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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BRAGA APROXIMA-SE DE ANGOLA E ASSINA ACORDO COM A PROVÍNCIA DE HUÍLA

O Município de Braga assinou um protocolo de cooperação com a Província de Huila, no sentido de aproximar esta região angolana da Autarquia portuguesa. A assinatura teve lugar durante a visita que esta comitiva efectuou a Braga.

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Ricardo Rio, que acolheu a delegação no Salão Nobre dos Paços do Concelho, manifestou a sua satisfação por receber em Braga esta comitiva, mas, sobretudo, pela assinatura deste protocolo “pois é um passo importante para aproximar as duas regiões e iniciarmos uma cooperação profícua”. A Província de Huila nomeou ainda uma representante que vive em Braga, Carla Gaspar, para ser a interlocutora nesta relação que se pretende que culmine posteriormente com um acordo de geminação com Lubango, capital de província. O presidente da Câmara Municipal de Braga realçou que é muito importante que haja em Portugal um ponto de contacto com a província angolana, pois isso facilitará o desenvolvimento de projectos concretos.

A delegação, que era composta por representantes políticos e empresários, foi liderada por Eliseu Gaspar, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação Empresarial da CPLP, que informou Ricardo Rio que vão estudar a possibilidade de participar já na próxima edição da AGRO - Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação, uma vez que a indústria agro-alimentar é um dos principais sectores económicos desta região angolana.  Ficou também o repto por parte dos responsáveis angolanos para os empresários Bracarenses investirem mais em Angola, nomeadamente no desenvolvimento das infra-estruturas públicas, uma das prioridades de todas as regiões angolanas.

A Startup Braga foi um dos pontos de paragem desta comitiva, onde ficaram a conhecer o que tem sido feito na área do empreendedorismo e inovação, tendo sido um dos motivos que suscitaram mais interesse por parte dos responsáveis angolanos, pois estão a desenvolver esforços para criar uma estrutura semelhante em Lubango. Luís Rodrigues, responsável da Startup Braga que acompanhou a visita, demonstrou toda a disponibilidade em colaborar na concretização deste projecto.

O desejo de participar na próxima AGRO surgiu durante a visita ao Altice Forum Braga, onde ficaram a conhecer este espaço, acompanhados pelo responsável das Feiras, Congressos e Eventos da Invest Braga. A comitiva visitou ainda o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, onde conheceram a tecnologia de ponta que se faz em Braga, com especial incidência sobre o sector alimentar, foco do sector empresarial angolano presente.

Esta visita aconteceu por ocasião da participação desta comitiva na segunda edição da Conferência Económica do Mercado da CPLP, que decorreu no dia 3 de Dezembro, no Porto.

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O MONSTRO ESTÁ EM CENA EM PONTE DE LIMA

O MONSTRO ESTÁ EM CENA | COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA

25 de Outubro – 22h00 – Teatro Diogo Bernardes – Ponte de Lima

Na noite desta sexta-feira, 25 de Outubro, às 22h00, no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola apresenta O Monstro está em cena, num espectáculo que se alia ao conjunto de projectos internacionais que sobem à cena neste início da temporada de 2019-2020, permitindo aos distintos públicos apreciar um pouco daquilo que se faz em Portugal e no estrangeiro, em termos das várias performances artísticas.

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"O Monstro Está em Cena" é uma peça que convida à reflexão sobre o ser humano enquanto protagonista de um mundo onde cresce a violência, o individualismo e a intolerância. Os novos modelos capitalistas baseados no consumismo e nos conflitos entre os diferentes grupos étnicos, religiosos ou políticos, promovem o surgimento de novos “muros” e a resignação perante as assimetrias entre fausto e miséria. As questões de género e a condição de inferioridade imposta à mulher são, igualmente, alvo desta desconfortante introspecção sobre a condição humana.

Fundada em 1991, a CDC é dirigida por Ana Clara Guerra Marques, coreógrafa e investigadora. Membro do Conselho Internacional da Dança da UNESCO, com mais de 27 anos de vida, a CDC possui um historial de centenas de espectáculos apresentados em Angola e no exterior, entre eles: Mea culpa (1992), Imagem & movimento (1993), Palmas, por favor! (1994), Neste país… (1995), Agora não dá! ‘Tou a bumbar (1998), Os quadros do verso vetusto (1999), O Homem que chorava sumo de tomates (2011), Ceci n’est pas une porte (2016), O monstro está em cena (2018). É membro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA).

Ficha Artística e Técnica

Coreografia: Ana Clara Guerra Marques e Nuno Guimarães

Música Original: Inês Vieira (Violino e voz)

Figurinos: Nuno Guimarães

Desenho de Luz: Ana Clara Guerra Marques, Nuno Guimarães

Bailarinos: António Sande, Armando Mavo, Benjamim Curti, Daniel Curti e Samuel Curti

Participação Especial: Catarino Rodrigues

Vídeo: Orion e Pedro Louro

Direcção Técnica: Gaspar Nvula

Edição de Som: José de Castro

Guarda-roupa: Benvinda Kwambana Cecília

Produtor Executivo: Jorge António

Duração: 60’

Maiores de 12 anos

Bilhetes à venda (5,00€) e mais informações no Teatro Diogo Bernardes, pelo telefone 258 900 414 ou pelo email teatrodb@cm-pontedelima.pt

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ANGOLA: MINHOTOS QUE VIVIAM EM LUANDA FUNDARAM A CASA DO MINHO HÁ 87 ANOS

A Casa do Minho em Luanda foi dissolvida na sequência da descolonização de Angola e, sobretudo, da guerra civil que se seguiu, após o 25 de Abril de 1974. Porém, se o processo político tivesse ocorrido de forma pacífica e ordeira permitindo a permanencia das gentes que idas da Metrópole fizeram daquele território ultramarino a sua própria terra, a Casa do Minho contaria hoje com 87 anos de existência.

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Actuação do Rancho da Casa do Minho no N'Gola Cine, em Luanda

 

Com efeito, os Estatutos da Casa do Minho foram aprovados por alvará do Governo Geral de Angola, nº 2, de 29 de Janeiro de 1932. E, pelo menos à data da independência política de Angola, aquela instituição regionalistasituava-se na rua Luciano Cordeiro, actual rua do Assalto ao Quartel de Moncada, fazendo esquina com a rua Serpa Pinto, actual rua Amílcar Cabral. Era ali o ponto de encontro de muitos dos nossos conterrâneos que viviam naquela cidade, em muitos casos há várias gerações.

À semelhança do que sucedia em Moçambique com a Casa do Minho em Lourenço Marques e porventura com a sua congénere na cidade da Beira, a Casa do Minho em Luanda possuía um rancho folclórico que constituía a sua principal atracção. De resto, é notável a especial afeição que o minhoto possui pelas suas tradições e o seu folclore onde quer que se encontre.

O tempo passa mas temos conhecimento de que muitos daqueles que passaram pela Casa do Minho em Luanda e dela foram filiados, encontram-se actualmente dispersos a viver sobretudo no Minho ou na região de Lisboa.

Pouco mais sabemos acerca daquela instituição regionalista. Mas, com a colaboração dos nossos leitores, talvez possa o BLOGUE DO MINHO dar a conhecer mais aspectos da vivência das nossas gentes naquelas paragens. E, quem sabe, contribuir para a reunião dos ex-sócios e amigos da Casa do Minho em Luanda, à semelhança do que sucede com a ex-Casa do Minho em Lourenço Marques.

Fotos: Maria Fernanda Barbosa

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Actuação em Massangano, no Cuanza Norte

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Início do Grupo da Casa do Minho, em Luanda

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Actuação no Bairro Popular, em Luanda, em 30 de Maio de 1968

EMPRESA BRACARENSE RECONSTRÓI VILA DE MUXIMA EM ANGOLA

Empresa de Braga ganha obra de 145 milhões de euros para reconstruir vila angolana

O Grupo Casais, com sede em Mire de Tibães, Braga, venceu o concurso público lançado em julho pelo Governo de Angola para a construção de diversas infraestruturas em uma vila ao redor de um santuário mariano, a 130 quilómetros de Luanda, em Angola.

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No total, e em conjunto com uma empresa subsidiária [Omatapalo, DA] da Carlos José Fernandes & Co. Lda, de Viana do Castelo, irá receber perto de 145 milhões de euros pela empreitada de construção das infraestruturas da vila da Muxima durante os próximos dois anos.

De acordo com um de quatro despachos de 19 de dezembro do Presidente da República angolano, João Lourenço, citados pela Lusa, foi autorizada a contratação da construtora bracarense, que se uniu em consórcio com a Omatapalo, SA, dedicada a engenharia e construção.

Em outro despacho do PR com a mesma data, é ainda autorizada a contratação da Progest, que, ao que apurou o Semanário V, tem sede na Rua António Cândido Pinto, em Braga, como empresa fiscalizadora da obra, em contrato de 365 mil euros.

O projeto consiste em construir as infraestruturas necessárias para modernizar e requalificar a vila de Muxima, e acompanha outra obra, a construção de uma basílica no santuário mariano de Nossa Senhora da Muxima, que recebe perto de um milhão de peregrinos no início de setembro. A construção da basílica foi adjudicada à construtora portuguesa Somague.

Sobre as infraestruturas a edificar na vila de Muxima, ainda pouco se conhece, mas a basílica foi já apalavrada em 2008, durante a visita do Papa Bento XVI a Angola. O na altura presidente José Eduardo dos Santos assegurou a construção de uma basílica com capacidade para 4.600 pessoas sentadas, para além de uma praça pública com capacidade para 200.000 peregrinos e um parque para 3.000 viaturas.

O Santuário de Muxima é o maior centro mariano da África subsariana, cujo atual templo permite apenas lugar para 600 pessoas sentadas. Após as obras, será o primeiro santuário nacional em Angola reconhecido como tal pela Igreja Católica.

A vila foi ocupada pelos portugueses em 1589 que, dez anos depois, construíram uma fortaleza e a igreja de Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como “Mamã Muxima”.

Fonte: https://semanariov.pt/

FALECEU O LIMIANO JOSÉ DE ALMEIDA VIEIRA, VETERANO DA GUERRA DO ULTRAMAR

Faleceu, no dia 13 de Julho de 2018, o veterano José de Almeida Vieira, Capitão Mil.º de Infantaria, nascido no ano de 1933, em Ponte de Lima.

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Em 1 de Abril de 1960, licenciado em Direito e Aspirante-a-Oficial Mil.º de Infantaria na situação de disponibilidade, promovido a Alferes Mil.º e colocado no Regimento de Infantaria 8 (RI8 –Braga);

Em 26 de Junho de 1961, apresentado no Regimento de Infantaria 13  (RI13-Vila Real), juntamente com outros alferes milicianos, para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola;

Dias depois embarca em Lisboa rumo a Luanda, a fim de comandar um pelotão de uma das subunidades orgânicas do Regimento de Infantaria de Luanda (RIL – Luanda);

Em 1 de Dezembro de 1962 promovido a Tenente Mil.º;

Em Setembro de 1963 regressa à Metrópole;

De 8 de Janeiro a 4 de Maio de 1968 frequenta na Escola Prática de Infantaria (EPI-Mafra) o curso de promoção a capitão do quadro de complemento;

De 06 a 18 de Maio de 1968 frequenta no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE-Lamego) o estágio de contra-insurreição;

Em 18 de Maio de 1968 promovido a Capitão Mil.º;

Seguidamente embarca em Lisboa rumo a Luanda, a fim de comandar uma subunidade da guarnição normal da Região Militar de Angola;

Em 09 de Agosto de 1970 conclui a 2ª comissão em Angola, regressa à Metrópole e ao Regimento de Infantaria 8 (RI8-Braga), onde é passado à situação de disponibilidade.

