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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ATAQUE DE CORAÇÃO: RECUPERAÇÃO FEITA EM CASA TEM EXCELENTES RESULTADOS

Investigação com assinatura da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro

Depois da alta hospitalar, o processo de reabilitação cardíaca, incluindo a componente de exercício físico, após um enfarte agudo do miocárdio pode ser feita em casa e com excelentes resultados. As conclusões de uma investigação com participação da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) confirma isso mesmo e corrobora os resultados de vários estudos internacionais. O trabalho quer dar uma resposta domiciliária à maioria dos doentes que depois da alta se afastam dos programas de reabilitação dos centros hospitalares.

Os investigadores Mesquita Bastos e Fernando Ribeiro.jpg

A Sociedade Europeia de Cardiologia, a American Heart Association e o American College of Cardiology, classificam a reabilitação cardíaca (RC) como uma intervenção terapêutica com indicação de classe I (mandatória), fundamentada nos níveis de evidência científica mais elevados.

Mas em Portugal, a percentagem de doentes que participaram nos últimos anos em programas de reabilitação cardíaca de fase III foi de cerca de 4 por cento. A distância entre a residência e os centros hospitalares e a falta de horários e de transportes são algumas das causas apontadas pelos doentes para participarem nos programas.

Por outro lado, a falta de resposta adequada do Sistema Nacional de Saúde na reabilitação cardíaca, a falta de investimento em recursos humanos e materiais e a escassez de centros e a sua localização concentrada nas grandes cidades contribuem decisivamente para a baixa referenciação e adesão aos programas de reabilitação cardíaca.

“Contrariamente ao conceito generalizado de que a reabilitação cardíaca tem de ser feita sob vigilância direta há, nos casos de baixo risco cardiovascular, a possibilidade de efetuar reabilitação supervisionada à distância”, aponta Mesquita Bastos, professor na ESSUA e cardiologista no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, em Aveiro.

“Esta é uma área de forte interesse na ESSUA, na qual temos vários projetos financiados e colaborações a decorrer com elevado impacto social,” refere Fernando Ribeiro, professor na ESSUA e investigador no Instituto de Biomedicina (iBiMED) da UA.

O estudo que envolveu a ESSUA no âmbito do Doutoramento em Ciências e Tecnologia da Saúde de Andreia Noites, onde participaram também o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e a Escola Superior de Saúde do Porto, envolveu um grupo de pessoas em recuperação de um enfarte do miocárdio, que realizou um programa de exercícios, três vezes por semana, em casa, durante oito semanas.

Depois das informações e aconselhamentos ministrados presencialmente pelos investigadores, a atividade física e os sinais vitais dos doentes, com recurso a dispositivos eletrónicos, foram monitorizados continuamente à distância pela equipa de investigação.

Sem desculpas, doentes dizem presente

 Sem os entraves dos quilómetros até aos hospitais centrais ou centros clínicos e a restrição dos horários das sessões, os doentes não só aderiram ao programa de exercício físico e educação para hábitos de vida saudáveis proposto como obtiveram excelentes resultados na melhoria da saúde cardiovascular.

“O estudo permitiu demonstrar que na fase IV de reabilitação cardíaca, o exercício no domicílio melhora a capacidade cardiorrespiratória, a frequência cardíaca no pico de esforço e a de recuperação num grupo de doentes que já tinha parado a fase III de reabilitação cardíaca há 9 meses atrás”, assegura Mesquita Bastos.

Ou seja, aponta o cardiologista, “o estudo demonstrou que um programa de exercício efetuado em casa e supervisionado à distância foi capaz de aumentar a tolerância ao exercício ao fim de apenas 8 semanas”. Um ganho que está, naturalmente, associado a um menor risco de mortalidade e a um melhor prognóstico.

Com as fases III / IV da reabilitação cardíaca a serem realizadas em casa de cada um dos doentes, antevê Mesquita Bastos, “é possível abranger uma maior população, incluindo a que se encontra impedida de o fazer pela distância até aos locais dos programas (hospitais, clinicas) e, desta forma, criar uma rede de reabilitação com todo o suporte tecnológico que hoje existe”.

Por outro lado, os custos para o Sistema Nacional de Saúde, diz o cardiologista, serão proporcionalmente menores. De realçar, alerta o especialista, que este tipo de reabilitação “não substitui a reabilitação feita no internamento [fase I] nem na maioria dos doentes a feita logo após a alta [fase II]”.

INVESTIGAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO: ANTICORPOS DA GEMA DO OVO EM PASTILHAS CONTRA A GRIPE

E se a vacina da gripe fosse substituída por pastilhas efervescentes? A ideia nasceu na Universidade de Aveiro (UA). À base de vitamina C e de uma mão cheia de minerais, o ingrediente secreto das super-pastilhas está nos anticorpos retirados das gemas dos ovos das galinhas. Sem as contraindicações das vacinas que todos os anos têm de ser reformuladas e sem a agulha invasiva, as pastilhas querem revolucionar o combate à gripe. Assim haja financiamento.

Os investigadores Marguerita Rosa, Emanuel Capela e Mariam Kholany .jpg

Os anticorpos IgY – assim se chamam os ingredientes chave das pastilhas efervescentes - são produzidos exclusivamente por aves, estando concentrados nas gemas dos ovos. Proteínas que atuam no sistema imunológico como defensoras do organismo, apontam os investigadores do Departamento de Química (DQ) da UA, é possível manipulá-los de forma a torná-los armas eficazes no combate ao Influenza, o vírus causador da gripe.

