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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MOVIMENTO “VIANENSES PELA LIBERDADE” INTERVÉM NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE VIANA DO CASTELO

Um representante do Movimento “Vianenses pela Liberdade” interveio hoje na Assembleia Municipal de Viana do castelo procedendo à leitura da carta que a seguir se transcreve, através da qual aquela associação se insurge contra a intenção do presidente da edilidade vianense no sentido de mandar demolir a praça de touros de Viana do Castelo.

Carta que foi lida na tarde de hoje, 13 Novembro de 2014, na Assembleia Municipal de Viana do Castelo.

Exmo Sr Presidente, 

Exmos senhores Vereadores, 

Exmos Senhores membros da Assembleia Municipal, 

Vianenses,

O Presidente deste município, o Sr. José Maria Costa, prepara-se para de uma forma dissimulada tentar demolir um dos edifícios históricos da nossa cidade: a Praça de Touros da Argaçosa, o Barracão dos Touros como é carinhosamente chamado pelos Vianenses desde há muito tempo.

Pretende demolir o esforço de gerações de Vianenses, que sonharam desde o século XIX dotar a nossa terra aficionada de uma praça de touros que tivesse a maior dignidade e ombreasse com qualquer outra praça de Portugal. Conseguiram-no. Foi em 1949 que o sonho ganhou forma de pedra e de uma vez por todas, depois de pelo menos 7 praças de madeira, Viana teve a praça que estava à altura dos seus pergaminhos taurinos que se perdem nos séculos. 

História taurina da qual temos registos pelo menos desde 1609, por ocasião da transladação dos restos mortais de Frei Bartolomeu dos Mártires para a capela-mor da Igreja de São Domingos, dia em que se correram touros no Campo do Forno, a atual Praça da República.

Tudo muito antes de se começarem a celebrar as Festas em honra da Senhora da Agonia, que se iniciam pelo último quartel do sec XVIII, ou seja, quase duzentos anos depois do primeiro registo escrito de uma tourada em Viana do Castelo.

Mas atreveu-se o senhor José Maria Costa, tal como o senhor Defensor Moura, dizer que não existe tradição taurina em Viana? Que nos dias de hoje só se realiza uma corrida por ano. Mas quantas vezes se celebram as Festas da Agonia por ano? Dez? Vinte? Somente uma vez por ano, tal como as touradas. Quer isso dizer que as festas da Agonia não são uma tradição de Viana?

Haverá vergonha para dizer tal mentira, para fazer tal afronta à história da nossa cidade? Conhece o senhor presidente a história de Viana? A resposta é não, ou então, mente com outros propósitos.

Em 2009 a Câmara Municipal comprou a Praça de Toiros de Viana por 5 mil euros deixando-a ao abandono, numa manifestação de desrespeito pelo património e história desta cidade. Começou aí o plano que hoje nos trás aqui. Comprou-se a praça para tentar impor uma ideologia pessoal do Sr Defensor Moura, que O Sr José Maria Costa continua a alimentar. 

Como pode o Sr. justificar este abandono perante os Viananeses?

A sua postura tem envergonhado Viana e os Vianenses com as suas manobras intimidatórias, indignas de um país democrático. Tenta impor a todo o custo as suas ideias pessoais sobre o património cultural Português que são as corridas de touros, atacando a liberdade, as leis do nosso país, tentando violar os direitos dos Vianenses. 

O Sr José Maria Costa transformou as Festa da Agonia numa batalha mediática ridícula sobre touradas, retirando o sossego das gentes de Viana. Humilhou-se a si mesmo, humilhou Viana do Castelo e as suas gentes, humilhou a Festas da Agonia, com a balburdia que todos os anos cria em Viana, para de uma forma autoritária abusar da sua posição, tentando proibir aquilo para que não tem poderes, mas acima de tudo atacando a cidadania. 

Atacando a nossa liberdade de enquanto Vianenses, cidadãos de um país livre e democrático, de fazermos as nossas escolhas, tentando retirar o direito de acesso à cultura que a Constituição Portuguesa define como direito fundamental. Democracia essa que o senhor parece querer esquecer. 

Perante o autoritarismo, tiveram de ser os tribunais a colocá-lo no seu devido lugar, subjugá-lo à lei e ao direito. Porque em Viana existe um clima de medo e de intimidação de se pensar alto, de se dizer a verdade e o que se pensa, por isso tudo se permite a quem governa o município.

 A influência da Câmara Municipal cala muitas bocas. Vergonhosamente. Mas não as nossas. Somos cidadãos de pleno direito e não nos calaremos, fiscalizamos e fiscalizaremos os seus passos e terá de prestar contas do que faz. Isso é a democracia. Isso é a vivência da liberdade.

Como sabe, mas não quer ouvir, a Eurosondagem fez, em 2013, um estudo de opinião no concelho de Viana sobre o tema das touradas, e os resultados não podiam ser mais claros:

  • 52,2% dos vianenses querem touradas em Viana e que estas façam parte do programa oficial das Festas da Senhora da Agonia. Mais de 20% à frente do não.
  • 59% dos Vianenses acha que a existência de touradas em Viana é importante para o turismo e economia do concelho.
  • 57,5% dos vianenses querem a praça de toiros de Viana do Castelo tenha touradas e outros espectáculos, sendo um espaço multiusos.

Ouviu bem estes números?

O senhor é um empregado dos cidadãos de Viana, pago com o nosso dinheiro para zelar pelos interesses do nosso concelho, para nos respeitar, para respeitar a diferença e as divergências e não para exercer um cargo público para impor uma visão pessoal aos Vianenses. Somos o povo, as pessoas a quem tem de prestar contas, não somos seus súbditos. Nunca se esqueça disso. Nunca. Quando se esquecer, nós estaremos cá para lho lembrar.

Depois de o Sr. José Maria Costa sair pelo terceiro ano consecutivo completamente derrotado pela força da cidadania vianense, as touradas estão de pedra e cal em Viana, como desde há séculos, mas chegou agora o momento da vingança. José Maria Costa planeia agora vingar-se executando um plano para tentar demolir a praça de touros da nossa cidade.

O Sr. já demonstrou ser uma pessoa sem escrúpulos, e volta a fazê-lo. Vejamos todos os passos: Tudo começou pela compra da Praça em 2009, por um preço muito estranho de 5 mil euros pelo Sr. Defensor Moura, para inviabilizar a realização de corridas. Ambos deixaram a praça ao mais completo abandono durante estes anos. O Sr fez todos os ataques e medidas intimidatórias para impedir a realização de corridas de touros em Viana, sendo derrotado em toda a linha. Agora chegou a hora de se vingar e de tentar demolir a praça de touros, como represália sobre os cidadãos de Viana, julgando que com isso elimina as touradas da nossa cidade. Mas está muito enganado. 

Repare-se: não existe plano algum para a praça, nunca se teve qualquer cuidado de a conservar e preservar. Agora, vai pagar a uma entidade, para esta se pronunciar sobre o estado da estrutura da praça. O que lhe irá dizer a entidade à qual vai pagar, por ajuste direto?

Vai dizer obviamente aquilo que o senhor lhes encomendar. Ou seja, digam-me que a praça tem de ser demolida, para que eu possa apresentar-me de forma casta, como se não tivesse feito tudo para que assim fosse, e tenha de demolir apesar de não querer.

Não aceitamos esse engodo aos Vianenses. Esse estudo tem de ser feito por uma entidade independente, que dê garantias de total independência, como o LNEC, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Depois as medidas a tomar perante o património de uma cidade e de uma comunidade não é demolir, mas si recuperar. Um país civilizado recupera e preserva a sua memória e património, não o deita abaixo. 

Dirá que isso custa dinheiro ao município. Então tem uma solução muito simples: como sabe foi aqui divulgada uma proposta de compra para que privados façam a recuperação deste património da cidade e o devolvam aos Vianenses como espaço multiusos, com total risco para os privados, evitando o gasto de dinheiros públicos. 

Isto num município como o nosso, que vive uma situação trágica com uma divida milionária de muitos milhões de euros, num município que vive uma situação social e económica calamitosa, essas sim deviam ser as suas preocupações e não se há ou não uma corrida de touros.

Nenhuma razão pode fundamentar a demolição de um edifício histórico da nossa cidade. Este pode e deve ser recuperado, pois é essa a forma um país e um município civilizado tratar o património, herança de gerações, que deve legar às gerações futuras. 

Saiba esta Assembleia que existem alternativas. Saiba que tudo faremos para que José Maria Costa seja impedido de levar o seu plano de demolição da cultura e história de Viana avante. O povo é quem mais ordena e vamos impedir que a barbárie se sobreponha ao respeito pela cultura, pela história e pela liberdade. 

Viva Viana e Viva a Liberdade!

Tenho dito. 

Isabel Semedo 

Movimento Vianenses pela Liberdade