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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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DEOLINDA LEONES – UMA FADISTA LIMIANA NATURAL DA CABRAÇÃO

BLOGUE DO MINHO recupera um artigo publicado há 4 anos

Deolinda Leones é uma popular fadista natural de Cabração, concelho de Ponte de Lima, que acaba de editar um CD em cuja capa não podia faltar a vista panorâmica da vila limiana e a sua ponte românica sobre o rio Lima. A convite do BLOGUE DO MINHO, dá-se a conhecer aos nossos leitores na primeira pessoa, falando sobretudo da sua experiência como artista do fado, apesar de ter nascido numa terra profundamente marcada pelo folclore alegre e esplendoroso que caracteriza o Minho.

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São, pois, suas as palavras que se seguem:

“Além do meu trabalho, cantar é o que mais gosto de fazer. Era ainda muito pequena e cantava com uns vizinhos que também cantavam e tocavam viola. E assim passava os meus dias quando não tinha escola.

Perto da minha casa, em Lisboa, havia então uma casa típica chamada Arcadas do Rego, onde havia fados aos fins-de-semana. Então, refugiava-me lá para ouvir os fadistas e pedia para cantar... e, tanto pedi que certo dia lá me deixaram cantar. Recordo que cantei à capela, como se diz quando não se tem música. Interpretei então o fado “Povo que lavas no rio” cujo pema é, como se sabe, do grande poeta Pedro Homem de Mello.

Fui então muito ovacionada. E o êxito foi tão surpreendente que, no meio de tantas palmas, dois senhores vieram ter comigo e perguntaram-me:

- Como te chamas miúda?

E, depois de ter-lhes dito o meu nome, questionaram-me de novo:

- Gostas de cantar?

Foi então que confessei: disse-lhes que adoro cantat mas o meu pai não deixa porque diz que as artistas se portam mal.

Foi então que eles prometeram: Vamos falar com o teu pai e tu vai cantar!

E assim sucedeu…

Eu era então uma moça humilde e envergonhada mas, após terem conversado com o meu pai, ele lá me deixou, não sem me presentear com vários ralhetes na presença deles. Vim posteriormente a saber para minha enorme surpresa que, os referidos cavalheiros eram, nem mais nem menos, que Raul Solnado e Raul Indipo!

E assim iniciei a minha carreira artista como cantadeira de fados. A primeira casa onde passei a actuar situava-se no Bairro Alto – bairro que é um verdadeiro alfobre dos maiores fadistas! – mais precisamente O “Viela” na rua das Taipas e era gerida pelo sr. Sérgio. Concluí o meu curso mas, até hoje, não parei jamais de cantar o fado!”

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PONTE DE LIMA: NATURAL DA CABRAÇÃO FEITO PRISIONEIRO NA GRANDE GUERRA

Abilio José Domingues - 1ºCabo - Regimento de Infantaria nº3, da 4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português, natural da Freguesia da Cabração, concelho de Ponte de Lima.

Era filho de José Manuel Domingues e de Maria Clara de Matos.

Foi feito prisioneiro pelo inimigo e internado no campo de Muster II, situado no município suíço do cantão de Grisões.

Fonte: Arquivo Histórico-Militar

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PONTE DE LIMA: ABADE DA CABRAÇÃO PEDIU PROTEÇÃO PARA UM PAROQUIANO QUE VIAJOU PARA ANGOLA

Carta enviada pelo Padre Manuel Alves, abade de Cabração, ao General Norton de Matos a solicitar a sua proteção em Angola para Manuel Mauro dos Reis. Datada de Cabração, 13 de janeiro de 1954.

Reza na missiva tratar-se de “um bom artista em construção civil, homem sério e trabalhador”. E subscreve: “Creia-me sempre um fiel correligionário na causa Democrática”.

Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

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POETA LIMIANO ANTÓNIO FEIJÓ TINHA RAÍZES FAMILIARES EM MELGAÇO E NA CABRAÇÃO EM PONTE DE LIMA

De acordo com informações cedidas pelo Comendador Adelino Tito Morais na sequência de investigações por si efectuadas, “a ascendência materna de António Feijó vai à Quinta da Bemposta na Cabração, e também no Bárrio. Do avô, o tal Pereira Lima Sampaio, advogado em Ponte de Lima e depois Corregedor em Barcelos, encontrei há anos em pesquisas notariais em Viana do Castelo, empréstimo efectuado por ele, a juro, para um vizinho.”

