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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS DISTINGUIDO NA COMUNIDADE PORTUGUESA DE MONTREAL (CANADÁ)

No âmbito dos Prémios Corte-Real 2022, uma iniciativa organizada pelo jornal LusoPresse, um relevante meio de comunicação social da comunidade portuguesa em Montreal, a segunda maior cidade do Canadá e a primeira da região de Quebeque, o historiador Daniel Bastos, colaborador regular da imprensa de língua portuguesa no mundo, foi distinguido no decurso do mês de março com o Prémio Corte-Real Reconhecimento.

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Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, e atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Daniel Bastos foi distinguido em conjunto com o economista Carlos Leitão, até há pouco tempo ministro das Finanças do Quebeque, e de Duarte Miranda, ex-vice-presidente Internacional do Banco Royal do Canadá, pelo trabalho que tem desenvolvido em prol da diáspora lusa e vertido nas páginas do jornal luso-canadiano.

Refira-se que o Prémio Corte-Real com três categorias distintas, Louvor, Carreira e Reconhecimento, foi criado em 2016 de forma premiar o mérito comunitário de elementos distintivos de entre toda a comunidade portuguesa do Quebeque.

Estima-se que atualmente vivam no Canadá mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo.

A HOMENAGEM DA COMUNIDADE LUSO-CANADIANA AO COMENDADOR MANUEL DaCOSTA

  • Crónica de Daniel Bastos

No passado dia 5 de novembro, o Centro Cultural Português de Mississauga (PCCM), uma representativa agremiação lusa na província do Ontário, no Canadá, promoveu a Gala Community Spirit Award, um importante momento de justíssima homenagem ao Comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto.

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Sessão de homenagem ao Comendador Manuel DaCosta no decurso da Gala Community Spirit Award promovida pelo PCCM

Empresário multifacetado, com uma trajetória marcada pelo mérito e pela inovação, premissas que estão na base das insígnias do grau de comendador que lhe foram atribuídas pelas autoridades portuguesas, Manuel DaCosta, natural de Castelo do Neiva, concelho de Viana do Castelo, dirige presentemente uma das mais importantes empresas de comunicação social luso-canadianas, designadamente, a MDC Media Group.

O sucesso que tem alcançado ao longo das últimas décadas no mundo dos negócios, tem sido constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos emblemáticos da comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no segundo maior país em área do mundo.

Entre outras iniciativas, é fautor do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano. Assim como, dGaleria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Sempre longe dos holofotes mediáticos, o empresário e filantropo “Cidadão de Honra de Viana do Castelo” tem sido dinamizador e patrocinador de várias atividades, e projetos de cariz sociocultural e solidário. Como o que promete vir a ser um dos mais relevantes da comunidade luso-canadiana, mormente a Magellen Community Charities, uma organização sem fins lucrativos que pretende inaugurar em 2025 um centro orçado em vários milhões de dólares, capaz de acolher mais de duas centenas de idosos, especialmente direcionado para a comunidade portuguesa.

Nesse sentido, a justa e merecida homenagem na Gala Community Spirit Award ao Comendador Manuel DaCosta, cujo percurso de vida relembra-nos a máxima do escritor António Lobo Antunes “é preciso viver, viver como homem comum entre homens comuns. Só um homem comum pode fazer grandes coisas”, além de abarcar um dever de gratidão e de reconhecimento por tudo quanto o mesmo tem feito de forma devotada e desprendida em prol da comunidade luso-canadiana. É ainda um exemplo inspirador e um agradecimento coletivo a todos os compatriotas espalhados pela diversa geografia da diáspora, que afincadamente demonstram como a solidariedade remanesce uma marca genética das comunidades portuguesas.

GALERIA DOS PIONEIROS PORTUGUESES: UM ESPAÇO DE MEMÓRIA DA EMIGRAÇÃO LUSA NO CANADÁ

  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada em 2003 pelos emigrantes lusos José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel DaCosta, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

1- Daniel Bastos

Conquanto a presença regular de portugueses neste território da América do Norte remonte ao início do séc. XVI, a emigração lusa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes portugueses.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade lusa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel DaCosta, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel DaCosta, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente galardoa portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades lusas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro.