A ideia de incorporar os anticorpos IgY em pastilhas efervescentes foi desenvolvida por Marguerita Rosa, Emanuel Capela e Mariam Kholany, estudantes do Doutoramento em Engenharia Química do DQ e do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro da UA.

“Espera-se que estes anticorpos não espoletem reações inflamatórias no sistema imunitário humano, diminuindo passivamente a carga viral da pessoa afetada”, explicam os investigadores que deixam uma garantia: “Uma pastilha por dia é o que desejamos alcançar para manter a proteção ao longo do tempo de maior incidência do vírus da gripe”.

Com a tecnologia e os conhecimentos científicos necessários para acabarem com o Influenza, os jovens investigadores querem criar um produto nutracêutico revolucionário e inovador para combater o vírus da gripe. “A nossa ideia passa por desenvolver pastilhas efervescentes contendo anticorpos da gema do ovo específicos para as proteínas membranares constantes do vírus, e suplementadas com vitamina C e outros minerais para reforçarem o sistema imunitário”, explicam.

“Trata-se de um método passível de ser utilizado por toda a população e não apenas por doentes de risco, tendo a vantagem de ser não-invasivo quando comparado com a vacinação tradicional”, garantem.

O projeto dos estudantes da UA foi mesmo um dos doze finalistas selecionados para apresentação de um pitch no decorrer da V IMFAHE's International Conference 2019 - Innovation Camp, que decorreu em março na Universidade de La Laguna em Tenerife (Ilhas Canárias). No final, venceram o segundo prémio no concurso, arrecadando 2 mil euros para trabalharem na proposta ao longo do próximo ano.

LAMAS VERMELHAS PODEM, AFINAL, DESPOLUIR ÁGUAS TÓXICAS

Investigação da Universidade de Aveiro

Constituem um resíduo industrial altamente nocivo para o ambiente e, consequentemente, para a saúde humana. Chamam-se lamas vermelhas, resultam da produção de alumina, a matéria-prima principal na produção de alumínio, e, ao longo dos últimos anos, têm provocado inúmeros acidentes ambientais. Na Universidade de Aveiro (UA) uma equipa de investigadores conseguiu transformar as perigosas lamas em esferas porosas capazes de limpar metais tóxicos de águas poluídas.

Os investigadores João Labrincha, João Carvalheiras e Rui Novais.jpg

Capa deste mês da Materials Today, uma das mais importantes revistas científicas dedicadas à área dos Materiais, o trabalho é assinado por Rui Novais, João Carvalheiras, Maria Seabra, Robert Pullar e João Labrincha, todos investigadores da UA do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica e da Unidade de Investigação CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro.

Com 3 milímetros de diâmetro, as esferas podem ajudar a reutilizar as ce....jpg

Nesta investigação, e pela primeira vez, explica Rui Novais, “as lamas vermelhas foram utilizadas como precursor para a produção de esferas geopoliméricas altamente porosas utilizando um método simples e sustentável o que pode permitir uma fácil transição para um contexto industrial”.

Estas esferas, com cerca de 3 milímetros de diâmetro, “poderão ser utilizadas em aplicações industriais de elevado valor acrescentado”. Tratamento de águas residuais e produção de biogás, devido à respetiva capacidade adsorvente de metais pesados ou corantes e regulação do pH da água, são algumas das aplicações ambientais em que as perigosas lamas poderão agora ter. “Esta estratégia inovadora poderá permitir a valorização de quantidades significativas de lamas vermelhas, mitigando assim o impacto ambiental associado à produção de alumínio”, congratula-se Rui Novais.

Geradas durante a produção de alumina, que é depois parcialmente transformada em alumínio, a reciclagem ou a reutilização das lamas vermelhas sempre foi uma tarefa problemática já que, por todo o mundo, a indústria já produziu cerca de 4000 milhões de toneladas de lamas vermelhas.

Neste momento, aponta Rui Novais, “apenas cerca de 2,7 por cento da produção anual de lamas vermelhas é reutilizada, o que considerando a sua produção anual, estimada em cerca de 150 milhões de toneladas, levará inevitavelmente a um aumento do total acumulado em cerca de 146 milhões de toneladas por ano”.

Imagem captada no microscópio electrónico onde se pode observar a estrut....jpg

ALEXANDRE SOARES DOS SANTOS RECEBE DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

Dia 27 de março, a partir das 14h30, no Auditório Renato Araújo (Reitoria)

É a cara da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce. Tanto assim é que o empresário, um dos maiores que Portugal alguma vez viu nascer, acaba por vezes a ser referido como o Sr. Jerónimo Martins. Alexandre Soares dos Santos recebe a 27 de março o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Aveiro (UA), uma distinção que homenageia o trabalho que realizou na presidência do Conselho Geral e no Conselho de Curadores da Academia.

Soares dos Santos 1.jpg

Com intervenções do Reitor Paulo Jorge Ferreira, do economista José Pinto dos Santos, padrinho do homenageado, e do próprio Alexandre Soares dos Santos, a cerimónia tem início às 14h30, dia 27 de março, no Auditório da Reitoria.

