Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

VACA DAS CORDAS CORRE AMANHÃ EM PONTE DE LIMA - ESTE ANO A VACA É UM TOIRO DE 450 QUILOS!

Existe deste tempos remotos na vila de Ponte de Lima o peculiar costume de, anualmente na véspera do dia de Corpo de Deus, correr uma vaca preta presa e conduzida pelos ministros da função que assim procedem com o auxílio de três longas cordas. Esse divertimento cuja verdadeira origem se desconhece mas que ainda se mantém e parece ganhar ainda mais popularidade, atraindo à terra numerosos forasteiros, era outrora executada por dois moleiros que a isso eram obrigados sob pena de prisão, conforme determinavam as posturas municipais. Muitos desses moleiros eram oriundos da Freguesia de Rebordões-Santa Maria, localidade que possuía numerosos moinhos e que, com a sua decadência, os moleiros da terra emigraram para o Brasil, fixando-se muitos em Goiás.

61466443_2712676128807394_6121785782282747904_n (6).jpg

Ao começo da tarde, uma vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz, aí permanecendo exposta à mercê do povo que outrora, num hábito que com o decorrer do tempo se foi perdendo, por entre aguilhoadas e gritaria procurava embravecer o animal a fim de que ele pudesse proporcionar melhor espectáculo. Invariavelmente, às dezoito horas, lá aparecem os executantes da corrida que, após enlaçarem as cordas nos chifres da vaca, desprendem-na das grades e dão com ela três voltas em pesado trote em redor da igreja após o que a conduzem para a Praça de Camões e finalmente para o extenso areal junto ao rio Lima. E, por entre enorme correria e apupos do povo, alguns recebem a investida do animal aguilhoado e embravecido ou são enredados nas cordas, enquanto as janelas apinham-se de gente entusiasmada com o espectáculo a que assiste.

Quando soam as trindades, o espectáculo termina e dá lugar aos preparativos dos festejos que vão ocorrer no dia seguinte. As gentes limianas decoram as ruas com um tapete florido feito de pétalas e serrinha por onde a procissão do Corpo de Deus irá passar.

Com atrás se disse, desconhecem-se as verdadeiras origens deste costume antiquíssimo. Contudo, uma tela de Goya que se encontra exposta no Museu do Prado, em Madrid, leva-nos a acreditar que o mesmo era mantido noutras regiões da Península Ibérica. De igual modo, a tradicional corrida à corda que se realiza nos Açores sugere-nos ter este costume sido levado para aquelas ilhas pelos colonos que as povoaram a partir do continente.

Em meados do século dezanove, o cronista pontelimense Miguel dos Reys Lemos arriscou uma opinião baseada na mitologia, a qual publicou nos "Anais Municipais de Ponte de Lima" e que pelo seu interesse a seguir reproduzimos:

"Segundo a mitologia, Io, filha do Rei Inaco e de Ismene - por Formosa e meiga - veio a ser requestada por Júpiter. Juno, irmã e mulher deste apaixonado pai dos deuses, que lia no coração e pensamentos do sublime adúltero e velava de contínuo sobre tudo quanto ele meditava e fazia, resolvera perseguir e desfazer-se da comborça que lhe trazia a cabeça numa dobadoura.

Ele, para salvar da vigilância uxória a sua apaixonada, metamorfoseou-a em vaca: - mas Juno, sabendo-o, mandou do céu à terra um moscardo ou tavão, incumbido de aferroar incessantemente a infeliz Io, feita vaca e de forçá-la a não ter quietação e vaguear por toda a parte.

Io, assim perseguida e em tão desesperada situação, atravessou o Mediterrâneo e penetrou no Egito: aí, restituída por Júpiter à forma natural e primitiva, houve deste um filho, que se chamou Epafo e, seguidamente, o privilégio da imortalidade e Osiris por marido, que veio ter adoração sob o nome de Ápis.

Os egípcios levantaram altares a Io com o nome de Isis e sacrificavam-lhe um pato por intermédio de seus sacerdotes e sacerdotizas: e parece natural que, não desprezando o facto da metamorfose, exibissem nas solenidades da sua predilecta divindade, como seu símbolo, uma vaca aguilhoada e errante, corrida enfim.

Afigura-se-nos que sim e, portanto, que a corrida da vaca, a vaca das cordas, especialmente quanto à primeira parte, as três voltas à roda da Igreja Matriz, seria uma relíquia dos usos da religião egípcia, como o boi bento, na procissão de Corpus-Christi, é representativo do deus Osiris ou Ápis, da mesma religião. E esta foi introduzida com todos os seus símbolos na península hispânica pelos fenícios, aceite pelos romanos que a dominaram, seguida pelos suevos e tolerada pelos cristãos em alguns usos, para não irem de encontro, em absoluto, às enraizadas crenças e costumes populares.

É que essa Ísis, a vaca de Júpiter, a deusa da fecundidade, teve culto especial precisamente na região calaico-bracarense, na área de Entro Douro e Minho; no Convento Bracaraugustano, ou Relação Jurídica dos Bracaraugustanos (povos particulares de Braga), de que era uma pequeníssima dependência administrativo-judicial o distrito dos límicos, prova-o o cipo encravado na face externa dos fundos da vetusta e venerada Sé Arquiepiscopal, - cipo que a seguirtranscrevemos inteirado, conforme a interpretação que em parte, nos ensinou e em parte nos aceitou o eruditíssimo professor do Liceu, Dr. Pereira Caldas:

ISID · AVG · SACRVM LVCRETIAFIDASACERD · PERP · P ROM · ET · AVG

CONVENTVVSBRACARAVG · D ·

INTERPRETAÇÃO
ISIDI AUGUSTAE SACRUM; LUCRETIA FIDA SACERDOS PERPETUA POPULI ROMANI ET AUGUSTI, CONVENTUUS BRACARAUGUSTANORUM DICAT

TRADUÇÃO

"SENDO LUCRÉCIA FIDA SACERDOTISA PERPÉTUA DO POVO ROMANO E DE AUGUSTO, O CONVENTO DOS BRACARAUGUSTIANOS DEDICA A ISIS AUGUSTA (OU: À DEUSA ISIS) ESTE MONUMENTO SAGRADO"

Acredita-se porém que, no local onde se ergue a igreja matriz de Ponte de Lima existiu outrora um templo pagão onde se prestava culto a uma divindade sob a forma de uma vaca representada num retábulo, o qual era trazido para o exterior e efectuava as referidas voltas ao templo. Em todo o caso e atendendo à elevada importância deste animal na economia doméstica de uma região tão propícia à sua criação em virtude dos seus pastos verdejantes, é perfeitamente natural que a vaca tenha aqui sido venerada como símbolo de fertilidade e de abundância e, desse modo, sido prestado-lhe o devido culto. Não é completamente injustificada a frequente representação deste animal nomeadamente no artesanato da região minhota, ao qual a barrista barcelense lhe deu cores e vivacidade que o ajudaram a tornar-se famoso em todo o mundo.

Vaca das Cordas

OS BALDIOS SÃO DO POVO!

Executivo Municipal de Cabeceiras de Basto aprova tomada de posição contra redução de áreas de baldios

Deliberações da Reunião de Câmara de 8 de maio de 2015

O Executivo Municipal de Cabeceiras de Basto, que reuniu esta tarde, dia 8 de maio, no edifício dos Paços do Concelho, aprovou, por unanimidade, uma tomada de posição contra redução de áreas de baldios, deliberando:

“1. Tomar uma posição de defesa dos agricultores do concelho de Cabeceiras de Basto, manifestando oposição à medida do IFAP de redução das áreas classificadas como pastagens arbustivas nos baldios;

  1. Solicitar à Ministra da Agricultura e do Mar que determine uma reavaliação daquela medida, no sentido de repor as áreas de baldio que permitam aos agricultores apresentar candidaturas e beneficiar dos apoios financeiros espectáveis até à entrada em vigor das novas regras de caraterização das mencionadas áreas de baldio;
  2. Enviar a presente tomada de posição a Sua Excelência o Primeiro-Ministro, à Sra. Ministra da Agricultura e do Mar e aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República” (documento segue, em anexo, na íntegra).

Nesta reunião, o Executivo Cabeceirense aprovou, ainda, dois votos de congratulação, um à Escola Básica da Ferreirinha de Cavez por ter conquistado o primeiro prémio do Concurso Nacional ‘Uma Aventura... Literária 2015’ na categoria Trabalhos Coletivos/3.º e 4.º ano de escolaridade e outro ao jovem trompetista Carlos Eugénio Aguiar Leite por ter sido selecionado para integrar a Orquestra de Jovens da União Europeia.

Ao texto original intitulado ‘Uma Aventura no Mosteiro de Refojos’, orientado pela professora Maria da Glória Sousa, o júri atribuiu, no passado mês de abril, o primeiro prémio, destacando-se de entre os mais de 10 mil trabalhos individuais e de grupo.

O trompetista Carlos Leite foi um dos cinco jovens músicos portugueses selecionados para integrar aquela Orquestra como membro efetivo, sendo este o segundo ano consecutivo em que é chamado.

Em 2014 foi selecionado para o Estágio da Orquestra Gulbenkian e foi aprovado, para programa Erasmus, na Escola Superior de Música da Catalunya e Conservatory de Liceu em Barcelona e para a Universität der Künste, em Berlim. Neste mesmo ano foi também selecionado como membro titular da Orquestra de Jovens da União Europeia. Carlos Leite desenvolve, ainda, atividades com a Banda Sinfónica Portuguesa e com Orquestra Sinfónica de Barcelona e Nacional da Catalunha.

A Câmara Municipal deliberou, assim, aprovar estes dois votos de congratulação à Escola Básica da Ferreirinha e ao jovem músico Carlos Leite pelos êxitos alcançados e que contribuíram para a promoção do nosso concelho, ao mesmo tempo que reforçou o prestígio e a imagem de Cabeceiras de Basto.

Durante a reunião foi, também, renovado o protocolo com a União das Freguesias de Gondiães e Vilar de Cunhas no âmbito da cedência temporária de instalações da antiga EB1 da Uz e aprovada a abertura de procedimentos concursais para a prestação de diversos serviços.

A Câmara Municipal deliberado também atribuir diversos apoios logísticos à Banda Cabeceirense.

Reunião de Câmara Municipal de 8 de maio de 2015

Assunto: Redução das áreas classificadas como pastagens arbustivas nos baldios/Consequências para as candidaturas aos apoios da PAC

TOMADA DE POSIÇÃO

Considerando que o Governo, através do IFAP, optou por proceder à caracterização da ocupação cultural dos terrenos baldios através de fotointerpretação com base em ortofotomapas de 2012, quando tinha disponíveis áreas já aprovadas tecnicamente em campo, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P. (ICNF) e cujo total de pastagens naturais é substancialmente superior;

Considerando que desta caracterização por fotointerpretação e depois de retirar os povoamentos florestais, afloramentos rochosos e caminhos, foi apurada uma superfície elegível para pastagens naturais bastante inferior à verificada em exercícios anteriores;

Considerando que o governo aplicou àquelas áreas um coeficiente de redução de 50% das pastagens arbustivas existentes em baldio;

Considerando, ainda, que as regras do Regime de Pagamentos Base (RPB) vão no sentido de impedir que os jovens agricultores que se instalaram, com o apoio do ProDeR, em áreas até então elegíveis, mas ainda sem RPU, se possam candidatar ao RPB, impedimento que vai provocar uma alteração profunda na perspetiva de rendimento a obter por estes jovens agricultores e poder colocar em causa a sustentabilidade do projeto, pois os pressupostos iniciais foram alterados.

Considerando que várias são as consequências destas opções políticas, nomeadamente:

-Os jovens empresários agrícolas instalados no âmbito da aprovação de projetos de investimento ProDeR, cujo projeto de instalação aprovado contempla áreas de baldio, vão ver

diminuir a sua superfície elegível com repercussões em termos do RPB, da Manutenção da Atividade Agrícola em Zona Desfavorecida (MAZD) e das Medidas Agroambientais;

- Muitos jovens agricultores que se pretendiam instalar, ficaram sem possibilidade de o fazer devido a esta redução bastante significativa de área.

-Estas medidas comprometem significativamente a aposta política da renovação do tecido empresarial agrícola bem como a continuidade do setor pecuário nesta região, nomeadamente em Cabeceiras de Basto e consequentemente empobrece toda a economia local que depende diretamente e indiretamente deste setor.

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, hoje reunida, delibera, por unanimidade:

  1. Tomar uma posição de defesa dos agricultores do concelho de Cabeceiras de Basto, manifestando oposição à medida do IFAP de redução das áreas classificadas como pastagens arbustivas nos baldios;
  2. Solicitar à Ministra da Agricultura e do Mar que determine uma reavaliação daquela medida, no sentido de repor as áreas de baldio que permitam aos agricultores apresentar candidaturas e beneficiar dos apoios financeiros espectáveis até à entrada em vigor das novas regras de caraterização das mencionadas áreas de baldio;
  3. Enviar a presente tomada de posição a Sua Excelência o Primeiro-Ministro, à Sra. Ministra da Agricultura e do Mar e aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República.

Cabeceiras de Basto, 8 de maio de 2015