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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA LANÇA BARCO "AGUA-ARRIBA" ÀS ÁGUAS DO RIO LIMA

Após seis décadas de ausência o tradicional barco de água-arriba volta às águas do Rio Lima

Mais de seis décadas após a sua “extinção”, o Água-arriba, o barco histórico que cruzava as margens do Lima, volta à terra e ao Rio que outrora subiu.

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Fruto da iniciativa do Município de Ponte de Lima, este que é o maior barco do género, no Lima, é lançado à água na próxima sexta-feira, 30 de Agosto, pelas 17h30.

O objetivo passa não só pela implementação de um projeto turístico náutico, mas por fins pedagógicos, e de preservação ativa da tradição, património e cultura limiana, já que são escassos os exemplares deste tipo.

Perde-se no tempo a memória da origem desta embarcação, que partia pela Ribeira Lima, rumo às duas feiras mais importantes: Ponte de Lima e Viana. 

Estes que foram dos mais emblemáticos barcos de trabalho do Rio Lima saíam dos ancoradouros na hora da maré, de leme em mão, para que a corrente pudesse ser aproveitada. A vela era usada sempre que o vento o permitia. Mediam entre 12 a 15 metros, e os seus compartimentos eram ocupados por pessoas, animais e mercadorias.

O novo "água-arriba", construído de forma artesanal com técnicas que passaram ao longo de gerações, respeita a tradição dos materiais e ferramentas. Com 15 metros e capacidade para 30 pessoas, este barco histórico volta, na próxima sexta-feira, a navegar nas águas do Rio Lima.

VIANA DO CASTELO VÊ NASCER NOVO PROJETO IMOBILIÁRIO

Apresentação do empreendimento Panorama com realidade virtual e inovação tecnológica ao serviço do imobiliário

Panorama é o nome do projeto imobiliário que nasce em breve no coração do parque da cidade de Viana do Castelo, com apresentação pública agendada para o próximo dia 8 de Agosto, às 17h00, no Hotel FeelViana. 

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A iniciativa conta com a presença do presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, Rui Cavaleiro da Branco Cavaleiro Architects, Tiago Gonçalves e Gonçalo Lopes da Sprenplan Engenharia. Este projeto destaca-se pela inovação tecnológica e experiência virtual com assinatura Xpand IT, da qual Pedro Gonçalves é sócio fundador e também diretor do Grupo Promotor deste empreendimento.

A aposta na tecnologia ao serviço do imobiliário é algo inédito e pioneiro em Portugal. Será uma experiência única e uma vivência sensorial inovadora, que permitirá visitar virtualmente e de forma imersiva cada espaço interior dos apartamentos e exterior dos edifícios, incluindo a paisagem natural que rodeia o espaço e a magnífica vista que se estende do rio até ao mar.

O conjunto de 3 edifícios da autoria da Branco Cavaleiros Architects primam por amplas áreas, varandas a toda a largura, jardins e piscinas privativas, e surpreendem pela simbiose arquitetónica entre a identidade e memória do local, numa linguagem sofisticada e contemporânea.

O projeto Panorama assume-se como uma nova forma de viver Viana, onde a inovação tecnológica, o desporto e as preocupações ambientais estarão presentes nos mais altos padrões de vida. Esta sessão pública será moderada pela jornalista Diana Bouça-Nova.

Inscrições gratuitas em https://www.panoramaviana.com/eventos/

Mais informações através do email info@panoramaviana.com ou telefone +351 910 987 805.

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FAMALICÃO ATRIBUI PRÉMIO DE ARQUITETURA

Prolongado prazo de candidaturas ao Prémio de Arquitetura Januário Godinho

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão alargou o prazo de candidaturas da segunda edição do Prémio de Arquitetura Januário Godinho até ao dia 20 de setembro.

A reabilitação do Palácio da Igreja Velha foi a obra vencedora da primeira edição do prémio (2).jpg

O prémio, que distingue a melhor reabilitação de edifício no concelho, tem periodicidade bianual e um valor pecuniário de 7 mil euros, cabendo 2 mil euros ao promotor da obra e 5 mil à equipa projetista.  

Podem apresentar candidatura todas as entidades privadas que tenham promovido obras de reabilitação em qualquer edifício localizado nas áreas de reabilitação urbana do concelho ou, no caso das restantes áreas do território famalicense, em edifícios com idade igual ou superior a 30 anos. Apenas serão admitidas a concurso as obras concluídas entre 2017 e 2018.

Promover a salvaguarda e valorização do património edificado, bem como valorizar e promover a divulgação do trabalho desenvolvido por projetistas e construtores são os principais objetivos do Prémio de Arquitetura Januário Godinho.  

A reabilitação do Palácio da Igreja Velha, em Vermoim, foi a obra vencedora da primeira edição do prémio.

Mais informações em www.vilanovadefamalicao.org/_premio_januario_godinho.

VISITA À SINAGOGA DE LISBOA DÁ A CONHECER OBRA DO ARQUITETO CAMINHENSE MIGUEL VENTURA TERRA

Neste evento vamos ficar a conhecer, através de uma Visita Guiada, a Sinagoga de Lisboa, a sua origem e a história da comunidade israelita no nosso país. Venha daí e não perca mais este evento do Caminhando.

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História da comunidade israelita em Lisboa:

A actual comunidade judaica de Lisboa tem a sua origem nos grupos de judeus sefarditas que se instalaram em Portugal no inicio do séc. XIX. Eram na sua maioria negociantes, provenientes de Gibraltar e Marrocos (Tânger, Tetuão e Mogador) e alguns dos nomes ainda exprimiam uma ligação às suas terras de origem ibérica, antes do período da expulsão. É o caso de CONQUI (de Cuenca, provincia de Cuenca) ou CARDOSO (de Cardoso, Distrito de Viseu).

Eram pessoas com nível cultural acima da média, sabendo ler e escrever e falando, para além do hebraico litúrgico, o árabe ou o inglês e o Haquitia, dialecto judeu-hispano-marroquino. Tinham numerosos contactos internacionais, devido não só às actividades comerciais mas também aos laços familiares espalhados pelo mundo. Estes factores explicam o rápido florescimento económico e cultural não só, aliás, dos judeus de Lisboa mas também dos grupos que se foram instalando nessa primeira metade do séc. XIX, nos Açores e em Faro.

