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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BIÓLOGO NUNO GOMES OLIVEIRA VISITA REDE DE OBSERVATÓRIOS DA NATUREZA EM ESPOSENDE E DEIXA VÁRIOS AVISOS SOBRE AS ESTRUTURAS LOCAIS

A convite da Associação Cidadãos de Esposende, um dos mais prestigiados biólogos nacionais esteve em Esposende para avaliar alguns pontos marcados como de interesse turístico e paisagístico no concelho de Esposende, espaços englobados na Rede de Observatórios da Natureza.

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Nuno Gomes Oliveira é Doutorado em Biologia pela Univ. de Coimbra, licenciado em Biologia pela Univ. de Bordéus e diplomado em Ecologia Humana pela mesma Universidade, foi fundador em 1974, do Núcleo Português de Estudo e Proteção da Vida Selvagem e autor dos projetos Parque Biológico de Gaia, Parque Biológico de Vinhais, Reserva Natural Local do Estuário do Douro é autor de vários livros e centenas de artigos e palestras.

A visita às estruturas teve início no “Observatório de Esposende”, localizado a escassos metros da marginal de Esposende que foi imediatamente catalogado como “uma peça interessante”, mas não como um observatório de aves já que o acesso e posição de observação estão erradas, deixando Nunes de Oliveira a indicação que seria importante investir na ajuda de um ornitólogo experiente que certamente teria obtido resultados muitos melhores.

O segundo local visitado, a “Torre de Observação Panorâmica de Belinho”, uma estrutura com 12 metros de altura, que para Nunes de Oliveira fase ao seu deplorável estado de conservação aconselha à urgente reparação ou desmontagem, sendo ainda alvo de reparo a localização, exatamente do lado oposto ao que seria previsto num observatório.

A última estrutura visitada, “Observatório da Redonda” em Marinhas foi também alvo de reparos, para o Biólogo Nunes de Oliveira é um observatório em que pouco se observa já que esta mal posicionado algo tão primário como a aproximação não foi tida em conta.

Para o prestigiado Biólogo os locais visitados em Esposende são investimentos feitos sem critérios técnicos e condenados à falta de manutenção o que os torna/tornou rapidamente obsoletos, sendo motivo (eles próprios) de degradação da paisagem.

A Associação Cidadãos de Esposende já tem previsto a visita para o próximo mês de mais uma personalidade nacional com o objetivo de analisar a segurança na Ecovia do Litoral Norte.

A PESCA DA SARDINHA NA COSTA PORTUGUESA

Captura da sardinha autorizada a partir de 17 de Maio. A qualidade da sardinha depende em grande medida do começo da nortada

No S. João, a sardinha pinga no pão” – diz o povo imbuído na sua sabedoria empírica. Com efeito, é por esta altura que a sardinha é mais gorda, devendo-se tal facto a circunstâncias de ordem climática e geofísica únicas na costa portuguesa que fazem desta espécie um exemplar único em toda a Península Ibérica.

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Tradição de origens remotas, a sardinha era tradicionalmente pescada por meio da arte xávega, método que consistia numa forma de pesca por cerco. Deixando uma extremidade em terra, as redes são levadas a bordo de uma embarcação que as vai largando e, uma vez terminada esta tarefa, a outra extremidade é trazida para terra. Então, o saco é puxado a partir da praia, outrora recorrendo ao auxílio de juntas de bois, atualmente por meio de tração do guincho ou de tratores. Entretanto, as modernas embarcações de arrasto vieram a ditar a morte da arte xávega e, simultaneamente, a ameaçar a sobrevivência das próprias espécies piscícolas, colocando em causa o rendimento familiar dos próprios pescadores.

A sardinha constitui um das suas principais fontes de rendimento, representando quase metade do peixe, calculado em peso, que passa nas lotas portuguesas. Matosinhos, Sesimbra e Peniche são os principais portos pesqueiros de sardinha em todo o país.

Quando, no início da Primavera, o vento sopra insistentemente de norte durante vários dias, os pescadores adivinham um verão farto na pesca da sardinha, do carapau, da cavala e outras espécies que são pescadas na costa portuguesa. A razão é simples e explica-se de forma científica: esta época do ano é caracterizada por um sistema de altas pressões sobre o oceano Atlântico, vulgo anticiclone dos Açores, o qual se reflete na observância de elevadas temperaturas atmosféricas, humidade reduzida e céu limpo. Verifica-se então uma acentuada descida das massas de ar que resultam no aumento da pressão atmosférica junto à superfície e a origem de ventos anticiclónicos que circulam no sentido dos ponteiros do relógio em torno do centro de alta pressão, afastando os sistemas depressionários. Em virtude da situação geográfica de Portugal continental relativamente ao anticiclone, estes ventos adquirem uma orientação a partir de norte ou noroeste, habitualmente designado por “nortada”.

Sucede que, por ação do vento norte sobre a superfície do mar e ainda do efeito de rotação da Terra, as massas de água superficiais afastam-se para o largo, levando a que simultaneamente se registe um afloramento de águas de camadas mais profundas, mais frias e ricas em nutrientes que, graças à penetração dos raios solares, permite a realização da fotossíntese pelo fito plâncton que constitui a base da cadeia alimentar no meio marinho. Em resultado deste fenómeno, aumentam os cardumes de sardinha e outras espécies levando a um maior número de capturas. E, claro está, o peixe torna-se mais robusto e apetecível.

O mês de Junho, altura em que outrora se celebrava o solstício de Verão e agora se festejam os chamados "Santos Populares" – Santo António, São João e São Pedro – é, por assim dizer, a altura em que a sardinha é mais apreciada e faz as delícias do povo nas animações de rua. Estendida sobre um naco de pão, a sardinha adquire um paladar mais característico, genuinamente à maneira portuguesa.

Por esta altura, muitos são os estrangeiros que nos visitam e, entre eles, os ingleses que possuem a particularidade de a fazerem acompanhar com batata frita, causando frequente estranheza entre nós. Sucede que, o “fish and chips” ou seja, peixe frito com batatas fritas, atualmente bastante popular na Grã-Bretanha, teve a sua origem na culinária portuguesa, tendo sido levado para a Inglaterra e a Holanda pelos judeus portugueses, dando mais tarde origem à tempura que constitui uma das especialidades gastronómicas mais afamadas do Japão.

Fotos: Luís Eiras / http://esposendealtruista.blogspot.pt/

ANIMAIS NO ÁRTICO ALTERAM COMPORTAMENTOS EM RESPOSTA ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Biólogo José Alves da Universidade de Aveiro participa na investigação

Depois de 30 anos a monitorizar os movimentos de animais que habitam a zona polar ártica, cerca de 150 investigadores de mais de 100 instituições, entre os quais o biólogo José Alves, da Universidade de Aveiro (UA), não têm dúvidas: as alterações climáticas que levaram o ártico a entrar num novo estado ecológico, provocaram alterações na dinâmica espácio-temporal dos animais que habitam a região. O artigo foi publicado hoje na revista Science.

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O biólogo José Alves segura um Moleiro-parasítico (Stercorarius parasiticus), ave predadora do ecossistema ártico, marcado no sopé do glaciar Eyjafjallajökull, na Islândia, onde à semelhança de todo o ártico os efeitos do aquecimento global são muito notórios. (Créditos: Verónica Méndez)

 

O trabalho demonstra como aves migradoras alteraram os seus padrões migratórios e várias populações de renas mudaram a sua fenologia reprodutora em resposta às alterações climáticas no ártico. Por outro lado, ursos, alces e lobos não modificaram as suas taxas de deslocação em resposta à precipitação, embora os alces se movimentem mais com as temperaturas mais altas no verão, sugerindo diferenças nestas respostas em diferentes níveis tróficos do ecossistema ártico.

José Alves, investigador no Departamento de Biologia e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), um dos laboratórios Associados da UA, e coautor do artigo, indica que “no ártico, o aquecimento global tem-se manifestado de forma muito notória, pois as temperaturas têm aumentado nos polos de forma mais acentuada do que no resto do globo, um fenómeno denominado por amplificação polar ártica”. O fenómeno, aponta o biólogo, “coloca os animais que habitam esta região na linha da frente dos efeitos das alterações climáticas”.

“A investigação de excelência desenvolvida pelo investigador José Alves no âmbito do estudo com animais que habitam na zona polar ártica foi aceite numa das revistas mais prestigiadas do mundo, a Science”, congratula-se Artur Silva. O Vice-reitor da UA para a Investigação aponta que “este estudo, e outros desenvolvidos pelo Investigador e sua equipa, mostram a relação que existe entre comportamentos e alterações fisiológicas dos referidos animais e as alterações climáticas do planeta”. Por isso, o responsável não tem dúvidas: “O investigador José Alves, um dos bons representantes da comunidade científica da Universidade de Aveiro, contribui com os seus estudos para alertar o Mundo para as consequências do aquecimento global”.

Seguimento cada vez mais detalhado

Desde mamíferos marinhos, como baleias e focas, a aves terrestres, como são exemplo as águias e os passeriformes, passando pelas aves marinhas, como a andorinha-do-mar ou o airo, e mamíferos terrestres, como ursos e renas, até às aves limícolas, como o ostraceiro ou o maçarico-de-bico-direito, todos estes animais têm cada vez mais sido alvos de programas de monitorização remota, com recurso a aparelhos electrónicos de seguimento, como é o caso dos transmissores GPS.

Inicialmente, apenas animais de maior porte tinham capacidade para transportar este tipo de aparelhos, mas a rápida inovação tecnológica das últimas décadas, possibilitou a existência de equipamentos com precisão GPS pesando apenas 1 grama. Esta miniaturização permitiu aos investigadores que se dedicam ao estudo da ecologia destas espécies no árctico, colocar estes aparelhos num número cada vez mais diversificado de espécies (201 e a aumentar) transformando esses indivíduos em autênticos bio-sensores.

Em suma, os cientistas conseguem registar os seus movimentos com muita precisão e quantificar alterações nas suas deslocações, monitorizando estes padrões em grande detalhe. Seguindo alguns indivíduos é, assim, possível perceber como estas espécies respondem (ou não) às alterações que ocorrem nos seus habitats. E os padrões de movimento de todos estes grupos não enganam: o ártico está a mudar, e a forma como estas espécies usam estes habitats também.

Respostas comportamentais nem sempre favoráveis

À primeira vista até pode parecer que estes animais estão a responder a estas alterações no clima, contudo nem sempre estas respostas são suficientes ou se traduzem em resultados favoráveis para estas populações. José Alves, que estuda as aves limícolas na Islândia desde 2006, indica, por exemplo, o caso do ostraceiro, uma ave migradora que tem uma proporção cada vez maior de aves residentes, ou seja, que passam o inverno na Islândia, enquanto as restantes migram para o Reino Unido, Irlanda e continente europeu durante os meses mais frios do ano.

Esta alteração de comportamento não é alheia aos invernos cada vez mais amenos que se têm vindo a fazer sentir no país. Contudo, explica José Alves, “quando há um inverno mais rigoroso, como no ano passado, várias destas aves acabam por morrer! E esse é um preço muito alto a pagar”. Esta alteração no comportamento e movimentos migratórios dos indivíduos desta espécie que se reproduzem na Islândia faz com que esta seja a latitude mais a norte onde passam o inverno.

Existem também alterações na fenologia destas espécies. É o caso, por exemplo, do maçarico-de-bico-direito, que tira partido da antecipação da primavera chegando às zonas de reprodução na Islândia cada vez mais cedo no ano. Contudo, a janela mais larga de temperaturas favoráveis durante esta época do ano tem feito também com que os agricultores expandam a área agrícola, pois têm mais tempo para tirar partido de épocas mais longas para crescimento de feno (uma das poucas culturas viáveis nestas latitudes). Ao perderem habitat natural, os maçaricos colocam cada vez mais os seus ninhos nas zonas agrícolas.

Mas o crescimento rápido destas plantas não permite que haja tempo suficiente para incubar os ovos e fazer com que as crias sejam grandes o suficiente para escapar às máquinas quando se inicia a ceifa. “O tempo de incubação e crescimento das crias é praticamente o mesmo independente da temperatura. Estes ritmos não se alteram muito devido a factores extrínsecos”, explica José Alves. O investigador adianta que “são processos que estão ajustados aos habitats naturais no ártico e sub-ártico, mas desadequados para feno de crescimento rápido plantado nestes habitats artificiais, que se têm expandindo devido às alterações climáticas que aí se fazem sentir”.

