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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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AMARES EVOCA O GRANDE POETA DA TAPADA, FRANCISCO DE SÁ DE MIRANDA

Prémio literário inspirado no ícone das letras consagra Nuno Júdice

A Casa da Tapada, em Fiscal, local onde outrora viveu o poeta e humanista Francisco de Sá de Miranda acolhe, no próximo dia 26 de outubro, a partir das 14h30, a entrega do Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda, dedicado a uma das maiores figuras da área das letras, e que se deixou inspirar pelas belas e pacatas paisagens do concelho de Amares. Em dia de homenagem, o escritor Nuno Júdice, que venceu a primeira edição do prémio literário impulsionado pela Câmara Municipal de Amares, com a obra "O Mito da Europa", vai ser consagrado, numa cerimónia em que vai ser atribuída, também, a título póstumo, a Medalha de Mérito Municipal a Agostinho Domingues (grau prata), professor e historiador ilustre, natural de Santa Maria de Bouro, Amares, apaixonado pela obra de Francisco Sá de Miranda.

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O dia vai fazer-se de cultura e, pela cultura, pela sua promoção, por um incentivo à criatividade literária e ao gosto pela criação poética, a Câmara Municipal de Amares decidiu criar, este ano pela primeira vez, este prémio literário, que serve também o propósito de enaltecer e manter viva esta figura tão incontornável da poesia nacional, cuja passagem pelo concelho enche de orgulho Amares, terra onde deixou marca e nome que perpetua, por exemplo, na designação da Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda.

Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda vai ser atribuído bienalmente  

A Câmara Municipal de Amares vai passar a atribuir, bienalmente, o Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda, com o intuito de homenagear e divulgar o
poeta e humanista Francisco de Sá de Miranda, bem como incentivar a criação literária no domínio da poesia. A iniciativa destina-se a autores de língua portuguesa e contempla um prémio no valor monetário de 7500,00€.

Na primeira edição o júri do concurso, que avaliou um total de 167 obras foi composto por Sérgio Guimarães de Sousa, professor do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, por Otília Pires Martins, professora associada com agregação do Departamento de Línguas e Cultura da Universidade de Aveiro, por Isidro Araújo, vereador da Cultura da Câmara de Amares, licenciado em Humanidades pela Universidade Católica Portuguesa onde também defendeu tese de Mestrado, na área das Literaturas Clássicas.

Algumas notas sobre Sá de Miranda

Francisco de Sá de Miranda nasceu em Coimbra, possivelmente em 1487. Estudou Gramática, Retórica e Humanidades na Escola de Santa Cruz e frequentou depois a Universidade, ao tempo estabelecida em Lisboa, onde fez o curso de Leis, alcançando o grau de doutor em Direito. Nesta universidade foi professor considerado e frequentador da Corte até 1521, onde compôs cantigas, vilancetes e esparsas, ao gosto dos poetas do século XV. O Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, impresso em 1516, publica treze poesias do Doutor Francisco de Sá de Miranda.

Entre 1521 e 1526 ou 1527, Sá de Miranda viaja pela Itália e lá conhece o ambiente literário do Renascimento, do qual absorve as linhas principais. Ao assimilar as ideias italianas do Renascimento, torna-se o pioneiro a utilizar as formas clássicas, iniciando o Renascimento em Portugal. Sá de Miranda é assim o introdutor no nosso país do verso decassílabo.

Foi casado com D.ª Briolanja de Azevedo, filha de Francisco Machado, 2.º Senhor das Terras de Entre Homem e Cávado (Amares) até ao ano da sua morte em 1558. Sá de Miranda e sua esposa D.ª Briolanja de Azevedo adquiriram uma propriedade em 1530, que, anexando terrenos, se veio a transformar na Quinta da Tapada, sita na freguesia de Fiscal em Amares, de cuja Casa Sá de Miranda foi 1.º Senhor até à sua morte. Encontra-se hoje sepultado na Igreja de Carrazedo – Amares.