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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FOLCLORE: SERÁ QUE O TRAJE EVOLUI SEMPRE?

Existe uma certa ideia segundo a qual o traje classificado por tradicional evolui sempre pelo que, em consequência, defender as tradições seria preservá-las no nosso tempo tal como elas existiam antigamente. Sucede que essa maneira de pensar constitui um absurdo, a não ser que pretendamos confinar o povo de uma determinada região a uma espécie de “reserva” onde poderiam ser contemplados por curiosos turistas visitantes desses parques, como sucede nalguns locais dos Estados Unidos da América.

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As transformações sociais como a revolução industrial é exemplo, ditam frequentemente o desaparecimento de alguns costumes, incluindo o trajar, porque o trabalho artesanal e doméstico foi substituído pelos teares industriais e a criatividade do povo pela influência das nações mais industrializadas que exportam as suas modas e formas de viver. E o capitalismo enriquece com a produção padronizada e a massificação de hábitos e costumes, sendo por conseguinte avesso à preservação da diferença, incluindo a identidade dos povos!

Não raramente, certos costumes ficam lá atrás, cristalizados no tempo. É o que sucede, a título de exemplo, com a forma de trajar e o traje propriamente dito. Não mais se vêem lavradeiras no Minho com o seu trajar garrido como outrora a não ser nas festas e romarias como elemento folclórico. Mas, a função do rancho folclórico é o de preservar a memória de uma forma viva e atraente, de uma peça museológica que pertence ao passado, sem pretender alterar a marcha da História trazendo para o presente aquilo que não faz parte do seu quotidiano.

- Defender as tradições não é jamais pretender regressar à Pré-História!

Foto: Sérgio Moreira