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No seu assento de baptismo – à época ainda não existia registo civil – o qual é extraído do livro de baptismos da Paróquia de Ponte de Lima (Vila), nº 11, fls. 212, à guarda do Arquivo Distrital de Viana do Castelo, (cota 3.15.1.13), consta o seguinte:

“António filho legítimo de José Agostinho Castro Correa Feijó, natural da Freguezia de Santa Marinha de Rouças do Concelho de Melgaço e de Joanna do Nascimento Malheiro Sampaio natural desta Freguezia moradores na Rua Direita desta Freguezia nepto paterno de Joaquim Thomaz Correa Feijó, e Dona Cartona Delfina de Lima Azevedo Souza e Catro da Freguezia de Bouças do Concelho de Melgaço, sendo aquelle natural da Freguezia de Calheiros deste Concelho de Ponte do Lima, materno do Doutor Desembargador António Caetano Pereira de Lima Sampaio, solteiro, já fallecido e Dona Clemência Dias Malheiro, solteiros ambos desta Villa, nasceo no dia primeiro do mez de Junho de mil oito centos e cincoenta e nove e no dia seis do dito mex e anno foi Solenemente Baptizado com imposição dos Santos óleos, na pia Baptismal de Santa Maria dos Anjos, da dita Villa de Ponte de Lima digo de São Salvador da Feitosa deste Concelho, (…) pelo Reverendo Parocho Encomendado António José Fernandes, Padrinhos o Reverendo António Correa Feijó Reytor de Victorino das Donas deste Concelho e (…) Dona Anna Cândida de Castro Pimenta Feijó representada por seu sobrinho José Joaquim de Castro Pimenta Feijó, irmão do Baptizado. Em fé do que fiz este assento que assigno hoje 6 de Junho de 1859. (...) José António da Cunha"

Fonte: Carlos Gomes. António Feijó – Nasceu há (quase) século e meio!. O Anunciador das Feiras Novas. Ano XXII. 2005

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PONTE DE LIMA: PRIMEIRAS PÁGINAS DO INVENTÁRIO DE MENORES EM 1914 POR ÓBITO DE JOSÉ RODRIGUES, MORADOR DA CABRAÇÃO NO LUGAR DE ESCUSA

Inventariado: Domingos José Rodrigues, casado com a inventariante, morador que foi na freguesia de Cabração, Ponte de Lima, falecido em 15 de janeiro de 1914, sem testamento. Inventariante: Emília Maria de Matos, a viúva, moradora na freguesia de Cabração, Ponte de Lima. Filhos: João Rodrigues, de 12 anos; José Manuel Rodrigues, de 10 anos; Maria Rodrigues, de 7 anos; Piedade Rodrigues, de 3 anos; Domingos Rodrigues, de 1 mês.

Fonte: Arquivo Distrital de Viana do Castelo

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PONTE DE LIMA: PRIMEIRAS PÁGINAS DO INVENTÁRIO DE MENORES EM 1921 POR ÓBITO DE JOSÉ MANUEL DOMINGUES, MORADOR DA CABRAÇÃO

Inventariado: José Manuel Domingues, casado com a inventariante, morador que foi na freguesia de Cabração, Ponte de Lima, falecido em 24 de novembro de 1921. Inventariante: Maria Clara de Matos, a viúva, moradora na freguesia de Cabração, Ponte de Lima.

Fonte: Arquivo Distrital de Viana do Castelo

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PONTE DE LIMA: GOVERNO SUBMETEU AO REGIME FLORESTAL PARCIAL OS BALDIOS DE CABRAÇÃO E ARCOZELO

O Ministério da Economia - Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, através do Decreto nº. 39764, publicado em Diário do Governo n.º 179/1954, Série I de 1954-08-16, submeteu ao regime florestal parcial os terrenos baldios pertencentes às Juntas de Freguesia de Cabração e de Santa Maria de Arcozelo, concelho de Ponte de Lima.

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PONTE DE LIMA: HABITANTES DA CABRAÇÃO FORAM EM 1942 EXPROPRIADOS EM BENEFÍCIO DA EMPRESA QUE EXPLOROU A MINA DOS MONTEIROS

O Ministério da Economia - Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, através do Decrecto 32109, publicado em Diário do Govêrno n.º 147/1942, Série I de 26 de Junho de 1942, concedeu à Compagnie Française des Mines, concessionária da mina denominada Monteiro, situada no concelho de Ponte do Lima, a expropriação por utilidade pública de vários terrenos para assegurar o abastecimento de água à lavaria e construir uma barragem destinada a reter as areias provenientes da oficina de tratamento do minério.