 “O Sr. Alexandre Soares dos Santos presidiu ao primeiro Conselho Geral da UA [entre 2009 e 2014] e foi nesse contexto que o conheci. A UA tinha optado recentemente pelo estatuto fundacional, tema em que as incógnitas eram muitas e as oportunidades também”, lembra Paulo Jorge Ferreira. Nesses “tempos de grande incerteza”, aponta o Reitor da UA, “a visão e rigor do Sr. Soares dos Santos foram decisivos para inspirar e reunir todos em torno de objetivos comuns”. Por isso, o responsável maior da Academia de Aveiro não tem dúvidas: “Quanto mais agitadas estão as águas, mais importante é o papel do timoneiro. A UA deve-lhe muito”.

Um dos maiores empresários do país

Presidente do Conselho Geral da UA, entre 2009 e 2014, e membro do Conselho de Curadores da Academia, no período de 2016 a 2018, Alexandre Soares dos Santos nasceu no Porto em 1934. Na Cidade Invicta, concretamente no Colégio Almeida Garrett, concluiu os estudos liceais para rumar depois para o curso de Direito da Faculdade de Direito de Lisboa.

Mas quis o destino que o país perdesse um advogado para ganhar um empresário. Após um convite da multinacional Unilever, para iniciar a sua carreira profissional, abandonou o curso em 1957. Nesta empresa passou pelas delegações da Alemanha e Irlanda e depois foi nomeado diretor de marketing da filial no Brasil, função que desempenhou de 1964 a 1968.

Em 1968, regressou a Portugal, e assumiu a liderança da Jerónimo Martins. Alexandre Soares dos Santos passou a exercer diretamente funções no Conselho de Administração do Grupo Jerónimo Martins, como administrador-delegado. Seguiu-se a presidência da Comissão Executiva, missão que acumulou com o de presidente do Conselho de Administração, desde 1996 até 2013. Durante este período desenha uma estratégia de diversificação e inicia uma firme trajetória de crescimento e internacionalização do Grupo e, ao mesmo tempo, reforça e aprofunda a parceria com a Unilever.

Em 2009, criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos que visa estudar os grandes temas nacionais e levá-los ao conhecimento da sociedade. Esta fundação gere o portal "Pordata", Base de Dados do Portugal Contemporâneo, e lançou uma coleção de livros de Ensaio, a preços reduzidos, acessíveis a todos, sobre temas da atualidade. Neste âmbito destacam-se temas como a economia, educação, justiça e política. Para além disso, esta Fundação dinamizou diversas conferências e seminários, com elevado impacto na sociedade.

Em 2017 a Fundação intervém na Fundação Oceano Azul, uma organização que tem como propósito a sustentabilidade dos oceanos, contribuindo para um oceano produtivo e saudável em benefício do planeta.

Uma enorme mais valia para a UA

“O Sr. Alexandre Soares dos Santos, como gosta que o tratem, é um empresário de grande relevo a nível nacional e internacional, mas também um humanista e uma pessoa com grande rigor pessoal”, aponta a Reitoria da UA.

Convidado por Helena Nazaré, em 2009, para integrar o primeiro Conselho Geral da Universidade, Alexandre Soares dos Santos haveria de o presidir até 2014. Olhando para trás, a atual Reitoria lembra de Soares dos Santos “o rigor de empresário e a convicção de que o motor de uma instituição é a força do trabalho e o rigor das contas” e a maneira como introduziu “uma forma distinta e rigorosa de análise do orçamento da Universidade e da elaboração de planos estratégicos e de ação”.

A iniciativa "Exit Talks – Conversas sobre Exportação", que em 2013 congregou na UA empresários, consultores, cientistas e investigadores, artistas e criadores e as jornadas do Caramulo sobre “UA2020 a Universidade que queremos”, onde os gestores da Universidade e um conjunto de individualidades, nacionais e internacionais, discutiram os desafios da Academia do futuro foram algumas das iniciativas que se destacam da passagem de Soares dos Santos pela UA e que o próprio promoveu.

Recorde-se ainda o importante protocolo de cooperação celebrado entre a UA e a Jerónimo Martins com vista a promover a formação de gestores que melhor se adequam ao setor do Retalho e Distribuição, uma parceria que envolve a atribuição de bolsas aos estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda que ingressem no Mestrado em Gestão Comercial com classificação e competências adequadas e a receção nas suas empresas dos alunos da Licenciatura em Comércio, em regime de estágio. Para a história fica também o financiamento pela Jerónimo Martins de uma Cátedra Internacional Convidada.

O papel interventivo de Soares dos Santos, de grande dinamismo e como um agente de mudança, foi mais uma vez notório quando assumiu, entre 2016 e 2018, as funções de Membro do Conselho de Curadores da UA.

DETETOR DE RADIOATIVIDADE DESENVOLVIDO EM PORTUGAL E INSTALADO EM ALMARAZ

Investigação da Universidade de Aveiro

A Universidade de Aveiro (UA) tornou possível medir em tempo real os níveis de radioatividade da água dos rios utilizada pelos sistemas de refrigeração das centrais nucleares. É o caso da central espanhola de Almaraz, que utiliza a água do Tejo para arrefecimento, e onde a UA acaba de instalar o recém desenvolvido detetor de trítio, um elemento radioativo cuja presença na água em elevadas quantidades fará disparar os alarmes.

Os investigadores João Veloso e Carlos Azevedo e o detector de trítio.jpg

Até hoje as análises aos níveis de trítio das águas libertadas no arrefecimento dos reatores nucleares eram realizadas em laboratório, com os tempos de demora, entre a recolha das amostras de água, o envio, a análise e a divulgação dos resultados, a poderem atingir 3 a 4 dias. Agora, com a elevada sensibilidade conseguida com o detetor da UA os níveis de trítio já podem ser acompanhados em tempo real. E se houver um súbito aumento da radiação na água, com a monitorização em tempo real, o alarme é imediato e as medidas de contenção poderão ser rapidamente aplicadas.

