SARRABULHO DE PONTE DE LIMA: CLARA PENHA NASCEU HÁ 189 ANOS! – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS
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Passaram a 26 de Dezembro último 189 anos do nascimento de CLARA Rosa PENHA, considerado o principal nome no Arroz de Sarrabulho ou Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima, o principal prato do nosso concelho, classificado em Janeiro do corrente ano como ETG (Especialidade Tradicional Garantida) pela Comissão Europeia.
A patrona do icónico manjar Limiano nasceu na antiga Rua da Esperança, hoje João Francisco Rodrigues de Moraes, mas popularmente designada de Rua da Vacaria, pois nesse local existiu a recolha do gado do Visconde de Vila Nova de Cerveira, já referido no seu testamento lavrado em 1495. Com seu familiares já no negócio de comidas e vinhos, Clara Penha seguiu o rasto, e fundou em 1860 o Restaurante e Pensão com seu patronímico, na antiga Rua do Eirado, no alto do Bairro do Pinheiro, a caminho de Vila Verde e Braga.
Muitas são as receitas que a figura da gastronomia de Ponte de Lima nos legou, entre carnes, peixes e doces. Mas, de todo o receituário manuscrito ou impresso, a mais famosa herança culinária, foi o do Sarrabulho de Ponte de Lima. A sua “autora” faleceu aos 2 de Setembro de 1924, nesse berço da genial iguaria regional portuguesa!
Sua sobrinha e herdeira, Maria Adelina Penha, nossa bisavó, seguiu a tradição das iguarias, e sua filha, Belozinda Penha Varela – a popular Clara Penha da segunda metade do século XX, continuadora e também responsável e inclusão de novas receitas, como o Arroz de lagosta, filetes de pescada e Língua de vaca estufada com ervilhas, continuou o trabalho na acreditada unidade de restauração e hospedaria no Minho.
O edifício actual, reconvertido em 2013 como – Casa dos Sabores – após compra pelo município, foi já construído em 1886, onde se salientava uma cozinha moderna ao tempo, equipada com grande fogão a lenha e reservatório para água quente, recordava – nos a nossa tia – avó Belozinda.
Hoje, é dever, por parte dos gastrónomos e de sentimento, recordar a efeméride, e mais umas afamadas doçarias de Natal que na Clara Penha proliferavam entre receitas recolhidas em livros e melhoradas por Clara Penha e suas herdeiras ou seguidoras: os formigos ou mexidos, os pastéis de cabaça menina, o arroz doce, a torta de ovos, a aletria, as rabanadas com mel ou vinho tinto e aromatizadas com o do Porto, recordações de minha meninice e adolescência, quando nas décadas de setenta e oitenta do século passado visitava a Tia Zinda (Belozinda) Penha Varela, em quadra natalícia…
