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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A BRIGADA DO MINHO NA FLANDRES

A imagem mostra a capa de um exemplar do livro “A Brigada do Minho na Flandres: o 9 de Abril. Relatório da Batalha e sua Documentação”, da autoria do Coronel Eugénio Mardel, atualmente pertencente atualmente à Biblioteca do Exército.

O livro foi publicado em 1923 pelo Ministério da Guerra e impresso nos Serviços Gráficos do Exército.

O RELATÓRIO “A BRIGADA DO MINHO NA FLANDRES” DO CORONEL CARLOS MARDEL INSPIRA O ESCRITOR JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS NA CRIAÇÃO DO ROMANCE “A FILHA DO CAPITÃO”

O relatório “A Brigada do Minho na Flandres”, da autoria do Coronel Eugénio Mardel, constitui uma das principais fontes na qual o escritor e jornalista José Rodrigues dos Santos se baseou para produzir o seu romance ”A filha do Capitão”. Publicamos seguidamente uma sinopse do referido romance.

A história de uma grande paixão em tempo de guerra. Quem sabe se a vida do capitão Afonso Brandão teria sido totalmente diferente se, naquela noite fria e húmida de 1917, não se tivesse apaixonado por uma bela francesa de olhos verdes e palavras meigas. O oficial do exército português estava nas trincheiras da Flandres, em plena carnificina da Primeira Guerra Mundial, quando viu o seu amor testado pela mais dura das provas. Em segredo, o Alto Comando alemão preparava um ataque decisivo, uma ofensiva tão devastadora que lhe permitiria vencer a guerra num só golpe, e tencionava quebrar a linha de defesa dos aliados num pequeno sector do vale do Lys. O sítio onde estavam os portugueses. O Capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível. Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva para derrotar os aliados e ganhar a guerra, e escolheu o vale do Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, estava o Corpo Expedicionário Português.

A BRIGADA DO MINHO NA "ILUSTRAÇÃO PORTUGUEZA"

A Briga do Minho! Ninguém, que o conheça, fala hoje d’esse galhardo núcleo de tropas portuguezas, que se não sinta estremecer à evocação das famosas legiões d’outros tempos, que no mais aceso da ação tinham o que quer que fosse de aparições lendarias, ás quaes só estava reservado o extremo glorioso de vencerem ou morrerem.

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Porque morrer não é ser vencido, como também o acentuou há quinze dias n’estas mesmas paginas esse valente e ilustre cabo de guerra, o General Gomes da Costa, descrevendo a celebre batalha de Lys, e prestando também homenagem á Brigada do Minho. Nem um só dos seus oficiaes e dos seus soldados vacilou quando viu tudo perdido. O inimigo não deitou mão a nenhum, que já não estivesse inutilizado, pelas feridas ou pelos gazes, para se defender. Os que ele não levou e que conseguiram tornar a ver os seus camaradas da retaguarda e as suas famílias, é porque, estendidos no campo, os julgaram mortos ou incapazes de resistirem á perda ou á intoxicação de sangue.

Mas o que é a Brigada do Minho? perguntará o leitor possuído sem dúvida do maior interesse.

Eis a sua história singela contada por um dos seus oficiaes mais distintos:

“Em abril e maio de 1917 tinha sido organizado no C.E.P. o 5º regimento de infantaria, constituído pelos batalhões do 3, 8 e 29. Porque estas tres unidades recrutavam no Minho, e porque o batalhão do 20 tinha a mesma proveniencia, o coronel Adolfo Almeida Barbosa, comandante do regimento e depois investido do comando da 4ª brigada d’infantaria, conseguiu que este ultimo batalhão fosse integrado na brigada, que, desde então, ficou conhecida pela “Do Minho”.

Todos os batalhões da brigada tirocinaram junto de unidades inglesas e todos foram louvados, especialmente o 29, que suportou um violento ataque inimigo em 23 e 24 de agosto, tendo feito alguns prisioneiros.

Conhecida em Portugal a ação das tropas do Minho, foi-lhes oferecida uma bandeira pelas senhoras d’aquela província, e especialmente bordada pela filha do coronel Barbosa e pela esposa do capitão do 3, Luiz Gonzaga do Carmo Pereira Ribeiro, hoje desaparecido em combate.

Muitos mezes passaram e varias praxes burocraticas foi preciso vencer, para que a bandeira chegasse a França e fosse entrega á Brigada, então guarnecendo o sector de Fauquissart (Laventie), onde estava ainda no memoravel combate de 9 de abril, na batalha de Lys.

Faltava a consagração oficial, e, para isso, em 28 de maio ultimo, formaram as tropas restantes da Brigada e as disponíveis da 2ª Divisão, que prestaram todas as honras á heroica bandeira, que foi coberta de flores pelas senhoras da Cruz Vermelha.

