Ilídio Alves de Araújo (Celorico de Basto, Rego, 1925 — Celorico de Basto, Rego, 15 de janeiro de 2015), foi um arquiteto paisagista português.
É autor de diversos projetos para quintas, palácios e jardins botânicos em Portugal e parte do seu espólio encontra-se arquivado no Forte de Sacavém, sob responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
Foi, de forma breve, Secretário de Estado do Ordenamento Físico e Ambiente no VI Governo Constitucional.
Publicações
Ilídio Araújo, "Quintas de recreio: (breve introdução ao seu estudo, com especial consideração das que em Portugal foram ordenadas durante o século XVIII)", Braga: [s.n.], 1974 (Braga: Ofic. Gráf. da Livraria Cruz)
Ilídio Araújo, "Arte paisagista e arte dos jardins de Portugal", Lisboa: Ministério das Obras Públicas. Direcção Geral dos Serviços de Urbanização, 1962.
A Casa das Artes de Arcos de Valdevez acolhe, até ao final de outubro, uma exposição dedicada à arquitetura tradicional, resultado da Escola de Verão Ibérica realizada em julho de 2024 no nosso concelho.
Durante duas semanas, cerca de trinta estudantes de várias nacionalidades ficaram alojados no Santuário de Nossa Senhora da Peneda, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, e percorreram diferentes localidades para estudar e documentar exemplos de arquitetura vernacular. Do trabalho desenvolvido nasceram propostas de intervenção inspiradas em modelos tradicionais, agora reunidas numa mostra pública.
No próximo dia 18 de outubro, às 16h00, será apresentado o livro da Escola de Verão, juntamente com os resultados do projeto, num evento que inclui também uma visita guiada à exposição. A iniciativa integra o programa ARQOUT2025 – Mês da Arquitetura, coordenado pela Ordem dos Arquitectos.
A exposição apresenta ainda a série fotográfica Uma Arquitectura de Verdade, do arquiteto António Menéres, que reúne imagens da arquitetura tradicional de Arcos de Valdevez captadas entre a década de 1950 — altura em que participou no Inquérito à Arquitetura Regional Portuguesa — e a de 2010.
A organização é da Fundação Culturas Construtivas Tradicionais, INTBAU Portugal, INTBAU Espanha, Município de Arcos de Valdevez e Fundação Serra Henriques.
IIustração Portuguesa. Lisboa: Empresa do Jornal O Século. N.º 284 (31/07/1911), p. 140. Imagem integrada na reportagem "Como eu visitei as serras do Soajo e da Peneda". Julho de 1911 | Fonte: ANTT
Os espigueiros são construções de arte popular ligadas à cultura do milho
Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural, um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!
Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflete a grandeza da produção que normalmente é efetuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.
Os espigueiros encontram-se, em regra, implantados em zonas onde o terreno é mais elevado de forma a permitir a secagem do milho. Nas imediações, encontra-se a eira que aproveita as características de um solo mais plano e lajeado. É aí que se malha o centeio onde se desfolha o milho, dando lugar às alegres descamisadas que constituíam um pretexto para a escolha do namorico.
A origem deste género de construções encontra-se principalmente ligada à introdução da cultura do milho na Península Ibérica de onde irradiou para o resto do mundo. Outrora designado por “trigo índio”, o milho deverá ter-se originado do México de onde, há cerca de quinhentos anos, foi trazido nas naus de Cristóvão Colombo. Desde tempos imemoriais, o milho constituiu a base da dieta alimentar dos maias, incas e aztecas que o incluíam nos seus ritos ancestrais e o celebraram nas suas manifestações artísticas.
A sua implantação, entre nós, registou-se sobretudo na região do Minho e da Galiza, facto a que certamente não foram alheias as condições favoráveis à sua produção e onde prevalece a cultura de regadio. Com o decorrer do tempo, o cultivo do milho passou a estender-se a outras regiões, nomeadamente no centro do país onde predomina a cultura de sequeiro.
