PONTE DE LIMA: CHEF MORGADO APRESENTOU TORTA DE TANGERINA CARVALHAL – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS
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Mais uma prova, mais uma receita retirada do baú das recordações dos avós, ou de tempos mais recuados. Na sequência da tertúlia de Domingo último no Favas, seguiu-se outra no Morgado´ s Tavern, na Feitosa, a qual deu à prova o que se discutira dias antes.
O patrão Chef Filipe Morgado, deliciou os elementos do nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima presentes, com uma nova iguaria de sobremesa: a Torta de tangerina da variedade carvalhal, outrora comum em convívios de famílias na sua freguesia de Arcozelo.
Uma especialidade de doce, recuperada; uma proposta de nova sobremesa naquele que é considerado o “laboratório de gastronomia” do nosso Clube, pelo advogado e produtor dos vinhos Lethes, também em Arcozelo, Alberto Pitta Meireles. E, temos de agendar uma harmonização desses dois sabores…
Quanto ao produto em causa, ele é mais um a acrescentar a uma Carta Gastronómica do concelho de Ponte de Lima, mas eis alguns elementos da sua ficha técnica: uma base de farinha com uma dezena de ovos, mais uma quantidade igual de tangerina da variedade carvalhal, acrescentando ainda meio quilo de açúcar, e três quartos de hora está pronto a comer!
E, para essa função gustativa, alinharam connosco conhecedores da cozinha regional: Domingos Gomes, de Cardielos, Viana do Castelo; os Pontelimenses Paulo Santos, de São Pedro de Arcos; Filipe Matos, da Facha, mas ao domingo com “oficina” gastronómica na Correlhã; João Leonardo Matos, de Arcozelo e Guilherme Galante, um marketeer de produtos regionais por Lisboa, com a sua Pipa de Sabores, convertido há anos a Limiano adoptivo por residência e mais motivos!
Mas, para entretém do estômago ou preenchimento da hora de o abastecer, o Chef Filipe Morgado adicionou uma feijoada “com todos os matadores”, uma boa antevisão de juntar o salgado com o doce, em mais uma reunião de amigos e membros do grupo de promoção da cozinha regional portuguesa, especialmente do Alto Minho e de Ponte de Lima.
Aproveitamos recordar que Arcozelo, localidade fronteira á sede do nosso concelho, é uma referência gastronómica na região; hoje, aqui nesta crónica aproveito evocar a saudosa cozinheira Maria Teresa Lima Pereira (a Maria do Godinho), pois durante anos foi empregada do então Chefe da Repartição de Finanças local, titular desse apelido; reformada, depois integrante das serviçais do exército de cozinha no Retiro da Senhora da Luz (Persona). Entre seus manjares, o saber e sabor de “Maria do Godinho”, exaltemos o Arroz de Espigos (de grelos), acompanhado de pataniscas de bacalhau. E, este último petisco tem um seguidor: o jovem João Matos, da Senhora da Luz, com mestria nessa entrada, como recentemente o justificou numa digressão a Bruxelas (Jantarinho à Eça de Queirós) e na Mostra Gastronómica (Um Sabor de Cultura), em Hosingen, Luxemburgo.
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