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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PRÉMIO REABILITA BRAGA É “MAIS-VALIA” PARA A GLOBALIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO

Projectos “Parque da Boavista” e “Casa das Gelosias” distinguidos

O “Parque da Boavista”, em Palmeira, foi distinguido hoje, dia 9 de Maio, com o Prémio Municipal de Reabilitação Urbana na categoria de edificação – obra de restauro e de reabilitação. Na categoria de nova edificação o prémio foi atribuído ao projecto “Casa das Gelosias – Uma interpretação do Tradicional”.

Parque da Boavista

A cerimónia de entrega do Prémio Reabilita Braga, com o apoio da revista ‘Vida Imobiliária’, decorreu hoje, dia 9 de Maio, na Colunata de Eventos, no Bom Jesus. A distinção dá destaque a projectos de qualidade arquitectónica, integração urbanística e paisagística que representem uma mais-valia para a preservação e valorização do património arquitectónico do Concelho.

Segundo Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, o prémio é um instrumento importante para estimular e divulgar ´boas práticas de intervenção´. “Com este prémio assumimos o desafio de reconhecer publicamente o trabalho de quem contribui para a reabilitação da Cidade”, referiu, lembrando o ´período auspicioso´ do ponto de vista da reabilitação urbana que Braga tem vivido.

Na categoria de edificação o júri atribui prémios no valor de 10.000 euros, para a subcategoria reabilitação e restauro, e de 5.000, no caso da subcategoria nova edificação.

No que se refere à categoria de investigação, o júri do Prémio Reabilita Braga decidiu não atribuir a distinção de modo a poder, numa futura edição, satisfazer os requisitos regulamentares e a finalidade do concurso, salvaguardando a oportunidade de os concorrentes voltarem a apresentar-se.

Prémio distingue boas práticas de reabilitação

O projecto ´Parque da Boavista´ consistiu no processo de reabilitação de um edifício construído nos princípios do século XX, distinguindo as boas práticas de reabilitação urbana seguidas, sobretudo a capacidade de manutenção da identidade da casa, dada a sua grande qualidade de construção e o seu enquadramento histórico, e a adequação da nova ocupação da casa ao espaço pré-existente. O promotor/dono de obra é Jorge Filipe da Maia Oliveira Ferreira, o arquitecto Maria Teresa Linhares Carrilho da Maia Ferreira e o construtor a empresa AOF - Augusto Oliveira Lda.

Já a “Casa das Gelosias – Uma interpretação do Tradicional” é uma moradia unifamiliar situada na Rua do Burgo, S. Vicente. O ponto de partida da intervenção foi uma parcela com uma área de 122m2 em estado de ruína, existindo apenas a fachada principal e paredes meeiras.

A proposta de reconstrução integrou a fachada pré-existente e apropriou-se do espaço deixado disponível. O novo alçado integra um sistema de “gelosias”, herança construtiva da arquitectura vernacular existente em Braga entre o séc. XVII/XVIII. Os promotores / Donos de Obra são Carlos Campos e Dalila Campos, a arquitecta Marta Campos e o construtor a empresa Norte Magnético - Reabilitação e Investimentos Imobiliários, Lda.

Casa das Gelosias

CELORICO DE BASTO HOMENAGEIA ILÍDIO ARAÚJO

Celorico de Basto apresenta a exposição “Verdadeiro e Inspirado Mestre” em homenagem a Ilídio Araújo

Está patente desde ontem, 7 de março, no Centro Cultural Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, a exposição em homenagem ao arquiteto paisagista, Ilídio Araújo, intitulada “Verdadeiro e Inspirado Mestre”.

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Um dos primeiros arquitetos paisagistas portugueses que considerou os jardins e Camélias “criações artísticas de carácter popular… e de rara beleza”.

Durante o mês de março todos os visitantes do Centro cultural poderão conhecer melhor o Celoricense Ilídio Araújo, “um filho da terra”, natural da freguesia do rego, com um percurso profissional exemplar.

 “Esta é uma forma de recordar o homem, o celoricense, com um notável percurso profissional que nos orgulha enquanto filho da terra. Um homem que desenhou esplendorosos jardins espalhos por este país fora, com uma particular admiração pelos jardins de camélias” disse Joaquim Mota e Silva, Presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, na abertura da exposição. “Dia 24 daremos o nome de “Jardim Ilídio Alves de Araújo” aos jardins de Camélias da Casa do Prado, pelas criações artísticas que ele tanto admirava. Hoje, iniciamos a homenagem a um homem preocupado com a terra que o viu nascer, onde se destaca a criação do jornal “Ecos da Montanha”. Uma personalidade com um percurso de vida notável que homenageamos agora na Festa das Camélias, um certame que contou com a sua participação ativa nas inúmeras tertúlias desenvolvidas, tal o gosto que tinha pelos jardins de camélias” concluiu.

A história e o percurso de vida de Ilídio Araújo está, agora, em exposição tendo a mesma sido apresentada, a todos os presentes, pelo Diretor de Departamento da Câmara Municipal de Celorico de Basto, António José Peixoto Lima, amigo próximo de Ilídio Araújo. 

 O Arquiteto Paisagista e Engenheiro Agrónomo desenvolveu atividades em vários serviços públicos como na Direção Geral de Serviços Agrícolas, na Direção Geral de Serviços de Urbanismo, na Comissão de Planeamento da Região Norte, na Direção Regional de Agricultura entre o Douro e Minho, foi Secretário de Estado do Ordenamento Físico e do Ambiente entre outros. Integrou a Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos e é autor de mais de 100 publicações com referência para a obra editada pelo Centro de Estudos de Urbanismo em 1962 intitulada “Arte Paisagística e arte dos Jardins em Portugal”. Destaque também para o jornal “Ecos da Montanha”, um jornal histórico fundado pelo Arquiteto, que realça o interesse pela terra Natal.

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FAMALICÃO REABILITA MERCADO MUNICIPAL

Câmara apresenta projeto de arquitetura para o Mercado de Famalicão e Teatro Narciso Ferreira de Riba de Ave

A reabilitação do Mercado Municipal de Vila Nova de Famalicão vai avançar para concurso público o mesmo acontecendo com a reabilitação do Teatro Narciso Ferreira de Riba de Ave. O executivo municipal liderado por Paulo Cunha apresenta na próxima reunião de Câmara, agendada para esta quinta-feira, 8 de janeiro, pelas 10h00, as propostas para autorização dos respetivos procedimentos concursais.

CASA DAS MARINHAS ENTRE AS CASAS-MUSEU ICÓNICAS DO MUNDO

A “Casa das Marinhas” já está em destaque no site internacional Iconic House, onde estão referenciados os maiores ícones da arquitetura mundial. Em Portugal, apenas a Casa das Marinhas e Serralves integram a lista de Casas Icónicas do Mundo. Para integrar esse restrito naipe, a casa tem de ser reconhecida pela sua importância no desenvolvimento da arquitetura moderna do século XX. Pode ser vista em: http://www.iconichouses.org/.

casa das marinhas, de Viana de Lima

O crescente interesse e a curiosidade do grande público pelo valor da arquitetura mundial, emergiram neste site -Iconic House- orientado pela arquiteta holandesa, Natasha Drable, onde passa agora a figurar a Casa das Marinhas, a par das mais prestigiadas casas mundiais e das quais se destacam: Villa modernista de Savoy de Le Corbusier, em França; Villa Mariea de Alvar Aalto, na Finlândia, casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, nos Estados Unidos; Farnsworth House de Mies van der Rhoe, também nos Estados Unidos; Casa das Canoas de Óscar Niemeyer ou a Casa de Vidro de Lina Bo Bordi, em São Paulo, Brasil, entre muitas outras.

Constituída, em 2012, por um grupo de casas/museu modernas, a rede Iconic Houses tem como objetivo estabelecer uma plataforma para discussão profissional: compartilhar as melhores práticas, mas também incentivarem-se mutuamente no desenvolvimento de novas atividades, relevando o potencial conjunto e mostrando 150 casas icónicas abertas ao público.

A Iconic Houses Network reúne profissionais e sites de todo o mundo, num fórum profissional que incentiva a partilha de informações e práticas recomendadas, bem como a criação de novas e frutuosas parcerias entre organizações, independentemente da sua grandeza.

As casas da autoria de arquitetos do século XX formam, no Iconic Houses, uma categoria única, na exposição pública através da internet.

Constituído por edifícios localizados em todo o mundo, Iconic Houses pretende aprofundar a pesquisa e a cooperação com universidades e equipas de especialistas, debater questões de restauro em geral, formação de públicos, cuidar das coleções e estratégias de exibição, assim como a definição de programas de exposições temporárias e outros assuntos de interesse mútuo.

Apenas casas desenhadas por arquitetos que desempenharam um papel influente no desenvolvimento da arquitetura do século XX podem integrar a listagem, devendo para tal ser suportado em publicações académicas.

A Casa das Marinhas é um edifício que se encontra classificado como Monumento de Interesse Público, desde 2012, e está registada na Fundação Docomomo Ibérica, organismo internacional que preserva edifícios icónicos da arquitetura modernista. A casa está aberta à fruição pública, mediante marcação prévia. É possível efetuar uma vista orientada mediante marcação prévia através do e-mail: casa.marinhas@cm-esposende.pt ou dos telefones 253 960 179 /253 960 100.

A Câmara Municipal de Esposende passa, também, a dispor online de um link (https://drive.google.com/a/esg.pt/open?id=1i2bm6_ThB6GjtvXgi3jaEAEvU_c&usp=sharing), onde é possível encontrar uma grande parte da obra do Arquiteto Viana de Lima espalhada pelo Mundo e alguns dos percursos mais significativos da sua obra, nomeadamente a passagem pelos Congressos Internacionais da Arquitetura Modernista, entre 1950 e 1959 e a passagem pelo Brasil como consultor da salvaguarda do património da UNESCO entre os anos 60/80 do século passado.

FAFE ACOLHE COLÓQUIO INTERNACIONAL SOBRE ARQUITECTURA DE INTERIORES DA CASA SENHORIAL

V Colóquio Internacional “A Casa Senhorial: anatomia dos interiores” tem lugar em Fafe de 6 a 8 de Junho de 2018

A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), o Museu das Migrações e das Comunidades /Câmara Municipal de Fafe e a Universidade Nova de Lisboa (Portugal), com o apoio do Grupo de Pesquisa "Casas Senhoriais e seus Interiores: estudos luso-brasileiros em arte, memória e património", promovem, de 6 a 8 de junho de 2018, o V Colóquio Internacional "A Casa Senhorial: anatomia dos interiores". O colóquio terá na Sala Manoel de Oliveira, em Fafe.

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Trata-se de uma reunião científica de investigadores, aberta à participação de estudiosos de todo mundo, para compartilhar e confrontar resultados de estudos acerca das casas senhoriais, desde o século XVII ao início do XX, com foco em quatro linhas de investigação:

  1. Proprietários, construtores e artífices. Vivências e rituais;
  2. Identificação das estruturas e dos programas distributivos e o estudo de nomenclaturas funcionais e simbólicas de cada espaço;

III. A ornamentação fixa: azulejos, tetos, talhas, pinturas, estuques, têxteis, pavimentos, chaminés/lareiras, janelas, portas, pára-ventos e outros bens integrados;

  1. O equipamento móvel nas suas funções específicas e suas relações com o espaço; o conjunto e as circulações das peças; a atmosfera do lugar.

:: Comité organizador:

Profª. Dra. Ana Pessoa (PPGMA/FCRB)

Mestre Artur Coimbra, Museu das Migrações e das Comunidades/Câmara Municipal de Fafe

Profª. Dra. Isabel Mendonça (Instituto de História da Arte/UNL)

:: Comité científico:

  1. Prof. Dr. José Belmont Pessoa (Programa de Pós-Graduação da Escola de Arquitetura e Urbanismo/UFF)
  2. Prof. Dr. Nelson Porto (PPGAU/Ufes)
  3. Profa. Dra. Ana Lúcia Vieira dos Santos (Escola de Arquitetura e Urbanismo/UFF)

(II) Prof. Dr. Helder Carita (Instituto de História da Arte/UNL)

  • Prof. Dr. Carlos Alberto d´Avila Santos (Centro de Artes /UFPel)

(III) Prof. Dr. Aldrin Moura de Figueiredo (Faculdade de Arquitetura/UFPa)

(IV) Profa. Dra. Marize Malta (Escola de Belas Artes/UFRJ)

(IV) Prof. Dr. Gonçalo de Vasconcelos e Sousa (CITAR-Escola de Arte/UCP)

:: Cronograma:

Envio de resumo das propostas de comunicação: até 30 de novembro de 2017

Resultado de submissão da proposta de comunicação: até 15 de dezembro de 2017

Divulgação da programação: 22 de dezembro de 2017

Realização do evento – 6 a 8 de junho de 2018

:: Inscrições:

Propostas de Comunicação: A ficha de inscrição e os resumos deverão ser enviados até o dia 30 de novembro de 2017 para o e-mail:casasenhorialfafe@gmail.com.

ESPOSENDE COMEMORA DIA MUNDIAL DA ARQUITECTURA DURANTE TODO O MÊS DE OUTUBRO

Mês da Arquitetura levou 140 visitantes à Casa das Marinhas

As comemorações do Dia Mundial da Arquitetura prolongaram-se, em Esposende, por todo o mês de outubro, com ações que pretenderam dar a conhecer, local e internacionalmente, a Casa das Marinhas e o Roteiro Modernista.

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O Município de Esposende associou-se ao Dia Mundial da Arquitetura, promovendo, durante todo o mês de outubro, uma extensão de celebrações, com a iniciativa “à descoberta da casa” e a realização do “roteiro modernista”.

“À descoberta da casa” consistiu numa visita orientada à “Casa das Marinhas”, durante a qual os participantes foram desafiados a explorar a Casa, num formato peddypaper. Destinado a um público que abrange a comunidade educativa escolar, desde a Educação do Pré-escolar ao Ensino Secundário, o evento que teve a adesão do Agrupamento da de Escolas Correia de Oliveira António Rodrigues Sampaio, nomeadamente da Escola Básica de Guilheta, do Jardim de Infância de Góios e ainda o Agrupamento de Escolas ARS –  dos alunos do 9º ano, da Escola Básica das Marinhas.

A Casa das Marinhas é um edifício que se encontra classificado como Monumento de Interesse Público, desde 2012, e está registada na Fundação Docomomo Ibérica, organismo internacional que preserva edifícios icónicos da arquitetura modernista. A casa está aberta à fruição pública, mediante marcação prévia.

Para a comunidade em geral, o Município de Esposende dispõe ainda o “Roteiro Modernista”, levando os visitantes por uma viagem até alguns exemplares arquitetónicos do concelho de Esposende, construídos entre os anos 40 e 70 do século XX, da autoria de engenheiros e arquitetos de renome nacional e internacional. É possível efetuar uma vista orientada ao “Roteiro Modernista” mediante marcação prévia através do e-mail casa.marinhas@cm-esposende.pt ou dos telefones 253 960 179 / 253 960 100.