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PONTE DE LIMA: PONTE DA CABRAÇÃO FOI CONSTRUÍDA EM 1953 E CUSTOU QUASE 375 CONTOS

O Ministério das Obras Públicas - Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos, por decrecto nº 39431, publicado em Diário do Governo n.º 253/1953, Série I de 14 de Novembro de 1953, autorizou a Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos a celebrar contrato para a execução das obras de construção da ponte sobre a ribeira de Cabração, no concelho de Ponte de Lima. Custaram 374.945$00.

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PONTE DE LIMA: ESTADO NOVO SUBMETEU EM 1954 BALDIOS DE CABRAÇÃO E ARCOZELO AO REGIME FLORESTAL PARCIAL

O Ministério da Economia - Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, através do Decrecto nº. 39764 publicado em Diário do Governo n.º 179/1954, Série I de 16 de Agosto de 1954, submeteu ao regime florestal parcial os terrenos baldios pertencentes às Juntas de Freguesia de Cabração e de Santa Maria de Arcozelo, concelho de Ponte de Lima.

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O CULTO DOS MORTOS NO MINHO

O cemitério – termo proveniente do latim coemeterium, por sua vez derivado do grego Kimitírion – constitui o local onde se depositam os mortos com vista ao seu repouso eterno ou seja, onde se abrem as respectivas sepulturas.

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Igreja Paroquial de Cabração, concelho de Ponte de Lima, vendo-se o cemitério paroquial antigo e novo.

Nos tempos mais remotos, os cemitérios situavam-se geralmente fora dos muros da cidade, distantes das igrejs e outros locais de culto, como sucedia com a Geena às portas de Jerusalém. Na Roma antiga, encontravam-se nas catacumbas que constituíam espaços subterrâneos destinados ao sepultamento, as quais vieram a ser utilizadas pelos cristãos para as suas práticas religiosas com secretismo devido às perseguições de que eram alvo.

Com o tempo, as igrejas vieram a tornar-se locais de sepultamento uma vez que eram considerados como locais sagrados. Porém, sobretudo a partir do século XVIII, o crescimento populacional viria a causar falta de espaço no interior dos templos e nos espaços contíguos. Começaram então para o efeito a serem construídos cemitérios junto do adro das igrejas mas, por via da tradição, esta prática ainda não obtinha grande adesão.

Em 28 de Setembro de 1844, a pretexto de razões sanitárias, o governo de Costa Cabral proíbe os enterros nas igrejas. As famílias passaram a ser obrigadas ao pagamento das despesas do funeral depois do delegado de saúde certificar o óbito. Este constituiu o rastilho para a Revolução da Maria da Fonte, protesto a que se veio juntar a outras reclamações populares em todo o Minho.

A medida sanitária não era imediatamente aplicável por falta de locais destinados exclusivamente ao sepultamento – cemitérios – mas, com o decorrer do tempo, estes foram sendo construídos, as sepulturas abertas no interior das igrejas e os cadáveres transladados para os cemitérios paroquiais. Reduziam-se, desse modo, focos de contaminação no interior das igrejas onde o povo se juntava para o culto e os incensários eram insuficientes para purificar o local.

Nalgumas igrejas ainda se conservam as pedras tumulares identificando personalidades de relevo da comunidade, tal como o local de sepultamento. Noutras, onde não se cuidou da preservação da memória histórica, as sepulturas foram aterradas e o pavimento cimentado. E a memória local perdeu-se!

Foto: José Pinto

JORNAL “DINHEIRO VIVO” NA SUA EDIÇÃO DE HOJE: FREGUESIAS DE PONTE DE LIMA RECUSAM PROJETO DE EXPLORAÇÃO DO LÍTIO

As autarquias justificam a posição com "as sucessivas ameaças de que o território tem sido alvo, agora concretizadas por um pedido de exploração de lítio e outros minerais, denominado Cabanas".

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As Juntas de Freguesia de Arcozelo, Calheiros, Labruja e União de Freguesias de Bárrio e Cepões, em Ponte de Lima, manifestaram a sua "total oposição a qualquer projeto de mineração nos seus territórios", foi divulgado esta segunda-feira.