Fonte: Ilustração Portugueza, nº 650, de 5 de agosto de 1918

OS SOLDADOS MELGACENSES NA BRIGADA DO MINHO

Homenagem aos melgacenses caídos em combate na Flandres (1917 e 1918)

Para que nunca esqueçamos, deixo uma referência aos mortos em combate, oriundos do concelho de Melgaço, durante a 1ª Guerra Mundial. Uma boa parte deles pertencia à chamada Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do C.E.P. - Corpo Expedicionário Português). Esta Brigada teve um papel muito ativo na batalha de La Lys (9 de Abril de 1918) onde foi dizimada pela ofensiva alemã apesar de ter aguentado durante 24 horas.

Bandeira da "Brigda do Minho"

Para o leitor ter uma ideia do heroísmo desta Brigada do Minho, deixo aqui uma nota para o desequilíbrio quanto ao número de soldados entre portugueses e alemães neste setor. No dia anterior, os alemães alteram o seu dispositivo militar. Colocam quatro divisões com quase 50 mil homens, reforçadas nesse dia com mais 30 mil soldados. Os portugueses são só 20 mil.

A 4ª Brigada de Infantaria (Brigada do Minho) que desde 7 de Fevereiro do ano de 1918 guarnecia e tinha a seu cargo a responsabilidade do sector de "Fauquissart" (França), tendo a cooperar com ela tacticamente o 6º Grupo de Metralhadoras Pesadas e as 4ªs baterias de morteiros médios e morteiros pesados, tinha as suas forças distribuídas no referido sector no dia 8 de Abril da seguinte forma:

- Batalhão Infantaria 20: com sede do comando em Temple-Bar, ocupava o S.S.1. (Fauquissart I) com 3 companhias na 1ª linha e uma em apoio;

- Batalhão Infantaria 8: com a sede do comando em Hyde-Park, ocupava o S.S.2. (Fauquissart II) com 3 companhias em 1ª linha e uma em apoio;

- Batalhão Infantaria 29: com sede do comando em Red-House, constituia o apoio dos batalhões em primeira linha, tendo as suas companhias distribuídas pelos postos de apoio da 2ª linha;

- Batalhão Infantaria 3: com sede do comando em "Laventie" constituia a Reserva tendo todas as companhias acantonadas nesta posição;

- Morteiros médios e pesados, 4ª B.M.L., grupo de metralhadoras pesadas, achavam-se distribuídos pelas respectivas dos dois sub-sectores.

A 4ª Brigada de Infantaria ligava-se no seu flanco direito com a 6ª Brigada de Infantaria e no flanco esquerdo com uma Brigada Escocesa (119ª Brigada da 40ª Divisão Britânica) que havia dias ocupava o sector de "Fleurbaix", vinda da ofensiva do "Somme" de 21 de Março. O efectivo da brigada do Minho achava-se extremamente reduzido, pois em principio de Abril faltavam-lhe em pessoal e animal, para o seu completo, aproximadamente 51 oficiais, 1300 praças e 85 solípedes, o que era devido não só ás baixas que dia a dia a brigada vinha sofrendo nas operações com o inimigo nas ainda ao rigor do clima a que os Portugueses não estavam habituados e ao violentos e árduos trabalhos que sem descanso eram exigidos ás tropas da Brigada, desde que seguiu da zona da retaguarda para a frente em 21 de Julho de 1917, primeiro para instrução em 1ª linha por enquadramento sucessivo de companhias, e depois de batalhões sem e com responsabilidade, nos sectores ocupados por tropas inglesas desde "Fleurbaix" a "Armentiére" e em "Beuvry" depois nas reparações do sector "Neuv-Chapelle", ocupado pela 2ª Brigada, durante o período intensivo de instrução no mês de Agosto e parte de Setembro de 1917.»

Desde 7 de Fevereiro a Brigada do Minho ocupa o sector de "Fauquissart", onde rendeu a 6ª Brigada de Infantaria, ficando neste até ao dia 9 de Abril em que se deu a ofensiva alemã contra a frente Portuguesa.

Durante todo este período de tempo, comportaram-se as tropas da Brigada sempre de molde a merecer o elogio e louvor das instâncias superiores, quer Portuguesas quer Inglesas, repelindo com energia todos os "raids" e ataques inimigos e tendo evidenciado sempre uma alto espírito ofensivo. No entanto as poucas horas de descanso, o tardar da rendição e os fortes e constantes ataques do inimigo levou a um evidente cansaço e fadiga física das tropas.

9 de Abril

«Foi sem dúvida na esquerda da linha, no sector de Fouquissart, guarnecido pela Brigada do Minho, que mais incarniçada foi a luta. Ao mesmo tempo que, na batalha, morreram 22officiaes das tropas d'este sector, sendo 15 de Infantaria, 4 de metralhadoras, 2 de morteiros e 1 d'artilharia (...)»  (1)

«Tendo um efectivo reduzidíssimo e ocupando uma área de entrincheiramentos excessivamente grande, sem abrigos suficientes para pessoal, quer pelo seu restrito número, quer pela sua resistência, sob a acção do mais terrível e mortífero fogo de metralha, vomitado por centenas e centenas de canhões e morteiros, a Brigada sacrificou-se no seu pôsto de honra, segundo as ordens recebidas.» (2)

«No lado esquerdo da 1ª linha portuguesa, guarnecido pela "Brigada do Minho", a luta foi mais violenta e, por isso, com maior numero de baixas: os alemães atacaram o lado esquerdo da "Brigada do Minho", zona fronteiriça com uma Brigada Inglesa, aproveitando as dificuldades de ligação e de comunicação aliada, inerentes a uma zona de junção de Brigadas de nacionalidades diferentes.

Os actos heróicos de resistência foram múltiplos na Brigada portuguesa que assistiu á morte e ao aprisionamento dos seus camaradas, num ritmo altamente destruidor e desmoralizador. Graças aos Minhotos, os alemães não cumpriram o seu objectivo: romper a linha aliada, através dos portugueses para atravessar o rio Lys.

Segundo António Rosas Leitão, a Infantaria 20 (originária de Guimarães), a Infantaria 8 (originária de Braga) e a Infantaria 3 (originária de Viana do Castelo) sofreram 60% das baixas, entre mortos, feridos e prisioneiros, dos seus efectivos, justificando a atribuição, após o final da I Guerra Mundial, de medalhas de valor militar e cruzes de guerra quer às unidades da "Brigada do Minho" quer individualmente.»

IV Brigada, o Minho em nós confia

Seu nome honrado entrega em nossas mãos

E seu nome, que soou, de sempre, a valentia

Aos quatro batalhões, - unidos como irmãos

Tudo a mesma Família - há-de servir de guia

............................................................................

Canção da «Brigada do Minho»

França - Julho de 1917.

“Brigada do Minho” em Ambleteuse, 1918

MELGACENSES CAÍDOS EM COMBATE NA 1ª GUERRA MUNDIAL EM FRANÇA

António Alberto Dias, soldado da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 17 de Janeiro de 1892 na Verdelha, lugar da freguesia de São Salvador de Paderne, filho de José Bernardino Dias e de Maria do Carmo Alves; casado e morador na freguesia de São Paio de Melgaço; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria (Brigada do Minho); falecido em combate a 9 de Outubro de 1917.

Raul Gomes, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 27 de Agosto de 1894 no Queirão, lugar da freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Manuel Joaquim Gomes e de Luciana Rosa Rodrigues; solteiro e morador em Paderne; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho; falecido em combate a 9 de Outubro de 1917.

José Maria da Cunha, soldado da 1.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 11 de Março de 1893 na Portela, lugar da freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Aníbal dos Anjos da Cunha e de Felisbela Cândida Alves; casado e morador em Melgaço; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho; falecido em combate a 22 de Novembro de 1917.

Tito Arsénio Alves Gonçalves, segundo-sargento do 2.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 11; nascido a 5 de Junho de 1895 na Bouça Nova, lugar da freguesia de São Lourenço do Prado, filho de Manuel Luís Gonçalves e de Albina Rosa Alves; solteiro e morador no Prado; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Fevereiro de 1917; falecido em combate a 5 de Dezembro de 1917.

António José Lourenço, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 27 de Abril de 1892 no Louridal, lugar da freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Augusto Cândido Lourenço e de Ana Marinho; solteiro e morador em Chaviães; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho; falecido em combate a 12 de Março de 1918.

João José Pires, soldado da 2.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 28 de Abril de 1893 no Outeiro, lugar da freguesia de Santa Maria de Paços, filho de José Joaquim Pires e de Alexandrina Pires; solteiro e morador em Paços; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho; falecido em combate a 9 de Abril de 1918.

José Narciso Pinto, soldado da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 3 de Março de 1893 na Igreja, lugar da freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Manuel António Pinto e de Cândida Maria Alves; casado e morador em Chaviães; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho; falecido em combate a 9 de Abril de 1918.

António José Cardoso Ferreira Pinto da Cunha, segundo-sargento do Regimento de Obuses de Campanha; nascido a 28 de Julho de 1892 na Rua Direita, vila e freguesia Santa Maria da Porta de Melgaço, filho de António José Ferreira Pinto da Cunha e de Carlota Amália Cardoso; solteiro e morador na vila de Arcos de Valdevez; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Agosto de 1917, onde pertenceu ao 6.º Grupo de Baterias de Metralhadoras; falecido em combate a 9 de Abril de 1918.

José Cerqueira Afonso, soldado da 4.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 3; nascido a 14 de Março de 1892 nas Fontes, lugar da freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Inácio José Afonso e de Maria Cerqueira; casado e morador em Paderne; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho; falecido em combate a 9 de Abril de 1918.

Simplício de Lima, soldado do 1.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 4; nascido a 18 de Junho de 1893 em Paranhão, lugar da freguesia de Santiago de Penso, filho de Maria Teresa de Lima; solteiro e morador no Penso; embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 26 de Maio de 1917; falecido vítima de ferimentos em combate a 18 de Dezembro de 1918.

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Unidade do Corpo Expedicionário Português em coluna de marcha.