Interesse crescente

O prestígio da Casa das Marinhas e do Roteiro Modernista, criado pelo Município de Esposende está a atrair novos públicos. Se, entre março e setembro deste ano, foram cerca de 400 os visitantes que se deslocaram à casa de Viana de Lima, durante o mês de outubro, a “Casa das Marinhas” registou a visita de 140 pessoas.

Entre os visitantes, destacam-se cerca de 60 alunos de duas escolas de arquitetura, da Suíça e da Noruega: a EidgenössischeTechnischeHochschule (ETH) Zürich - Swiss Federal InstituteofTechnologyZurich; e a Oslo SchoolofArchitectureand Design.

A “Casa das Marinhas” encontra-se a preparar a adesão ao site internacional ICONIC HOUSE, onde estão referenciados os maiores ícones da arquitetura mundial.

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MUNICÍPIO DE ESPOSENDE DESMENTE DEMOLIÇÃO DE OBRA ARQUITECTÓNICA DO ARQUITECTO VIANA DE LIMA

COMUNICADO

Confrontada com a denúncia de que estaria a ser demolido um imóvel da autoria do Arquiteto Viana de Lima, localizado na Av. Eng.º Eduardo Arantes e Oliveira, na cidade de Esposende, a Câmara Municipal de Esposende vem esclarecer o seguinte:

- Tal afirmação não corresponde à verdade. O imóvel em causa está a ser alvo de uma intervenção decorrente do processo de licenciamento n.º 507/2009, portanto, em total legalidade;

- O edifício não detém a classificação de Imóvel de Interesse Público, como foi veiculado. Tal proposta de classificação, apresentada à Direção Geral do Património Cultural, foi rejeitada, argumentando que “os imóveis nem per si nem em conjunto consubstanciam um valor patrimonial capaz de justificar uma classificação de âmbito nacional”;

- Relativamente ao Arquiteto Viana de Lima, o Município de Esposende tem desenvolvido um trabalho de valorização da sua obra, nomeadamente através da aquisição da Casa das Marinhas, este sim Imóvel de Interesse Público. No âmbito deste trabalho criou um roteiro relativo ao período modernista, que abrange um conjunto de arquitetos, entre os quais Viana de Lima. Contudo, tal não significa que os imóveis em causa não possam ser alvo de qualquer intervenção;

- Face ao exposto, o Município de Esposende lamenta que sejam veiculadas denúncias sem fundamento e rigor.

ESPOSENDE ASSINALA DIA MUNDIAL DA ARQUITECTURA

As comemorações do Dia Mundial da Arquitetura prolongam-se, em Esposende, por todo o mês de outubro, com iniciativas que pretendem dar a conhecer a Casa das Marinhas e o Roteiro Modernista.

casa das marinhas

O Município de Esposende associa-se ao Dia Mundial da Arquitetura, promovendo, entre os dias 13 e 28 de outubro, uma extensão de comemorações, com a iniciativa “à descoberta da casa” e a realização do roteiro modernista.

“À descoberta da casa” consiste numa visita orientada à Casa das Marinhas, onde os participantes são desafiados a explorar a Casa, num formato peddypaper. Destinado a um público que abrange a comunidade do pré-escolar ao secundário, o evento tem uma duração de 1h30 e é de acesso gratuito. Realiza-se nos dias 13, 20 e 27 de outubro e carece de marcação prévia.

A casa das Marinhas é um edifício que se encontra classificado como Monumento de Interesse Público desde 2012 e esta registada na Fundação Docomomo Ibérica, organismo internacional que preserva edifícios icónicos da arquitetura modernista. A casa está aberta à fruição pública, mediante marcação prévia através do e-mail casa.marinhas@cm-esposende.pt ou dos telefones 253 960 179 / 253 960 100.

Para a comunidade em geral, o Município de Esposende propõe o Roteiro Modernista, levando os participantes por uma viagem até alguns exemplares arquitetónicos do concelho de Esposende, construídos entre os anos 40 e 70 do século XX, da autoria de engenheiros e arquitetos de renome nacional e internacional.

As visitas serão realizadas às 10 horas dos dias 14 e 28 de outubro e têm a duração de duas horas. De acesso gratuito, implica marcação prévia. O ponto de partida para estas visitas é o Centro de Informação Turística de Esposende.

PAREDES DE COURA QUER RECUPERAR A “CASA GRANDE DE ROMARIGÃES”

Ministro da Cultura sensibilizado para a recuperação do legado arquitetónico de “A Casa Grande de Romarigães”

“Estou extremamente sensibilizado com as potencialidades que há aqui. Necessitamos trazer ao público leitor, para que estes espaços sejam melhor conhecidos”, sugeriu o Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, na visita à Quinta do Amparo, em Paredes de Coura, onde Aquilino Ribeiro criou uma das obras maiores da literatura portuguesa – “A Casa Grande de Romarigães”.

Casa Grande de Romarigães

Com este roteiro para conhecer a riqueza das paisagens literárias inscritas no concelho de Paredes de Coura, onde também se inclui o Centro de Estudos Mário Cláudio, o autarca Vitor Paulo Pereira procurou sensibilizar a importância de ser criado “um roteiro literário ligado ao turismo cultural e à fruição dos espaços. Seria insensato e imprudente não mostrar estes dois espaços ligados à literatura”, sublinhou o Presidente da Câmara de Paredes de Coura, defendendo que na cultura não se gasta dinheiro.

“Queremos jovens criativos do ponto de vista emocional e isso só se consegue com a arte. A cultura não é uma herança, mas uma conquista de todos os dias e como tal temos que cuidar dela”, reforçou Vitor Paulo Pereira, enquanto o Ministro da Cultura corroborava a ideia: “Temos a obrigação perante a nossa história e a nossa língua. Desejo o maior sucesso e vontade política para que possamos obter fundos disponíveis para obras como esta. A obra de Aquilino é uma celebração da vida”, sublinhou.

Casa Grande de Romarigães um

Neste roteiro literário por Paredes de Coura, Luís Filipe de Castro Mendes começou por celebrar os sessenta anos da primeira edição de “A Casa Grande de Romarigães”, no próprio cenário de efabulação da crónica romanceada, a Quinta do Amparo. Na presença física do sítio, que se revê nas evocações do texto e na memória dos feitos que ali terão ocorrido, foi apresentado o projeto de recuperação deste legado arquitetónico de cariz barroco que se encontra a ser desenvolvido pelos bisnetos Ricardo Pedroso de Lima e Maria Pedroso de Lima, e que consideramos condição indispensável para dinamizar uma estratégia de desenvolvimento local.

Apesar da atmosfera da Quinta do Amparo e da sua dimensão literária continuarem bem vivas para aqueles que visitem o local, haverá certamente uma oportunidade de o reinventar no quadro de uma estratégia territorial mais consistente e integrada para o concelho de Paredes de Coura, o que representaria, em última análise, uma homenagem a Aquilino Ribeiro e um importante contributo para a preservação do seu extraordinário legado literário.

Foi também associado a este percurso literário a visita ao Centro de Estudos Mário Cláudio, no Lugar de Venade, tendo como cicerone o escritor que lhe confere o nome, que também não esconde o propósito de criar no local um centro de pesquisa e em rede que abranja os escritores do Norte de Portugal e Galiza.

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ANTENAS PARABÓLICAS DESFIGURAM PAISAGEM URBANA DE PONTE DE LIMA

Mau grado o esforço que tem vindo a ser desenvolvido para tornar Ponte de Lima a mais bonita vila de Portugal, aparelhos de ar condicionado nas fachadas dos edifícios e antenas parabólicas e os ancestrais “aranhiços” para recepção do sinal de televisão nos telhados continuam a desfigurar a paisagem ubana do casco histórico medieval da “bila” como carinhosamente os limianos a tratam.