Em relação ao espigueiro, estes apresentam-se das mais variadas formas e dimensões de acordo com as quantidades de grão a armazenar, as regiões onde se encontram e os materiais disponíveis para a sua construção. Em localidades onde a pedra escasseia, os espigueiros são geralmente construídos em madeira. Porém, atendendo à sua predominante distribuição espacial, a maior parte encontra-se construída em pedra e madeira. A sua fisionomia é variada, existindo sob formas retangulares, quadradas e redondas. Contudo, ele apresentou-se inicialmente sob uma forma mais rudimentar, na maioria das vezes feito apenas de caniços com cobertura de colmo, tal como aliás sucedia com as habitações mais humildes. E, as técnicas empregues na sua construção evoluíram à medida que se foi constatando a melhor forma de secar o cereal mantendo-o simultaneamente fora do alcance de elementos indesejáveis.
Constituindo a secagem a sua principal função, o espigueiro é construído de molde a proteger as espigas da humidade, salvaguardando-as da intromissão dos pássaros, insetos e roedores, assegurando ao mesmo tempo o necessário arejamento do seu interior. E, este cuidado é tão importante quanto adverso poderá ser o inverno que se aguarda pouco tempo após a colheita do milho e as suas descamisadas.
Tomando como modelo de referência os existentes no Minho, o espigueiro é geralmente construído em madeira e pedra, quase sempre em granito extraído na região. Encontra-se frequentemente assente em pilares que o elevam do solo, sobre os quais assentam os dinteles que são os esteios que suportam toda a estrutura e onde se encaixam as aduelas. Estas apresentam-se de forma intervalada para permitir, através das fissuras propositadamente deixadas abertas, efetuar-se o arejamento do seu interior. Para prevenir o acesso das formigas, uma pequena fossa com água rodeia as sapatas onde assentam os pilares do espigueiro. De igual modo, os “torna-ratos” protegem-no dos roedores. Regra geral, são cobertos de telha, existindo porém alguns que se apresentam com cobertura de colmo ou em pedra, sendo mais frequentes nestes casos em lousa e piçarra.
Para além dos elementos arquitetónicos que caracterizam o espigueiro, este é frequentemente encimado por algum elemento de adorno, na maioria das vezes uma cruz, pretendendo-se assim abençoar o milho que se irá transformar, tal como o padeiro que, antes de levar o pão ao forno, procede de forma solene a acompanhar a ladainha.
Persistem em diversas localidades hábitos ancestrais que levam à utilização comum dos espigueiros de acordo com costumes e leis comunitárias. Encontram-se neste caso a eira que se aninha junto às muralhas do castelo do Lindoso, em Ponte da Barca, e no Soajo, em Arcos de Valdevez, onde o seu uso se estende ainda a práticas iniciáticas que contemplam o alojamento dos noivos que aí vão dormir juntos antes da celebração do casamento.
Mais do que propriamente meros celeiros onde se guardam as espigas das quais se produzirá o pão que vai à mesa do agricultor, amassado com o suor do seu próprio rosto e benzido com a sua Fé, os espigueiros constituem verdadeiras obras de arte popular que reúnem uma elevada carga simbólica, quais sacrários onde o povo guarda o alimento para o ano inteiro e, como tal, sinalizado com a cruz que o protege e resguarda de toda a maldição. Como tal, devem ser preservados como um dos mais ricos elementos do nosso património cultural de interesse etnográfico.
Espigueiro nos finais do século XIX | Fonte: Vieira, José Augusto. Ilustração: Almeida, João de. O Minho Pittoresco. Livraria António Maria Pereira. 1886
PATRIMÓNIO | Espigueiro Casas Novas situado na freguesia de Rossas
É o maior e por isso mais notável espigueiro existente no concelho. Com cerca de 25 metros de comprimento, tem trinta pés com mós em forma de mesa, excepto um par de pés com duas mós individuais, tudo em granito.
As padieiras, colunas e cápeas são também em granito. Parte dos balaústres são em madeira e outra foi substituída por pequenos tijolos. A cobertura é em telha.
Fontes, L., Roriz, A. Património Arqueológico e Arquitectónico de Vieira do Minho, p. 116
Estes são o tipo de clarabóias característico da nossa região e que nem sempre tem merecido a devida atenção como elemento do património a preservar.
Há muito o que admirar quando se olha para cima
Na vida agitada e apressada com que a maioria das pessoas vive mergulhada no dia a dia, quase não se tem tempo para levantar a cabeça e admirar, por breves instantes que seja, certos detalhes que nos podem passar despercebidos.
