VIANA DO CASTELO COMEMORA DIA NACIONAL DOS MOINHOS ABERTOS
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Atividades pensadas para todas as idades decorrem de 7 a 16 de abril e visam celebrar o valor patrimonial dos moinhos tradicionais.
Esta sexta-feira, 7 de abril, assinala-se o Dia Nacional dos Moinhos. Nesse contexto, o Município de Fafe promove, integra e apoia um conjunto de iniciativas que visam chamar a atenção para o inestimável valor patrimonial dos moinhos tradicionais, destacando em concreto os moinhos existentes no concelho: o Moinho de Vento de Aboim, o Moinho de Casca de Carvalho, o Moinho de Água de Cepães e o Moinho da Aldeia do Pontido.
Fafe integrará o evento “Dia dos Moinhos Abertos” que tem como conceito base fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país. Neste âmbito, o Município convida a participar na visita gratuita orientada ao Museu do Moinho e do Povo de Aboim - Centro Interpretativo Aldeia Pedagógica da Montanha e do Centeio, no dia 7 de abril. Esta atividade promovida pela Junta de Freguesia de Aboim deve ser agendada previamente através do número 964 799 753.
Agentes turísticos de Fafe promovem visitas “À Volta dos Moinhos”
O Município apoia igualmente a iniciativa “À Volta dos Moinhos”, um conjunto de visitas guiadas pelos moinhos do concelho, promovidas por um grupo de agentes turísticos (Authentik Tours em parceria com a CountingStars, Casa do Penedo, Gud Artesanal, A Nightingale Sings e ERF), nos dias 7, 8, 14, 15 e 16 de abril.
Os programas pretendem dar a conhecer a dimensão e importância dos moinhos de Fafe, destacando a indústria de criação de taninos com o moinho de casca de carvalho e a criação da farinha para a cozedura do pão, ainda hoje base da alimentação portuguesa. As inscrições podem ser realizadas através do e-mail reservas@authentiktours.com.
PROGRAMA “DIA DOS MOINHOS ABERTOS”
7 de Abril (sexta-feira)
10h00 às 12h00 e das 15h00 às 17h00 | Visita gratuita orientada ao Museu do Moinho e do Povo de Aboim- Centro Interpretativo Aldeia Pedagógica da Montanha e do Centeio.
Inscrições: Através do número 964 799 753
PROGRAMA “À VOLTA DOS MOINHOS”
7 de abril (sexta-feira)
Atividade 1: Moinhos Sob as Estrelas – observação de estrelas com sessão de contos tradicionais; Horário: 21:00-23:00; Ponto de encontro: Moinho de Vento de Aboim
8 de abril (sábado)
Atividade 2: À Volta dos Moinhos Pontido – Caminhada e Oficina “Mãos na Massa” – caminhada pela Aldeia do Pontido com visita ao moinho e pisão e oficina de amassar o bolo tradicional minhoto em forno de lenha; Horário: 14:20-18:30; Inclui merenda com produtos locais; Ponto de Encontro: Restaurante da Aldeia do Pontido
Atividade 3: À Volta dos Moinhos Pontido – Jantar gastronómico e espetáculo de fado com artista Cristina Lima e Rui Beirão na guitarra portuguesa e Diogo Rato na viola de fado; Jantar inclui entradas, prato principal, sobremesa, bebidas e café; Horário: 20:30-23:30; Ponto de Encontro: Restaurante da Aldeia do Pontido
14 de abril (sexta-feira)
Atividade 4: Moinhos Sob as Estrelas – observação de estrelas com sessão de contos tradicionais; Horário: 21:00-23:00; Ponto de encontro: Moinho de Vento de Aboim
15 de abril (sábado)
Atividade 5: À Volta dos Moinhos Aboim – Caminhada e Oficina “Mãos na Massa” – caminhada pela freguesia de Aboim com visita aos moinhos de vento e de casca de carvalho e oficina de amassar o bolo tradicional minhoto em forno de lenha; Horário: 9:30-13:30; Inclui degustação do bolo com produtos locais; Ponto de Encontro: Antiga Escola Primária de Aboim/Museu do Moinho e Povo de Aboim
Atividade 6: À Volta dos Moinhos Moreira de Rei – Visita à Casa do Penedo e à Quinta Biológica do Confurco; Horário: 14:30-18:30; Inclui merenda com produtos locais; Ponto de Encontro: Ermida de Nossa Senhora da Guia
16 de abril (domingo)
Atividade 7: À Volta dos Moinhos Cepães – Caminhada e Visualização do Jogo do Pau; Horário: 10:00-14:30; Inclui almoço com entradas, prato principal, sobremesa, bebidas e café incluídos; Ponto de Encontro: Complexo Turístico de Rilhadas
Inscrições: Através do e-mail reservas@authentiktours.com ou do número +351 936 261 358.
