AS CASAS REGIONAIS EM LISBOA E O 25 DE ABRIL
À excepção da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, fundada em 23 de Setembro de 1905, à época com a denominação de “Clube Transmontano”, todas as demais “casas regionais” surgiram em Lisboa após a implantação do regime republicano, recorrendo na maioria dos casos à designação de grémios.

A imagem mostra o jornalista Artur Maciel
Mais tarde, por imposição do Estado Novo, vieram estas agremiações a abandonar a denominação de grémios que passou a ficar reservada às associações patronais para, em seu lugar, adoptarem o nome com que ainda actualmente são conhecidas ou seja, de Casa… identificada geograficamente com a região de pertença. E, foi desse modo que o antigo Grémio do Minho deu origem à Casa d’Entre-o-Douro-e-Minho, denominação posteriormente alterada para Casa do Minho a qual ainda se mantém.
Durante o período do Estado Novo, as casas regionais mantiveram uma política de bom relacionamento com as corporações vigentes, beneficiando mesmo desse relacionamento que ía ao ponto de lhes conferir um certo grau de influência. De resto, pontificavam nos seus órgãos sociais muitas personalidades gradas ao anterior regime, como foi o caso do jornalista Artur Maciel, na Casa do Minho, personalidade a quem esta instituição mais deve os maiores êxitos alcançados ao longo da sua existência.
De um modo geral, o relacionamento era feito sobretudo com os governadores civis, preterindo na maioria dos casos os presidentes das câmaras municipais, comportamento que passou a ter reflexos que se estendem até à actualidade.
Chegados ao 25 de Abril de 1974, nalgumas destas associações viveram-se tempos de incerteza do que a revolução lhes destinava… e, não foram poucos os casos que viram alguns dos seus associados afastarem-se por precaução, com receio de virem a ser conotados com o anterior regime. Mas, as casas regionais não constavam do plano de operações do golpe militar e passaram despercebidas do vendaval revolucionário que se seguiu, deixando incólumes até aos dias de hoje aqueles que prudentemente se puseram ao fresco.
Mas, os tempos eram agitados e por vezes causavam séria preocupação. Imediatamente após a mudança de regime político, mais precisamente em 23 de Maio de 1974, salvo opinião melhor documentada, realizou a Convergência Monárquica na antiga sede da Casa do Minho, situada na rua Víctor Cordon, a sua primeira reunião com vista à fundação do Partido Popular Monárquico, reunião que teve lugar secretamente. A escolha da Casa do Minho para a realização deste encontro de monárquicos deveu-se à influência de um dos seus dirigentes, o limiano Dr. Nuno Morais, plenamente identificado com os ideais monárquicos. À época, era professor de Educação Física na Escola Comercial Ferreira Borges, em Lisboa, tendo o autor destas linhas sido seu aluno. Este foi um dos casos que a mudança política levantou maiores receios entre os responsáveis da associação ao ponto de temerem eventuais represálias caso viesse a ser do conhecimento público... ainda hoje, o PPM não refere o local da sua realização!
No ano seguinte, uma assembleia geral ditava o afastamento do jornalista Artur Maciel do Conselho Regional da Casa do Minho. À época era permitido o voto por procuração e o famalicense Gomes de Sá apresentou-se com uma pasta repleta de procurações… o coração do ilustre regionalista Artur Maciel não resistiu!
Carlos Gomes

A imagem data de 4 de julho de 1934 e apresenta os membros da Direção do Grémio do Minho, atual Casa do Minho, em Lisboa, e da Comissão organizadora da Semana dos Vinhos Verdes. Na foto identificam-se Francisco da Conceição Rosa, José Augusto da Cunha, Prudente da Rocha, Engenheiro Raul Dantas, Engenheiro Luís Cincinato Cabral da Costa, José de Azevedo, Álvaro de Lacerda, Pedro Bandeira, Ernesto Ferreira e Dr. Francisco Veloso.
Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo