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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FALECEU CARLOS ANTUNES – FUNDADOR DAS BRIGADAS REVOLUCIONÁRIAS – ERA NATURAL DE VIEIRA DO MINHO

Antifascista, fundador das Brigadas Revolucionárias, morreu aos 81 anos em Lisboa.

Depois de ter estado internado desde dia 29 de dezembro por complicações ligadas a uma infeção com Covid-19, Carlos Antunes faleceu este sábado na sequência de uma pneumonia.

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Carlos Antunes com Isabel do Carmo durante o seu julgamento. Foto de Luís Vasconcelos/Lusa.

Carlos Antunes nasceu em São Pedro, uma aldeia da Serra da Cabreira, distrito de Braga, em 1940. Com dez anos apenas, ruma sozinho para a capital de distrito para estudar. Aos 15 anos já militava no PCP. Aos 18, na clandestinidade, é responsável pela organização no Minho. Aos 19, passa a ser funcionário do secretariado do Comité Central.

Os caminhos da militância comunista levam-no para fora do país. Em 1963, dirige a Rádio Portugal Livre na Roménia. Três anos depois, passa a ter como base Paris, a partir de onde é responsável da organização do PCP no estrangeiro, fazendo parte dos Comités de Ajuda ao Povo Português e trabalhando com Álvaro Cunhal.

As divergências com o líder comunista acentuam-se a partir da ocupação da Checoslováquia. Separa-o da posição do PCP também a posição face à guerra colonial e a ideia de que o salazarismo seria deposto pela via armada.

Em 1969 começa a tentar organizar dissidentes do PCP e acaba por fundar, junto com Isabel do Carmo, as Brigadas Revolucionárias que enfrentaram o Estado Novo com ações de luta armada. É com essa finalidade que, em 1970, regressa ao país. Em 1973, uma cisão na Frente Patriótica de Libertação Nacional leva à criação do Partido Revolucionário do Proletariado, intimamente ligado às BR.

As Brigadas Revolucionárias fazem a sua primeira ação armada em Portugal a 7 de abril de 1971 fazendo explodir uma bomba nas instalações da NATO na Fonte da Telha. A sua última ação armada durante a ditadura foi a 9 de abril de 1974 foi um ataque ao navio "Niassa" que levava tropas portuguesas para a Guiné. Pelo meio ainda houve espaço para o humor. Em julho de 1972, por ocasião da farsa eleitoral que re-elege Américo Tomás como Presidente da República, as BR lançam no Rossio e em Alcântara dois porcos vestidos de almirante.

A experiência de clandestinidade acaba com o 25 de abril. Em 1978, acusado de ações armadas e de assaltos a bancos, é preso preventivamente, situação que se mantêm até 1982. Cinco anos depois o julgamento chega ao fim com a absolvição.

Sobre a sua vida foi feito, em abril de 2014, o filme "Outra Forma de Luta", de João Pinto Nogueira. Nele se pegam nas 13 perguntas que o escritor Nuno Bragança lhe entregara poucos dias antes de morrer.

Em 1990, com Isabel do Carmo e Francisco Costa Gomes, escreveu o livro “Ecossocialismo – Uma alternativa verde para a Europa”.

Fonte: https://www.esquerda.net/

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