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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BLOCO DE ESQUERDA ACUSA O PARTIDO SOCIALISTA DE UTILIZAR O “ALVARINHO” COMO BANDEIRA POLÍTICA

Em comunicado que junto se reproduz, o Núcleo de Monção do Bloco de Esquerda acusa a Comissão Concelhia do partido Socialista de utilizar o vinho da casta Alvarinho como “bandeira política, servindo -se o PS de argumentos pouco claros e causando conflitos entre viticultores e produtores”.

O PS defende o Alvarinho, ou defende-se a si?

A concelhia do PS de Monção emitiu um comunicado, em conjunto com a JS de Monção, em que se pretendem afirmar como defensores do vinho alvarinho da sub-região de Monção-Melgaço. Este comunicado começa por dizer que o objetivo do mesmo é clarificar os viticultores e produtores da nossa sub-região, mas clarifica atacando os “negociadores”, que são, nada mais, nada menos, que os representantes desses mesmos produtores, referindo-se ao Presidente da APA (Associação de Produtores de Alvarinho), ao Presidente da Adega Cooperativa e Regional de Monção, ao Representante da Provam, ao enólogo Anselmo Mendes e ainda ao Presidente das Quintas de Melgaço. Acusa ainda o PS, os legítimos representantes destas instituições, de amadorismo ao partirem para as negociações sem o apoio de um especialista em direito comunitário, no entanto, não vimos ainda em parte alguma que os referidos “amadores” tenham tido, até ao fim das negociações, o apoio de algum dos “experientes” eurodeputados eleitos pelo Partido Socialista.

O mesmo Comunicado põe, ainda, em causa a legitimidade do Presidente da Adega Cooperativa, uma vez que a posição adotada pelo mesmo durante as negociações não teria sido discutida em Assembleia Geral. Desconhecendo o Bloco de Esquerda, até ao momento, se o PS é associado da Adega, uma vez que no comunicado apenas em relação a este representante o PS coloca esta questão. Até o mais desatento dos cidadãos percebe que o ataque feito ao presidente da Adega, que também foi cabeça de Lista do PSD á Assembleia Municipal, parece ter apenas um objetivo político.

Continuando, prevê ainda o PS que as consequências deste acordo vão ser “desastrosas” para os viticultores (não se referindo aos produtores agora) levando inclusive ao abandono das terras (sim, parece que no concelho de Monção até a assinatura deste acordo não haveria terras abandonadas, mas relativamente a este assunto voltaremos uma outra altura)

Para compreendermos o que pretende o PS defender convém recuarmos até ao início de 2014. Até à apresentação, na Assembleia da Republica, de um projeto resolução, pelos deputados do PSD do distrito de Viana do Castelo, levando atrás de si os deputados do PS, por arrasto da onda mediática. No debate em plenário na AR, Luís Fazenda, deputado do Bloco de Esquerda, referia, entre outras coisas, que “atendemos á necessidade de garantir a qualidade do rótulo vinho Alvarinho devidamente adequado á sub-região de Monção e Melgaço” no entanto “ o debate em plenário teria sido a pior forma de o fazer” sendo que as negociações estavam a decorrer na sub-região, o debate levado a nível político levaria a uma clivagem entre os produtores da Região dos Vinhos Verdes, como futuramente se veio a verificar.

Todos nos recordamos das declarações dos líderes políticos locais e regionais, provas de vinho na Assembleia da República, a defesa das posições baseada no slogan de que “o Alvarinho é nosso” (sendo que este lema não refletia totalmente a verdade) e as recolhas de assinaturas. Os representantes destes partidos na altura não explicaram às pessoas que há muitos anos que a uva da casta Alvarinho é plantada, e o vinho produzido e legalmente rotulado em várias regiões do país (por exemplo no Douro e Alentejo). O que estava em causa nas negociações, que tinham sido iniciadas pelos produtores no final de 2013 seria a possibilidade dos nossos parceiros, da região dos Vinhos verdes poderem usar a denominação Vinho Verde Alvarinho, sendo que até agora, os produtores de vinho alvarinho de fora da sub-região de Monção e Melgaço, tinham no rótulo a referência de Vinho Regional Minho Alvarinho.

E afinal que acordo conseguiram negociar estes “amadores”? Conseguiram a diferenciação de “Premium” no rótulo dos Vinhos produzidos em Monção e Melgaço, o PS considera então, no seu comunicado, negativo que o nosso vinho seja distinguido, dos outros Alvarinhos produzidos na restante Região dos Vinhos Verdes, pela sua alta qualidade, levando a um aumento do preço pela sua qualidade extra quando comparado com os outros vinhos verdes alvarinhos.

Foi também imposta uma regra mais exigente para poder ser mencionada a casta Alvarinho no rótulo do vinho (até agora bastava 0,1% de casta Alvarinho para ser mencionado como tal, agora exige-se no mínimo que haja 30%, ou seja será necessário mais Alvarinho para produzir vinhos que tenham Alvarinho e outras castas).

Em resumo, este acordo que o PS tanto crítica prevê assegurar uma maior qualidade dos Vinhos Verdes que contenham a casta Alvarinho na sua composição, sendo que o Alvarinho de Monção-Melgaço será distinguido como o Alvarinho de excelência, entre os outros Alvarinhos da Região.

Que pretende então o PS com estas posições? Que os produtores de Monção e Melgaço se afastem dos parceiros da região dos vinhos verdes? Que nos isolemos? Se nos isolarmos, como vão os nossos produtores vender o seu vinho? Quem parece defender o PS com este comunicado? Parece querer defender -se apenas a si mesmo. O Alvarinho NÃO pode ser usado como bandeira política, servindo -se o PS de argumentos pouco claros e causando conflitos entre viticultores e produtores. Se o PSD recuou depois dos erros cometidos, o PS também o deveria ter feito, e ainda vai a tempo de o fazer. O nosso Alvarinho, e o trabalho dos viticultores e dos produtores devem ser protegidos, das consequências que podem trazer estas atitudes irresponsáveis, que o PS tem tomado em relação a esta questão.

Bloco de Esquerda, Monção