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7 de Abril (quinta feira) -> Dia Nacional dos Moinhos) +++ 9 e 10 de Abril (sábado e domingo) -> Dias dos Moinhos Abertos
É já no próximo fim de semana: Os moinhos voltam a estar de portas abertas em todo o País!
Em resultado deste amplo movimento de mobilização pelos moinhos da nossa identidade estarão à disposição de todos:
Desfrute dos Moinhos de Portugal, eles têm um valor cultural inestimável. Contribua para a sua salvaguarda!


Dia Nacional dos Moinhos
Como forma de assinalar o Dia Nacional dos Moinhos, que se comemora a 7 de abril, o Município de Esposende vai promover, nesse dia, um roteiro de visita aos moinhos da Abelheira-Marinhas e de Apúlia, que inclui também a visita à Casa das Marinhas.

A participação é gratuita, contudo carece de inscrição prévia, até 6 de abril, através do email turismo@cm-esposende.pt. O ponto de partida será no Centro de Informação Turística de Esposende, pelas 10h00, garantindo o Município o transporte aos participantes.
O roteiro inicia com a visita à Casa das Marinhas, inspirada, arquitetada e construída a partir de um moinho em habitação pelo conceituado arquiteto esposendense Viana de Lima.
O projeto do Parque Temático dos Moinhos de Abelheira, em Marinhas, que se encontra em execução, é o ponto seguinte do roteiro, sendo a visita orientada por técnicos da autarquia, da Etnoideia, empresa responsável pelo projeto de recuperação e apetrechamento dos três moinhos de vento que são propriedade da Câmara Municipal de Esposende, e por Fernando Morgado e Edite Morgado, antiga moleira neste local. Os visitantes terão oportunidade de perceber as funcionalidades dos equipamentos em reconstrução. Os moinhos fixos de torre, à semelhança de outros exemplares do norte litoral, mantêm a sua capucha móvel acionada através do rabo, direcionando sempre a vela contra o vento. Segue-se, no itinerário de visita no mesmo local, a intervenção de Maria Augusta Fernandes, proprietária de um dos sete moinhos de vento deste complexo.
O roteiro terminará sobre o mar de Apúlia, com a visita a um dos moinhos de Apúlia implantados junto à praia e que foi transformado também numa habitação de três pisos, mantendo, contudo, a sua traça original.
Serão distribuídos bilhetes-postais, onde, através de imagem, os visitantes poderão verificar a implantação destes moinhos, no passado e no presente. Refira-se que o Município tem em perspetiva a edição de uma publicação alusiva aos moinhos eólicos e hidráulicos existentes no concelho, bem como a criação de um roteiro turístico de visita para dar a conhecer este património. Entre os núcleos dos engenhos de moagem movidos pela força do vento, estão referenciados os de Abelheira e os de Cedovém, em Apúlia
A preservação das Etnoctecnologias, e esta ação em concreto, enquadra-se no Plano de Ação para a Sustentabilidade, Crescimento e Competitividade do Turismo em Esposende – 2018_2022. Associado a este objetivo está o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, que o Município verteu para o seu plano de ação.



Nos dias 7 e 10 de abril, o Município de Celorico de Basto irá promover um conjunto de atividades para a celebração desta data, com a realização de visitas guiadas e a produção e pão à moda antiga.

