O NATAL DE ANTÓNIO FEIJÓ HÁ 139 ANOS! – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

Reorganizando apontamentos, recordando passos de António Feijó na Suécia, eis que nos surgiu um deles sobre o primeiro Natal do poeta, diplomata e gastrónomo fóra da Pátria.
No desempenho do seu cargo de Cônsul no Rio Grande do Sul, em carta enviada a 2 de Janeiro de 1886, portanto completam-se hoje 140 anos, o diplomata descreve como uma família portuguesa cumprira a Ceia de Natal.
Respondendo ao convite, Feijó participa no convívio nesse longe Brasil, e a dada altura da carta, realça a presença na mesa do “(..) clássico vinho verde, quente com mel e açúcar … o vinho genuíno, o vinho minhoto, o vinho meu patrício…”.
Mas, se a bebida era lusitana, também o prato satisfazia essa usual presença na festa de família: bacalhau com grelos, bolinhos de cabaça menina e ovos mexidos.
Novamente, no ano imediato, consoada de 1886, o pedido e desejo é endereçado atempadamente aos familiares em Ponte de Lima, onde iria passar a quadra natalícia, com requisitos de ementa: bacalhau com troços, entradas polvo com arroz, bacalhau assado, pastéis do dito, carneiro assado…
O “rei” dos mares do Atlântico era omnipresença no clã Feijó, mas sabemos que também na Suécia, então decerto mais difícil de encontrar ou preço elevado, o nosso então cônsul-geral encomendava outras iguarias para consumir em casa ou para actos oficiais. Foi o caso de “salmão e umas lampreias”, encomenda posterior.
A fechar, informamos os nossos leitores, que o néctar tinto com mel e uns biscoitos de canela, também é habitual na maior quadra festiva do ano. Por sugestão de Anna Wesslén [Feijó), trineta do ilustre Pontelimense, em recente estadia na capital da Escandinávia, provamos com os colegas professor Francisco Remy e chef Paulo Santos, a iguaria, só que o tintol era alemão, mas o local surpreendente: o pub Charles Dickens, retiro esporádico, social e literário dos representantes do poeta, diplomata e gastrónomo, que se chamou ANTÓNIO Joaquim de Castro FEIJÓ.
Recordamos assim um trecho de palestra que realizamos na homenagem da embaixada de Portugal em Estocolmo, a 22 de Maio de 2022, em acto de encerramento da exposição ANTÓNIO FEIJÓ 1859 / 1917, numa organização da Universidade da capital sueca / Departamento de Estudos Clássicos, a nossa representação diplomática e pesquisas do autor.