Fotos: pelo centro histórico da cidade de Viana do Castelo, 19 julho 2023
Deverá ascender a mais de um milhar a quantidade de coretos espalhados pelas mais diversas cidades, vilas e aldeias do nosso país. Durante muitas décadas, eles constituíram um dos principais locais de atração popular nas praças e jardins públicos, juntando à sua volta o público em tardes amenas de domingo para ouvir e apreciar a atuação das bandas de música.
Com o aparecimento das bandas filarmónicas, sentiu-se a necessidade de se erguer em local público um palanque propositadamente destinado à sua atuação a fim de levarem ao povo o seu reportório, executando magistrais peças musicais e, desse modo, sensibilizando-o para a cultura musical.
O termo coreto provém do grego “khoros”, vertido para o latim “choru” e que significa uma espécie de coro, edificado ao ar livre, propositadamente construído para a realização de concertos musicais. Quais templos dedicados a Apolo, deus romano das artes e da poesia, muitos dos coretos existentes em Portugal constituem autênticas obras de arte que merecem ser preservadas e de novo servir de palco para a atuação das bandas filarmónicas, constituindo aliás essa a razão da sua existência.
Coreto em Ponte de Lima junto à avenida António Feijó
Nome incontornável da arquitetura portuguesa, ligado à modernização de Lisboa no início do século XX, Miguel Ventura Terra nasceu neste dia 14 de julho, no ano de 1866. Entre as suas obras contam-se, por exemplo, os Liceus Pedro Nunes e Camões, a Sinagoga de Lisboa e o Teatro Politeama.
Fonte: EGEAC
«Casa Ventura Terra»
Rua Alexandre Herculano, 57
[Do lado direito a Sinagoga de Lisboa «Shaaré Tikvá» (Portas da Esperança) inaugurada em 1904, projecto do arq. Ventura Terra]
O Prémio Valmor de Arquitectura de 1903 coube a um edifício, a «Casa Ventura Terra», na Rua Alexandre Herculano, 57, do qual Miguel Ventura Terra (1866-1916) foi o arquitecto e proprietário.
Edifício com decoração sóbria, vãos esguios com persianas articuladas de recolha lateral, elementos que o distinguiram dos edifícios da altura.
Destaque ainda para o friso superior de azulejos pintados no estilo Arte Nova.
Mantém a função original, habitação para rendimento.
Data(s): [c. 1903-1904]
Fotógrafo: Joshua Benoliel
Miguel Ventura Terra nasceu em Seixas do Minho, Caminha, a 14 de Julho de 1866. Frequentou o curso de Arquitectura da Academia Portuense de Belas Artes entre 1881 e 1886. Nesse ano, viajou até Paris como pensionista do Estado, na classe de Arquitectura Civil. Na capital francesa estudou na École Nationale et Speciale des Beaux-Arts e no atelier de Victor Laloux. Regressou a Portugal em 1896 e foi nomeado arquitecto da Direcção de Edifícios Públicos e Faróis. Nessa altura, triunfou no concurso para a reconversão do edifício das Cortes na Câmara dos Deputados e Parlamento, em Lisboa.
Foi autor de palacetes, de habitações de rendimento mais qualificadas, essencialmente na capital portuguesa, construções eclécticas, cosmopolitas e utilitárias, mas também de importantes equipamentos urbanos como a primeira creche lisboeta (1901), da Associação de Protecção à primeira Infância; a Maternidade Dr. Alfredo da Costa (1908) e os liceus Camões (1907), Pedro Nunes (1909) e Maria Amália Vaz de Carvalho (1913).
Projectou, igualmente, dois pavilhões da representação portuguesa na Exposição de Paris, de 1900, bem como o pedestal do monumento ao Marechal Saldanha (em Lisboa), com o escultor Tomás Costa (1900); a Basílica de Santa Luzia, de Viana do Castelo (1903); a Sinagoga de Lisboa (Shaaré Tikvá ou Portas da Esperança) inaugurada em 1904 na Rua Alexandre Herculano; o edifício do Banco Totta & Açores, na Rua do Ouro, Lisboa (1906); o Teatro Politeama, Lisboa (1912-1913), representativo da Arte do Ferro; e o Palace Hotel de Vidago.
