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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ASSOCIAÇÃO DINAMIZADORA DOS INTERESSES DE BASTO PROMOVE CAPACITAÇÃO PARA A INCLUSÃO

O desemprego estrutural é uma das muitas causas da exclusão social. Ciente de tal facto, a Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto (ADIB) realizou um Projeto de Capacitação para a Inclusão, cujo objetivo foi, entre outros, criar condições efetivas para a inserção social e laboral de população potencialmente vulnerável.

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Em entrevista ao BLOGUE DO MINHO, Luís Correia, Diretor Técnico, deu-nos a conhecer as últimas intervenções levadas a cabo pela Instituição: ação de formação sobre “Imagem, autoestima e autoconceito”, “Competências Sociais Básicas” e “Ativar a Participação Social e Laboral”.

Estas iniciativas foram promovidas pela ADIB, tendo como Entidade Formadora a Die Apfel, no âmbito da Tipologia de Operações 3.05 – Capacitação para a Inclusão, financiada pelo POISE (Programa Operacional Inclusão Social e Emprego), pelo Programa Portugal 2020, União Europeia e Fundo Social Europeu.

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Blogue do Minho: Qual o público-alvo do Vosso projeto?

Luís Correia: O projeto destina-se a grupos potencialmente vulneráveis, designadamente pessoas com baixos rendimentos, desempregados de longa duração e beneficiários do RSI, baixos níveis de qualificação, ex-reclusos, jovens sujeitos a medidas tutelares educativas e cidadãos sujeitos a medidas tutelares executadas na comunidade, pessoas com comportamentos aditivos e dependências.

Blogue do Minho: Quais os objetivos centrais do conjunto das três ações?

Luís Correia: Todos temos noção que o mercado de trabalho é cada vez mais exigente e seletivo, sendo que para além das habilidades profissionais é necessário incrementar competências pessoais e sociais.

Assim, na primeira ação (“Imagem, autoestima e autoconceito”), procurou-se dotar os destinatários de ferramentas que contribuíssem para a sua inserção social e profissional, mediante o incremento da autoestima, do auto conceito, bem como de competências de afirmação pessoal e social.

Para além do módulo ministrado, organizou-se um workshop denominado “Dress to Impress” cujo mote foi saber vestir bem, mas a baixo custo, nomeadamente em entrevistas de trabalho ou no local de trabalho.

No âmbito da ação “Competências Sociais Básicas” pretendeu-se promover aptidões cognitivas (processo de tomada de decisão), comportamentais (assertividade, negociação) e emocionais (regulação afetiva), bem como trabalhar a motivação e as expectativas (autoeficácia)”. De facto, o incremento de competências pessoais e sociais é uma estratégia de promoção do ajustamento pessoal e social, indutora da saúde, quando percecionada de forma holística.

Naquele módulo foi incentivada a promoção das competências pessoais e sociais, não colocando o foco nos problemas, mas sim na sua solução; foi promovida uma postura proativa em cada formando; o comportamento social foi concetualizado de uma forma global, integrando aspetos socioeconómicos, culturais, cognitivos, motivacionais, comportamentais e emocionais.

No módulo “Ativar a participação social e laboral” o objetivo central foi dar a conhecer os direitos e deveres dos cidadãos, apoiar e facilitar a procura ativa de emprego, estimular uma atitude proativa perante o mercado de trabalho, informar sobre as técnicas de procura de emprego, fornecendo instrumentos relevantes para aquele processo, dar a conhecer os programas existentes no âmbito do empreendedorismo inclusivo, bem como alguns casos de sucesso.

Blogue do Minho: Como é que o projeto se pretende posicionar, em termos de resultados, a curto, médio e a longo prazo?

Luís Correia: O projeto pretende, a curto prazo, dinamizar os recursos individuais (ex: autoestima e autoconceito) e coletivos (ex: disponibilizar o acesso à informação). Pretende-se ainda proporcionar a construção da autonomia existência, social e económica. A médio prazo tem como objetivo promover o acesso ao mercado de trabalho (por via do desenvolvimento pessoal e social e da integração em percursos de dupla certificação). Pretende-se, também estimular uma maior estabilidade ao nível da gestão das redes de suporte social (ex: família ou instituições de suporte). A longo prazo pretende-se inserir e incluir social e profissionalmente os destinatários, promovendo a contribuição individual para o desenvolvimento económico, por via do trabalho justamente remunerado, quebrando desta forma o ciclo de pobreza e exclusão social.

Blogue do Minho: O que entende por exclusão social?

Luís Correia: Há muitas expressões de exclusão social: o desemprego, a desumanização, a falta de acesso a bens e a serviços, a desqualificação pessoal e social, entre outros. Entendo, por conseguinte, que é um fenómeno multifacetado que se caracteriza pela desinserção social do indivíduo, do ponto de vista da proteção, da segurança, dos direitos democraticamente instituídos e das oportunidades.

Blogue do Minho: Na sua opinião, quais as principais medidas que podem contribuir para minimizar a exclusão social?

Luís Correia: É essencial o incremento do capital humano, por via da formação/educação. Sem formação/ educação não teremos pessoas informadas.

É necessário um planeamento rigoroso dos programas sociais e educacionais, pois só assim é possível pensarmos na erradicação da pobreza.

Por último, e porque o trabalho dignifica a condição humana, considero que é muito importante cada região atrair investimento, no sentido de criar postos de trabalho e, desta forma, contribuir para mitigar o desemprego (importante fator de exclusão social).

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