Evitar a 6ªvaga de extinção

A concluir, o investigador sugere que, num momento em que se planeia o relançamento da economia na Europa, se promovam esforços para reduzir as emissões de carbono, limitando assim o aquecimento global que se faz sentir de forma muito prevalente no ártico. “É preciso dar tempo a estas espécies de responder às alterações que enfrentam, para que se evite a cada vez mais evidente 6ª vaga de extinção, que é consequência da ação humana”, apela.

Este artigo tem por base uma grande base de dados que permitiu a criação do Arctic Animal Movement Archive – AAMA. Os autores apelam à contribuição de mais investigadores para que essa informação origine novas descobertas.

A equipa de José Alves encontra-se neste momento num período de intensa atividade de monitorização e seguimento de aves limícolas no estuário do Tejo. Muitas destas espécies migram para o ártico e sub-ártico na primavera e a maior e mais importante zona húmida de Portugal para as aves limícolas desempenha um papel fundamental nesta fase do ano, permitindo que estas aves cheguem nas melhores condições aos seus locais de nidificação nessa região.

O conhecimento adquirido pelos investigadores ao longo da rota migratória do Atlântico Leste nas últimas décadas tem sido crucial para a implementação de medidas de conservação para estas aves.

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Bando de ostraceiros em voo em Hvalfjörður na costa oeste da Islândia, uma espécie que têm vindo a alterar os seus comportamentos migratórios com um número cada vez maior de indivíduos a permanecer todo o ano na Islândia, tirando partido dos invernos mais amenos que se tem vindo a fazer sentir nestas latitudes. (Créditos: Sölvi Vignisson)

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Os ostraceiros que invernam na Islândia e que, apesar de invernos amenos serem cada vez mais frequentes, podem em anos mais rigorosos enfrentar vários dias com temperaturas abaixo de zero. A alteração no seu comportamento migrador, passando a residentes na Islândia tem subjacente risco de enfrentar condições de tal forma adversas que nem todos conseguirão persistir. (Créditos: Sölvi Vignisson)

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José Alves desenvolve investigação no ártico e sub-ártico desde 2006, estudando as aves limícolas migradoras que se reproduzem no interface entre a tundra e zonas agrícolas a altas latitudes e que durante o inverno migram para locais mais amenos, nomeadamente os estuários portugueses.

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Macarico-de-bico-direito (Limosa limosa) capturado no seu território de reprodução em Floi í Fridland, que recebeu um transmissor para seguimento detalhado dos seus movimentos. Esta espécie migradora tem adiantado as datas de chegada à Islândia, reproduzindo-se mais cedo em anos mais quentes. (Créditos: Verónica Méndez)

ANIMAIS E PLANTAS OBTIDOS POR PROCESSOS BIOLÓGICOS NÃO PODEM SER PATENTEADOS NA UNIÃO EUROPEIA

Francisco Guerreiro (PAN) celebra decisão que impossibilita patenteação de animais e plantas obtidos através de processos biológicos

Na passada semana, o Instituto Europeu de Patentes (IEP) reconheceu que não é possível patentear plantas e animais obtidos através de processos essencialmente biológicos ao abrigo da Convenção Europeia de Patentes, uma batalha iniciada em 2012 e fortemente reivindicada pelos Verdes/Aliança Livre Europeia (Verdes/ALE).

A decisão do Instituto vem confirmar que não é possível registar plantas ou animais simplesmente encontrados na natureza ou que sejam obtidos através das técnicas de melhoramento ou reprodução clássicas, tais como o cruzamento e seleção (Artigo 53(b) EPC).

O eurodeputado do partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN), Francisco Guerreiro, em linha com a posição dos Verdes/ALE, defende o uso livre de sementes, opondo-se fortemente, à apropriação por meio de patenteação daquilo que são elementos naturais e que não devem ser propriedade de ninguém ou de corporações.

“Para além do facto de ser errado e perigoso privatizarmos aquilo que comemos e, também, outros elementos naturais que nos rodeiam, a patenteação de plantas e animais restringe os direitos dos agricultores. Patentes sobre plantas naturais privam os agricultores dos seus direitos, pois estes ficam impossibilitados de reproduzir as variedades patenteadas e de usar sementes livremente. Em causa está aquilo que chamamos de biopirataria à custa da diversidade biológica. Esperávamos há muito por esta decisão e, agora, aplaudimo-la vigorosamente”, afirmou o eurodeputado Francisco Guerreiro.

Esta batalha de penteação teve início em 2012, quando o IEP concedeu patentes a uma variedade de tomate "enrugado" e brócolos que não foram de forma alguma modificados geneticamente.

Com esta decisão, várias empresas multinacionais e agroquímicas - que já controlam entre 60 a 90% do setor de sementes - puderam patentear plantas comuns, bastando para tal apenas descrever uma característica mínima e particular específica da planta. Isto cedia-lhes direitos sobre todas essas mesmas plantas, levando a que o poder destas empresas sobre o setor alimentar aumentasse ainda mais.

A Diretiva da Comissão Europeia 98/44 estabelece que as plantas e animais obtidos por meio de melhoramento clássico ou apenas presentes na natureza não podem ser patenteados. No entanto, o IEP não é forçado a seguir a legislação da União Europeia por fornecer decisões e pareces independentes, baseados na sua própria interpretação.

Em resposta à decisão de 2012 do IEP, o Parlamento Europeu adotou uma resolução a exigir esclarecimentos sobre o direito de patentes para plantas, à qual a Comissão Europeia respondeu em novembro de 2016 que a legislação Europeia nunca pretendeu ceder patentes a características naturais que são introduzidas através de processos biológicos.

Na sequência do parecer da Comissão, o Conselho de Administração do IEP acabou por alterar a sua política para não conceder patentes nestes casos. No entanto, a Grande Câmara de Recurso do mesmo instituto rejeitou esta decisão a 18 de dezembro de 2018, argumentando que o Conselho de Administração havia ultrapassado os seus poderes e que, portanto, poderiam ser concedidas tais patentes.

“Esta troca e anulação de decisões por parte do IEP denunciam como o processo de tomada de decisão do IEP se baseia numa lógica operacional interna confusa e que necessita de revisão, pois ignorou ao longo destes anos os limites impostos às patentes pelos legisladores da UE e pelos tratados internacionais e convenções, tais como a Convenção de Nagoya e a Convenção sobre Diversidade Biológica”, afirmou ainda Francisco Guerreiro.

