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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FAFE: UMA CONSTRUÇÃO CONTEMPORÂNEA DOS “BRASILEIROS DE TORNA-VIAGEM”

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

Na senda das vagas contemporâneas de emigrantes portugueses para vários países do mundo, evidencia-se o ciclo transatlântico que se prolongou de meados do século XIX até ao primeiro quartel do século XX, e que teve como principal destino o Brasil.

Pressionados pela carestia de vida e baixos salários agrícolas, mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914 atravessaram o oceano Atlântico, essencialmente seduzidos pelo crescimento económico da antiga colónia portuguesa. Procedente do mundo rural e eminentemente masculino, o fluxo migratório foi particularmente incisivo no Minho, um dos principais torrões de origem da emigração portuguesa para o Brasil.

Enobrecidos pelo trabalho, maioritariamente centrado na atividade comercial, e após uma vintena de anos geradores de um processo de interação social que os colocou em contacto com novas realidades, hábitos, costumes e posses, o regresso de “brasileiros de torna-viagem” a Portugal, trouxe consigo um espírito burguês empreendedor e filantrópico marcado pela fortuna, pelo gosto de viajar, e pelo fascínio cosmopolita da cultura e língua francesa.

Ainda que sintomática das debilidades estruturais do país, a emigração portuguesa para o Brasil entre o séc. XIX e XX, facultou através do retorno dos “brasileiros de torna-viagem”, os meios e recursos necessários para a transformação contemporânea do território nacional, com particular incidência no Norte de Portugal.

Como é o caso paradigmático de Fafe, uma cidade situada no distrito de Braga, no coração do Minho, cujo desenvolvimento contemporâneo teve um forte cunho de emigrantes locais enriquecidos no Brasil na transição do séc. XIX para o séc. XX. O retorno dos “brasileiros de torna-viagem” a Fafe alavancou, desde logo, nas décadas de 1870-80, a criação da Fábrica têxtil do Bugio, e da Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe (Fábrica do Ferro), símbolos incontornáveis da indústria têxtil no Vale do Ave.

Paralelamente à dinâmica empreendedora, as iniciativas de natureza filantrópica dos emigrantes “brasileiros” de Fafe, abarcaram ainda no último quartel do séc. XIX, o lançamento da Igreja Nova de São José, a edificação do Asilo da Infância Desvalida, a construção do Jardim Público, símbolo do romantismo, o surgimento da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, a instituição da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, e já no alvorecer do séc. XX, o Asilo de Inválidos de Santo António.

As marcas da benemerência brasileira local estão ainda consubstanciadas na construção do Hospital de São José, administrado pela Santa Casa da Misericórdia de Fafe, e que foi alavancado por um conjunto de influentes fafenses no Rio de Janeiro, que angariaram os fundos necessários para a edificação da unidade de saúde, com a incumbência do mesmo seguir a planta arquitetónica do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro.

Estas marcas identitárias do ciclo do retorno dos "brasileiros de torna-viagem", singularmente presentes na arquitetura e urbanismo da cidade de Fafe, onde ainda hoje se destacam casas apalaçadas de grandes dimensões, aformoseadas com azulejos multicolores, varandas estreitas com guardas de ferro forjado ou fundido, diversos beirais de faiança pintados e claraboias, impulsionaram a edilidade a instituir no início do séc. XXI o Museu das Migrações e das Comunidades.

Percursor no seu género em Portugal, o espaço museológico, que tem o reconhecimento da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e integra a AEMI (Association of European Migration Institutions), assenta a sua missão no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa. Detendo-se particularmente na emigração para o Brasil do século XIX e primeiras décadas do XX, que em Fafe, na esteira da opinião de Eça de Queiroz sobre a emigração, constituiu uma “força civilizadora”.

QUEM É CARINA TEIXEIRA RODRIGUES – DIVULGADORA DO FOLCLORE PORTUGUÊS NO BRASIL E NO MUNDO ATRAVÉS DA INTERNET?

