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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

PAREDES DE COURA REALIZA POESIA

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ÍNDICE

PROJECTO    3

Apresentação  3

REALIZAR:poesia    5

Data e Local   5

Datas do Evento        5

Local do Evento         5

Espaços Para o Real   5

Tema   5

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO (1890 1916) 5

Exposição do Centenário da morte de Mário de Sá-Carneiro          7

Programação   8

PROJECTO

Apresentação

Conciliando vontades, em todo o amplexo do lugar, o REALIZAR:poesia propõe uma panóplia de atitudes e linguagens poéticas, que objectivam na proposta contida nos versos finais do poema AGORA ESCREVO de Alexandre O'Neill, que aqui se plasmam:

"...

Tratava-se de realizar.

 

«Realizar»: fazer passar

Para a realidade,

Pôr em prática sonhos,

Ideias, teorias.

Por exemplo: a indústria,

A agricultura realizam

Certas teorias

Químicas, físicas,

Biológicas.

Por exemplo: hoje

Estão a ser realizados

Os mais velhos

Sonhos do homem.

Por exemplo – mais pessoal

Mas não menos importante:

Em ti

Via realizados os meus sonhos!".

 

Este manifesto imperativo do poeta de "No Reino da Dinamarca", que convoca a poesia ao desiderato  novo de participação na realidade, anima os diversos momentos deste primeiro evento, que terá o privilegiado âmbito de Paredes de Coura como cenário. As propostas, apresentadas por dezenas de prestigiados convidados nacionais e internacionais, versarão campos tão vastos quanto aqueles que vão da conversa à performance, da prelecção ao teatro, do lançamento de obra literária à conferência, da leitura de poesia à musica, do cinema à exposição de acervo bibliográfico, et cetera.

Um programa tão amplo transporta a intenção de atingir, favoravelmente, um público tão indistinto quanto abrangente, desde o cidadão instigado pela curiosidade até ao cultor das matérias apresentadas. Pretende-se, no REALIZAR: poesia, acima de tudo, a divulgação e partilha da experiência poética, entre os seus artífices e todos aqueles que se fizerem presentes, a 21 de Abril e dias seguintes, nesta mítica localidade.

De referir que, precisamente no dia de arranque do REALIZAR: poesia, será inaugurada “mil anos me separam de amanhã”, iniciativa que supera o designativo exposição, mostrando-se, peremptoriamente, uma viagem emocional ao universo de Mário de Sá-Carneiro. No âmbito do centenário da sua morte, o nome maior da literatura portuguesa, Mário de Sá-Carneiro, é assunto de destaque neste REALIZAR:poesia inaugural. Trata-se o exemplo superior da decisão fundadora de experimentar o ideal poético, colocando, não só a condição da sua obra, a própria vida ao serviço dessa premissa.

REALIZAR:poesia

Data e Local

Datas do Evento

de 21 a 25 de Abril de 2016

Local do Evento

Concelho de Paredes de Coura

Espaços Para o Real

A primeira edição do REALIZAR:poesia irá abordar vários espaços da vila e concelho de Paredes de Coura. O Centro Cultural será o palco privilegiado de várias iniciativas, no entanto terá lugar em outros espaços como o Parque de Estacionamento Subterrâneo de Paredes de Coura, a Reserva Natural de Corno de Bico, o Centro de Estudos Mário Cláudio e intervenções em bares e outros estabelecimentos comerciais da vila.

Tema

Neste ano de 2016 evoca-se o centenário da morte do poeta Mário de Sá-Carneiro, o elo de ligação e fonte inspiradora do REALIZAR:poesia que agora se edifica.

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO (1890 1916)

Atque in perpetuum, frater, ave atque vale!

                               CAT .

Morre jovem o que os Deuses amam, é um preceito da sabedoria antiga. E porcerto a imaginação, que figura novos mundos, e a arte, que em obras os finge, são os signaes notaveis d’esse amor divino. Não concedem os Deuses esses dons para que sejamos felizes, senão para que sejamos seus pares. Quem ama ama só a egual, porque o faz egual com amal-o. Como porém o homem não pode ser egual dos Deuses, pois o Destino os separou, não corre homem nem se alteia deus pelo amor divino : estagna só deus fingido, doente da sua ficção.

Não morrem jovens todos a que os Deuses amam, senão entendendo-se per morte o acabamento do que constitue a vida. E como á vida, além da mesma vida, a constitue o instincto natural com que se a vive, os Deuses, aos que amam, matam jovens ou na vida, ou no instincto natural com que vivel-a. Uns morrem ; aos outros, tirado o instincto com que vivam, pesa a vida como morte, vivem morte, morrem a vida em ella mesma. E é na juventude, quando nelles desabrocha a flor fatal e unica, que começam a sua morte vivida.

