O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM OS BOBOS DA CORTE?
Remonta à antiguidade clássica a origem dos chamados bobos da corte como função social destinada a divertir os soberanos com as suas tiradas satíricas. Tratavam-se, na prática, funcionários ao serviço do rei com alguma liberdade para criticá-lo sem correr o risco de condenação. Na realidade, bastaria a sua ousadia ir além do aceitável para entrar em desgraça, atirado para uma masmorra ou mesmo ser condenado à morte.
Eles entretinham os faraós no Antigo Egipto. E, ao tempo do Império Romano, os bobos – balatros – eram remunerados e tinham acesso aos lautos banquetes dos ricos para divertir os comensais com os seus gracejos. Tratava-se, na realidade, uma profissão que na atualidade pode de certa maneira ser comparada aos modernos humoristas.
As tecnologias e meios de comunicação da atualidade – a rádio, televisão e redes sociais – projetam a sua atuação para o grande público e a sua função não se restringe a divertir o soberano mas sobretudo a distrair o povo, transmitindo-lhe uma sensação de liberdade que nem sempre corresponde à realidade.
Variando consoante a natureza dos regimes, o humor produzido é eficaz em assegurar o domínio das consciências, não permitindo que o descontentamento social ultrapasse as margens estabelecidas. Quem, entre nós, não se lembra com alguma nostalgia de célebres programas radiofónicos e de populares humoristas que fizeram a delícia dos radiouvintes e telespectadores ao longo de mutas gerações?
Na realidade, o humorista – bobo da corte – cumpre desse modo a sua função, podendo por esse motivo ser generosamente compensado pelo soberano. Mais do que um artista, ele é um funcionário do próprio regime, seja ele qual for.