“Regional Folclore de Portugal” é uma das páginas do Facebook dedicadas ao folclore mais visitadas, também no Perfil Carina Teixeira e agora ainda no Instagram. Carina Teixeira Rodrigues é a sua Administradora, prestando desse modo um elevado serviço à divulgação do folclore português.

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Como ela própria diz, “A intenção inicial era realizar divulgações dos Ranchos Folclóricos, onde poderia reunir em um só local, amigos do mundo todo com o objetivo comum na divulgação das nossas tradições e antepassados. Aprendi muito realizando pesquisas e realizando trocas com outras pessoas.”

Carina nasceu em São Paulo, Brasil. Descende pelo lado paterno de naturais de Vila Meã, Carregal do Sal, e por parte materna de Machico - Ilha da Madeira. Seu pai participou nos rancho Verde Gaio, de Santos e no extinto Rancho Carvalho Araújo, de São Paulo, tendo sido este um dos pioneiros em folclore na cidade de São Paulo. E assim foi-lhe transmitida a paixão pelo folclore, um amor para toda a vida.

Carina Teixeira revela-nos o seu percurso: “Com meu pai aprendi sobre as danças, trajes, músicas e entre outros fatores, a cultura portuguesa, a gastronomia e alguns costumes, sempre foram presentes e vivenciados em família no dia a dia. Aos 10 anos de idade iniciei minha participação no Grupo Folclórico da Associação Portuguesa de Desportos, grupo ativo até hoje, onde lá permaneci 12 anos como bailadeira. Após me mudei para Portugal por questões profissionais, onde morei na Cidade de Viseu. Neste período conheci mais de perto o autêntico Folclore Português, nas festas nas Aldeias e nas Romarias. Regressando a São Paulo, por motivos profissionais, infelizmente não pude mais continuar a minha participação no Rancho. Porém sempre permaneci estes anos todos até hoje participando dos eventos das Comunidades Portuguesas no Brasil e mantendo as tradições.”

E acrescenta: “Mas o amor pelo sangue que corre nas nossas veias é sempre mais presente, e o Amor não se acaba naquilo que gostamos. Foi então que resolvi de forma amadora criar conteúdo falando sobre folclore. O conteúdo é totalmente voltado para o Folclore Português, trazendo diversos Ranchos Portugueses espalhados pelo Mundo, como em países: França, Suíça, Argentina, Canadá, Brasil, EUA, Luxembrugo, Venezuela e China”.

Como Catarina Teixeira o afirma, “sem dúvida, o Folclore de Portugal é riquíssimo e deve ser preservado por gerações pós gerações. E eu espero de alguma forma poder ter a minha pequena participação para se manter viva todas essas tradições. Desejo que através do Folclore, se mantenha a preservação do patrimônio cultural, a união de um povo, a alegria e as boas amizades a todos. Isso tudo é sempre possível, com muito Amor e dedicação!”

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BRAGA RECEBE VISITA DO PREFEITO DE OURO PRETO (BRASIL)

No âmbito do processo de candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura 2027, a Cidade recebeu hoje a visita do Prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos. Esta visita vem na sequência do Memorando de Entendimento assinado recentemente pelas duas cidades com vista à cooperação no âmbito da referida candidatura e que tem a sua base nas marcantes relações históricas e culturais entre as duas cidades.

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Ouro Preto e o estado brasileiro de Minas Gerais têm grandes ligações a Portugal e à região do Minho, sendo de destacar o fértil diálogo, e as influências mútuas, bem expressos no património histórico e artístico edificado (arquitectura, monumentos) como são exemplo as semelhanças compartilhadas entre o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo) e o Santuário do Bom Jesus de Braga.

Também muito relevante foi o papel de arquitectos e artífices bracarenses, profissionais das mais diversas artes e ofícios, que levaram os seus conhecimentos para aquele estado brasileiro, hoje considerado o mais importante, no que refere o património histórico e artístico barroco de raiz luso-brasileira.

