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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ALTO MINHO PARTICIPA NA SEMANA GASTRONÓMICA DE PORTUGAL NO RIO DE JANEIRO – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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A região do Alto Minho, nomeadamente os concelhos de Viana do Castelo e Ponte de Lima, vão participar na Semana Gastronómica de Portugal no Rio de Janeiro, uma organização da Casa do Minho na antiga capital do Brasil, anunciou a sua Presidente. Fátima Gomes revelou ontem a proposta, no final de mais um jantar convívio do Clube de Gastronomia de Ponte de Lima que decorreu na Pipa de Sabores, na sede do concelho Limiano.

Com dezena e meia de amigos participantes, o encontro reuniu ainda a Presidente da Ronda Típica de Chalette – Sur - Loing, Orléans, Margarida Ribeiro, o mais antigo grupo folclórico português em França, e cidade geminada com Ponte de Lima, os Presidente da Associação Empresarial de Ponte de Lima, da Liga dos Combatentes local e da Junta de Freguesia de Arcozelo, respectivamente Nuno Armada, Manuel Pereira e Acácio Fernandes.

Nos restantes comensais, a salientar também a representação da comunidade luso – Limiana na Suíça, Lausanne, Rui Santos, conhecedor de culinária nacional, e o mano João, este membro da direcção do Hotel Bom Jesus, Braga.

Quanto á ementa, posteriormente registaremos o balanço, mas desde já podemos adiantar que todos os presentes sublinharam a proposta do chefinho João Leonardo Matos, e os quatro braços colaborantes na preparação das entradas sugeridas pelo “ jovem cozinheiro em ascensão internacional”. Foram coadjuvantes na missão gastronómica, o chef Paulo Santos, da Casa de S. Sebastião em S. Pedro de Arcos, e o patrão Miguel Amorim, do restaurante Fátima Amorim, na Correlhã, ambas freguesias Pontelimenses.

Recorde-se, que durantes as três semanas de férias na capital do distrito, a principal dirigente da prestigiada instituição regionalista brasileira e carioca, Fátima Gomes, provou algumas sugestões de cardápios regionais para possível apresentação na Casa do Minho no Rio de Janeiro: o Arroz de Sarrabulho do chef Domingos Gomes, no seu “Rio Lima” em Cardielos; o arroz de pato no forno e a posta de salmão grelhada com apanhamento de legumes salteados e batatas “a murro”, propostas do chefinho João Leonardo Matos, número dois da cozinha “Na Brasa”, em Subportela, também concelho vianês, além dos queijos e vinhos do Aromas 4 You, em Estorãos, Ponte de Lima, e o Loureiro e vinhão da Quinta da Estivada, em Vila Franca do Lima, produção de Avelino Matos, da Confraria dos Gastrónomos do Minho.

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RECEITUÁRIO GASTRONÓMICO DO ALTO MINHO NA CASA DO MINHO RIO DE JANEIRO – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Na sequência de visitas à região, a Presidente da Casa do Minho do Rio de Janeiro, Fátima Gomes e marido António Gonzaga Silva, têm-se apercebido da variedade e qualidade de receitas tradicionais em prática em vários restaurantes, mormente nos concelhos de Viana do castelo e Ponte de Lima.

A oferta e alguns pratos icónicos estão assim a motivar uma recolha e provas para posterior integração do Receituário da Casa do Minho da antiga capital do Brasil, fundada em 1924; em estudo, está igualmente a realização de uma Semana da Gastronomia de Portugal no Rio de Janeiro (Casa do Minho), numa promoção de receitas, cozinheiros e restaurantes onde são praticadas essas tradições na mesa, diariamente ou em ocasiões especiais.

A dirigente da prestigiada agremiação cultural e folclórica do país – irmão, já participou de algumas degustações durante a sua estada. Tudo começou com um Sarrabulho á Moda de Ponte de Lima, preparado pelo chef Domingos Gomes, no seu Rio Lima, em Cardielos. seguiu-se um arroz de pato no forno, e outro repasto a posta de salmão assada no forno com crosta de broa, acompanhada de legumes salteados e batatas a murro, ágapes confecionados pelo chefinho João Leonardo Matos, de Arcozelo, Ponte de Lima, mas número dois da cozinha do Na Brasa, (foto 2) em Subportela, também concelho vianês. Agora, será a vez do agendamento de um especial Arroz de Pato e umas entradas também invulgares, no Pipa de Sabores, do amigo Guilherme Galante, na vila de Ponte de Lima, novamente com o comando dos tachos e panelas entregue a João Matos e todo o comestível molhado com um vinhão da Quinta da Estivada, em Vila Franca do Lima, produção do confrade da Confraria dos Gastrónomos do Minho Avelino Matos, e como enólogo João Pereira, esse escanção – mór da Real Confraria do Alvarinho, e Ceo do medalhado e apreciado néctar da Quinta das Pereirinhas em Troviscoso.

Falta ainda provar uma das especialidades do chef Paulo Santos, para completar a panóplia de cozinheiros minhotos do nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, a qual aguarda reserva de data.

Conhecer, provar, deslocalizar e promover no Brasil, engrandecer os cardápios dos dois restaurantes da Casa do Minho do Rio de Janeiro, superiormente dirigidos pelo amigo João Ribeiro com capacidade de 700 lugares, somando o salão nobre ou o Santoínho e o Costa Verde, onde ao fim de semana se salientam o Cozido á Portuguesa e o Bacalhau á padeiro (variante do luso “à Lagareiro”), com sobremesas onde as natas e leite creme estão presentes.

Mas, entre conversas, sabores e desejos de regresso, também há momentos de entrega de lembranças a Fátima Gomes, que não tem tido férias natalícias em Portugal, mas sim corrupio de afazeres, trabalho em prol da Casa do Minho carioca!