Informação do óbito do veterano João Vilela Cabeço, da CArt7250/72, e apoio de um colaborador do portal UTW

Fonte: http://ultramar.forumeiros.com/

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ESCRITOR ALFREDO DE SOUSA TOMAZ APRESENTA EM OURÉM O LIVRO “O HOMEM QUE NÃO TINHA UMA FAZENDA EM ÁFRICA

O escritor reside em Ponte da Barca onde recentemente apresentou a sua obra na Casa da Cultura

Data: 22 de Abril / Hora: 14h30

“O homem que não tinha uma fazenda em África”, da autoria de Alfredo de Sousa Tomaz, vai ser apresentado no dia 22 de Abril, às 14h30. É o dia dedicado aos "Poetas Oureenses", integrado na "Festa do Livro de Ourém 2018" que decorre de 18 a 25 de Abril, no antigo edifício dos Paços do Concelho e na Praça D. Maria II.

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Esta iniciativa tem um programa variado com diversas atividades, nomeadamente, encontros com escritores e ilustradores, sessões de autógrafos, recitais, mostra de produtos regionais, feira do livro, concurso concelhio de leitura, música, percurso artístico-literário, dança com livros, teatro e horas do conto.

Destaque para o VIII Concurso Concelhio de Leitura dirigido aos alunos do 1 e 2º ciclos das escolas do concelho, além dos encontros com vários autores e ilustradores e um espaço dedicado aos escritores ourienses.

A Festa do Livro é organizada pela Câmara Municipal de Ourém - Biblioteca Municipal com o apoio da Rede de Bibliotecas do Concelho de Ourém, Museu Municipal de Ourém - Casa do Administrador e a Livraria Arquivo.

Programa detalhado em www.ourem.pt

Com prefácio de Ricardo de Saavedra, conceituado jornalista e escritor, a obra compila uma série de histórias vividas pelo autor, desde que partiu para Angola ainda criança até ao momento em que teve de a deixar compulsivamente 25 anos depois.

Mais de quatro anos depois de se ter lançado nesta "aventura", Alfredo de Sousa Tomaz vê agora o nascer deste "filho", impulsionado, segundo o autor, pela publicação na revista Notícias Magazine, suplemento do Jornal de Notícias e Diário de Notícias, em 2010, de algumas das suas histórias de África: "como tinha muitas mais histórias para contar, decidi reuni-las em livro."

O autor refere, ainda, o orgulho em poder apresentar a obra em Ponte da Barca pois "embora não tendo nascido em Ponte da Barca, nem tampouco no Minho, escolhi para viver esta terra que me adoptou.”

Tal como Ricardo de Saavedra descreve no prefácio é este "livro sereno, perpassado por vezes de um subtil humor, que constitui uma achega preciosa à história que no terreno e dia a dia se viveu e ninguém teve ainda coragem para escrever.”

Alfredo Tomaz nasceu na Cova da Iria, Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, a 29 de Julho de 1942. Sexto filho de uma família numerosa e modesta, seu pai, para dar melhores condições de vida aos seus, partiu para Angola no início da década de 50 com os seus irmãos mais velhos, tendo-se-lhes juntado pouco depois o resto da família. Em Outubro de 1961 regressou a Portugal para cumprir o serviço militar na Força Aérea, onde permaneceu até Janeiro de 1965. Pouco depois de regressar a Luanda conheceu Maria de Fátima, com quem veio a casar em Dezembro de 1967. Dessa união nasceram dois filhos.

Em Luanda a sua atividade profissional esteve quase sempre ligada às viagens e turismo, tendo trabalhado na Companhia Nacional de Navegação e numa agência de viagens.

Em 1976, depois de um quarto de século de aventuras, venturas e desventuras, o autor regressou definitivamente a Portugal com a família, tendo-se fixado em Matosinhos, onde exerceu a sua atividade comercial até 2007. Atingida a idade da reforma, foi viver com a esposa para Ponte da Barca, Alto Minho, onde permanecem até hoje, assumindo orgulhosamente a condição de “minhotos adotivos”. Esta obra, não sendo exatamente uma autobiografia, é, contudo, baseada no percurso de vida do autor por terras de África.

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ESCRITOR ALFREDO DE SOUSA TOMAZ APRESENTA EM OURÉM O LIVRO “O HOMEM QUE NÃO TINHA UMA FAZENDA EM ÁFRICA

O escritor reside em Ponte da Barca onde recentemente apresentou a sua obra na Casa da Cultura
Data: 22 de Abril. Hora: 14h30
“O homem que não tinha uma fazenda em África”, da autoria de Alfredo de Sousa Tomaz, vai ser apresentado no dia 22 de Abril, às 14h30. É o dia dedicado aos "Poetas Oureenses", integrado na "Festa do Livro de Ourém 2018" que decorre de 18 a 25 de Abril.