Durante a fase de preparação da candidatura de Braga'27, a Prefeitura de Ouro Preto e o Município de Braga reconheceram potenciais áreas de colaboração e dispuseram-se a trabalhar em conjunto no âmbito do programa cultural proposto, numa clara aposta na internacionalização, e na reinvenção dos laços interatlânticos tão antigos entre dois países que partilham a Língua, a Cultura e um passado comum tão marcante. Esta colaboração está já assinalada no Dossier de Candidatura recentemente submetido no âmbito deste processo.

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ESPOSENDE: ESCULTOR ASCÂNCIO MMM DOA AO MUNICÍPIO OBRA DE ARTE PARA ALAMEDA DO BOM JESUS EM FÃO

O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, reuniu, recentemente, com o escultor Ascânio MMM, que ofereceu ao Município uma obra de arte, que se encontra já instalada, na envolvente do Templo do Bom Jesus, em Fão.

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Natural de Fão, mas a residir no Brasil, o reconhecido escultor havia assumindo o compromisso com o Município de Esposende de oferta de uma peça escultórica para embelezar a Alameda do Bom Jesus, que está a ser intervencionada, numa empreitada de requalificação orçada em 610 mil euros.

Trata-se da segunda obra oferecida à sua terra natal, sendo que a outra é a “Piramidal”, que se encontra instalada no Largo do Cortinhal, desde 1999.

A operação de montagem da obra de alumínio lacado, que foi construída no concelho, numa empresa da freguesia de Antas, decorreu na semana passada. Cumpre-se, assim, a vontade expressa pelo escultor fangueiro ao Município, que, no âmbito da intervenção que está em curso, preparou o local para a instalação da obra de arte.

O Presidente Benjamim Pereira enaltece “o gesto grandioso de escultor Ascânio MMM, reflexo do forte sentimento que o liga ao concelho e à terra que o viu nascer”. Elogia a obra de arte, considerando que vem embelezar Fão e a Alameda do Bom Jesus, que, fruto da intervenção de requalificação em curso, apresentará uma imagem totalmente renovada. O autarca refere, ainda, que ficou acordado com o escultor proceder à inauguração daquela obra, aquando do regresso de Ascânio Monteiro a Fão, no verão de 2022.

A empreitada da requalificação da Alameda do Bom Jesus, que se integra no Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU), corresponde a uma antiga aspiração das gentes de Fão, pelo que representa para a comunidade, sendo que o espaço é também palco privilegiado de eventos, como a Festa do Bom Jesus, a feira semanal e a Festa da Cerveja e do Marisco, razões que levaram o Município a assumir a intervenção.

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PROGRAMA BRASILEIRO DE TV “ASSIM É PORTUGAL” EM VIZELA

Depois de terem estado em Vizela em 2019, a equipa do programa “Assim é Portugal”, já com 12 anos de existência e exibido no canal de televisão brasileiro TV MAX, esteve novamente no nosso Concelho para a realização de várias reportagens.

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A divulgação da oferta turística é o principal objetivo do programa, mas para além do turismo é também dedicada atenção à cultura e à economia de cada localidade portuguesa por onde passam.

Em Vizela foram visitados vários locais de interesse turístico e também diferentes entidades e empresas. A gastronomia, os vinhos, o termalismo, o património, a cultura e o têxtil foram alvo de recolha de imagens que serão difundidas ainda no último trimestre de 2021.

Uma ação que resulta da estreita e reforçada relação existente entre a Câmara Municipal de Vizela e a Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, devidamente enquadrada na estratégia do Executivo Municipal para o desenvolvimento turístico.

De destacar que o objetivo destas ações enquadra-se numa das medidas do Plano Municipal de Turismo, nomeadamente desenvolver esforços no sentido de criar parcerias com novas entidades, públicas ou privadas, que permitam exponenciar o potencial turístico de Vizela, através da divulgação eficaz, em todo o território nacional e, sempre que possível, internacionalmente, do potencial turístico de Vizela.