Foi o caso do fecho do repasto no domingo em Cardielos, onde o casal empreendedor da restauração, Domingos e Alexandrine, ofertou á ilustre comensal, um adereço de avental de traje de noiva, de mordoma ou de domingar (foto de capa) encaixilhaso, ppois é uma relíquia com catorze anos, colocado aquando da abertura do “Rio Lima”. Bordada a vidrilho, isto é com as tradicionais contas, missangas e lantejoulas de vidro, o enfeite de avental é um motivo de adorno do mesmo, saído das mãos da mãe e sogra dos ofertantes, Judite Gonçalves, uma integrante, outrora, do conhecido Grupo das Bordadeiras da Casa do Povo de Cardielos, onde agora sua neta Inês, ocupa o lugar. Ah, mas a petiz também assinou a sobremesa do prato – típico de Ponte de Lima, pois fabricou as bolachas húngaras cobertas de chocolate quente, delícia a repetir…

Mas, o gosto pelo tecer, bordar e daí tudo resulta um Traje Regional, está no sangue do amigo chef Domingos Gomes: há uns setenta anos, já a antepassada Rosalina Gonçalves Parente, era referência maior em vestir, digamos trajar a representação cardielense á Romaria da Senhora da Agonia, tal como a saudosa mãe, falecida a 2 de Agosto de 1967.

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CERVEIRENSES NA COLONIZAÇÃO DO BRASIL

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A foto colorizada a partir de original data de 1860 e mostra Joaquim Martins de Lara e Maria Lacerda Corrêa de Lara, nas redondezas da atual cidade de São Paulo.

O casal morou na região de Araraquara. A mulher era desta cidade e o homem de Vila Nova de Cerveira. A família da mulher é paulista do lado paterno, de Tietê/Porto Feliz. Do lado da mãe há portugueses próximos, mas uma avó dela não tem genealogia feita, o que pode levar à ascendência indígena.

De referir que à época ainda conservavam a maneira de trajar da nossa região com ligeiras diferenças.

Fonte: Paulistânia Tradicional

PRESIDENTE DA CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO VISITA ARCOZELO EM PONTE DE LIMA – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Fátima Gomes Presidente da Casa do Minho no Rio de Janeiro visitou a freguesia de Arcozelo fronteira à sede do concelho de Ponte de Lima.

Recebida pelo Presidente da junta Acacio Fernandes, a ilustre visitante agradeceu o programa que elaboramos em parceria com o autarca.

A visita à Casa de Pomarchao, um dos mais significativos solares da região construído em estilo barroco final (foto de capa) foi a nota mais saliente do roteiro, referiu Fátima Gomes.

A mansão foi mandada construir cerca de 1760 pelo irmão do Bispo do Rio de Janeiro frei António Desterro Malheiro Reimao, Beneditino falecido em 1773 a quem a capital carioca deve parte do seu desenvolvimento urbano como o mosteiro de São Bento e a Igreja de São Francisco de Paula.

Também a subida a Santo Ovídio foi encantador para a dirigente da mais importante instituição regional luso - brasileira fundada em 1924.

O autarca Acacio Fernandes apresentou também a Presidente da Casa do Minho no Rio de Janeiro, as linhas mestras do memorial ao combate a colocar junto do cruzeiro do Rego do Azal e a recuperação da Rua Professor José Maria Cerqueira, a partir da capela da Senhora da Luz

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CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO RECEBEU IMAGEM DO BEATO PACHECO – MÁRTIR NO JAPÃO NATURAL DE PONTE DE LIMA – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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A Presidente da Casa do Minho do Rio de Janeiro, instituição regionalista centenária, fundada a 8 de Março de 1924, recebeu ontem das mãos de Mons. José Caldas, Vigário Geral da diocese de Viana do Castelo e Pároco de Ponte de Lima, uma imagem do Beato Francisco Pacheco (1565?-1626). Fátima Gomes participou da missa paroquial na Matriz Limiana, tendo o sacerdote salientado a sua presença e colaboração no divulgar do mártir de Ponte de Lima, no decorrer da bênção da estatueta na capela que lhe foi dedicada no templo e grande imagem fabricada em 1938.

            Trata-se do primeiro acto do nosso grupo (foto 2) para a canonização do Beato Pacheco na América do Sul, depois de em Maio de 2023 uma outra escultura ter sido entregue à Casa do Minho no Canadá, Winnipeg, começando assim a divulgação naquele continente. Participaram da cerimónia, o antigo membro da direcção comercial da TAP em Bruxelas, o conterrâneo Joaquim Gomes, e alguns fiéis e devotos do mártir jesuíta.

Como uma breve retrospectiva, podemos alinhar parte das acções desenvolvidas, mormente a promoção do culto do popular Santo dos Limianos. Tudo começou com a colocação da imagem na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma, acolhida pelo Reitor e Prelado de Honra do Papa João Paulo II, Mons. Agostinho Borges e o capelão da embaixada de Portugal junto da Santa Sé ou Vaticano, Mons. Sebastião Matos, seguindo-se entregas da imagem nas embaixadas de Portugal em Itália, na Bélgica e na Suécia. O próximo passo deverá ser Nova Iorque, na sequência dos contactos já estabelecidos, e seguidamente em outras entidades oficiais e representativas da comunidade portuguesa e Pontelimense no mundo.

Entretanto, é possível já conhecer Detalhes sobre o Processo com o Padre João Caniço, ex-Pároco do Lumiar, Lisboa, como Postular da Causa nomeado pela Santa Sé: Martírio: Beato Francisco Pacheco foi martirizado em Nagasaki, Japão, em 20 de junho de 1626, junto com outros companheiros jesuítas, sendo queimado vivo. Beatificação: O Papa Pio IX beatificou-o em 7 de julho de 1867, reconhecendo o seu martírio. Causa de Canonização: Atualmente, há um movimento para a sua canonização, com grupos de fiéis e autoridades de Ponte de Lima a trabalhar junto da Santa Sé para promover o processo, apresentando pedidos e a história do mártir.

Milagres: A canonização exige a comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão após a beatificação, sendo que já foram relatados casos de graças alcançadas por fiéis, como mencionado num dos sites.

Também, já foi agendado para 28 de Fevereiro do próximo ano, no âmbito das celebrações dos 900 anos da concessão do foral a Ponte de Lima (1125-

2025) a realização dum congresso internacional sobre o Beato Francisco Pacheco. O município, designadamente o Presidente e vice, Vasco Ferraz e Paulo Sousa, juntamente com o historiógrafo João Abreu e Lima, que há anos identificou o Lar do Beato Pacheco (Quinta de Barrô, na Correlhã), lideram a organização do encontro. Paralelamente, também se preparam cerimónias civis e religiosas dos 400 anos do seu martírio ocorrido em Nangazaki, Japão, para 20 de Junho, a decorrer em Ponte de Lima e Roma.