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Ponte de Lima foi o primeiro concelho do país, em meados da década de oitenta do século passado, a regulamentar a utilização de materiais e o emprego de cores e outros elementos estéticos com vista à preservação dos traços arquitectónicos que lhe são característicos.

Nos tempos que correm, nomeadamente a possibilidade de utilização da rede de cabo para recepção do sinal televisivo, não se justifica mais a proliferação de antenas numa vila que constitui um autêntico museu da Idade Média, tal é o seu valor histórico e patrimonial.

Não se trata de uma situação irreparável pelo que fazemos votos que Ponte de Lima não perca a sua “chieira”!

Fotos: José Costa Lima

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ESPOSENDE: CASA DAS MARINHAS ESTÁ ABERTA A VISITAS NO VERÃO

A Casa das Marinhas, propriedade do Município de Esposende estará aberta a visitas, de quarta a domingo, durante os meses de verão. A Casa das Marinhas adquire papel fundamental para o Município, no plano de dinamização pedagógica do património cultural, proporcionando o conhecimento do legado cultural do seu autor, o arquiteto Viana de Lima. Esta é uma oportunidade para conhecer mais detalhadamente esta obra do Património Modernista e o seu autor.

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Funcionando, de quarta a sexta, de julho a setembro, das 14h00 às 17h00 e aos sábados e domingos a partir das 10h30, a casa das Marinhas pode ser enquadrada no conceito de heterotopia, projetado pelo filosofo Michel Foucault, uma vez que a casa pode ser considerada como um lugar que possui múltiplos sedimentos de significação ou de ligações com outros lugares e não pode ser compreendida imediatamente.

Seguindo este pressuposto, sugerimos uma visita à casa das Marinhas, uma vez que acumula níveis de informações/conhecimentos que após uma vista atenta é possível observar.

A história de vida do Arquiteto Viana de Lima, a história da arquitetura ou a história da Casa das Marinhas fundem-se no objeto de arquitetura. Viana de Lima produziu alguns dos ícones da história da arquitetura portuguesa e é considerado como um dos principais responsáveis pela implementação do Movimento Moderno da arquitetura em Portugal. O imóvel é um monumento de interesse público de acordo com a Portaria n.º 740-FA/2012. A classificação da Casa das Marinhas reflete o génio do respetivo criador; o valor estético e técnico do bem; a conceção arquitetónica e paisagística. A Casa das Marinhas foi construída em 1954, projeto da autoria do arquiteto. A moradia foi desenhada e construída como habitação de descanso familiar, manifestando alusões a arquitetura do Movimento Moderno e espelhando a vivência do produtor.

BRAGA RECEBE ALUNOS FRANCESES DE MESTRADO EM ARQUITECTURA

Alunos de Mestrado de Clermont-Ferrand realizam visita de estudo de Braga

Ricardo Rio recebeu esta Sexta-feira, dia 31 de Março, uma turma de alunos de mestrado de arquitectura da Universidade Clermont Auvergne, que na última semana realizaram uma visita de estudo à cidade de Braga. Com o objectivo de conhecer melhor a cidade, nomeadamente as políticas de planeamento, gestão urbanística e regeneração urbana, 18 alunos passaram uma semana em Braga a contactar de perto com a realidade urbanística da cidade.

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Como sublinhou Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, o Executivo Municipal tem vindo a encetar esforços no sentido de reatar ligações com Cidades geminadas, pelo que esta actividade se insere na ´relação especial´ que existe entre Braga e Clermont-Ferrand. “Consideramos que é extremamente importante fortalecer as relações com as Cidades com quem já tinhamos relações anteriormente e que estavam ´adormecidas´, como é o caso de Clermont-Ferrand, com quem estamos geminados desde 1999”, realçou.

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A Câmara Municipal de Braga tem vindo também a aumentar o número de geminações com Cidades que possam acrescentar mais-valias para o Município, como foram os casos de Rio de Janeiro, Manaus ou de mais recentemente Veliko Tarnovo da Bulgária ou de Santa Fé, na Argentina.

Por seu turno, Germana Paz Gomes, estudante e tradutora durante a viagem, sublinhou a partilha de boas práticas e as aprendizagens que estão a ser realizadas durante esta iniciativa. “Tem sido muito enriquecedor em vários aspectos, mas especialmente na forma como o espaço público é valorizado em Braga e se dá prioridade à circulação pedestre. Estão muito avançados nesta área”, afirmou.

Do programa desta viagem, apoiada pelo Município de Clermont-Ferrand e logisticamente pelo Município de Braga, constaram diversas aulas e visitas de estudo, que deixaram os alunos franceses bastante impressionados pelo que tem sido alcançado em Braga.

A semana começou com uma reunião de trabalho com o Vereador Miguel Bandeira, que fez uma introdução às políticas urbanísticas de Braga e o que tem sido feito para preservar o património de uma Cidade com mais de dois mil anos de história e que apresenta elevados padrões de qualidade de vida.

De seguida, e durante dois dias, os alunos de Arquitectura “mergulharam” nos serviços municipais e tiveram sessões com as Divisões de Planeamento, de Mobilidade e Trânsito e ainda com a do Património e Centro Histórico, onde ficaram a conhecer o PDM de Braga, a estratégia para a Mobilidade Sustentável e a Estratégia para Regeneração Urbana.

Estas sessões foram conduzidas pelos responsáveis de cada área do Município e ainda uma visita guiada ao Centro Histórico e locais alvo de intervenções no plano de regeneração. Na Quarta-feira à tarde, tiveram uma sessão na Startup Braga, ficando a conhecer melhor a estratégia para a dinamização económica em Braga. Na Quinta-feira, os alunos de Clermont-Ferrand visitaram a Universidade do Minho, onde assistiram a uma aula do Mestrado em Engenharia Urbana, leccionada pelos Professores Paulo Pereira e Rui Ramos da Escola de Engenharia.

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CANÁRIAS: UMA PROFUNDA INFLUÊNCIA PORTUGUESA

No seguimento do artigo intitulado A ascendência portuguesa dos canarinos, como já dissemos, antes de publicar o artigo: “Ares de Lima” género da música tradicional das Ilhas Canárias de origem minhoto, queremos especialmente, descrever um pouco aos leitores e seguidores deste ótimo blogue, a profunda influência portuguesa na cultura do povo canarino que é o resultado determinante da participação dos portugueses na conquista e posterior colonização das Ilhas Canárias.