ARCOS DE VALDEVEZ: ANTÓNIO JOAQUIM FERREIRA – NATURAL DA FREGUESIA DE S. JORGE – REQUEREU EM 1880 O PASSAPORTE PARA VIAJAR PARA O BRASIL

Em 1880, o arcuense António Joaquim Ferreira, natural da freguesia de S. Jorge, requereu passaporte para viajar para o Estado do Pará, no Brasil. Possuía na altura 31 anos de idade. A correspondência foi produzida entre 5 de Novembro de 1880 e 11 de Julho de 1890.

Fonte: ANTT

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PAREDES DE COURA: PROCESSO DE REQUERIMENTO DE PASSAPORTE DE ANTÓNIO JOSÉ RODRIGUES PARA VIAJAR PARA O BRASIL

À semelhança de muitos minhos, o courense António José Rodrigues, emigrou para o Brasil em 1890. Era natural de São Pedro de Formariz, filho de José dos Santos Rodrigues e Flora Rita Rodrigues e, já com a idade de 57 anos, viajou para o Rio de Janeiro. Os documentos que junto se reproduzem fazem parte do processo de requerimento do seu passaporte.

Fonte: ANTT

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DOUTOR ERNESTO PORTUGUÊS APRESENTA EM MONÇÃO A SUA OBRA "DA CASA DE SENDE AOS GOVERNOS DO MARANHÃO, PIAUÍ E GRÃO-PARÁ"

No sábado dia 26 de junho, pelas 17h00 decorrerá nos jardins da Casa Museu de Monção/Universidade do Minho a cerimónia de lançamento do livro do Doutor Ernesto Português intitulado "Da Casa de Sende aos Governos do Maranhão, Piauí e Grão-Pará". Trata-se de uma edição conjunta da Casa Museu de Monção/Universidade do Minho e do Município de Monção.

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TRADIÇÃO BRACARENSE VIAJOU PARA O BRASIL EM MEADOS DO SÉCULO XVIII

A tradicional procissão dos fogaréus – ou do Ecce Homo – que ocorre por ocasião da Semana Santa foi levada para Goiás, no Brasil em 1745, pelo padre Perestrelo de Vasconcelos Espíndola. Entretanto, a tradição espalhou-se por numerosas cidades brasileiras como Caxias, Lorena, Petrópolis, Porciúncula, Bacabal e Oeiras.

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Apagada a iluminação pública e ao ritmo do rufar dos tambores, 40 farricocos reunidos à porta da Igreja da Boa Morte desfilam descalços pela calçada da zona histórica da cidade rumo à escadaria da Igreja de Nossa Senhora do Rosário onde se encontra a mesa da última ceia. Daí dirigem-se para a Igreja de São Francisco de Paula que simboliza o Jardim das Oliveiras onde se dará a prisão de Cristo, representado por um pendãode linho pintado em duas faces.

A indumentária dos farricocos – uma longa túnica e um comprido capuz cónico pontiagudo – tem a sua origem num costume medieval praticado pelos penitentes destinado a expiar os seus pecados sem revelar a sua identidade. Ao invés dos farricocos de Braga, no Brasil utilizam as cores mais variadas na sua indumentária e seguram tochas durante a procissão.

Fotos: https://g1.globo.com/

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O QUE FOI O BANCO DO MINHO?

O Banco do Minho foi fundado há 157 anos

O Banco do Minho foi instituído por carta de lei de 14 de Abril de 1864, com sede em Braga, e iniciou a sua atividade em Junho de 1865. O capital inicial foi de 600 contos de réis, elevado a 1200 contos de réis em 1918. O Banco do Minho nasceu na época do boom das remessas financeiras dos emigrantes no Brasil.

Sediado inicialmente na R. de S. João, 15, em Braga, passou a ter sede própria, construída entre 1873 e 1877, na Rua do Teatro São Geraldo daquela cidade. Possuiu uma agência em Guimarães e filiais no Porto e em Lisboa.