Desenvolvido no laboratório do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (I3N) do Departamento de Física da UA, o detetor centra-se no trítio, um material indicador da presença de outras partículas radioativas. Isótopo do hidrogénio, o trítio é produzido na água de arrefecimento dos reatores nucleares quando os neutrões interagem com o núcleo do hidrogénio presente nas moléculas de água.

Selo de garantia da qualidade da água

“A medição de trítio em tempo-real, para além de monitorizar o nível de radioatividade na água que retorna ao rio depois de passar pela central nuclear, pode ser usado como um alerta de eventuais problemas na própria central nuclear”, explica o investigador Carlos Azevedo que, a par com o investigador João Veloso e coordenador do projeto na UA, desenvolveu o detetor.

Foi com este desígnio que o projeto TRITIUM foi aprovado e desenvolvido no âmbito do financiamento obtido através do programa Europeu INTERREG-SUDOE onde, para além da UA, participam a Junta de Extremadura (Espanha), as universidades da Extremadura e de Valência (Espanha) e a Universidade de Bordéus (França).

A norma europeia 2013/51/EURATOM estabelece a concentração máxima de trítio em água para que esta possa ser considerada para consumo humano. “Esta norma europeia obriga a que sejam feitos outros testes de isótopos na água sempre que o trítio atinge um nível elevado, pois geralmente quando há excesso daquele material há também outros radioisótopos”, aponta o investigador.

Instalado na última semana para testes na estação de monitorizarão de Arrocampo, junto à central nuclear de Almaraz, o protótipo já está em funcionamento. Mas o futuro do detetor em tempo real de radioatividade pode passar também por outras centrais nucleares já que este novo dispositivo garante a qualidade da água consumida e o respetivo abastecimento às populações nos limites de radioatividade impostos pela norma Europeia da EURATOM.

O detector de trítio em tempo real já está instalado em Almaraz (1).jpg

ALFACES-DO-MAR REMOVEM METAIS PESADOS DE ÁGUAS CONTAMINADAS

Investigação da Universidade de Aveiro

Na vulgar alface-do-mar pode estar a solução para limpar águas contaminadas pela indústria e pelo consumo doméstico. Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) descobriu que esta alga tem uma grande capacidade para remover elementos potencialmente tóxicos da água, a maior parte deles perigosos para a saúde humana e para o meio ambiente.

Os investigadores Eduarda Pereira, Joana Almeida, Bruno Henriques e Paul... (1).jpg

“A remoção alcançada com a alga que temos testado para remover da água, entre outros elementos, arsénio, mercúrio, cádmio e chumbo, é muito elevada”, congratula-se Bruno Henriques, o investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Química (DQ) da Academia de Aveiro, que garante que, comparativamente a outros materiais, naturais ou sintéticos, usados hoje correntemente para o mesmo efeito, a taxa de sucesso da alface-do-mar “é superior”.

Por isso, o investigador considera que “estas algas são uma alternativa eficiente, pois removem percentagens elevadas de contaminantes num período curto de tempo, a metodologia é económica e mais ecológica do que os métodos ‘clássicos’ para a remoção destes elementos, que são menos eficazes e, muitas vezes, mais caros, o que se traduz em baixo custo-benefício”.

O estudo da UA indica que cada grama de alga consegue remover em simultâneo 120 microgramas de mercúrio, 160 microgramas de cádmio, 980 microgramas de chumbo, 480 microgramas de crómio, 660 microgramas de níquel, 550 microgramas de arsénio, 370 microgramas de cobre e 2000 microgramas de manganês.

Estes elementos químicos, explica o investigador, apesar de se denominarem de ‘clássicos’ continuam a ser atualmente “muito usados por várias indústrias e a sua presença no ambiente causa impactos negativos, tais como toxicidade, observada mesmo para concentrações muito baixas”. Outros problemas associados a estes elementos “estão relacionados com o seu carater persistente no ambiente e facilidade em se bioacumularem nos tecidos dos organismos”.

Algas cultivadas em locais contaminados

O segredo da grande capacidade de ‘limpeza’ pela alga explica-se através da sorção, processo através do qual a alface-do-mar consegue incorporar nos seus tecidos os contaminantes. O rápido crescimento destas algas, congratula-se Bruno Henriques, “contribui para que se consigam remover os contaminantes em cada vez maior quantidade, pois o crescimento da alga aumenta o número de locais de superfície aos quais estes elementos tóxicos se podem ligar”.

Assim, explica o investigador, “as algas poderão ser utilizadas para diminuir a contaminação de locais muito afetados por descargas destes elementos, através da introdução da alga no local a descontaminar se as condições forem adequadas ao seu crescimento ou cultivando algas num outro local e transportando estas para os locais a serem descontaminados”.

Além da remoção dos elementos tóxicos, os investigadores da UA asseguram que as alfaces-do-mar permitem reduzir também o teor de fosfatos e nitratos em águas e ao usarem dióxido de carbono como fonte de carbono, permitem reduzir a pegada de carbono.