A resolução foi tomada por aquelas autarquias do concelho de Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, no domingo e hoje enviada à agência Lusa, pelo movimento Serra SOS d'Arga.

No documento, promovido e subscrito pelo movimento cívico, as autarquias justificam a posição com "as sucessivas ameaças de que o território tem sido alvo, agora concretizadas por um pedido de exploração de lítio e outros minerais, denominado Cabanas".

Segundo as autarquias, o pedido de mineração, apresentado junto da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), "afetará de forma irremediável os seus territórios, a qualidade de vida, o bem-estar e saúde das suas populações".

As autarquias e o movimento cívico e luta contra a exploração de minérios na Serra D'Arga "rejeitam liminarmente tal intenção".

As freguesias de Ponte de Lima dizem ser "sucessivamente fustigadas pelos impactos de outras indústrias extrativas" e esta posição visa "impedir que mais um atentado ao território seja perpetrado".

"O desenvolvimento não se promove à margem da população. O interesse nacional de nada serve se se colocam em causa a reabilitação do território e os investimentos que estas freguesias têm feito nos últimos anos na promoção do seu património", sustentam as autarquias na resolução.

Além de reafirmarem "a sua total oposição a qualquer projeto de mineração nos seus territórios, aquelas freguesias "repudiam qualquer atentado contra o seu património natural e cultural, únicos e insubstituíveis, não permitem qualquer tipo de exploração mineira que ponha em risco a saúde, o modo de vida e bem-estar das comunidades locais, o investimento privado e ainda todo o investimento público realizado na valorização do território".

Vão ainda "exigir ao Governo a imediata exclusão do território do plano nacional do lítio e a não atribuição de quaisquer direitos de exploração de depósitos minerais a empresas privadas", e "empregar todos os esforços e recorrer a todos os meios ao seu dispor no sentido de impedir a destruição de todo o trabalho desenvolvido, nas últimas duas décadas, quer pelas autarquias e agentes sociais locais, quer pelas comunidades em prol do desenvolvimento sustentado e sustentável nestes territórios".

"Exigimos a todas as empresas mineiras que retirem os seus pedidos de prospeção e exploração. A nossa posição é final e não vamos ceder nem um milímetro: aqui não entram. Aqui não furam. Minas aqui nunca mais", frisa a resolução.

Na nota hoje enviada à Lusa, acrescentam que, "à semelhança das Juntas de Freguesia dos concelhos de Caminha e Vila Nova de Cerveira e da União de Freguesias de Cabração e Moreira do Lima, em Ponte de Lima, que também se veem confrontadas com três pedidos de exploração de lítio e outros minerais, Arcozelo, Calheiros, Labruja e União de Freguesias de Bárrio e Cepões decidem envidar todos os esforços para travar este ataque sem precedentes ao património dos seus territórios".

"As juntas de freguesias de Caminha e Vilarelho, Seixas (no concelho de Caminha) e Montaria (Viana do Castelo) decidiram também subscrever a resolução aprovada em 09 de janeiro, em reunião onde estiveram presentes as Freguesias e Comissões de Baldios afetadas pelos pedidos Aldeia, Ledo e Vilarinho", adiantam.

O movimento SOS Serra d' Arga "congratula-se vivamente com o exercício de solidariedade de todos os autarcas alto-Minhotos, que desembainham armas" em defesa de um território que é a alma de todos".

Fonte: https://www.dinheirovivo.pt/ / Foto:Rui Manuel Ferreira / Global Imagens

MINHO: A HERÁLDICA MUNICIPAL E O FOLCLORE

Remonta muito provavelmente à Idade Média a origem da heráldica destinada a identificar o estatuto social de famílias nobres, parte das quais distinguidas por actos de bravura e serviços prestados ao rei. Os brasões – ou cotas de armas – eram geralmente pintados ou cosidos sobre as cotas de malha dos guerreiros medievais também como forma de identificar o cavaleiro em combate uma vez que a armadura o tornava irreconhecível.

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Com o declínio da nobreza e a ascenção da burguesia a partir do século XIX, os brasões medievais foram perdendo importância e reconhecimento para, sobretudo a partir do século XX, regressarem com o objectivo de distinguir os municípios.

Estes brasões, criados inicialmente de forma arbitrária, foram a partir de 1930 normalizados por decisão da Direcção Geral da Administração Pública, atribuindo à Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses a competência de dar o parecer compulsório.

