RIO MINHO / RIO LIMA/ VILA PRAIA DE ÂNCORA: O QUE É O ASSOREAMENTO?
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A propósito dos rios Minho e Lima e sobretudo do porto de mar de Vila Praia de Âncora temos vindo a referir com certa frequência o fenómeno do assoreamento daqueles locais. O vocábulo é um termo relacionado com a Geologia e, naturalmente, pouco familiarizado pela maior parte dos leitores. Mas, afinal o que é o assoreamento?
De uma forma genérica, o assoreamento consiste na acumulação de sedimentos (areias ou terras) nos leitos dos rios e, com maior incidência, na margem sul das fozes dos rios, causando frequentemente a sua obstrução, incluindo os portos aí instalados.
O assoreamento pode ser provocado pela deslocação de arenitos resultantes da erosão das arribas devido à ação dos ventos, ao despreendimento dos solos causados pelos incêndios florestais, desmatação próximas dos cursos de água afluentes ou outras intervenções humanas, enchentes e construções de que resultam relevantes alterações na bacia hidrográfica.
Em consequência do assoreamento resultam não raras as vezes o transbordo das margens dos rios e ribeiras, favorecendo a ocorrência de cheias nas áreas urbanas e alagamento dos campos agrícolas como sempre se verificaram em Ponte de Lima, ou ainda a obstrução de portos como ocorre com frequência em Vila Praia de Âncora.
Em situações de extração de areias e eventual depósito nas suas margens sem avaliação prévia, a força da corrente pode inclusivamente ameaçar a estabilidade de estruturas como pontes e barragens, sendo necessário de se proceder ao enrocamento de maneira a reforçar as suas fundações.
O enrocamento é uma técnica de proteção de taludes e margens de rios que consiste na colocação de pedros ou blocos de cimento a fim de evitar a erosão e proteger contra a ação da água.
Em virtude da alteração do leito, o assoreamento impede a navegabilidade dos rios e o acesso aos portos marítimos tornando-os disfuncionais. Para além das obras hidráulicas e de engenharia, impõe-se o estudo hidrográfico dos locais afetados e dos ventos e correntes marítimas com vista nomeadamente à regularização das margens e construção de molhes que possibilitem o acesso e navegação no interior dos portos de abrigo.