De acordo com o comunicado do IEP, "de forma a assegurar a legalidade do processo e de proteger os interesses dos proprietários de patentes e candidatos", a nova interpretação do Artigo 53 (b) EPC não terá efeito retroativo sobre as patentes europeias concedidas antes de 1 de julho de 2017 ou sobre os pedidos de patente europeia pendentes registados antes dessa data.

FAMALICENSES VÃO VER MORCEGOS

“Noite dos Morcegos” no Devesa em Família

Este sábado, 13 de julho, há Devesa em Família, no Parque da Devesa, com uma sessão sobre a importância ecológica e a diversidade de morcegos em Portugal.

A iniciativa é de participação livre, será dirigida pelo biólogo Vasco Flores Cruz e contará com um passeio guiado noturno pelo parque para escutar e identificar as diferentes espécies existentes.

A oficina decorrerá entre as 21h30 e as 23h00, com início nos Serviços Educativos do Parque.

ARCOS DE VALDEVEZ REQUALIFICA ECOSSISTEMAS RIBEIRINHOS

100 mil euros para “Reabilitação e Requalificação dos Ecossistemas Ribeirinhos”

Na sequência dos incêndios ocorridos até ao final de Outubro de 2017, o Município de Arcos de Valdevez, em articulação com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente, encontra-se a executar a empreitada de “Reabilitação e Requalificação dos Ecossistemas Ribeirinhos”, a qual pretende promover a proteção dos recursos hídricos das aéreas afetadas.

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Foi no âmbito deste projeto que foi realizada na freguesia de Cabreiro uma ação de sensibilização e esclarecimento à população onde se encontram a ser realizadas as intervenções, nomeadamente Cabreiro, Sistelo e Loureda, na qual marcaram presença a Câmara Municipal, a APA, a Junta de Freguesia local, a Assembleia de Compartes, a Associação Florestal Atlântica, representante empresa, responsável pela elaboração do projeto e a empresa que se encontra a executar o projeto no terreno.

Nesta ação, a população ficou esclarecida acerca das medidas que serão implementadas no terreno e mais informada sobre como deve proceder naquilo que toca ao corte de árvores junto das linhas de água e formas de consolidar melhor os terrenos, que graças aos incêndios ficaram mais desprotegidos e à mercê da erosão.

Nas linhas de água, com esta empreitada será feito o corte e remoção de material vegetal arbóreo e arbustivo ardido; a remoção de sedimentos e outro material nos leitos e a recuperação da secção de vazão das passagens hidráulicas e pontões.

Ao nível das medidas para minimizar a erosão e o arrastamento dos solos será feita a consolidação e recuperação de taludes e margens; a reposição/reabilitação da galeria ripícola (plantação e/ou sementeira de espécies autóctones); a reabilitação de açudes existentes, com objetivos de correção torrencial e a construção de pequenas obras de correção torrencial.

Naquilo que se refere às medidas para minimizar o efeito das cheias e inundações, será levada a efeito a construção e/ou recuperação de bacias de retenção – escavação e a construção e/ou recuperação de bacias de retenção – dique.

Por último, relativamente às medidas a implementar para assegurar o uso balnear, será promovida a limpeza da zona de banhos e da aérea envolvente e a reabilitação das condições biofísicas de suporte.

ESPOSENDE CRIA TRILHO INTERPRETATIVO NA PRAIA DE S. BARTOLOMEU DO MAR

Criado trilho interpretativo na zona entremarés de S. Bartolomeu do Mar

Está sinalizado o primeiro trilho interpretativo da zona intertidal (ou zona entremarés), implementado na praia de S. Bartolomeu do Mar, no âmbito do projeto Observatório Marinho de Esposende (OMARE) que visa criar um sistema de informação e monitorização da biodiversidade marinha do Parque Natural do Litoral Norte.

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Estes trilhos têm como objetivo promover a literacia sobre as comunidades intertidais presentes no litoral de Esposende, mas permitirão também a todos, ao realizar um passeio de descoberta e lazer, a recolha de dados de vida marinha e a partilha de informação recolhida que poderá ser disponibilizada em OMARE.pt.

Os seres vivos que habitam nestas áreas possuem características que lhes permitem uma rápida adaptação às diferentes condições, uma vez que a zona intertidal fica exposta ao ar, durante a maré baixa, e permanece submersa durante o resto do tempo.

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Assim, esta a zona compreendida entre a preia-mar e a baixa-mar, devido às suas características específicas de submersão e exposição ao ar, permite avaliar e monitorizar alterações ao ambiente sejam elas sazonais ou antropogénicas.

Entre as características das espécies que habitam estas zonas, destaca-se a capacidade de suportar variações de salinidade e de hidratação, uma vez que se encontram submersas durante grande parte do tempo em água salgada, assim como suportam períodos de seca e exposição solar durante a maré baixa.

O objetivo dos trilhos vai além da promoção científica e da sensibilização para as questões de biodiversidade. Os dados recolhidos serão importantes para a monitorização em curso e permitirão, por exemplo, a participação ativa a nível escolar, na fase de deteção de variações qualitativas/quantitativas provocadas por desastres ecológicas ou, a médio/longo prazo, por alterações climáticas, envolvendo a comunidade.

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ESPOSENDE DEFINE MEDIDAS DE DEFESA DA ORLA MARÍTIMA DO LITORAL NORTE

Esposende define medidas de defesa da área marinha do Litoral Norte

Realizou-se hoje, em Esposende, o terceiro encontro promovido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e que visa a elaboração de planos de gestão de habitats naturais, da fauna e da flora selvagens, que incidem sobre sítios de importância comunitária, no caso concreto do Litoral Norte.

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Em relação à área de Esposende, este terceiro encontro reuniu representantes do Município de Esposende e da administração central, assim como representantes da Capitania, de ONG, universidades e associações locais.

“Estes encontros permitem reunir contributos muito valiosos para a definição das medidas de conservação desta área marinha do Litoral Norte. Numa base de diálogo e de troca de ideias, foi possível apontar objetivos precisos de defesa do nosso território”, adiantou a vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, Alexandra Roeger.

Os participantes neste encontro de Esposende fizeram incidir a sua análise sobre a ausência de boas práticas de gestão, nas diversas atividades e usos do espaço e dos recursos marinhos, assim como os conflitos entre interesses económicos e setoriais.