O trabalho foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da UA constituída por Bruno Henriques, Ana Teixeira, Paula Figueira, Joana Almeida e Eduarda Pereira (investigadores do DQ, do CESAM, do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro e do Laboratório Central de Análises), e com a cooperação da Universidade do Porto e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Económicas e ecológicas, as alfaces-do-mar conseguem remover da água per... (1).jpg

CANDIDATOS AO PARLAMENTO EUROPEU DEBATEM FUTURO DO TURISMO

Dia 18 de março, das 14h00 às 17h00, na Sala de Atos Académicos da Universidade de Aveiro (Edifício da Reitoria)

Que política Europeia para o Turismo? A pergunta serve de ponto de partida para aquele que será o primeiro debate entre candidatos ao Parlamento Europeu. António Marinho e Pinto (PDR), Cláudia Monteiro de Aguiar (PSD), Manuel Pizarro (PS), Marisa Matias (BE), Miguel Viegas (CDU), Paulo Sande (PA) e Pedro Mota Soares (CDS) encontram-se num frente a frente na Universidade de Aveiro (UA), dia 18 de março, das 14h30 às 17h00, para, em torno do sector do Turismo, apontarem as ideias que querem levar para Bruxelas.

Criar um espaço de discussão em torno daquele que é atualmente um dos sectores mais importantes para a economia e sociedade em Portugal, e para o qual existe ainda muito pouca discussão técnica, científica e política, nomeadamente em termos europeus, é um dos grandes objetivos do debate promovido pelo Departamento de            Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo da UA.

Dar a conhecer e divulgar o Turismo, contribuir para um maior conhecimento do sector em Portugal, melhorar os níveis de transparência sobre as políticas existentes nesta área, contribuir para um maior esclarecimento dos portugueses sobre a política do Turismo e, em particular, sobre as políticas europeias são alguns dos pontos que a organização quer deixar vincados durante o debate.

UNIVERSIDADE DE AVEIRO CRIA CIMENTO "VERDE"

Investigação da Universidade de Aveiro: Eco-cimento produzido com desperdícios de celuloses

É, provavelmente, o cimento mais ecológico do mundo. Na receita, para além de utilizar maioritariamente desperdícios das indústrias de celulose que de outra forma iriam para aterros, a produção do cimento ‘verde’ desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) reduz drasticamente o uso de recursos naturais virgens e pode ser produzido à temperatura ambiente, diminuindo consideravelmente o consumo de energia. O resultado é um eco-cimento para construir um mundo mais sustentável.

Os investigadores Manfredi Saeli e João Labrincha  .jpg

Desenvolvido para ter as mesmas caraterísticas do cimento comum, mais conhecido como cimento Portland e cuja produção é altamente poluente, o eco-cimento desenvolvido no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica (DEMaC) da UA assume-se como uma alternativa aos ligantes tradicionais.

“As nossas argamassas geopoliméricas são uma alternativa válida às produzidas com cimento Portland pois têm propriedades que as tornam adequadas para diversas aplicações na construção”, explica Manfredi Saeli, o investigador que a par de Rui Novais, Paula Seabra e João Labrincha desenvolveu o novo material.

De fato, acrescenta o investigador, “os materiais produzidos são altamente sustentáveis, menos poluentes e a sua produção é rentável”. Além disso, “os geopolímeros endurecem rapidamente, exibem uma matriz estável e uniforme, um desempenho mecânico adequado e uma excelente resistência a produtos químicos e ao envelhecimento. Tudo isso torna essa nova classe de cimentos uma alternativa ao cimento Portland válida e sustentável”.

Desenvolvido com recurso a desperdícios da indústria de celulose, nomeadamente cinzas e grãos de cal que de outra forma iriam parar a aterros e que constituem 70 por cento dos ingredientes do eco-cimento da UA (os outros 30 por cento são metacaulino), este material inovador pode ser usado no lugar dos cimentos tradicionais e com níveis de desempenho idênticos.

Eco-cimento da UA é altamente sustentável, menos poluente e a sua produç... (1) (1).jpg

Eco-cimento da UA é altamente sustentável, menos poluente e a sua produç....jpg

INVESTIGAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO COMBATE COM LUZ INFEÇÕES FATAIS

Investigação da Universidade de Aveiro. Infeções fatais combatidas com luz

Chama-se Staphylococcus aureus, é uma bactéria responsável por várias infeções potencialmente fatais em humanos e, até agora, o seu combate estava dificultado pela resistência que ganhou aos antibióticos, mesmo aos utilizados em último recurso. Afinal, através da terapia fotodinâmica é possível inativar a bactéria. Os recentes avanços realizados na Universidade de Aveiro (UA) trazem uma solução a quem sofre, por exemplo, de abcessos na pele e infeções do trato urinário.

Os investigadores Amparo Faustino, Nuno Moura, Cristina Dias, Adelaide A....jpg

Foliculite, furunculose, impetigo, celulite infeciosa, pneumonia necrosante, osteomielite, endocardite infeciosa, síndrome do choque tóxico e até intoxicação alimentar. A lista das infeções que S. aureus pode provocar é interminável.

Tratada facilmente com vulgares antibióticos até há poucas décadas, as infeções hospitalares e na comunidade causadas por S. aureus multiresistentes a antibióticos aumentaram dramaticamente nos últimos 30 anos, sendo acompanhadas por um aumento de estirpes super-resistentes até mesmo aos antibióticos ditos de última geração. O tratamento é, por isso, difícil, moroso e frequentemente ineficaz.