O dia nacional dos moinhos, celebrado a 7 de abril, terá este ano uma celebração especial em Celorico de Basto. O Município tem preparado um conjunto de atividades que visam a divulgação e promoção do vasto património de moinhos de água existentes no concelho.
Do programa de festividades fazem parte as visitas guiadas a um conjunto de moinhos públicos, mas também particulares que se associaram ao município nesta iniciativa.
No dia 7 de abril, as atividades são direcionadas à comunidade escolar, envolvendo também os utentes do programa “Celorico a mexer”, que irão recriar o ciclo do pão com produção de pão à moda antiga, promovendo assim um encontro intergeracional que transmitirá saber e tradição aos mais novos. A iniciativa repete-se no dia 10, domingo, com a realização do evento aberto a toda a comunidade.
José Peixoto Lima, Presidente da autarquia destaca “a importância desta iniciativa, como forma de divulgar o património do concelho, com um interessante conjunto de moinhos e circuitos de moinhos ancestrais, que espelham a ligação deste território ao aproveitamento da água na produção de cereais e transformação de matérias-primas”. “Esta será também uma oportunidade de juntar duas gerações, promovendo a transmissão de saberes que se vão perdendo, nomeadamente o ciclo do pão e a sua produção à moda antiga, criando um momento de convívio, aberto à comunidade escolar no dia 7 e a toda a comunidade no dia domingo dia 10”, concluiu.
Abertos para visita estará o circuito de moinhos de Argontim na freguesia do Rego, a Azenha de Barrega, na Freguesia de Borba e o circuito de moinhos do Freixieiro, instalados no Parque Lúdico da sede do concelho. A visita guiada aos moinhos poderá ser feita de forma gratuita mediante pré-inscrição na Loja de Turismo, através do telefone 255320300 ou email turismo@mun-celoricodebasto.pt. A recriação do ciclo do pão, com a produção de pão à moda antiga terá lugar no Parque Lúdico do Freixieiro, junto ao moinho do Damas. O evento será aberto ao público no domingo, dia 10, com produção e prova de pão e animação com música tradicional a cargo dos Cavaquinhos da Escola Profissional Agrícola de Fermil, Eng.º Silva Nunes, a partir das 14h30.

Finalmente estamos de volta e a preparar novamente os Moinhos Abertos!
Mais um ano em que esperamos uma grande participação e repetir o êxito da nossa atividade conjunta e em que pretendemos reeditar, pelo 14º ANO a iniciativa Moinhos Abertos de Portugal.
Nos anos pré-pandemia conseguimos em conjunto, ano a pós ano, mais de 350 moinhos abertos e mais de 30.000 visitantes por edição.
Pelos pedidos que nos chegam, em 2022, ultrapassaremos estes números.
O que é o “Dia dos Moinhos Abertos”?
O conceito desta atividade é extremamente simples:
Fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país!
Quem pode participar na organização?
Todos: Moinhos Abertos é uma iniciativa aberta e gratuita!
Esta é uma iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação com o único objetivo de chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos. Promovida desde 2007 pela Etnoideia esta iniciativa tem o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia sendo divulgada internacionalmente por todo o mundo.
Este dia, além de chamar a atenção para os moinhos tradicionais portugueses poderá também servir para identificar problemas e oportunidades, germinar projetos e ideias, ou mesmo para levar a cabo pequenas beneficiações (limpezas, pinturas, consertos de coberturas, etc.) com a participação de ativistas e visitantes que o pretendam, preservando os moinhos e criando dinâmicas em torno deles.
Por isso, apelamos à sua participação ativa, através do seu envolvimento pessoal e das organizações a que pertence ou com as quais se relaciona.
Como otimizar os seus impactos?
Você:
A organização:
Como participar na organização?
Esta participação é livre, espontânea e aberta a todos pelo que pode participar na organização das seguintes formas:
IMPORTANTE: NÃO SERÃO ACEITES OUTROS FORMATOS OU INFORMAÇÕES NÃO CONSTANTES NA FICHA DADO QUE ISSO PROVOCA PROBLEMAS NA PAGINAÇÃO).