DIALETO    

Como descrevemos no nosso primeiro artigo, a pesar de os portugueses serem numerosos e maioritários em muitos povos, vilas e cidades das Ilhas Canárias, após da conquista e posterior colonização, nunca alcaçaram o poder e junto dos guanches e outros colonizadores, foram castelhanizados. Como terrível consequência da imposição do castelhano, a língua dos que tinham o poder, o português e o guanche não se arraigaram nas Ilhas Canárias, nem surgiu um crioulo de base ibérica como o papiamento das Antilhas Neerlandesas ou de base portuguesa como o cabo-verdiano de Cabo Verde e outros de outras ilhas do Atlántico. Foi lamentável, pois hoje o guanche não seria uma língua morta e os canarinos tivessem sido triglotas. Contudo, a formosa língua de Camões, José Saramago mais outros grandes escritores lusos, deixou muitas palavras e expressões no espanhol falado nas Ilhas Canárias. Da mesma forma, influiu em algumas estruturas gramaticais, tal vez, os canarinos não usam o pronome pessoal reto da segunda pessoa do plural vós e, a sua correspondente forma verbal, por influência do português, onde acontece a mesma situação. No que toca à fonologia é menor o contributo, porque neste ramo da linguística o dialeto canarino foi mais influenciado pelo andaluz e, a influência andaluza é quase a mesma que a recebida pelo barranquenho, mas no dialeto canarino puro, o que se fala nos povos do interior das ilhas maiores e em muitos povos das ilhas menores pelas pessoas mais idosas, ainda é possível escutar a elevação da vogal átona o, conforme às regras do processo do vocalismo átono próprio do português europeu: /o,ɔ/ fonológicos realizam-se como [u] fonético, e dizer, em uma linguagem menos técnica, os o átonos (não acentuados), são pronunciados como u, exemplos: andoriña “andorinha” folelé “libélula”, camino “caminho” = anduriña, fulelé e caminu, e algumas vezes com a evolução do português para o canarino, os termos portugueses são escritos conforme à pronúncia: papas turradas de la fogalera “batatas torradas da fogueira”. Igualmente sucede nos lusitanismos a perda de silabicidade das vogais átonas altas [i] e [u] em hiato, quando ocorrem antes de outra vogal qualquer, são substituídas pelas semivogais correspondentes [j] e [w] e o dialeto canarino toma em conta este fenómeno fonológico na escrita: mágoa = magua, Eanes = Yanes, Soares= Suárez, é o que seria uma semivocalização das vogais átonas que geram uma ditongação, um ditongo crescente: ea = ia ou ya e oa= ua, há linguistas que afirmam que no português europeu não existem tais ditongos, mas no espanhol sim. Finalmente, segundo o professor palmense D. Pedro Nolasco Leal Cruz, autor do livro intitulado: El español tradicional de La Palma, La modalidad hispánica en la que el castellano y el portugués se cruzan y se complementan, em 20 de fevereiro de 2017 no site: www.eldiario.es/lapalmaahora/.../espanol-tradicional-profesor-Nolasco_0_603690508... ressalta que «a única e grande diferença que tem o espanhol de La Palma com referência ao de outras ilhas é que em aquele o português tem feito muita mais mossa que nas demais, até o ponto que pudo ser considerado uma língua crioula como o foi o papiamento de Curaçao”. “ A Ilha conserva quase o 100% dos portuguesismos canarinos. É sem lugar a dúvidas o lugar idóneo para estudar melhor a influência do português a nível insular». Certas são as palavras do professor, pois nalguns povos da ilha de La Palma, ainda é possível ouvir o infinitivo pessoal que não existe no espanhol e outras estruturas da língua portuguesa, grande foi a impressão na ilha bonita, que na linguagem coloquial, os habitantes da sua capital Santa Cruz de La Palma, são conhecidos popularmente como portugueses e, uma das razões é, porque dizem que falam como eles. 

PSICOLOGIA 

A profunda influência portuguesa é em todos os aspetos da cultura do povo canarino, mas é a impregnação guanche e lusa a que faz dos canarinos serem diferentes do resto dos espanhóis. Como em Portugal, a família é o centro da vida nas Ilhas Canárias, apesar de os velhos costumes estarem a mudar, em particular nas cidades, é normal verem-se três e quatro gerações sob um mesmo teto, onde a mãe exerce um papel fundamental pela sua excessiva maternidade e, quiçá por esta razão, os canarinos têm um carinho especial pelas crianças, ¡Mi niño! “O meu menino!” ou ¡Mi niña! “A minha menina!” é uma expressão quotidiana das Ilhas que se emprega carinhosamente com os meninos e algumas pessoas adultas. Os canarinos são sérios e em muitos casos melancólicos, mas a relação social está baseada no bom humor. Um humor socarrón, “socarrão” com o significado na língua espanhola de pessoa que se exprime de maneira dissimulada e com aparência de ingenuidade e não com o signifacado de velhaco ou intrujão em português.  Um Humor irónico e indireto quase sempre encaminhado aos órgãos e relações sexuais, outras partes do corpo e certas ações engraçadas. O canarino utiliza esse humor como válvula de escape para evitar um conflito. Uma vez estávamos a esperar na charcutaria de um supermercado e uma das charcuteiras disse um número e, como ninguém respondeu, passou ao seguinte e antão, um senhor empertigado com muita arrogância exclamou: -Eu tinha o número anterior, não me viu que estava a olhar para si!-, a charcuteira imediatamente contestou:  -O Senhor tem razão, exatamente, eu vi que o senhor estava a olhar para mim!-. Apanhou o fiambre da fiambreira, para o levar à vitrina refrigerada e com um ligeiro e irónico sorriso disse: -Mas eu não sei se esse estranho e intenso olhar tinha outras intenções!- Todos os que esperávamos pelo nosso turno, começamos a rir às gargalhadas, até o teso senhor, foi a fórmula perfeita para findar a disputa. Alguns estudiosos e investigadores já declararam que é um humor de origem galaico-português. No entanto, por detrás dos sorrisos e muitas vezes as risadas ruidosas e prolongadas, há um muito enraizado aspeto da psique canarina que os próprios canarinos denominan magua, em português mágoa, o vocábulo do dialeto canarino mais querido que tem os mesmos significados que em português e, em todo o arquipélago canarino, é a nossa saudade, essa espécie de melancolia etérea que parece ansiar algo perdido ou inatingível caraterística dos portugueses, a morriña dos galegos, a nostalgia ou añoranza dos espanhóis, mas nas Ilhas Canárias tem outros significados. Ficar com magua, algumas vezes é ficar com ganas de comer algo, nas Ilhas Canárias os meninos não podem passar fome nem é correto comer na frente de uma criança sem convidá-la porque é desaprovado. Uma vez, na central de camionetas de São Cristóvão da Lagoa estava com os meus filhos ao meio-dia e um senhor tinha um cacho de bananas e estava a comer, acho que os meus filhos estavam a olhar para ele e o homem veio e deu-lhe uma banana e disse: -¡Cómanse el platanito mis niños que están esmayaditos!- “Comam-se as bananas os meus meninos que estão com fome!”, e logo olha para mim e disse: -¡No los podía dejar con la magua!.- “Não os podia deixar com a mágoa!”. Só na ilha de La Palma magua também é utilado com o significado de nódoa ou marca produzida por contusão e, na ilha de Lanzarote, o verbo maguarse “magoar-se” além do sigificado que tem em todas as ilhas, é aplicado para dizer que uma rês fica sem leite em uma teta. Ao longo da história, as Canárias foi a ponte entre a Península Ibérica e América. Muitos canarinos emigraram desde o século XVI e contribuíram à colonização da América, o destino foi sobretudo Cuba, Porto Rico, Venezuela, República Dominicana, Uruguai e os estados de Luisiana e Texas nos Estados Unidos da América, o povo canarino como os outros povos galaico-portugueses, é um povo emigrante. 