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PRESIDENTE CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO PARTICIPA NOS 180 ANOS DO NASCIMENTO DE EÇA DE QUEIRÓS NA PÓVOA DE VARZIM E VISITA PONTE DE LIMA – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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A Presidente da Direcção da Casa do Minho no Rio de Janeiro, centenária instituição regionalista no Brasil, fundada a 8 de Março de 1924, visita este fim de semana a Póvoa de Varzim e Ponte de Lima, no âmbito dum programa cultural e gastronómico.

Fátima Gomes participa na noite de Sábado, dia 20, no - Natal da Família Queirosiana - na casa onde nasceu o maior romancista português, situada na Praça do Almada ou Largo Eça de Queirós, nessa cidade balnear dos arredores do Porto. O convite partiu da Curadora da Eça Culture House, Odete Rios e da Presidente da Confraria dos Sabores Poveiros, Lucinda Amorim.

A dirigente da apreciada instituição luso - brasileira, associa-se deste modo á celebração dos 180 anos do nascimento do diplomata, escritor e gastrónomo José Maria Eça de Queirós (Póvoa 25.11.1845 - Paris, Neuilly-Sur-Seine 16.08 1900), que se iniciaram com duas actividades já decorridas, respectivamente no seu local de nascimento e no Cine - Teatro Almeida Garrett, recordemos.

Com participação física no evento, Fátima Gomes representa assim o Brasil de Eça, onde ele foi colaborador da imprensa e sócio da prestigiada Academia Brasileira de Letras, e a comunidade poveira e portuguesa colaboraram na colocação da placa identificativa do prédio onde nasceu e na estátua ou memorial, respectivamente e 1906 (foto 2) e em 1952 (foto 3).

Já no domingo, Fátima Gomes tem um programa preenchido em Ponte de Lima. Pelas 11,30 horas participa na missa paroquial na Matriz, celebrada por Mons. José Caldas, vigário geral da diocese e Pároco da sede do concelho, Arca e Feitosa. Após o almoço com ementa regional, visita o centro histórico Limiano, e terá encontros com o Presidente da Junta de Arcozelo, Acácio Lopes, pois deseja conhecer a Casa de Pomarchão, berço de ilustres figuras, como o 6º Bispo do Rio de Janeiro, D. Frei António Desterro Malheiro (1694-1773), interveniente em parte do desenvolvimento urbano no período barroco, e o irmão, Mestre de Campo (Coronel), João Malheiro Reimão Pereira, na administração do Brasil, episódios da história colonial no país – irmão.

O dia encerra com um encontro de elementos de cozinha do nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima: Domingos Gomes, Paulo Santos e João Leonardo Matos. O motivo é equacionar a possibilidade de deslocalização, confecção ou outras propostas na mesa, para reforço dos menús portugueses nos restaurantes da Casa do Minho no Rio de janeiro. De momento, tal como constatamos pessoalmente há mês e meio, o salão nobre ou Santoínho, e o Costa Verde, com capacidade total de 700 lugares, apresentam ao fim de semana o Cozido á Portuguesa, o Bacalhau á Padeiro (semelhante ao Lagareiro), e costela na brasa, nos dois espaços superiormente dirigidos pelo amigo João Ribeiro.

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Colocação da placa na casa - 1906.JPG

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MINHOTOS FORAM PIONEIROS DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL

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Representação escultórica de Caramuru no monumento a Floriano Peixoto, no Rio de Janeiro

Como é sabido, apesar da descoberta do Brasil se ter verificado no ano de 1500 e a primeira expedição exploradora ter ocorrido no ano seguinte, apenas a partir de 1534 foram criadas as capitanias hereditárias, altura em que o rei D. João III estabeleceu a capitania da Baía, concedendo-a a D. Francisco Pereira Coutinho. Até então, quase todas as atenções se encontravam viradas para as explorações a oriente. Contudo, por volta de 1510, o naufrágio de uma das naus portuguesas que seguia para a Índia segundo uns, de uma nau francesa que rumava ao novo mundo com o objectivo de explorar o negócio da madeira e sobretudo do pau brasil segundo outros, ocorrido junto à costa da Baía de Todos-os-Santos, levara a que um punhado de marinheiros na ânsia de sobreviver, lograsse atingir a nado terra firme. Entre eles encontrava-se o vianense Diogo Álvares Correia que, após ter sobrevivido ao naufrágio, acabara por ter sido o único que escapou ao massacre praticado pelos índios tupinambás os quais, preservando ainda hábitos canibais, mataram e devoraram os seus companheiros. Valeu-lhe o facto de ter disparado um mosquete e ter abatido uma ave, o que seguramente causou enorme impressão nos indígenas.

De acordo com a narrativa fantasiosa tornada lenda, passaram os índios a tratá-lo por Caramuru, designação que significaria “homem de fogo” ou “filho do trovão”, sendo certo que se trata da denominação de um peixe existente naquela zona, de uma espécie próxima da moreia com mais de um metro de comprimento, tudo levando a crer ser esta a verdadeira razão do nome que lhe impuseram em associação ao seu aspecto físico ou então devido ao facto de ter surgido do mar, entre as pedras, como sucede com as moreias. Em todo o caso, Diogo Álvares passou a viver entre os indígenas, conseguindo entre estes enorme prestígio e acabando por prestar valioso auxílio não apenas às expedições portuguesas que ali aportavam como ainda aos donatários entretanto estabelecidos e aos missionários jesuítas que ali iniciaram a sua actividade de evangelização.

            Narra-nos Frei José de Santa Rita Durão, professor de Teologia na Universidade de Coimbra, no seu poema “Caramuru”, publicado em 1781, o seguinte:

Diogo então, que à gente miseranda,

por ser de nobre sangue precedia,

vendo que nada entende a turba infanda,

nem do férreo mosquete usar sabia;

da rota nau, que se descobre à banda,

pólvora, e bala em cópia recolhia;

e como enfermo, que no passo tarda,

serviu-se por bastão de uma espingarda.