“Estas estirpes são uma ameaça grave para a saúde pública”, alerta Adelaide Almeida, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia da UA e coordenadora do estudo que pode colocar um travão a esta bactéria. Este estudo resultado trabalho multidisciplinar de uma equipa de cientistas do CESAM e do Grupo de Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares, duas das unidades de investigação da UA.

Terapia fotodinâmica é eficaz

O género Staphylococcus contém pelo menos 49 espécies, várias das quais são altamente importantes clinicamente, para a indústria alimentar, para agricultura e economia. A mais patogénica dessas espécies é S. aureus.

Esta espécie, explica Adelaide Almeida, “está amplamente distribuída no ambiente, pode residir na pele e nas mucosas dos seres humanos e animais”. Nos seres humanos, “as narinas são os principais nichos ecológicos de S. aureus - a transmissão ocorre principalmente através das mãos quando estas tocam superfícies contaminadas embora outros locais, como a pele, a área perineal, a faringe, o trato gastrointestinal, a vagina e as axilas também podem ser colonizadas, podendo também funcionar como focos de transmissão”.

Com sucesso, a equipa de químicos e biólogos da UA constituída por Adelaide Almeida, Amparo Faustino, Maria da Graça Neves, Tatiana Branco, Cristina Dias, Nuno Moura, Cristina Dias, Vânia Jesus, Ana Peixoto e Nádia Valério, testou in vitro e na pele a terapia fotodinâmica, por si só ou combinada com antibióticos, para inativar esta bactéria.

“Os resultados mostraram que a terapia fotodinâmica, usada já vulgarmente para tratar, por exemplo, o acne, é uma abordagem eficaz para controlar a infeção por S. aureus na pele, inativando a bactéria eficazmente após três ciclos sucessivos de tratamento com luz e sem adição de antibióticos entre ciclos, ou após um ciclo usando a ação combinada da terapia com o antibiótico ampicilina”, congratula-se Adelaide Almeida.

“Embora seja bem-sabido que o uso de grandes quantidades de antibióticos na prática clínica é indesejável devido ao aparecimento de estirpes resistentes a antibióticos, pouco esforço tem sido feito para usar a terapia fotodinâmica para potencializar a eficácia antibiótica ou, alternativamente, usar antibióticos para melhorar o efeito desta terapia”, explica a bióloga.

A avaliação deste efeito combinado foi realizada pela equipa da UA em pele de suíno, considerada um bom modelo de teste para a pele humana, devido às semelhanças das suas propriedades histológicas, fisiológicas e imunológicas.

INVESTIGAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO CONCLUI PRÁTICA DE PILATES MELHORA QUALIDADE DE VIDA DE DOENTES CRÓNICOS

Investigação da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro

A prática de Pilates melhora a qualidade de vida de quem sofre de doenças cardiovasculares e respiratórias crónicas, cancro e diabetes. O estudo realizado pela Escola de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) mostra, que mais do que uma moda, esta prática pode ser uma adjuvante à terapia não farmacológica de várias doenças crónicas.

As investigadoras Alda Marques e Sara Souto Miranda (2).jpg

“Com este estudo verificámos que os doentes que praticam Pilates melhoram significativamente a sua qualidade de vida”, explica Sara Souto Miranda. A investigadora do Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória (Lab3R) da ESSUA, que juntamente com Alda Marques assina o trabalho, aponta que os doentes que praticam Pilates saem fortemente beneficiados no que diz respeito à força muscular, à tolerância ao esforço físico e aos próprios sintomas das doenças.

Resultado de uma revisão dos artigos científicos que, por todo o mundo, se têm feito nos últimos anos sobre os benefícios para a saúde da prática de Pilates, o trabalho das investigadoras do Lab3R conclui que, entre as várias doenças crónicas não transmissíveis, é nas cardiovasculares, respiratórias, cancro e diabetes que os efeitos terapêuticos desta prática mais se fazem notar.

Os artigos compilados e estudados pelas investigadoras reportam a prática de Pilates por 491 pessoas com um historial de doenças crónicas (cancro da mama, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica, fibrose quística, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial), durante 8 a 12 semanas, uma a três vezes por semana.

As maiores melhorias, descreve Sara Souto Miranda, “foram reportadas para doentes com patologia cardiovascular crónica, diabetes e cancro da mama” e incidiram ao nível da tolerância ao esforço (capacidade para caminhar mais tempo sem parar), sintomas (fadiga, dor, ansiedade e depressão) e qualidade de vida relacionada com a saúde. No entanto, avisa, “essas melhorias podem ter sido superiores nessas doenças devido à escassez de estudos nas restantes”.

“O Pilates parece ser uma boa intervenção a adotar como estratégia adjuvante, isto é, não tem efeitos superiores a outras intervenções na maior parte dos domínios da saúde, pelo que deve ser praticado em conjunto com outras intervenções que já se demonstraram eficazes, como a reabilitação respiratória, cardíaca ou neurológica”, aponta Sara Souto Miranda. “É uma intervenção promissora para manter as pessoas ativas, mas que tem ainda poucos estudos em algumas doenças, tais como as respiratórias ou cardiovasculares, pelo que será necessário ainda maior investimento de investigação nesta área”, explica.