No heroe, no sancto e no genio os Deuses se lembram dos homens. O heroe é um homem como todos, a quem coube por sorte o auxilio divino ; não está nelle a luz que lhe astreia a fronte, sol da gloria ou luar da morte, e lhe separa o rosto dos de seus pares. O sancto é um homem bom a que os Deuses, por misericordia, cegaram, para que não soffresse; cego, pode crer no bem, em si, e em deuses melhores, pois não vê, na alma que cuida propria e nas cousas incertas que o cercam, a operação irremediavel do capricho dos Deuses, o jugo superior do Destino. Os Deuses são amigos do heroe, compadecem-se do sancto; só ao génio, porém, é que verdadeiramente amam. Mas o amor dos Deuses, como por destino não é humano, revela-se em aquillo em que humanamente se não revelára amor. Se só ao genio, amando-o, tornam seu egual, só ao genio dão, sem que queiram, a maldição fatal do abraço de fogo com que tal o affagam. Se a quem deram a belleza, só seu attributo, castigam com a consciencia da mortalidade d’ella ; se a quem deram a sciencia, seu attributo tambem, punem com o conhecimento do que nella ha de eterna limitação ; que angústias não farão pesar sobre aquelles, genios do pensamento ou da arte, a quem, tornando-os creadores, deram a sua mesma essencia ? Assim ao genio caberá, além da dor da morte da belleza alheia, e da magoa de conhecer a universal ignorancia, o soffrimento proprio, de se sentir par dos Deuses sendo homem, par dos homens sendo deus, exul ao mesmo tempo em duas terras.

Genio na arte, não teve Sá-Carneiro nem alegria nem felicidade nesta vida. Só a arte, que fez ou que sentiu, por instantes o turbou de consolação. São assim os que os Deuses fadaram seus. Nem o amor os quer, nem a esperança os busca, nem a gloria os acolhe. Ou morrem jovens, ou a si mesmos sobrevivem, incolas da incomprehensão ou da indifferença. Este morreu jovem, porque os Deuses lhe tiveram muito amor.

Mas para Sá-Carneiro, genio não só da arte mas da innovação nella, junctou-se, à indifferença que circumda os genios, o escarneo que persegue os innovadores, prophetas, como Cassandra, de verdades que todos teem por mentira. In quâ scribebat, barbara terra fuit. Mas, se a terra fôra outra, não variára o destino. Hoje, mais que em outro tempo, qualquer privilegio é um castigo. Hoje, mais que nunca, se soffre a propria grandeza. As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruinas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sel-o. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos ; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A gloria é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado barbaro, que a guarda impoz imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldicto, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja ! Os Deuses o quizeram assim.

Fernando Pessoa

in ATHENA, n.º 2, Lisboa, 1924

Exposição do Centenário da morte de Mário de Sá-Carneiro

Neste ano de 2016 evoca-se o centenário da morte do poeta Mário de Sá-Carneiro, o elo de ligação e fonte inspiradora do REALIZAR:poesia que agora se edifica.

Integrada na programação do REALIZAR:poesia, irá decorrer a exposição “mil
anos me separam de amanhã – percurso ao universo de Mário de Sá-Carneiro no centenário da sua morte”, a inaugurar no dia de abertura do evento, dia 21 de Abril, e que estará patente durante 30 dias, até 22 de Maio.

A exposição localizar-se-á no Parque de Estacionamento Subterrâneo Central de Paredes de Coura, no Largo Hintze Ribeiro, e integrará o espólio de uma colecção privada, do qual fazem parte exemplares das edições originais dos livros de Mário de Sá-Carneiro, publicados em edição de autor, assim como a sua incontornável correspondência com, entre outros, Fernando Pessoa. Fazem ainda parte do acervo fotografias da infância de Sá-Carneiro até à sua idade adulta, e outros itens de relevante interesse. A peça central da exposição será a nota de suicídio deixada a Fernando Pessoa, não só pela efeméride da sua morte, mas acima de tudo pelo seu valor histórico e simbólico únicos.

Mais do que uma exposição explicativa da biografia e bibliografia de Mário de Sá-Carneiro, o que se pretende é um percurso pelo seu universo identitário, real e onírico. As peças serão valorizadas e elevadas a uma leitura completa que englobará o seu sentido tangível e metafórico.

