Integrada na mostra “Da Pré-História à Romanização” inaugurada esta sexta-feira
Uma “Piroga Monóxila”, datada do período entre a segunda metade do séc. X e a primeira metade do séc. XI, classificada como Tesouro Nacional em 2021, é uma peça de valor incalculável e integra a exposição "Da Pré-História à Romanização”, inaugurada esta sexta-feira no Museu Municipal de Caminha. A mostra pode ser visitada de segunda a sexta-feira, no horário de funcionamento do Museu.
Trazer este exemplar para o concelho de Caminha foi um processo moroso e de minúcia, dadas as exigências técnicas de conservação e manutenção desta embarcação. Para concretizar esta operação, a Câmara estabeleceu um contrato com o Património Cultural, Instituto Público.
Como referimos, a Piroga em causa foi classificada, conjuntamente com mais cinco pirogas, como de interesse nacional, com a designação de “Tesouro Nacional”. Entre os requisitos exigidos para poder ser exposta, estão, por exemplo, os relativos às caraterísticas da sala de exposição, incluindo medidas de segurança. Acrescem condições ambientais, de humidade relativa, temperatura e iluminação, assim como a ausência de vibração e de poluentes atmosféricos.
De acordo com a descrição do Museu Nacional de Arqueologia, as pirogas monóxilas são embarcações feitas a partir de um tronco de árvore, escavado para o efeito. Este tipo de embarcação é conhecido, na Europa, desde a Pré-História, mais precisamente desde o Neolítico.
A “Piroga Monóxila”, que agora pode ser vista no Museu Municipal de Caminha, foi classificada pelo DL n.º 11/21 do Diário da República n.º 109/2021, Série I de 2021-06-07 como Tesouro Nacional.
Como já explicamos na altura da receção da “Piroga Monóxila” em Caminha, este foi o aguardado regresso do exemplar, na sequência de várias peripécias e de um longo processo.
Este Tesouro Nacional chegou a estar guardado num armazém e foi o interesse e esforço de Raúl de Sousa, à época funcionário da Câmara Municipal de Caminha e membro do grupo organizador do Museu Municipal de Caminha, que encetou importantes diligências, chegando a adquiri-la e a providenciar a sua transferência para o local do futuro Museu Municipal de Caminha.
Devido às deficientes condições preventivas do depósito, a piroga foi transferida, inicialmente para o Museu Monográfico de Conímbriga e depois para as instalações do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, em Lisboa. Aqui iniciou o processo de consolidação com vista à secagem e estabilização em ambiente seco. O Município de Caminha acabou por lhe perder o rasto. Entretanto aconteceu a classificação como "Tesouro Nacional" e a Câmara Municipal de Caminha desenvolveu vários esforços para que a peça pudesse regressar ao concelho, o que se concretizou através do contrato com o Património Cultural, Instituto Público.
Congresso Internacional de Arqueologia Urbana. Que Futuro?
Amanhã, Quinta-feira, dia 18 de Setembro, pelas 09h00, no Museu D. Diogo de Sousa, Braga
O Município de Braga promove o Congresso Internacional de Arqueologia Urbana. Que Futuro? que se inicia amanhã, Quinta-feira, dia 18 de Setembro, pelas 09h00, no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga.
A sessão de abertura contará com a presença de Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, Rui Vieira de Castro, reitor da UMinho, António Cunha, presidente da CCDR-N, e de Ana Catarina Sousa, vice-presidente do Conselho Directivo do Património Cultural, I.P.
Promovido pelo Município de Braga e pela Universidade do Minho, o congresso realiza-se de 18 a 20 de Setembro e reunirá especialistas nacionais e internacionais num encontro que assinala os 50 anos da arqueologia urbana em Braga, efeméride que se cumpre em 2026.
Estas duas importantes peças, a Ara Romana de Calvos e o Presbiter de S. João de Rei foram alvo de estudos pelo Professor Catedrático José d`Encarnação, da Universidade de Coimbra.
Este estudioso solicitou, em tempos, registos destes dois elementos pétreos - a ara romana de Calvos e o bloco granítico que tem uma inscrição em latim – que foram fornecidos pelo Município, através do Gabinete de Arqueologia.