ATENÇÃO: POR IMPERATIVOS LEGAIS NÃO PODERÃO SER ACEITES INSCRIÇÕES DE MOINHOS QUE CONTENHAM DADOS PESSOAIS SEM A RESPETIVA AUTIRIZAÇÃO DO INDIVIDUO A QUE REFEREM. QUAISQUER DADOS PESSOAIS QUE CONSTEM DA FICHA DE PROGRAMAÇÃO EXCEL SEM DECLARAÇÃO DE CONSENTIMENTO ASSINADA SERÃO APAGADOS NA BROCHURA FINAL PODENDO PREJUDICAR O CONTACTO COM OS ORGANIZADORES.
Jorge Miranda
Rede Portuguesa de Moinhos

O caderno “Economia” da edição desta semana do jornal “Expresso” publica uma reportagem da autoria do jornalista Amadeu Araújo acerca da crescente procura de moinhos desactivados para habitação de férias. É o caso da localidade da Apúlia, no concelho de Esposende, tirando partido da sua excelente localização com vista para o mar.
Porém, a necessidade de obter espaço no seu interior para o efeito – ao invés dos moinhos de maré, o interior dos moinhos de vento é geralmente exíguo – leva a que seja frequentemente desmontado o engenho ou seja, o moinho propriamente dito, o capelo e até os mastros e velas, ficando a restar apenas a torre, o que vai contra a ideia de preservação.
Situados geralmente nas cumeadas e tirando partido dos “canais de vento”, as tradições ligadas aos moinhos revelam-nos conhecimentos importantes acerca da nossa História e cultura, como é o caso de alguns rituais praticados pelos moleiros, o uso de um vocabulário que se assemelha surpreendentemente ao praticado pelos marinheiros e ainda a sua localização a indicar nomeadamente os trajectos dos caminhos de Santiago. Além, naturalmente, do estudo dos ventos e dos ciclos das marés.
Nesta edição, Carlos Gomes, Administrador do “Blogue do Minho” prestou depoimento ao autor da referida reportagem.





Nasce na serra de Oural (Vila Verde). Decorridos 45 quilómetros, vem desaguar ao mar, estabelecendo fronteira entre Antas e Castelo do Neiva, freguesias que sempre souberam ser amigas e de relacionamento fácil. Passa por terras dos concelhos de Vila Verde, Ponte do Lima, Barcelos, Esposende e Viana do Castelo. Diz quem o percorreu da nascente até à foz que tem belezas de encantar. Não o conhecendo na totalidade, longe disso, ele fica bem definido neste poema que encontrei no Blogue de Jorge Miranda “Pelos Salgueirais do Neiva” e que não resisto a reproduzir: Magia do rio Neiva. Ó pintores da minha terra, / Vinde aqui, vinde pintar .../ Pintai levadas, moinhos, / Açudes a transbordar, / Espuma branca de neve / À luz do Sol a brilhar .../ Pintai azenhas velhinhas / Com as heras a enlaçar, / Pontes, recantos do "Neiva”, / Salgueirais e debruar, / Que motivos para telas / Não vão, por certo, faltar!... / Pintai lindas aguarelas, / Vinde aqui, vinde pintar!...
Mas não vou escrever sobre o rio na sua totalidade, porque isso dava livro, tantas são as histórias e estórias que este caprichoso caudal de água tem. Ademais, sobre o Rio Neiva já existem duas obras: “O Rio Neiva – Monografia” (1978) e “Vale do Neiva – Subsídios Monográficos” (1982). Ambos contaram com o empenho entusiasta de Cândido Neiva de Oliveira Maciel, Natural de Durrães – Barcelos, tal como é referido na introdução da segunda obra. Ficar-me-ei por breves apontamentos na parte do rio que diz respeito ao Castelo do Neiva, que tão bem conheci e tão gratas recordações dele tenho.

Uma azenha do Rio Neiva em 1928. Foto de Aureliano Carneiro, publicada na revista “Ilustração Portuguesa”, Nº 72
As Azenhas
Todas foram do meu conhecimento, porque todas visitava e com praticamente todos os donos me relacionava, na minha condição de rapaz de travessuras, como era próprio naquela época, que só diferia de épocas vindouras pelos enquadramentos de cada tempo.
