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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BAIRRO DOS PESCADORES DE VILA PRAIA DE ÂNCORA É UMA REALIZAÇÃO DA OBRA SOCIAL DO ESTADO NOVO

Em Vila Praia de Âncora, a escassas dezenas de metros do Forte da Lagarteira e do Portinho, situa-se o bairro dos pescadores. Espaçoso e arejado, o bairro apresenta um aspeto asseado que espelha bem o caráter dos seus moradores.

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Inaugurado em janeiro de 1949, o bairro dos pescadores de Vila Praia de Âncora constituiu uma das realizações de grande impacto da Obra Social das Pescas, implementada pelo Comandante Henrique Tenreiro com o patrocínio do Presidente do Conselho, Doutor Oliveira Salazar, através da Junta Central das Casas dos Pescadores, sob o lema: “Para cada família um lar!”.

À semelhança do que se verifica noutras regiões do país, o bairro dos pescadores de Vila Praia de Âncora foi construído em local próximo do Portinho e do projetado porto de pesca que apenas recentemente veio a tornar-se realidade.

Edificados ao longo de toda a costa portuguesa, de Vila Praia de Âncora a Vila Real de Santo António, estes bairros de renda económica destinaram-se a alojar os pescadores e suas famílias que até então viviam nas condições mais miseráveis, em palheiros de madeira assentes sobre estacas construídos no areal das praias.

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Descreve-nos Raúl Brandão na sua obra “Os Pescadores”:

À direita, encostado ao forte de Lippe, que forma o outro lado da bacia, com o portinho e o varadouro, ficam as casas dos pescadores.

(…) A parte dos pescadores no areal difere completamente nos tipos, nos costumes e nas casas, naturalmente noutros tempos barracas de madeira construídas sobre estacas. Há quatrocentos pescadores pouco mais ou menos, e cento e trinta e dois barcos varados na praia, todos pintados de vermelho. São maceiras, de fundo chato, tripuladas por dois homens, volanteiras ou lanchas de pescada por doze homens, e barcos de sardinha, que levam cinco ou seis peças de sessenta braças cada uma, e quatro homens. As redes têm nomes: peças as da sardinha, volantes as da pescada. Chama-se galricho a uma espécie de massa com que se apanha a faneca; rastão ao camaroeiro; patelo à rede que colhe o caranguejo ou mexoalho; e rasco à da lagosta. As redes da sardinha são do mestre, e as da pescada dos pescadores. Os quinhões dividem-se conforme o peixe.

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