No caso concreto do Litoral Norte e tendo identificadas como atividades mais relevantes as pescas, a atividade balnear e a atividade marítimo-turística, pretende-se elencar medidas que contribuam para a manutenção do ciclo de vida de espécies e para a manutenção do património genético e da biodiversidade.

Será agora elaborado um plano de gestão que preveja a conjugação das questões relacionadas com a compatibilização entre os diferentes interesses setoriais e com a disponibilidade de recursos financeiros.

O plano de gestão das áreas marinhas incide sobre o Litoral Norte, Peniche/Santa Cruz, Sintra/Cascais, Arrábida/Espichel e Costa Sudoeste.

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AQUAMUSEU DO RIO MINHO APRESENTA O "TRITÃO-PALMADO"

‘O Tritão-Palmado’: A história de um anfíbio cada vez mais raro em Portugal

Cumprindo a sua missão de promoção e divulgação do património natural da bacia hidrográfica do rio Minho, o Aquamuseu do rio Minho apresenta, entre 4 de abril e 31 de maio, uma pequena exposição bimestral em painéis intitulada ‘O Tritão-Palmado’.

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Por ser pouco conhecido, o objetivo é dar a conhecer algumas das características gerais, reprodução, habitat e ameaças, deste anfíbio que pode ser encontrado junto das nossas linhas de água e que nos ajuda a combater pragas.

O Tritão-Palmado é uma das espécies de maior distribuição no mundo, mas em Portugal existe em número reduzido. Apesar de não estar ainda muito ameaçado, as rápidas alterações climáticas, a destruição de habitats e a poluição das águas onde habita estão a fazer diminuir rapidamente o número existente.

De realçar que o Tritão-Palmado desempenha um papel importante na natureza, sendo que na Galiza, por exemplo, chamam-lhe ‘limpa fuentes’, porque se sabe que onde esta espécie habita a água é sempre limpa.

JOVEM DE CELORICO DE BASTO É CAMPEÃO EM BIOLOGIA

Aluno do Agrupamento de Escolas de Celorico de Basto vence as Olimpíadas Portuguesas de Biologia

António Francisco da Costa Teixeira, aluno da EB 2,3/S de Celorico de Basto, venceu, categoricamente, a Olimpíadas Portuguesas de Biologia. O aluno recebeu a distinção, no dia 27 de maio, no pavilhão do conhecimento, em Lisboa.

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“Foi uma surpresa para todos, sabíamos que o Francisco estava entre os 10 melhores mas ter ficado em 1º lugar é para nós um orgulho ainda maior” disse o vereador da Educação da Câmara Municipal de Celorico de Basto, Fernando Peixoto, que esteve na entrega de prémios. “É muito importante ver estes resultados, fruto do empenho de toda a comunidade escolar, é um aluno brilhante que tem condições de ensino e de aprendizagem, agora vamos torcer para que tudo corre pelo melhor nas Olimpíadas Internacionais que terão lugar no Reino Unido”, destacou.

António Francisco disse que vencer este prémio foi uma “sensação indescritível, apesar de ter dado o máximo nas provas, o resultado foi um choque, concorri com tantos colegas meus dedicados e talentosos”. O aluno explicou-nos como se preparou para as provas, “nas provas teóricas, onde fui selecionado para a final, os conhecimentos testados eram, em grande parte, relativos ao programa do secundário das disciplinas de Biologia e Geologia (10 e 11 anos) e Biologia (12 ano) que tínhamos de possuir tanto para o exame nacional que realizei no ano passado, como para o dia-a-dia na sala de aula. Para a final foi fundamental o treino que realizei em tempos livres, no laboratório da escola, com a ajuda da professora Isabel, onde desenvolvi um maior à vontade no laboratório”.

Nestas olimpíadas, António Francisco concorreu com mais de 20 mil alunos, de cerca de 600 escolas, tendo arrecadado o 1º lugar nacional. Neste concurso os 4 primeiros classificados irão agora participar nas Olimpíadas Internacionais de Biologia, no Reino Unido, onde estará o António Francisco a representar Portugal e Celorico de Basto. Os classificados do 5º até ao 8º lugar irão marcar presença nas Olimpíadas Ibero-Americanas.

António Francisco tem noção do desafio que terá pela frente,tenho noção que será um desafio dificílimo. Eu irei enfrentar aquilo que de melhor tem o mundo em termos de alunos de biologia. Todavia, tenho a certeza que os meus colegas e eu iremos representar Portugal com a maior dedicação e empenho” realçando que mais importante que o resultado “são os conhecimentos adquiridos e sobretudo, as amizades que fiz e farei e que ficarão para sempre”.

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ALUNOS DE CELORICO DE BASTO SÃO CAMPEÕES EM BIOLOGIA

Aluno de Celorico de Basto entre os 10 primeiros classificados nas Olimpíadas Portuguesas de Biologia

António Francisco da Costa Teixeira, aluno da EB 2,3/S de Celorico de Basto está entre os 10 primeiros classificados nas Olimpíadas Portuguesas de Biologia 2017 tendo concorrido com cerca de 20000 alunos de mais de 600 escolas. O aluno vai receber o prémio amanhã, 27 de maio, sábado, a Lisboa, e foi recebido hoje, nos paços do Concelho de Celorico de Basto, pelo Presidente da Câmara Municipal que quis felicitar, pessoalmente, o aluno pelo excelente resultado obtido neste concurso.

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“Este prémio, que será atribuído ao António Francisco amanhã, é sinal da dedicação, do empenho, do gosto, da entrega a uma matéria tão específica como a biologia. E é para nós um orgulho verificarmos que os nossos jovens estão a ser bem acompanhados com as melhores condições de ensino e aprendizagem, num envolvimento conjunto de toda a comunidade escolar” disse o Presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, Joaquim Mota e Silva. “Sabemos que estás entre os 10 primeiros classificados e isso é por si só um feito extraordinário” disse.

Nestas olimpíadas António Francisco concorreu com mais de 20 mil alunos, de cerca de 600 escolas, tendo sido classificados aos 10 melhores de cada um dos anos em concurso do 9º, 10º, 11º e 12º. O António Francisco frequenta o 12º ano de ensino.

Importa ainda referir que a entrega dos prémios será no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa e será feita pelo presidente da Câmara Municipal ou por um representante do município de onde é oriundo o aluno galardoado.