O ‘Banco do Minho’ viria a ter filiais também no Brasil, nos estados de S. Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Pará e Manaus, sendo a mais importante a de S. Paulo.

Sobreviveu às crises do sector ocorridas no final do séc. XIX, aceitou à priori uma proposta de fusão com o ‘Banco Comercial de Braga’, do qual era credor, negócio que não se viria a concretizar, tendo aquele banco falido pouco depois.

A partir de 1918, desenvolve uma estratégia de participação em empresas industriais, comerciais e financeiras. Entre as empresas não financeiras contam-se a ‘Companhia Fabril do Minho’, a ‘Companhia das Águas do Gerês’, a ‘Companhia Metalúrgica do Norte’ e a ‘Perfumaria Confiança’. Foi acionista maioritário da Sociedade Bancária do Minho, criada em 24 de Maio de 1924, em S. Paulo, no Brasil, destinada a servir de agência local do banco e a ter atividade própria. Apesar de um início de actividade promissor, a situação financeira desta sociedade derrapou e acabou por ser liquidada em 1927.

Podia-se ler num artigo de 1925: «(...) dedicando-se a operações bancárias de todo o género, cambiais e de ordens de Bolsa, possuindo na sede e nas filiais óptimas instalações de cofres fortes para alugar. O seu agente geral no Brasil a "Sociedade Bancária do Minho", na Rua da Quitanda, 117, e seus correspondentes em S. Paulo, os nossos prezados amigos Srs. Garcia da Silva & Cª., proprietários da "Loja do Japão", à Rua de S. Bento, tendo naquele grande país montado um serviço especial de cobrança de juros e dividendos, administração de propriedades, liquidação de heranças, etc

O ‘Banco do Minho’ juntamente com o ‘Banco Comercial do Porto’, ‘Banco Aliança’, ‘Banco Comercial de Braga’ e o ‘Banco União do Porto’, consegue autorização para emitir notas bancárias.

Em 1926, algumas das empresas em que o ‘Banco do Minho’ tinha participação apresentam prejuízos e em 1927 os dividendos desta instituição são bastante reduzidos. A situação económica e financeira agravou-se nos anos seguintes. O ‘Banco do Minho’ não resiste à Grande Depressão de 1929 nos EUA, a par do ‘Banco Comercial do Porto’, ambos vítimas de uma corrida aos depósitos e da sua incapacidade de cobertura.

Em 21 de Outubro de 1930 é nomeada uma Comissão Administrativa para gerir o ‘Banco do Minho’. Na sequência do relatório desta comissão, datado de 14 de Abril de 1931, é decretada a liquidação do banco. A Comissão Liquidatária nomeada pelo Estado encerrou atividades em 31 de Dezembro de 1939. O ‘Banco do Minho’, durante a sua vida de 64 anos, que chegou a ser dos bancos mais importantes do país, contribuiu para fomentar e desenvolver o comércio, a indústria e a região. O seu encerramento, por colapso financeiro, acarretou prejuízos cuja dimensão verdadeira continua por estudar.

Fonte: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/

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Delegação do Banco do Minho na rua do Ouro, em Lisboa

Com sede em Braga, na Praça da República, a autorização para a fundação do Banco do Minho remonta a 15 de junho de 1864, onde uma Carta de Lei desta data estabelece a sua criação, concedendo-lhe o privilégio de emitir notas. Este privilégio manteve-se até 1891 quando o Decreto de 9 de julho estabelece a cessão da faculdade de emissão de notas para os bancos do Norte.

Os estatutos datam de 27 de junho de 1864, realizados através de escritura no cartório de Agostinho Monteiro da Silva, de Braga, tendo sido publicados em Decreto régio de 31 de agosto desse ano.

