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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ASSOCIAÇÃO DAS CASAS REGIONAIS DE LISBOA - HISTÓRIA E PROJETOS

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A ACRL foi constituída, por escritura notarial celebrada em 2007-11-26, cujos estatutos privilegiam a congregação de esforços das várias casas regionais sediadas em Lisboa, no maior conhecimento e interação entre si e na realização de objectivos e metas comuns na divulgação das raízes de Portugal (cultura regionalista).

A ACRL conta com as seguintes associadas: Liga de Amigos de Valença, Casa Cerveirense, Casa do Concelho de Arcos de Valdevez, Casa do Concelho de Ponte de Lima, Casa Courense, Casa do Concelho de Cinfães, Casa do Concelho de Castro Daire, Casa do Concelho de Aguiar da Beira, Casa das Beiras, Casa do Concelho de Tondela, Casa do Concelho de Gouveia, Casa da Covilhã, Casa dos Tabuenses, Casa da Comarca de Arganil,. Casa do Concelho de Góis, Casa do Concelho de Penacova, Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra, Casa do Concelho de Alvaiázere, Casa do Concelho de Castanheira de Pêra, Casa Regional de Ferreira do Zêzere, Casa do Concelho de Tomar, Casa do Concelho de Sardoal, Casa da Comarca da Sertã, Casa de Arronches.

Desde a sua constituição a ACRL já concretizou em colaboração com a C.M.Lisboa, a EGEAC e as Juntas de Freguesia correspondentes, de entre outros, os seguintes eventos de maior dimensão e envolvência:

  1. Dois fins de semana da ACRL na Praça da Figueira (Maio de 2009 e Outubro de 2014, com o apoio da C. M. Lisboa, da EGEAC eou da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior;;
  2. Um fim de Semana da ACRL no Rossio (Maio de 2010), com os mesmos apoios
  3. Três Feiras das Casas Regionais, na Rua Augusta, em Maio de 2012 e de 2013 e em Dezembro de 2012;
  4. Quatro Festas das Colectividades e das Casas Regionais, na Alameda D. Afonso Henriques, junto à Fonte Luminosa, em parceria com a ACCL e a FCDL e o apoio das Juntas de Freguesia do Areeiro, de Arroios e da Penha de França, bem como da C. M. Lisboa;
  5. 1 Colóquio com os Municípios de origem e as Casas Regionais, em 2011, em Telheiras, com o apoio da C. M. Lisboa;
  6. Várias visitas regionalistas aos concelhos das suas associadas, em visitas oficiais, com a colaboração dos Municípios locais, algumas já de forma repetida (Arcos de Valdevez, Ferreira do Zêzere, Tondela e Penacova), outras por uma única vez (Valença, Vila Nova de Cerveira, Ponte de Lima, Tábua, Arganil,Pampilhosa da Serra, Alvaiázere, Castanheira de Pêra, Tomar:;
  7. Dez encontros artísticos da ACRL, na Freguesia de Marvila, no Salão de Festas do Vale Fundão, com actuação em palco de colectividades ligadas às suas associadas;
  8. Inúmeras participações nos aniversários das associadas, por vezes, nos seus concelhos de origem;
  9. Três visitas temáticas ao interior do país (Alqueva e Alentejo, Alto Douro Vinhateiro e Aldeias Históricas):

Das realizações feitas têm sido feitas publicações em texto e em fotos e vídeos dando conhecimento aos que não puderam deslocar-se do conhecimento adquirido pelos participantes.

Proximamente, no fim de semana de 24, 25 e 26 de Maio realizar-se-á a V Festa das Colectividades e das Casas Regionais, na Fonte Luminosa, em Lisboa, e no fim de semana de 27, 28 e 29 de Junho, realizar-se-á  a I Festa da Cereja e dos Enchidos na Freguesia de São Domingos de Benfica, junto ao Centro Comercial Fonte Nova. A ACRL e as casas regionais lá estarão.

A ACRL procura divulgar, quanto possa, as raízes e as tradições de Portugal. Os regionalistas e as casas regionais poderão ajudá-la a conseguir um maior sucesso, numa cidade cosmopolita como Lisboa, em que raízes e tradições de todo o mundo se tentam destacar.