Informações recolhidas de:

1. General Fernando Tamagnini, "Os meus três comandos", Isabel Pestana Marques, Memórias do General 1915-1919

2.Eugénio Carlos Mardel Ferreira, Tenente-Coronel, 2º Comandante da 4ª Brigada de Infantaria

Memórias do General 1915-1919, Marques, Isabel Pestana, SACRE Fundação Mariana Seixas

Das Trincheiras, com Saudade, Marques, Isabel Pestana, A Esfera dos Livros

A Brigada do Minho na Flandres, Mardel, Eugénio, o 9 de Abril.

Listagem de baixas recolhida em http://historia-dos-tempos.blogspot.pt/2009/05/brigada-do-minho.html

Fonte: Valter Alves / http://entreominhoeaserra.blogspot.pt/

A BRIGADA DO MINHO NA GRANDE GUERRA

O Tenente-coronel Henrique Pires Monteiro proferiu no dia 3 de maio de 1922, no Teatro Sá da Bandeira, em Viana do Castelo, um discurso subordinado ao tema “A Brigada do Minho na Grande Guerra”.

Conforme é referido na capa, “O produto líquido reverte para a Subscrição nacional dos Padrões da Grande Guerra, Consagração do Esforço Nacional da Nação portuguesa e Glorificação dos nossos Mortos”.

A imagem mostra um exemplar do discurso, impresso na Tipografia Militar, em 1922, pertencente atualmente à Biblioteca do Exército.

NOS INTERVALOS DA GUERRA, MINHOTOS CANTAM E DANÇAM O VIRA NAS TRINCHEIRAS DA FLANDRES

As imagens registam momentos breves de distração ocorridos nos intervalos dos confrontos durante a primeira grande guerra, retirados das primeiras linhas de combate nos campos entrincheirados da Flandres ou em trânsito para os antigos territórios ultramarinos a fim de garantir a soberania portuguesa.

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Sem alegria a vida não faz o menor sentido para o minhoto. No trabalho da lavoura ou em dia de romaria, quando a colheita é abundante ou mesmo quando o pão escasseia na mesa, é com Fé e um sorriso largo no rosto que enfrenta os bons e maus momentos da vida e os supera, por vezes sabe Deus com que dificuldades.

Uma vez chamado a cumprir o seu dever – aquele que os políticos ditaram como sendo do interesse nacional! – o minhoto troca a enxada pela espingarda que leva ao ombro ou à bandoleira e, juntamente com ela, a concertina, o bombo e o cavaquinho. É que, nas breves pausas ocorridas entre os combates, o espírito jovial do minhoto constitui um tónico a levantar o moral dos soldados, fazendo-os reviver a alegria das romarias da sua aldeia, lembrando-os da família e das namoradas que ansiosamente os aguardam e despertando em todos que os rodeiam uma enorme vontade de lutar e vencer para poderem, enfim, regressar.

Fotos: Liga dos Combatentes

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JOSÉ JOAQUIM MACHADO GUIMARÃES: UM VIMARANENSE QUE FOI MÉDICO MILITAR, PRISIONEIRO DE GUERRA E SOBREVIVENTE DA BATALHA DE LA LYS

José Joaquim Machado Guimarães Júnior nasceu a 17 de Fevereiro de 1890 no lugar da Igreja, freguesia de Ronfe, Guimarães, descendente de uma família com antiga tradição na área dos têxteis do vale do Ave. Contudo, a sua vocação era a Medicina. Tendo ido estudar para o Porto, quando se licenciou na Escola Médico-cirúgica do Porto o país já estava envolvido na conflagração europeia. José Joaquim decidiu então alistar-se como voluntário no exército. Foi integrado no 3º Grupo da Companhia de Saúde, cujos elementos provinham da região do Porto, fazendo parte do Serviço Médico do Corpo Expedicionário Português, enviado para terras de França, a combater na Frente Ocidental. Embarcou a 15 de Fevereiro de 1917 rumo a Brest. Em França ficou adstrito ao Batalhão de Infantaria nº 15 e foi promovido a Tenente-médico miliciano em 24 de Setembro do mesmo ano.

Como nos relata seu neto, Nuno Borges de Araújo, a família recordava-se da passagem deste médico pela frente de batalha portuguesa, onde tratou de feridos e doentes. Não obstante, consta que, em horas de pausa, pegava na sua arma e fazia bom uso da mesma. Numa das ocasiões em que tal efectuou, terá ido para a torre de uma igreja semi-arruinada com uma metralhadora, e desse ponto favorável terá morto muitos alemães, não deixando que os mesmos passassem em direcção à linha portuguesa.