BRAGA RECEBE DELEGAÇÃO CANADIANA PARA DELINEAR ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO URBANO SUSTENTÁVEL

Visita integrada no programa IURC da União Europeia na América do Norte

Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, recebeu esta Terça-feira, dia 20 de Setembro, os delegados da cidade canadiana de St. John's, que esta semana estão de visita a Braga, no âmbito do programa de Cooperação Regional Urbana e Internacional (IURC) da União Europeia na América do Norte. O IURC é o maior programa de cooperação entre cidades de todo o mundo e uma rede internacional de referência para a inovação urbana e o desenvolvimento urbano sustentável.

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Braga e St. John's encetaram um diálogo profícuo com vista a criar parcerias baseadas num vasto conjunto de boas práticas, identificando modelos inovadores para alcançar os seus objectivos. Estas entidades começaram a cooperar em Setembro de 2021, participando em várias convocatórias técnicas do IURC. Nesta visita foram abordadas áreas estruturais da governação como a mobilidade urbana e transportes sustentáveis; turismo e cultura com a incorporação dos sectores na economia circular; educação; emprego e eficiência energética.

“Nos últimos anos, juntamente com o Eixo Atlântico, temos realizado um trabalho de prospecção junto de diversas cidades e organizações internacionais na procura de oportunidades de inovação para os vários domínios da actuação municipal. Através desta cooperação internacional, estamos a trabalhar em conjunto para encontrar soluções comuns e desenvolver estratégias para um desenvolvimento urbano integrado e sustentável”, referiu Ricardo Rio.

Em Junho passado, uma delegação de Braga e do Eixo Atlântico visitaram a cidade canadiana iniciando dessa forma o processo de cooperação que se vai estender até Dezembro de 2023, para desenvolver um Plano de Acção de Cooperação Urbana, que inclui acções e projectos-piloto capazes de criar impacto na sociedade.

Nesta visita a Braga, a delegação canadiana esteve também reunida com representantes do Eixo Atlântico e do Governo Português onde abordaram questões energéticas e demográficas, visitaram o projecto Baterias 2030, um plano nacional que investe em formas alternativas de gestão de energia. Trata-se de uma parceria público-privada que envolve universidades, municípios e empresas para responder de uma forma integrada e estruturada aos desafios da descarbonização e da integração de energias renováveis. Em Braga, esta delegação visitou ainda a AGERE – Empresa de Águas, Efluentes e Resíduos de Braga para conhecer a estratégia de Bio resíduos

O programa IURC da União Europeia para a América do Norte estabelece parcerias entre cidades europeias e cidades canadianas e americanas para facilitar a troca de conhecimentos através de ferramentas online e apoio presencial, tais como visitas de estudo, participação em eventos temáticos e em rede, e desenvolvimento de competências. O programa é financiado ao abrigo do Instrumento de Parceria da UE e beneficia do apoio estratégico da Direcção-Geral de Política Regional e Urbana da Comissão Europeia.

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COMUNIDADE PORTUGUESA NO CANADÁ: MEMÓRIA E CELEBRAÇÃO DAS SUAS RAÍZES

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das mais relevantes comunidades lusas na América do Norte, que se destaca pela dinâmica da sua atividade associativa, económica e sociopolítica, as raízes da comunidade portuguesa no Canadá remontam ao início da década de 1950.

Embora a presença regular de portugueses neste território da América do Norte fosse uma realidade desde o alvorecer do séc. XVI, foi somente nos primórdios dos anos 50 que se consubstanciaram as relações diplomáticas entre as duas nações. Como relembra Lisa Rice Madan, Embaixadora do Canadá em Portugal, num artigo de opinião publicado no princípio deste ano no jornal Público, intitulado Canadá-Portugal: 70 anos de relações diplomáticas e muita mais de amizade, em 8 de dezembro de 1951, o Rei George VII, “na qualidade de chefe de Estado do Canadá, escreveu ao Presidente da República de Portugal anunciando a decisão de acreditar para Portugal, o nosso fiel e bem-amado William Ferdinand Alphonse Turgeon, como enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Canadá em Portugal. Um mês mais tarde, o Canadá concedeu o agrément à nomeação do dr. Luís Esteves Fernandez, embaixador e Portugal nos Estados Unidos, para ministro de Portugal para o Canadá. As legações, como então eram chamadas, foram abertas oficialmente a 18 de Janeiro de 1952”.

Ainda nesse ano, em 12 de abril, Gonçalo Caldeira Coelho tomaria posse como Encarregado de Negócios e assumiu a gerência da legação, ou seja da embaixada. Dois anos depois, Portugal e o Canadá, procurando estreitar as relações económicas, assinaram um Acordo Comercial que revogou e substituiu o Acordo com o mesmo objeto que vigorava entre os dois países desde 1 de outubro de 1928.

