surgir em Portugal, sobretudo a norte do rio Mondego, fruto de uma cristianização mais prolongada e vivida, pequenas representações das alminhas em sítios públicos com alminhas de mãos erguidas suplicando aos vivos orações e esmolas para poderem completar a purificação e libertar-se das contingências do Purgatório.

Religiosidade popular

"Há muitas alminhas em todo o país, mas sobretudo no Norte, e alguns municípios têm seguramente centenas de alminhas com alguma relevância dispersas pelo seu território.

Nas regiões do Porto e de Aveiro, e em concelhos como Arouca, Sever do Vouga, Vouzela e São Pedro do Sul, em Trás-os-Montes e por toda a Beira Interior há alminhas dispersas pelos caminhos implorando aos vivos que se lembrem delas", afirma António Matias. O investigador lamenta, no entanto, a "morte lenta" a que estão devotadas estas manifestações tão identitárias da religiosidade popular própria dos portugueses.

Refere a pressa dos tempos modernos. "As pessoas já não param para acender uma vela ou para fazer uma oração. Agora está tudo muito diferente se compararmos, por exemplo, com o século XIX, quando ainda se construíam muitas alminhas", esclarece António Matias, sublinhando que se recorda de, ainda há poucas décadas, ser comum, "a quem passasse junto às alminhas, parar, curvar-se e tirar o barrete [ou chapéu] em respeito, pôr flores, acender uma vela ou lamparina de azeite, fazer o sinal da cruz e rezar o Pai Nosso e Ave Maria, correspondente à sigla P.N.A.M., existente como relembratório junto a muitos nichos e capelinhas que apelam às rezas cristãs".

Fonte: Manuel Fernandes Vicente / https://www.publico.pt/

MINHO: O QUE É A “VENDA”?

Em todas as aldeias do Minho existe um estabelecimento a que vulgarmente designamos por “venda”. Trata-se de uma pequena mercearia, geralmente associada a uma taberna, local onde se pode adquirir os mais variados produtos, incluindo ferramentas, adubos, pesticidas e, de um modo geral, tudo o que é necessário à actividade do lavrador.

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Venda da Cabração, no concelho de Ponte de Lima

 

Por razões sanitárias, os bens alimentares e de consumo ficavam fisicamente separados dos demais.

Em virtude da distância em relação às vilas e outros centros populacionais de maior dimensão, a “venda” constituiu desde sempre um entreposto fundamental de apoio às pequenas comunidades. E, não raras as vezes, servia de ponto de distribuição do correio e de ligação ao chamado “carro de praça”.

Em face das suas características e utilidade, a “venda” tornou-se o ponto de encontro dos vizinhos, local de convívio privilegiado entre todos os conterrâneos, quantas vezes à luz trémula das velhas candeias. Não confundir a “venda” com os modernos cafés que vão abrindo um pouco por tudo quanto é sítio… a “venda” sempre foi uma instituição de utilidade pública!

Por toda a parte do mundo onde os portugueses chegaram, desde as mais recônditas paragens do Brasil ao interior dos antigos territórios africanos, lá encontramos a “venda” dos portugueses – muitos dos quais minhotos! – a prestar o seu serviço a populações quase esquecidas e muitas vezes analfabetas.

A “venda” ocupa um lugar na História da organização económica e social do minhoto e dos portugueses em geral.

PONTE DE LIMA: TORRE DE S.PAULO

Vila mais antiga de Portugal (estatuto orgulhosamente reclamado pelos limianos em referência ao foral de D. Teresa, datado de 1125), e capital do Alto Minho até ao século XV, Ponte de Lima só foi dotada de um sistema defensivo em época muito tardia. Com efeito, é do século XIV que datam os dados seguros acerca da edificação da cerca, resumindo-se as hipóteses de ter existido uma muralha anterior a uma mera sugestão de trabalho, que continuamente esbarra com a inexistência de indicadores arqueológicos e documentais (ANDRADE, 1990, p.56, nota 22).

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O caminho para a Baixa Idade Média foi marcado, no nosso país, por uma progressiva afirmação dos núcleos urbanos e proto-urbanos, que foram funcionando, cada vez mais, como pólos aglutinadores do espaço e dos homens. Neste sentido, a intensificação das trocas comerciais e a maior mobilidade humana, determinou a progressiva aplicação de taxas aduaneiras e de impostos sobre os bens e o trânsito. Em meados do século XIV, quando se iniciaram as obras da cerca de Ponte de Lima, esta era já uma realidade em todo o reino e numerosas eram as vilas e cidades que se amuralhavam, não só tendo em vista as vantagens militares daí resultantes, mas, também, as vantagens económicas (ALMEIDA, 1987, p.101).