Diogo Álvares veio a casar com Paraguassu – ou Paraguaçu, - filha do chefe indígena Taparica que habitava a região do Recôncavo e era um dos maiorais dos índios tupinambás, tendo passado a viver numa aldeia junto à entrada da Barra da Ponta do Padrão, local de onde se podia avistar as frotas e acudir, eventualmente, em caso de naufrágio. A sua vida ficou envolta em lendas, algumas das quais imortalizadas num poema épico escrito por frei José de Santa Rita Durão em meados do século dezassete. Salienta-se, entre elas, a que se refere à realização do seu casamento em França para onde supostamente navegaram em 1526, tendo sido apadrinhados segundo uns por Henrique II e de Catarina de Médicis ou, ainda de acordo com outra versão, por Katherine des Granches, esposa do navegador Jacques Cartier, e por Guyon Jamyn, cunhado de Tomasia Cartier, tia de Jacques Cartier, tendo Paraguassu a partir de então passado a usar o nome de “Catarina do Brasil”. Contudo, apesar de vários historiados terem durante muito tempo considerado esta uma história sem fundamento válido, a mesma parece encontrar-se actualmente suficientemente documentada, nomeadamente através de um termo do baptismo então realizado em Saint Malô e cuja cópia se encontra na Arquidiocese de São Salvador, a qual reza o seguinte: “Le pénultime jour du moys surdit fut baptizée la Katherine du Brézil, et fut compère… premier noble homme Guyon Jamyn, sieur de Saint Jagu, et commères Katherine dês Granges et Françoise Le Gonien, fille de l’aloué de Saint malo et fut baptizée para maitre Lancelot Ruffier, vicaire du dit jour que dessus. (a) P, Trublet”. O mesmo não sucede com a pretensão de alguns em atribuir origens galegas a Diogo Álvares, dando-o por natural da Corunha com o nome de Diego Álvarez Correa, tese que se revelou sem fundamento para a generalidade dos historiadores. Naturalmente, tais reivindicações mais não reflectem do que a disputa desde sempre existente acerca das origens do povoamento do Brasil com vista a uma eventual reclamação de direitos.

Do seu casamento com Catarina Paraguassu – nome que significa “grande rio caudaloso” – teve Diogo Álvares quatro filhas das quais procedeu numerosa e influente descendência, considerada das mais nobres da Baía. Entre elas, destaco Genebra Álvares que veio a casar com Vicente Dias, natural de Beja e moço fidalgo da Casa Real. Estes tiveram como filhos Diogo Dias que viria a casar-se com Isabel de Ávila, filha do senhor do Castelo da Casa da Torre e ainda, Maria Dias que casou com Francisco de Araújo, natural de Ponte de Lima e filho de Gaspar Barbosa de Araújo e Maria de Araújo, da “nobilíssima família dos Araújo da Província de Entre Douro e Minho”. Foi sesmeiro em Sergipe e faleceu em Salvador da Baía em 27 de Agosto de 1602. Deste casamento houve três filhos sem geração e uma filha chamada Catarina Álvares que viria a casar com o seu tio paterno Baltazar Barbosa de Araújo, também ele natural de Ponte de Lima e filho de Gaspar Barbosa de Araújo. Das duas filhas nascidas deste casamento, Francisca de Araújo e Joana Barbosa, esta veio a casar com António de Souza Drumond cuja genealogia nos levaria a uma autêntica incursão pela história da Europa e o povoamento da Ilha da Madeira. Para além das filhas que teve de Paraguassu, Diogo Álvares teve porém, muitos outros filhos e filhas das relações que manteve com numerosas índias, como aliás veremos adiante.

Diogo Álvares prestou enormes serviços a Portugal e serviu de intermediário nos negócios entre navegadores europeus e nativos, ajudando no abastecimento e recuperação das embarcações da rota das especiarias que passavam pelo litoral do Brasil rumo ao Oriente ou as que seguiam para o Rio da Prata, socorrendo não raras as vez as tripulações em perigo de naufrágio. Recebeu Martim Afonso de Sousa que foi Governador da Índia e Tomé de Sousa que viria a ser o primeiro governador-geral do Brasil, a quem aliás de imediato à chegada lhe ofereceu os seus serviços, experimentado que estava dos insucessos do anterior donatário da Baía, Francisco Pereira Coutinho, cuja permanência resultou em tragédia. Aliás, a sua colaboração foi também fundamental para os Jesuítas que ali se estabeleceram em 1550, altura em que iniciaram a catequização dos índios. Em reconhecimento dos seus serviços, o próprio governador-geral, Tomé de Sousa, armou cavaleiros três dos seus filhos – Gaspar, Gabriel e Jorge Álvares – e um dos seus genros, João de Figueiredo, tendo o rei D. João III confirmado no ano seguinte através de carta régia a concessão atribuída.

            A título de curiosidade, a jurisdição de São Salvador da Baía viria dois séculos mais tarde, por decisão do marquês de Pombal, a ser entregue ao 6º conde dos Arcos, D. Marcos José de Noronha e Brito, o qual acumulou com o cargo de Vice-Rei do Brasil. O mesmo sucedeu com o 8º conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito, nomeado Vice-Rei em 1806 e mantido o cargo até à chegada do Príncipe Regente D. João VI, na sequência das invasões francesas. Por conseguinte, duas personalidades alto-minhotas que vêm estreitar ainda mais os laços da nossa região com o Brasil em geral e o Estado da Baía em particular.

Diogo Álvares Correia veio a falecer em 5 de Outubro de 1557, com setenta anos de idade, tendo sido sepultado na igreja de Jesus, pertencente aos Jesuítas. Por seu turno, Catarina Paraguassu contava oitenta e oito anos quando em 26 de Janeiro de 1583 morreu em Salvador da Baía, tendo ficado sepultada na Igreja de Nossa Senhora da Graça, local onde constam os seguintes dizeres: “Sepultura de Catarina Alz senhora desta Capitania da Bahia a, qual, ela e seu marido Diogo Alz corrêa, natural de Viana derão, aos, senhores Reys de Portugal e fés e deu esta Igreja ao, Patriarca S., Bento, Era de 1582”. Esta lápide vem, aliás, confirmar a adopção do apelido Álvares por parte de Catarina Paraguassu, o que de algum modo contraria a tese por alguns defendida de que teria passado a chamar-se “Catarina do Brasil” pelo baptismo supostamente realizado em França. Tal como, aliás, sucede com o nome próprio Catarina, o qual pode de igual forma ser associado ao da esposa do rei D. João III.