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Com prefácio de Ricardo de Saavedra, conceituado jornalista e escritor, a obra compila uma série de histórias vividas pelo autor, desde que partiu para Angola ainda criança até ao momento em que teve de a deixar compulsivamente 25 anos depois.
Mais de quatro anos depois de se ter lançado nesta "aventura", Alfredo de Sousa Tomaz vê agora o nascer deste "filho", impulsionado, segundo o autor, pela publicação na revista Notícias Magazine, suplemento do Jornal de Notícias e Diário de Notícias, em 2010, de algumas das suas histórias de África: "como tinha muitas mais histórias para contar, decidi reuni-las em livro."
O autor refere, ainda, o orgulho em poder apresentar a obra em Ponte da Barca pois "embora não tendo nascido em Ponte da Barca, nem tampouco no Minho, escolhi para viver esta terra que me adoptou.”
Tal como Ricardo de Saavedra descreve no prefácio é este "livro sereno, perpassado por vezes de um subtil humor, que constitui uma achega preciosa à história que no terreno e dia a dia se viveu e ninguém teve ainda coragem para escrever.”
Alfredo Tomaz nasceu na Cova da Iria, Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, a 29 de Julho de 1942. Sexto filho de uma família numerosa e modesta, seu pai, para dar melhores condições de vida aos seus, partiu para Angola no início da década de 50 com os seus irmãos mais velhos, tendo-se-lhes juntado pouco depois o resto da família. Em Outubro de 1961 regressou a Portugal para cumprir o serviço militar na Força Aérea, onde permaneceu até Janeiro de 1965. Pouco depois de regressar a Luanda conheceu Maria de Fátima, com quem veio a casar em Dezembro de 1967. Dessa união nasceram dois filhos.
Em Luanda a sua atividade profissional esteve quase sempre ligada às viagens e turismo, tendo trabalhado na Companhia Nacional de Navegação e numa agência de viagens.
Em 1976, depois de um quarto de século de aventuras, venturas e desventuras, o autor regressou definitivamente a Portugal com a família, tendo-se fixado em Matosinhos, onde exerceu a sua atividade comercial até 2007. Atingida a idade da reforma, foi viver com a esposa para Ponte da Barca, Alto Minho, onde permanecem até hoje, assumindo orgulhosamente a condição de “minhotos adotivos”. Esta obra, não sendo exatamente uma autobiografia, é, contudo, baseada no percurso de vida do autor por terras de África.

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DE COMO UM RIBATEJANO SE APAIXONA PELO MINHO NUM BAIRRO DE LUANDA

* Crónica de Alfredo de Sousa Tomaz

Poderá parecer estranho o título desta crónica mas compreender-se-á se aceitarmos como uma fatalidade as “voltas que o Mundo dá” e as surpresas que nos reserva.

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Nasci na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, distrito de Santarém, província do Ribatejo. Sou, portanto, ribatejano de nascimento mas de coração tenho várias “naturalidades”.

Era eu ainda uma criança quando o meu pai decidiu partir para Angola no início da década de cinquenta, em busca de melhores condições de vida para si e para os seus. Eu sou o sexto filho de uma prole de nove que precocemente ficou reduzida a oito com a morte da minha irmã mais nova ainda com poucos meses de vida.

Em Luanda vivi toda a minha adolescência no bairro da Praia do Bispo, um bairro geográfica e socialmente dividido em dois. Implantado numa faixa de terra entre as arribas e o mar a sul da fortaleza de S. Miguel e era constituído por casas de dois pisos edificadas em frente ao mar e por outras casas mais modestas, apenas de rés-do-chão, construídas por trás das primeiras. Tanto umas como outras obedeciam a um projecto arquitectónico padrão.

As casas de dois pisos, mais bem localizadas, foram construídas pelo Estado para residência dos funcionários públicos, enquanto as mais modestas foram os próprios moradores que as ergueram, como foi o caso de meu pai.

Apesar desta aparente discriminação “geográfico-arquitectónica”, se me é permitido o termo, entre as suas gentes reinava a amizade e a comunhão de interesses, principalmente entre os mais jovens.

A principal característica do bairro era o facto de lá viver gente dos mais variados pontos do país, do Minho a Timor como se dizia na época. Tal facto originou uma mescla de culturas onde cada um, orgulhoso das suas origens, dava a conhecer os usos e costumes das suas terras, principalmente os jogos tradicionais e o folclore. Assim nasceu o Rancho Folclórico da Praia do Bispo, uma espécie de “filial” de Santa Marta de Portuzelo, sob a orientação do maestro José Pedro Martins Coelho, ilustre vianense que além de músico e maestro era também profundo conhecedor do folclore minhoto.

Nunca me senti com jeito para voltear ao som da chula, vira ou gota, mas apaixonado que estava por aquelas alegres danças e cantigas, não perdia um ensaio ou uma actuação do rancho, de que faziam parte um irmão e duas irmãs.

Obrigado maestro Zé Pedro por me ter aberto os olhos e os ouvidos para o Minho. Para minha satisfação sou hoje um minhoto adoptivo pois vivo em Ponte da Barca onde envelheço ao som das concertinas.

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Na fotografia de 1958 vêm-se em pormenor as tais casas de primeiro andar cuja construção se estendeu depois ao longo de toda a avenida como pode ver-se na outra foto. No circulo vermelho a minha casa. Não acredite na legenda. Nunca existiu nenhum paço episcopal naquele local. Existiu sim e ainda lá está, no alto da arriba junto ao palácio presidencial (ao tempo do governador). Dizia-se que antigamente o bispo descia as barrocas com o seu séquito para se ir banhar ao mar e terá vindo daí o nome do local.

CAMINHA ACOLHE X CONFERÊNCIA DE MINISTROS DA JUVENTUDE E DESPORTO DA CPLP

Representantes dos governos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste reunidos de 28 e 30 de julho

Caminha acolhe, na próxima semana,a X Conferência de Ministros da Juventude e Desporto da CPLP, recebendo os representantes dos governosde Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. O encontro terá lugar entre os dias 28 a 30.

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Na IXª Conferência, realizada na Ilha do Sal, em Cabo Verde, ficou acordado que a cimeira de 2017 teria lugar em Portugal e Caminha foi o concelho escolhido para receber este evento. Esta será, provavelmente, a mais importante cimeira setorial internacional realizada no concelho de Caminha, e que decorrerá no fim-de-semana em que aqui também ter lugar a Feira Medieval.