A criação desta instituição está intimamente ligada com a tendência empreendedora do País à época, com o aumento da circulação monetária e, principalmente, com os proventos da emigração minhota que afluíam com maior intensidade ao norte do País. Como forma de dar resposta aos desejos expressos de um grupo de pessoas notáveis da região que viam na criação da instituição largos benefícios para a economia local e regional, o Banco do Minho viria a revelar-se num valioso instrumento de crédito no auxílio à agricultura e indústria da região.

Os diplomas da sua criação determinavam que o banco teria que respeitar o capital inicial de 600 contos de réis, capital que foi gradualmente realizado até 1867. No dia 04 de junho de 1865, após a receção das prestações mínimas obrigatórias das ações subscritas e a consequente fiscalização oficial, o Banco do Minho recebe o Alvará de licença para iniciar as suas operações.

Devido à natureza das operações realizadas e à necessidade constante de aproximação da instituição ao cliente, o Banco do Minho vai estender a sua presença ao território nacional com a abertura de filiais no Porto (01 de julho de 1874) e Lisboa (15 de setembro de 1919), e duas agências, uma na Covilhã (1920) e outra em Guimarães (1923). Também a rede de correspondentes no país e estrangeiro vai acompanhar o expansionismo do banco. No ano de 1924 é criada uma casa bancária na cidade do Rio de Janeiro denominada “Sociedade Bancária do Minho, Braga e Companhia, Limitada”, em tudo semelhante a um banco, mas que terá uma duração efémera, encerrando dois anos depois, devido aos avultados prejuízos obtidos.

Procurando dar resposta às crescentes necessidades de crédito na região e ao desenvolvimento da instituição, em 1917 foi aprovada a elevação do capital para 1.200 contos; em 1918, foi elevado para 2.000 contos; em 1920, passou a ser de 4.000 contos; em 1922, de 6.000 contos e, em 1924, o capital social do banco era já de 10.000 contos.

Em 1925 começam os primeiros problemas: algum ambiente de crise nos mercados interno e externo, a falta de numerário, a diminuição da velocidade de circulação monetária e a consequente estagnação dos negócios. A pesada estrutura, fruto do expansionismo dos anos anteriores, os pesados juros a pagar por conta dos depósitos em carteira, a concorrência crescente de outros estabelecimentos bancários bem como o aumento da fiscalidade e dos dividendos a distribuir pelos acionistas, eram motivos de constantes preocupações.

Em 1928, em Assembleia Geral Extraordinária, é deliberado reduzir o capital do banco para 8.000 contos, para assim diminuir o volume de impostos e de dividendos a pagar. O ano de 1929, com o estalar da crise económica e financeira mundial, foi fulminante para o Banco do Minho, assistindo-se à desenfreada corrida dos populares à instituição para levantamento dos seus depósitos. A somar ao facto, corriam boatos pondo em causa a solidez financeira e credibilidade da instituição.

Face à situação criada - o decréscimo anómalo de depósitos e a saída rápida de dinheiro dos cofres do banco -, em 1930 é solicitado apoio ao Ministério das Finanças, que encaminha o pedido de auxílio para os institutos oficiais adequados: o Banco de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos. Após uma auditoria e parecer negativo às contas da instituição, por parte do Banco de Portugal, em 21 de outubro de 1930 é publicado no Diário do Governo nº 245, o Decreto nº 18946 que manda substituir a direção do banco por uma comissão administrativa, com poderes acumulados de todos os órgãos administrativos do Banco do Minho. Esta comissão era composta por três elementos representando as três entidades oficiais - o Estado, o Banco de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos – e tinha por objetivo evitar o agravamento da crise no País e maiores danos para os credores do banco.

Já com o Banco do Minho em regime de falência, o Decreto nº 19583, de 13 de abril de 1931, dissolve-o e ordena a sua liquidação. Tratou-se de um processo moroso e complexo, que se arrastou até 27 de fevereiro de 1940 (data da entrega do relatório final da liquidação).

