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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FEDERAÇÃO DO FOLCLORE PORTUGUÊS: JOSÉ VAZ DEFENDE QUE O FOLCLORE DEVE PERMANECER CRISTALIZADO, O QUE NÃO É ACEITE PELA UNESCO

- José Vaz, do Rancho Folclórico de Leiria, considera que as candidaturas a Património Imaterial parecem ter virado moda.

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Como é do conhecimento geral, vai realizar-se nos próximos dias 10 e 11 de Dezembro em Leiria, o Congresso Nacional de Folclore, promovido e organizado pela Federação do Folclore Português, sobre o tema: “ Folclore: entre o material e o imaterial”.

De há uns tempos a esta parte, proliferam por esse país fora, candidaturas e atribuições a este galardão, que é o reconhecimento pela UNESCO, de determinadas manifestações culturais. Exemplo disso são os “chocalhos”, o “fado”, o “traje à vianesa” (que se me consta estar a preparar a sua candidatura), é o “cante alentejano”, mais recentemente a “falcoaria”… parece ter virado moda!

Não menosprezando a intenção e os desígnios a que se propõe a Direcção da Federação, é até mesmo de louvar, ter trazido para o debate do Congresso, precisamente o tema.

A convenção da UNESCO, tem vindo a considerar que o folclore não reúne os requisitos por aquela organização estabelecidos. Embora uma parte do folclore está e deva estar, em minha opinião, cristalizado (o que não é aceite pela convenção de 2003), outras áreas há, que se têm vindo a verificar evolutivas.

A presença da representante da UNESCO em Portugal Drª. Clara Bertrand Cabral, poderá trazer uma mais-valia ao debate no Congresso, que estou convencido será bastante participativo.

Pelo muito que se tem vindo a opinar sobre o património material e imaterial, a compreensão desta dicotomia está programada para o debate. Alguns exemplos que vão estar em discussão: “Dualidades entre o material e o imaterial”; “Abordagens Complementares ao Património Cultural”; “Criação de novas memórias assentes no património”.

Em meu humilde entender, a preservação que se faça sobre determinado património, é um processo evolutivo, tal como se verifica nos inúmeros museus e núcleos museológicos espalhados pelo país. Tecidos há, que vêm sendo substituídos por tecidos que se aproximam do originalmente usado. Um outro exemplo da evolução, nota-se e muito, no linguajar das pessoas. Termos há, que hoje em dia foram “modernizados”, sempre que um grupo de folclore apresenta as modas que se vão bailar, ou o mesmo um quadro etnográfico. Outros exemplos haverá por certo, porém, e não sendo eu um estudioso do assunto, deixo a minha humilde opinião. Está enraizado no Povo, que “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. Provavelmente, até neste ditado popular, haverá um processo evolutivo.

Porém, estou certo que o tema em causa, é sem sombra de dúvidas, mais uma razão para que as pessoas adiram e se apresentem no Congresso, que tem as portar abertas a todos os que se interessem por este fenómeno.

À Direcção da Federação do Folclore Português, os meus parabéns por ter saído dos temas mais comuns e enveredar por caminhos mais latos.