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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA E TABUAÇO À MESA DOS EMBAIXADORES EM BRUXELAS – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

Local do Banquete Diplomático.jpg

As tradições enogastronómicas de Ponte de Lima e Tabuaço, com algumas selecções de produtos para entradas e sobremesas nos municípios de Vila Real e Vila Verde, foram servidas há dias no banquete diplomático realizado em Bruxelas, por iniciativa dum encontro anual do Grupo Gastronómico de Embaixadores acreditados na capital europeia.

Tratou-se de um serviço solicitado em Novembro último pelo nosso embaixador S. E Jorge Cabral, aquando da cerimónia realizada em Gand, de homenagem aos militares portugueses falecidos na I Guerra Mundial, organizada pelos amigos da Liga local dos Combatentes, Bruno Joos De Ter Beerst o cônsul de Portugal, e o Secretário Victor Alves Gomes e a tesoureira Filipa Pedro.

Assim, esse serviço de responsabilidade, exigente e de elevado grau de segurança alimentar e outras áreas conexas, motivou a constituição de um grupo no whatshap para durante um mês procederem à apresentação de testes de receituário, trocas de ideias e outras particularidades.

Uma dúzia de embaixadores de Estados-membros da União Europeia estiveram presentes: o anfitrião Portugal, mais a Alemanha, Canadá, Liechenstein, Luxemburgo, Malta, Grécia, Líbano, Marrocos, Brasil, Chile, Perú e Mónaco. E, quanto a mestres da culinária enumeremo-los também: Thomas Egger e esposa, de Tabuaço, mas com actividade anual repartida pela sua Áustria e outros países vizinhos; Domingos Gomes, do Rio Lima, em Cardielos, Viana do Castelo e o jovem João Leonardo Matos, do Beco das Selas, no centro de Ponte de Lima.

Mas, reportemo-nos ao cardápio acordado: nas entradas foram servidos mini – canapés com o melhor queijo do mundo, o português Quinta da Soalheira, do Fundão; seguiram-se bolinhas panadas com recheio de alheira e cogumelos recheados também com a alheira de galo da MinhoFumeiro, Correlhã, Ponte de Lima. O prazer inicial na mesa multinacionalidades encerrou com covilhetes, uma empada de caça concebida a partir de receita tradicional vilarealense, mas para o almoço especial em Bruxelas, foi recheada com carnes de veado, javali e perdiz. Para deglutir esses acepipes e o restante comer, foi servido um Quinta do Filoco Reserva Branco de Tabuaço, um Marquês de Borba tinto Vinhas Velhas e um verde branco castas Arinto e Loureiro da Casa de Sezim,  Guimarães.

Chegamos ao prato principal, o Bacalhau ao gosto de Almeida Garrett, o primeiro diplomata na Bélgica independente cuja posse ocorreu a 30 de Julho de 1834, escolha do nosso actual representante, a partir da receita fornecida por João Sena, do Brasil.

O fiel amigo foi cozinhado de forma sublime: o lombo sob uma cama de grelos foi ao forno para gratinar, e estava acompanhado duma redução de vinho do Porto 30 anos também da Quinta de Filoco em Tabuaço, de demi – glass e batatas ás rodelas salpicadas com molho bechamel. Por cima de toda a iguaria, crosta broa de milho id de Portugal, e fios de pimenta chili, uma especiaria oriunda do México, sugestão do Chef Egger.

A vez das sobremesas foi antecedida dum primeiro balanço: o aplauso dos comensais pelo menú escolhido pelo nosso embaixador, uma recriação parcialmente histórica pois a alheira era muito apreciada pelo nosso Eça de Queirós, escritor e diplomata que foi em Havana, Newcaste e Paris, onde faleceu a 16 de Agosto de 1900. E, o bacalhau cozinhado de diversas formas, foi aqui apresentado ao gosto do autor das Viagens na Minha Terra que durante dois anos viveu em Bruxelas, e integra assim mais uma opção de comêres nacionais recolhidos e inovados quanto necessário, pelo nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima.

E, então agora o elenco do remate do convívio: Pudim á Abade de Priscos (1834-1930), um tributo ao famoso cozinheiro de Turiz, Vila Verde foi o “rei” das sugestões. Mas, como também à nossa equipa de oito mãos foi solicitada ajuda para um jantar de inauguração da BAFFA (Feira Internacional de Antiquários e Arte de Bruxelas) na área dos doces, além do Pão de Ló, o Bolo Rei e os matrafões (biscoitos de farinha e azeite) de que se encarregou de fornecer o amigo Carlos Carvalho, autarca de Tabuaço, outras lambarices havia: o Lethes, novo doce típico de Ponte de Lima, ainda em testes pela Confeitaria Havaneza; as cavacas ou doce branco, ou de gema; os massapães que Portugal importou em tempos da Estónia e o arroz doce, o “acepipe nacional”, como o designou Eça nas suas Prosas Bárbaras e em A Cidade e as Serras, acompanhou o café.

Vencida a preocupação, cumprido o desejo de honrar Portugal e o Entre Douro e Lima com suas receitas e produtos locais no “acontecimento social do ano da diplomacia europeia”, como salientou-se em balanço, resta-me agradecer em meu nome pessoal aos amigos responsáveis pela confecção do almoço do Grupo Gastronómico de Embaixadores, como é designado, com encontros anuais para conhecimento da gastronomia do anfitrião e discutir política actual no mundo, particularmente no velho continente e da comunidade dos 27.

Baixela de porcelana e pratas.jpg

Covilhettes de caça.jpg

Bacalhau á Almeida Garrett completo.jpg

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