POPULAÇÃO DE TERRAS DE BOURO ESTÁ PREOCUPADA COM REDUÇÃO DA ÁREA DE PASTOREIO
O comportamento e os prejuízos provocados pelo lobo no concelho de Terras de Bouro
O Salão Nobre da Camara Municipal de Terras de Bouro registou, na manhã do dia 23 de março, uma elevada adesão de populares que viram e ouviram as preocupações manifestadas pelo Presidente da Câmara Municipal, pelo Presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne e as reivindicações dos representantes dos criadores de gado e dos baldios sobre a redução da área de pastoreio e alterações no comportamento dos lobos.

O Presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, Dr. Joaquim Cracel, iniciou a sessão com agradecimentos dirigidos a todos os presentes e em especial à comunicação social, meio sempre importante na divulgação das preocupações que originaram a marcação desta conferência de imprensa. Continuando, afirmou que dois problemas fundamentais geraram este encontro: a anunciada redução da área de pastoreio imposta pelo IFAP (Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas) com os possíveis constrangimentos e prejuízos que daí advirão às populações e os danos provocados pelos lobos junto dos criadores de gado e consequente inquietação por falta de segurança junto das povoações.
Sobre o primeiro assunto, o presidente do município terrabourense anunciou a realização, no dia 24 de março, de uma reunião em Vila Pouca de Aguiar onde esta medida, lesiva dos interesses dos agricultores e dos criadores de gado, será discutida e de como seria importante que a mesma fossa alterada.
Já no que diz respeito aos ataques dos lobos, têm sido cada vez mais frequentes, em locais e horas até há pouco tempo, impensáveis. Com efeito, tem acontecido situações muito próximo das localidades e de dia, o que, salvaguardando a perspetiva científica, faz pensar que o número de lobos tem vindo a aumentar e o seu comportamento já não parece ser típico do lobo ibérico, com mais temor ao Homem. O objetivo desta sessão, sublinhou o presidente da câmara municipal é o de alertar, com urgência, as entidades competentes, nomeadamente, o ICNF, para que não aconteça uma tragédia, dadas as proporções que o problema está a assumir junto dos criadores de gado e das populações.
Nesta conferência de imprensa usou também da palavra o Presidente da APPLC (Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne) para dizer que existe, realmente, uma enorme preocupação e revolta junto dos criadores de gado, que estão nos limites face aos prejuízos que têm sofrido e à falta de segurança que sentem junto às localidades onde habitam. Não podem ser estes últimos a sustentar o lobo e não podem também reclamar junto do INCF em vão, ficando eternamente à espera de indemnizações que nunca chegam, muitas vezes porque os serviços do próprio ICNF não conseguem efetuar o levantamento das situações de ataque dos lobos.
