Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

ARCOS DE VALDEVEZ: “NAS ALTURAS DA PENEDA” – UM CÂNTICO À SENHORA DA PENEDA EM MEADOS DO SÉCULO PASSADO

"Nas alturas da Peneda" - Cântico à Nossa Senhora da Peneda (1946)

Trata-se uma brochura editada em 1946 onde consta a letra e a música de um cântico religioso à Nossa Senhora da Peneda, no concelho de Arcos de Valdevez. O cântico intitula-se "Nas alturas da Peneda" e é da autoria do Padre Joaquim Alves (letra) e do Padre Alberto Braz (música).

P1 (1).jpg

P2.jpg

P3.jpg

P4.jpg

Fonte: Melgaço, Entre o Minho e a Serra

ARCOS DE VALDEVEZ: SENHORA DA PENEDA – A ROMARIA “GENUINAMENTE POPULAR”

senhora-peneda (1).jpg

É num “ambiente de montanha, espiritual e religioso”, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês, que tudo se conjuga no Santuário da Senhora da Peneda, situado na freguesia de Gavieira, no Arciprestado de Arcos de Valdevez, para acolher uma das grandes festas da Diocese de Viana do Castelo: a Romaria da Nossa Senhora da Peneda.

Entre o dia 31 de agosto a 8 de setembro, a Romaria traz milhares de peregrinos até ao alto da montanha, entre eles, galegos. Este ano, o Bispo Diocesano, D. João Lavrador, irá presidir às celebrações.
Os dias mais importantes da Romaria da Peneda são os dias 5 e 6. O dia 5 é dedicado aos espanhóis e o dia 6, é o dia da festa.

A programação, que se inicia com a Novena e termina com a Solenidade, inclui a bênção das concertinas e, este ano, pela primeira vez, vão também benzer gaitas de foles – um dos instrumentos mais populares da Galiza.

Segundo o capelão, Pe. César Maciel, a Romaria da Senhora da Peneda é “muito antiga” e é “genuinamente popular”. “Só são organizadas as celebrações litúrgicas. Tudo o resto é espontâneo. A animação é do povo”, explicou, salientando que “a Romaria é de todos os diocesanos”. “Este ano, teremos o Bispo a presidir às celebrações e à Novena e, por isso, poderá ser uma oportunidade para os diocesanos estarem mais próximos dele”, referiu, confidenciando a vontade de voltar a ver “muita gente” na Senhora da Peneda. “Depois de dois anos em pandemia, as pessoas precisam de festa, sair e de se encontrarem, por isso, a Romaria proporciona-lhes tudo isso inserido num ambiente de montanha, no Parque Nacional Peneda Gerês. “Esta festa tem todos os benefícios que se podem desejar desde o património arquitetónico, espiritual, religioso e ambiental”, sustentou.

O capelão contou ainda que, para além das celebrações diárias, todos os dias sairá a procissão do Santuário e percorrerá todo o escadório.

Lenda

A Senhora da Peneda terá aparecido a cinco de Agosto de 1220, a uma criança que guardava algumas cabras, a Senhora apareceu-lhe sob a forma de uma pomba branca e disse-lhe para pedir aos habitantes da Gavieira, para edificarem naquele lugar uma ermida. A pastorinha contou aos seus pais, mas estes não deram crédito à história. No dia seguinte quando guardava as cabras no mesmo local, a Senhora voltou a aparecer, mas sob a forma da imagem que hoje existe, e mandou a criança ir ao lugar de Roussas, pedir para trazerem uma mulher entrevada há dezoito anos, de nome, Domingas Gregório, que ao chegar perto da imagem recuperou a saúde.

Fonte: Agência Ecclesia

ARCOS DE VALDEVEZ: À SENHORA DA PENEDA OS DEVOTOS IAM DE CAIXÃO

524204_396440597080576_1379788820_n

Ao santuário da Senhora da Peneda, situado na serra minhota do mesmo nome, onde de 1 a 8 de setembro de todos os anos acorrem muitos milhares de peregrinos, até ao final da primeira metade deste século, os romeiros que pagavam promessas iam metidos dentro de caixões.

Algumas pessoas da região, principalmente as de mais idade, ainda se lembram de tão estranho ritual, o qual tinha a ver com o fato de os miraculados, aos sentirem-se curados por promessa feita à santa, pretenderem demonstrar não só a sua gratidão como teatralizar o que lhe teria acontecido caso os poderes divinos não lhe tivessem dedicado a sua benéfica e misteriosa ação.

Alguns dos “defuntos” da Senhora da Peneda ainda são vivos e o padre Bernardo Pintor, no seu livro sobre este local do culto a que deu o título de “Uma Joia do Alto Minho”, regista fartas referências sobre o insólito e antigo costume de se entrar no santuário devidamente amortalhado em vida.

“Na Peneda muitos romeiros eram levados em caixões como se fossem defuntos – escreve o padre Bernardo Pintor, prosseguindo – e o trajeto era desde o pórtico, lá no fundo das capelas, até á igreja, enquanto alguns iam também de caixão até ao cemitério”.

Cortejo de “mortos” ainda vivos

Os inúmeros cortejos “funerários” tinham, assim, de subir quase duzentos degraus, enquanto o penitente, baldeando-se dentro da urna pela irregularidade continuada do caminho ascendente, por certo teria tempo para meditar e concluir em como são vãs as ilusões, as paixões, o orgulho e as vaidades da vida.

Parecido, em certos pormenores, com os antigos métodos de iniciação, o cortejo dos mortos-vivos era acompanhado, por vezes, pela banda de música e quando chegava ao interior da igreja dizia-se Missa a que alguns assistiam ainda dentro do caixão, em geral já aberto, outros ao lado havendo até quem mandasse cantar ofícios de defunto por si próprio.