José Joaquim era médico mas era também soldado, lutador, que não podia ver os seus compatriotas em perigo. Da sua folha ou de outros registos não fazem parte menções directas a estas refregas em que se terá envolvido, até porque tal não faria parte da sua competência na frente e nem deveria ser autorizado a tal, como refere seu neto. Assim mesmo, foi louvado em 24 de Outubro de 1917 pelo cumprimento das suas funções e por «serviços que não são da sua profissão», mas que não são descriminados no boletim de alterações nº 5 ou na sua ficha. Pode vir este boletim e a passagem respectiva na sua folha, corroborar a versão do combatente? Não conseguimos precisar com exactidão, mas poderão apontar para tal. Permanecendo a dúvida, na memória familiar perduram igualmente estes episódios, que ele mencionaria e que ficaram registados nas mentes dos que com ele conviveram nos anos posteriores à guerra.

José Joaquim esteve na batalha de La Lys. Foi primeiramente dado como desaparecido e depois soube-se do seu cativeiro, tendo sido feito prisioneiro em La Couture, a 9 de Abril de 1918. Segundo foi contado a seu neto, e assim, segundo o que o próprio tenente-médico relatou aos seus familiares, quando se viu aprisionado desfez-se logo dos seus galões e de qualquer tipo de identificação que levassem os alemães a julga-lo oficial. Possivelmente poderá te-lo feito para evitar interrogatórios ou uma eventual execução. Era prisioneiro. Nunca se sabia o que poderia acontecer. José Joaquim poderá ter pensado ser esta a melhor forma de evitar que se soubesse a sua patente.

Neste caso, igualmente interessante é a sua presença numa coluna de prisioneiros portugueses, visionada num postal germânico quando se procuravam dados sobre o combatente. Naquele, o tenente-médico surge à cabeça da coluna, mas a sua roupa não apresenta distintivos alguns. Nada demonstra que se trata de um oficial médico e confundir-se-ia com os demais, a massa anónima de prisioneiros ingleses e portugueses fotografada, não fosse o facto da sua fisionomia ser inconfundivel e automaticamente identificável, no topo da coluna, entre os primeiros a caminhar, e totalmente similar a outros retratos que aqui apresentamos. Contudo, o postal em questão não pode ser aqui utilizado, pois encontrava-se na internet, numa página de um leiloeiro, pronto a ser arrematado. E assim foi, no final do ano de 2013, sendo actualmente desconhecido o seu paradeiro. Assim mesmo, pensamos corroborar o incidente relatado de que teria removido da sua roupa tudo o que o pudesse identificar como oficial.

José Joaquim referia ter estado em dois campos de prisioneiros alemães. Como havia pouca comida, trocava as agulhas que trouxera por ovos, para se alimentar um pouco melhor. Assim mesmo referia ter perdido 30 quilos. As condições eram deploráveis, tendo sempre referido que chegou a lavar a roupa em charcos, para poder manter algumas condições de asseio.

Terminada a Guerra, com o Armistício, regressou ao C.E.P a 16 de Janeiro de 1919, vindo da Holanda, como tantos outros prisioneiros que, aos poucos, foram enviados da Alemanha para a França e depois para Portugal. Passou alguns dias em Paris e partiu rumo a Lisboa bordo do navio inglês Hellenus. Desembarca na capital portuguesa a 29 de Janeiro de 1919. Vinha debilitado, refere Nuno Borges de Araújo. Como resultado dos gaseamentos no Front, a que foi sujeito durante o conflito, e em particular no 9 de Abril, ficou com a voz alterada, tudo por causa das inalações gasosas.

Foi condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª classe porque mostrou grande coragem, valor e zelo durante o combate de 9 de Abril de 1918. Como o seu registo militar referencia, acompanhou espontaneamente, sob um intenso bombardeamento, uma companhia que se dirigia para um posto a ocupar, fazendo pensos aos feridos durante todo o trajecto que efectuou. Teve a Medalha da Vitória, a Medalha de prata comemorativa das campanhas do Exército Português com a legenda “França 1914-1918”, foi agraciado com a Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito «por ter prestado com a maior dedicação e zelo serviços da sua especialidade debaixo de fogo inimigo por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, sendo aprisionado no mesmo dia em Lacouture no posto de socorros onde estava pensando feridos, serviço que nesse dia lhe não pertencia e para o que se ofereceu».

Agraciado e louvado pelas suas atitudes decididas e suas boas práticas, pela lealdade aos combatentes, pelo voluntarismo, pelo bom trabalho, pela instrução de maqueiros, pelo percurso impoluto e pela coragem, ironicamente recusaria pagar para obter mais do que o papel que lhe concedia o mérito de ser condecorado pela Ordem de Torre e Espada, visto que, como dizia, se lhe tinham atribuído a mesma, uma vez ganha lhe devia ser dada e não paga.

Nunca deixou a medicina, sendo promovido a Capitão-médico a 23 de Novembro de 1921 e deixando o serviço no exército apenas em 1941.

Conta-se que, nos turbulentos anos de 1926 apoiou o movimento do General Gomes da Costa, sendo referido pelo seu filho que teria sido seu guarda-costas. Outra história transmitida pelo seu filho foi que quando Gomes da Costa o enviou a inspeccionar alguns quartéis, para identificar a oposição ao movimento, em Chaves, ele colocou o revolver em cima da mesa do comandante do respectivo quartel, dando-lhe a escolher entre aquele ou a rendição.