Paralelamente à sua integração rápida e bem sucedida na vida portuguesa, os primeiros grupos de judeus procuraram logo organizar-se como tal, criando salas de oração e adquirindo terrenos para enterrar os mortos segundo o ritual judaico. A primeira sepultura é a de José Amzalak, falecido a 26 de Fevereiro de 1804 e enterrado num terreno pertencente ao Cemitério Inglês da Estrela, sem dúvida devido à nacionalidade inglesa dos primeiros judeus de Lisboa, originários, como vimos, de Gibraltar.

Nessa altura os judeus ainda eram considerados como uma colónia estrangeira e a comunidade ainda não tinha existência legal. A Carta Constitucional de 1826 reconhecia apenas o catolicismo como a única religião permitida aos cidadãos portugueses, remetendo os outros cultos para os estrangeiros. Daí que nessa altura se fale de “colónia” israelita, tal como se falava de colónia inglesa ou alemã.

Não podendo obter a legalização da comunidade, os judeus de Lisboa foram criando, sobretudo na segunda metade do sec.XIX, instituições de beneficência sob a forma de associações autónomas, cujos estatutos eram submetidos á aprovação do Governo Civil ou sob a forma de fundações privadas, geralmente dirigidas por senhoras. Estas instituições desempenharam um papel decisivo na união e organização do judaísmo português.

Outro passo decisivo para a constituição da actual comunidade judaica de Lisboa é dado em 1894 com a realização de uma Assembleia Geral dos judeus de Lisboa com o fim de unificar os serviços de Shehitá (abate ritual e aprovisionamento de carne cacher). Sob o impulso de Isaac Levy e Simão Anahory, inicia-se um processo que culmina na criação, em 1897, de uma comissão para a edificação de uma sinagoga única e com a eleição do Iº Comité da Comunidade Israelita de Lisboa, cujo Presidente Honorário é Abraham Bensaúde e o Presidente EfectivoSimão Anahory.

A construção da Sinagoga Shaaré Tikvá

Existiam em Lisboa, desde 1810, várias casas de orações, mas dificilmente reuniam as condições necessárias ao culto, pois situavam-se em modestos andares. Assim apesar das dificuldades ocasionadas pela falta de reconhecimento oficial, a comunidade consegue comprar, em nome de particulares, um terreno para a construção de um edifício de raíz, próprio e condigno.

O projecto da sinagoga foi da autoria de um dos maiores arquitectos da época,Miguel Ventura Terra. Situada no nº 59 da Rua Alexandre Herculano, teve de ser construída dentro de um quintal muralhado, dado que não era permitida a construção com fachada para a via pública de um templo que não fosse de religião católica, então religião oficial do estado.

Lançada a Primeira Pedra em 1902, a Sinagoga Shaaré-Tikvá é finalmente inaugurada em 1904, culminando um esforço de mais de 50 anos dos judeus de Lisboa.

Fonte: https://caminhando.pt/

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ESPOSENDE ATRIBUI PRÉMIOS VIANA DE LIMA

V Edição Prémios Viana de Lima: Melhores alunos de Arquitetura e Belas Artes da Universidade do Porto distinguidos em Esposende

Daniela Pinheiro e Sérgio Amaral Costa foram os vencedores da quinta edição dos Prémio Viana de Lima, nas categorias de Belas Artes e de Arquitetura, respetivamente. Este galardão, instituído ao abrigo de um protocolo firmado pela Câmara Municipal de Esposende e a Universidade do Porto, cumpre a vontade do arquiteto Viana de Lima.

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“O Município de Esposende quer ser exemplar e, para tal, empenhar-se-á na defesa do património, não apenas edificado, como ambiental, tal como fez Viana de Lima, proporcionando condições de usufruto pelos cidadãos. Só assim faz sentido”, assumiu o presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, durante a cerimónia que reuniu o reitor da Universidade do Porto, os diretores das faculdades de Belas Artes e de Arquitetura e o presidente da Ordem dos Arquitetos.

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O autarca recordou o processo de alienação da Estação Radionaval de Apúlia e do Forte S. João Batista, que demorou mais de vinte anos, “atrasando os projetos que o Município tem para os locais e que pretendem ser equipamentos de utilização pública”.

António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, vincou a importância da iniciativa do Município, na “preservação da memória coletiva, honrando o passado. As instituições têm obrigação de valorizar os seus melhores”, concluiu.

Também o presidente da Ordem dos Arquitetos, José Manuel Pedreirinho valorizou o papel desenvolvido pela autarquia, na “preservação do património, realçando os melhores alunos e dando novas potencialidades ao património futuro”.

João Pedro Xavier, diretor da Faculdade de Arquitetura, entende que “a melhor lição de Arquitetura consiste em levar os alunos à Casa das Marinhas” e Francisco Laranjo, da Faculdade de Belas Artes, vincou o “importante papel da Câmara de Esposende, na preservação e promoção da Casa de Viana de Lima, obra na qual todos nos revemos”.

Daniela Pinheiro, vencedora do “Prémio de Pintura Alexandra Viana de Lima” destacou o “forte impacto emocional que o prémio produziu”, ao qual associou a vertente profissional, na medida em que o valor pecuniário do prémio permitirá “patrocinar os primeiros passos profissionais”. Já Sérgio Amaral Costa que venceu o “Prémio de Arquitetura Sílvia Viana de Lima”, destacou a “forte influência, após uma visita à Casa das Marinhas, pela perceção da relação do espaço com os objetos e com a luz”.

A atribuição dos Prémios Viana de Lima decorre de um protocolo estabelecido, em 2010, entre a Câmara Municipal de Esposende e a Universidade do Porto, mediante o qual o Município assumiu a gestão da Casa das Marinhas, da autoria do Arquiteto Esposendense Viana de Lima e propriedade da Universidade do Porto. O Município de Esposende compromete-se a distinguir, anualmente e durante 30 anos, com um prémio pecuniário individual de 2000 euros, os melhores alunos do curso de Arquitetura e de Belas Artes, sendo que, findo esse prazo, o imóvel passa a ser propriedade municipal.

A sessão incluiu a apresentação de um documentário sobre Viana de Lima e foi abrilhantada por um momento musical, protagonizado por Ernesto Clemente, barítono, e Ana Sousa, piano, ao qual se seguiu a declamação de um poema de Ruy Belo, por Ana Coutinho e Castro. Ana Gunther, amiga e aluna do arquiteto Viana de Lima, recordou que, para o autor da Casa das Marinhas, “materiais, equipamentos e as questões de estética eram muito importantes”.