Fazer o percurso da foz até à ponte do Neiva em grupo de gente já espigada, não sendo regular, acontecia de vez em quando. Daí o conhecimento de cada azenha e de quem lá passava o tempo em moagem permanente. Mas entre as que se situavam no troço do rio em Castelo do Neiva (Santa Tecla, Sebastião, Palhurdo, Adriano e Caseiro, contando da foz para a nascente), as que mais gratas recordações me deixaram são a do Sebastião, Palhurdo e Adriano. A primeira, porque por lá passava com muita regularidade, em direção a Antas, onde vivia a minha avó paterna. Aquela ponte de pedra, mandada construir em 1930 pelo dono da azenha (data inscrita num pilar da ponte), foi calcorreada vezes sem conta por mim e os meus irmãos; a segunda porque foi onde apreendi a nadar; e a terceira porque a família que a explorava tinha comigo e com a gente da minha casa uma relação de forte empatia.

Azenha do Sebastião, também conhecida por Azenha do Minante. Foto PR4 – trilho das azenhas de Anta, município de Esposende
Na do Palhurdo, para onde também muitas castelenses se deslocavam para grandes lavagens da roupa de casa, consumi horas sem conta. O rio era a minha perdição. Ainda muito criança, nado já com estilo e aventuro-me pelo largo profundo. Mergulho a profundidades de 4 metros para apanhar objetos que os adultos atiram à água para testar a minha destreza. “Agora é que vamos ver quanto vale o ranhoso”, diziam os marmanjões. Eufórico e ofegante, surgia à tona da água e atirava as tralhas para a margem do rio, como autênticos troféus de caça. Aquilo suava a provocação e aquela turba, fora de si, procurava cada vez mais objetos que não fossem visíveis no fundo do rio e não deixavam sair ninguém da água enquanto os mesmos não fossem encontrados. Era assim que estava desaparecido tardes inteiras, para desespero dos de casa, que, apesar de tudo, não deixavam de mourejar no campo. Aparecia ao fim do dia junto deles, onde me era aplicada severa punição, para depois se prolongar a jorna, como castigo máximo para mim, mas que se estendia a todos.
Decorridos mais de 20 anos, acompanhado do Rui Alpuim, um amigo pintor, voltei ao Palhurdo, para que o Rui me pintasse a azenha e a sua envolvente de tão gratas recordações. Não podia ter sofrido maior desapontamento. Começou nos caminhos de acesso, que por falta de uso quase se tornaram intransitáveis, e acabou em toda a envolvente da azenha, com um forte matagal que tudo invadia. Todos os espaços onde brincava e de onde mergulhava a petizada quase tinham desaparecido. Isto sem esquecer a forte poluição de que sofria o rio resultante dos resíduos da fábrica de resina, situada junto à ponte do Neiva, que dá acesso a Antas e ao Porto. Bom, sumiu-se a ideia do quadro, que já nada apetecido era. Mas depois de tanto esforço, encomenda feita, lá se pintou. Apesar de bem conseguido, nunca o encarei bem. Transacionou-se mais tarde, mas hoje estou arrependido. Julgo que, na altura, compreendi mal a evolução do tempo e as transformações que este opera nas formas de viver e estar dos povos.

A azenha do Palhurdo, pintada por Rui Alpuim. A azenha da minha meninice e do meu desencanto quando adulto
As azenhas tinham vida intensa e os moleiros ganhavam para viver eles e a família. Normalmente, os donos tinham casa de lavoura e aproveitavam os carros de vacas para recolher os sacos de milho pela freguesia carreando-os até à azenha. Moído o milho, já sem a maquia a que o moleiro tinha direito, havia que devolver aos respetivos donos os sacos, mas agora com farinha. Este vai e vem socializava as gentes do Castelo. Os contactos eram intensos, as amizades estabeleciam-se e ninguém se queixava, mesmo quando parecia que o milho moído tinha rendido pouco.