GASTRONOMIA 

A gastronomia canarina tem muito da portuguesa, o gofio “farinha obtida de trigo, milho e outros ceriais torrados” é o alimento principal herança do povo guanche, mas depois são as batatas e, o segundo símbolo cultural da cozinha canarina, são as papas arrugadas “batatas enrugadas” cozidas com casca em água com muito sal, que possívelmete têm a sua origem no gosto dos portugueses de cozinhar as batatas com sal no forno, como são as batatas a murro. Quase todos os canarinos acham que o puchero ou zancudo “cozido canarino” é descendente do cozido madrilenho, mas é mais semelhante ao cozido de grão à moda do Alentejo ou à algarvia, a diferença é que no puchero ou zancudo canarino, nos seus ingredientes há mais vegetais: cove, batata, batata-doce, feijão-verde, chuchu, bogango ou curguete, cenoura, abóbora, pera e espiga de milho tenro). Sem dúvida alguma, o rancho canarino é herdeiro do português e o gosto pelo peixe seco e salgado que nas Canárias é jareado, não há mil e uma maneiras de fazer o bacalhau, mas temos o sanchocho de cherne, cozido em água e outros condimentos e acompanhado com papas arrugadas e molho verde ou vermelho ou o pescado salado en encebollado, peixe salgado, geralmente: bacalhau, cherne ou corvina, com cebolada canarina que é a base de quase todos os pratos: cebola, alho, pimento verde, pimeto vermelho e tomate frito em óleo e temperado com sal, pimenta, orégão, tomilho, loureiro e colorau, o peixe é fervido com a cebolada e um bocadinho de água e vinho branco ou antes as postas do bacalhau são passadas por farinha de trigo e douradas no azeite, neste caso, o azeite é usado para fritar a ceboladaporque assim dá mais sabor, este prato com as papas arrugadas é muito saboroso. São as duas formas mais típicas e é um evidente legado português, como também é o molho de coentros, o gosto e uso do milho na culinária, os cominhos e outros condimentos. O molho de coentros pode ser à moda antiga: alhos, coentros, pimenta, óleo e vinagre feito à mão com os ingredente picados com faca em bocados muito pequenos ou triturados em almofariz; o atual molho é feito com varinha mágica com mais outros ingredientes: pimento verde, limão, cominhos, água e abacate que o deixam cremoso, as papas arrugadas com este molho são deliciosas. É possível dizer que os pratos mais representativos da gastonomia canarina são portugueses. A entrada pode ser o queijo palmense (da ilha de La Palma) ou majorero (da ilha de Fuerteventura) grelhado e servido com molho de coentros ou molho vermelho, o almogrote gomero da ilha de La Gomera com pão no forno a lenha ou as rodelas de tomate canarino temperadas com alho, óleo vinagre e oregão. O primeiro plato é o Puchero ou Zancudo, o segundo prato o Sancocho ou Pescado Salado com papas arrugadas e o frangollo de sobremesa, uma espécie de aletria feita com rolão de milho com leite, ovos, açucar, manteiga, um pedaço de casca de limão, um pau de canela, amêndoas e passas, de consistência compacta como nas Beiras que se pode cortar em fatias ou cremosa como no Minho, na travessa polvilha-se com canela e no prato pode ser servido juntamente com mel ou guarapo “mel da palmeira canarina” e acompanhado com uma mistela. Além da sobremesa típica há outras: o leite assado e queijinho, que se parece ao pudim abade de Priscos, ovos moles, flan, natillas, arroz-doce, mais outros muito gostosos e uma doçaria importantíssima: bienmesabe de Gran Canaria, rapaduras equeijo de amêndoas de La Palma, quesadillas de El Hierro, tortas de La Gomera (são como bolachas) mais outros; também os das Festas de Natal, Carnaval, Semana Santa: Trutas (são como empadas) com recheio de batata-doce com amêndoas ou doce de chila, rosquilhas, filhó de abóbora ou banana, torrijas, biscoitos, bolos, merengue assado e muitos mais. Nesta reifeição tradicional dos três pratos típicos mais entrada, não pode faltar a pella (bola) de gofio e o vinho do país ou da terra. Atualmente, com a regulação do colesterol para seguir uma dieta saudável, com o Puchero ou Zancudo sem entrada e tal vez com sobremesa é suficiente, como dizem alguns minhotos: -¡Já chega!-. A atriz canarina Lili Quintana, no programa de humor da televisão autonómica das Ilhas Canárias En Clave de Ja com a sua personagem de Chona, disse que um dia foi almoçar a um reataurante canarino, comeu queijo, gofio e um pão inteiro com almogrote gomero de entrada, um prato encolmado como dizemos nas Canárias “repleto” de puchero e outro de sancocho com muitas papas arrugadas e molho colorado “vermelho, tomou vários copos de vinho, um prato de frangollo com mistela de banana de sobremesa e, após de se tomar o café, quando ela chegou à sua casa se comeu um iogurte activia para compensar a embostada “o empanturramento”. 

 ARQUITETURA 

A arquitectura tradicional canarina é uma variante da arquitetura tradicional da Macaronésia de base alentejana e algarvia em relação ao âmbito rural, no arquipélago canarino nas casas terréas rurais é possível ver as cercaduras das janelas, os frixos das esquinas chamados faixas, barras ou riscas e os rodapés a cor azul das casas alentejanas e as chaminés do Alentejo e do Algarve. As casas da ilha de Lanzarote, escolhida pelo Nobel de Literatura português como última morada, têm umas chaminés que relembram muito às algarvias.

Nas duas fotografias a seguir mostramos o aporte cultural alentejano, na primeira foto uma casa tradicional de Pedro Álvarez, freguesia do concelho de Tegueste no nordeste da Ilha de Tenerife. É a casa camponesa de dois andares em estado ruinoso do mais puro estilo arquitetónico tradicional canarino, variante do estilo colonial macaronésio. Nesta casa ainda é possível ver um vestígio da faixa azul, janela de guilhotina e a frontaria está rematada na sua parte superior com um beiral, prolongação do telhado, formado por uma fileira de telhas. Foto de Tegueste Guía Turística publicada pela Ilustre Câmara Municipal da Vila de Tegueste em fevereiro de 2002. Na segunda fotografia realizada por Naim Acosta, pode-se ver uma casa tradicional de Valle de Guerra, freguesia do concelho de São Cristóvão da Lagoa situada na comarca nordeste da ilha de Tenerife. Esta casa térrea é do estilo chamado de transição, em finais do século XIX e princípios do século XX. Tem uma frontaria com janelas de tipo abatíveis e postigos interiores, parapeito cego que oculta o telhado de telha marselhesa, rematado por cordão de alvenaria e uma cornija do mesmo material ou de tijolo maciço de argila avermelhado pintado a azul como as faixas e rodapé, as janelas e portas não têm cercadura a azul, porque são de madeira.

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Nas vilas e cidades há influência de outras regiões ou províncias de Portugal, calçada empedrada, janelas, portas e varandas, ornamentos de arte manuelina e outras caraterísticas que trouxeram os portugueses, um belo exemplo de decoração manuelina é a frontaria da igreja da Nossa Senhora da Asunção da cidade de São Sebastião da Gomera, capital da ilha de La Gomera e a torre da basílica da Nossa Senhora do Pinheiro em Teror, padroeira da Ilha de Gran Canaria. Já o disse Torriani, o melhor exemplo de uma cidade que representa à arquitetura tradicional urbana à portuguesa em todo o seu esplendor, é a cidade de Santa Cruz de La Palma, capital da ilha de La Palma, mas também temos o bairro de Vegueta no casco histórico da cidade de Las Palmas de Gran Canaria capital da Ilha de Gran Canaria e da província (distrito) que administra as ilhas orientais. Em Tenerife temos no norte, a cidade de San Cristóbal de La Laguna “São Cristóvão da Lagoa”, berço de São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil e cidade classificada Património da Humanidade pela UNESCO, o maravilhoso e encantador entorno do ex-convento e igreja do Santíssimo Cristo de Tacoronte, em sobrecanarias.com/2010/04/05/tacoronte-mar-y-montana-en-tenerife/, há uma foto muito bonita realizada em um dia cinzento, a Villa de la Orotava, joia arquitetónica de Tenerife que este ano solicitará à UNESCO a declaração de Património Mundial, casco histórico do Puerto de La Cruz, Los Realejos, San Juan de La Rambla, o entorno da praça de São Marcos junto do drago milenário da cidade de Icod de Los Vinos, Garachico e Los Silos, no sul temos Arafo, Vilaflor, mais outros cascos históricos de grande beleza e pequenos casarios como Masca em Boavista do Norte ou Ifonche no concelho de Adeje no sul de Tenerife.

