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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CÂNDIDO FARIA: EMPRESÁRIO E BENEMÉRITO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM FRANÇA

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso da semana passada, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento em Paris do empresário Cândido Faria, um dos mais destacados empresários e beneméritos da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas no Velho Continente, rondando um milhão de pessoas.

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Natural de Riba de Ave, vila do concelho minhoto de Famalicão, Manuel Cândido Faria chegou França aos 12 anos, onde começou a trabalhar no ramo da construção civil aos 16 anos, tendo pouco tempo depois, aos 22 anos, adquirido a empresa onde obteve o seu primeiro trabalho.

Exemplo genuíno de um self-made man, o sucesso que alcançou ao longo das décadas no mundo dos negócios foi constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos emblemáticos da comunidade portuguesa no território gaulês. Como foi o caso das obras da Casa de Portugal em Paris, construída na década de 1960, por iniciativa de Azeredo Perdigão, então diretor da Fundação Calouste Gulbenkian, e recentemente renovada, graças entre outros, a Cândido Faria cuja filantropia revelou-se decisiva na renovação das salas Fernando Pessoa e Vieira da Silva que acolhem anualmente mais de uma centena de eventos culturais.

A dimensão benemérita do empresário português radicado em França beneficiou ainda ultimamente a renovação da igreja de Gentilly, no sul de Paris, entregue no final dos anos 70 à comunidade portuguesa, e encontra-se igualmente plasmada na construção da Casa de Portugal em Plaisir, nos arredores de Paris, e na Casa do Benfica na capital francesa.

A trajetória de sucesso e o cariz altruísta de Cândido Faria foram reconhecidas em 2016, durante as comemorações oficiais do 10 de junho em Paris, tendo o empresário recebido das mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o grau de oficial da Ordem de Mérito.

Numa época em que as comunidades portuguesas enfrentam dificuldades devido à pandemia, evocar o exemplo e memória de Cândido Faria constitui um lampejo de esperança e de empenho coletivo na construção de um futuro melhor assente em princípios basilares de entreajuda, progresso e solidariedade.