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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GUIMARÃES DESTACA-SE NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

  • Entrevista conduzida por Cristina Gonçalves

Guimarães: Centro Social da Paróquia da Polvoreira concebe recurso didático inovador, na prevenção da violência doméstica Curta Metragem: Fim de Linha

A curta metragem “Fim de Linha” versa a temática da violência doméstica, com incidência no testemunho da pessoa agressora.

Pretende-se explorar os sentimentos, pensamentos e comportamentos e, assim, concorrer para uma maior sensibilização da comunidade em geral, relativamente ao crime de violência doméstica.

Este recurso pedagógico é da autoria do Projeto “Novos Olhares, Velhas Causas”, desenvolvido pelo Centro Social da Paróquia da Polvoreira e financiado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE), pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), pelo Portugal 2020 (PT2020) e União Europeia/Fundo Social Europeu (EU/FSE).

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Blogue do Minho: Qual o objetivo da curta metragem “Fim de Linha”?

Inês Oliveira: A curta metragem pretende trazer à discussão pública o crime de violência doméstica, explorando testemunhos e experiências da pessoa agressora e abordando a questão das consequências e sentimentos autocríticos. Pretende-se ainda potenciar uma reflexão sobre formas de reabilitação da pessoa agressora por forma a garantir a não reincidência face a este crime. A curta metragem “Fim de Linha” pretende incentivar à reestruturação atitudinal e comportamental dos/as destinatários/as, ou seja, dos/as alunos que irão assistir ao mesmo.

Blogue do Minho: Porquê o título “Fim de Linha”?

Inês Oliveira: Todos os casos de violência doméstica têm que ser repudiados e denunciados. A violência doméstica não pode ser o “Fim de Linha” para ninguém.  

Blogue do Minho: Apesar de todos os avanços civilizacionais, considera que a violência doméstica ainda é um problema social grave?

Inês Oliveira: A violência doméstica contra a mulher é considerada, atualmente, um grave problema social, presente em todas as nações e grupos sociais. Não há, por conseguinte, nenhuma sociedade em que este problema não se manifeste. De facto, apesar de todos os esforços no sentido de erradicar a violência de género, estamos ainda longe de uma solução, pelo que são inúmeros/as os/as investigadores/as que revelam a necessidade de desenvolver estratégias de prevenção efetivas.

Blogue do Minho: A curta metragem “Fim de Linha” faz menção à pessoa agressora. Considera que a prevenção da violência doméstica pode passar pela intervenção na pessoa agressora?

Inês Oliveira: Uma das estratégias de prevenção e de intervenção no âmbito da violência doméstica que começa a ter visibilidade noutros países (ex: Espanha) é a reeducação de agressores através da psicoterapia individual e de programas de intervenção grupal.

A intervenção com os agressores tem como principal objetivo a proteção da vítima, incentivando a mudança de condutas e de atitudes dos agressores, de forma que se reduza a probabilidade de reincidência.

A estruturação deste recurso didático baseou-se no modelo ecológico, tal como recomenda a Organização Mundial de Saúde no W.W.P (“Work With Perpetrators of Domestic Violence in Europe”:2006-2008). Este marco teórico leva-nos a destacar as variáveis clássicas de intervenção (variáveis individuais, interpessoais ou socioculturais), mas também o papel desempenhado por variáveis situacionais e contextuais (tais como por exemplo as redes de apoio, os níveis de violência nos locais de residência e a tolerância social à violência, entre outros). Assim, na conceção da intervenção dever-se-ão ter em linha de conta estas variáveis.

Blogue do Minho: Considera que o modelo ecológico é pertinente na concetualização do fenómeno em análise?

Inês Oliveira: Sim, porquanto não defende uma intervenção no agressor “per si”, mas também no seu enquadramento contextual.

De acordo com o modelo ecológico, a intervenção no agressor deve desenhar-se tendo em conta distintos níveis de análise: pessoal, interpessoal, contextual e social. Assim, aquando da intervenção teremos em consideração os principais fatores de risco e fatores protetores existentes em cada um dos quatro níveis de análise. Além disso, a intervenção basear-se-á na ideia de que a violência contra a mulher é um problema social que se mantem, em boa medida, pela tolerância das pessoas implicadas, direta ou indiretamente. Partindo dessa ideia, um dos elementos que se consideram centrais na intervenção é o contexto social do sujeito, as suas redes sociais. 

Blogue do Minho: A intervenção no contexto social é um dos baluartes do Projeto Novos Olhares, Velhas Causas?

Inês Oliveira: Sim. De facto, o projeto pretende promover a intervenção no terreno ou territorialização, através do envolvimento das entidades locais/regionais com especial relevo no âmbito da prevenção da Violência Doméstica, em diferentes ações do projeto. São envolvidas, diretamente no projeto, ONG`s dos concelhos de Guimarães e de Vizela. Para além de fomentar a territorialização, a promoção de parcerias promove a corresponsabilização, a partilha de conhecimentos (ex: Ação Concertada) e parcerias estratégicas (ex: escolha de IPSS`s com elevado potencial disseminador), sendo que tudo se refletirá numa maior sustentabilidade do projeto, na medida em que garante uma mais profícua disseminação, noutros contextos e noutras entidades.

Como referi anteriormente a violência contra a mulher perdura porque há tolerância das pessoas implicadas, direta ou indiretamente; porque há uma naturalização do fenómeno que tem, de facto, de terminar.