Um texto de António Pais de Almeida, da Casa dos Tabuenses, na Direcção da ACRL em exercício de funções.

V FESTA DAS COLECTIVIDADES E DAS CASAS REGIONAIS NA ALAMEDA D. AFONSO HENRIQUES (FONTE LUMINOSA)

Fim-de-semana de 24, 25 e 26 de Maio de 2019

Numa organização conjunta da ACCL (Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa, da ACRL (Associação das Casas Regionais em Lisboa) e da FCDL (Federação das Colectividades do Distrito de Lisboa), com o apoio das Juntas de Freguesia do Areeiro, de Arroios e da Penha de França, bem como da Câmara Municipal de Lisboa, prepara-se mais um fim-de-semana de grande actividade associativa.

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A iniciativa decorre com duas vertentes fundamentais:

Ø apresentações artísticas em palco, durante cerca de 20 horas:

Ø espaços de convívio em torno de tasquinhas/barraquinhas de várias associações culturais, recreativas de índole regional, promovendo as suas origens, durante cerca de 30 horas.

As apresentações artísticas em palco terão o seguinte programa:

v Sexta-feira à noite, dia 23, das 20:30 às 24 horas: tocadores de concertina e cantores em representação das Casas de Castro Daire, das Beiras, de Arganil, de Pampilhosa da Serra e de Ponte de Lima, após a actuação do acordeonista Tino Costa;

v Sábado à tarde, dia 24, das 15:00 às 20:30, Grupos de dança e cantares de várias casas regionais e de colectividades do Concelho de Lisboa;

v Sábado à noite, dia 24, das 21:00 às 24:00 horas, noite de fados com fadistas e tocadores em representação de algumas colectividades;

v Domingo à tarde, dia 25, das 14:30 às 20:30: Grupos de dança e cantares de várias casas regionais e de colectividades do Concelho de Lisboa.

No espaço estarão abertas tasquinhas e tendas de várias associações, com apresentação de produtos endógenos e proporcionando um convívio social e a divulgação das respectivas origens: (Sexta: das 19:00 às 24:00, Sábado: das 10:00 às 24:00 horas; Domingo: das 09:00 às 20:30.

Estarão presentes tasquinhas ou tendas dos Concelhos de Arganil, Ferreira do Zêzere, Tondela, Góis, Valença, Aguiar da Beira, Alvaiázere, Ponte de Lima, Gouveia, Pampilhosa da Serra, Vila Nova de Cerveira, Penacova, Castro Daire, Tomar, Arronches, Castanheira de Pêra, Tábua, Comarca da Sertã, Casa do Alentejo, Casa das Beiras e Casa do Brasil.

As raízes de vários territórios onde a cultura portuguesa e a história de Portugal estão presentes, terão a oportunidade de proporcionar aos visitantes excelentes momentos de convívio, de tomada de conhecimento recíproco gastronómico, turístico, artístico.

Espera-se que seja um agradável e salutar convívio entre todos.

A presença anunciada de alguma comunicação social, bem como a esperada afluência da população da grande Lisboa, nomeadamente da que é oriunda ou está ligada às referidas origens, augura um evento de grande adesão popular e uma confirmação da cultura característica das origens portuguesas.

O programa de apresentações em palco será divulgado brevemente.

António Almeida

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REGIONALISMO EM MOVIMENTO: CASA DO CONCELHO DE TOMAR ORGANIZA 12º PASSEIO DE CARROS ANTIGOS NO PRÓXIMO DIA 8 DE JUNHO

A Casa do Concelho de Tomar está a organizar um Passeio, no dia 8 de Junho de 2019, destinado a automóveis antigos e clássicos, que incluirá uma concentração/ exposição na Corredoura, na cidade de Tomar.

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Partiremos de Tomar em direção às Grutas de Mira de Aire, onde faremos uma “viagem às profundezas da serra”.

Com onze quilómetros de extensão total conhecida, as Grutas de Mira de Aire são as maiores grutas de Portugal.