Programação

21 Abril

Inauguração da exposição MIL ANOS ME SEPARAM DE AMANHÃ

viagem ao universo de Mário de Sá-Carneiro no centenário da sua morte

18H30 | Parque de estacionamento subterrâneo de Paredes de Coura

Projeção do filme ADAPTAÇÃO de Olivier Crouzel

22H00 | Centro de Educação e Interpretação Ambiental

da Paisagem Protegida de Corno de Bico

Concerto SOPA DE PEDRA

23H00 | Centro de Educação e Interpretação Ambiental

da Paisagem Protegida de Corno de Bico
22 Abril

LISBOA EM VÔO DE PEIXE* | Poesia para crianças

por Joana Bagulho e Nuno Moura

10H00 | Centro Cultural de Paredes de Coura

*exclusivo para estudantes do 1.º ciclo de Paredes de Coura previamente inscritos

Para que serve a poesia

Adolfo Luxúria Canibal e Maria Bochicchio à conversa

19H00 | Salão Nobre da Câmara Municipal de Paredes de Coura

Exibição do filme CONVERSA ACABADA de João Botelho

apresentado por João Botelho

22H00 | Centro Cultural de Paredes de Coura
23 Abril

Apresentação da Coleção Mário de Sá-Carneiro

por Ricardo Vasconcelos

10H30 | Biblioteca Municipal de Paredes de Coura

Se não houver piano em cena

incursão pela peça Amizade de Mário de Sá-Carneiro, pelo Teatro Amador Courense

11H30 | Centro Cultural de Paredes de Coura
Sem poesia não há realidade

Artur Cruzeiro Seixas à conversa com Miguel Ribeiro

15H00 | Centro Cultural de Paredes de Coura
Espectáculo Punto y Coma

por El Cruce, companhia de circo contemporâneo e teatro físico

17H00 | Largo Visconde de Mozelos, Paredes de Coura
Lançamento do livro Como Eles Costumavam Dizer de Hal Sirowitz

apresentado por Fernando Alvim e Maria Sousa

18H30 | Centro Cultural de Paredes de Coura
Lançamento do livro auto-retratos de Paulo José Miranda

apresentado por João Paulo Cotrim

21H45 | Centro Cultural de Paredes de Coura

Tradução conferência-concerto

por João Paulo Esteves da Silva e Nuno Moura

22H45 | Centro Cultural de Paredes de Coura

Concerto BRUTA

Ana Deus e Nicolas Tricot

00H00 | Leira de Cima - Tasca Regional, Paredes de Coura
24 Abril

COURA PELA MANHÃ, passeio pela vila

com Vítor Paulo Pereira, Presidente da Câmara de Paredes de Coura

10H30 | Paredes de Coura

Morrer em literatura

António Barbedo, Carlos Quiroga e Nicolau Santos à conversa

15H00 | Centro Cultural de Paredes de Coura

Dança-Performance

Assentar Sobre a Subida das Águas

Conferência-Performance por Sónia Baptista

16H45 | Centro Cultural de Paredes de Coura

Outro Sá-Carneiro

Palestra por Giorgio de Marchis

17H45 | Centro Cultural de Paredes de Coura

Cartas da Dispersão

Teatro por Pedro Lamares e Rui Spranger

19H00 | Restaurante Abrigo do Taboão, Paredes de Coura
Lugares de Poesia

Cláudia R. Sampaio, Daniel Jonas, João Rios e Rosa Azevedo à conversa

22H00 | Centro Cultural de Paredes de Coura

Letras para Dance Music

por Nuno Moura

00H00 | Leira de Cima - Tasca Regional, Paredes de Coura
25 Abril

SESSÃO DE ENCERRAMENTO

com a presença de Mário Cláudio

16H00 | Centro de Estudos Mário Cláudio, Paredes de Coura
Acção, Joana Bagulho

em cravo a partir de Carlos Paredes

16H30 | Centro de Estudos Mário Cláudio, Paredes de Coura

EXPOSIÇÕES

CRUZEIRO SEIXAS | OBRA GRÁFICA

Exposição

De 23 Abril a 7 de Maio

De terça a domingo das 14:00 às 18:00

Centro Cultural de Paredes de Coura

[ visita disponível durante a programação nocturna no Centro Cultural de Paredes de Coura ]

Entrada gratuita

FAZER PASSAR

Exposição Fotográfica

Pescada nº 5

De 23 Abril a 13 de Maio

De 23 a 25 de Abril das 10:00 às 12:00 e das 14:30 às 18:00

Restantes dias das 10:00 ás 18:00 de segunda a sábado

Biblioteca Municipal de Paredes de Coura

Entrada gratuita

FICHA TÉCNICA

Coordenador e programador

Isaque Ferreira

Arquitectura e Organização da Exposição

Susana Vassalo

Margarida Botelho

Design e comunicação da exposição

Margarida Botelho

Fotografia

Nelson D’Aires

Vídeo

Paulo Pinto

Filipe Pereira

Direcção de Produção

Rui Alves Leitão

Produção Executiva

Dores Carvalho

Apoio à Produção 

Sandra Cruz

esign de Comunicação

António Pinto

Redes Sociais (Facebook, Twitter, Instagram)

Sandra Cruz

Organização

Câmara Municipal de Paredes de Coura

Produção

Fértil Cultural