Em tempos pensei em fazer um trabalho pormenorizado sobre estas azenhas que vinham da ponte à foz, quase todas propriedade de castelenses. Tinha em mente contar a história de cada uma: o seu nascimento, os donos, o seu funcionamento, particularmente no verão, com água aprisionada pelos açudes, os valores de moagem, etc. Mas o tempo não dá para tudo e, agora, muita desta informação está perdida, por falta de registos e morte das famílias. Pode ser que ainda não seja tarde, mas para alguém mais afoito.

Mais uma Azenha do Rio Neiva pintada por Rui Alpuim
POIS, O RIO ONDE APRENDI A NADAR
Quando as crónicas fazem uma travessia no tempo e nos levam até a um passado que nos deixou marcas, tudo se torna mais fácil. Por vezes, difícil é saber como parar, para não nos tornarmos maçadores, em relação a quem perde tempo a ler-nos.
O Rio Neiva do meu tempo de petiz não tinha só o encanto próprio da meninice. Tinha o encanto das azenhas, dos rios limpos, sem poluição das fábricas e da suinocultura, sem a conspurcação de detritos de toda a ordem, porque naquele tempo tudo se aproveitava e nem detritos havia, tantas e tão grandes eram as dificuldades de vivência dos portugueses.
Naquele tempo os rios estavam isentos de vegetação, porque havia guarda-rios, tal como havia cantoneiros. Infelizmente algumas coisas boas de outros tempos não foram aproveitadas e deviam-no ter sido. O progresso não se faz deitando fora o que de bom e prático havia, tal como não se deve "deitar fora o menino com a água do seu banho", como é usual dizer-se.
Bom mas eu não tenho saudades daquele tempo, porque a nostalgia não pode ser superior a realidades diferentes, em que o progresso tirou tanta e tanta gente da miséria endémica.
Dando cumprimento a um anseio antigo da população e da freguesia de Marinhas, o Município deu início à execução da 1.ª fase do Parque Temático dos Moinhos de Vento da Abelheira.

O projeto será executado faseadamente, sendo que numa primeira fase vai ser concretizada a recuperação de três moinhos de vento, que são propriedade do Município. A intervenção corresponde a um investimento de 153 500 euros, sendo financiada a 85% através da candidatura “Qualificação das Experiências de Turismo da Natureza no Minho - Redes de Visitação da Natureza”, integrada na Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE. A este investimento soma-se o valor de aquisição dos moinhos, que orçou 62 500 euros.
Pretende-se, assim, recuperar e colocar ao serviço da comunidade este conjunto de azenhas e moinhos de vento, classificado como de Interesse Municipal, transformando-o num parque temático ligado às energias renováveis e ao ciclo do pão. Nesta primeira fase serão intervencionados os moinhos de vento números "3", "6" e "7", mas o futuro parque temático abrange sete espaços expositivos, onde será apresentado todo o processo que envolve a sementeira e a recolha do grão, assim como os diversos processos necessários à sua preparação para a moagem. Aos moinhos estarão associados os temas da eletricidade; do ciclo do pão e da etnografia a ele associado; das questões ambientais do uso de energias; das respostas sensoriais que a cultura do cereal permite experimentar através do tato, olfato e visão, às questões sobre os cereais híbridos ou geneticamente modificados. Um dos espaços, distinto pelo aspeto arquitetónico vanguardista, abordará o futuro da energia.
Relativamente ao moinho "3", pretende-se fazer a recuperação funcional a partir dos vestígios remanescentes no local, recuperando toda a informação tecnológica e capitalizando os resultados na reconstituição fidedigna do moinho, por exemplo no que respeita a materiais, técnicas construtivas, volumes e soluções tecnológicas tradicionais. Nos outros dois moinhos, será executada uma recuperação parcial, garantindo emprego de técnicas não invasivas e consequentemente a preservação da integridade dos elementos existentes, salvaguardando-os, uma vez que se trada de Património Classificado ao nível concelhio.
Esta ação integra-se na estratégia de promoção turística do território concelhio, através da valorização e preservação do seu património material e imaterial, interligando-se também com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, assumidos para o programa de ação municipal.
