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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CARLOS GOMES – ADMINISTRADOR DO “BLOGUE DO MINHO” – PRESTOU DEPOIMENTO AO JORNALISTA AMADEU ARAÚJO DO JORNAL EXPRESSO ACERCA DOS ESPIGUEIROS

“A segunda vida dos espigueiros do Alto Minho” é o título da peça jornalística de Amadeu Araújo no caderno “Economia” da edição desta semana do jornal “Expresso”.

Tal como refere o subtítulo, os espigueiros “Nasceram para a atividade agrícola, mas agora dão lugar a pequenas casas e também a espaços culturais”. O artigo releva a sua importância como património da arquitectura tradicional de cariz popular e a necessidade de preservar, conferindo-lhes outras utilizações, principalmente com vista à transmissão de conhecimentos e conservação da memória e da identidade do povo.

Ponte de Lima e Paredes de Coura encontram-se na rota deste excelente trabalho que procura valorizar o que é nosso.

Clique na imagem!

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QUEM FOI O ARQUITECTO BRACARENSE QUE ARQUITECTOU O PANTEÃO NACIONAL?

JOÃO ANTUNES – Arquiteto

É encarado como o arquiteto mais proeminente do período barroco, do nosso país. Nasceu em Braga em 1643 e faleceu em 1712. Cedo rumou a Lisboa, onde se formou e ganhou nomeada, graças à recuperação, feita por encomenda do Rei D. Filipe III, do Palácio da Ribeira.

A sua fama singrou de tal forma que, já depois da Restauração do Reino, El-Rei D. João IV o nomeou Arquiteto da Corte de Portugal. Além de várias obras realizadas em Lisboa, arquitetou a Igreja do Bom Jesus de Barcelos, o Túmulo da Princesa Joana, em Aveiro, a renovação da Sacristia da Sé Primacial de Braga, entre outras obras de real importância por todo o país.

Em 1682 foi-lhe confiada a sua obra máxima: a IGREJA DE SANTA ENGRÁCIA, que, pela Lei nº 520 de abril de 1916, ficou sendo o PANTEÃO NACIONAL. Este monumento é considerado uma das obras arquitetónicas barrocas mais importantes do nosso país. (Foto)

Note-se, como curiosidade que, segundo a lenda, Santa Engrácia, uma das primeiras mártires do cristianismo do século III, teria nascido em Bracara Augusta

Fonte: Manuel Campos / Memórias de Braga – Roteiro Histórico e Monumental

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SOAJO: TERRA DE PÃO QUE A CRUZ ABENÇOA E PROTEGE! – ATRAVÉS DA OBJECTIVA DE JOSÉ COSTA LIMA

Os espigueiros são construções de arte popular ligadas à cultura do milho

Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural, um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!

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Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflete a grandeza da produção que normalmente é efetuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.

Os espigueiros encontram-se, em regra, implantados em zonas onde o terreno é mais elevado de forma a permitir a secagem do milho. Nas imediações, encontra-se a eira que aproveita as características de um solo mais plano e lajeado. É aí que se malha o centeio onde se desfolha o milho, dando lugar às alegres descamisadas que constituíam um pretexto para a escolha do namorico.

A origem deste género de construções encontra-se principalmente ligada à introdução da cultura do milho na Península Ibérica de onde irradiou para o resto do mundo. Outrora designado por “trigo índio”, o milho deverá ter-se originado do México de onde, há cerca de quinhentos anos, foi trazido nas naus de Cristóvão Colombo. Desde tempos imemoriais, o milho constituiu a base da dieta alimentar dos maias, incas e aztecas que o incluíam nos seus ritos ancestrais e o celebraram nas suas manifestações artísticas.

A sua implantação, entre nós, registou-se sobretudo na região do Minho e da Galiza, facto a que certamente não foram alheias as condições favoráveis à sua produção e onde prevalece a cultura de regadio. Com o decorrer do tempo, o cultivo do milho passou a estender-se a outras regiões, nomeadamente no centro do país onde predomina a cultura de sequeiro.

Em relação ao espigueiro, estes apresentam-se das mais variadas formas e dimensões de acordo com as quantidades de grão a armazenar, as regiões onde se encontram e os materiais disponíveis para a sua construção. Em localidades onde a pedra escasseia, os espigueiros são geralmente construídos em madeira. Porém, atendendo à sua predominante distribuição espacial, a maior parte encontra-se construída em pedra e madeira. A sua fisionomia é variada, existindo sob formas retangulares, quadradas e redondas. Contudo, ele apresentou-se inicialmente sob uma forma mais rudimentar, na maioria das vezes feito apenas de caniços com cobertura de colmo, tal como aliás sucedia com as habitações mais humildes. E, as técnicas empregues na sua construção evoluíram à medida que se foi constatando a melhor forma de secar o cereal mantendo-o simultaneamente fora do alcance de elementos indesejáveis.

Constituindo a secagem a sua principal função, o espigueiro é construído de molde a proteger as espigas da humidade, salvaguardando-as da intromissão dos pássaros, insetos e roedores, assegurando ao mesmo tempo o necessário arejamento do seu interior. E, este cuidado é tão importante quanto adverso poderá ser o inverno que se aguarda pouco tempo após a colheita do milho e as suas descamisadas.

Tomando como modelo de referência os existentes no Minho, o espigueiro é geralmente construído em madeira e pedra, quase sempre em granito extraído na região. Encontra-se frequentemente assente em pilares que o elevam do solo, sobre os quais assentam os dinteles que são os esteios que suportam toda a estrutura e onde se encaixam as aduelas. Estas apresentam-se de forma intervalada para permitir, através das fissuras propositadamente deixadas abertas, efetuar-se o arejamento do seu interior. Para prevenir o acesso das formigas, uma pequena fossa com água rodeia as sapatas onde assentam os pilares do espigueiro. De igual modo, os “torna-ratos” protegem-no dos roedores. Regra geral, são cobertos de telha, existindo porém alguns que se apresentam com cobertura de colmo ou em pedra, sendo mais frequentes nestes casos em lousa e piçarra.

Para além dos elementos arquitetónicos que caracterizam o espigueiro, este é frequentemente encimado por algum elemento de adorno, na maioria das vezes uma cruz, pretendendo-se assim abençoar o milho que se irá transformar, tal como o padeiro que, antes de levar o pão ao forno, procede de forma solene a acompanhar a ladainha.

Persistem em diversas localidades hábitos ancestrais que levam à utilização comum dos espigueiros de acordo com costumes e leis comunitárias. Encontram-se neste caso a eira que se aninha junto às muralhas do castelo do Lindoso, em Ponte da Barca, e no Soajo, em Arcos de Valdevez, onde o seu uso se estende ainda a práticas iniciáticas que contemplam o alojamento dos noivos que aí vão dormir juntos antes da celebração do casamento.

Mais do que propriamente meros celeiros onde se guardam as espigas das quais se produzirá o pão que vai à mesa do agricultor, amassado com o suor do seu próprio rosto e benzido com a sua Fé, os espigueiros constituem verdadeiras obras de arte popular que reúnem uma elevada carga simbólica, quais sacrários onde o povo guarda o alimento para o ano inteiro e, como tal, sinalizado com a cruz que o protege e resguarda de toda a maldição. Como tal, devem ser preservados como um dos mais ricos elementos do nosso património cultural de interesse etnográfico.

- GOMES. Carlos http://www.folclore-online.com/index.html

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GRUPO "VENCIDOS DA VIDA" REUNIA NOS FINAIS DO SÉCULO XIX EM CASCAIS NA "CASA MINHOTA" PROPRIEDADE DE EÇA DE QUEIRÓZ

Projetada em 1890, pelo Conde de Arnoso, engenheiro de profissão, que a designou por “casa minhota”. É a primeira casa de “estilo português” a ser construída na vila de Cascais. Nela se reuniram o grupo Vencidos da Vida, constituído, entre outros, pelo proprietário da casa, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão.

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Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

UNIVERSIDADE DE AVEIRO E DREAMDOMUS DESENVOLVEM SOLUÇÃO INOVADORA DE CONSTRUÇÃO MODULAR

De construção rápida, fácil, barata e sem gruas. Estas são as principais vantagens da solução inovadora de construção modular desenvolvida na Universidade de Aveiro (UA). Já patenteado a nível nacional e a aguardar patente internacional, o sistema permite que os módulos possam ser fabricados em diferentes tipos de materiais e ser utilizados na construção de pequenas habitações e outras instalações permanentes ou temporárias.

Sérgio Almeida (Dreamdomus), Carlos Relvas (UA) e

Sérgio Almeida (Dreamdomus), Carlos Relvas (UA) e o arqº Alberto Montoya 

 

“Trata-se de um sistema de construção modular baseado em blocos multifuncionais, cuja principal característica é permitir uma montagem rápida, segura e limpa que pode ser efetuada por qualquer pessoa”, aponta Carlos Relvas, o investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da UA que concebeu o novo sistema.

“Em termos de sustentabilidade e de economia circular as construções resultantes deste sistema oferecem boas condições de habitabilidade e consumos energéticos mínimos, além de que os blocos são reutilizáveis permitindo alterações futuras”, aponta o cientista.

A conceção do sistema patenteado beneficiou de uma candidatura de projeto de I&D ao programa COMPETE 2020 – P2020, em co-promoção entre uma equipa de investigadores da UA (Carlos Relvas, António Ramos, Jorge Ferreira, Mónica Oliveira e Nelson Martins) e a empresa Dreamdomus, de onde resultou o seu nome de batismo “BrickITsmart” (www.brickitsmart.com ). O consórcio conta ainda com a participação do arquiteto Alberto Montoya.

Os estudos desenvolvidos no âmbito do projeto, permitem desde já concluir que os módulos garantem boas condições de habitabilidade e conforto e podem ser uma boa solução na utilização de espaços temporários multifuncionais ou até mesmo na criação de alojamento temporário nomeadamente residências para estudantes.

Reutilizável vezes sem conta

O BrickITsmart tem como principal caraterística a existência de um modulo base de 3x3 metros e 22,5 metros cúbicos que pode ser instalado em menos de 24 horas e com recursos mínimos, isto é, bastam uma ou duas pessoas para a sua instalação e sem recurso a gruas ou equipamentos auxiliares de elevação ou carga. A este módulo base podem ser acrescentados outros módulos idênticos ou com dimensões submúltiplo deste.

O sistema de construção modular, aponta Carlos Relvas, “é muito fácil de produzir, transportar e montar o que torna excelente a sua aplicação na construção pré-fabricada ou modular”. Este sistema “tem como elemento nuclear, um bloco dotado de uma geometria especifica que apresenta as seguintes vantagens: pode ser utilizado em paredes exteriores ou interiores; as paredes não racham, não precisam de manutenção e o seu acabamento interior e exterior pode ser personalizado”.

Leve, compacto, fácil de transportar e acondicionar, o investigador garante que o BrickITsmart permite uma montagem fácil e isenta de erros já que “a ligação entre os elementos é guiada, autoajustável, estável e desmontável, podendo ser montado em diferentes orientações atendendo à simetria dos encaixes de ligação”. Os blocos podem ser produzidos em diferentes tipos de materiais e serem reutilizados o número de vezes que se pretender uma vez que as ligações entre estes não é colada.

O desenvolvimento do sistema tem sido orientado para a sua utilização na área habitacional e de construção civil, mas o conceito poderá ser utilizado em outras áreas industriais, nomeadamente na indústria de mobiliário.

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MONUMENTO EVOCATIVO A D. DIOGO DE SOUSA SIMBOLIZA ABERTURA DE BRAGA AO MUNDO

Proposta vencedora enaltece visão estratégica da passagem do Arcebispo pela Cidade

‘Porta Aberta’, apresentada pelo gabinete de arquitectura ‘Sequeira Arquitectos’, é o nome da proposta vencedora do concurso de ideias para a criação de um monumento evocativo ao Arcebispo D. Diogo de Sousa. Após a análise dos trabalhos, o júri do concurso atribuiu ainda duas menções honrosas às propostas apresentadas pelos arquitectos Nuno Alexandre Galamba Caeiro Martins e Ângelo Manuel Morgado Ribeiro, que se distinguiram pela sua singularidade.

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O monumento, que será instalado no Campo da Vinha, no cruzamento entre a Rua dos Capelistas e a Rua Dr. Justino Cruz, será uma evocação da personalidade religiosa e secular de D. Diogo de Sousa que, através da sua “porta visionária”, abriu Braga ao mundo.

“D. Diogo de Sousa, ao passar por Braga, engrandeceu esta Cidade. Esta ‘porta’ representa toda a sua visão estratégica que, através da sua passagem por Braga, deixou obras impactantes de extrema importância, que ainda hoje marcam o ADN desta ilustre Cidade”, é referido na memória descritiva do projecto, lembrando que a porta “simboliza a diferença que cada um pode fazer ao passar num determinado local”.

A apreciação do júri, presidido por António Ponte, director Regional de Cultura do Norte, baseou-se na observação rigorosa dos objectivos formulados nos termos de referência, valorizando a forma como o trabalho premiado se insere no contexto urbano e também pela sua expressão contemporânea.

Com este monumento, o Município pretende evocar a figura mais importante do urbanismo Bracarense de todos os tempos e, dada à qualidade das propostas apresentadas, o júri entendeu, também, manifestar o seu agradecimento a todos os concorrentes, pelo contributo dado para a reflecção conducente à concretização de um monumento evocativo ao Arcebispo D. Diogo de Sousa. O regulamento prevê a atribuição de 4 mil euros ao vencedor do concurso e mil euros para cada menção honrosa.

O júri integrou ainda o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, o vereador do pelouro da Regeneração Urbana e Património Cultural da Câmara Municipal de Braga, Miguel Bandeira, o representante da Arquidiocese de Braga, Mário Paulo Pereira, o representante técnico da Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, Maria Manuel Lobo Pinto de Oliveira, responsáveis da Divisão do Centro Histórico, Património e Arqueologia da Câmara Municipal de Braga e representantes da Sociedade Nacional de Belas Artes.

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ARQUITECTO CASSIANO BRANCO PROCUROU MONUMENTOS NA GALIZA EM 1959

Carta do arquitecto Cassiano Branco em 18 de Fevereiro de 1959, dirigida ao posto de informação da Direcção Geral de Turismo de Lugo, solicitando o envio de fotografias da ponte sobre o rio Minho, de ruínas, de muralhas, de termas romanas e de outros monumentos de valor arquitetónico e arqueológico da região de Lugo, a fim de serem reproduzidos no seu livro.

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

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BRAGA: CONSTRUÇÃO DO "CASTELO DA DONA CHICA" EM 1915

Construção do Palácio Rego, na freguesia de Palmeira, em Braga.

Atualmente conhecido por Castelo da Dona Chica foi desenhado pelo arquiteto suíço Ernesto Korrodi em 1915, para servir de habitação a João José Ferreira do Rego e sua mulher, a brasileira Francisca Peixoto Rego, com quem casou em 1914.

O imóvel está classificado como Monumento de Interesse Público

Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

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VILA VERDE: CASA DA TORRE DE SOUTELO EM 1940

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Vista parcial da fachada principal da casa, tirada do jardim, em 1940

 

Casa da Torre ou Solar da Torre, é um solar barroco construído no século XVIII com alguns elementos arquitetónicos típicos da Idade Média, como o caso da torre. Fica situada em Soutelo, no concelho de Vila Verde, no Distrito de Braga.

Pode ser também designado por "Centro de Espiritualidade e Cultura" pelos seus responsáveis por hoje ser um espaço de oração, de exercícios espirituais e de formação e sossego. Hoje pertence à Companhia de Jesus mas já foi antigo seminário dos Jesuítas.]

É uma casa rural, onde a utilização inicial era de residência. Implantada no Vale do Rio Cávado, próxima da Foz do Rio Homem é vedada por um muro alto e com portão de entrada de frontão curvilíneo, no qual ao centro está incrustado o brasão de Viscondes da Torre. A casa é composta por 3 corpos: torre, casa e capela. A torre tem 3 pisos e é o volume mais alto; a casa tem 2 pisos, onde o andar nobre mantém os tetos de madeira intactos e alguns armários de madeira embutidos, assim como algum soalho e uma sala apainelada. A capela que é o volume mais baixo tem a fachada principal virada para o exterior.

Na residência ainda se encontra o Pelourinho de Larim (padrão de soberania), onde os criminosos sofriam castigo físico, mas não a pena de morte.

No que remete à história da casa é datada no ano de 1743 invocando o crisma de Maria Josefa de Magalhães Feyo de Azevedo e inscrição a D. João da Silva Ferreira, bispo de Tânger na capela. Em 1758 a casa pertencia a Dr. Couto Magalhães. Por seguinte, era em 1847 representante da Casa da Torre o fidalgo da casa real e coronel de caçadores José Feyo de Magalhães Coutinho, primeiro Barão da Torre em 13 de Agosto desse mesmo ano e Visconde do mesmo título em 1870.

Por fim em 1950 o imóvel passou para os atuais proprietários, por legado da Viscondessa da Torre de nome D. Maria Cândida do Patrocínio Malheiro Reimão Teles Calheiros de Meneses e Sá (n. 15 de Abril 1859 – m. 2 de Maio 1947), viúva do segundo Visconde de nome Alberto Feio da Rocha Páris (n. 6 de Janeiro 1863 – m. 25 de Junho 1912). No mesmo ano há a remodelação da casa da Torre e a construção do edifício do Instituto Missionário da Companhia de Jesus acossado ao solar.

Fonte: Wikipédia

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Pormenor do portão principal que dá acesso à entrada da propriedade.

 

Arquitectura residencial, barroca e rococó e religiosa do período do Estado Novo.

Quinta com solar barroco do tipo casa-torre, composto por dois corpos, um deles correspondendo à torre, com capela adossada, em eixo, de planta longitudinal e grande edifício do Estado Novo, correspondendo ao antigo noviciado, hoje ocupado pelo Centro de Espiritualidade e Cultura, de planta irregular, com vários corpos formando duas alas, uma com claustro e outra com pátio interior.

Este núcleo de construção mais recente integra no seu interior uma igreja de planta longitudinal com capela-mor semicircular e duas pequenas capelas. Solar com fachada principal precedida por grande escadaria de acesso ao segundo piso, que corresponde ao piso nobre, rasgada neste registo por janelas de sacada encimadas por cornijas rectas e ao centro portal encimado pela pedra de armas. Torre rasgada por janelas, na fachada principal de sacada, com remate em merlões e trapeiras de faces em granito. Capela com fachada principal virada ao exterior, rematada por frontão triangular, com escadaria a preceder o portal principal, em verga recta, encimado por fresta de arejamento e frontão de volutas, interrompido por pedra de armas.

Edifício do Centro de Espiritualidade e Cultura com fachada principal perpendicular à do solar, com pedra de armas junto ao remate. Toda a decoração é bastante rectilínea, nomeadamente os vãos, alguns constituídos por altos arcos quebrados de inspiração revivalista neogótica, os pináculos, as pedras de armas, a sineira e a grande chaminé. Alguns panos são em cantaria de granito, entre outros pintados de branco, acentuando a verticalidade e geometria das fachadas. Alguma fenestração apresenta sequência de cachorros a suportar as sacadas ou os parapeitos, seguindo algumas vezes o alinhamento de três vãos dispostos horizontalmente.

Este tipo de linguagem decorativa assemelha-se bastante quer à usada na arquitectura residencial, quer à usada na administrativa e judicial, este último caso notório no escudo jesuíta da fachada lateral, muito semelhante aos utilizados nos edifícios públicos. Claustro com arcaria plena, nos ângulos com cruzes de malta vazadas, mantendo a mesma linguagem geometrizante. Interior do solar piso nobre com corredor central de distribuição para as diversas salas, algumas intercomunicantes, com tectos de madeira, em masseira e planos. Capela de decoração rococó com cobertura em abóbada de berço, balaustrada do coro-alto, sanefas e guarda do púlpito em madeira com filetes dourados, as últimas com decoração exuberante de concheados. Retábulo-mor também rococó, em talha policroma, com formas ondulantes e decoração fitomórfica e concheados.

Edifício do Centro de Espiritualidade e Cultura com escadaria principal de comunicação com salas de estar e retiro e quartos, com pavimentos em madeira e tijoleira e tectos de estuque. Igreja ampla, com cobertura de betão, ritmada por arcos abatidos, com coro-alto também de betão. Apresenta linguagem decorativa simples, pontuada apenas pela monumentalidade e cor dos enormes vitrais emoldurados por arcos quebrados e pelo grande baldaquino da capela-mor, de linguagem moderna, recorrendo ao uso dos arcos quebrados, patente na arcaria de suporte, ritmada por imaginária pétrea. Capela de São José com recurso também aos arcos quebrados, usados a emoldurar o portal, na parede testeira, nos vitrais e nos nichos com imaginária.

Na quinta encontram-se ainda dependências agrícolas compostas por eira, sequeiro, espigueiro e tanque. Portal principal da quinta, monumental de enorme riqueza e exuberância decorativa, com alguns pináculos de inspiração vegetalista, semelhantes ao trabalho escultórico de Nasoni.

Capela do solar com escadaria protegida por guarda plena com decoração relevada simulando grade de ferro cruzada. No interior do solar, no piso térreo conservam-se dois grandes arcos plenos, que marcavam a passagem entre os salões primitivos. O andar nobre mantém intactos os tectos de madeira e alguns armários de madeira embutidos. Guarda do púlpito com busto de olhos vendados, em alto relevo, possivelmente aludindo à Justiça.

O grande edifício do Centro de Espiritualidade e Cultura foi concebido em torno do antigo solar, não o anulando, com a preocupação de manter a sua traça original e procurando uma harmonia, através da simplicidade decorativa, do emprego de granito em contraste com o branco das fachadas, do recurso de cornijas rectas a encimar os vãos da fachada principal e na grande pedra de armas, à semelhança do que acontece no solar.

Fonte: SIPA

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Vista geral do pelourinho quinhentista de Larim ou de Vila Chã, implantado no jardim da Casa Torre, junto à fachada principal do edifício do Centro de Espiritualidade e Cultura de Soutelo, concelho de Vila Verde, distrito de Braga.

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Vista geral do relógio de sol nos jardins da propriedade.