A fotografia a seguir realizada por Naim Acosta, mostra La Casona situada no entorno da igreja de Santa Catarina de Alexandria, padroeira da cidade de Tacoronte. É uma das casas mais antigas que se conservam nesta cidade. Foi construida por Dom Juan Pérez, clérigo da Igerja de Santa Catarina, no século XVIII, com o objeto de fundar a capellania da paróquia “sede do capelão”, morada e escritório do padre ou pároco. Na sua frontaria salienta-se a formosa varanda canarina envernizada igual que as portas e janelas de guilhotina e, entre a casa de dois andares dos senhores e a casa térrea da criadagem, está a porta com ameias típica da arquitetura tradicional canarina. Junto da casa térrea com portas e janelas pintadas a castanho-escuro sem alternância, há também uma casa de dois andares com a frontaria pintada a amarelo-canarino, as portas e ventanas de guilhotina a verde-inglês e branco e os grandes blocos de pedra das esquinas à vista, finalmente, a rua é pedonal com calçada empedrada.

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Em seguida uma fotografia realizada por Naim Acosta ilustra a casa térrea que está noutro lado de La Casona, nesta casa pode-se ver o estilo mais representativo da arquitetura tradicional das Ilhas Canárias, portada com ameias e cruz, ventanas de guilhotina, paredes pintadas a branco e portas e janelas a verde-inglês com alternância. O telhado quatro águas com telha mourisca ou árabe rematado com beirais, formado por dupla fileira de telhas e todo o madeiramento de tea, uma madeira resinosa e muito duradoura que se extrai dos pinheiros canarinos anosos.

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A fotografia que se segue também realizada por Naim Acosta, expor à vista mais perto, as casas mais próximas do ex-convento e igreja do Santíssimo Cristo de Tacoronte que como já indicamos acima, no site sobrecanarias.com/2010/04/05/tacoronte-mar-y-montana-en-tenerife/, é possível ver quase todo o conjunto arquitetónico. Nestas duas casas vemos outra modalidade, a casa pintada a branco com janelas e portas a castanho-escuro e a casa pintada a vermelho-canarino. A cor mais típica nas paredes e a branca e depois nesta ordem: amarela, vermelha, azul e verde, as duas últimas não são muito vistas e, no que concerne à madeira de portas e janelas, se a madeira não é envernizada, é pintada a verde-inglês e a castanho-escuro, no caso das janelas quase sempre há alternâcia, as duas cores principais com a cor branca. Finalmente, pode-se admirar outro tipo de calçada empedrada e janelas na casa pintada a vermelho, que tem os blocos de pedra das esquinas á vista.

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AGRICULTURA 

Agricultiura, pecuária, pesca, artesanato têm muito de Portugal. O principal promotor da primeira expansão vitícola canarina foi o colonato de origem português, que chegou à nova terra procedente do Norte de Portugal e da Madeira e as primeiras castas que cultivaram foram a malvasia e o terrentês. A viticultura é portuguesa, muitos portugueses que têm visitado as Canárias dizem que os vinhos são muito parecidos aos portugueses, enólogos portugueses dão por certo que a elaboração artesanal dos vinhos em Tenerife é postuguesa, podemos ver a herança deixada pelos portugueses nos lagares tradicionais canarinos que são como os madirenses, nos antigos palheiros ou casas de telhados de palha de Tenerife e La Palma que são como palheiras dos Açores e em vários instrumentos agrícolas.  Onde mais se pode apreciar o efeito português relativamente ao artesanato, é nas cestas e trançados, nos bordados e rendas e na tecelagem. 

MEDICINA POPULAR 

Na medicina popular existe a figura do Santiguador “benzedor” e a do Curandero “Curandeiro” e as benzeduras e remédios (infuções, tizanas, beberagens, unguentos, cataplasmas e mais) são de base galaico-portuguesa, mas o curandeirismo recebeu o complemento que introduziram os indianos, como eram chamados os emigrantes canarinos que foram para a ilha de Cuba em finais do século XIX e princípios do século XX, muitos deles voltaram ricos, hoje os curandeiros mesturam com técnicas do curandeirismo caribenho. A medicina popular está estreitamente vinculada à bruxaria canarina, pois benzedores e curandeiros têm que curar el daño “malefício” feito pelos bruxos, os feitiços, beberagens e outras questões da bruxaria no começo tinham base galaico-portuguesa e depois ficaram mesturados com técnicas africanas e americanas: santeria, vodu, candomblé e outras.

            Exemplo de reza

Oração da noite

 

Ó Anjo da minha guarda, doce companhia,

não me desampares, nem de noite nem de dia.

Jesusinho da minha vida, tu es menino como eu,

por eso eu te quero tanto e dou-te o meu coração.

Quatro esquininhas tem a minha cama,

quatro anjinhos que me acompanham,

com Deus me deito e com Deu me levanto,

com a Virgem Maria e o Espírito Santo.

Amem

 

          Exemplo de Benzedura

 

Ensalmo para cortar o mau-olhado, quebranto, susto, empacho e ar

 

Eu te benzo em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo

(o benzedor faz o sinal da cruz quando começa mencionar a Santíssima Trindade)

e no nome que te puseram na pia (nome da pessoa).

Eu te corto mau-olhado, opilação, alimento mal comido, água mal bebida, susto, quebranto.

Eu levo-o para o mais alto dos montes de Arménia e tiro-o para o mais profundo do mar,

onde não permaneça, nem perdure nem dano possa fazer a esta criatura.

Se entrou pela tua cabeça, Santa Teresa.

Se entrou pela tua frente, São Vicente.

Se entrou pelos teus olhos, Santa Lúcia.

Se entrou pela tua nariz, São Luís.

Se entrou pela tua boca, Santa Rosa.

Se  entrou pela tua barba, Santa Bárbara.

Se entrou pela tua garganta, Santa Clara.

Se entrou pelo teu peito, são Eulógio.

Se entrou pela tua barriga, Santa Maria.

Se entrou pelas tuas conjunturas, São Ventura.

E se entrou pelos teus braços e pelos teus pés Santo André.

(No fim, reza-se a Oração do Credo e a Salve Rainha)

Esta versão de ensalmo é villera da Villa de La Orotava em Tenerife

 

Muitos benzedores quando chegam a uma avançada idade deixam de curar porque quando rezam o doente transmite o dano: gritam, choram, arrotam, bocejam e até têm contorções de dor. 

INDUMENTÁRIA TRADICIONAL 

            No que se refere ao trajar, o melhor exemplo de comparação é o traje típico da mulher da Villa de La Orotava com o traje da mulher da Madeira e o traje típico do homem da ilha de El Hierro com o campino ribatejano. Também há semelhanças nos trajes tradicionais da ilha de La Palma com os trajes dos Açores. 

JOGOS E DESPORTOS 

            Nos jogos e desportos tradicionais temos o Calabazo “Cabaço”, que em Portugal é um regador de cabo longo e o recipiente utilizado para tirar, de poços e tanques, água para rega. Esta técnica da agricultura tradicional que se tornou em desporto na década de 80 do século XX para evitar a sua desaparição, somente é praticada no Vale de Aridane na ilha de São Miguel da Palma. A diferença com Portugal é que o cabaço na ilha de La Palma se utiliza para tirar agua dos canais que estão nos bananais, que não são acéquias nem regueiros. A referência mais antiga de rega com o cabaço que se conhece está em una carta registada no ano 1868 e, a construção do canal de águas onde se utiliza, da mão de colonos portugueses, començou no ano 1555. 