Consciente da importância deste projeto, particularmente para Marinhas, mas de relevante interesse no contexto concelhio e até regional, o Município empenhou-se na sua concretização, pelo que, apesar de ainda não ser detentor da totalidade dos moinhos, resolveu avançar com a execução, de forma faseada.





Foto: Artur Pastor / Arquivo Municipal de Lisboa

Foto: Artur Pastor / Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa
Mais uma vez estamos a preparar os Moinhos Abertos!
Mais um ano em que esperamos uma grande participação e repetir o êxito da nossa atividade conjunta e em que pretendemos reeditar, pelo 14º ANO CONSECUTIVO a iniciativa Moinhos Abertos de Portugal.
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Em 2019 conseguimos em conjunto 353 moinhos abertos e mais de 30.000 visitantes.
O que é o “Dia dos Moinhos Abertos”?
O conceito desta atividade é extremamente simples:
Fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país!
Quem pode participar na organização?
Todos: Moinhos Abertos é uma iniciativa aberta e gratuita!
Esta é uma iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação com o único objetivo de chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos. Promovida desde 2007 pela Etnoideia esta iniciativa tem o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia sendo divulgada internacionalmente por todo o mundo.
Este dia, além de chamar a atenção para os moinhos tradicionais portugueses poderá também servir para identificar problemas e oportunidades, germinar projetos e ideias, ou mesmo para levar a cabo pequenas beneficiações (limpezas, pinturas, consertos de coberturas, etc.) com a participação de ativistas e visitantes que o pretendam, preservando os moinhos e criando dinâmicas em torno deles.
Por isso, apelamos à sua participação ativa, através do seu envolvimento pessoal e das organizações a que pertence ou com as quais se relaciona.
Como otimizar os seus impactos?
Você:
A organização:
Como participar na organização?
Esta participação é livre, espontânea e aberta a todos pelo que pode participar na organização das seguintes formas:
o Ficha de programação Excel com informações sobre os moinhos que vão estar abertos (ficha em anexo a preencher no ficheiro Excel com todos os moinhos, identificando um a um e enviando uma foto por cada moinho com o nome do moinho no nome do ficheiro. Esta ficha inclui todas as informações necessárias para a identificação dos moinhos e respetivo programa de atividades, organizadores, indicações úteis, etc).
IMPORTANTE: NÃO SERÃO ACEITES OUTROS FORMATOS OU INFORMAÇÕES NÃO CONSTANTES NA FICHA DADO QUE ISSO PROVOCA PROBLEMAS NA PAGINAÇÃO).
o Declaração de consentimento ao abrigo do RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados) depois de assinada e digitalizada. Um exemplar por cada indivíduo do qual constarem dados pessoais na ficha do moinho respetivo nos Moinhos Abertos 2020.
ATENÇÃO: POR IMPERATIVOS LEGAIS NÃO PODERÃO SER ACEITES INSCRIÇÕES DE MOINHOS QUE CONTENHAM DADOS PESSOAIS SEM A RESPETIVA AUTIRIZAÇÃO DO INDIVIDUO A QUE REFEREM. QUAISQUER DADOS PESSOAIS QUE CONSTEM DA FICHA DE PROGRAMAÇÃO EXCEL SEM DECLARAÇÃO DE CONSENTIMENTO ASSINADA SERÃO APAGADOS NA BROCHURA FINAL PODENDO PREJUDICAR O CONTACTO COM OS ORGANIZADORES.
Antecipadamente grato pela sua contribuição para esta nova iniciativa, apresento os melhores cumprimentos,
Jorge Miranda
Rede Portuguesa de Moinhos
Em Portugal, a maior parte dos moinhos de maré encontram-se localizados entre os rios Tejo e Sado, encontrando-se entre eles alguns musealizados como o de Corroios, no Seixal, e o do Montijo, identificado com a cruz da Ordem de Santiago. Não obstante, Viana do Castelo também possui o seu moinho de maré, localmente conhecido por “Azenhas de D. Prior”.