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PAREDES DE COURA DEBATE ARQUITETURA TRADICIONAL

Vernadoc Camp Português. 1 a 15 de maio | Paredes de Coura

Primeiro foi “A linha zero & O horizonte perdido”, a conferência proferida pela arquiteta tailandesa Watanyoo Chompoo. Seria este o ponto de partida para agora, entre 1 e 15 de maio, duas dezenas de arquitetos das mais diversas geografias reunirem-se em Paredes de Coura para o Vernadoc Camp Português, onde se discute a importância de documentar o património arquitetónico tradicional e o seu impacte nas comunidades locais.

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Promovido pelo Município de Paredes de Coura em parceria com o Centro de Investigação da Escola Superior Gallaecia, esta iniciativa integra-se na longa tradição de campos de levantamento, iniciada há mais de um século na Finlândia, sendo atualmente desenvolvido sob a égide do ICOMOS, International Council on Monuments and Sites. 

Neste Vernadoc Camp Português, com a duração de duas semanas, serão documentados uma eira comunitária e os seus espigueiros, situados na pitoresca povoação de Porreiras, na região do Vale do Coura. Para além das sessões de levantamento e documentação, e como complemento da iniciativa, serão ainda realizadas visitas temáticas a locais de património vernáculo e de arquitetura contemporânea portuguesa, bem como trabalho documental na Casa do Conhecimento, em Paredes de Coura. 

Recorde-se que em outubro de ano passado, o nosso Município acolheu a conferência “A linha zero & O horizonte perdido”, por Watanyoo Chompoo. Baseada na sua experiência em ações de levantamento de arquitetura vernácula através do ICOMOS-CIAV, quer como participante, quer como coordenadora, esta arquiteta tailandesa retratou algumas das suas viagens e apresentou exemplos extraordinários da arquitetura tradicional asiática, assinalando sempre o potencial pedagógico do seu estudo.

Na sequência desta conferência, Paredes de Coura acolhe agora uma ação de campo de duas semanas com arquitetos dos vários cantos do mundo, que integram a rede VERNADOC (International Camp of Vernacular Architecture Documentation), numa iniciativa também aberta a estudantes de arquitetura e comunidade em geral.

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FAMALICÃO LANÇA PRÉMIO DE ARQUITECTURA

Câmara lança segunda edição do Prémio de Arquitetura Januário Godinho

Depois da edição de estreia em 2017, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão lança este ano a segunda edição do Prémio de Arquitetura Januário Godinho, voltando assim a galardoar a melhor reabilitação de edifício no concelho.

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De periodicidade bianual, o Prémio Januário Godinho tem um valor pecuniário de 7 mil euros, cabendo 2 mil euros ao promotor da obra e 5 mil à equipa projetista.  

O prazo de entrega das candidaturas ao prémio decorre até 11 de junho e apenas serão admitidas a concurso as obras concluídas entre 2017 e 2018.

Podem apresentar candidatura todas as entidades privadas que tenham promovido obras de reabilitação em qualquer edifício localizado nas áreas de reabilitação urbana do concelho ou, no caso das restantes áreas do território famalicense, em edifícios com idade igual ou superior a 30 anos.

Promover a salvaguarda e valorização do património edificado, bem como valorizar e promover a divulgação do trabalho desenvolvido por projetistas e construtores são os principais objetivos do Prémio de Arquitetura Januário Godinho.  

A reabilitação do Palácio da Igreja Velha, em Vermoim, foi a obra vencedora da primeira edição do prémio.

Mais informações em www.vilanovadefamalicao.org/_premio_januario_godinho

O PORTO É A CIDADE DA ARQUITETURA

Afirma ao BLOGUE DO MINHO o arquitecto Miguel Ibraim Rocha em entrevista conduzida por Benedita Aguiar

Miguel Ibraim da Rocha, arquiteto e fundador da Oficina de Projetos de Arquitetura UNUM Lda, profundo conhecedor da cidade do Porto e do país, com gabinete em plena Avenida dos Aliados, tem atualmente projetos em desenvolvimento nas principais artérias da cidade, de que são exemplo os edifícios na própria Avenida dos Aliados e Avenida Brasil, mas também em Lisboa onde o projeto referência é o Mosteiro de Santo Antãoo-Velho, vulgarmente conhecido como “O Coleginho”.

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As suas obras definem-se por traços limpos, com grande preocupação em manter a autenticidade dos edifícios, aceitando as contradições resultantes das suas múltiplas vivências históricas, mas sem complexos, é capaz de introduzir novas estruturas capazes de responder às exigentes novas realidades funcionais, exaltando, seletivamente percursos, espaços ou elementos arquitetónicos mais significativos.

Sentado atrás do seu estirador, o arquiteto conversou connosco, sobre a influência que a cidade do Porto teve e tem na sua vida, sobre os desafios da profissão em Portugal e sobre a oportunidade de fazer projetos dentro e fora de país. Descobrimos assim um pouco mais sobre suas inspirações e ambições.

Benedita Aguiar – Que significado tem o Porto na sua vida?

Miguel Ibraim da Rocha – O Porto é uma cidade deslumbrante com uma autenticidade arquitetónica muito própria e onde muitos estilos arquitetónicos se reúnem. Exemplos de arquitetura romana, gótica, barroca ou contemporânea, conferem a esta cidade uma extraordinária riqueza e que coloca o seu centro histórico como “um valor universal excecional” reconhecido e que merece especial proteção e valorização, listado por isso, como Património Mundial pela UNESCO.

O Porto é, quanto a mim, a cidade portuguesa da Arquitetura.

Devido a este seu património, cultura e identidade, a cidade encontra na arquitetura uma marca identitária, excecionalmente traduzida na sua "escola de arquitetura" que tem levado os seus herdeiros arquitetos aos mais altos patamares do reconhecimento arquitetónico mundial. Especial destaque, é claro, para os “Pritzker” Siza Vieira e Souto Moura, mas muitos outros se têm revelado e destacado por esse mundo fora.

Eu vivo e sinto esta cidade desde que nasci e o meu pai, construtor durante 50 anos, trouxe-me para dentro da construção e do mundo da arquitetura pelo que, desde muito cedo, encontrei na arte de construir a vocação à qual quis estar ligado

Benedita Aguiar – Quais os desafios que se apresentam a um arquiteto hoje em dia?