Nuno Borges de Araújo refere que o tenente-médico José Joaquim Machado Guimarães Júnior continuou a exercer a profissão de médico nas Caldas das Taipas, na região envolvente e no quartel de Braga, onde fazia as inspecções militares, primeiro no antigo Convento do Pópulo (Praça Conde de Agrolongo, vulgo Campo da Vinha) e depois nas instalações militares da rua de Camões. Tendo chegado a Capitão – médico, não mais conseguiu progredir na carreira militar. Segundo seu filho, tal sucedia por ser monárquico. De acordo com outra versão, devido a uma agressão que sofrera e da qual se defendera, acabou por ver acabada a carreira, pelo que decidiu deixar o exército.

Nos últimos anos da sua vida, já viúvo da sua 2.ª mulher, viveu a maior parte do tempo na sua Quinta de S. Miguel, em S. Clemente de Sande (Guimarães). Vítima de um derrame cerebral que lhe roubou a saúde e lhe deixou apenas uns dias de vida, faleceu a 14 de Novembro de 1952. Deixou um filho do primeiro casamento com Maria Ludovina dos Prazeres Monteiro Borges de Araújo, que era José Borges de Araújo Machado Guimarães, falecido em 2005 e relator de muitas histórias a seu filho, o qual nos deu acesso ao espólio paterno e às memórias desses tempos longínquos e conturbados de guerra, onde portugueses combatera, médicos salvaram vidas, e muitos foram desprovidos da sua dignidade e liberdade, retornando à pátria marcados por uma guerra como nenhuma outra fora vivida até então.

O seu espólio fotográfico e documental, assim como a farda e acessórios diversos, soberbamente conservados, continuam, ainda hoje, na posse da família e chegam até nós pela mão de seu neto, ecoando o passado e contando-nos um pouco da sua história.

Fonte: http://www.portugal1914.org/

PINTOR ADRIANO DE SOUSA LOPES RETRATOU A “BRIGADA DO MINHO” NA FLANDRES

A imagem reproduz o quadro “A Brigada do Minho na “Ferme du Bois”, do pintor Adriano de Sousa Lopes, atualmente no Centro de Arte Moderna da Fundação Caloust Gulbenkian.

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Adriano de Sousa Lopes foi um pintor e desenhador português que participou na Primeira Grande Guerra como oficial encarregado de retratar através da pintura os momentos mais relevantes dos combates travados pelas tropas portuguesas. Nasceu em Leiria, na Freguesia de Pousos, tendo desde muito cedo revelado talento para o desenho e a pintura. Encorajado por Afonso Lopes Vieira e outros beneméritos da cidade de Leiria, vem para Lisboa estudar na Academia de Belas Artes que frequenta a partir de 1898, sendo aluno de Veloso Salgado (pintura) e Luciano Freire (desenho).

JOSÉ MACHADO: O SOLDADO DE CELORICO DE BASTO QUE FICOU FISICAMENTE INCAPACITADO NA FLANDRES

José Machado, um lavrador nascido em 8 de Abril de 1895 na freguesia de Codeçoso, município de Celorico de Basto, alistou-se no Exército em 13 de Maio de 1916, tendo sido incorporado no Regimento de Infantaria 20.

Como soldado do 4º Batalhão, 3ª Companhia, embarcou em Lisboa rumo à Flandres no dia 23 de Maio de 1917. Em Agosto desse ano é punido com 10 dias de detenção por “ter faltado aos trabalhos”, segundo o seu boletim individual do Corpo Expedicionário Português. No mês seguinte, é ferido e evacuado para o hospital.

A neta, Aida Gomes, desconhece a gravidade dos ferimentos e em que circunstâncias estes ocorreram, mas segundo algumas filhas do soldado José Machado, este terá ficado três anos numa quinta em França a recuperar.

Regressa a Portugal em 1919, tendo desembarcado em Lisboa no dia 5 de Março. Voltou à sua terra natal, onde casou e teve 10 filhos. Baixou do serviço militar por incapacidade física a 16 de Janeiro de 1922. Recebeu uma medalha de mérito militar.

Fonte: http://www.portugal1914.org/

ADOLFO ALMEIDA BARBOSA: UM BRACARENSE NAS TRINCHEIRAS DA PRIMEIRA GRANDE GUERRA

Adolfo Almeida Barbosa foi incorporado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917 e assumiu interinamente o comando da 2ª Divisão que compreendia as tropas da 1ª Divisão, até à chegada do general Simas Machado. Nasceu a 20 de Setembro de 1857 na freguesia da Torre, Braga. Era filho de João de Almeida Barbosa e de Ana Teresa da Silva. A 20 de Outubro de 1880 foi incorporado como praça no Regimento de Infantaria n.º 8, onde prestou serviço como 1º sargento graduado em aspirante-a-oficial até 9 de Janeiro de 1884, altura em que foi graduado em alferes. A 30 de Outubro de 1885 concluiu o curso de Infantaria e foi promovido a alferes com colocação no Regimento de Infantaria n.º 21. Em Janeiro de 1886 era colocado no Regimento de Infantaria n.º 19.