PÓVOA DE LANHOSO ADERE À SEMANA DA PRIMAVERA BIOLÓGICA

A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso aderiu à Semana da Primavera Biológica, que se realizou de 20 a 26 de março. Esta participação traduziu-se na comemoração do Dia da Árvore e do Dia Mundial da Água.

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A Semana da Primavera Biológica visa desenvolver atividades que constituem exemplos extraordinários de um elevado espírito de cidadania ativa, refletindo o dinamismo de uma sociedade atenta e empenhada em promover hábitos saudáveis.

Assim durante estas comemorações, foram desenvolvidas atividades de hortas verticais com as crianças, foram semeadas variedades biológicas e foram plantadas alfaces. Participaram nesta atividade 30 crianças entre os 4 e 5 anos.

No Dia da Árvore, 21 de março, foi desenvolvida uma atividade de exploração das variedades arbóreas autóctones, dando ênfase ao Carvalho Alvarinho, o exemplar mais velho da Península Ibérica. Participaram nesta atividade 22 jovens da Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso.

As comemorações do Dia Mundial da Água desenvolveram-se em várias datas. Foi desenvolvida uma atividade na EBI do Ave – Taíde, com experiências para melhor conhecermos as propriedades da água e em que participaram cerca de 50 alunos. No Centro de Interpretação do Carvalho de Calvos foram preparadas também atividades, que começaram com o visionamento do filme de animação “A água é um mundo fantástico”, cuja mensagem é perceber o ciclo da água e adotar medidas de redução do consumo de água no nosso quotidiano. Foram ainda desenvolvidas experiências laboratoriais em que participaram cerca de 55 crianças do Centro Escolar D. Elvira Câmara Lopes.

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VIANA DO CASTELO REALIZA WORKSHOP AGRICULTURA BIOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL

Museu das Artes Decorativas

A Agrobio, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, vai estar em Viana do Castelo, no Museu das Artes Decorativas, no próximo dia 5 de Janeiro com o Workshop “Agricultura Biológica e Desenvolvimento Rural Sustentável”. A iniciativa acontece numa parceria com o Município de Viana Castelo que demonstra grande disponibilidade para a divulgação do setor na região.

O Workshop “Agricultura Biológica e o Desenvolvimento Rural Sustentável” acontece no âmbito da Campanha + Bio e tem como propósito levar os participantes a entenderem o caminho para a conversão em Agricultura Biológica, o impacto desta no meioambiente, as possibilidades da política agrária comum para o desenvolvimento de uma ruralidade sustentável e a aprendizagem direta com um produtor Bio em diferente áreas de produção.

A Naturena estará presente para testemunhar a experiência da produção biológica assim como um conceito multidisciplinar que envolve a agricultura biológica e diferentes áreas tais como saúde, turismo, entre outros.   Este Workshop estará em digressão pelo país, em parceria com diferentes municípios e diferentes instituições: Quercus, DRAP, Bolsa de Terras e diferentes produtores. A iniciativa insere-se na Campanha + Bio, cofinanciada pela comissão europeia.

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FEIRA NACIONAL DE AGRICULTURA BIOLÓGICA ABRE AS PORTAS AMANHÃ EM LISBOA

Assinatura de Protocolo com Ecovalia promove Agricultura Biológica Ibérica Terra Sã Lisboa 2016

A Terra Sã Lisboa 2016 – Feira Nacional de Agricultura Biológica começa já este sábado, dia 3 de Dezembro, abrindo as portas às 10h00 e tendo lugar a cerimónia de inauguração pelas 11h00. A inauguração da feira irá contar com o Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Amândio Torres e André Silva do PAN. Após a inauguração será assinado o protocolo entre a Agrobio e a maior associação de Agricultura Biológica de Espanha, a Ecovalia.

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O protocolo que será assinado com a Ecovalia tem por objetivo promover a cooperação e intercâmbio entre as duas instituições, de modo a que possam beneficiar de ações de colaboração nos diferentes âmbitos da Agricultura biológica tais como: atividades nos domínios da formação; cooperação técnica e cientifica; estágios científicos, técnicos e profissionais; cooperação no domínio da politica agrícola comunitária; organização conjunta de eventos de promoção da agricultura biológica/ ecológica ibérica.

A Terra Sã – Feira Nacional de Agricultura biológica terá lugar nos dias 3 e 4 de dezembro no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço. A feira, que acontece desde 1988, tem vindo a crescer desde então, ganhando novas formas em novos espaços. 

O Tema da feira será a Alimentação saudável e sustentável e contará com a presença das maiores marcas de agricultura, alimentação e cosmética biológica do mercado, com as diferentes quintas biológicas do país assim como as principais organizações ambientais de Portugal.

GOVERNO VAI FORMAR TÉCNICOS EM AGRICULTURA BIOLÓGICA

Orçamento de Estado 2017: Governo vai formar técnicos em Agricultura Biológica por proposta do PAN

  • Agricultores que pretendem converter ou proceder a investimentos em Agricultura Biológica têm muitas dificuldades por falta de especialistas
  • Formação de dois técnicos em cada uma das Direções Regionais de Agricultura e Pescas
  • Compromisso com soluções para alguns dos principais problemas do sector nas suas diversas áreas

O Governo está de acordo com o PAN – Pessoas-Animais-Natureza: o Ministério da Agricultura deverá promover a formação em agricultura biológica de, pelo menos, dois técnicos do quadro de cada uma das Direções Regionais de Agricultura e Pescas, numa fase inicial. O PAN acaba assim de ver aprovado pelo governo uma medida que irá ser votada durante a tarde de amanhã (nº155c) e que pretende contribuir para uma Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica até agora inexistente em Portugal.

Esta proposta pretende atenuar um problema do sector, uma vez que os agricultores que pretendem converter ou proceder a investimentos em Agricultura Biológica têm muitas dificuldades junto da entidade de tutela por falta de técnicos com formação em Agricultura Biológica. Os projetos de investimento submetidos aos programas de apoio são muitas vezes subavaliados por falta de conhecimento teórico e de domínio de práticas culturais.

São conhecidos e estão amplamente documentados e estudados os benefícios da agricultura biológica nas mais diversas áreas: na saúde, uma vez que está isenta de produtos químicos de síntese, como adubos, inseticidas, fungicidas ou herbicidas e que não usa antibióticos e outros produtos que aceleram o crescimento dos alimentos; no ambiente, porque evita a contaminação dos solos, dos recursos hídricos e tem um contributo menor para as emissões de gases com efeito de estufa – é mais eficiente que a agricultura convencional e agrotóxica, utilizando 30 a 50% menos energia e libertando menos 30% de Gases com Efeito de Estufa (GEE).