Após o falecimento de Diogo Álvares, o Caramuru, Catarina Álvares – a índia Paraguassu – alargou ainda mais os seus domínios, tendo do próprio governador Mem de Sá recebido propriedades tão vastas que compreendiam os actuais bairros da Graça e da Vitória, em Salvador da Baía. Considerada a “primeira matriarca da Bahia”, a memória de Catarina Paraguassu passou a ser venerada pelos brasileiros como “símbolo da miscigenação na América Portuguesa”. Como se afirma no jornal “Correio da Bahia” de 6 de Fevereiro de 2005, “considerada um dos principais símbolos femininos da história do país, por ter exercido um papel fundamental na integração das raças que formaram o povo brasileiro, a tupinambá Catarina Paraguaçu é sempre lembrada como a mãe das mães brasileiras, o esteio e a origem da família no país”.

Tal como Catarina Paraguassu se tornou no símbolo da integração nacional da nação brasileira, também o vianense Diogo Álvares é considerado o pioneiro da colonização do Brasil, tendo construído a primeira colónia de povoadores que veio a incluir os limianos Francisco de Araújo e Baltazar Barbosa de Araújo.

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Retrato de Diogo Álvares Correia, o “Caramuru”

CARAMURU NA LITERATURA E NAS ARTES

A vida aventurosa de Diogo Álvares e a sua relação amorosa com a índia Paraguassu tem servido de argumento para a construção de vários romances de ficção e representações teatrais, entre outras manifestações culturais. Foi tema de uma série televisiva e serviu de argumento ao filme “Caramuru – a Invenção do Brasil”, ambos da autoria de Guel Arraes. Também o escritor Tasso Franco escreveu o livro “Catarina Paraguaçu – A Mãe do Brasil”, o qual descreve de forma romanceada o encontro da índia com Diogo Álvares e o início da construção de São Salvador. Não obstante, é o poema Caramuru de Frei José de Santa Rita Durão aquele que, pela sua antiguidade e exaltação que faz, é considerado como referência nos relatos que são feitos dos acontecimentos e lendas que as envolvem.

Com o título “Caramuru – Poema Épico do Descobrimento da Baía”, o poema de Frei José de Santa Rita Durão afigura-se como uma nova versão de “Os Lusíadas” através do qual, em dez cantos, o poeta evoca o descobrimento do Brasil e os feitos dos seus povoadores. Aliás, conforme o próprio autor afirma nas “Reflexões Prévias”, “os sucessos do Brasil não mereciam menos um poema que os da Índia”.

Este poema constitui, como afirma Óscar Lopes, uma das “primeiras manifestações apreciáveis de influência temática brasileira no domínio da poesia heróica” o qual, ainda segundo o mesmo autor, “de recorte versificatório camoniano, tem como assunto a acção civilizadora do nobre náufrago Diogo Álvares Correia, que no século XVI se viu obrigado a viver e a casar aventurosamente, numa tribo ameríndia”.

Considerado um dos poetas da Nova Arcádia, António José Saraiva retrata o poema “Caramuru” e o seu autor, no contexto da literatura brasileira ou, para sermos mais precisos, da literatura portuguesa do Brasil: “Os poetas mineiros assim chamados mostram-se animados do espírito arcádico, quer militem, quer não, em acordo com a Arcádia Lusitana. (…) Caracterizam-se , em geral, pela adesão ao espírito das luzes, o que teve dois efeitos contraditórios: um, o servirem a política do marquês de Pombal; outro, o de combaterem a política centralista e colonialista da corte portuguesa. Tanto o Uruguai, de José Basílio da Gama (1769), como o Caramuru, de Santa-Rita Durão (1781), poemas heróicos na linha d’Os Lusíadas, revelam, ao mesmo tempo que uma repulsa da política indiana dos jesuítas, reprimida pelo marquês, uma vontade de enraizamento e de criação de uma pátria americana”.

Ao naufragar nos recifes da costa da Baía, jamais o vianense Diogo Álvares poderia imaginar que, volvidos quase três séculos, haveria de tornar-se o herói principal do poema épico que retrata o nascimento do Brasil, tendo por título a alcunha que lhe fora atribuída pelos índios tupinambás e pela qual haveria de ser sempre reconhecido. E, desde logo celebrado na primeira estrofe do Canto I:

De um varão em mil casos agitado,

que as praias discorrendo do Ocidente,

descobriu o Recôncavo afamado

da capital brasílica potente:

do Filho do Trovão denominado,

que o peito domar soube à fera gente;

o valor cantarei na adversa sorte,

pois só conheço herói quem nela é forte.

Fonte: Carlos Gomes | O Anunciador das Feiras Novas, nº XXVI,Ponte de Lima, 2009

VIANA DO CASTELO: QUEM FOI CARAMURU - UM VIANENSE QUE FOI PIONEIRO DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL?

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Caramuru foi o nome que os índios tupinambás impuseram ao vianense Diogo Álvares Correia quando este, ao ter disparado um mosquete e abatido uma ave, causou grande espanto nos indígenas, tendo-se desse modo salvado da sua fúria canibalesca.

Com efeito, por volta de 1510, o vianense Diogo Álvares Correia seguia para a Índia numa nau que rumava ao novo mundo com o objectivo de explorar o negócio da madeira e sobretudo do pau-brasil quando ocorreu o naufrágio junto à costa da Baía de Todos-os-Santos.

O nome Caramuru pelo qual os índios tupinambás passaram a tratá-lo significa “homem de fogo” ou “filho do trovão” sendo também o nome pelo qual identificam um peixe existente nas águas onde encontraram Diogo Álvares. O certo é que, para além de ter escapado ao voraz apetite antropofágico dos indígenas, alcançou entre eles grande prestígio que se revelou da maior utilidade na relação com as expedições portuguesas e sobretudo os missionários jesuítas que ali aportavam.

Em 1781, Frei José de Santa Rita Durão no poema que compõe e através do qual evoca o descobrimento do Brasil e os feitos dos primeiros povoadores – “Caramuru – Poema Épico do Descobrimento da Baía” – o seu autor dedica-lhe entre outras a seguinte estrofe:

De um varão em mil casos agitado,

que as praias discorrendo do Ocidente,

descobriu o Recôncavo afamado

da capital brasílica potente:

do Filho do Trovão denominado,

que o peito domar soube à fera gente;

o valor cantarei na adversa sorte,

pois só conheço herói quem nela é forte.