Na presidência desta Conferência estará oministro da Educação de Portugal, Tiago Brandão Rodrigues, que irá realizar a sessão de abertura.Esta conferência, decorre na sequência dos termos da Resolução 18/2016, de 17 de julho, em que os ministros participantes na IX Reunião acordaram, conforme referimos, realizar a próxima Reunião em 2017 e em Portugal.

A Conferência será uma oportunidade para apresentação e discussão de temas pertinentes e atuais comuns nas áreas da Juventude e do Desporto do espaço da CPLP.Entre os documentos estratégicos, serão analisados o relatório de atividade de 2016, o plano de atividades 2017/2018 e assuntos relativos aos Jogos Desportivos de 2018, bem como outros projetos estruturantes para o futuro da Conferência.

RUI GOULART APRESENTA EM BARCELOS A OBRA "NASCIDO EM ANGOLA"

Rui Goulart estará em Barcelos para apresentar “Nascido em Angola” 

Dia 23 de maio, às 21h30, no Teatro Gil Vicente

O realizador Rui Goulart e os atores Beatriz Almeida e João d'Avila estarão em Barcelos, no dia 23 de maio, no Teatro Gil Vicente, para apresentar o filme “Nascido em Angola”.

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Os bilhetes podem ser adquiridos no local, ou através de reserva por e-mail (tgv@cm-barcelos.pt) ou telefone (253 809 694).

Sinopse:

«Em 1974 uma revolução em Portugal surpreendeu milhares de portugueses que viviam em Angola. Abandonados pelo poder politico português e enfrentando uma guerra civil, em poucos meses 800 mil portugueses foram forçados a fugir deixando tudo para trás naquela que foi a maior ponte aérea e marítima da história. Miguel foi um desses "retornados" ou "refugiados" que... fugiram de Angola. 40 anos mais tarde ele procura e encontra outros como ele para ouvir as suas histórias... 

Nascido em Angola conta com a participação de João D Ávila, Rui Goulart, Miguel Borges, Adelaide João e com a participação especial de Jaime Nogueira Pinto, do Bispo de Bragança, do Gen. José António Ribeiro e do músico Eduardo Nascimento, entre muitos outros.»

Foto: http://www.verangola.net/

FAMALICÃO RECEBE LUATY BEIRÃO

Luaty Beirão em Famalicão na apresentação do núcleo da Amnistia Internacional

Luaty Beirão esteve em Vila Nova de Famalicão no passado sábado, 14 de janeiro, para apadrinhar a apresentação do núcleo famalicense da Amnistia Internacional Portugal. Foi na Biblioteca Municipal numa sessão onde se falou de Direitos Humanos com intervenções do próprio ativista luso-angolano, conhecido pela sua luta em prol da liberdade de expressão, democracia e luta anticorrupção em Angola, e do presidente do novo núcleo, Carlos Oliveira. 

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O Presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, associou-se ao momento, congratulou-se pela criação da estrutura no concelho e sublinhou que “a Amnistia Internacional tem defendido de forma assertiva causas e direitos sociais em temas transversais, intemporais e com abordagem histórica”.

Luaty Beirão está em Portugal para realizar conferências onde conta a sua história e a dos que, com ele, foram acusados de associação de malfeitores e tentativa de rebelião contra o presidente José Eduardo dos Santos. Luaty utilizou a greve de fome como forma de protesto contra a sua detenção e de mais 13 ativistas. “A vida em Angola é muito imprevisível para toda a gente. Há muita doença, muita criminalidade. Morre-se por estar vivo”, disse, sublinhando: “Eu gostaria de dizer que nunca mais vou ser preso mas é difícil prever”.

ESCRITOR JOSÉ LUANDINO VIEIRA VIVE EM VILA NOVA DE CERVEIRA

O escritor José Vieira Mateus da Graça, aliás José Luandino Vieira, é natural de Ourém mas adotou Angola como sua pátria e vive atualmente em Vila Nova de Cerveira, no antigo Convento de San Payo.

José Luandino Vieira: “Isto não é um livro. São 12 anos de vida”

O escritor angolano Luandino Vieira apresentou esta terça-feira Papéis da Prisão, um livro que escapa a géneros literários e que foi equiparado, pela experiência que conta, a outras memórias de cárcere. O escritor evita as comparações e não fala dos actuais presos políticos em Angola.

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"O que está aqui não é um livro. São 12 anos da vida de uma pessoa multiplicados por cada segundo, e nesses 12 anos eu multiplicava cada segundo por tudo quanto me vinha à cabeça e nem sempre eram coisas recomendáveis.” Foi desta forma que José Luandino Vieira, escritor angolano, vencedor em 2006 do Prémio Camões – que recusou receber – se referiu a Papéis da Prisão: apontamentos, diário, correspondência (1962-1971). Um volume editado pela Caminho que reúne o conjunto da sua produção diarística desde que foi detido pela PIDE no Aljube, em Novembro de 1961, passando por várias cadeias em Luanda, até ao dia em que saiu do Tarrafal, em 1972. Rui Vieira Nery, que apresentou a obra esta terça-feira ao fim da tarde, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, na presença do autor, chamou ao livro um “monumento literário e cívico”

“Ao reler-me encontro em tudo ainda uma pequeníssima fagulha de qualquer coisa que precisa de ser soprada”, disse Luandino Vieira sobre a decisão de tornar agora públicos os 17 cadernos que resultaram desse período da sua vida, e que somam aproximadamente duas mil folhas manuscritas. A essa razão, somou outra: “publicar depois de morto é muito fácil, ninguém assume a responsabilidade”, ironizou, numa curta intervenção onde se confessou várias vezes emocionado.

Ao longo dos cerca de três anos que decorreram desde o dia em que ligou a Zeferino Coelho, o editor da Caminho (onde tem publicada a sua obra), dizendo-lhe que lhe queria “mostrar uma coisa” até ao momento em que se constituiu uma equipa do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, liderada por Margarida Calafate Ribeiro, Mónica V. Silva e Roberto Vecchio, traçou-se um plano que terminou num livro difícil de catalogar.

É Margarida Calafate quem traça a “biografia do livro” que “foge a qualquer classificação de género”. Um livro onde, sublinha a investigadora, está patente a “força de um projecto literário e político”. Ser escritor e “ser Angola independente e livre”.

Natural de Lagoa do Furadouro, perto de Vila Nova de Ourém, onde nasceu em 1935, José Vieira Mateus foi com os pais para Luanda quando tinha três anos. Passou lá a infância e a juventude, estudou, tornou-se cidadão angolano, participou no movimento de libertação nacional – o MPLA, um apoio que manteve até 1978 – e, em homenagem à cidade onde cresceu e aprendeu kimbundu, mudou o nome para Luandino.

Preso pela primeira vez pela PIDE em 1959, justamente pela sua ligação ao MPLA, voltaria à prisão em 1961, desta vez por um longo período durante o qual escreveu alguns dos seus livros mais emblemáticos, entre os quais Luuanda (1963), revelando nesses escritos uma influência do brasileiro Guimarães Rosa. E escreveu ainda estes Papéis da Prisão.

A experiência de cárcere de Luandino Vieira surge num momento quente em relação ao que se passa justamente nas prisões de Angola, com a recente prisão preventiva de 15 activistas acusados de rebelião e tentativa de organizar um golpe de Estado no país e que resultou na greve de fome de um deles, o rapper Luaty Beirão. Os activistas estão actualmente em julgamento. Mantendo o silêncio e a discrição que o caracteriza, Luandino não falou do tema na sua intervenção e evitou os jornalistas e as questões que necessariamente lhe seriam colocadas. "O Luandino sempre foi um homem muito reservado, muito tímido", justifica o seu editor, Zeferino Coelho, apontando a dificuldade que sempre teve para  apresentar um novo livro do Prémio Camões em que ele estivesse presente. Também sobre a sua recusa em receber o Prémio Camões, pouco se sabe além das "razões pessoais" que então invocou, não tendo dado entrevistas nem feito qualquer declaração. Outro mistério de Luandino que permanece é a razão pela qual deixou Angola, na década de noventa, e regressou a Portugal onde vive isolado, num convento do amigo José Rodrigues.

Falar de sofrimento

Os 17 cadernos “meticulosamente datados”, como se lhes referiu Margarida Calafate, tinham por título "Ontem, Hoje, Amanhã..." São compostos por fragmentos de natureza diversa. Anotações diarísticas, correspondência, postais, desenhos, cancioneiros populares recolhidos junto de outros presos, esboços literários e exercícios de tradução, ditos em quimbundo, recortes jornalísticos, apontamentos.

A data de início de escrita não coincide com a entrada na prisão. Foram precisos cerca de seis meses para que Luandino Vieira construísse uma rede que lhe permitiu escrever um livro que os presentes compararam, pela qualidade e força do testemunho, a Cadernos do Cárcere, de António Gramsci, aos escritos de Rosa Luxemburgo, Graciliano Ramos ou Primo Levi.

“A arte da memória perpassa por todos os papéis”, declarou Roberto Vecchio, lembrando precisamente Primo Levi e o dever da memória em momentos extremos. “Como na grande literatura do cárcere, o sofrimento torna-se aqui uma experiência partilhada com o leitor”, disse.

“O tempo falará da importância ou não importância destes papéis. O nome do autor não conta. Aliás, este livro não devia ter autor”, declarou Luandino Vieira, confessando o incómodo por ver o seu nome ao lado dos grandes memorialistas do cárcere, acrescentando: “O meu sofrimento – não gosto nada desta palavra – comparado com os milhões que na nossa terra sofreram e morreram... Falar de sofrimento por ter estado num campo de trabalho de Chão Bom (Tarrafal) para mim seria uma obscenidade.”

O livro é editado quando se comemoram os 40 anos de independência de Angola, mas Luandino Vieira não fez qualquer alusão a esta data. A viver actualmente em Vila Nova de Cerveira, o escritor raramente aparece em público, evita dar entrevistas, “preza a discrição”, como lembrou ainda na apresentação o amigo de infância, o escritor angolano Arnaldo Santos, que quis chamar a atenção para o Luandino poeta, visível em toda a sua prosa.

Também está nestes papéis um lirismo sublinhado por Vieira Nery e Margarida Calafate, que insistem no valor político, literário e histórico deste Papéis da Prisão. “Esta é uma obra sobre a liberdade e sobre o que temos de fazer, o que temos de lutar quando ela falha”, afirmou Margarida Calafate. “Este livro é um retrato de Luandino. É um documento extraordinário que não tem comparação na história da literatura de língua portuguesa”, declarou Zeferino Coelho.

Já Luandino quis homenagear também o kimbundu, a língua onde cresceu. "Em kimbundu,‘não esquece’ diz-se: kujimbé”, escreve Luandino em epígrafe. “Quero continuar a contribuir para a construção da nossa cultura”, disse esta terça-feira Luandino Vieira noutra lembrança, a de uma carta, onde escreveu: "o meu amor por Angola é afinal uma forma do meu amor pela humanidade. Nunca serei um mau nacionalista.”

Fonte: Isabel Lucas /Público

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CERVEIRA ESTUDA COOPERAÇÃO COM ANGOLA

Deslocação a Moxico para estudar futura cooperação

A Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira integrou uma representação oficial à Província de Moxico, em Angola, liderada pela Associação de Municípios do Vale do Minho, que esteve, de 17 a 19 de junho, na capital Luena. Para além do contacto direto com o desenvolvimento realizado nos últimos anos naquela localidade, esta deslocação visou a celebração de cooperação futura entre entidades.

Em representação do Município cerveirense, o Presidente e o Vice-Presidente, Fernando Nogueira e Vitor Costa, respetivamente, fizeram parte de um intenso e produtivo programa de visitas a entidades e serviços governamentais, de apresentação de novos projetos em curso e do conhecimento in loco do grande esforço no progresso encetado nos últimos anos, em particular na cidade de Luena (antiga Vila Luso), capital da Província de Moxico.

A visita, que resultou de um convite endereçado pelo Governador de Moxico João Ernesto dos Santos ‘Liberdade’, em maio do ano passado, durante a deslocação de uma delegação angolana governamental e empresarial aos cinco municípios do Vale do Minho, serviu ainda para estudar a cooperação entre as entidades presentes, o Governo e a região, através da elaboração de propostas com vista à celebração de protocolos em algumas áreas de interesse mútuo, nomeadamente na formação e na promoção de oportunidades de negócios.

De salientar que Moxico é a maior província de Angola, com uma dimensão de 223 023 km² e uma população aproximada de 750 mil habitantes.

ARTISTA VIANENSE RITA GUEDES TAVARES É COMISSÁRIA DA REPRESENTAÇÃO DE ANGOLA NA BIENAL DE VENEZA

Artista vianense comissária da representação de Angola na bienal de Veneza

Uma jovem artista de Viana do Castelo, radicada em Angola e que se descreve como "activista cultural", é a "orgulhosa" comissária da representação angolana na 56.ª edição da Bienal Internacional de Arte de Veneza, que arranca hoje.

Aos 34 anos, Rita Guedes Tavares, ou artisticamente RitaGT, é coordenadora do projecto E.studio, um movimento cultural e artístico em Luanda que lhe valeu o convite do curador do pavilhão angolano em Veneza, António Ole.

"Como comissária, organizo todas as logísticas e produção. Somos uma equipa bastante pequena, por isso acabo por fazer um pouco de tudo. Também, como sou artista, é-me mais fácil saber lidar com todos os preparativos da exposição, embora com este projecto tenha estado a aprender imenso", assume RitaGT, em entrevista à Lusa a partir de Veneza.

A participação angolana nesta 56.ª edição da mítica bienal de arte italiana vai apresentar um "diálogo geracional", integrando vários jovens criadores nacionais, tendo a responsabilidade de estar à altura da de 2013, quando o país recebeu o Leão de Ouro.

Ausente de Viana do Castelo, no norte de Portugal, há oito anos, Rita passou por vários países até se fixar em Luanda, em Fevereiro de 2012, por pesquisa de trabalho e seguindo a família angolana.

"Desde que me mudei para Angola tenho-me tornado, no que chamo provisoriamente, uma activista cultural, e por isso, o meu processo criativo passa por curadoria, produção e comissariado de outros colegas artistas. Interessa-me contribuir para o estímulo intelectual e conceptual da produção de arte contemporânea", explica.

A representação angolana em Veneza envolve uma exposição colectiva que, segundo o curador António Ole, assenta metaforicamente numa "viagem no espaço e no tempo" da arte angolana.

"E, em simultâneo, estabelece um diálogo com uma geração de jovens artistas angolanos, numa espécie de passagem de testemunho", explica o artista plástico, próximo de comemorar meio século de actividade, aquando da apresentação da participação angolana no certame, que em 2015 assinala 120 anos.

Além de António Ole - que participou em 2003 e 2010 a título pessoal -, que é também curador, a representação angolana conta com trabalhos de Binelde Hircan (vídeo), Délio Jesse (fotografia), Francisco Vidal (pintura sobre catanas) e Nelo Teixeira (escultor em madeira), todos jovens artistas.

"Esta exposição consegue expressar o movimento dos jovens artistas angolanos, que é um movimento de muita força e muito estimulante. Interessa-nos desenvolver arte como pensamento crítico e os nossos trabalhos reflectem ideias, questões, conceitos. A carga intelectual do nosso trabalho é a nossa força", explica a "comissária" RitaGT.

A 56.ª Exposição Internacional de Arte, Bienal de Veneza 2015, cujo curador geral é Okwui Enwezor, terá como tema "All the World's Futures" ("Todos os Futuros do Mundo", em tradução livre), e vai decorrer entre sábado, abertura prevista para o público, e 22 de Novembro de 2015.

Quanto a RitaGT, garante tratar-se de uma "oportunidade" para "partilhar o que de melhor se produz de arte contemporânea angolana", das ideologias as conceitos.

Também por isso garante que está em Angola para ficar: "Não tenho vontade de voltar. Gosto de Angola, é o meu país de eleição".

Fonte: Agência LUSA

TROCAR A LUSOFONIA PELA GALEGUIA

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Há uns anos atrás, num evento literário na Galiza, o nosso Pepetela sugeriu que se trocasse a palavra Lusofonia por Galeguia. Galeguia, além de ter um som mais bonito, remete para a origem galaica da língua portuguesa e subtrai-lhe, elegantemente, o peso do passado colonial luso. Há muitos angolanos que não se consideram lusófonos mas talvez pudessem estar dispostos a pertencer à Galeguia, com a Galiza como entidade neutra e unificadora através da língua comum. Parece que o Pepetela estaria de acordo. Eu também.

Não há terra como a Galiza, não há gente como a galega. Quem, dos que falamos português, já foi tocado pela generosidade desse canto do planeta, sabe do que estou a falar. Do Brasil, perguntem ao Chico César ou ao Lenine. Da Guiné, perguntem ao Manecas Costa. De Angola, perguntem ao Pepetela ou ao Ondjaki. Eu mesma vivi em Santiago de Compostela um ano, onde cultivei sólidas amizades e projectos profissionais (lá gravei o meu primeiro disco), vivendo cada dia em português. A maneira como somos recebidos na Galiza ultrapassa qualquer definição de hospitalidade. Falamos a mesma língua e isso nunca teve um efeito tão surpreendente, tão carinhoso. Mas este é ainda um vínculo escondido, um laço invisível, um namoro secreto que deve ser assumido oficialmente e bradado aos sete ventos.

A Galiza é uma região autónoma situada no canto noroeste de Espanha, bem em cima de Portugal. O galego, apesar de se escrever diferente do português, é a mesma língua, não só na oralidade mas também na origem. Como é sabido, foi lá que nasceram estas palavras que agora escrevo e que agora lês. As diferenças que existem são as esperadas em qualquer língua: cada lugar tem o seu próprio jeito e o seu léxico.  Uma língua pode ter muitos dialectos, variantes ou vários sotaques diferentes. As línguas são lugares permeáveis e cambiantes ao longo do tempo, sensíveis ao seu contexto. Ainda assim, entre o galego e o português aplica-se aquela frase: “muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa”.

Por outro lado, as línguas não poucas vezes são usadas como arma política. O galego separou-se do português por causa de uma fronteira política, que colocou a Galiza dentro do Estado espanhol. Progressivamente, dadas as circunstâncias históricas, o galego adoptou uma grafia intencionalmente separada do português e coincidente com a do espanhol, face à oposição de muitos. Pior do que isso, foi a repressão que sofreu durante a ditadura franquista, por exemplo. Nessa altura, houve um esforço para anular todos os idiomas que não fossem o castelhano – na escola, as crianças que falassem galego, catalão ou basco mereciam castigo. Paralelamente, o galego sofreu uma corrosiva “castelhanização”, afastando-se mais ainda da variante portuguesa.

Mas continua a ser evidente que o galego e o português são duas variantes da mesma língua e basta um encontro atento para confirmá-lo. Por tudo isso, a Galiza deveria ocupar a cadeira que lhe é merecida na CPLP, mesmo não sendo um Estado. Sobram motivos para dar o passo oficial e reconhecer a Galiza como nação de língua portuguesa (ou galego-portuguesa). Isso tem muito mais sentido do que abrir as portas da CPLP à Guiné Equatorial, onde nem sequer se fala português nem… nada. Nada além dos interesses económicos, é claro. Em contrapartida, a entrada da Galiza poderia fazer do espaço lusófono um lugar menos marcado pelo passado político e mais centrado na língua comum, como plataforma de partilha cultural, económica, académica, etc.

Sem perder de vista o debate institucional, interessadamente lento, cabe aos galegos continuar a sua luta pela reintegração linguística e cabe-nos a nós conhecer, apoiar e empurrar esses passos. Como sempre, a Cultura caminha muito à frente das Oficialidades. Há anos que existe uma intensa partilha cultural entre os países de língua portuguesa e a Galiza. O Festival Cantos na Maré é um bom exemplo disso. Músicos, escritores, actores, cineastas e demais agentes culturais têm consolidado essa troca, essa amizade e essa pertença mútua com ainda tanto por descobrir.

Imagine-se só? Vai ser que, afinal, não falamos a língua do colono: falamos galego de Angola, com o sabor bantu do Atlântico-Sul.

Aline Frazão / http://www.redeangola.info/

VALENÇA CRIA PARCERIAS COM ANGOLA

Valença Abre Portas a Parcerias com o Mochico - Angola

Uma delegação governamental e empresarial do Mochico – Angola, está de visita a Valença para contatos com a administração local e os empresários do concelho.

Mochico

A delegação é liderada pelo governador do Mochico, João Ernesto dos Santos “Liberdade” e foi recebida por Jorge Salgueiro Mendes, nos Paços do Concelho, onde traçou uma panorâmica histórica, económica, social e administrativa deste território. O governador do Mochico considera da maior importância esta visita para recolher experiências da realidade administrativa local e para o estabelecimento de parcerias com empresários interessados em investir nesta região angolana.

A delegação do Mochico visitou a zona história da Fortaleza de Valença, as áreas comerciais, bem como as explorações de Kiwis, na veiga do Rio Minho, quintas de exploração de vinho e várias unidades industriais e empresariais com interesses em Angola.

A esta delegação angolana soma-se a visita no último fim-de-semana do Prémio Nobel da Paz e representante das Nações Unidas na Guine-Bissau, Ramos Horta. Um conjunto de personalidades internacionais que vem conhecer a Fortaleza de Valença, candidata a Património de Interesse Cultural para a Humanidade e inteirar-se da realidade da Eurocidade e das grandes marcas que são os Caminhos de Santiago, a Fronteira e a gastronomia valenciana, onde o bacalhau é rei.

MINHOTOS TAMBÉM EMIGRARAM PARA ANGOLA

Não foi apenas para o Brasil, França, Alemanha, Venezuela, Estados Unidos da América e África do Sul que os minhotos emigraram à procura de melhores condições de vida. Eles partiram também para os antigos territórios ultramarinos, sobretudo Angola e Moçambique, onde se fixaram nomeadamente nas zonas rurais trabalhando as suas fazendas e machambas.

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Apesar da distância que os separava da metrópole, o termo “emigração” não era então entendido como o mais adequado porquanto se encontravam numa parcela de território à época considerada parte integrante do território português.

Nessas paragens distantes do então império ultramarino, os minhotos criaram o seu associativismo, mantendo vivas as suas raízes culturais. Foram exemplo disso, no caso de Angola, a Casa do Minho em Luanda e, em Moçambique, a Casa do Minho na Beira e a Casa do Minho de Lourenço Marques cujos antigos associados, entretanto regressados à metrópole, continuam a manter os seus convívios anuais na nossa região.

Uma das fotos mostra uma família de colonos minhotos no planalto de Huambo e a outra em localização desconhecida, lendo-se no verso “A futura população de Angola: famílias minhotas”.

Fotos: Fundação Mário Soares

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