MONÇÃO: QUEM FOI A LENDÁRIA DEU-LA-DEU MARTINS?
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Deu-la-Deu Martins é uma personagem lendária da história de Monção, sendo-lhe atribuído o feito de ter enganado os castelhanos à época das guerras fernandinas. Porém, pouco se sabe a seu respeito.
Segundo a tradição, Deu-la-Deu Martins era espôsa de Vasco Gomes de Abreu que foi 8º senhor da torre e honra de Abreu, Senhor de Valadares e Alcaide-mór de Lapela, Melgaço e Castro Laboreiro. Foi vassado de D. Pedro I e assistiu ao seu juramento sobre o seu casamento com D. Inês de Castro. Na morte do rei D. Fernando, tomou o partido da rainha, pelo que D. João I lhe retirou o senhorio de Valadares.
Foi casado com Maria Roiz de Portocarreiro (ou Maria Rodrigues de Portocarreiro). Deste casamento resultou pelo menos um filho de nome Álvares Vaz de Abreu que foi Escudeiro e Juíz em Valença. Porém, Vasco Gomes de Abreu poderá ter celebrado vários casamentos, um dos quais com Deu-la-Deu Martins.
Mas, afinal, quem foi a heroína da vila de Monção?
Consta no Wikipédia o seguinte: “Deu-la-Deu Martins é uma personagem lendária e tornou-se a principal figura de Monção. A lenda a dá como esposa do capitão-mor de Monção Vasco Gomes de Abreu, sendo lhe atribuído o feito de ter enganado os castelhanos à época das Guerras Fernandinas.
Durante as guerras fernandinas, entre D. Fernando, rei de Portugal, com D. Henrique II de Castela, no séc. XIV, Castela pôs cerco à vila de Monção. O cerco já demorava há demasiado tempo e dentro das muralhas o alimento já era escasso. E foi aí que Deu-la-deu Martins agiu, mandou recolher a pouca farinha que restava e com ela fazer os últimos pães. Com os pães já cozidos, Deu-la-deu subiu à muralha com os pães na mão e atirou-os gritando: “A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais, se pedirdes!”. Dito isto, os castelhanos acreditaram que ainda havia muita resistência dentro das muralhas, então levantaram o cerco e partiram para as terras de Castela. Desta forma, com audácia e coragem, Deu-la-Deu salvou a praça e ficou, para sempre, ligada à história de Monção.”
A lenda que gira à sua volta foi construída pelo seguinte relato do episódio militar:
Durante as guerras de El-Rei D. Fernando I de Portugal com Henrique II, Rei de Castela, veio Pedro Rodrigues Sarmento, adiantado do Reino da Galiza, pôr cerco à vila de Monção.
Deu-la-Deu Martins, esposa do capitão-mor daquela vila, Vasco Gomes de Abreu, corria sempre veloz a tomar parte na defesa, arremessando, de sobre os muros, pedras e matérias inflamadas. Onde o perigo era maior lá aparecia com o denodo de um soldado corajoso e animado a todos como o faria um chefe valoroso e dedicado. E, quando as traças do inimigo conseguiram abrir brecha na muralha, logo nela foi vista a heroísmo, a impedir-lhe o passo com a espada na mão.
A vila aguentou o cerco apesar da falta de recursos de todo o género. Os alimentos eram escassos, os homens válidos muito poucos.
Deu-la-Deu tomou o comando da praça, como se fosse o verdadeiro capitão-mor, durante o tempo que durou o cerco, dirigiu os seus homens, lutou a seu lado nos momentos de maior perigo, encorajou os vacilantes e desesperados, assistiu os feridos. Desmultiplicou-se, sem um momento de desânimo, sem uma vacilação.
Infelizmente tinham as coisas chegado a ponto em que estava passado o tempo para os actos de valor. A fome, zombando do esforço humano, ia pôr termo a tão heróica resistência.
Deu-la-Deu Martins, que, enquanto teve pão para dar, o ia repartindo pelos soldados, chegou uma vez ao seu celeiro, e só encontrou nele uma exígua porção de farinha, com que apenas poderia fabricar alguns poucos pães. A eminência do perigo sugeriu-lhe uma ideia luminosa, que Deus se dignou de coroar.
A resoluta dama sabendo que aos inimigos começava a escassear o pão, pega da farinha, manda-a amassar e cozer, e, depois, enchendo o regaço com os pães que ela produzira, sobe às muralhas, e daí os lança aos castelhanos, dizendo-lhes:
- “A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais, se pedirdes!”
Dito isto, os castelhanos ficaram tão desconcertados com esta acção, que acreditaram que ainda havia muita resistência dentro das muralhas, perderam a esperança de submeter a praça pela fome, e, já cansados, levantaram o cerco e partiram para as terras de Castela.
Na verdade, também o inimigo tinha fome, muita fome. Por isso, face àquele esbanjamento de pão, acreditaram na fartura dos sitiados e levantaram o cerco. Este facto causou indizível regozijo ao povo de Monção. Desta forma, com audácia e coragem, Deu-la-Deu salvou a praça. A heroína foi aplaudida e vitoriada como libertadora, tendo ficado, para sempre, ligada à história de Monção.
No largo do Loreto, centro histórico de Monção, pode ver-se a estátua de Deu-la-Deu Martins colocada, desde 1869. No centro da base dessa estátua envolvida por um chafariz em forma circular, a heroína encontra-se perpetuada no brasão de armas de Monção: “… Em campo branco uma torre, no alto da qual emerge um vulto de mulher, em meio corpo, segurando um pão em cada uma das mãos, em volta a legenda, Deus a deu – Deus o há dado”.
A Igreja Matriz, templo românico que “conheceu” algumas alterações e restauros ao longo dos séculos, possui uma capela em sua memória.
BASTOS, José António Peres da Silva | TV Monarquia Portuguesa / Fonte: Barbosa, Vilhena, Arquivo Pitoresco.

Postal editado pelo Secretariado Nacional da Informação (SNI), inserido na Colecção “Panorama” e impresso na Bertrand (Irmãos), Ldª. No verso apresenta o preço de 1$50 e a referência “M/RT”.
O SNI foi um organismo do Estado Novo que existiu com esta denominação entre 1945 e 1968, destinado a fazer nomeadamente a divulgação política, cultural, turística do país e do regime, tendo desenvolvido uma importante actividade no âmbito da promoção do folclore, cinema, teatro e artes plásticas.