E assim, entre outras regras, foi estabelecido que as cidades, vilas e freguesias fossem representadas através de uma coroa mural de prata com cinco, quatro e três torres respectivamente, também estas de prata. São escassas as excepções que confirmam esta regra. Os brasões municipais são ainda compostos do escudo português e de um listel com o nome do respectivo município.

No século XIX, ainda a missa era celebrada em latim pelo que as imagens possuíam uma especial função catequética, destinada a transmitir os ensinamentos ao povo que participava na celebração mas não entendia o que o padre dizia. Por conseguinte, atraídas pelos motivos decorativos e revelando elevado dote artístico, as moças copiavam o que viam para embelezar os seus trajes nomeadamente na aplicação dos bordados. Não admira, pois, que o traje minhoto revele nalguns casos uma certa expressão da arte barroca que caracteriza muitas das nossas igrejas. O mesmo sucede com o brasão real que adorna o avental do traje de noiva e de mordoma enriquecido de vidrilhos.

Mas, os brasões municipais eram praticamente inexistentes à época e, sobretudo, com as formas normalizadas como actualmente conhecemos. Por essa razão, o aprecimento dos brasões municipais nos trajes de alguns grupos folclóricos constitui um anacronismo e uma adulteração do traje tradicional que deve a todo o custo ser corrigida.

O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM OS CRUZEIROS?

O cruzeiro constitui uma cruz monumental em pedra, geralmente colocada sobre uma plataforma formada por alguns degraus. Encontram-se predominantemente junto de igrejas, adros, praças, cemitérios, encruzilhadas e outros caminhos a assinalar percursos habituais de procissões religiosas.

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Cruzeiro na Cabração, concelho de Ponte de Lima. Encontra-se situado numa encruzilhada e constitui um ponto de referência à procissão religiosa que se realiza por ocasião das festas em honra de Nossa Senhora do Azevedo.

 

O seu aparecimento ao século III da Era Cristã, imediatamente após o imperador Constantino ter alegadamente convertido-se ao Cristianismo e adoptado a cruz como seu símbolo. Desde então, passaram a ser erigidos cruzeiros um pouco por todo o império romano, constituídos como um padrão destinado a levar a cabo o processo de cristianização e, ao mesmo tempo, extirpar o paganismo com a sua localização nas encruzilhadas de caminhos, sítios frequentemente atribuídos à realização de rituais pagãos.

A Contra-Reforma ocorrida no século XVI fez aumentar a quantidade de cruzeiros, bem assim como outros elementos de devoção religiosa, acabando por torná-los parte da religiosidade popular.

De uma maneira geral não apresentam qualquer valor artístico, existindo porém alguns com interessantes motivos escultóricos.

MINHO: O QUE SÃO AS “ALMINHAS DO PURGATÓRIO”?

Alminhas: Portugal foi o único país a criar estes monumentos

Portugal é o único país do mundo que possui no seu património cultural, localizadas habitualmente à beira de caminhos rurais e em encruzilhadas, as alminhas, representações populares das almas do Purgatório que suplicam rezas e esmolas e que frequentemente surgem em microcapelinhas, padrões, nichos independentes ou incrustados em muros ou nos cantos de igrejas, painéis de azulejo ou noutras estruturas independentes. Mas uma grande parte deste património representativo da religiosidade popular portuguesa está a degradar-se crescentemente, rodeada por silvas, alvo de actos de vandalismo avulso e reflexo directo e generalizado da pressa da vida actual, do abandono das zonas rurais do país e da indiferença que predomina nas autarquias em relação aos pequenos monumentos saídos da imaginação e da devoção do povo.

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Nicho de "Alminhas do Purgatório" na Cabração, concelho de Ponte de Lima

 

"As alminhas são uma criação genuinamente portuguesa e não há sinais de haver este tipo de representação das almas do Purgatório, pedindo para os vivos se lembrarem delas para poderem purificar e "subir" até ao Céu, em mais lado nenhum do mundo a não ser em Portugal", afirma António Matias Coelho, professor de História, investigador de manifestações da cultura religiosa e popular e organizador de dois encontros nacionais sobre Atitudes perante a morte, realizados há alguns anos na Chamusca.