Fonte: Arquivo Histórico do Banco de Portugal

Cédula fiduciária emitida pelo Banco do Minho

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Agência do Banco do Minho em São Paulo, no Brasil (Fonte: Illustração Portugueza, 2ª Série, nº. 407, 8 Dezembro 1913 / Hemeroteca Municipal de Lisboa)

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Delegação do Banco do Minho na rua do Ouro, em Lisboa

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Em Dezembro de 1908, aquando da sua visita ao norte do país, o Rei D. Manuel II ficou hospedado em Braga no edifício do Banco do Minho. (Foto: Joshua Benoliel / ANTT)

CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO COMEMORA HOJE 97 ANOS DE EXISTÊNCIA – O MINHO PREPARA-SE PARA CELEBRAR O SEU CENTENÁRIO!

A Casa do Minho do Rio de Janeiro celebra hoje 97 anos de existência ao serviço da comunidade minhota radicada no Brasil.

A industrialização verificada a partir da segunda metade do século XIX, as sucessivas crises económicas e sociais e a instabilidade política provocaram um enorme êxodo das populações rurais da nossa região sobretudo para Lisboa e ainda uma forte emigração para o Brasil.

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Milhares de portugueses, sobretudo da região de Entre-o-Douro-e-Minho, embarcaram clandestinamente nos porões dos navios com destino ao porto de Santos. Daí seguiram para São Paulo, Rio de Janeiro e outras paragens onde se empregaram sobretudo na indústria e comércio de panificação e na construção civil. Em Ribeirão Preto, foram eles que, na maior parte das vezes, edificaram os alojamentos e armazéns das roças de café que receberam os imigrantes italianos, mormente os sicilianos, fugidos à extrema miséria em que o seu país então se encontrava

Apesar da língua comum, a integração nem sempre foi fácil e muitos casos houve que muitos emigrantes, incapazes de ultrapassar as dificuldades e caindo em situação de desgraça, socorreram-se dos seus compatriotas para poderem regressar ao seu país.

Foi neste contexto social que, em 8 de Março de 1924, foi constituída no Rio de Janeiro a Casa do Minho. À semelhança do que sucedia em Portugal, o regionalismo traduzido na formação de “casas regionais” dava os primeiros passos em resultado da formação de colónias de indivíduos oriundos da mesma região, partilhando uma maneira própria de estar e sentindo a necessidade de reconstituírem os laços de amizade e convívio, interrompidos pela separação em relação às suas origens.

Porém, a distância em relação ao Minho é para o minhoto que vive no Brasil sentida de forma mais dolorosa e, como tal, necessita de reviver mais intensamente a sua infância, tal é a saudade que sente pela sua terra. De resto, trata-se de um sentimento que é comum a todo o emigrante que, para seu maior sofrimento, quando tem a oportunidade de regressar ainda que temporariamente à sua pequena aldeia, já não a encontra tal como a deixou, experimentando uma paragem no tempo.

O seu mundo, aquele que ficou neste lado do oceano Atlântico, é agora revivido num contexto completamente distinto mas que, pelas suas próprias mãos e capacidade de imaginação, é reconstituído no seio das suas associações, mormente a Casa do Minho no Rio de Janeiro. À sua maneira, os nossos conterrâneos radicados no Brasil e um pouco por todo o mundo, constituem os seus ranchos folclóricos, reeditam as festas, preservam as tradições e sobretudo conservam os laços que os unem entre si e fazem dos minhotos uma efetiva comunidade, preservando a solidariedade humana que foi, afinal de contas, a primeira razão de ser da criação da Casa do Minho.

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Constituída há 97 anos, a Casa do Minho no Rio de Janeiro foi criada com o propósito de estabelecer solidariedade e prestar auxílio aos nossos compatriotas que, nos anos difíceis do começo do século XX, se viram desamparados pela sorte e à beira da miséria, muitos dos quais tiveram então de ser expatriados, a Casa do Minho viria a constituir-se num baluarte do regionalismo minhoto e da afirmação do patriotismo dos portugueses em terras de Vera Cruz, precisamente a que ostenta no seu próprio emblema.