Alcançou quatro vezes o Prémio Valmor de Arquitectura (1903, 1906, 1909 e 1911) e uma Menção Honrosa, no mesmo concurso (1913).
Também trabalhou na área do urbanismo, nomeadamente com projectos para o parque Eduardo VII (em Lisboa), planos para a zona ribeirinha da capital (1908) e o plano de urbanização do Funchal (1915).
Ventura Terra foi um dos grandes responsáveis pela criação da Sociedade dos Arquitectos Portugueses, em actividade desde 1903, e da qual foi o primeiro presidente. Exerceu o cargo de vogal do Conselho dos Monumentos Nacionais e foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa até 1913. Morreu em Lisboa a 30 de Abril de 1919.
Coreto em Ponte de Lima junto à avenida António Feijó
Deverá ascender a mais de um milhar a quantidade de coretos espalhados pelas mais diversas cidades, vilas e aldeias do nosso país. Durante muitas décadas, eles constituíram um dos principais locais de atração popular nas praças e jardins públicos, juntando à sua volta o público em tardes amenas de domingo para ouvir e apreciar a atuação das bandas de música.
Com o aparecimento das bandas filarmónicas, sentiu-se a necessidade de se erguer em local público um palanque propositadamente destinado à sua atuação a fim de levarem ao povo o seu reportório, executando magistrais peças musicais e, desse modo, sensibilizando-o para a cultura musical.
O termo coreto provém do grego “khoros”, vertido para o latim “choru” e que significa uma espécie de coro, edificado ao ar livre, propositadamente construído para a realização de concertos musicais. Quais templos dedicados a Apolo, deus romano das artes e da poesia, muitos dos coretos existentes em Portugal constituem autênticas obras de arte que merecem ser preservadas e de novo servir de palco para a atuação das bandas filarmónicas, constituindo aliás essa a razão da sua existência.
Melhores alunas dos cursos de Arquitetura e Artes Plásticas da Universidade do Porto
Francisca Marques Figueiredo e Paula Alexandra Dias dos Santos, respetivamente finalistas dos Mestrados e Arquitetura e em Artes Plásticas (especialização em Pintura), no ano letivo 2023/2024, foram as vencedoras da 12.ª edição dos Prémios Viana de Lima Município de Esposende, cuja sessão de entrega decorreu na manhã de ontem, no Fórum Municipal Rodrigues Sampaio, em Esposende.
Os Prémios Viana de Lima, no valor unitário de 2000 euros, foram instituídos no âmbito de um protocolo assinado, em 2010, entre a Câmara Municipal de Esposende e a Universidade do Porto, dando cumprimento à vontade, expressa em testamento, do Arquiteto Alfredo Evangelista Viana de Lima. O protocolo estabelece que o Município de Esposende assume a gestão da Casa das Marinhas, da autoria de Viana de Lima e propriedade da Universidade do Porto, e se compromete a distinguir, anualmente e durante 30 anos, os dois melhores alunos dos cursos de Arquitetura e de Belas Artes.
Desta forma, o Município de Esposende tem vindo, desde 2014, a premiar o mérito e excelência destes alunos, cujo nome fica, assim, associado a Viana de Lima, figura incontornável da arquitetura e da cultura portuguesa. De acordo com o estabelecido, os premiados oferecem uma obra/trabalho da sua autoria para integrar o Fundo Viana de Lima, sendo que, nesta edição, Paula Alexandra Santos (Paula Craft) doou a pintura intitulada “One by One” e Francisca Figueiredo a sua tese de mestrado intitulada “O reviver de uma memória - A reconversão da Casa do Outeiro em Agualonga”.
Notando que “esta distinção tem vindo a afirmar-se como um marco de reconhecimento do talento e da excelência nas áreas da Arquitetura e as Artes Plásticas, celebrando não apenas os percursos individuais dos galardoados, mas também o território que lhe serve de inspiração e base de crescimento”, o Presidente da Câmara Municipal, Guilherme Emílio, felicitou as premiadas, salientando que o seu trabalho se distingue pela qualidade, sensibilidade e impacto cultural.
Agradeceu a presença do Vice-Reitor da Universidade do Porto, Pedro Alves Costa, do Diretor da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, João Pedro Xavier, e da Diretora da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Lúcia Almeida Matos, considerando que “simboliza a ligação virtuosa entre a academia e o poder local, tão necessária para o fortalecimento cultural e a valorização do talento jovem”. Dirigindo-se aos estudantes do concelho presentes formulou votos para que vejam nestes exemplos motivos de inspiração.