FESTAS E TRADIÇÕES POPULARES 

            Há parecença nas romarias canarinas com os cortejos etnográficos do Minho e benção de gado, as juntas de bois levam no pescoço umas bonitas coleiras com pequenas campainhas que no Minho são mais ostentosas,  mas nos Açores são quase iguais. Há festas populares com tradição muito antiga que possivelmente tem a sua procedência em terras portuguesas, há tejineros “habitantes de Tejina” estudiosos e investigadores que acham que a Festa dos Corações de Tejina, declarada BIC (Bem de Interesse Cultural) em 2003 pelo governo das Canárias, deriva da Festa dos Tabuleiros de Tomar, pois Ansejo Gomes, o fundador de Tejina, era natural da antiga sede da Ordem dos Templários. Tejina é um pequeno povo (freguesia) do nordeste de Tenerife que pertence ao concelho de São Cristóvão da Lagoa, separado da cidade de Tacoronte pelo povo de Valle de Guerra e poucos quilómetros separam este povo da Vila de Tegueste e o povo turístico de Bajamar. Temos de lhes dizer que o fundador de Tejina era concunhado de Sebastião Machado, fundador da cidade de Tacoronte, porque Asenjo Gomes era o esposo de Guiomar Gonçalves e Sebastião Machado de Isabel Gonçalves, duas irmãs filhas de Gonçalo Gonçalves Teixeira natural de Braga. Este bracarense sogro dos dois fundadores antes mencionados, participou na conquista das Ilhas Canárias, pelo que foi beneficiado com terras no repartimento através das datas. O Antonio Miguel Rodríguez, farmacéutico da Câmara Municipal de São Cristóvão da Lagoa iniciará em breve em representação da Associação de Vizinhos As Três Ruas de Tejina o contacto com a Câmara Municipal de Tomar para estudar e investigar as possíveis relações dos Corações com os Tabuleiros e fazer uma geminação do povo de Tejina com Tomar. Bravo! Antonio, terás toda a nossa ajuda. O Antonio publica artigos no blogue: pastillerodesalud.blogspot.com, onde há alguns muito interessantes como: Portugueses en Tejina, en el origen de nuestra cultura del vino publicado em 6 de dezembro de 2015, piedra y madera em 25 de setembro de 2015 e El origen divino de las plantas, Ceralias em 20 de julho de 2016, neste artigo há fotos antigas muito bonitas e uma foro de uma eira canarina lajeada.

De seguida uma foto com o Corazón de Tejina: Calle Abajo, “Coração de Tejina: Rua Abaixo” fotografia que está na p. 50 da 2ª edição revista e amplada do livro intitulado: Fiestas de San Bartolomé de Tejina da autoria de María José Ruiz e Guadalberto Hernández, publicado pela Câmara Municipal de São Cristóvão da Lagoa em 2002.

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MÚSICA TRADICIONAL OU FOLCLÓRICA

 

Finalmente, falamos um pouco da música tradional ou folclórica.

 

Não quero mais sinfonias

paro o hino das Canárias,

tenho com umas folias

e um povo atrás que as canta.

 

Quadra número 56 que está na p. 24 do livro intitulado: Año canario 365 coplas y algunos versos más acerca de El Condumio da autoria de Luis Carrasco publicado pelo CCPC em 1991 e, é toda uma certeza. A Folia, é por excelência a canção tradicional mais representativa do folclore musical canarino, propalada por toda o nossa  terra e além fronteiras pela diáspora canarina no mundo. Conforme à opinião dalguns musicólogos, este canto da etapa setecentista profundo, pois com ele o canarino exprime todos os seus sentimentos, pode proceder de Portugal e, temos de lhe dizer, que igual que muitos fados, quando o cantor começa o canto, os instrumentos tocados com plectro (bandolins, bandurras e alaúdes) fazem o que na linguajem da música tradicional canarina chama-se contracanto, um contrapunto à melodia interpretada pelo cantor. A Malagueña é a canção mais triste do nosso floclore musical com estrofes que falam da morte de uma mãe, de um filho e outras perdas e desgraças:

 

Eu vi a uma mãe morta

sobre uma tumba de mármore,

com a sangue corrompida

e o coração feito troços,

pelo filho que queria.

 

Não há coisa como uma mãe

encuanto no mundo existe,

porque uma mãe consola

a um filho quando está triste.

 

São as herdeiras diretas do fandango andaluz, mas a sua música tem muita simulitude com a charamba açoriana, há fragmentos musicais das duas canções que são iguais. Também pode descender do cavaquinho português igual que o ukulele havaiano, o Timple, que para os canarinos é o instrumento nacional, da nação canarina. Com exatidão, são os Aires de Lima “Ares de Lima” o género musical totalmente português, investigados pelo musicólogo Lothar Siemens provêm do Minho, das freguesias perto do Rio Lima e é um canto com lindas melodias típico das descamisadas canarinas, esfolhadas no Minho. Deste assunto, escreveremos um artigo mais aprofundado e ilustrado com letras e partituras, porque é uma dívida que temos com Carlos Gomes, mas queríamos escrever primeiro o artigo anterior e este, porque assim os leitores e seguidores deste excelente blogue, compreenderão melhor a razão pela que na música tradicional das Ilhas Canárias, há um género musical importado do Minho.

Os leitores e seguidores deste magnífico blogue podem fazer pesquisas na Internet para ter mais informação, ver fotos e poder comparar ou fazer um passeio virtual pelos lugares dos que falámos. Para aprofundar mais e conhecer alguns dos portugueses conquistadores e cofundadores do nosso povo, aconselhamos a leitura do artigo intiulado: ABUELOS PORTUGUESES. UNA ASCENDENCIA FAMILIAR EN CANARIAS, SIGLOS XV y XVI I e II  no site geneacanaria.blogspot.com/2015/02/abuelos-portugueses-una-ascendencia.html.

 

O nosso próximo artigo será um exemplo desta profunda influência portuguesa no povo canarino e, como melhor se pode exemplificar, é com o dialeto canarino. Uma breve estória escrita em dialeto canarino com a tradução em português mais um análise, demonstrará com clareza, que quando falamos de profunda influência, não é com excesso.

 

Este artigo é dedicado com muito orgulho e grande respeito à memória dos pais cofundadores do nosso povo, os portugueses que deixaram a sua maravilhosa terra natal para vir às nossas ilhas e legaram-nos uma formosa herança que constitui o nosso precioso património histórico, artístico e cultural, e eu, especialmente, desde o mais profundo do meu coração, dedico este artigo a minha mãe, que desde o berço me transmitiu a cultura tradicional da minha terra. Para ti a minha querida mãe.

 

Jesús Acosta

ACGEIA

São Cristóvao da Lagoa

Tenerife

ARCUENSES CAMINHAM À DESCOBERTA DAS BRANDAS

Dispersas nas brumas da montanha, por caminhos carreteiros da memória de um povo que desde sempre teve a montanha como companheira na faina diária do pastoreio e cultivos encontram-se brandas que ainda hoje estão vivas.

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Branda da Portelinha, Branda da Cachadinha, Branda das Ínsuas, Branda do Murço, socalcos que nos enchem a alma, caminhos carreteiros, cachenas, garranos e muito mais para nos mostrar o quão pequeno é o homem no meio natural.

No próximo dia 19 de Fevereiro, venha participar numa caminhada de uma beleza paisagística fenomenal, acompanhados pela serra do Soajo.

Venha ouvir o eco das Brandas, sentir a sua presença através do chilrear dos seus habitantes e ver como ainda hoje são utilizadas para guardar o gado.

Com cerca de 7 km, esta aventura à descoberta das brandas, terá o ponto de encontro na Porta do Mezio, pelas 9h30.

Os interessados devem inscrever-se em www.portadomezio.pt ou através do telefone n.º 258510100 ou ainda através do correio eletrónico:

portadomezio@ardal.pt

Venha com a Ardal-Porta do Mezio deslumbrar-se num território rico que vale a pena descobrir passo a passo!