QUEM ERAM OS JUDEUS MINHOTOS?
Ao longo da História, várias foram as comunidades judaicas que se estabeleceram no Minho, nomeadamente em Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Barcelos e Ponte de Lima. A elas se deve nomeadamente o incremento do comércio, das feiras medievais e do artesanato local.
Foram os judeus os principais organizadores da feira de Ponte de Lima cuja importância justificou a atribuição do foral por D. Teresa em 1125, a qual veio a registar u desenvolvimento notável nos séculos XIV e XV.
Em Ponte de Lima, viviam intramuros e o acesso à Judiaria fazia-se pela então Rua da Judiaria – atual Rua da Porta Nova – através do Arco da Porta Nova junto à torre da Cadeia Velha que ainda se conserva.
Aos judeus minhotos se deve em grande medida o incremento da economia local. Eram eles os mercadores e artesãos que abasteciam o comércio e contribuíram para o progresso da cidades e vilas ao tempo da Idade Média.
Em Viana do Castelo, foram muitos os judeus que na época dos Descobrimentos se fizeram mercadores e navegadores dedicando-se ao comércio sobretudo com os países do norte da Europa onde vieram a constituir feitorias nomeadamente em Antuérpia e a comunidade judaica de Amesterdão onde ergueu a magnífica Sinagoga Portuguesa que ainda é uma referência turística daquela cidade.
As marcas que deixaram em Viana da Foz do Lima – atual Viana do Castelo – levaram em 1442 os procuradores a requereram ao rei D. Afonso V a delimitação do bairro dos judeus que ocupava, na altura, uma das maiores praças do centro histórico.
Mas não foi somente no tecido urbano que os judeus deixaram a suas marcas. Eles possuíam os seus lugares de culto e interagiam frequentemente com as procissões e outras celebrações cristãs. A própria romaria de São Bartolomeu do Mar, no concelho de Esposende – que à época integrava o concelho de Barcelos – denuncia em grande medida influências de práticas dos cristãos-novos, judeus alegadamente convertidos ao Cristianismo.
Apesar de uma convivência pacífica, o período do estabelecimento da Inquisição levou à denúncia ao Tribunal do Santo Ofício de muitos judeus (cristãos-novos) pela prática de judaísmo, quem sabe na maioria dos casos tais perseguições motivadas por invejas e interesses pessoais. Muitos demandaram outras paragens a fim de escapar à intolerância religiosa. Os que ficaram, são atualmente tão minhotos como nós!
Ponte de Lima: Arco da Porta Nova que dava acesso à Judiaria (Foto: Wikipédia)