É no contexto das relações estabelecidas entre os dois países, que em 1953, ao abrigo de um Acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, que transportados pelo Saturnia, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, os primeiros emigrantes portugueses.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir deste legado histórico que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos beneméritos na preservação da cultura portuguesa, na linha da máxima lapidar de Marcus Garvey: “um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”-, perpétua em Toronto a memória dos primeiros emigrantes portugueses no Canadá.

Foi a partir deste legado histórico, que um pouco por todas as comunidades portuguesas disseminadas pelo imenso território canadiano, foi celebrado em 2003, com profundo simbolismo e sentimento de pertença, exposto em inúmeras atividades e eventos, o 50.º aniversário da emigração portuguesa para o Canadá.

Será seguramente a partir deste legado histórico, que sensivelmente dentro de um ano, num contexto pós-pandémico, e não obstante assinalarem-se hodiernamente 70 anos de relações diplomáticas luso-canadianas, que será celebrado com reiterado simbolismo e sentimento de pertença, manifesto em vindouras atividades e eventos, o septuagésimo aniversário da chegada da primeira vaga de emigrantes portugueses ao Canadá

Um aniversário que fortalecerá, concomitantemente, os laços dos emigrantes luso-canadianos à língua e cultura materna, mas também à pátria de acolhimento, até porque como reiteradamente tem destacado Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, as sucessivas vagas de emigrantes portugueses têm contribuído desde a década de 1950 para “a construção do Canadá moderno”. Nas palavras do mesmo, em 2018, durante a visita oficial do primeiro-ministro António Costa ao Canadá: “A cultura portuguesa está presente nas nossas vilas e cidades de diversas formas, com valores tradicionais de família, trabalho árduo e paixão pelo futebol. Os luso-canadianos são a chave da explicação do Canadá de hoje”.

MAGELLAN COMMUNITY CENTRE: UM PROJETO EMBLEMÁTICO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

Dentro dos desafios e problemáticas que as sociedades enfrentam na atualidade, o envelhecimento populacional assume uma cada vez maior premência, dadas as suas implicações coletivas e multidimensionais, como é o caso, do mercado laboral, da proteção social, das estruturas familiares ou dos laços intergeracionais.

Como apontam as Nações Unidas, o número de idosos, com 60 anos ou mais, deve duplicar até 2050 e mais do que triplicar até 2100, passando de 962 milhões em 2017 para 2,1 mil milhões em 2050 e 3,1 mil milhões em 2100. Se o envelhecimento populacional é um fenómeno mundial, na Europa assume maiores proporções, até porque, hoje em dia, o velho continente tem a maior percentagem da população com 60 anos ou mais (25%).

No quadro do inverno demográfico mundial e europeu, a sociedade portuguesa é uma das mais afetadas, apontando mesmo o Instituto Nacional de Estatística (INE) que quase metade da população portuguesa terá mais de 65 anos dentro de meio século. Este cenário de envelhecimento da população que reside no território nacional, também é visível no seio das comunidades lusas, em particular, nos países com maior e mais antiga tradição de emigração portuguesa.

Segundo o estudo sociológico, A emigração portuguesa no século XXI, a percentagem dos idosos entre os emigrantes lusos aumentou, por exemplo, no Canadá 11 pontos percentuais, passando de 17% para 28%, entre 2001 e 2011, e nos EUA aumentou sete pontos percentuais, de 16% para 23%. Crescimento elevado da percentagem dos idosos é ainda observável entre os emigrantes portugueses em França, destino europeu mais antigo. Essa percentagem duplicou, passando de 8% para 16% entre 2002 e 2011”.

É neste contexto de populações nacionais emigradas mais envelhecidas, que ganha especial relevância a iniciativa que está a ser dinamizada nos últimos anos na comunidade portuguesa em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil compatriotas e lusodescendentes presentes no Canadá. Designadamente, o projeto de construção a breve prazo de um centro, o Magellan Community Centre, orçado em vários milhões de dólares, capaz de acolher mais de 200 idosos, especialmente direcionado para a comunidade lusa.