Com a ajuda das informações e das fotografias remetidas, foi possível a produção de apontamentos que foram incluídos no Ficheiro Epígrafo n.º 275, suplemento da Revista “Conímbriga”, uma publicação da especialidade, pelo Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coube ao Arqueólogo do Município, Orlando Fernandes, assinar dois artigos, juntamente com o Professor José d`Encarnação, nos quais são pormenorizadas as peças e a sua localização, enriquecendo assim aquela prestigiada publicação.
Ficam agora disponíveis informações muito importantes e que podem ser um valioso contributo para quem estiver, ou possa vir a desenvolver algum estudo arqueológico e/ou para consulta dos/das apreciadores/as destas temáticas.
“Presbiter” de S. João de Rei - trata-se de um bloco prismático, de granito rosado, maltratado na sua parte direita, sem vestígios de qualquer moldura, o que indicia ter sido pensado para ser incrustado num edifício, o que também se deduz do escrito. (…) Não dispomos de elementos passíveis de atribuir uma datação ao fragmento, que, não sendo da época romana, terá decerto figurado em templo, porventura medieval. (*)
Ara a Júpiter, de Calvos - Ara descoberta no decorrer das obras no altar da igreja de Calvos, zona que pertenceu, no tempo dos Romanos, ao Conventus Bracaraugustanus. (…) Poder-se-á, ainda, levantar a hipótese de se estar perante obra posterior à época romana, saída da iniciativa de alguém que, minimamente conhecedor de altares dedicados a Júpiter…(*)
b) Sinopse: A Mamoa de Lamas é um monumento megalítico, de tipo funerário, que remonta à época Pré-histórica. Em fevereiro de 1993, aquando do desaterro para urbanização de uma área elevada, localizada na freguesia de Lamas, a curta distância da cidade de Braga, foi posta a descoberto a estrutura de um túmulo megalítico ainda protegido pelas terras da mamoa.
c) Dinamização: João Alves I Junta de Freguesia de Lamas
Trata-se de um ciclo de sete visitas guiadas aos espaços patrimoniais com enfase na fase Pré-Romana e Romana, e que estando associada ao “Passaporte Património” pretende mobilizar as famílias e interessados pelo património para o conhecimento do nosso legado cultural.
No próximo dia 15 de outubro (terça-feira), tem lugar mais uma conversa do EntardeCER, iniciativa do Centro de Estudos Regionais, que decorre no AP Dona Aninhas, Boutique Hotel (Viana do Castelo), parceiro no projeto, pelas 17.30 horas.
Andreia Arezes, Professora Auxiliar do Departamento de Ciências e Técnicas do Património da FLUP, vem conversar sobre a arqueologia e o estado da investigação no curso inferior da bacia do rio Lima. A investigadora, natural de Viana do Castelo, é Doutora em Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e investigadora integrada do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memória”. Tem dedicado a sua atenção, enquanto investigadora, ao mundo funerário altimediévico e às materialidades associadas, bem como aos estudos de etnicidade e à historiografia da arqueologia.
O EntardeCER é um conjunto de conversas realizadas ao final da tarde, no ambiente tranquilo proporcionado pela unidade hoteleira, que reúne homens e mulheres interessados no património cultural, nas suas múltiplas vertentes. As conversas do projeto EntardeCER são moderadas por José Carlos Loureiro e têm lugar na terceira quinta-feira de cada mês, até maio de 2025. Excecionalmente, a conversa de outubro realiza-se numa terça-feira. A iniciativa é aberta ao público em geral, estando limitada à lotação da sala.
O Município de Esposende recuperou ontem, do fundo do mar, ao largo da praia de Belinho, dois canhões de bronze do século XVI, que se supõe serem da embarcação quinhentista cujos destroços deram à costa em 2014.
A operação de resgaste foi realizada na presença de mergulhadores, na área do naufrágio de Belinho, após diversas alertas ao Serviço de Património Cultural da autarquia. Prontamente foram alertadas as devidas autoridades e entidades, no caso a Capitania do Porto de Viana do Castelo e a Delegação Marítima de Esposende, para além do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, que tutela o Património Cultural Subaquático.
Os trabalhos arqueológicos foram realizados com caráter de emergência, atendendo aos recorrentes alertas e às excecionais condições do mar, nomeadamente a fraca ondulação. Efetivamente, durante os trabalhos de monitorização e de registo, verificou-se que as duas bocas de fogo tinham sido deslocadas, estando totalmente à mercê da natureza e/ou de interesses ilícitos.