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Por ocasião das comemorações dos 750 anos do Foral, a Câmara Municipal de Viana do Castelo editou uma singela mas interessante brochura com o título “CARAMURU: O Vianense criador da Brasilidade”. A homenagem incluiu ainda um monumento a Caramuru que na altura foi implantado na Praça da República, em Viana do Castelo.

HOJE É DIA DE SANTA LUZIA – CELEBRAÇÃO REMONTA EM PORTUGAL AO SÉCULO XV SOB A INVOCAÇÃO DE NOSSA SENHORA DA LUZ - O ESCRITOR LIMIANO MANUEL GOMES DE LIMA BEZERRA DESCREVEU-NOS O CULTO EM ARCOZELO

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Sob as mais variadas evocações e datas de celebração, o Dia de Santa Luzia – santa Lúcia de Siracusa – celebra-se a 13 de Dezembro de acordo com a tradição cristã de confissão católica. Não obstante, possui bastantes tradições na Escandinávia e nalgumas partes dos Estados Unidos da América, o que denuncia a sua influência protestante.

A sua celebração ocorre próximo do Solstício de Inverno, o que a relaciona com o Natal ou seja, o nascimento do Sol e consequentemente da Luz. De resto, antes da reforma do Calendário Gregoriano que ocorreu no século XVI, a data da sua celebração encontrava-se no calendário ainda mais perto do Solstício de Inverno.

Entre nós, o culto a Nossa Senhora da Luz remonta ao século XV, altura em que, segundo reza a tradição, na localidade de Carnide, um devoto a Nossa Senhora encontrou, graças a uma estranha luz, uma imagem da Mãe de Deus.

A sua ocorrência veio a dar origem à construção de um convento e uma igreja em torno da qual ainda se realiza uma das feiras mais pitorescas dos arredores de Lisboa. O culto expandiu-se um pouco por todo o país graças ao patrocínio da Infanta D. Maria e de D. Leonor de Áustria, respetivamente a filha e a terceira esposa do rei D. Manuel I.

O culto a Nossa Senhora da Luz propagou-se ainda a todo o Império Português e é ainda invocado, consoante os lugares, sob os nomes de Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora da Purificação e Nossa Senhora das Candeias, ocorrendo geralmente a 2 de Fevereiro a data da sua celebração.

A respeito da veneração a Nossa Senhora da Luz praticada na vila de Arcozelo, em Ponte de Lima, Manuel Gomes de Lima Bezerra * descreve-nos o seguinte: “Esta capela é notável na nossa História devido a uma bela imagem, que tem em Nossa Senhora o seu título. O Padre Carvalho recomendada desta maneira: "Aqui mesmo - diz ele falando da freguesia - está na capela de Nossa Senhora da Luz, a mais formosa imagem da Virgem, que pode haver: grandes diligências fizeram os religiosos da Ordem de Cristo para a levarem para o convento de Nossa Senhora da Luz de Lisboa, e que foi evitado pelo Cónego Baltasar de Araújo Franco". Ora se aqueles religiosos que possuem uma imagem muito perfeita da Senhora no seu convento da Luz em Carnide, junto a Lisboa, cujo aparecimento, beleza e milagres descreveu em difusão o Rev. Fr. Roque de Soveral na História, que compôs e imprimiu no ano de 1610; se aqueles religiosos, digo, julgaram a imagem desta capela de tal perfeição que a queriam levar para o seu convento de Lisboa, onde veneram a sobredita; parece-me que bastantes provas nos deixaram com o seu projecto da excelência da imagem, que se venera nesta freguesia e nesta capela. O certo é, que os naturais da terra, para perpetuarem o culto da Senhora, erigiram uma devota confraria com estatutos, que confirmou o bispo de Uranapolis, coadjutor do Arcebispado Primaz, por provisão de 27 de Agosto de 1723.”

Manuel Gomes de Lima Bezerra, in Os Estrangeiros no Lima, Tomo 1, 1785

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Santuário de Santa Luzia e a Foz do Rio Lima em Viana do Castelo numa pintura de Mota Urgueiro

DESCENDENTE DE LIMIANOS EVOCA IMIGRAÇÃO NO BRASIL

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António Sérgio Lourenço é descendente de limianos, da Cabração. E não só. Nasceu e vive em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. Em singelas palavras evoca as suas origens europeias que transcrevemos. A foto é de radioamador mas na época do acontecimento era PX (faixa do cidadão).

"Navios de imigrantes parecidos com este trouxeram nossos parentes de outros paises para o Brasil.

Devemos lembrar que temos um casal que são nossos pais.

Dois casais que são nossos avós.

Quatro casais que são nossos bisavós. Cada geração que sobe, dobra o número de pessoas.

Quatro casais, que são compostos por 8 bisavós é a base de nossa árvore genealógica que, à medida que vai crescendo, vai criando galhos e o número de pessoas ligadas a esta base é muito grande.

No meu caso, do lado paterno tenho bisavós italianos e portuguêses.

Do lado materno tenho bisavós italianos e austríacos.

A medida que vamos descobrindo ancestrais mais antigos vamos acrescentando outras procedências, a não ser que vc fique em apenas um galho familiar.

A maioria de nossos ancestrais são oriundos de famílias simples e descontentes dos locais onde nasceram!"

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CANDIDATO MARQUES MENDES VISITOU A CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO

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No último domingo, dia 16 de novembro, a Casa do Minho do Rio de Janeiro recebeu a visita do Dr. Luís Marques Mendes, minhoto e candidato à Presidência da República.

A reunião contou também com a presença da Srª Sofia Rodrigues, assessora de imprensa da candidatura, e do Dr. Flávio Martins, Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas.

Representando a Casa do Minho, a presidente Fátima Gomes participou do encontro e conversou com o candidato, destacando a boa impressão diante das propostas apresentadas em prol do nosso querido Portugal e das comunidades portuguesas no Brasil.

Na ocasião, a presidente Fátima Gomes ofereceu lembranças institucionais da Casa do Minho e acompanhou atentamente a exposição feita pelo candidato e pelo Dr. Flávio Martins, fortalecendo ainda mais os laços entre Brasil e Portugal.

Fonte e fotos: Casa do Minho

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VISITA CULTURAL À CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO: PROVA DE CHARCUTARIA – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Regressamos com mais uma crónica sobre a nossa participação no primeiro fim de semana deste mês em cerimónias da Casa do Minho no Rio de Janeiro. Respondendo ao convite, juntamente com o antigo elemento da direcção comercial da TAP em Bruxelas, o conterrâneo Joaquim Gomes, um dos momentos a assinalar na noite de Santoínho – Sábado 1 de Novembro – foi a prova de charcutaria do concelho de Ponte de Lima.

No decorrer do arraial minhoto, uma réplica do que se realiza em Darque, Viana do Castelo, ocorreu uma degustação selecionada de produtos regionais. Na prova salientaram-se o paio, o salpicão e chouriça de carne da

Arte do Fumeiro, da freguesia de Sá, e a alheira de galo, da Correlhã, ambas no concelho Limiano. Com explicações sobre a sua produção, e também da presença desses enchidos e fumados em actividades  mormente este ano, como: o Verde de Honra em Fevereiro na abertura das comemorações dos 900 anos do foral de Ponte de Lima; em Março, na Mostra Gastronómica Internacional de Honsingen, Luxemburgo; em Maio, na entrega de publicações de autores Limianos para a Biblioteca do Centro de Língua Portuguesa – Camões – na Universidade de Estocolmo em Maio; em Outubro na Mostra Gastronómica de Portugal (Alto Minho e Douro) e Taiwan em Lisboa e uma outra com Arcos de Valdevez e Ponte de Lima em Bruxelas, desta vez, atravessaram o Atlântico.

A qualidade, o sabor, foram temas dominantes de conversa entre os convidados, desejando saber alguns dos comensais, onde os adquirir em suas viagens de férias a Portugal, assim como quando se repetirá nova apresentação. Talvez em 2026, admitia a Presidente da Casa do Minho, Fátima Gomes, com raízes em Viana do Castelo, e João Ribeiro, o gerente dos dois restaurantes da mais prestigiada instituição regionalista portuguesa no Brasil, o Costa Verde e o Santoínho ou salão nobre.

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VISITA CULTURAL AO RIO DE JANEIRO: O BACALHAU À PADEIRO NA CASA DO MINHO – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Voltamos hoje com mais uma crónica da visita quase relâmpago à “Cidade maravilhosa” no âmbito de amizades, parentesco e novas oportunidades de cooperação nas áreas do turismo cultural e gastronómico.

Uma tertúlia de bacalhau(s) foi motivada pelo almoço no Costa Verde, um salão no primeiro andar da centenária Casa do Minho, onde ao Domingo Minhoto há sempre comida portuguesa, com certeza: Cozido e bacalhau, este acentuadamente na receita “ à Padeiro” um prato com similitude no lusitano “à Lagareiro” e algum complemento do tradicional “à Narcisa”, surgido em 1930 nessa taverna da capital do Minho, mas agora designado oficialmente de “Bacalhau á Braga”, ou “á Minhota”.

Na mesa redonda muita conversa em volta dela, onde pontificavam a Presidente da prestigiada instituição regionalista na antiga capital do Brasil, Fátima Gomes, com raízes em Carvoeiro, Viana do Castelo, e o gerente dos restaurantes (salão nobre ou Santoínho e Costa Verde), o amigo João Ribeiro. Acompanhavam a delegação das quinas, o conterrâneo Joaquim Gomes, em tempos elemento da nossa TAP na capital da Europa, depois na sede da companhia no Norte de Portugal, Porto, e agora, dedicado á agricultura Limiana e banhos ou ares marítimos por Matosinhos.

Uma substancial presença de bacalhau ao longo da refeição, começando pelos bolinhos ou pastéis, esse característico salgado que já em 1889 era sugestão do nosso António Feijó, então Cônsul de Portugal no país – irmão, para um jantar em casa de família, acompanhar o bacalhau assado, e em 1909 é mencionado numa ementa do arquivo do Paço de Calheiros, Ponte de Lima, talvez para receber o diplomata, pois numa carta de Setembro desse ano relata a presença nas Feiras Novas.

E, conversa segue a conversa, depois de conhecer o autor do Bacalhau “Brasileiro”, o Chef Isaías Franco, há mais de duas décadas proveniente do Ceará para profissional de cozinha na capital carioca, lá partilhamos ideias e possível cooperação com o nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, melhor elementos das artes culinárias. E, entre tagarelices, surgiram elogios aos trabalhos realizados pelos nossos Chefs: Thomas Egger, João Leonardo Matos, Paulo Santos, Domingos Gomes, … e apresentação de imagens dos seus pratos com o “fiel amigo” guardados em álbuns do telemóvel.

O responsável dos dois espaços para comensais, cujas áreas totalizam mais de seiscentos metros quadrados e capacidade para meio milhar de convidados, recordemos seu nome, João Ribeiro, enaltecia na sua intervenção as qualidades e longa tradição da culinária portuguesa, sublinhando os doces de sobremesa, dos conventuais aos populares. E, surpresa, eis que alguns deles satisfizeram a saudade e o palato: as natas e as cavacas ou bolos de gema.

E, assim decorreu uma parte do penúltimo domingo, 2 de Novembro, num convívio de faca e garfo, de recordações e emoções do que temos de melhor no nosso rectângulo á beira-mar plantado, para turisticamente vender no exterior.

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VISITA CULTURAL AO RIO DE JANEIRO: ENCONTRO NA CASA DO MINHO – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Um convite irrecusável, uma visita interessante, um rever de familiares e amigos, e conhecer outros. Assim aconteceu, pois assim se cumpriu um programa de última hora, tendo por companhia nos eventos da Casa do Minho, instituição regionalista centenária pois foi fundada a 8 de Março de 1924, o antigo director comercial da TAP em Bruxelas, Joaquim Gomes. Mas, para além deste amigo, também outros Limianos nos acompanharam na missão cultural e gastronómica no Rio de Janeiro: o casal Gaspar Alves e esposa Rosa, ela de Rebordões Souto e ela de Calheiros, empresários de panificação em Nova Iguaçú.

Respondendo ao convite da Presidente Fátima Gomes, com raízes em Carvoeiro, Viana do Castelo e marido, participamos na réplica do Santoínho, na noite de Sábado, 1 de Novembro. O local, o salão nobre do edifício na Rua Cosme Velho, com capacidade para meio milhar de comensais á mesa, estava composto, tal como a ementa dum arraial minhoto: sardinha assada na brasa com batata cozida, fêveras de porco grelhadas, caldo verde, enchidos variados, vinho tinto português, etc.

Abancamos na mesa da directoria, partilhamos o calor do acolhimento, a saudade típica das Feiras Novas e Senhora da Agonia, pois a festa Luso – Brasileira – Minhota isso nos fez recordar… Conversa intensa, muita amizade a outras novas, pois a líder da casa já é nossa conhecida de eventos de Verão na nossa Ribeira Lima. Com supervisão do gerente de cozinhas e cerimónia, João Ribeiro nada faltava, com reposição de comidas, vinhos e muito calor humano incluído. Da animação, há a salientar a brilhante presença do Rancho Folclórico Maria da Fonte, os gigantones, os arcos de festas, as canções e danças, um verdadeiro, sentido, único programa típico das tradições portuguesas e da mais nortenha região lusitana no país – irmão desde 1979!

E sobremesas, as especialidades doceiras das duas Pátrias. doce de gema, ou de romaria, ou da Páscoa; quindins; sidónios…

Mais informação temos a relatar, mais crónicas haverá, pois o programa vasto mas apertado, cumprido ou satisfeito, do relatório necessita, pois muitos têm sido os leitores transatlânticos a solicitar umas linhas, parágrafos…

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DESCENDENTES BRASILEIROS DA FAMÍLIA MORAES DO PALACETE MORAES VISITARAM PONTE DE LIMA – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

Palacete Moares (Bahia) desde 1919 Aclamação (1)

Dois exemplos quão mais magestoso um que o outro no dizer de especialistas na arquitectura fin de siécle ou da burguesia, ou do capitalismo, com seu estilo eclético, onde a influência francesa está patente a imperar na decoração de exteriores e interiores, com faustosidade que o orçamento e o gosto o permitiam.

Mas, com a vicissitude dos tempos, a procura de outros locais de residência onde as novidades imperavam, alienaram as duas mansões familiares: a de Ponte de Lima foi integrada na Santa Casa da Misericórdia local, e a do Brasil, no governo do estado da Bahia, da qual foi residência oficial de governadores durante 55 anos.

Na procura e visita de suas origens, muitos são desde há anos, os brasileiros que nos contactam, nomeadamente na (re)descoberta das casas de família e resto desses seus antepassados na terrinha (ou cidadezinha), como ele designam o berço do apelido, ou lugarejo, quando se trata de uma freguesia.

Desta vez, novamente parentes do lado paterno, descendentes de nosso trisavô, José Epifânio Rodrigues de Moraes (1841-1916) nos procuraram na senda da genealogia e benemerências para com o berço de família luso – brasileira.

Foi o caso do trineto do mano daquele nosso terceiro avô, Miguel Francisco Rodrigues de Moraes (1848-1895) fundador do Palacete dos Moraes no Brasil, (foto) como é designado oficialmente em Salvador, e seu filho, portanto, o tetraneto Frederico Rodrigues de Moraes, esposa Carol e rebento, o pentaneto, estes com residência agora em Portugal, melhor Cascais.

Um fim de semana foi escolhido para os parentes rumarem de São Paulo e Cascais até Ponte de Lima, para seguirem os passos de seus avoengos. Um encontro na Havaneza, até 1914 o Café Camões, no centro da vila, com o café da manhã iniciou o programa. Este, incluiu um Arroz de Sarrabulho no “Diamante”, e depois a visita à Villa Moraes. O patriarca Armando Moraes e esposa Sílvia com a família regozijaram - se com as obras de revitalização do Parque da vivenda de família pelo município, nomeadamente o empenho do edil Vasco Ferraz e regeneração em curso frente ao Teatro Diogo Bernardes, outrora iniciativa e propriedade do tio – trisavô, João Francisco Rodrigues de Moraes (1851-1936), cuja remessa de capitais do Brasil, engrandeceu Ponte de Lima, na educação, cultura, progresso viário e instituições de caridade.

As fotos e questões históricas sucederam-se como da gruta e lago, estrutura de lazer inspirada na dos jardins da Torre Eiffel, Paris; o desaparecido campo de lawn- tennis, depois de futebol de salão, o castelo ou cómodos de criados, o recinto de hóquei em patins, a estufa, etc.

Armando, é hoje um empresário em São Paulo, director da Broadcast Solutions, especializada na consultoria, venda e promoção de vídeos e demais equipamentos na área da comunicação empresarial, um  negócio semelhante ao de um primo estabelecido há anos em Londres.

Depois do Minho, do conhecer in loco a Villa Moraes, o clã luso – brasileiro voltou á capital portuguesa, pois estava agendado um outro encontro com parentes ou primos: bisnetos do fundador do património  familiar em Ponte de Lima, dos irmãos Nuno de Morais, atleta olímpico lusitano na capital inglesa em 1948, e os Moraes Abecassis por casamento da prima e mana, Madalena.

E, curiosidades ou memórias oito mil quilómetros de distância, permitiram que enquanto decorria o encontro familiar em Lisboa, no Sábado passado, também eu participava num outro, similar no Rio de Janeiro! No seu magnífico apartamento na Praia de Ipanema, a parente Chef Teresa Tostes Moraes, apresentou em seu bistrô, um conjunto de culinária tradicional e inovada, brasileira, mercê de suas investigações pessoais e percursos académicos no Rio e Nova Iorque. O cardápio, longo, incluiu mariscos, peixes e carnes, mas o relatório pode motivar outra crónica, até para harmonizar ideias com o nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima. Portanto alô ? para Paulo, João, Egger, Domingos, Morgado, e mais… E, olha Chefinho, uma proposta a juntar ao seu arroz de pato no forno, na versão de servir a ave com abóbora recheada com Creme de laranja, tomilho, farofa de Alho Poró, rabanete e ?

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Villa Moraes, em Ponte de Lima, no início do século XX

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