Miguel Ibraim da Rocha – Quando iniciei a atividade, devo dizer que não foi fácil. Sempre fui adepto de parcerias e as primeiras, por diversas razões, acabaram por não surtir o resultado esperado. Por outro lado e numa cidade de arquitetos é normal que a sociedade procure os arquitetos em voga. Entrar nesse mundo é pois um enorme desafio, complicado ao iniciar e depois de iniciar difícil de manter. Mas, por outro lado, sempre foi claro para mim que, tendo eu experiência do lado da promoção, teria de trabalhar com ousadia e precisão, percebendo e atendendo as necessidades de cada cliente, resultando em propostas inesperadas mas tecnicamente capazes. Hoje, um dos maiores mercados onde um arquiteto se pode afirmar é na reabilitação. Mas a reabilitação obriga a uma dose extraordinária de humildade do arquiteto perante a obra já construída, procurando, sempre que se justifique, manter a autenticidade do elemento arquitetónico, concordando eu aqui com Boito que aconselha a não se ludibriar as gerações presentes ou futuras, com mimetismos ou modas transitórias, devendo pelo contrário valorizar-se o estilo próprio da arquitetura, preservando-se deste modo a autenticidade das raízes culturais de uma região.

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Claustro do “Coleginho” – Mosteiro de Santo Antão-o-Velho

 

Foi este o pensamento que esteve na conceção do projeto de reabilitação do “Coleginho” em Lisboa onde a uma certa degradação formal do edifício, motivada por algumas adições espúrias, a recuperação do edificado não foi entendida com o sentido de uma recomposição arqueológica, mas antes e no essencial, da interpretação da organização espacial e dos caracteres tipológicos de uma construção que se revelou extremamente recetiva.

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“O Coleginho” – Proposta do conjunto com retificação volumétrica proposta

 

Assim, a intervenção, para além de considerar as melhores condições para a instalação do programa proposto, em todas as suas vertentes funcionais, teve como objetivo a clarificação volumétrica do conjunto, com particular relevância no desenho das coberturas, anulando os corpos disformes e adicionando uma nova cobertura que fecha o claustro, disciplinando assim o desenho formal, no objetivo de torná-lo mais coerente com a escala e tipologia do edifício. A solução, visa assim, restituir a autencidade ao edifício, aceitando as contradições resultantes de múltiplas vivências históricas mas também introduzindo, com critério, novas estruturas capazes de responderem às novas realidades funcionais, exaltando os elementos arquitetónicos mais significativos.

Benedita Aguiar – Que implicação tem o cliente no conceito arquitetónico e como este o influencia na hora de pensar a arquitetura?

Miguel Ibraim da Rocha – O cliente tem sempre implicação.

Em boa verdade, é ele que vai habitar e viver a casa. É importante por isso perceber quais as suas preocupações e desejos para que o arquiteto possa interpretar e dar uma resposta que vá de encontro a essas suas exigências.

Recentemente, numa casa projetada para um atleta de futebol internacional português, foi-me pedido algo singular. Tive de adaptar o projeto ao enorme número de troféus do cliente e ele queria, e bem, que estes estivessem em destaque numa das zonas da casa. Também existia uma enorme vontade que a casa fosse muito comunicante entre os espaços e mesmo entre os pisos.

A simplicidade conceptual e programática da casa une uma simplicidade estrutural definida por dois volumes, organizados sobre duas linhas estruturais que suportam a construção. Quando se abrem as janelas do piso térreo, a sala torna-se um piso livre, totalmente aberto para os jardins, quase fazendo parte deste.

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Casa em Paços de Ferreira

 

Benedita Aguiar – Na sua opinião, qual será o futuro da arquitetura com tanta evolução tecnológica?

Miguel Ibraim da Rocha – Li recentemente uma entrevista de Danièl Modol, presidente da Fundação Mies van der Rohe, onde ele afirma que a arquitetura está a entrar numa nova fase, onde os arquitetos aparecem novamente a dar relevo e atenção à memória dos lugares, porque estes são valores fortemente identitários.

Concordo em absoluto!

Considero, para além disso que esta ideia da memória deve ir mais longe com o emprego dos materiais tradicionais presentes logo no primeiro momento do “concept” arquitetónico, contribuindo assim para a sustentabilidade, mesmo na arquitetura pública onde esta ideia até deve ter um peso fundamental. Estamos neste momento a meio de um grande projeto público onde este carácter identitário do lugar é um dos temas do projeto.

Mas projetar é uma tarefa cada vez mais complexa. Hoje temos exigências técnicas que influenciam de sobremaneira o resultado final dos projetos. Veja-se por exemplo que ainda há uns anos atrás, raramente um projeto previa questões como as acessibilidades ou o comportamento térmico e acústico. Hoje, para além de uma obrigação técnica é uma imposição do cliente à qual o arquiteto tem de dar resposta. Eu diria que esta indústria do conforto incentiva o arquiteto a procurar e a planear novas soluções e a ter mais conhecimento sobre as várias tecnologias e soluções de mercado.

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Hotel em Matosinhos

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Reabilitação de prédio na Rua do Bonjardim no Porto

MIGUEL VENTURA TERRA FALECEU HÁ 100 ANOS!

No próximo dia 30 de Abril, passa precisamente 1 século sobre a data do falecimento de um dos mais proeminentes arquitectos portugueses – o ilustre caminhense Miguel Ventura Terra.

Natural de Seixas, a ele se deve a construção dos mais magníficos exemplares da arquitectura portuguesa do seu tempo, entre os quais salientamos a sua própria casa, na rua Alexandre Herculano, em Lisboa, onde veio a falecer. Edifício, aliás, que constitui um dos distinguidos com o Prémio Valmor. Por detrás, fica a magnífica Sinagoga Shaaré-Tikvá daComunidade Judaica de Lisboa, cuja inauguração ocorreu há 115 anos.

Mas, a ele se deve também, entre inúmeras outras obras e projectos, o edifício do Banco Totta & Açores, na rua do Ouro, em Lisboa, o Museu de Esposende, a renovação do Palácio de São Bento, a Maternidade Alfredo da Costa, o Liceu Camóes, o Liceu Pedro Nunes, o Santuário de Santa Luzia e o Hotel, em Viana do Castelo, o Hospital de Esposende e o Banco de Portugal, no Porto.

Fotos: CML

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COURENSES CAMINHAM PELA ROTA DA ARQUITECTURA TRADICIONAL

Rota da Arquitetura Tradicional em Paredes de Coura

12 jan | sáb | Casa do Conhecimento

Uma viagem pela arquitetura tradicional e, especificamente, no concelho de Paredes de Coura, que se estende do século XVIII até aos nossos dias, é o que nos propõe a iniciativa Rota da Arquitetura Tradicional, que tem lugar este sábado 12 de janeiro, a partir das 10h30, na Casa do Conhecimento em Paredes de Coura.

Promovida pela CIM Alto Minho em parceria com o Município de Paredes de Coura no âmbito do projeto “Alto Minho 4D - Viagem no Tempo”, a conferência “Da arquitetura tradicional” terá como ponto de partida as comunicações dos conferencistas Álvaro Domingues, Fernando Barros, Paulo Guerreiro e António Menéres.

O espaço rural e a chamada ‘arquitetura vernácula’, para além de serem uma fonte inesgotável do saber interpretar e usar a paisagem, usufruir dos recursos naturais, manipular e dominar os materiais disponíveis, são campos de trabalho onde as questões e desafios mais tem apaixonado a academia, desde a arquitetura à geografia, passando pela sociologia e antropologia.
Numa sociedade em profunda transformação, como se relacionam hoje as comunidades com o legado tradicional, a organização do espaço e da casa; como fazem da casa o grande espaço da sua afirmação social.
E, por fim, como é que a herança desta arquitetura influenciou os movimentos modernistas e uma possível ‘arquitetura nacional’, caso ela tenha existido?

No período da tarde, será efetuada uma visita guiada encenada, com partida às 15h00 da Câmara Municipal. A visita performativa é conduzida pela parceria Teatro do Noroeste – CDV e Comédias do Minho, em co-programação com a Talkie-Walkie e a Ondamarela, e conta com a participação da comunidade local.

Ainda durante o dia 12 e integrando também o programa, dezenas de sketchers percorrerão a vila de Paredes de Coura para o registo de pormenores do património deste concelho, no âmbito da ação “Sketching com História”, que conta com o apoio da Associação Urban Sketchers Portugal (UskP).

VISITA-PERFORMATIVA:

É na paisagem que vamos beber memória e grande parte da nossa identidade e dela retiramos também o prático do labor e a nossa força criativa. O estudo do território português ganhou peso a partir das primeiras incursões da Sociedade de Geografia de Lisboa, pelos finais do séc. XIX, tendo-se intensificado nos anos 40 do séc. XX, através de estudos importantes como os de Orlando Ribeiro, ou dos inquéritos à arquitetura popular idealizados por Francisco Keil do Amaral. A memória, no entanto, atraiçoa-nos, e ao alto-minhoto talvez muito mais, pois que o mundo se tornou de súbito muito pequeno, arrancando-o de um longo «tempo suspenso», na expressão de Álvaro Domingues. Sendo este tempo ainda visível, está já afastado da conceção pitoresca (explorada até à exaustão) de um Minho verdejante e lavrador e percebemos outrossim o erro, a adaptação e a vontade de uma ideia permanente (e premente) de progresso. Histórias todas estas que devem ser contadas à lareira por quem as sabe, como soía.

ARQUITETURA MODERNISTA ATRAI VISITANTES A ESPOSENDE

Arquitetura Modernista de Esposende é espólio invejável

O importante património arquitetónico de Esposende deve funcionar como propulsor do Turismo Cultural, atraindo visitantes que contribuirão para o crescimento económico do concelho, mas captando, também, novas obras de arquitetos de renome.

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Esta foi uma ideia consensual, na tertúlia promovida no Museu Municipal, tendo como tema “Património e Cultura(s)” e que foi complementada com a apresentação do catálogo da exposição “Arquiteturas do Concelho, Esposende entre o Atlântico e as suas terras”, do arquiteto António Menéres. Com moderação do presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, João Carlos Santos, subdiretor geral da Direção Geral do Património Cultural (DGPC), João Paulo Rapagão, professor da Universidade Lusíada, Paulo Guerreiro, responsável pela Casa das Marinhas e António Menéres, convergiram no reconhecimento da “excelência” do património existente em Esposende, capaz de atrair visitantes e projetar o concelho a nível mundial.

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O Roteiro da Arquitetura Modernista, propõe uma viagem por 18 exemplares arquitetónicos do concelho de Esposende, localizados em Marinhas, Esposende e Ofir, construídos entre os anos 40 e 70 do século XX, da autoria de dois engenheiros e doze arquitetos. Este pode ser, no entender dos quatro arquitetos participantes na tertúlia, o mote para “narrativas” sobre o território.

“As políticas de conservação do património, por vezes, servem para congelar. O património só tem importância se tiver utilidade”, defendeu João Paulo Rapagão, numa ideia corroborada por João Carlos Santos que defende um “património vivido”. Essa ideia perpassa a exposição de António Menéres que, numa exposição com 40 fotografias sobre Esposende, captadas no “Inquérito à Arquitetura Regional Portuguesa”, entre 1956 a 1960, retrata a arquitetura de então, mas associa as pessoas, os usos, a religião e as tradições.

Paulo Guerreiro entende que a Casa das Marinhas pode assumir-se como “epicentro do modernismo a Norte”, convergindo para a visibilidade de todo o património de Esposende. De resto, António Meneres inclui a Casa das Marinhas, “entre as dez obras mais significantes da arquitetura portuguesa”.

O presidente da Câmara Municipal de Esposende questionou os participantes, sobre a futura adaptação do Forte S. João Batista em espaço museológico, acolhendo os vestígios do navio quinhentista descoberto em Belinho. “Há todo o interesse e vontade em colaborar com a Câmara, para que o espólio seja exposto aqui”, avançou João Carlos Santos, diretor da DGPC, visivelmente agradado com o facto de um edifício do Estado que estava abandonado, tenha agora uma finalidade concreta.

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BRAGA RECEBE GRANDES VULTOS DA ARQUITECTURA E DO DESIGN

Durante dois dias grandes nomes da arquitectura e do design estarão em Braga, NA Trienal BANG no Altice Forum Braga

O Altice Forum Braga acolhe entre amanhã e Sábado, a 3ª edição da Trienal BANG, um evento de natureza Artística e Cultural, nos domínios da Arquitectura, Design, Música e Artes Plásticas, que contará com onde grandes nomes da arquitectura e do design.

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Uma iniciativa irreverente e criativa, que se estrutura em dois grandes momentos, exposição e conferências. Numa clara atitude multidisciplinar, a trienal pretende incentivar a reflexão, proporcionar o contacto entre instituições e profissionais de diferentes áreas, potenciando o estabelecimento de parcerias, sinergias e projectos de cooperação. Funciona também como um pólo difusor de talentos emergentes, promovendo, a criação de redes de contactos, a troca de conhecimento, e o enriquecimento e consolidação do percurso profissional.

A edição deste ano, sob o tema “o estado da arte”, reúne uma série de autores que representam uma nova geração, que testa os limites da sua área de estudo. Através da apresentação pública do seu trabalho, serão exploradas as questões actuais, sublinhando novas e arrojadas definições de arquitectura e design no alvorecer do terceiro milénio.

A Trienal BANG funciona como um polo difusor de jovens talentos emergentes, promovendo o trabalho desenvolvido por diversas academias e potenciando o estabelecimento de sinergias entre academias, empresas e outras entidades envolvidas. Nesta perspectiva, pretende-se criar uma rede de contactos entre jovens estudantes e profissionais, promovendo troca de conhecimento, tendo em vista o enriquecimento pessoal e profissional, facilitando e consolidado desta forma, o futuro percurso profissional.

A trienal BANG é, por excelência, um ponto de encontro entre artistas, arquitectos, designers, profissionais e estudantes, mas pretende aproximar a Arte e Cultura da sociedade civil.

O projecto, que começou em 2012 e prosseguiu em 2015, com o apoio do Orçamento Participativo de Braga, regressa novamente com o intuito de partilhar e democratizar o conhecimento.

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ESPOSENDE PROMOVE PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO

Património Arquitetónico e Cultura(s) dão mote a tertúlia

A Câmara Municipal de Esposende vai promover, na próxima sexta-feira, 7 de dezembro, no Museu Municipal de Esposende, uma sessão, com entrada livre, que inclui a visita à exposição, a tertúlia “Património Arquitetónico e Cultura(s) e a apresentação e distribuição aos presentes do catálogo da Exposição “Arquiteturas do Concelho”. Participam no debate o presidente da Câmara Municipal, Arq. Benjamim Pereira, o Arq. João Carlos Santos, da Direção Regional da Cultura do Norte, o Arq. João Paulo Rapagão, professor da Universidade Lusíada, o Arq. António Menéres, Comissário Científico da Exposição e o Arq. Paulo Guerreiro, Comissário da Exposição.

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Em julho passado, foi inaugurada a exposição “Arquiteturas do Concelho. Esposende entre o Atlântico e as suas terras” com fotografias do arquiteto António Menéres, resultantes do projeto “Inquérito à Arquitetura Regional Portuguesa”, realizado entre 1956 a 1960 e que consistiu no levantamento de toda a arquitetura popular do país.

Além do debate com o autor da exposição fotográfica, a tertúlia reunirá dois vultos da arquitetura portuguesa, João Rapagão, vencedor do prémio da 3ª Bienal Internacional de Arquitetura, realizada em 1997, em São Paulo, pelo projeto da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, instalada no Solar dos Távoras, e João Carlos dos Santos, coordenador do setor de Obras, Conservação e Restauro da Direção de Serviços dos Bens Culturais da Direção Regional da Cultura do Norte e autor do projeto de Recuperação e Reabilitação do Noviciado, Ala Sul e Claustro do Refeitório do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga.

Este regresso a Esposende do arquiteto António Menéres apresenta reflexos do passado, através de interpretações significativas, onde a arquitetura e o efeito social cruzam o mundo rural, as suas texturas fundidas com as gentes e geografias locais.

A exposição, que se mantem aberta ao público, está dividida em seis módulos principais: Território Histórico, Arquiteturas Rurais, Arquitetura Religiosa, Sargaceiros e Abrigos, Banho Santo e Esposende Hoje.

ESPOSENDE REALIZA TERTÚLIA SOBRE PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO

A Câmara Municipal de Esposende promove a Tertúlia “Património Arquitetónico e Cultura(s)” e a apresentação do catálogo da Exposição “Arquiteturas do Concelho”, a ter lugar na próxima sexta-feira, dia 7 de dezembro, no Museu Municipal de Esposende, de acordo com o seguinte programa:

16h00 - Visita à Exposição “Arquiteturas do Concelho”

16h30 - Tertúlia “Património e Cultura(s)”

               Presidente da Câmara Municipal, Arq. Benjamim Pereira

               Vice Diretor da DGPC, Arq. João Carlos Santos

               Arq. João Paulo Rapagão, Professor da Universidade Lusíada

               Arq. António Menéres, Comissário Científico da Exposição

               Arq. Paulo Guerreiro, Comissário da Exposição

Apresentação do Catálogo “Arquiteturas do Concelho

FERNANDA FRAGATEIRO EXPÕE EM ARCOS DE VALDEVEZ

Desencaminharte 2018: Inauguração da obra “A paisagem é” de Fernanda Fragateiro

No âmbito do Festival Desencaminharte, um programa da CIM Alto Minho que visa promover a criação artística no Alto Minho, através de uma dinâmica em rede que estimule o reconhecimento da sua identidade, no dia 22 de Novembro, pelas 11h30, realizar-se-á em Sistelo a apresentação da instalação artística A paisagem é”, da artista Fernanda Fragateiro.

Desencaminharte

O trabalho de Fernanda Fragateiro, após a realização de exposições individuais na Alemanha, Reino Unido e Espanha, da participação na Trienal de Arquitetura de Lisboa (2010), e na Dublin Contemporary (2011), tem vindo a obter cada vez maior destaque na arte contemporânea europeia. A artista é conhecida pelas suas intervenções escultóricas e arquitetónicas em espaços públicos como mosteiros, orfanatos, casas em ruínas. O seu trabalho tem sido exibido em museus e centros culturais de todo o mundo, como o Palm Springs Art Museum, nos Estados Unidos, o Palais des Beaux-Arts de Paris, e está representada em coleções como a Caixa Geral de Depósitos, Fundação de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal, ou Helga de Alvear, em Espanha.

Local: Paisagem Cultural de Sistelo / Monumento Nacional

(junto ao Miradouro dos Socalcos, Padrão/Porta Cova)

Programa:

Ato inaugural / Içar da 6ª bandeira

Com a presença da autora (artista Fernanda Fragateiro)

Mais sobre o DESENCAMINHARTE

A edição de 2018, com programação a cargo do coletivo HODOS, centra-se no desenvolvimento de dispositivos que contribuem para a valorização do património cultural e natural da região. Dez autores, relevantes no panorama artístico e arquitetónico contemporâneo, foram desafiados a intervir na paisagem singular de cada um dos dez municípios. A partir de uma leitura sensível e afetiva do lugar, estas obras serão construídas até ao final do ano, num diálogo aberto entre território, arte, cultura e população.

Este é um projeto promovido pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho) e cofinanciado pelo programa Norte 2020 – Programa Operacional Regional do Norte.

PAREDES DE COURA: A LINHA ZERO & O HORIZONTE PERDIDO

Conferência Watanyoo Chompoo

18 out | 18h30 | Casa do Conhecimento

“A linha zero & O horizonte perdido” é o tema da conferência que a arquiteta tailandesa Watanyoo Chompoo apresenta esta 5ª feira, 18 de outubro, pelas 18h30, na Casa do Conhecimento, em Paredes de Coura.

Watanyoo Chompoo vai apresentar a sua perspetiva sobre a importância de documentar o património arquitetónico tradicional e o seu impacto nas comunidades locais.

Baseada na sua experiência em ações de levantamento de arquitetura vernácula através do ICOMOS-CIAV, quer como participante, quer como coordenadora, Watanyoo retrata algumas das suas viagens mais recentes, onde nos apresenta exemplos extraordinários da arquitetura tradicional asiática, assinalando sempre o potencial pedagógico do seu estudo.

Na sequência desta conferência “A linha zero & O horizonte perdido”, Paredes de Coura vai acolher em meados do próximo ano uma ação de campo de duas semanas com arquitetos dos vários cantos do mundo, que integram a rede VERNADOC (International Camp of Vernacular Architecture Documentation).

Estas duas semanas de campo decorrerão em Porreiras, mas também em Vilarinho e Reirigo, de cujos exemplos mais característicos no plano arquitetónico merecerão uma futura exposição com arquitetos de todo o mundo.

Watanyoo Chompoo’ Shivapakwajjanalert é arquiteta pela Rangsit University (RSU), Tailândia, desde 1999. Desenvolve parte significativa da sua atividade profissional no gabinete de arquitetura tailandês Dhamarchitects, com obra reconhecida e premiada localmente.

Participa regularmente como especialista internacional na rede VERNADOC (International Camp of Vernacular Architecture Documentation) através do ICOMOS-CIAV. Foi coordenadora do VERNADOC Phuket em 2017. Complementarmente trabalha como ilustradora e fotógrafa e tem como grande paixão o estudo da arquitetura tradicional.

QUEM FOI O ARQUITECTO ESPOSENDENSE VIANA DE LIMA?

Alfredo Evangelista Viana de Lima, foi um arquiteto português.

Ocupa uma posição de destaque na segunda geração arquitetos modernistas portugueses, tal como Keil do Amaral, Arménio Losa ou Januário Godinho. A sua atividade projetual e intervenção cívica foram cruciais para a redefinição do pensamento e da prática arquitetónica nacional no período do pós-guerra.

Viana de Lima em Ouro Preto Brasil_1972

Nasceu em Esposende a 18 de Agosto de 1913, filho único de Alfredo Viana de Lima, professor primário, e de Joaquina de Campos Evangelista de Lima. Formou-se em arquitetura na Escola de Belas Artes do Porto (1929-41), onde foi colega de Januário Godinho, Agostinho Ricca e Mário Bonito, terminando o curso com uma tese intitulada Uma Biblioteca-Arquivo para o Ensino Universitário e a classificação de 19 valores. É ainda nessa época que conhece Iria Beaudouin, filha de uma família originária do sul de França, com quem viria a casar-se.

Estagiou na Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais do Ministério das Obras Públicas sob a orientação do Arquiteto Rogério de Azevedo (1938-1941).

Realizou viagens de estudo a diversos países – Bélgica, Estanha, França, Holanda, Inglaterra, Jugoslávia, Itália, Suécia, Suíça –, centrando a atenção nas áreas da arquitetura e urbanismo.

Em 1947 foi um dos membros fundadores do grupo ODAM (Organização dos Arquitectos Modernos). No ano seguinte participou ativamente no I Congresso Nacional de Arquitectura, onde apresentou uma comunicação intitulada O problema português da habitação, onde fazia a defesa dos princípios da Carta de Atenas, que reclamava para as edificações (urbanas ou rurais) e para os planos de urbanização dos centros populacionais.

Participou nos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM) em Hoddesdon, Inglaterra (1951), Aix-en-Provence, França (1953), Dubrovnik, Jugoslávia (1956), Otterlo, Holanda (1959). Participou em muitas outras reuniões internacionais, no âmbito do CIAM e não só (Sigtuna, Suécia, 1952; Paris e La Serraz, 1955; Japão, 1959; etc.). Fez várias missões ao Brasil como consultor da UNESCO (1966-77).[

Uma das suas obras mais marcantes é a habitação unifamiliar Honório de Lima, no Porto, demolida em 1971 ("um atentado patrimonial da maior gravidade" segundo Pedro Vieira de Almeida), onde se sente já uma deliberada aproximação a Le Corbusier. Radicalmente moderno, este projeto pioneiro de 1939 antecipa outros que o Porto iria conhecer nos anos seguintes. Segundo Carlos Duarte, trata-se de um "projeto-chave, pela sua qualidade e valor moral, que iria influenciar não só os arquitetos do Porto, mas os de todo o país".

Também devedor do exemplo da arquitetura brasileira (nomeadamente de Oscar Niemeyer, que conheceu pessoalmente cerca de 1968 e com quem haveria de se associar para a realização de dois projetos), a arquitetura de Viana de Lima concilia habilmente a invocação de raízes culturais e o exercício virtuosístico de uma linguagem tipicamente modernista, le-Corbusiana, numa síntese em que balanceia "uma modernidade sintática a que aderia e que lhe apetecia explorar" e um "inelutável desejo de recuperação do passado e de legitimação histórica".