A concluir a sua intervenção, o Presidente da Câmara Municipal considerou que estes prémios são um apelo à continuidade da criação, do pensamento crítico e da intervenção cultural”, além de “uma afirmação de que o Minho, e nele Esposende, é terra de gente criativa, capaz e determinada”. Reiterou o compromisso do Município com a cultura, a educação e, acima de tudo, com a valorização das pessoas”.
Em representação do Reitor da Universidade do Porto, o Vice-Reitor, Pedo Alves Costa, afirmou que que este “é um dia de festa, de celebração académica e da academia”. Felicitou as alunas premiadas, e as suas famílias pelo apoio e retaguarda, sublinhando que esta distinção constitui “um extraordinário cartão de visita para o vosso futuro e percurso profissional”, atendendo a que o prémio “transporta e enaltece um legado de um nome essencial da arquitetura e da cultura artística do Séc. XX”
Pedro Alves Costa referiu, ainda, que o prémio “é, não só reconhecimento adicional do percurso académico, mas também um estímulo para que continuem a trilhar o caminho de excelência, combinando a aquisição de conhecimento, a criatividade, o arrojo e a dedicação, que são a chave do sucesso humano em todas as atividades humanas”. Salientou, ainda, o facto de as premiadas ficaram associadas também ao Fundo Viana de Lima, o que constitui “um impulso acrescido e um marco para as vossas carreiras”. Saudou também o Presidente da Câmara Municipal de Esposende por manter e valorizar a parceria com a Universidade do Porto.
A Diretora da Faculdade de Belas Artes, Lúcia Almeida Matos, felicitou as finalistas por este “momento relevante no seu percurso”, expressando a “satisfação, orgulho e gratidão”. Saudou o Município de Esposende pela atribuição dos prémios em reconhecimento do trabalho que se faz na academia, notando que se trata de “um incentivo forte”, e sublinhou o facto de as premiadas verem os seus trabalhos integrar o Fundo Viana de Lima. Com votos de sucesso para as galardoadas, deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos docentes que contribuíram para o seu sucesso académico.
Na mesma linha, o Diretor da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, João Pedro Xavier, felicitou as distinguidas, particularmente a aluna de Arquitetura, e expressou palavras de incentivo e de sucesso a ambas, desejando-lhes “o futuro o mais auspicioso possível”.
Ambas as premiadas agradeceram a distinção, considerando-a um reconhecimento do seu mérito académico e um incentivo para darem continuidade ao seu trabalho artístico e profissional.
A sessão de entrega dos prémios iniciou com um momento musical protagonizado pelo Trio de Guitarras da Escola de Música de Esposende, composto pelos professores João Campos, Pedro Barros e Luís Melo. Houve, ainda, lugar para o visionamento de um excerto do Programa da RTP “Visita guiada” à Casa das Marinhas, uma viagem pela emblemática obra de Viana de Lima, símbolo do modernismo português.
O arquiteto Miguel Ventura Terra foi em 1908 o autor do projeto do edifício destinado ao Teatro-Club de Esposende, inaugurado em 1911.
Neste edifício, entra-se desde 1993 instalado o Museu Municipal de Esposende, o qual foi para o efeito adaptado pelo arquiteto bernardo Ferrão.
Miguel Ventura Terra nasceu em Seixas, no concelho de Caminha, em 14 de julho de 1866, tendo falecido em Lisboa em 1919. Entre as suas inúmeras obras, contam-se a renovação do Palácio de São Bento, a Maternidade Alfredo da Costa, o Teatro Club de Esposende, o Hotel e o Santuário de Santa Luzia em Viana do Castelo, o Hospital de Esposende e o edifício do banco de Portugal, no Porto.
Rua Alexandre Herculano, Lisboa, na varanda do Arq. Miguel Ventura Terra, prédio doado às Belas Artes de Lisboa e Porto para com o seu rendimento pagar bolsas de estudos a alunos talentosos sem possibilidades financeiras, conforme placa gravada no edificio.