Até há pouco tempo, discutia-se, ainda, qual o momento específico em que os trabalhos de construção da muralha haviam arrancado e qual a marcha da empreitada. O estudo que Mário Barroca dedicou a uma inscrição do reinado de D. Pedro, que comemora precisamente o início das obras, não deixa margem para dúvidas. Esta inscrição (colocada originalmente na Torre Velha) já havia sido lida por vários autores, mas a maioria incorrera em erros de precisão cronológica. Por ela, sabemos que a 8 de Março de 1359 iniciaram-se as tarefas de britar pedra para o muro e que este começou a ser levantado a 3 ou 6 de Julho desse ano (BARROCA, 2000, vol.2, t.2, p.1734). Onze anos decorreram até que o sistema estivesse completo, pois a 19 de Maio de 1370, num documento de D. Fernando, já não se referem quaisquer obras (IDEM, p.1734).

A cerca construída nesse tempo pode considerar-se relativamente grande, desenvolvendo-se ao longo de mais de um quilómetro de extensão. Nove torres protegiam um perímetro ovalóide irregular, que incluía a ponte gótica (presumivelmente construída uns anos antes), onde se implantavam duas torres (ambas nas extremidades da estrutura: a Torre Velha, do lado Norte, e a da Ponte, ligada ao sistema defensivo da vila).

No século XV, edificou-se uma décima torre - a do Castelo -, assim denominada por se situar junto à cidadela, estrutura tutelar da vila, localizada na vertente Sul do complexo militar, mas da qual, infelizmente, nada chegou até hoje (ALMEIDA, 1987, p.101). Ainda da centúria de Quatrocentos datava o paço, construído por D. Leonel de Lima a partir de 1469 e na sequência da instituição da Arcaidaria-Mor de Ponte de Lima por D. Afonso V, estrutura tripartida com corpo central de duplo piso ladeado por duas torres (SILVA, 1995, p.168) e de que resta, somente, uma parcela muito adulterada da fachada principal.

No reinado de D. Manuel, para além do ameamento da ponte, edificou-se a Torre da Cadeia (principal elemento do complexo defensivo da vila que ainda resta). A ela associou-se a Porta Nova, facto que gerou uma alteração urbanística da localidade, criando uma nova centralidade ribeirinha no local da antiga judiaria.

Nos séculos seguintes, foram muitos os momentos de destruição da cerca. Em 1787, a Câmara "autorizou a demolição de parte da muralha medieval" para aplicar a pedra a edificações públicas e privadas (ANDRADE, 1990, p.14). Menos de um século depois, em 1857, demolia-se a última torre, datando, dessa altura, a única fotografia da torre velha. Restou a da Cadeia, que desempenhou esta função quase até aos nossos dias e que se instituiu como uma marca cenográfica da vila, e a de São Paulo, que defendia inicialmente a Rua do Postigo.

PAF / http://www.patrimoniocultural.gov.pt/

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JOÃO AFONSO GONÇALVES: UM LIMIANO NO CORPO EXPEDICIONÁRIO PORTUGUÊS FEITO PRISIONEIRO NA ALEMANHA

João Afonso Gonçalves, Soldade nº 323 do Regimento de Infantaria nº 3, natural de Cabração, Ponte de Lima, do 1º Corpo Expedicionário Português, embarcou para a frente em 15 de Abril de 1917 e desembarcou em 18 de Janeiro de 1919.

Desaparecido em 9 de Abril de 1918, foi considerado prisioneiro do inimigo tendo sido encontrado no Campo de Münster, na Alemanha.

Era filho de José Afonso Manuel Gonçalves e Rosa Afonso.

Fonte: Arquivo Histórico Militar

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ABÍLIO JOSÉ DOMINGUES: UM LIMIANO NO CORPO EXPEDICIONÁRIO PORTUGUÊS

Abílio José Domingues, 1º Cabo nº 108 do Regimento de Infantaria nº 9, natural de Cabração, Ponte de Lima, do 1º Corpo Expedicionário Português, embarcou para a frente em 22 de Abril de 1917 e desembarcou em 21 de Fevereiro de 1919. Era filho de José Manuel Domingues e Maria (…) de Matos.

Fonte: Arquivo Histórico Militar

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