ALTOMINHOTO DESCENDENTE DE ARCUENSES APRESENTOU EM BRUXELAS O “VINHO DOS MORTOS”, NO TAPAS Y MAS – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS
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Foi mais uma noite festiva da nossa Confraria dos Vinhos de Portugal na Bélgica – Ordem de São Vicente, liderada por Cecília Vidigal, neta de Tabuaço, a varanda do Douro, cuja gastronomia é emblemática no país e estrangeiro, pelo Chef Thomas Egger, presentemente na sua Áustria.
No restaurante português Tapas Y Mas em Bruxelas, os manos Carlos e Sofia Santos, proporcionaram um desfile de iguarias, muita substância acompanhada de tintos e brancos do Douro e do Entre Cávado e Lima. Mas, a determinado momento do programa, uma novidade: um confrade ilustre, nascido em Paris, mas com raízes em Arcos de Valdevez e Ponte de Lima, surge com o – VINHO DOS MORTOS – um maduro de Boticas, que pode arrepiar ao ouvir o rótulo, mas vem felicidade e gosto ao degluti-lo. Victor Alves Gomes, é um verdadeiro embaixador do Alto Minho em Bruxelas, e proporciona de vez em quando uns momentos e umas surpresas enogastronómicas, a par do seu desempenho profissional como quadro superior na Comissão Europeia / gestor de bolsas dos cientistas.
Mas, para saber a origem de tão inusitado nome, segue a explicação, bilingue, por parte dos produtos:
Na segunda invasão francesa a Portugal, em 1809, o povo do atual concelho de Boticas, com medo que lhes pilhassem os seus pertences, escondeu o que conseguiu, incluindo o vinho, que foi enterrado no chão das adegas. Mais tarde, quando recuperaram os bens, descobriram que o vinho tinha adquirido propriedades inesperadas. Um vinho com baixo teor alcoólico e algum gás, fruto do processo de fermentação natural. Por ter sido enterrado, recebeu o nome de Vinho dos Mortos.
O Vinho dos Mortos é um testemunho do engenho e resiliência dos botiquenses que chegou até aos dias de hoje.
“During the second French invasion of Portugal in 1809, the people of the current county of Boticas, afraid that their belongings would be looted, hid what they could, including the wine, which was buried in the ground of the cellars. Later, when they recovered the goods, they discovered that the wine had acquired unexpected properties. A wine with low alcohol content and fine bubbles result from natural fermentation process. Because it was buried, it received the name Vinho dos Mortos (Wine of the Dead).
Vinho dos Mortos is a testimony of the ingenuity and resilience of the people of Boticas that has survived to the present day.”
Quanto ao cardápio da noite de anteontem no Tapas Y Mas, uma amostra: bolinhos de bacalhau e rissóis de carne e marisco, presunto laminado, queijos, como entradas. Depois, mais substancial, uma caldeirada de peixe e marisco e Lombo de porco assado no forno com castanhas. A rematar, tal como no Sarrabulho de Ponte de Lima: o leite creme queimado, além de outros doces .
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