Esta foto deve ser de 1904, a Rua Alexandre Herculano ainda tinha este aspeto. A foto pertence á família Terra e o seu autor é António Joaquim Terra, irmão de Miguel Ventura Terra.
Texto: Alda Sarria Terra (Sobrinha-bisneta de Miguel Ventura Terra)
Passam 121 anos desde a data da inauguração em Lisboa da Sinagoga Shaaré-Tikvá, cuja primeira pedra havia sido lançada dois anos antes. O projeto é da autoria do caminhense Miguel Ventura Terra, considerado um dos maiores arquitetos da sua época, tendo-lhe valido o Prémio Valmor de Arquitetura.
O templo encontra-se situado na rua Alexandre Herculano, nº 59, edificado dentro de um quintal muralhado visto que não era então permitida a outras denominações religiosas para além da Igreja Católica, a construção com fachada para a via pública. O terreno para a construção da sinagoga foi adquirido pela comunidade judaica, em nome de particulares, dadas as dificuldades com que então se debatia para obter o reconhecimento oficial. Até então, o culto era exercido em diversas casas de orações que, no entanto, não reuniam as condições necessárias para o efeito.
Miguel Ventura Terra nasceu em Seixas, no concelho de Caminha, em 14 de julho de 1866, tendo falecido em Lisboa em 1919. Entre as suas inúmeras obras, contam-se a renovação do Palácio de São Bento, a Maternidade Alfredo da Costa, o Teatro Club de Esposende, o Hotel e o Santuário de Santa Luzia em Viana do Castelo, o Hospital de Esposende e o edifício do banco de Portugal, no Porto.
O Município de Esposende vai proceder à entrega dos Prémios Viana de Lima Município de Esposende, em sessão a realizar na próxima terça-feira, dia 6 de maio, no Fórum Municipal Rodrigues Sampaio, em Esposende.
Os Prémios Viana de Lima, no valor unitário de 2000 euros, foram instituídos no âmbito de um protocolo assinado, em 2010, entre a Câmara Municipal de Esposende e a Universidade do Porto, dando cumprimento à vontade, expressa em testamento, do Arquiteto Alfredo Evangelista Viana de Lima. O protocolo estabelece que o Município de Esposende assume a gestão da Casa das Marinhas, da autoria de Viana de Lima e propriedade da Universidade do Porto, e se compromete a distinguir, anualmente e durante 30 anos, os dois melhores alunos dos cursos de Arquitetura e de Belas Artes, sendo que findo esse prazo, o imóvel passa a ser propriedade da Câmara Municipal.
Alfredo Evangelista Viana de Lima foi um arquitecto português de grande relevo no panorama da arquitectura portuguesa do século XX.
Ocupa uma posição de destaque na segunda geração arquitectos modernistas portugueses, tal como Keil do Amaral, Arménio Losa ou Januário Godinho. A sua actividade projectual e intervenção cívica foram cruciais para a redefinição do pensamento e da prática arquitectónica nacional no período do pós-guerra.
Nasceu em Esposende a 18 de Agosto de 1913, filho único de Alfredo Viana de Lima, professor primário, e de Joaquina de Campos Evangelista de Lima. Formou-se em arquitetura na Escola de Belas Artes do Porto (1929-41), onde foi colega de Januário Godinho, Agostinho Ricca e Mário Bonito, terminando o curso com uma tese intitulada Uma Biblioteca-Arquivo para o Ensino Universitário e a classificação de 19 valores. É ainda nessa época que conhece Iria Beaudouin, filha de uma família originária do sul de França, com quem viria a casar-se.
Estagiou na Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais do Ministério das Obras Públicas sob a orientação do Arquiteto Rogério de Azevedo (1938-1941).
Realizou viagens de estudo a diversos países – Bélgica, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Jugoslávia, Itália, Suécia, Suíça –, centrando a atenção nas áreas da arquitetura e urbanismo.
Em 1947 foi um dos membros fundadores do grupo ODAM (Organização dos Arquitectos Modernos). No ano seguinte participou ativamente no I Congresso Nacional de Arquitectura, onde apresentou uma comunicação intitulada O problema português da habitação, onde fazia a defesa dos princípios da Carta de Atenas, que reclamava para as edificações (urbanas ou rurais) e para os planos de urbanização dos centros populacionais.
Participou nos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM) em Hoddesdon, Inglaterra (1951), Aix-en-Provence, França (1953), Dubrovnik, Jugoslávia (1956), Otterlo, Holanda (1959). Participou em muitas outras reuniões internacionais, no âmbito do CIAM e não só (Sigtuna, Suécia, 1952; Paris e La Serraz, 1955; Japão, 1959; etc.). Fez várias missões ao Brasil como consultor da UNESCO (1966-77).
Uma das suas obras mais marcantes é a habitação unifamiliar Honório de Lima, no Porto, demolida em 1971 ("um atentado patrimonial da maior gravidade" segundo Pedro Vieira de Almeida), onde se sente já uma deliberada aproximação a Le Corbusier. Radicalmente moderno, este projeto pioneiro de 1939 antecipa outros que o Porto iria conhecer nos anos seguintes. Segundo Carlos Duarte, trata-se de um "projeto-chave, pela sua qualidade e valor moral, que iria influenciar não só os arquitetos do Porto, mas os de todo o país".
Também devedor do exemplo da arquitetura brasileira (nomeadamente de Oscar Niemeyer, que conheceu pessoalmente cerca de 1968 e com quem haveria de se associar para a realização de dois projetos), a arquitetura de Viana de Lima concilia habilmente a invocação de raízes culturais e o exercício virtuosístico de uma linguagem tipicamente modernista, le-Corbusiana, numa síntese em que balanceia "uma modernidade sintática a que aderia e que lhe apetecia explorar" e um "inelutável desejo de recuperação do passado e de legitimação histórica".
Na sua extensa obra nas áreas do planeamento e da arquitetura assinalem-se ainda o plano de urbanização para a cidade de Bragança (início em 1960), o Bloco Habitacional de Costa Cabral, Porto, a Faculdade de Economia da Universidade do Porto, o Hospital Distrital de Bragança ou a sua própria casa em Esposende (Casa das Marinhas).
A partir da década de 1960 Viana de Lima dedicou-se também ao levantamento e recuperação de edifícios históricos e ao planeamento de zonas urbanas antigas.[1]
Em 1961 foi nomeado Assistente da Escola Superior de Belas Artes do Porto, então dirigida por Carlos Ramos, ascendendo ao cargo de Professor em 1974 (pede a demissão em 1981). Já à beira da reforma, entre Fevereiro e Julho de 1983 lecionou na secção de arquitetura da Escola de Belas-Artes de Lisboa; foi nomeado Conselheiro da Universidade Técnica de Lisboa. Ainda na década de 1970 dirigiu seminários em diversas universidades brasileiras (Baía; São Paulo; Recife)
No ano de 1972, Viana de Lima foi consultor da UNESCO em missão no Brasil. Ficou responsável por elaborar um panorama do centro histórico da cidade de São Luís-MA, que resultou no "Rapport et propositions pour la conservation, recuperation et expansion" de São Luís/Maranhão. Neste Relatório, além de sua preocupação com o contexto histórico, o arquiteto apresentou diretrizes e proposições para a expansão orientada da cidade, indicando elementos de planejamento urbano para a capital maranhense, como o Zoneamento.
Participou em diversas exposições, nomeadamente na do grupo ODAM, Ateneu Comercial do Porto, 1951 (onde expôs, entre outros projetos, o da moradia Honório de Lima), e na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, 1961, onde foi agraciado com o Grande Prémio de Arquitetura. Recebeu outras distinções, brasileiras e portuguesas. [3][12]
Faleceu em 1991 e é consensualmente considerado um dos expoentes maiores da arquitetura portuguesa do Século XX.
A 9 de junho de 1993, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Viana do Castelo com pré-candidaturas abertas até 27 de abril ao prémio de arquitetura VIANA PRÁXIS
A Câmara Municipal de Viana do Castelo tem abertas, até 27 de abril, as pré-candidaturas do “VIANA PRÁXIS - Prémio de Arquitetura de Viana do Castelo” nas categorias “Edificado” e “Carreira”.
Considerando os elevados investimentos que a autarquia e entidades privadas têm feito ao longo dos anos no concelho, o município promove o VIANA PRÁXIS como um reconhecimento público e um estímulo para profissionais, cujo trabalho incida sobre o território de Viana do Castelo, visando distinguir as melhores intervenções urbanísticas como valorização do seu património edificado.
