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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CAMINHA COMEMORA ARMISTÍCIO DA GRANDE GUERRA

“Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais”. Homenageia mortos da Grande Guerra. Ponto alto do programa acontece já no próximo domingo

De 11 de novembro a 14 dezembro Caminha vai promover a iniciativa “Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais”, composta por múltiplas atividades, com destaque para a Homenagem aos Mortos da Grande Guerra, que decorrerá no dia 11 de novembro. Esta iniciativa tem como objetivo assinalar dois factos históricos, o Armistício e o Assassinato de Sidónio Pais.

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A coincidência de calendário faz com que ocorra em finais de 2018 o centenário de dois eventos relevantes da vida política nacional de inícios do século XX, com destaque para o Armistício, que em 11 de novembro de 1918 pôs fim à Primeira Guerra Mundial iniciada quatro anos antes e que sacrificara milhões de vidas humanas, entre as quais muitos militares portugueses, incluindo dezenas de jovens do Alto Minho. Era então Presidente da República Portuguesa o major Sidónio Pais, nascido em Caminha, que pouco mais de um mês depois, em 14 de dezembro, jazia assassinado após um ano de polémico governo. 

Assinalando estes dois factos históricos e o impacto que ambos tiveram no município, na região e no país, a Câmara Municipal de Caminha e o Agrupamento de Escolas Sidónio Pais, com o apoio da União de Freguesias de Caminha e Vilarelho, o Centro de Formação Vale do Minho e o Locus Cinemae-Cineclube de Caminha, organizaram um vasto e diversificado programa de eventos dirigidos ao público em geral e à comunidade escolar em particular, que inclui cinema, exposições, conferências, mostra bibliográfica e colóquios, e tem o seu ponto alto na manhã de 11 de novembro, domingo, com uma solene homenagem aos combatentes e mortos do concelho na Grande Guerra.

Embora o programa arranque efetivamente no domingo, dia 11 de novembro, com uma série de iniciativas, de que se destaca a homenagem aos mortos da Grande Guerra, pelas 10H00, numa cerimónia no “Largo dos Combatentes”, no dia 9, terá lugar a exibição do filme “Cavalo de Guerra”, de 2012, um drama na categoria de “guerra”, de Steven Spielberg. Trata-se da história de Ted Narracot (Peter Mullan), “um camponês destemido e ex-herói de guerra. Com problemas de saúde e bebedeiras, batalha junto com a esposa Rose (Emily Watson) e o filho Albert (Jeremy Irvine) para sobreviver numa fazenda alugada, propriedade de um milionário sem escrúpulos (David Tewlis). Cansado da arrogância do senhorio, decide enfrentá-lo em um leilão e acaba comprando um cavalo inadequado para os serviços de aragem nas suas terras. O que ele não sabia era que seu filho estabeleceria com o animal uma conexão jamais imaginada. Batizado de Joey pelo jovem, os dois começam seus treinamentos e desenvolvem aptidões, mas a 1ª Guerra Mundial chegou e a cavalaria britânica o leva embora, sem que Albert possa se alistar por não ter idade suficiente. Já nos campos de batalha e durante anos, Joey mostra toda a sua força e determinação, passando por diversas situações de perigo e donos diferentes, mas o destino reservava para ele um final surpreendente”. O filme será exibido pelas 21H45, no Valadares, Teatro Municipal, com o apoio da Locus Cinemae.

Homenagem aos Mortos da Grande Guerra

Domingo, dia 11, o dia começa com a Cerimónia no “Largo dos Combatentes”, em pleno Centro histórico de Caminha, pelas 10H00, seguida da inauguração da mostra bibliográfica ‘A Livraria do Coronel Júlio Torres’ e da exposição “Da Batalha de Lalys ao Armistício”.

‘A Livraria do Coronel Júlio Torres’ poderá ser visitada durante um mês na Biblioteca Municipal de Caminha. Trata-se de um espólio que foi constituído ao longo da vida do Coronel e que o terá acompanhado pelas diversas residências, designadamente, Braga, Porto, Lisboa ou Caminha. 1876 e 1949 são as datas extremas que as edições apresentam. Os temas predominantes nestes volumes são: literatura portuguesa e estrangeira, sobretudo francesa; história; geografia; política; filosofia; estratégia militar e viagens. Os autores são de renome e alguns já raros ou muito ausentes nos catálogos do sec. XXI.  

A exposição “Da Batalha de Lalys ao Armistício” poderá ser visitada no Museu Municipal de Caminha.

À tarde há cinema e muito atual. Desta vez, o filme a exibir é “Soldado Milhões”, de Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa. É uma produção deste ano, destinada a maiores de 12 anos. Acompanha o percurso do soldado Milhais, que valia milhões, através das suas memórias da guerra.

Cinema, conferências e colóquio marcam o programa

Dias 12 e 13 de novembro volta a ser exibido o mesmo filme, no Cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, com sessões para alunos do Agrupamento de Escolas Sidónio Pais.

Sexta-feira, dia 16 de novembro, pelas 18H00, “A Maçonaria e a Loja Ancorense Vedeta do Norte” é o tema da conferência com Paulo Torres Bento e um convidado da Maçonaria. Sobre esta temática, Paulo Torres Bento (Professor de História e historiador de temas locais e regionais) escreve ‘por meados do mês de novembro de 1914, em dia incerto e lugar desconhecido do Vale do Âncora, reuniu-se um grupo de indefetíveis e históricos republicanos ancorenses para constituírem um Triângulo maçónico, que em poucos meses evoluiria para uma Loja com o sugestivo nome de “Vedeta do Norte”. O momento era dramático para o Grande Oriente Lusitano, a mais antiga e principal confissão da Maçonaria portuguesa, que tinha sofrido uma grave dissidência em meados desse ano, mas a nova oficina veio reforçar o movimento maçónico na região, afirmando-se nos tempos conturbados da República como uma das três únicas lojas de todo o Minho. A recente oportunidade de estudar parte do seu espólio documental proporcionou que se possam agora começar a revelar os seus segredos’.

Na semana seguinte, a 23 de novembro, também pelas 18H00, decorrerá a conferência “A Pneumónica no Concelho de Caminha”, com Aurora Rego (Doutorada em História, investigadora da História das Populações, Comunidades Marítimas ou Relações Transfronteiriças, privilegiando o território do concelho de Caminha e do Alto Minho) e Luís Belo (diretor do Hospital Particular de Viana do Castelo). ‘Considerada a última pandemia da Humanidade, a pneumónica ou gripe espanhola produziu efeitos significativos na evolução da população do concelho de Caminha. Que conjuntura socioeconómica lhe está associada? Que impacto teve a sua incidência nas diferentes freguesias? Que segmentos etários e profissionais foram mais atingidos? Como responderam as autoridades locais e assistenciais durante a sua erupção e contágio? O quadro geral encontrado no concelho de Caminha corresponde ao do território vizinho?’ são alguns dos aspetos a ser desenvolvidos na presente comunicação.      Doutorada em História, Aurora Botão Rego tem-se dedicado à investigação desde há uma década em estudos relacionados, entre outros, com a História das Populações, Comunidades Marítimas ou Relações Transfronteiriças, privilegiando o território do concelho de Caminha e do Alto Minho.

Colóquio “Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais” com José Santos, Paulo Torres Bento, Armando Malheiro e Fernando Rosas

No dia 8 de dezembro, terá lugar o colóquio “Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais”, composto por dois painéis “O CEP e os Militares do Concelho de Caminha”, orientado pelo sargento José Santos e Paulo Torres Bento, e “Sidónio, a Guerra e a Política”, com Armando Malheiro e Fernando Rosas. Esta formação dirige-se a todos os grupos de professores e educadores.

O colóquio terá inicio, pelas 10H00, no Valadares, Teatro Municipal de Caminha, cuja abertura está a cargo de Miguel Alves, presidente da Câmara Municipal de Caminha; Maria Esteves, diretora do Agrupamento de Escolas Sidónio Pais, e Jorge Oliveira Fernandes, diretor do Centro de Formação Vale do Minho.

O painel “O CEP e os Militares do Concelho de Caminha” apresenta as comunicações ‘Os militares do concelho de Caminha a e Brigada do Minho na Flandres’, por Paulo Torres Bento (Professor de História e historiador de temas locais e regionais) e ‘Na pele do soldado Português na Grande Guerra: necessidades e realidades’, com José Manuel Alves dos santos (Sargento Ajudante do Exército, historiador de temas militares).

O painel e “Sidónio, a Guerra e a Política” encerra o colóquio com as intervenções ‘Portugal na 1ª Guerra Mundial, o quadro interno e o quadro externo’, a cargo de Fernando Rosas (Doutor em História, Universidade Nova de Lisboa) e ‘Sidónio Pais, o Sidonismo e a 1ª Guerra Mundial’, por Armando Malheiro da Silva (Doutor em História, Faculdade de Letras da Universidade do Porto).