De Maio a Dezembro do mesmo ano desempenhou a função de professor do 2º Ano do Curso da Classe de Sargentos. No ano de 1887 passaria pelo Regimento de Infantaria n.º 10 e deste ao Regimento de Infantaria n.º 8. Promovido a tenente, no dia 19 de Setembro de 1889, foi colocado no Regimento de Infantaria n.º 19. Dois anos depois marcharia para o Regimento de Infantaria n.º 20. Neste, de 9 de Novembro de 1893 a 11 de Janeiro de 1894 e depois de 10 de Maio a 18 de Setembro de 1885 desempenhou o cargo de diretor da Escola Regimental.

A 19 de Novembro de 1897 ascendeu ao posto de capitão e foi colocado no Regimento de Infantaria n.º 12 seguido no mês seguinte para o Regimento n.º 8. Entre Outubro de 1898 e Agosto de 1900 voltou, de novo, a exercer o cargo de diretor da Escola Regimental da sua Unidade. A 8 de Setembro foi mobilizado para a província de Moçambique, tendo desembarcado em Lourenço Marques no dia 13 de Outubro e regressado ao Reino a 20 de Novembro de 1901. A 28 de Junho de 1909, já no posto de major, serviu nos Regimentos de Infantaria n.º 10 e n.º 8. Promovido a tenente-coronel a 31 de Agosto de 1912 serviu nos Regimentos de Infantaria de Reserva n.º 24 e n.º 31 até 24 de Janeiro de 1914. A 16 de Janeiro de 1915 foi promovido a coronel e em Julho foi colocado no Regimento de Infantaria n.º 3.

Grande defensor da República, esteve sempre do lado dos republicanos e combateu as insurreições monárquicas comandadas por Paiva Couceiro que pretendia restaurar a monarquia em Portugal. A 22 de Abril de 1917 foi incorporado no Corpo Expedicionário Português e uma vez desembarcado em França assumiu, interinamente durante um longo período, o comando da 2ª Divisão que compreendia as tropas da 1ª Divisão até à chegada do general Simas Machado; comando que exerceu “com comprovada competência, inteligência e muito zelo, fazendo sentir beneficamente a sua acção disciplinadora nos subordinados, dando-lhes por vezes, em circunstâncias bastante críticas, exemplos de coragem e abnegação”.

Ainda, em França, depois de ter passado o comando da 2ª Divisão ao general Simas Machado, comandou a 4º Brigada de Infantaria e com ela participou em diversas acções militares que lhe valeria a distinção da Most distinguished Order of St. Michael and St. George. A 3 de Novembro de 1918 regressou a Portugal e no mês seguinte assumiu o comando interino da 6ª Divisão de Infantaria. A 15 de Fevereiro de 1919 passou a desempenhar o cargo de Inspetor de Infantaria da mesma unidade e em Abril seguinte passou ao Quadro de Reserva. Em Junho de 1926 foi promovido a general e em Setembro do ano seguinte passou à situação de reforma.

Ao longo da sua carreira militar recebeu diversas distinções sendo de relevar a Cruz de Guerra de 1ª classe na Campanha da França em 1917. Morreu no Porto a 26 de Agosto de 1928.

Fonte: http://www.portugal1914.org/

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL COMEÇOU HÁ CEM ANOS: OS MINHOTOS DA “BRIGADA DO MINHO” FORAM MÁRTIRES E HERÓIS NA FLANDRES!

Comemora-se este ano o centenário da Primeira Guerra Mundial. Faz no próximo dia 28 de julho que as grandes potências europeias se envolveram num conflito que custou mais de 9 milhões de mortos em combate e 22 milhões de incapacitados e feridos graves, para além da fome, miséria e doença causada às populações civis de ambos os lados do conflito.

De um lado a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e a Itália. Do outro, a França, o Reino Unido e o Império Russo. Em Portugal, após uma posição inicial de defesa dos territórios ultramarinos das intromissões alemãs, o governo da República viria em 1917 a decidir-se pelo envio de tropas portuguesas para o teatro de guerra europeu, tendo o Corpo Expedicionário Português (CEP) atingido perto de 200 mil mobilizados.

Com destino ao campo de batalha foi constituída a 4ª Brigada do Corpo Expedicionário Português, a célebre “Brigada do Minho” que, no dia 9 de abril de 1918, haveria de bater-se de forma heroica pela defesa das suas posições, acabando impiedosamente massacrada com um elevado número de mortos.

