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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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POLVO COZIDO COM BATATAS E COUVES É O PRATO TRADICIONAL DA CEIA DE NATAL NO MINHO E GALIZA

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Nem só de bacalhau se faz a ceia no Minho na noite de Natal. O polvo cozido com batatas e couve foi desde sempre o prato preferido das gentes minhotas e transmontanas por esta ocasião.

A sua captura ao longo da costa na nossa região é uma tradição bem antiga que ainda se mantém. E, à mesa, pode ser cozido e apresentado com batas e couves, nabos e ovos cozidos, com molho de azeite, alho e vinagre.

No Minho, o polvo pode também ser servido com arroz, depois dde um refogado com cebola, banha, azeite, salsa e piripiri. Ou ainda, assado ou guisado, juntando-lhe chouriço, vinho branco e tomates.

Porém, desde os navegadores portugueses entre os quais destacamos o vianense João Àlvares Fagundes passaram no século XVI a realizar as expedições aos bancos da Terra Nova, o bacalhau passou a fazer parte da alimentação nas navegações marítimas devido à sua durabilidade após salga e secagem.

Nos finais do século XIX, em virtude do aumento da população na sequência da revolução industrial, foi necessário procurar novos recursos alimentares para suprir a escassez da produção agrícola e pecuária, a qual vinha sendo agravada com o êxodo das populações que procuravam nas cidades melhores condições de vida suportadas pela empregabilidade no meio fabril. E, foi nesse contexto que então se realizam as campanhas oceanográficas, em Portugal sob a orientação do reio D. Carlos. E, assim foi o peixe em geral a ser introduzido na dieta alimentar dos portugueses.

A Grande Guerra trouxe-nos as rações de combate em conserva e o Estado Novo o incentivo da pesca do bacalhau através das campanhas organizadas de abril a novembro com destino às águas geladas da Gronelândia e Terra Nova, atividade que tem no navio-hospital Gil Eannes, entretanto transformado em museu e atracado no cais de Viana do Castelo, o seu maior símbolo em Portugal. E, progressivamente, foi o bacalhau transformando-se no “fiel amigo” dos portugueses, o alimento quase diário dos operários, economicamente mais acessível à bolsa dos pobres.

À medida que o bacalhau foi conquistando um lugar à mesa na noite da consoada e, no dia seguinte, sob a forma de “roupa velha”, o polvo foi sendo esquecido na gastronomia minhota. Mas, no Minho, a tradição resiste e o polvo volta a ser a iguaria preferida da cozinha tradicional, sobretudo na ceia de Natal.