CHEGA DE BOIS ANIMOU FESTAS DE SÃO MIGUEL EM CABECEIRAS DE BASTO
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Cabeceiras de Basto não dispensa as chegas de bois tão caraterísticas da região. As festas de São Miguel contemplaram ontem a realização dessa tradição que está relacionada com costumes ancestrais e práticas de vida comunitária das gentes da região.
Em tempos idos, o povo partilhava o forno onde cozia o pão da mesma forma que todos os habitantes concorriam para a lavra de cada um. Por mais árduo que fosse, o trabalho era vivido num ambiente de intensa alegria, desde a época das sementeiras até ao malhar do centeio. E depois vinha a festa e o divertimento que a vida não era só feita de sacrifícios.
Entre os vestígios dessa vivência comunitária salientamos o boi do povo, assim designado por cada aldeia possuir o seu animal que alimentava e preparava para o combate com o da aldeia vizinha em dia aprazado com a finalidade de saber qual era o mais possante e corajoso, até chegar a altura em que deveria ser abatido.
A expressão empregue justifica-se pelo facto dos seus promotores se limitarem a chegarem os animais um ao outro, não possuindo outra interferência na luta que travam.
O boi barrosão é um animal possante que facilmente se distingue pela sua enorme barbela e grandes hastes, chegando a pesar com frequência mais de quatrocentos quilos. Em virtude de ter sido durante muito tempo empregue nos trabalhos da lavoura, veio a tornar-se num dos cartazes emblemáticos da região de Entre-o-Douro-e-Minho, sendo a sua carne muito apreciada por se alimentar sobretudo dos pastos nos lameiros do Soajo e do vale do Lima.
Sucedia com frequência que, antes do dia combinado para o combate, havia quem pela calada da noite vinha raptar o animal para medir forças com o boi da sua aldeia a fim de saber as probabilidades de este sair vencedor. Atualmente, são os criadores que os levam para o terreiro e os chegam com outro de idêntica compleição física que esteja destinado à chega.
O povo acorre, entusiasma-se e até se fazem apostas para saber qual deles vai ser o campeão. Ao avistarem-se a reduzida distância, os animais enfrentam-se com denodada bravura até que um deles desiste e afasta-se dando-se por vencido. O boi vencedor, vulgarmente designado por campeão, é o orgulho do criador tal como noutros tempos o era de igual modo da aldeia que representava.
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