Este projeto, há muito ambicionado pelos emigrantes lusos na maior cidade canadiana, está a ser dinamizado pela Magellen Community Charities (Instituição de Caridade Comunitária Magalhães). Uma organização sem fins lucrativos, em homenagem ao navegador português, que através da colaboração do poder politico e da solidariedade da comunidade luso-canadiana, pretende construir um lar culturalmente específico que terá que cumprir as seguintes condições: profissionais de saúde que falem português; atividades cultural e espiritualmente desenvolvidas em ambiente cultural sensível; promoção de programas sociais e recreativos em português e alimentação que deve incluir pratos tradicionais.

Numa época de galopante envelhecimento da população, e em que os efeitos da pandemia têm acarretado graves consequências socioeconómicas, a construção de uma “casa” para os mais velhos da comunidade luso-canadiana, demonstra desde logo que o espírito de solidariedade e entreajuda ainda é uma das principais marcas da diáspora, em particular, da comunidade portuguesa em Toronto.

Estando, nesta fase, em processo de angariação de fundos, desdobrando-se os seus vários diretores em contactos e apelos para que a comunidade luso-canadiana, cada um dentro das suas possibilidades, possa contribuir para que o projeto se torne a breve trecho uma realidade. Como realçou, aquando da apresentação pública do mesmo, o empresário benemérito e diretor da Magellan Community Charities, Manuel DaCosta, é “importante estarmos todos envolvidos, se não vamos perder uma oportunidade que não termos num futuro próximo. Estamos empenhados para que tenha sucesso e para que toda a comunidade se envolva. Não é só para nós (direção), mas para toda a comunidade”.

Na linha de pensamento do Comendador Manuel DaCosta, este emblemático projeto da comunidade e para a comunidade portuguesa em Toronto, e quiçá um modelo de inspiração e de boas práticas para outras áreas geográficas da diáspora lusa, reaviva-nos a afirmação notável de Fernando Pessoa, um dos mais importantes poetas da língua portuguesa “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.

A ARTE PÚBLICA E A REPRESENTAÇÃO IDENTITÁRIA DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos, temos assistido ao nível do espaço urbano nacional a uma cada vez maior interação entre arte e cidade, contexto que no âmbito da promoção de uma cidadania ativa e de uma gestão socialmente consciente do espaço público, tem impulsionado vários artistas a desenvolver uma série de obras, como por exemplo murais, em parceria com as comunidades locais.  

A arte pública, liberta dos códigos mais formais e específicos dos museus e galerias, tem feito também o seu caminho no seio da geografia da diáspora lusa. Assumindo mesmo, na linha preconizada pela socióloga Ágata Dourado Sequeira, um “papel de destaque na construção de um espaço público consciente da sua história, presente e futuro, e sobretudo dos cidadãos que o constroem simbolicamente”.

É o caso da comunidade portuguesa em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, que nas últimas décadas tem dinamizado uma série de intervenções artísticas no espaço público, visando através da sua representação identitária aproximar-se ainda mais da cidade e dar-se a conhecer melhor à comunidade canadiana em geral.

Ainda no mês passado, foi inaugurado no “Little Portugal” de Toronto, um mural do artista português Alexandre Farto, conhecido por Vhils, cuja inspiração centra-se na história do movimento feminino Cleaners Action, da década de 1970, liderado por trabalhadoras portuguesas. Como foi o caso de Idalina Azevedo, uma das líderes da greve conhecida por ‘Wildcat’, nas Torres TD, em Toronto, em 1974, que viabilizou alguns direitos para as empregadas de limpeza.

Além deste projeto da iniciativa da vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto, a luso-canadiana Ana Bailão, da Associação Comercial do Little Portugal na Dundas, presidida por Anabela Taborda, e da Embaixada de Portugal no Canadá, o bairro português alberga desde o início de outubro, um galo de Barcelos gigante, um dos mais conhecidos símbolos da cultura popular lusa. Com quase três metros, e inserido no ano da arte pública promovido pela autarquia de Toronto, o mais icónico símbolo de Portugal é simultaneamente uma homenagem à comunidade luso-canadiana, e uma forma de revitalizar a Business Improvement Area (BIA), procurando assim atrair os consumidores ao pequeno comércio.

A zona entre as ruas Bathurst e Dufferin, conhecida desde os anos 70 como “Little Portugal”, tem sido pela sua ligação umbilical à comunidade luso-canadiana, alvo de várias manifestações culturais no campo de ação da arte urbana. Há sensivelmente um ano, o coração urbano da comunidade portuguesa em Toronto, foi palco da inauguração de um mural com mais de seis metros de altura, dedicado à fadista Amália Rodrigues, figura maior da cultura portuguesa do século XX, e referência e símbolo da portugalidade.