Foi com este enquadramento que o PAN desenvolveu o documento “20 Contributos para uma Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica no início da atual sessão legislativa, que inclui vinte medidas integradas que pretendem contribuir com soluções para alguns dos principais problemas do sector nas suas diversas áreas.

“Procurando acompanhar positivamente a alteração de hábitos alimentares que se assiste na sociedade Portuguesa, acredito que a sensibilidade e vontade política é mais ou menos consensual sobre a necessidade de cooperação em torno de políticas que fortaleçam uma fileira com forte potencial de proporcionar bem-estar social e uma elevada sustentabilidade económica, mas também ambiental”, reforça André Silva, Deputado do PAN.

As negociações com o Governo sobre outras medidas propostas pelo PAN para integrar o Orçamento de Estado estão ainda a decorrer.

FEIRA NACIONAL DE AGRICULTURA BIOLÓGICA REALIZA-SE EM LISBOA

Terra Sã Lisboa 2016 – Feira Nacional de Agricultura Biológica - Alimentação Saudável e Sustentável, 3 e 4 de dezembro, Pátio da Galé 

A Terra Sã – Feira Nacional de Agricultura biológica – está de volta à cidade de Lisboa, mais uma vez em época natalícia e no centro da cidade, tendo lugar nos dias 3 e 4 de dezembro no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço. A feira, que acontece desde 1988, tem vindo a crescer desde então, ganhando novas formas em novos espaços.

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O Tema da feira será a Alimentação saudável e sustentável e contará com a presença das maiores marcas de agricultura, alimentação e cosmética biológica do mercado, com as diferentes quintas biológicas do país assim como as principais organizações ambientais de Portugal. Convidados para a abertura da feira estão o Ministro da Agricultura, das Florestas e Desenvolvimento Rural Luís Capoulas Santos, Duarte Cordeiro, Vice-Presidente da Câmara de Lisboa, Duarte Cordeiro, Hélder Muteia, representante da FAO em Portugal e a madrinha da Agrobio, a atriz Joana Seixas.

Na sexta-feira anterior à feira, dia 2 de Dezembro, nos Paços do Concelho, na Sala do Arquivo, vai ter lugar a Conferência + Bio “O Futuro da Agricultura Biológica”. Esta vai contar com diferentes especialistas na área da economia e da agricultura biológica que desenharão as perspetivas do setor para os próximos tempos. A participação na Conferência + Bio é gratuita.

No fim-de-semana de 3 e 4 de dezembro, a Terra Sã – Feira Nacional de Agricultura Biológica, vai marcar o compasso do centro da cidade de Lisboa, no terreiro do Paço. Do lado de fora, fora o cheiro a Castanhas biológicas assadas vai certamente atrair os visitantes e dentro do espaço glamouroso do Pátio da Galé cheiros, sabores, palestras diversas e workshops vão animar o fim-de-semana + Bio da Capital.

Na Terra Sã terá Show Cookings, Oficinas diversas e no primeiro dia o destaque para a alimentação infantil e para os riscos associados à alimentação convencional. Como é dia de festa, haverá espaço para dançar com a oficina de Danças Europeias com o André Cid Lauret. No segundo dia, em destaque estará a estratégia nacional para a Agricultura Biológica, o solo e a proteção da nossa saúde através da natureza com as oficinas de fitoterapia e farmácia Bio.

Terra Sã – Feira Nacional de Agricultura Biológica – 3 e 4 de dezembro no Pátio da Galé. A entrada é gratuita, graúdos e crianças são bem-vindos.

GUIMARÃES É LABORATÓRIO DA PAISAGEM

Workshop Agricultura Biológica: Desenvolvimento Rural e Sustentável

A Agrobio, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, vai estar em Guimarães, no Laboratório da Paisagem, no próximo dia 9 de Setembro com o Workshop “Agricultura Biológica – Desenvolvimento Rural e Sustentável”.

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A iniciativa acontece numa parceria com o Município de Guimarães cada vez mais focado na sustentabilidade do concelho. O Workshop “Agricultura Biológica e o Desenvolvimento Rural Sustentável” acontece no âmbito da Campanha + Bio e tem como propósito levar os participantes a entenderem o caminho para a conversão em Agricultura Biológica, o impacto desta no meio ambiente, as possibilidades da política agrária comum para o desenvolvimento de uma ruralidade sustentável e a aprendizagem direta com um produtor Bio em diferente áreas de produção.

Este Workshop estará em digressão pelo país, em parceria com diferentes municípios e diferentes instituições: Quercus, DRAP, Bolsa de Terras e diferentes produtores.

A iniciativa insere-se na Campanha + Bio, cofinanciada pela comissão europeia.

PAN PRETENDE AVANÇAR NAS PRIORIDADES E DESAFIOS DA BIOÉTICA EM PORTUGAL

  • Propõe que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida possa integrar um médico veterinário
  • Acompanha a proposta da Associação Portuguesa de Bioética para a criação de um Conselho Nacional de Experimentação Animal
  • Medidas contribuem para a reflexão sobre problemas éticos suscitados pelos progressos científicos e para prossecução dos objetivos da União Europeia

O PAN – Pessoas – Animais – Natureza apresenta hoje duas iniciativas legislativas que pretendem contribuir para o debate acerca dos problemas éticos suscitados pelos progressos científicos nos domínios da biologia, da medicina ou da saúde em geral e das ciências da vida. O primeiro projeto de lei “altera a composição do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida” - CNECV - e propõe que esta entidade, cuja constituição tem vindo a ser progressivamente alargada, por forma a incluir cada vez mais pessoas de reconhecido mérito no domínio das questões da bioética, possa integrar um médico veterinário com vista a permitir novos contributos, essenciais para a prossecução das competências atribuídas ao CNECV.

A medicina veterinária constitui uma das mais importantes matérias de investigação e conhecimento na área da saúde, com grande proximidade aos cidadãos. O papel do médico veterinário é cada vez mais importante na sociedade, existindo um interesse crescente do público pelas questões de bem-estar animal. Ao mesmo tempo, a profissão reveste-se de grandes desafios éticos, estando continuamente em mutação, por consequência da inovação tecnológica.