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Situado junto à Meadela, num ponto onde o ribeiro de S. Vicente desagua no rio Lima, destinava-se este moinho a produzir a farinha necessária ao abastecimento de pão à cidade. Nele encontra-se actualmente instalado o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Viana do Castelo (CMIA), de cujo site extraímos o seguinte resumo histórico:
“A história das Azenhas D. Prior
Azenhas de D. Prior é o nome pelo qual os vianenses conhecem o Moinho de Maré situado no limite da cidade com a freguesia da Meadela, onde o ribeiro de S. Vicente desagua no rio Lima.
A história deste moinho inicia-se em 1803, quando António Pereira Pinto Araújo, Abade de Lobrigos e Dom Prior da Colegiada de Barcelos - que veio a dar o nome às azenhas -, solicitou autorização à Câmara para “fazer todo seu” o terreno pantanoso, “por não ser útil a algum indivíduo” a fim de o drenar e tornar cultivável e assim “assegurar a pública felicidade a todos os viventes desta vila”.
No entanto esse seu primeiro intento depressa desapareceu e logo em 1809 há referências à existência deste moinho movido pela força da maré, que aparece referenciado na Carta Cadastral da Cidade de Vianna do Castello de 1868, onde se pode ver a existência de 4 mós.
Não é possível ter certezas, uma vez que a documentação falta, mas é provável que nos finais do século XIX, o industrial francês Jules Deveze tenha comprado as azenhas aos seus anteriores proprietários. Terá sido ele quem lhe introduziu enormes melhoramentos, transformando-o num mecanismo pré industrial.Para isso, substituiu todo o maquinismo que seria de madeira, por outro de metal com um sistema de rodas dentadas e de desmultiplicação do movimento, a que terá anexado uma serração de madeira, movida pela mesma fonte de energia.
Com o Programa Polis, as Azenhas de D. Prior retomam uma nova fase da sua vida, não com intuitos saudosistas, mas, muito pelo contrário, integrando o novo Parque da Cidade, com o objectivo de mostrar aos mais novos como é possível e desejável o aproveitamento de uma fonte de energia não poluente, gratuita e inesgotável.”
Como a sua própria denominação, um moinho de maré é movido pela força da maré, aproveitando o desnível das marés nos estuários dos rios. Dispondo de uma caldeira que se enche de água com a subida da maré, através de uma porta de água (adufa), fechando-se de seguida até à descida das águas que correm sob as arcadas onde se encontram os rodízios que fazem mover as moendas que constituem pares de mós.
Foto: CMIA Viana do Castelo
A cada dois anos o país dos moinhos junta-se num encontro para partilhar e publicar conhecimento, ideias e projetos, num ambiente informal e construtivo que envolve uma grande diversidade de participantes e instituições, autarquias, museus, associações, empresários, empreendedores económicos e sociais, agentes culturais e ativistas que, no conjunto, realizam a importante obra de salvaguarda e valorização do património molinológico português, um dos mais relevantes do mundo.
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Desta vez, realiza-se a 9 e 10 de Novembro próximo, na cidade do Montijo, o V Encontro Nacional de Molinologia, relativamente ao qual remetemos o respetivo cartaz, programa e boletim de inscrição.
Deste modo vimos pelo presente meio convidar à participação no encontro e à apresentação de uma comunicação nas sessões de comunicações versando a tecnologia tradicional, os engenhos, o saber e o saber fazer dos moinhos, os moleiros e as dimensões imateriais, históricas e etnotecnológicas dos moinhos portugueses.
Numa outra vertente do encontro, da parte da tarde, convidamos ainda os interessados para a participação no Workshop “Já – Viveiro de projetos” onde promotores públicos, privados e indivíduos com ideias de projetos de recuperação e viabilização de moinhos poderão conhecer as oportunidades de mercado, financiamento e tendências atuais de forma desenvolver melhor o seu projeto através da interação e partilha com outros promotores.
Os interessados poderão ainda participar na visita de dia 10, que se inicia nos diversos moinhos do Montijo e segue até final do dia pelos moinhos do Oeste.
Participe, contamos consigo e com a sua experiência para continuarmos, juntos, a promover os moinhos de Portugal.
Jorge Miranda
Rede Portuguesa de Moinhos
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