As investigadoras Alda Marques e Sara Souto Miranda.jpg

INVESTIGAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO: COMUNIDADES INTERMUNICIPAIS CUMPREM APESAR DE AFASTADAS DOS CIDADÃOS

Seis anos depois da aprovação do estatuto das entidades intermunicipais, um estudo da Universidade de Aveiro (UA) sugere que as comunidades intermunicipais “cumpriram amplamente o seu objetivo” de aproximar municípios com vistas à resolução de problemas comuns. No entanto, por concretizar, estão as expectativas das comunidades intermunicipais que há seis anos julgavam quer iriam conseguir mais financiamentos do que aqueles que até agora conseguiram. Às comunidades intermunicipais falta ainda envolver outros atores regionais e cidadãos.

Os investigadores Filipe Teles e Patrícia Silva.jpg

O estudo parte de um inquérito às comunidades intermunicipais do território continental, incluindo as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, nas quais todos os 278 concelhos se encontram representados.

“As associações intermunicipais cumpriram amplamente o objetivo de estimular a aprendizagem mútua entre municípios e de permitir aos municípios obter ganhos de escala, isto é, os municípios passaram a cooperar para resolver problemas que ultrapassam as fronteiras dos municípios individuais”, aponta a investigadora Patrícia Silva, politóloga e investigadora do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) e da Unidade de Investigação Governança, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOOP) da UA.

A autora do trabalho, a par de Filipe Teles e Joana Ferreira, também da UA, diz que “esta capacidade de cooperar – e até a vontade expressa de alargar formas de cooperação intermunicipal a outras arenas – sugere sinais muito positivos”, sobretudo quando se pensa que “o contexto português foi durante muito tempo caracterizado por rivalidades entre os municípios, com escassa vontade de cooperar e que, em larga medida, a pertença às comunidades intermunicipais foi imposta aos municípios”.

Exceções à regra

A única exceção a este cenário parece ser a perceção quanto à capacidade de as associações obterem fundos comunitários. Se, por um lado, descreve Patrícia Silva, “tal pode estar relacionado com as elevadas expectativas (e necessidade!) dos municípios relativamente à diversificação das fontes de financiamento para assegurar os projetos municipais e intermunicipais”, por outro lado “a obtenção de fundos depende muito da capacidade de interação com outros níveis de governação e, naturalmente, das oportunidades de financiamento”. Por isso, sublinha a investigadora, “não se trata de uma dimensão que dependa exclusivamente do compromisso dos municípios para com os projetos intermunicipais”.

A investigação chama ainda a atenção para as questões de legitimidade das comunidades intermunicipais que “é indireta, na medida em que os membros e, naturalmente, o presidente não são escolhidos diretamente pelos cidadãos”. Os eleitores escolhem ‘apenas’ os representantes dos municípios nas Eleições Autárquicas e são estes que estão representados na assembleia intermunicipal e no conselho executivo das Comunidades intermunicipais. Pelo menos parcialmente, aponta Patrícia Silva, “esta questão ajuda a explicar o pouco interesse dos cidadãos relativamente às atividades das Comunidades intermunicipais”.

A única exceção identificada é o caso das empresas da região que “têm revelado maior interesse pelas atividades das comunidades do que revelam pelas atividades dos seus municípios”.

Para além das questões de legitimidade que o estudo refere, “esta incapacidade de envolver outros atores pode limitar a capacidade das comunidades intermunicipais de mobilizar outros recursos e outras competências e capacidades que as regiões têm”. Além disso, “a capacidade de envolver e de obter consensos com outros atores (políticos, empresariais, da academia, etc.) também poderia ser uma forma de evitar a duplicação de funções e, muitas vezes, de estruturas”.

O trabalho do DCSPT da UA procurou analisar a capacidade de governação das comunidades intermunicipais, considerando  cinco dimensões específicas: âmbito de cooperação (motivos para a cooperação e áreas de intervenção); o compromisso dos municípios e o seu contributo para os objetivos da comunidade; a sua arquitetura (em termos de número de funcionários e financiamento), democracia (a forma como as comunidades se relacionam com os cidadãos e com outros atores regionais) e estabilidade (considerando a perceção dos benefícios da cooperação, a capacidade de tomada de decisões e a vontade expressa dos municípios de alargar o âmbito de cooperação a outras áreas).

CREATIVE VILLAGE DINAMIZA GINÁSIO DE IDEIAS EM BRAGA E AVEIRO

O Ginásio de Ideias é promovido pela Associação Famílias, com o apoio da Iniciativa Portugal 2020, com financiamento EU/ FEDER, através do Programa POCI/COMPETE.

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O projeto CREATIVE VILLAGE é composto por sete ações, articuladas entre si, de modo a transformar as regiões NUT II Norte e Centro em Polos produtores de iniciativas com forte aposta no conhecimento e na criatividade, posicionando-se local, regional, nacional e internacionalmente como novas centralidades territoriais.

Aquela ação tem como objetivo apoiar o lançamento de projetos empresariais. Nesse sentido, proporcionar-se-á um suporte especializado aos empreendedores através do apoio a projetos, apoio na elaboração de planos de negócio e ainda na realização de um concurso de ideias/pitch. Pretende-se criar dinâmicas de trabalho, durante um período definido de tempo, com a ajuda de consultores e técnicos especializados ao nível da mentoria e do coaching.  

Na ação Ginásio de Ideias os potenciais empreendedores serão desafiados a apresentar as suas ideias; a trabalhar em equipa no desenvolvimento das melhores ideias; apresentar a evolução das ideias e a apresentar a transformação final da ideia em projeto de negócio.