À categoria Edificado podem concorrer o proprietário do imóvel, o autor do projeto de arquitetura ou a empresa de construção de obras concluídas nos quatro anos anteriores à atribuição do prémio.
Esta categoria visa premiar obras de criação de novos espaços urbanos de edificações e obras de reabilitação urbana, inseridas em tecido urbano consolidado e circunscrito às Áreas de Reabilitação Urbana de Viana do Castelo legalmente constituídas, desde que se revele importante para a reabilitação urbana da envolvente e se enquadre no conceito de reabilitação urbana consagrado no Regime Jurídico da Reabilitação Urbana como “a forma de intervenção destinada a conferir adequadas características de desempenho e de segurança funcional, estrutural e construtiva a um ou a vários edifícios, às construções funcionalmente adjacentes incorporadas no seu logradouro, bem como às frações eventualmente integradas nesse edifício, ou a conceder-lhes novas aptidões funcionais, determinadas em função das opções de reabilitação urbana prosseguidas, com vista a permitir novos usos ou o mesmo uso com padrões de desempenho mais elevados, podendo compreender uma ou mais operações urbanísticas”.
A categoria Carreira visa distinguir personalidades, que ao longo da sua carreira mais se distinguiram em termos locais e nacionais, nos domínios da salvaguarda e valorização do património, resultando das suas atividades um claro benefício para o concelho de Viana do Castelo. Este prémio será atribuído a uma personalidade, eleita por nomeação direta dos membros do júri.
O Prédio Edificado atribui 5.000 euros ao autor do projeto, sendo o proprietário da obra premiado com um troféu com menção do prémio e o promotor com um diploma oficial. Já o Prémio Carreira recebe um diploma oficial.
Para a edição deste ano, as pré-candidaturas para a categoria “Edificado” estão abertas até dia 27 de abril. De 28 de abril a 2 de maio, acontece a apreciação, seleção e comunicação aos proponentes da aceitação das pré-candidaturas. As candidaturas são formalizadas de 5 a 16 de maio, com pedidos de esclarecimento através do e-mail vianapraxis@cm-viana-castelo.pt de 19 a 23 de maio. As candidaturas serão posteriormente analisadas e apreciadas, estando determinada para 12 de junho a data da cerimónia de entrega de prémios e exposição dos trabalhos.
Todas as informações e regulamento deverão ser consultadas em:
A prestigiada revista italiana de arquitetura e design, “Domus” destaca o Mercado Municipal de Caminha.
A revista descreve o equipamento como “um monumento acolhedor” e um “centro de energias urbanas vivas”.
Explica a revista que, “Em todo o mundo, os mercados são locais não apenas de intercâmbio comercial, mas também de encontros e relacionamentos, em torno dos quais muitas vezes se desenrolam dinâmicas urbanas vivas. Em Caminha, no norte de Portugal, esta dinâmica foi comprometida pelo facto de o antigo mercado ser um edifício degradado e obsoleto, completamente desligado do seu contexto.
A intervenção do Loftspace e Tiago Sousa enquadra-se na área do antigo mercado, demolido para dar lugar a um novo edifício, com o objetivo de reconfigurar o mercado como um espaço público vibrante e atrativo, em constante diálogo com a cidade”.
Recorde-se que o Mercado Municipal de Caminha foi também nomeado para “Projeto Público do Ano” na categoria “Arquitetura” dos prémios do jornal CONSTRUIR.
Os Prémios CONSTRUIR foram criados com o objetivo de “homenagear e celebrar o esforço e talento de empresas e profissionais dos diversos sectores da Construção. As nomeações são realizadas pela equipa do jornal CONSTRUIR, com a análise de critérios que passam pelo mérito, técnica, funcionalidade e inovação”.
O novo Mercado Municipal de Caminha foi inaugurado há pouco mais de um ano, a 18 de agosto. Trata-se talvez da obra mais ansiada de sempre na Vila de Caminha, um equipamento aguardado pela população há mais de quatro décadas, prometido inconsequentemente por diversas vezes, e que veio substituir um mercado que “nasceu” como provisório, mas que assim se manteve larguíssimos anos, sem condições. A obra de edificação do novo Mercado Municipal de Caminha implicou um investimento de cerca de 600 mil euros.