Na sua extensa obra nas áreas do planeamento e da arquitetura assinalem-se ainda o plano de urbanização para a cidade de Bragança (início em 1960), o Bloco Habitacional de Costa Cabral, Porto, a Faculdade de Economia da Universidade do Porto, o complexo hospitalar de Bragança ou a sua própria casa em Esposende (Casa das Marinhas).

A partir da década de 1960 Viana de Lima dedicou-se também ao levantamento e recuperação de edifícios históricos e ao planeamento de zonas urbanas antigas.

Em 1961 foi nomeado Assistente da Escola Superior de Belas Artes do Porto, então dirigida por Carlos Ramos, ascendendo ao cargo de Professor em 1974 (pede a demissão em 1981). Já à beira da reforma, entre Fevereiro e Julho de 1983 lecionou na secção de arquitetura da Escola de Belas-Artes de Lisboa; foi nomeado Conselheiro da Universidade Técnica de Lisboa. Ainda na década de 1970 dirigiu seminários em diversas universidades brasileiras (Baía; São Paulo; Recife).

Participou em diversas exposições, nomeadamente na do grupo ODAM, Ateneu Comercial do Porto, 1951 (onde expôs, entre outros projetos, o da moradia Honório de Lima), e na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, 1961, onde foi agraciado com o Grande Prémio de Arquitetura. Recebeu outras distinções, brasileiras e portuguesas, nomeadamente o Grande Colar Santiago da Espada (conferido a título póstumo).

Faleceu em 1991 e é consensualmente considerado um dos expoentes maiores da arquitetura portuguesa do Século XX.

Algumas obras e projetos

  • 1939 – Moradia Honório de Lima, Porto (finalização da obra, 1943).
  • 1943 – Bloco habitacional de Sá da Bandeira, Porto (não construído) | Projeto para o Hotel Império, Praça da Batalha.
  • 1949 – Moradia Aristides Ribeiro, Porto (finalização da obra, 1951).
  • 1950 – Moradia Borges, Porto (finalização da obra, 1958).
  • 1952 – Moradia Olívio França, Vila Verde.
  • 1953 – Bloco habitacional de Costa Cabral, Porto (finalização da obra, 1955).
  • 1954 – Casa das Marinhas, Esposende (finalização da obra, 1957).
  • 1957 – Complexo Hospitalar de Bragança.
  • 1958 – Remodelação e ampliação do Hotel Suave-Mar, Esposende.
  • 1960 – Conjunto de Escolas Primárias e Habitação, Bragança | Plano de Urbanização de Bragança (início).
  • 1961 – Faculdade de Economia da Universidade do Porto.
  • 1962 – Moradia Francisco José Evangelista, Porto.
  • 1963 – Edifício Multiusos, Bragança.
  • 1966 – Mercado dos Vinhais.
  • 1966 – Bloco habitacional e de serviços, Vila Verde
  • 1968 – Co-autor, com Oscar Niemeyer, do projeto do Casino-Hoteldo Funchal, Madeira.
  • 1971 – Palácio de Justiça de Caminha.
  • 1977 – Palácio de Justiça de Vila da Feira.
  • 1978 – Casa Napoleão Amorim, Aguda.
  • 1981 – Projetos e obras de recuperação e adaptação do Museu do Mosteiro de Santa Maria da Vitória,
  • 1985 – Reabilitação da Praça da República, Viana do Castelo.
  • 1985 – Desenha o jazigo de Viana de Lima, Esposende

Fonte: Wikipédia

ORDEM DOS ARQUITETOS EXPÕE SOBRE A OBRA DE VIANA DE LIMA

Inaugurada em Lisboa exposição sobre Viana de Lima

Está patente, na galeria da sede nacional da Ordem dos Arquitetos, em Lisboa, a mostra "Memento/Momento", sobre a obra do arquiteto Viana de Lima. O Município de Esposende associa-se, assim, à Ordem dos Arquitetos Portugueses, comemorando o mês da Arquitetura, com uma exposição da vida e obra do arquiteto que estará patente até 30 de outubro.

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Para o presidente da Ordem dos Arquitetos, José Manuel Pedreirinho, trata-se de "uma exposição bem documentada sobre Viana de Lima que reúne as obras mais significativas do arquiteto". José Manuel Pedreirinho destacou a importância da Casa das Marinhas – “de visita obrigatória”, sublinhou-, cujo "trabalho da escala interior é fabuloso e merece estudo atento".

Paulo Guerreiro, do Município de Esposende, fez a apresentação da exposição, enquadrando as obras nas diferentes fases da vida de Viana de Lima e apontou outros pontos de partida para a investigação, nomeadamente pelos muitos alunos de Arquitetura presentes na abertura da exposição.

O presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, sublinhou a importância da revelação da obra de Viana de Lima, sublinhando "todo o trabalho que tem sido feito em Esposende, na defesa da arquitetura". Enquadrou, nesse trabalho, o projeto de recuperação do edifício Pérola, em Apúlia, ou o processo de cedência do Forte de S. João, assim como a Estação Radionaval de Apúlia, edifícios adquiridos pela autarquia e que serão intervencionados.

"Tem sido essa a postura do município, na defesa da cultura, porque temos aspirações de oferta de cultura de qualidade à nossa população, além da qualidade ambiental para viver", disse Benjamim Pereira.

Denominada "Memento, Momento", a exposição reúne o processo-síntese onde se resume uma parte da obra do arquiteto ou apontamento em modo de lembrete do que se tem de fazer e Momento, projetando espaços de tempo que foram materializados e traduzidos em arquitetura.

Numa secção do acervo expositivo do arquiteto esposendense, predomina o processo de desenho clássico das proporções. Na segunda parte, observa-se a interceção com o Movimento Modernista Europeu que foi o ingrediente explosivo de uma “supernova” que desponta no panorama da arquitetura portuguesa, entre correntes ideológicas contraditórias do Estado Novo.

O arquiteto Viana de Lima foi autor, entre outros projetos, da denominada “Casa das Marinhas”, edifício classificado como Monumento de Interesse Público, desde 2012, e registada na Fundação Docomomo Ibérica, organismo internacional que preserva edifícios icónicos da arquitetura modernista.

De resto, inserida nas comemorações do Mês da Arquitetura, a “Casa das Marinhas” acolhe duas iniciativas que visam dar a conhecer a habitação: “Cas’Aberta” e “À descoberta da Casa”.

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