Após a visita às Grutas, que durará cerca de 1 hora, subiremos ao Restaurante, onde iremos almoçar e posterior distribuição de prémios de presença deste evento. Após o almoço de convívio, seguiremos pela estrada Nacional N243, em direção à Fundação Batalha de Aljubarrota, para visitar o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota – CIBA.

O regresso será feito pela estrada IC9, até Tomar.

PROGRAMA

08H00 –Concentração no Café Paraíso (Corredoura), para Receção e distribuição da documentação aos participantes, seguido de pequeno almoço.

09H30 – Saída em direção às Grutas de Mira de Aire, pela estrada A13 / A23 / N243;

10H30 – Concentração/ reagrupamento junto às Grutas de Mira de Aire;

10H45 – Entrada para a Visita às Grutas de Mira de Aire;

12H15 – Almoço no restaurante Grutas de Mira de Aire;

14H30 – Saída em direção ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota;

15H30 – Concentração/ reagrupamento junto ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota;

16H00 – Visita ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota;

17H00 – Regresso a casa; PASSEIO DE CARROS ANTIGOS

ARCUENSES EM LISBOA CANTARAM OS PARABÉNS À CASA DO CONCELHO DE ARCOS DE VALDEVEZ

Sob a batuta do Presidente da Direção, Joaquim Cerqueira de Brito, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez é actualmente um dos mais destacados baluartes do regionalismo minhoto em Lisboa

Cerca de meio milhar de arcuenses e amigos afluíram hoje à Quinta da Valenciana, em Fernão Ferro, para cantar os parabéns à Casa do Concelho de Arcos de Valdevez pelo seu 64º aniversário.

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O dia foi de festa muito animada como só os minhotos sabem fazer. A abrir o apetite, o Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez iniciou a sua actuação no magnífico espaço ao ar livre a que se seguiu um serviço de entradas e aperitivos.

A festa foi ainda animada pelo Rancho Folclórico de Vilarinho das Quartas que se deslocou propositadamente a partir do Soajo. E, ainda pelos tocadores de concertina e cantadores ao desafio Carminda dos Arcos, Leiras do Soajo e Daniel Sousa.

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Em representação da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez esteve presente o Dr. Daniel Barros, Vice-presidente do executivo. A Junta de Freguesia de Marvila foi representada pelo seu próprio Presidente, o Dr. José António Videira. Também o Presidente da Junta de Freguesia do Soajo, Manuel Barreira da Costa esteve presente no evento. E, entre muitas outras entidades, fizeram-se representar a Presidente da Associação das Casas Regionais de Lisboa (ACRL) e as casas regionais de Valença, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira, Penacova, Tábua, Pampilhosa da Serra e Ferreira do Zêzere.

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A artesã Susana Cunha que é componente do Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez apresentou os seus trabalhos artísticos inspirados em modelos tradicionais mas com novo design e executados em novos materiais.

O Pão-de-ló de Soajo fez a delícia de muitos convivas e está a consquistar cada vez mais apreciadores e a dar fama à região de origem. E o magnífico repasto regado com vinhos tintos e brancos, verdes e maduros de “Casal Videira”, produção do minhoto proprietário da Quinta da Valenciana, uma das mais excelentes unidades hoteleiras e de restauração da região de Lisboa, situada mais precisamente no concelho do Seixal.

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Fundada em 30 de Abril de 1955, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez é a mais antiga associação regionalista minhota de âmbito concelhio constituída em Lisboa, reunindo à sua volta a numerosa comunidade arcuense que ali vive e trabalha. Porém, a intenção de constituir esta casa regional era anterior à segunda guerra mundial, mas os constrangimentos da época forçaram ao adiamento da iniciativa que só veio a concretizar-se uma década após a sua conclusão.

Sediada na rua Augusto Rosa, junto à Sé Catedral de Lisboa, possui uma delegação na zona de Marvila onde funciona nomeadamente a sua Secção Desportiva que numerosos troféus tem arrecadado para a “Casa dos Arcos” como ela é vulgarmente tratada pelos arcuenses. Mas, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez destaca-se ainda pelo seu Grupo de Cavaquinhos e o Rancho Folclórico que vem adquirindo elevada qualidade e notoriedade. De realçar ainda o seu papel na criação e dinamização da Associação das Casas Regionais em Lisboa (ACRL).