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IV Brigada, o Minho em nós confia

Seu nome honrado entrega em nossas mãos

E seu nome, que soou, de sempre, a valentia

Aos quatro batalhões, - unidos como irmãos

Tudo a mesma Família - há-de servir de guia

Canção da «Brigada do Minho»

França - Julho de 1917

“A 4ª Brigada de Infantaria que desde 7 de Fevereiro do corrente ano de 1918 guarnecia e tinha a seu cargo a responsabilidade do sector de “Fauquissart”, tendo a cooperar com ela tacticamente o 6º Grupo de Metralhadoras Pesadas e as 4ªs baterias de morteiros médios e morteiros pesados, tinha as suas forças distribuídas no referido sector no dia 8 de Abril da seguinte forma:

Batalhão Infantaria 20: com sede do comando em Temple-Bar, ocupava o S.S.1. (Fauquissart I) com 3 companhias na 1ª linha e uma em apoio.

Batalhão Infantaria 8: com a sede do comando em Hyde-Park, ocupava o S.S.2. (Fauquissart II) com 3 companhias em 1ª linha e uma em apoio.

Batalhão Infantaria 29: com sede do comando em Red-House, constituía o apoio dos batalhões em primeira linha, tendo as suas companhias distribuídas pelos postos de apoio da 2ª linha.

Batalhão Infantaria 3: com sede do comando em “Laventie” constituía a Reserva tendo todas as companhias acantonadas nesta posição.

Morteiros médios e pesados, 4ª B.M.L., grupo de metralhadoras pesadas, achavam-se distribuídos pelas respectivas dos dois sub-sectores.

A 4ª Brigada de Infantaria ligava-se no seu flanco direito com a 6ª Brigada de Infantaria e no flanco esquerdo com uma Brigada Escocesa (119ª Brigada da 40ª Divisão Britânica) que havia dias ocupava o sector de "Fleurbaix", vinda da ofensiva do "Somme" de 21 de Março.

O efectivo da brigada achava-se extremamente reduzido, pois em principio de Abril faltavam-lhe em pessoal e animal, para o seu completo, aproximadamente 51 oficiais, 1300 praças e 85 solípedes, o que era devido não só ás baixas que dia a dia a brigada vinha sofrendo nas operações com o inimigo nas ainda ao rigor do clima a que os Portugueses não estavam habituados e ao violentos e árduos trabalhos que sem descanso eram exigidos ás tropas da Brigada, desde que seguiu da zona da retaguarda para a frente em 21 de Julho de 1917, primeiro para instrução em 1ª linha por enquadramento sucessivo de companhias, e depois de batalhões sem e com responsabilidade, nos sectores ocupados por tropas inglesas desde "Fleurbaix" a "Armentiére" e em "Beuvry" depois nas reparações do sector "Neuv-Chapelle", ocupado pela 2ª Brigada, durante o período intensivo de instrução no mês de Agosto e parte de Setembro de 1917; mais tarde na ocupação do sector de “Ferme du Bois” desde o dia 23 de Setembro, emq eu se rendeu a primeira B.I. até 30 de Dezembro porque foi rendida pela 2ª B.I., vindo, então, constituir a reserva da 2ª Divisão, e, logo em seguida além da instrução, empregada para o enterramento do cabo, e execução de urgentes reparações dos postos da linha das aldeias, do corpo, e ocupação efectiva de alguns dos mesmos, que eram batidos com insistência pelo inimigo e finalmente na ocupação do sector de “Fauquissart”, desde 7 de Fevereiro, em que rendeu a 6ª B.I., até ao dia 9 de Abril em que se deu a ofensiva alemã contra a frente portuguesa

Durante todo este período de tempo, em que decorreu de 21 de Julho de 1917 a 9 de Abril de 1918, comportaram-se as tropas da Brigada sempre de molde a merecer o elogio e louvor das instâncias superiores, quer Portuguesas quer Inglesas, repelindo com energia todos os "raids" e ataques inimigos e tendo evidenciado sempre uma alto espírito ofensivo, sempre que se encontrava em 1ª linha. É uma prova flagrante o enorme dispêndio de munições de metralhadoras, e de muitos morteiros especialmente em permanência no sector de “Ferme du Bois”, em que chegou a atingir o extraordinário consumo de 1352 projécteis de morteiros ligeiros no prazo de 24 horas, como deve constar dos mapas estatísticos existentes no C.E.P.

Não obstante a impecável disciplina e boa vontade sempre manifestada pelas tropas das unidades da Brigada no cumprimento dos seus deveres, era bem evidente o cansaço e a fadiga física das tropas, especialmente nos últimos tempos e, já, na ocupação do sector de “Fauquissart”, resultante do progressivo acréscimo de actividade de operações de bombardeamentos por parte do inimigo, especialmente de bombardeamentos a todo o momento, que demoliam quási por completo as trincheiras, impedindo a continuidade e regularidade das operações e aumentando o já de si duro, extremamente fatigante, trabalho das tropas da Brigada, sendo cada vez maiores as faltas no pessoal em virtude das baixas e dos doentes por fadiga, evacuados para os hospitais e, não sendo as mesmas preenchidas, resultava com o decréscimo dos efectivos num excessivo trabalho para os restantes, a acrescentar ao que já lhes competia”.

- Relatório da 4ª Brigada de Infantaria (do Minho). Corpo Expedicionário Português – 2ª Divisão

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