Os beneficiários desta ação são empreendedores ou potenciais empreendedores com ideias de negócios e/ou vontade de desenvolver as suas capacidades de uma forma intensiva de modo a aportar valor à sua ideia de negócio.

Pretende-se, em suma, responder à necessidade latente do empreendedor em intensificar as suas competências e a testar as suas ideias, num ambiente controlado. Com o apoio técnico contínuo e com a facultade de apreender e de se motivar por via do contacto com outros empreendedores, acreditamos que se alcançarão melhores resultados.

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DOMINGOS CERQUEIRA, MAÇON EM VIANA DO CASTELO, ESCREVEU A BERNARDINO MACHADO SOLICITANDO NOMEAÇÃO COMO INSPETOR ESCOLAR EM COIMBRA

Entre 1910 e 1911, Domingos Cerqueira, membro da Loja Fraternidade de Viana do Castelo, escreveu a Bernardino Machado, em papel timbrado da Sub-Inspecção Escolar de Aveiro, uma carta lembrando anteriores encontros havidos entre ambos no congresso pedagógico do Porto, em outra ocasião em que se encontrava em Coimbra a substituir o Dr. Alves dos Santos, e no congresso maçónico de 1903 em que Domingos Cerqueira representou a Loja Fraternidade de Viana do Castelo. Menciona ter organizado com Barbosa Perre a comissão municipal republicana de Ponte de Lima e ter cooperado no "Intransigente", jornal republicano de Viana.

Na referida carta, Domingos Cerqueira pede a proteção de Bernardino Machado junto do Ministro do Interior, no sentido de ser nomeado para inspetor escolar em Coimbra, lugar que já desempenhara interinamente por indicação do Dr. Alves dos Santos.

Fonte: Fundação Mário Soares

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PINTORA RICARDINA SILVA EXPÕE EM AVEIRO

A pintora Ricardina Silva tem patente na Casa Municipal da Juventude de Aveiro, até ao próximo dia 22 de Fevereiro, uma exposição de pintura subordinada ao tema “Imagination”. A exposição conta com o apoio do BLOGUE DO MINHO e pode ser visitada das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18 h00.

Ricardina Silva expõe obras a óleo, a acrílico e técnica mista, abordando diferentes temáticas numa perspectiva Surrealista e Realista. 

Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Caminha. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

Os seus trabalhos têm percorrido diversas localidades do nosso país onde têm registado grande aceitação, nomeadamente em Ourém e Ponte de Lima onde recentemente estiveram expostos ao público.

A pintora Ricardina Silva tem apresentado os seus trabalhos em diversos concelhos minhotos e um pouco por todo o país.

COURENSES SÃO “PAPEIROS” – MINHOTOS SÃO “PICAMILHO”

- A propósito das rivalidades étnicas

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Existem alcunhas que, não constituindo gentílicos, identificam as gentes oriundas de uma determinada região ou localidade. Elas resultam de uma rivalidade étnica que sempre existiu, as quais por vezes descem aos estreitos limites do lugarejo quando não mesmo do agregado familiar. De resto, a alcunha constitui no meio rural um elemento identificador de um determinado grupo familiar, transmitido de geração em geração.

Porque tinham o hábito de comerem pão de milho, eram os minhotos apelidados de “picamilho” enquanto os tomarenses ficaram conhecidos por “patos-bravos”. Os aveirenses são cagaréus, os do Porto tripeiros e os alentejanos chaparros.

Quando alguém pergunta a um natural de Arcos de Valdevez qual é a sua terra, ele invariavelmente responde:

- Sou dos Arcos, oh!

Aproveitando este jeito peculiar dos arcuenses se exprimirem, os de Ponte da Barca zombam dos seus vizinhos dizendo que são dos “Arcos ó”!

De forma um pouco maldosa, existe também quem identifique os bragançanos – de Bragança – como “bragansuínos” e os de Paredes de Coura como “coirões”…

E, a propósito de Paredes de Coura, o Dr. José Leite de Vasconcelos deixou considerável informação na sua obra “Etnografia Portuguesa”. E, como exemplo da rivalidade étnica que podemos encontrar um pouco por todo o país, citamos precisamente as que aludem aos naturais de Paredes de Coura cujo gentílico se designa por courenses por, numa versão mais arcaica, a região ser denominada de Coyra. Disse o conceituado arqueólogo e etnólogo no volume X da referida obra:

“Às gentes de Coura chamam papas de Coura, porque faziam lá umas papas de farinha de milho e leite que se vendiam nas feiras em cestos (balaios) e se cortavam à navalha, como o manjar branco do Porto. E também a mesma gente se designa de papeiros.

Em S. Paio de Jolda, concelho de Arcos de Valdevez, ouve-se:

O meu amor é de Coira,

É um grande cidadão;

É da raça dos mosquitos,

É de fraca geração.

E também:

- Tu és de Coira.

- Abaixo de Coira, bandalho!

E ainda: Nunca de Braga veio Bom tempo / Nem de Coura bom casamento.”

Paredes de Coura é terra de gente laboriosa e alegre do interior do Alto Minho. Estas rivalidades étnicas devem ser encaradas de uma forma positiva e apenas como elemento de estudo etnográfico. Trata-se de velharias que constituem um testemunho do relacionamento e da proximidade dos povos, com a mesma rivalidade que é frequente observar-se entre os próprios irmãos. E, caso alguém não entenda como tal, façamos como os bracarenses:

- Mandemo-los para baixo de Braga! 

GOMES, Carlos em http://www.folclore-online.com/