"No cristianismo primitivo só havia Céu e Inferno, a ideia do Purgatório só surgiu na Idade Média, quando a Igreja, na sequência do Concílio de Trento de 1563, o impõe como dogma, numa lógica de resposta católica à Reforma levada a cabo pelos protestantes. Passava assim a haver um estado intermédio para as almas das pessoas que faleciam. E em vez do dualismo do Céu, para os bons, e do Inferno, para os impuros, criou-se um estado intermédio, um local onde durante algum tempo as almas ficariam a purificar", observa o historiador, evidenciando, porém, a forma específica como em Portugal se interpretou as indicações de Trento.

Representações públicas

"É na sequência do Concílio de Trento que são criadas as Confrarias das Almas, como forma de institucionalizar a crença no Purgatório e impor a convicção de que as almas dos mortos sairiam tanto mais cedo do Purgatório quanto mais orações e esmolas fossem feitas pelos vivos. Aliás, tudo dependia dos vivos, unicamente a eles competia sufragar as almas que esperavam pela purificação", observa António Coelho. Mas, reflexo eventual de uma forma religiosa, emocional e sentimental própria, começam a surgir em Portugal, sobretudo a norte do rio Mondego, fruto de uma cristianização mais prolongada e vivida, pequenas representações das alminhas em sítios públicos com alminhas de mãos erguidas suplicando aos vivos orações e esmolas para poderem completar a purificação e libertar-se das contingências do Purgatório.

Religiosidade popular

"Há muitas alminhas em todo o país, mas sobretudo no Norte, e alguns municípios têm seguramente centenas de alminhas com alguma relevância dispersas pelo seu território.

Nas regiões do Porto e de Aveiro, e em concelhos como Arouca, Sever do Vouga, Vouzela e São Pedro do Sul, em Trás-os-Montes e por toda a Beira Interior há alminhas dispersas pelos caminhos implorando aos vivos que se lembrem delas", afirma António Matias. O investigador lamenta, no entanto, a "morte lenta" a que estão devotadas estas manifestações tão identitárias da religiosidade popular própria dos portugueses.

Refere a pressa dos tempos modernos. "As pessoas já não param para acender uma vela ou para fazer uma oração. Agora está tudo muito diferente se compararmos, por exemplo, com o século XIX, quando ainda se construíam muitas alminhas", esclarece António Matias, sublinhando que se recorda de, ainda há poucas décadas, ser comum, "a quem passasse junto às alminhas, parar, curvar-se e tirar o barrete [ou chapéu] em respeito, pôr flores, acender uma vela ou lamparina de azeite, fazer o sinal da cruz e rezar o Pai Nosso e Ave Maria, correspondente à sigla P.N.A.M., existente como relembratório junto a muitos nichos e capelinhas que apelam às rezas cristãs".

Fonte: Manuel Fernandes Vicente / https://www.publico.pt/

MINHO: O QUE É A “VENDA”?

Em todas as aldeias do Minho existe um estabelecimento a que vulgarmente designamos por “venda”. Trata-se de uma pequena mercearia, geralmente associada a uma taberna, local onde se pode adquirir os mais variados produtos, incluindo ferramentas, adubos, pesticidas e, de um modo geral, tudo o que é necessário à actividade do lavrador.

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Venda da Cabração, no concelho de Ponte de Lima

 

Por razões sanitárias, os bens alimentares e de consumo ficavam fisicamente separados dos demais.

Em virtude da distância em relação às vilas e outros centros populacionais de maior dimensão, a “venda” constituiu desde sempre um entreposto fundamental de apoio às pequenas comunidades. E, não raras as vezes, servia de ponto de distribuição do correio e de ligação ao chamado “carro de praça”.

Em face das suas características e utilidade, a “venda” tornou-se o ponto de encontro dos vizinhos, local de convívio privilegiado entre todos os conterrâneos, quantas vezes à luz trémula das velhas candeias. Não confundir a “venda” com os modernos cafés que vão abrindo um pouco por tudo quanto é sítio… a “venda” sempre foi uma instituição de utilidade pública!

Por toda a parte do mundo onde os portugueses chegaram, desde as mais recônditas paragens do Brasil ao interior dos antigos territórios africanos, lá encontramos a “venda” dos portugueses – muitos dos quais minhotos! – a prestar o seu serviço a populações quase esquecidas e muitas vezes analfabetas.

A “venda” ocupa um lugar na História da organização económica e social do minhoto e dos portugueses em geral.