Criado no âmbito do projeto do empresário de Montreal, Herman Alves, que tem como objetivo criar uma aldeia global virtual colocando 25 murais em pontos centrais da diáspora portuguesa no mundo, este imponente mural junta-se a um outro instalado em Mississauga. Na mesma esteira, a Camões Square em Toronto, que tem desempenhado nas últimas décadas um papel notável na exaltação da portugalidade no centro da cidade, acolhe um enorme mural que retrata o ensino da língua portuguesa e o primeiro barco que levou emigrantes portugueses para o Canadá, o Saturnia.

É neste espaço simbólico, que se encontra o Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente, por ação do empresário e filantropo Manuel DaCosta, laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, assim como, a fonte dos pioneiros portugueses, um mural de azulejos e um pequeno jardim. Ainda neste entrecho, refira-se que desde 2003, foi instalado na estação de metro Queen’s Park em Toronto, um painel de azulejos, fabricado em Lisboa, da autoria de Ana Vilela, que aborda a exploração portuguesa no Novo Mundo.

Estes exemplos de intervenções artísticas no espaço urbano de Toronto, e outros que se encontram ou possam vir a ser projetados, assumem-se claramente como uma importante mais-valia cultural e identitária da comunidade luso-canadiana, uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas na América do Norte.

CANADÁ: REVISTA “AMAR” DESTACA COMUNIDADE BARCELENSE EM TORONTO

A revista Amar acaba de conferir especial destaque à Associação Migrante de Barcelos Community Centre on Toronto pela passagem do seu 23º Aniversário.

Trata-se de uma revista mensal de distribuição gratuita na comunidade lusófona no Canadá com uma presença mensal na Comunidade Lusófona.

Este projeto pretende ganhar o seu espaço como revista de referência entre os “nossos”, sendo um meio informativo, educativo e de entretenimento sobre os mais variadíssimos temas de interesse para a Comunidade, mas também de diálogo e comunhão da diversidade, onde além da atualidade quotidiana, pretende igualmente dar conta dos assuntos e realidade não tão óbvios e muitas vezes condenados à invisibilidade por falta de agenda, conhecimento ou recursos dos seus protagonistas. Pretende também ser uma ferramenta de apoio aos empreendedores lusófonos a residir no Canadá, divulgando e apoiando os seu projetos e, acima de tudo, ser um elo de ligação entre toda a comunidade lusófona.

A Revista Amar é uma empresa subsidiária dos grupos Cyber Planet Inc. e MDC Media Group. Por seu turno a Associacao Migrante de Barcelos de Toronto, Ontário, é uma entidade constituída pela comunidade barcelense que promove a cultura portuguesa através do nosso folclore tradicional, comida e eventos sociais.

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MANUEL CARVALHO: UM OLHAR ATENTO SOBRE A COMUNIDADE PORTUGUESA DE MONTREAL

  • Crónica de Daniel Bastos

O Canadá, uma nação que abrange grande parte da América do Norte e se estende desde o oceano Atlântico, a leste, até o oceano Pacífico, a oeste, alberga uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas, que se destaca hodiernamente pela sua diversa atividade associativa, económica e sociopolítica.

Estima-se que atualmente vivam no Canadá mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

Em Montreal, a segunda maior cidade do Canadá e a primeira da região de Quebeque, onde o número total de portugueses e lusodescendentes deverá ser superior a 60.000 pessoas, ao longo das últimas décadas, o escritor Manuel Carvalho tem mantido um olhar atento sobre a realidade da comunidade luso-canadiana nesta região marcada historicamente pela tradição e cultura francesa.

Manuel Carvalho nasceu em 1946, em Cicouro, um povoado situado no extremo norte do concelho de Miranda do Douro, confinante com território espanhol. Depois de viver grande parte da juventude nos Outeiros da Gândara dos Olivais, nos arredores de Leiria, período em que se iniciou nas letras através da imprensa local, participou na Guerra do Ultramar em Angola, tendo emigrado para Montreal no alvorecer dos anos 80, onde exerceu a função de designer industrial.

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Manuel Carvalho, profícuo escritor luso-canadiano

Desde então, promoveu entre 1983 e 1985, os Jogos Florais Luso-Canadianos, e foi responsável em Montreal pela organização de bibliotecas, concursos, coletâneas literárias e festas culturais direcionadas para a comunidade portuguesa. Com uma vasta colaboração literária espalhada por diversos jornais e revistas no seio das comunidades portuguesas este genuíno cultor das artes e letras é coordenador da revista online “Satúrnia – Letras e Estudos Luso-Canadianos” onde tem divulgado dezenas de autores.

