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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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“O NOSSO OLHAR SOBRE AS LAGOAS DE BERTIANDOS E S. PEDRO DE ARCOS” DE JOSÉ ERNESTO COSTA ESTÁ EM DESTAQUE NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO TERRITÓRIO EM PONTE DE LIMA

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“Nos lagos e lagoas reina uma contínua interação entre a matéria inorgânica, os vegetais e as algas produtoras de substâncias nutritivas, os animais herbívoros e carnívoros e os microrganismos que decompõem as substâncias inorgânicas. Os seres vivos de uma região formam juntamente com o ambiente que os rodeia, um conjunto natural que é o ecossistema. As lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos não fogem à regra, constituindo uma razoável área de paisagem protegida, importante para a conservação da biodiversidade.

José Ernesto Costa, seu filho Délio e o amigo Varela, resolveram e bem, fazer várias incursões às lagoas, envolvendo-se de alma e coração naquele ambiente aprazível e incomparável. De máquina de tirar retratos a tiracolo, pronta a disparar a qualquer momento, lá foram, várias vezes, palmilhando o terreno, fruindo a paisagem e durante os períodos de silêncio, com respiros lentos e profundos, proporcionar aos pulmões o conforto de um ar despoluído e vivificante.

As máquinas lá foram disparando, colhendo imagens da abundante fauna e flora que coabitam naquele magnífico e matizado cenário que a natureza moldou.

Desde os guarda-rios, coelhos e gatos-bravos, pombos, esquilos, garças e pica-paus, cobras de água, sapos, mochos, carriças, ouriços-cacheiros, lagartos, corsos e javalis, lontras, cegonhas, trutas-mariscas, girinos, libelinhas, heras onde os melros e outros pássaros constroem os ninhos, salgueiros, videiras morangas, flores de mel, eucaliptos, troncos envelhecidos, juncais, etc. etc.

Ali se ouve o coaxo das rãs, o fretenido de grilos e cigarras, o arrulho das rolas quebrando o silêncio no tempo de cada estação, se sente uma brisa odorosa soprando os ramos mais tenros, provocando um cântico que entra pelos sentidos, o rumorejo das águas, os melodiosos gorjeios da passarada, as flores e seus odores, os cheiros bravios, dádivas de uma natureza harmoniosa e justa. Um autêntico paraíso, cenário de muitos cambiantes onde se desfruta uma deliciosa serenidade.

Ponte de Lima "pequena Atenas, muito rica no seu vasto património, possuidora de sortilégio raro", tem a seus pés, as lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos, prenhes de uma beleza que atrai o olhar e enche o coração de quem as visita.

O trabalho realizado através das imagens captadas, potencia a divulgação do espaço singular das lagoas e sensibiliza os cidadãos para um novo despertar no encontro daquele paradisíaco recanto. Uma riqueza cuja qualidade ambiental se deve estimular e ajudar na promoção daquele património natural, dado o grande potencial que congrega para o desenvolvimento da atividade turística. Um património natural que nos enche a todos de um enorme orgulho.”

Fernando Aldeia (Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima)

Boteca - Lagoas

Com excelente apresentação gráfica, trata-se de uma edição de autor em forma de álbum fotográfico que conduz o leitor através de magníficas imagens pelos recantos paradisíacos das lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, em Ponte de Lima, sem dispensar as descrições que são feitas em jeito poético da sua fauna e vegetação natural, surpreendendo-nos aqui e acolá com instantâneos maravilhosos e sensibilizando-nos para a necessidade de preservar o valioso tesouro que representa este extraordinário património paisagístico da nossa região. Se dúvidas ainda subsistissem acerca da localização de Parnaso aonde os poetas vão beber a sua inspiração, nas margens do lendário Lethes, as mesmas dissipar-se-iam perante este cenário divinal que José Ernesto Costa nos desvenda na obra que acaba de publicar.

José Ernesto Costa não é um novato nestas lides. Com colaboração literária e fotográfica dispersa em diversos jornais e revistas, nomeadamente nas áreas de poesia e crítica literária, e ainda uma atividade empenhada no associativismo regionalista minhoto em Lisboa, “Boteca” – cognome pelo qual é conhecido e tratado com amizade – tem já uma apreciável obra publicada em livro: “Poemas da Terra e do Lima”, “Cheia do Rio Lima” que constitui um excelente registo foto-histórico de um dos fenómenos naturais que mais tem marcado a região limiana e a vida das suas gentes ao longo dos séculos e três volumes das “Crónicas de um outro tempo” e “Ginkgo Biloba”.

Toda a sua obra tem revelado uma vontade sincera de exaltação da terra limiana, a Pátria dos Límicos, solenemente cantada por Bernardes e Feijó, com as suas lendas e heróis, onde a nobreza corre nas veias do seu povo simples e laborioso – terra querida desta Pátria que amamos e que tem em José Ernesto Costa um dos seus maiores cronistas!

Boteca - Lagoas (2)