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CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO ORGANIZA SERÃO DE FADO VADIO

O guitarrista Victor Lopez apresentará no Restaurante Costa Verde, no dia 31 de maio, uma tradicional noite de Fado Vadio com a sua Guitarra Portuguesa num espaço que remete às Casas Típicas de Lisboa.

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No Fado Vadio todos podem cantar a música que tornou-se Patrimônio Mundial Imaterial da Humanidade, sejam profissionais ou amadores.

A finalidade principal é partilhar emoções ao som da Guitarra numa confraternização onde o Fado é a grande atração.

Amor, ciúme, cinzas, lume, saudade, tragédia, dor...cantaremos à meia luz as incomensuráveis histórias do Fado. Entrada franca, com culinária portuguesa, sem couvert artístico.

Faça já as suas reservas: 2225-1820 | 2205-4698 | 99627-3484 (WhatsApp) contato@minho.com.br

CASA DO MINHO EM LISBOA ABRIU AS PORTAS PARA RECEBER O SENHOR EM DOMINGO DE PASCOELA

Muitos minhotos radicados na região de Lisboa acorreram hoje à Sede da Casa do Minho, em Telheiras, para festejar a Ressurreição do Senhor, nos moldes tradicionais em que a mesma tem lugar na nossa região.

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Os minhotos seguiram em procissão pelas ruas da localidade, levando consigo a cruz florida que, uma vez chegada à Sede daquela Instituição regionalista, foi dada a beijar a todos os presentes. À frente íam os bombos e os tocadores de concertina, fazendo os moradores assomarem às janelas e varandas, os quais não deixavam escapar a oportunidade de registar fotograficamente o acontecimento. Logo, seguidos do Padre João Caniço e dos mordomos com as suas opas vermelhas, levando consigo a sineta e a caldeirinha.

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À chegada à Casa do Minho, o caminho encontrava-se tapetado de alecrim, funcho e rosmaninho, exalando os seus aromas característicos. E, por fim, após a celebração religiosa da visita pascal – que nalgumas regiões do Minho designam por compasso! – os presentes acercaram-se de uma lauta mesa repleta das melhores iguarias da nossa região, apropriadamente regado com vinho verde propositadamente colhido e engarrafado para as comemorações recentes dos 95 anos da Casa do Minho e 75 anos do seu Rancho Folclórico.

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A Pascoela ocorre sete dias após a Páscoa, sendo também designada por Dia da Misericórdia de Deus, oitava da Páscoa ou Quasímodo, denominações caídas em desuso após o Concílio Vaticano II. A preferência da Casa do Minho pela celebração da Pascoela – aliás à semelhança das demais casas regionais minhotas – deve-se ao facto da maior parte dos nossos conterrâneos deslocarem-se para o Minho por ocasião desta quadra festiva.

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Há mais de um século, o escritor e jornalista valenciano José Augusto Vieira, descrevia a Páscoa no Minho, na revista “Branco e Negro” (Semanario Illustrado), nº.1 de 5 de Abril de 1896, nos seguintes termos:

“O Natal é a festa da noite, a Paschoa e festa do dia!

Pelos caminhos da aldeia o parocho revestido de sobrepeliz e estola vae acompanhado pelo mordomo da cruz, pelo caldeirinha de agua benta, pelo campainha, pelo creado encarregado de receber os folares. Partem sol nado.

São muitos e distantes os logares, e a cruz, enfeitada com belos cordões de ouro e laços de fita coloridos, aromatisada com essência de cravo ou rosmaninho, tem de ser beijada por todos os freguezes.

Os vizinhos invadem uns as casas dos outros; os parentes teem de ir beijal-a a casa dos parentes, embora a distancia seja longa.

Avista-se além a Cruz, n’uma volta da azinhage. A campainha vibra no ar ambalsamado pelo perfume das macieiras em flôr, e então todos se dão pressa em juncar de flores e plantas aromaticas a entrada do seu lar, e estender sobre a mesa a alva toalha de rendas, onde o folar é depositado.

O padre chega. Enche-se a casa.

Alleluia, boas festas.

E a todos ajoelhados o parocho dá a Cruz para beijar, correndo assim a freguesia inteira.

Os ausentes teem vindo de fora, esquecem-se antigos ódios, visitam-se amigos velhos; a panella é gorda n’esse dia, o vinho espuma alegremente. É a natureza que ressurge, e quando a seiva ascende exhuberante e fecunda, não é para admirar que o espírito se vivifique pela alegria.”

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Também Carlos Gomes publicou em tempos no Portal do Folclore < http://folclore.pt/> o seguinte artigo, depois transcrito para o BLOGUE DO MINHO:

Na Páscoa, o Cristianismo celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o que faz desta festividade porventura a mais importante e de maior significado para os cristãos. Com efeito, é a crença na ressurreição de Jesus Cristo que distingue a fé cristã em relação a outras confissões religiosas. Foi apenas no século II que a Igreja Católica fixou a Páscoa no domingo, sem a menor referência à celebração judaica. Sucede que Jesus Cristo, segundo o calendário hebraico, terá morrido em 14 de Nissan, precisamente o início do Pessach ou seja, o mês religioso judaico que marca o início da Primavera.

Com efeito, de acordo com a tradição judaica, a Páscoa provém de Pessach que significa passagem e evoca a fuga dos judeus do Egipto em busca da Terra Prometida. Na realidade, tal significação remonta a raízes ainda mais ancestrais, concretamente às celebrações pagãs que ritualizavam a passagem do Inverno para a Primavera ou seja, as festas equinociais associadas à fertilidade e ao renascimento dos vegetais.

Tais celebrações eram antecedidas pela Serração da Velha, o Entrudo e as saturnais que originaram as festividades de Natal. Mas, as novas religiões monoteístas alicerçaram-se sobre as ruínas das crenças antigas e, por cima dos antigos santuários pagãos ergueram-se as novas catedrais românicas e góticas. Da mesma forma que, sobre as ruínas dos velhos castros foram construídos os castelos medievais. E, assim, também as celebrações pagãs se revestiram de novas formas mais de acordo com novas conceções religiosas e se cristianizaram, adquirindo uma nova simbologia e significação.

Subsistem, no entanto, antigas usanças que denunciam as origens pagãs da festividade pascal associadas a costumes importados da cultura anglo-saxónica que, em contacto com as tradições judaico-cristãs originam um sincretismo que conferem à celebração pascal uma conceção religiosa bastante heterodoxa. É o que se verifica, nomeadamente, com toda a simbologia associada ao coelho e aos ovos da Páscoa, sejam eles apresentados sob a forma de chocolate, introduzidos nos folares ou escondidos no jardim, rituais estes ligados à veneração praticada pelos nórdicos a Ostera, considerada a deusa da fertilidade e do renascimento, por assim dizer a “deusa da aurora”.

Tal como para os judeus, a Pessach alude à passagem do anjo exterminador antes da sua partida do Egipto e, ao assinalarem as suas casas com o sangue do cordeiro levaram a que fossem poupados da praga lançada por Javé, para os cristãos é o próprio Jesus Cristo que incarna a vítima sacrificial ou seja, o cordeiro pascal que expia os pecados dos homens. Também para os cristãos, a Páscoa representa a passagem da morte para a vida eterna e o reencontro com Deus.

Na Páscoa, o sol primaveril irrompe pelas veigas verdejantes enquanto as árvores se espreguiçam num novo amanhecer. As flores exalam um perfume inebriante que inundam os céus e a todos contagia. As casas dos lavradores engalanam-se para receber a visita pascal. Junca-se o caminho com um tapete colorido feito de funcho, cravo e rosmaninho. O pároco, de sobrepeliz e estola entra pelos quinteiros, logo seguido a curta distância pelo mordomo, vestindo a opa vermelha e levando consigo a cruz florida que a dá a beijar, e o sacristão com a sineta e a caldeirinha de água benta. Lá fora, o estalejar dos foguetes indica o local exato onde segue a cruz. Em redor, a natureza renasce e adquire especial fulgor.

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