Ultrapassadas as dificuldades iniciais com que os nossos conterrâneos se debateram para conseguirem uma vida mais digna, as gentes minhotas deram à Casa do Minho uma nova missão que consiste na preservação da sua identidade, mormente através das mais variadas manifestações culturais, tertúlias literárias, manifestações religiosas, divulgação do folclore e, sobretudo, da união e convívio familiar dos seus associados.

Desde a sua fundação, a Casa do Minho no Rio de Janeiro é obra de muitos homens e mulheres que ao longo de oitenta e oito anos de existência souberam erguer uma grandiosa instituição que dignifica a comunidade minhota radicada no Brasil e prestigia o nosso país.

Localizada na rua Cosme Velho, na zona sul do Rio de Janeiro, a Sede social da Casa do Minho dispõe para além das instalações propriamente ditas, de uma grande arborizada, parque de estacionamento e dois magníficos recintos desportivos.

De entre as suas principais finalidades, cumpre-nos destacar a promoção da fraternidade Luso-Brasileira; o desenvolvimento da prática de atividades desportivas, recreativas, culturais e sociais; a difusão do culto à Comunidade Lusíada; a luta pelos interesses do Minho tornando conhecidas sua história, belezas naturais, gastronomia e o seu folclore.

Fotos: Casa do Minho do Rio de Janeiro

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OBRA COLETIVA QUE DESTACA O HOSPITAL DA MISERICÓRDIA DE FAFE DISTINGUIDA NO BRASIL

No passado dia 2 de fevereiro, o livro Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal, uma obra coletiva na área da História e Saúde que é resultado de um conjunto de trabalhos elaborados por investigadores luso-brasileiros sobre arquitetura, urbanismo, património cultural e saúde no séc. XIX, foi distinguido no âmbito do VI Encontro da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (ENANPARQ).

O VI ENANPARQ, um congresso internacional que se assume como um dos principais eventos da área de arquitetura e urbanismo do Brasil, que este ano se realizou de forma virtual, devido à pandemia, entre os dias 1 e 5 de março em Brasília, atribuiu à obra luso-brasileira uma menção honrosa na categoria coletânea. Segundo o júri do evento, o livro “contribui para o conhecimento e para o reconhecimento da arquitetura hospitalar no Brasil e em Portugal, durante o neoclassicismo, trazendo conteúdos novos sobre o tema”.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), na sessão de apresentação em junho de 2019 da obra coletiva luso-brasileira, no Salão Nobre da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, acompanhado do arquiteto brasileiro Renato Gama-Rosa, da Fundação Oswaldo Cruz, um dos organizadores do livro em conjunto com a docente brasileira Cybelle Salvador Miranda, da Universidade Federal do Pará

 

O livro, uma publicação da editora Fiocruz, que concentra a maior parte dos lançamentos da Fundação Oswaldo Cruz, a mais importante instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, localizada no Rio de Janeiro, é constituído por sete capítulos onde os cientistas sociais luso-brasileiros revisitam a benemérita rede de dezenas de associações de beneficência fundadas por emigrantes portugueses na transição do séc. XIX para o séc. XX, e que ainda hoje são instituições de referência no Brasil, principal destino da emigração lusa na época.

Refira-se que um dos capítulos da obra é assinado pelo historiador fafense Daniel Bastos, com o título “O Hospital da Misericórdia de Fafe e a Contribuição da Benemerência Brasileira em Portugal no Século XIX”. O investigador, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das comunidades portuguesas, aborda no seu trabalho a contribuição dos “brasileiros” de torna-viagem no concelho e as suas marcas na construção contemporânea de Fafe, com destaque para o Hospital da Misericórdia de Fafe, inaugurado em 1863 por ação de beneméritos “brasileiros” e delineado no modelo arquitetónico do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro.