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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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TABUAÇO E PONTE DE LIMA RECRIAM BACALHAU À ALMEIDA GARRETT – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Depois de servido no jantar anual do Grupo Gastronómico dos 14 Embaixadores acreditados em Bruxelas, o qual teve lugar na Residência do nosso diplomata no passado dia 24 de Janeiro último, o Bacalhau à Almeida Garrett (1799-1854) foi recriado  este Sábado 8 de Fevereiro passado em Tabuaço, pelo Chef Thomas Egger, o coordenador do banquete na capital europeia. De recordar ainda, que nesse acontecimento social e político como foi apelidado entre comensais presentes, integraram ainda a equipa de cozinha: Domingos Gomes, membro honorário da Academia do Bacalhau de Bruxelas e da Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal, proprietário do Restaurante Rio Lima em Cardielos, Viana do Castelo, e João Leonardo Matos, jovem promessa no domínio da gastronomia, responsável da cozinha do Beco das Selas, em Ponte de Lima. Nas sobremesas, a mão e o gosto especial de Fátima Egger, a esposa do renomado Green Chef estabelecido em Tabuaço mas serviços em parte da Europa, ele é esmerada no arroz doce, pudim à Abade de Priscos e demais iguarias.

Mas, se na capital da União Europeia o festim foi restrito, por razões de segurança alimentar e a outros níveis, nas margens do Douro, o casal luso – austríaco abriu a sua casa dos Ruiis a duas dezenas de convidados, como o Presidente do município Carlos Carvalho, sua vereadora da cultura e vice Anabela Oliveira, seu colega Manuel Costa e o Chefe de Gabinete, Faustino Lopes. Completavam o grupo de comensais, uma delegação do Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, onde para além do signatário se juntou pessoal de Cozinha e da logística, como os Chefs Paulo Santos e Domingos Gomes; Armando Melo, Joaquim Lemos Loureiro, familiar do único Estrela Michelin do Minho (em Guimarães), Alberto Silva e o responsável de sala no Fátima Amorim, na Correlhã, Ponte de Lima, Filipe Matos. Ainda no elenco de tabuacenses, o pároco da vila, P.e Manuel Gonçalves também se associou ao banquete.

Tudo começou com uma visita ao complexo gastronómico da família Egger, com uma degustação de champanhe austríaco, queijos, cubos de empadão ou bôla de carnes e enchidos, e outros de sardinha. Seguiram-se outros acepipes preparados a preceito para o dia especial: cogumelos recheados com alheira e cama de rúcula, macerados com vinagre balsâmico, acompanhados de uva branca sem graínha, tomate cherry, cebola e queijo Edam (flamengo),gratinado.

Passou-se depois ao saborear um cálice de Porto com 30 anos da Quinta do Filoco e ao cardápio completo: um creme de cogumelos selvagens com chalota (cebolinha do Gerês), com base de bacon, pimenta preta, tomilho e azeite, conferindo uma textura aveludada ao pitéu. A acompanhar a primeira etapa do jantar, um branco do Douro: Quinta da Carregosa, em Tabuaço, uma Reserva do produtor. Os talheres prosseguiram para a fase seguinte: El Rei e fiel amigo é desfilado na baixela da casa pelos convidados, composto de um lombo de mais de trezentas gramas, confecionado tal como em Bruxelas: assente em cama de grelos, redução de vinho do Porto, (o atrás referido com trintena de idade e produzido na Quinta de Filoco), acompanhado de batatas ás rodelas e regado com molho béchamel, rematado com crosta de broa de milho amarelo, chilli de pimenta do México e outro segredo de Chef. Quem o desejava tinha direito a repetição, quem terminou aguardava entretém seguinte para os dentes e faqueiro… Foi uma homenagem ao primeiro representante de Portugal na Bélgica, pois o autor das Viagens na Minha Terra, representou Portugal no então jovem reino do centro da Europa, entre 1834-1836, terminando funções a 23 de janeiro deste último ano.

Passou-se ao primeiro brinde para molhar a palavra com maduro tinto, uma Grande Reserva novamente da Quinta da Carregosa, um dos que integrou a Carta em Bruxelas, e um dos néctares durienses mais apreciado e  procurado, diziam entendidos!

Seguiu-se um Intervalo do trabalho de manducar, para tempos de intervenções: elogios de todos os quadrantes, do Clero aos políticos, e destes aos amigos e familiares dos Egger…

A vez da sobremesa, ainda contemplou muitos: D. Fátima Egger esmerada na sua arte gastronómica, apresentou no ágape, um doce de morango com iogurte, um Pudim á Abade de Priscos, um bolo de bolacha e frutas variadas. Completou essa parte da menú, especialidades doceiras levadas de Ponte de Lima: o Lethes, nova especialidade produzida pela Havaneza, além do doce de gema ou branco.

Já se caminhava para a madrugada e o banquete vivia seus restantes minutos! A amizade ao despedir, calendarizava outras pretensões de convívio, pois o que terminava, apesar de longo, pois foram quase quatro horas de duração, concluiu-se ser invulgar pela qualidade, sem similitude entre outros, proporcionados pelo nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima no país e estrangeiro.

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