Resgatados à turbulência das profundezas do irado mar Atlântico e à cobiça humana repousam agora num merecido ambiente tranquilo, nas instalações do Município de Esposende, em tanques construídos para o efeito em 2017.
Consciente do seu valor e relativo fácil acesso, a equipa de investigação procurou, desde a sua descoberta em abril de 2017, promover a sua salvaguarda, mas até agora nunca se tinha conseguido reunir a conjugação de fatores naturais – particularmente a fraca ondulação e boa visibilidade – bem como recursos e equipas.
Na passada segunda-feira, dia 23 de setembro, foi realizada uma ação de salvaguarda, dado o risco destas peças de artilharia virem a ser pilhadas ou roubadas. De referir que a Convenção da UNESCO para a Proteção do Património Cultural Subaquático privilegia a preservação “in situ” quando estão reunidas as condições de proteção e de valorização das peças. Agora, segue-se a fase de conservação e de investigação das duas colubrinas oitavadas de bronze, raras no território português e que obedecem a um plano rigoroso.
De realçar que no passado dia 20 de setembro, no âmbito da programação das Jornadas Europeias do Património do Município de Esposende, foi apresentada a publicação “Patrimónios Emersos e Submersos – Do Local ao Global”, dedicada ao naufrágio de Belinho.
Foi a consciência das ameaças a que este património está sujeito, desde a natureza dos fundos subaquáticos, expostos a processos sedimentares extremos e/ou a tempestades, ou a atividades que coloquem em causa a sua integridade física, que esteve sempre subjacente a toda a intervenção de resgate.
A recuperação deste importante Património Cultural permitirá a sua investigação de forma mais detalhada e, eventualmente, trazer novas perspetivas sobre o navio de Belinho. Paralelamente, será mais um elemento de valorização do acervo arqueológico do Município de Esposende, com vista à posterior fruição por parte dos cidadãos, reforçando a partilha de informação e do conhecimento da e com a comunidade. Porque afinal, e de acordo com a máxima do Serviço de Património Cultural, “um cidadão esclarecido, é um cidadão ativo!”.
O grupo de seis arqueólogos estagiários que se encontram a fazer trabalhos na Geira Romana, no âmbito do Protocolo de Colaboração entre a Câmara Municipal de Terras de Bouro e a Universidade do Minho, encontram-se a aprofundar, com a coordenação de três professores, o estudo sobre as pedreiras ao longo da Geira, tendo encontrado vestígios importantes sobre a extração de blocos graníticos junto da pedreira situada junto da milha XVI. Trata-se de um achado importante que vem reforçar a riqueza arqueológica existente ao longo da Geira Romana e fortalecer a aposta deste Executivo para que a Via XVIII do Império Romano seja em breve declarada Património da Humanidade
A Vereadora Municipal, Ana Genoveva Araújo, visitou os trabalhos, um pouco abaixo da localidade de São Sebastião da Geira e para além do natural agradecimento para com os professores e os alunos, realçou que “esta descoberta vem uma vez mais justificar a classificação da Geira Romana como património da humanidade, cujo processo de candidatura já decorre, por se tratar, não só, mas também, de um museu vivo, e ao ar livre”.
O estágio, que irá decorrer entre os dias 1 a 26 de julho na Geira Romana e que vem na sequência dos trabalhos já realizados em julho de 2023 com o apoio da Câmara Municipal de Terras de Bouro, está enquadrado no projeto INterregSudoe: CUlturMOnts S1/4.6/E0050: Valorização das Paisagens Culturais de montanha: recurso para o desenvolvimento territorial sustentável.
Durante mais um mês de julho, a freguesia do Extremo volta a ser alvo de investigação arqueológica levada a cabo por uma equipa do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT) e da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM). Esta investigação é financiada pelo Município de Arcos de Valdevez e com o apoio da Junta da Freguesia de Portela e Extremo. Este ano a investigação incide sobre a paisagem agrária e a sua evolução histórica.
Desde 2018, têm sido realizadas uma série de intervenções na freguesia do Extremo com o objetivo de identificar a materialidade preservada da Guerra da Restauração (1640-1668) e compreender a paisagem defensiva que foi construída no século XVII., incidindo sobretudo no Forte da Pereira e no Forte de Bragandelo, que se encontra em processo de classificação para monumento nacional, dada a sua importância.
Os objetivos desta investigação são três: conceber uma metodologia de investigação extensiva para compreender estes tipos de paisagem e a forma como atuam entre si, com um interesse especial na paisagem agrária; perceber como se formaram estes socalcos e datá-los, bem como analisar os materiais arqueológicos e sementes antigas que possam conter, de forma a identificar culturas recentes e antigas.
Esta freguesia de fronteira será importante no avanço da investigação desenvolvida no Noroeste Ibérico a partir da arqueologia rural e da arqueologia comunitária, destacando o concelho de Arcos de Valdevez no panorama nacional.
Na sequência do Protocolo de Colaboração entre a Câmara Municipal de Terras de Bouro e a Universidade do Minho, foram recebidos no Salão Nobre dos Paços do Concelho, pelo Presidente da Câmara Municipal, Manuel Tibo e pelo Vice-Presidente, Adelino Cunha, os primeiros estagiários da Unidade de Arqueologia que assim irão começar o seu trabalho muito em breve no nosso território. O estágio, que irá decorrer entre os dias 1 a 26 de Julho na Geira Romana e que vem na sequência dos trabalhos já realizados em julho de 2023 com o apoio da Câmara Municipal de Terras de Bouro, contará com a participação de 6 alunos e está também enquadrado no projeto INterregSudoe: CUlturMOnts S1/4.6/E0050: Valorização das Paisagens Culturais de montanha: recurso para o desenvolvimento territorial sustentável, projeto a que entretanto se candidatou a Universidade do Minho com grande êxito e de que a Câmara Municipal de Terras de Bouro é parceira. A candidatura a um PIPA (Projetos de Investigação Plurianual de Arqueologia), para que todos os trabalhos arqueológicos estejam devidamente enquadrados e autorizados pela tutela, é também parte integrante neste estágio.
A sinergia e o apoio da Câmara Municipal de Terras de Bouro irão contemplar o alojamento para 9 pessoas, refeições e transporte de e para o campo, assim como a utilização das instalações do Núcleo Museológico de Campo do Gerês para trabalho de gabinete e depósito do material de prospeção. Esta mútua colaboração permitirá satisfazer, simultaneamente, os interesses de investigação e ensino da U. Minho e os interesses de proteção, conservação e valorização do património arqueológico de Terras de Bouro, numa perspetiva de qualificação e promoção do desenvolvimento do concelho.
Câmara de Caminha faz contrato com o Património Cultural IP para de cedência de bens culturais móveis
Uma “Piroga Monóxila” cuja cronologia aponta para o período entre a segunda metade do séc. X e a primeira metade do séc. XI, classificada como Tesouro Nacional, vai ser exposta, em data ainda a definir, no Museu Municipal de Caminha. Para que isso fosse possível, a Câmara aprovou um contrato com o Património Cultural, Instituto Público, que prevê a cedência temporária de bens culturais móveis, neste caso a “Piroga Monóxila”.
A Piroga em causa foi classificada, conjuntamente com mais cinco pirogas, como de interesse nacional, com a designação de “Tesouro Nacional”. Para poder ser exposta em Caminha foram estabelecidos vários requisitos, designadamente quanto à sala de exposição e medidas de segurança. Há condições ambientais, de humidade relativa, temperatura e iluminação, assim como a ausência de vibração e de poluentes atmosféricos que terão de ser cumpridos.
Trata-se, de facto, do regresso do exemplar, após várias peripécias e um longo processo. Conforme se explica na proposta de contrato, aprovada em reunião do Executivo, a piroga n. 1 do Rio Lima foi exumada do leito do rio a 2 de março de 1985 e transportada para Viana do Castelo, ficando guardada num armazém pertencente à capitania local, onde passou despercebida. Foi então que o interesse e esforço de Raúl de Sousa, à época funcionário da Câmara Municipal de Caminha e pertencente ao grupo organizador do Museu Municipal de Caminha (MMC), tomou conhecimento da mesma, adquiriu-a, e providenciou a sua transferência para o local do futuro Museu Municipal de Caminha.
Conta o responsável atual pelo Museu, Sérgio Cadilha, que devido às deficientes condições preventivas do depósito, a piroga foi transferida, inicialmente para o Museu Monográfico de Conímbriga, e depois para as instalações do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, em Lisboa, onde iniciou o processo de consolidação com vista à secagem e estabilização em ambiente seco. O tratamento da Lima 1 foi terminado no laboratório do Museu Nacional de Arqueologia Subaquática (ARQUA), em Cartagena, Espanha.
O Município de Caminha acabou por lhe perder o rasto e, durante muito tempo, pensou-se que a mesma nunca mais viria para Caminha. Entretanto foi classificada, como referimos, como "Tesouro Nacional" e paralelamente, a Câmara desenvolveu vários esforços para que a peça pudesse regressar a Caminha, o que agora, através do contrato, se torna possível.
Entusiastas da história e do património ou simples curiosos, em grupo, individualmente ou em família, desafiamos todos os interessados a conhecer os bastidores da Arqueologia.
Sexta-feira, 14 de junho | 10h00 e 14h30
CENTRO INTERPRETATIVO DE S. LOURENÇO
Apresentação aos docentes do projeto europeu SciArt, do programa Erasmus+, que tem como principal objetivo melhorar as competências dos alunos do século XXI.
Sábado, 15 de junho | 15h00
FORTE DE S. JOÃO BAPTISTA
Apresentação dos mais recentes resultados de trabalhos que têm vindo a ser realizados nos nossos sítios arqueológicos costeiros, como a CASE – Carta Arqueológica Subaquática de Esposende – na Praia de Guilheta ou no Forte de S. João Baptista.
Domingo, 16 de junho | 08h30
CASTRO DE S. LOURENÇO
À descoberta do Património Natural e Cultural que o Castro de S. Lourenço encerra.
Escavações arqueológicas no Forte de S. João Baptista
Já arrancou o processo de instalação do Centro de Divulgação Científica no Forte de S. João Baptista, em Esposende, dando cumprimento ao protocolo de cooperação que o Município de Esposende estabeleceu com a Universidade do Minho, que prevê, também, a criação do Instituto Multidisciplinar de Ciência e Tecnologia Marinha (IMCTM) na antiga Estação Radionaval de Apúlia.
Considerando a intervenção prevista para o Forte de S. João Baptista, foram efetuados, em 2023, trabalhos de prospeção geofísica, no sentido de aferir a existência, ou não, de vestígios que possam condicionar o desenvolvimento do projeto de reabilitação e ampliação do Forte, bem como a tipologia e dimensão de futuros trabalhos arqueológicos.
Essa prospeção permitiu determinar a presença de anomalias que podem corresponder a infraestruturas recentes. Por outro lado, foi possível detetar uma anomalia que parece sugerir a presença de um muro com derrube em frente ao forte e uma outra anomalia, no lado Sueste da entrada forte, que poderá estar associada a uma possível linha amuralhada que surge representada no desenho do Forte de S. João Baptista de Esposende, da autoria de Gonçalo Luís da Silva Brandão, datado de 1757.
Assim, serão realizadas escavações arqueológicas nos locais sinalizados pela prospeção geofísica que permitirão verificar se há ou não vestígios em torno do Forte para, posteriormente, se poder avançar com o lançamento do concurso para a execução das obras tendentes à instalação do Centro de Divulgação Científica, um ambicioso e determinante projeto que irá afirmar Esposende na área da investigação e tecnologia marinhas, o qual já mereceu parecer favorável das entidades com jurisdição sobre o território.
Para tal, estão em curso os trabalhos preparatórios para que as escavações possam ter início na próxima segunda-feira, dia 20 de maio, numa codireção entre o Município de Esposende e a ERA Arqueologia S.A., empresa responsável pela execução dos trabalhos. A intervenção irá decorrer durante seis meses, com um custo de 25.830 euros, a que se soma o valor de 7.361,55 euros da prospeção geofísica por georradar.
Refira-se que, em 2018, foi celebrado entre o Município de Esposende e o Estado Português um auto de cedência de utilização e aceitação, no qual é autorizada e cedida a utilização do Forte de S. João Baptista - classificado como Imóvel de Interesse Público - ao Município pelo prazo de 50 anos, com o propósito de instalar um Centro de Divulgação Científica, focado em atividades marinhas. Este equipamento irá acolher o Centro Interpretativo do Parque Natural Litoral Norte (PNLN) e o Achado do Naufrágio de Belinho, dispondo, ainda, de espaços para receber exposições temporárias, entre várias outras valências.
O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, realça que “estamos mais perto de tornar realidade o projeto do Centro de Divulgação Científica, um equipamento que catapultará Esposende para o centro das atividades ligadas à investigação e tecnologia marinhas”. O autarca nota que “tem sido um processo moroso”, mas salienta que “está tudo bem encaminhado para a sua concretização”, dando cumprimento também às metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU no se refere à estratégia de valorização do património arqueológico do território concelhio.
Trago hoje as ruínas do Castro de Moldes, também conhecido como Monte do Castelo de Neiva, um Castro localizado na Freguesia de Castelo do Neiva, no Município de Viana do Castelo, Distrito de Viana do Castelo. É um Castro que remonta à Idade do Ferro, no alto de um Monte na margem direita do Rio Neiva. Encontra-se classificado pelo IGESPAR como Imóvel de Interesse Público desde 1970.
in diversas fontes e SIPA.
As escavações arqueológicas realizadas no local durante a primeira metade da década de 1980, trouxeram à luz um povoado de consideráveis dimensões, dotado de um assinalável sistema defensivo que é formado por cinco Linhas Concêntricas de Muralhas reforçadas por Torreões na vertente Sul. As Linhas de Muralhas acompanham quase sempre a geografia do terreno.
Nomeadamente na área definida pela Muralha Interior, identifica-se uma notável densidade de estruturas de carácter doméstico de Planta predominantemente Circular, em cuja construção se utilizou o próprio afloramento rochoso. Algumas dessas construções apresentam um vestíbulo e estão apartadas por Arruamentos lajeados em granito. Entre elas, destaca-se uma pelo facto de possuir uma espécie de assento corrido coberto por placas retangulares de ardósia.
As investigações evidenciaram a reutilização do espaço em alturas posteriores, designadamente durante o período da Ocupação Romana, para o que terá sido determinante a sua posição estratégica. Apontam nesse sentido, alguns materiais exumados durante as diferentes campanhas, tais como artefactos de bronze (entre os quais uma fíbula), a par de um abundante número de fragmentos de cerâmica comum e de importação. Estes elementos atestam não apenas o carácter relativamente permanente da ocupação desse povoado, como sobretudo a sua inserção numa complexa rede de relações comerciais, evidente na presença de inúmeros exemplares de diversos tipos de ânforas e respetivas tampas.
A relevância estratégica do local foi reforçada já em plena Idade Média e em concreto no início do século XII, de quando data a primeira referência conhecida sobre a existência no local de um Castelo pouco antes de D. Afonso Henriques (1109-1185) ser cercado em Guimarães.
Foi, a partir de então palco de vários episódios relacionados com a consolidação do Reino em pleno processo de Reconquista, até que em finais do século XIV, o Castelo acabou por perder a sua anterior importância política na sequência da transferência da sede do julgado de Neiva, executada no âmbito de uma ampla reorganização administrativa do território. Foi então abandonado, entrando num lento processo de degradação, embora ainda sejam visíveis os sulcos onde assentavam os Muros da Torre e subsista a Romaria à Capela de Nossa Senhora das Oliveiras, construída num dos caminhos conducentes ao interior do Povoado.
Os testemunhos provenientes da Estação Arqueológica do Castro de Moldes, encontram-se expostos numa das salas do prédio da Junta de Freguesia de Castelo do Neiva.
18 de abril - Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
Como forma de assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se comemora hoje, 18 de abril, subordinado à temática “Catástrofes e conflitos à luz da carta de Veneza”, o Município de Esposende desenvolveu uma dinâmica em torno da exposição “Mar de Histórias”, patente no Centro Interpretativo de S. Lourenço, que envolveu cerca de 200 participantes, entre professores e alunos do 7.º ano de escolaridade.
Este ano pretende-se refletir sobre os atuais desafios à escala global, como as alterações climáticas, as catástrofes naturais e os conflitos. As zonas costeiras são, desde há milénios, regiões muito dinâmicas e sujeitas a uma grande diversidade de agentes naturais e antrópicos. As alterações climáticas, devido ao aumento do nível médio global do mar, estão a provocar maior frequência de valores extremos do nível local do mar. Estas tendências têm provocado maior erosão costeira, nomeadamente provocando galgamentos e inundação temporária de zonas litorâneas, das quais decorre a exposição e/ou descoberta de elementos naturais e antrópicos até então desconhecidos. Pese embora este fenómeno de forte erosão costeira, em muito potenciada por fenómenos climáticos extremos como fortes tempestades, no caso do litoral de Esposende têm vindo a ser descobertos, ao longo dos últimos anos, sítios arqueológicos, com milhares de artefactos que remontam a milhares de anos.
Exemplo destas circunstâncias foi particularmente o inverno de 2013-2014, o qual se pautou por um número invulgarmente elevado de temporais no Atlântico Norte e que afetaram o litoral Oeste de Portugal. A ondulação provocada por alguns destes temporais mais intensos - especialmente a tempestade Hércules - causou prejuízos muito avultados no litoral da Noruega, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Reino Unido, França, Espanha e Portugal.
No entanto, esta tempestade e cidadãos ativos permitiram a descoberta do naufrágio quinhentista de Belinho, profundamente divulgado ao nível nacional e internacional, como é o caso do artigo mais recente, publicado na reputada revista Journal of Maritime Archaeology da editora Springer, intitulado "Metal objects were much desired. A 16th century shipwreck cargo off the coast of Esposende (Portugal) and the importance of studying ship cargos". É exclusivamente dedicado à carga do navio de Belinho e encontra-se disponível para consulta gratuita on-line. Ainda sobre esta matéria, poderá ser consultado gratuitamente, no repositório da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), o trabalho “Depois do mar | A coleção de estanho e de latão de Belinho (Esposende)”, de Elisa Frias-Bulhosa, estagiária do Serviço de Património Cultural em 2022/23, realizado no âmbito do Mestrado em História da Arte, Património e Cultura Visual da FLUP, que obteve a classificação de 20 valores.
Importa refletir sobre o impacto que estes episódios vão tendo em sítios arqueológicos até agora desconhecidos; sobre como temos vindo a atuar para registar os vestígios, recuperar os artefactos e conservar os objetos; que dados têm sido obtidos com o trabalho desenvolvido por diversas equipas inter e transdisciplinares, tanto sobre os sítios como do respetivo espólio arqueológico agora revelados; e qual o papel dos cidadãos sobre estes locais.
Considerando que “um cidadão esclarecido, é um cidadão ativo”, as Jornadas Europeias de Arqueologia’ 2024 de Esposende, que decorrerão de 14 a 16 de junho, darão a conhecer os resultados mais recentes de trabalhos que têm vindo a ser realizados nos sítios arqueológicos costeiros de Esposende, como, por exemplo, a CASE (Carta Arqueológica Subaquática de Esposende) ou na Praia de Guilheta, em Antas. A adesão do Município a este evento europeu enquadra-se nas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e na estratégia de valorização do património arqueológico do território concelhio.
Inauguração da exposição “10 Anos de Tesouros” aconteceu esta quinta-feira
Uma década de tesouros arqueológicos do concelho de Vila Nova de Famalicão encontram-se expostos na Casa do Território, no Parque da Devesa desde esta quinta-feira, dia 8 de fevereiro, numa mostra que retrata a evolução dos objetos e materiais utilizados pela população entre o IV milénio A.C. e o século XII.
A mostra “10 Anos de Tesouros” vai ficar patente até dia 30 de abril de 2024, com entrada livre.
A exposição é constituída por 139 objetos recolhidos em escavações ou em superfície ao longo dos inúmeros trabalhos arqueológicos desenvolvidos no concelho famalicense.
Ao visitar esta mostra, entre muitos outros materiais, os visitantes vão deparar-se com uma chave de uma casa romana, uma foice encontrada no Castro das Ermidas, alfinetes do I milénio A.C, tachas de sandálias romanas e contas de colar vindas do Mediterrâneo.
O horário de visita coincide com o de funcionamento da Casa do Território: terça a quinta, das 09h30 às 13h e das 14h às 17h30, e sábados, domingos e feriados, das 14h30 às 17h30.
A acompanhar a exposição, haverá um programa de atividades dirigido a todos os públicos, que abrange desde oficinas e visitas guiadas a lançamento de catálogo e atividades especificas para as escolas.
A exposição “10 Anos de Tesouros” surge no seguimento da atividade “Arqueologia Destaca…”, uma dinâmica mensal desenvolvida pelo gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, que dá a conhecer, mensalmente, um achado arqueológico na Casa do Território.
Em curso projeto para instalação do futuro Espaço da Memória do Mar de Vila Praia de Âncora
Os trabalhos em curso no Forte da Lagarteira, em Vila Praia de Âncora, revelaram um conjunto de exemplares de indústria lítica talhada, pré-histórica, com 15 a 20 mil anos. Os achados foram devidamente registados e acautelados, e delimitado o respetivo perímetro, suspendendo-se aí a intervenção. A Câmara Municipal está a desenvolver no Forte um projeto de recuperação e valorização para instalação do Espaço da Memória do Mar de Vila Praia de Âncora, intervenção financiada pelos programas Norte 2020 e Mar 2020, num investimento global um pouco superior aos 200 mil euros.
O acompanhamento arqueológico que está a ser levado a cabo no âmbito do projeto de recuperação e valorização do Forte da Lagarteira permitiu a identificação de uma sequência estratigráfica que evidencia a existência de vários níveis com materiais arqueológicos enquadráveis na Pré-História. Os achados estão ainda a ser alvo de um estudo mais pormenorizado por técnicos especializados, mas sabe-se já que terão entre 15 e 20 mil anos.
Esta descoberta revelou a necessidade de realização de trabalhos arqueológicos ajustados à natureza dos achados, que serão afetados pela execução do projeto. Assim, foi necessário proceder a escavação arqueológica manual nas áreas de afetação do projeto, de forma a possibilitar por um lado, o registo e compreensão da sequência estratigráfica do sítio, bem como a minimização dos impactes decorrentes da obra.
De acordo com o estudo já elaborado, foi no âmbito do acompanhamento arqueológico dos desaterros realizados na Praça de Armas que se registou a presença de uma sequência estratigráfica na qual se evidencia, pouco abaixo do nível de circulação, a presença de um depósito composto por seixos. “Este assenta sobre uma sequência de depósitos sedimentares homogéneos, globalmente de coloração escura, que cobrem um conjunto de níveis sedimentares acinzentados ou negros, com pouca potência estratigráfica. Na base destes níveis foi possível identificar outro nível de seixos envoltos numa sedimentação fina de coloração acinzentada que assenta sobre o substrato geológico composto por granito.
No âmbito destes trabalhos foi possível identificar um conjunto de exemplares de indústria lítica talhada. Trata-se de indústria macrolítica constituída, nomeadamente, por seixos afeiçoados (unifaciais e bifaciais), picos pesos de rede, lascas, etc. Algumas destas peças apresentam um elevado índice de desgaste.
Os achados recolhidos e a sequência estratigráfica observada enquadram-se na problemática geoarqueológica das formações quaternárias do litoral minhoto”.
Como referimos, a Câmara Municipal de Caminha começou a desenvolver, no final de 2022, o Projeto de Recuperação e Valorização do Forte da Lagarteira A obra permitirá instalar, naquele Forte, o Espaço da Memória do Mar de Vila Praia de Âncora e criar mais um polo de atração para Vila Praia de Âncora e para o concelho.
O futuro Espaço da Memória do Mar de Vila Praia de Âncora (EMMVPA) nasceu pela vontade da Câmara ver recuperado aquele exemplar do património, abrindo-o ainda mais ao público. O futuro Espaço da Memória do Mar de Vila Praia de Âncora resultara de um projeto candidatado a fundos comunitários, nomeadamente ao Programa Mar 2020 e Programa Norte 2020. O apoio solicitado foi de 208 468,74 €, conseguindo-se um apoio de 177 198,43 €.
O Espaço da Memória do Mar de Vila Praia de Âncora será um Núcleo Museológico a instalar no Forte da Lagarteira, dedicado ao património cultural e natural marítimo da costa do concelho de Caminha. Nele, os visitantes poderão conhecer as raízes históricas desta póvoa marinheira e a rica biodiversidade da nossa costa. O mar foi, desde a origem, o garante económico de gerações e gerações de habitantes de Vila Praia de Âncora.
O Forte da Lagarteira é um Monumento de Interesse Público desde 1967 e parte integrante da memória da paisagem de Vila Praia de Âncora.