A etimologia do conceito de Bioética, por si só, justifica a integração destes profissionais, constituída por duas palavras de origem grega: Bios que significa “Vida” e Ethos que significa “Ética”. Originalmente, o termo Bios era aplicado à vida humana e não animal. Posteriormente, generalizou-se e passou a significar a vida como um fenómeno, ou seja, o biológico, como hoje o entendemos: englobando todos os seres vivos, desde a sua expressão mais simples (unicelular) à mais complexa (como se apresenta no homem).

A segunda iniciativa legislativa apresentada pelo PAN acompanha a proposta da Associação Portuguesa de Bioética levada recentemente Assembleia da República para a criação de um Conselho Nacional de Experimentação Animal, que seja um regulador independente dos centros onde se realizam experiências com animais em Portugal.

A investigação científica tem evoluído nas suas várias vertentes e é hoje indiscutível que os animais têm capacidade para sentir e manifestar dor, sofrimento, angústia e dano duradouro. Por conseguinte, e tendo em vista o objetivo de deixar de utilizar definitivamente animais nestes procedimentos científicos, importa até alcançar esta meta melhorar o seu bem-estar, reforçando as normas mínimas relativas à sua proteção de acordo com a evolução mais recente dos conhecimentos científicos. Embora seja indispensável substituir, num futuro próximo, a utilização de animais vivos em procedimentos por outros métodos que não impliquem a sua utilização, a verdade é que atualmente ainda se continua a recorrer a este tipo de experimentação, por motivos que alegadamente se prendem com a proteção da saúde humana e animal.

O Conselho Nacional para a Experimentação Animal será uma entidade reguladora independente, para além das governamentais com poderes nesta matéria que funcionaria junto da Assembleia da República, mas também prestando apoio e resolvendo conflitos éticos junto dos investigadores que nos seus projetos utilizem animais, com total independência e isenção e seria constituído por especialistas de diferentes ramos do conhecimento.

Esta entidade terá competência para certificar que a investigação em animais decorre nos termos da lei e de acordo com as normas éticas universais de proteção do bem-estar animal mas, principalmente, para assegura que estamos a caminhar para o objetivo principal que é o de deixar de utilizar animais neste tipo de procedimentos. Para além disso, o Conselho deve ter como missão estatuária a coordenação dos comités de ética das diferentes instituições de ensino e de investigação que ainda utilizam animais. A acrescer que a criação deste Conselho se afigura essencial na prossecução dos objetivos da União Europeia no que diz respeito a esta matéria, mas principalmente, é fundamental na evolução das consciências e efetiva proteção dos animais.

A PESCA DA SARDINHA NA COSTA PORTUGUESA

A qualidade da sardinha depende em grande medida do começo da nortada

No S. João, a sardinha pinga no pão” – diz o povo imbuído na sua sabedoria empírica. Com efeito, é por esta altura que a sardinha é mais gorda, devendo-se tal facto a circunstâncias de ordem climática e geofísica únicas na costa portuguesa que fazem desta espécie um exemplar único em toda a Península Ibérica.

De origens remotas, a sardinha era tradicionalmente pescada por meio da arte xávega, método que consistia numa forma de pesca por cerco. Deixando uma extremidade em terra, as redes são levadas a bordo de uma embarcação que as vai largando e, uma vez terminada esta tarefa, a outra extremidade é trazida para terra. Então, o saco é puxado a partir da praia, outrora recorrendo ao auxílio de juntas de bois, atualmente por meio de tração do guincho ou de tratores. Entretanto, as modernas embarcações de arrasto vieram a ditar a morte da arte xávega e, simultaneamente, a ameaçar a sobrevivência das próprias espécies piscícolas, colocando em causa o rendimento familiar dos próprios pescadores.

A sardinha constitui um das suas principais fontes de rendimento, representando quase metade do peixe, calculado em peso, que passa nas lotas portuguesas. Matosinhos, Sesimbra e Peniche são os principais portos pesqueiros de sardinha em todo o país.

Quando, no início da Primavera, o vento sopra insistentemente de norte durante vários dias, os pescadores adivinham um verão farto na pesca da sardinha, do carapau, da cavala e outras espécies que são pescadas na costa portuguesa. A razão é simples e explica-se de forma científica: esta época do ano é caracterizada por um sistema de altas pressões sobre o oceano Atlântico, vulgo anticiclone dos Açores, o qual se reflete na observância de elevadas temperaturas atmosféricas, humidade reduzida e céu limpo. Verifica-se então uma acentuada descida das massas de ar que resultam no aumento da pressão atmosférica junto à superfície e a origem de ventos anticiclónicos que circulam no sentido dos ponteiros do relógio em torno do centro de alta pressão, afastando os sistemas depressionários. Em virtude da situação geográfica de Portugal continental relativamente ao anticiclone, estes ventos adquirem uma orientação a partir de norte ou noroeste, habitualmente designado por “nortada”.

Sucede que, por ação do vento norte sobre a superfície do mar e ainda do efeito de rotação da Terra, as massas de água superficiais afastam-se para o largo, levando a que simultaneamente se registe um afloramento de águas de camadas mais profundas, mais frias e ricas em nutrientes que, graças à penetração dos raios solares, permite a realização da fotossíntese pelo fito plâncton que constitui a base da cadeia alimentar no meio marinho. Em resultado deste fenómeno, aumentam os cardumes de sardinha e outras espécies levando a um maior número de capturas. E, claro está, o peixe torna-se mais robusto e apetecível.

O mês de Junho, altura em que outrora se celebrava o solstício de Verão e agora se festejam os chamados "Santos Populares" – Santo António, São João e São Pedro – é, por assim dizer, a altura em que a sardinha é mais apreciada e faz as delícias do povo nas animações de rua. Estendida sobre um naco de pão, a sardinha adquire um paladar mais característico, genuinamente à maneira portuguesa.

Por esta altura, muitos são os estrangeiros que nos visitam e, entre eles, os ingleses que possuem a particularidade de a fazerem acompanhar com batata frita, causando frequente estranheza entre nós. Sucede que, o “fish and chips” ou seja, peixe frito com batatas fritas, atualmente bastante popular na Grã-Bretanha, teve a sua origem na culinária portuguesa, tendo sido levado para a Inglaterra e a Holanda pelos judeus portugueses, dando mais tarde origem à tempura que constitui uma das especialidades gastronómicas mais afamadas do Japão.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com

Fotos: Arquivo Fotográfico da C.M.L.