No decurso deste ano, Manuel Carvalho lançou o seu mais recente trabalho, o livro Horizontes, com chancela da Escritório Editora e capa da pintora Maria João Sousa (Majão), também ela emigrante no Canadá. O livro, que é dedicado aos portugueses de Montreal, reúne várias crónicas que o escritor mirandês tem ao longo dos últimos anos escrito nas páginas da imprensa luso-canadiana, e que espelham singularmente a mundividência da comunidade lusa em Montreal.

Na esteira de Onésimo Teotónio Almeida, professor catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University, nos Estados Unidos, que assina o prefácio da obra: “Há décadas que venho lendo com prazer a escrita de Manuel Carvalho. Narrativas curtas, incisivas, feita de traços fortes e certeiros que, numa penada, economicamente desenham personagens e situações, esboçam cenas vivas, prenhes de humanidade, colocando o leitor por dentro de momentos fortes da experiência emigrante portuguesa no Canadá francês – mais precisamente Montreal - mas que poderiam se de qualquer canto da diáspora portuguesa – Newark, Paris, Dusseldorf, Londres, Johannesburg ou Sydney. Tudo narrado num português tão puro como o melhor tinto do Douro”.

VIANA DO CASTELO: “GIL EANNES – O ANJO DO MAR” – UM LIVRO DE JOÃO DAVID BATEL MARQUES EDITADO PELA FUNDAÇÃO GIL EANNES

“Gil Eannes – O Anjo do Mar” é a mais recente obra do escritor João David Batel Marques, o mesmo autor da coleção “A Pesca do Bacalhau”. Trata-se de uma edição bilingue – em Português e Inglês – com excelente apresentação gráfica e profusamente ilustrada, que transporta o leitor a uma época cuja missão do navio consistia em prestar apoio à frota bacalhoeira nos mares da Terra Nova e Gronelândia.

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Qual “Anjo do Mar”, com os costados de branco vestidos, o navio Gil Eannes irrompia por entre as brumas, como um ano emergindo das águas gélidas, acudindo aos pescadores nas horas mais difíceis e temidas.

O Navio-Hospital Gil Eannes foi construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo em 1955. Navegou em muitos mares cumprindo as mais variadas missões. E, quando o seu destino já parecia traçado, eis que os vianenses se uniram e resgataram ao seus destino inglório de ser transformado num monte de sucata. E, em Janeiro de 1998, o navio regressou à cidade onde foi construído – Viana do Castelo!

José Maria Costa – Presidente da Fundação Gil Eannes – descreve com satisfação o acolhimento do navio Gil Eannes: “Em Viana do Castelo, temos o privilégio de acolher, na nossa antiga doca comercial, um navio que representa uma parte importante da história da nossa cidade e até do nosso país”.

O navio Gil Eannes tornou-se entretanto um importante pólo museológico, exemplar único de um navio hospital onde, por vezes através de delicadas intervenções cirúrgicas, foi possível salvar numerosas vidas de quem, na faina do mar, ousava enfrentar as situações mais perigosas para garantir um dos alimentos que durante muitas décadas foram o principal sustento do povo português.

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VIANA DO CASTELO NO FÓRUM DE ECONOMIA URBANA - URBAN ECONOMY FORUM 2021 NO CANADÁ

O Presidente da Camara Municipal, José Maria Costa, foi convidado para o 3º Fórum de Economia Urbana (UEF 2021), que se realizará a 4, 5, e 6 de outubro, por ocasião do Dia Mundial do Habitat. Viana do Castelo assume-se assim como parceiro próximo do Fórum de Economia Urbana, adquirindo uma filiação honorária por um período de um ano.

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O UEF 2021 é organizado em colaboração com a UN-Habitat e co-organizado pela Cidade de Brampton, Canadá, e será o maior fórum de sempre, com cerca de 250 oradores, incluindo 12 Ministros, 40 Presidentes de Câmara e líderes de cidades de todo mundo e numerosos líderes académicos e do sector privado.

A UEF é uma organização global sem fins lucrativos que tem como principal intuito apoiar a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, com especial enfoque no ODS 11: tornar as cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

A UEF avança na realização deste objetivo ao fazer avançar o discurso global e a ação sobre economia urbana sustentável, recursos urbanos, e gestão urbana.