O autor de “Uma Joia do Alto Minho”, inclusivamente, recorda: “Tudo isto observei de pequeno e lembra-me de ouvir falar de uma pessoa que foi até à beira da sepultura, mandada abrir no cemitério, onde lançou a sua roupa exterior, e, também de uma outra que seguia em caixão aberto mas que se impressionou de tal modo ao entrar no templo que saltou fora e rachou a cabeça de encontro aos umbrais da portaria”…

Aliás, os sacerdotes do velho Egipto já sabiam que o facto de se permanecer dentro de uma caixa de madeira com certo formato, usualmente destinada a encerrar cadáveres, constitui um paradigma de grande intensidade cuja prática poderá levar a mente dos vivos a processos de meditação sobre as realidades da sua existência capazes de despoletarem estados de consciência mais elevados.

Trata-se de um processo rápido para atingir aquilo a que o investigador contemporâneo Peter Russell chama “contacto com o nível universal do Eu”, aliás conhecido desde tempos imemoriais, mas que tanto pode resultar na iluminação do Ser como no pânico do peregrino, tal como o padre Bernardo Pintor lembra, que saltou do caixão de tal forma apavorado ao ponto de rachar a cabeça de encontro aos umbrais da igreja.

Na natureza nada dá saltos e sendo a carne para os adultos e o leite para as crianças, inevitavelmente que o mesmo remédio tanto pode curar um doente como matar outro, devido aos efeitos secundários…

Victor Mendanha in Correio da Manhã, 19 de julho de 1993

548020_418402988217670_1659577555_n

ARCOS DE VALDEVEZ: ROMARIA DA SENHORA DA PENEDA ESTÁ INSCRITA NO INVENTÁRIO NACIONAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL – DECORRE PROCESSO DE INVENTARIAÇÃO

2 (36).jpg

  • Nº de inventário:INPCI_2023_008
  • Domínio:Práticas sociais, rituais e eventos festivos
  • Categoria:Festividades cíclicas
  • Denominação: Romaria da Senhora da Peneda
  • Outras denominações: Festa da Senhora da Peneda; Romaria da Peneda
  • Contexto tipológico: A Romaria da Senhora da Peneda remonta provavelmente à primeira metade do século XIII. Decorre entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro, no lugar da Peneda, na freguesia serrana da Gavieira, concelho de Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo.

Esta festividade cíclica anual é marcada pela realização de uma novena, com início ao meio-dia do dia 31 de agosto terminando no dia 8 de setembro. Cumprir a novena ou a meia-novena, assistir às missas, sair em procissão, rezar no altar da Senhora, alugar um ou vários ex-votos, dar nove ou mais voltas ao redor da igreja, visitar as capelas da via-sacra com ex-votos na mão e rezar o terço em surdina são alguns dos rituais que o romeiro realiza e que visam pagar uma ou várias promessas quer por si, quer por algum familiar próximo.

No entanto, como em inúmeras festividades religiosas cíclicas que decorrem no Alto Minho, em particular no verão, motivações profanas levam também muitos participantes à Romaria, especialmente na noite do dia 6, quando no Largo do Terreiro, ao fundo do Escadório das Virtudes, largas centenas de pessoas participam nas danças, nos cantares ao desafio e interpretam músicas populares como viras, chulas ou canas verdes.

Fonte: Património Cultural

ARCOS DE VALDEVEZ: ROMEIROS VÃO À GAVIEIRA EM ROMAGEM À SENHORA DA PENEDA – CONSULTE AQUI O PROGRAMA!

504432047_694480106688995_9153820813126940317_n (12).jpg

A Romaria da Senhora da Peneda, em Arcos de Valdevez, decorre de 31 de agosto a 8 de setembro. O evento religioso e cultural atrai milhares de peregrinos e visitantes, com destaque para o concerto "Músicas à Senhora", no dia 4 de setembro, com a participação de Augusto Canário e Amigos. A programação inclui também celebrações eucarísticas, procissões e outras atividades religiosas, como a Eucaristia da Festa da Natividade de Maria, no dia 8 de setembro, presidida pelo Bispo de Viana do Castelo.

532132925_1176478491183243_3309453746265783582_n.jpg

532137342_1176478527849906_7562772613627358084_n.jpg

ARCOS DE VALDEVEZ: ROMARIA DA NOSSA SENHORA DA PENEDA É UMA DAS MAIS GENUÍNAS E GRANDIOSAS DO ALTO MINHO

504432047_694480106688995_9153820813126940317_n (7).jpg

O Santuário da Senhora da Peneda ergue-se na margem direita do rio da Peneda, ocupando um recôncavo sob um afloramento granítico conhecido por Penedo da Meadinha, o que lhe confere um enquadramento paisagístico único. A sua construção está associada à lenda de Nossa Senhora das Neves.

Reza a lenda que no século XIII, a Senhora revelou-se por duas vezes a uma pastorinha que aí andava com o seu rebanho. De início, tomou a forma de uma pomba (a 5 de agosto de 1220) e solicitou-lhe que fosse construído no local da aparição um santuário em sua honra. A menina correu a dar a notícia, mas ninguém a acreditou. Uns dias depois, a Santa apareceu-lhe novamente no mesmo ponto e já com a forma que hoje se venera. Pediu então à menina que fosse a Roussas e que lhe trouxessem uma mulher daí chamada Domingas Gregório, que se encontrava entravada há muito. Os habitantes deste lugar transportaram logo a pobre doente, que, na presença da Senhora, se curou imediatamente. Aí começou o culto, tendo sido construída uma pequena ermida no local da aparição. Durante a Idade Média a devoção a Nossa Senhora das Neves foi crescendo, e já entre os finais do Séc. XVIII e meados do Séc. XIX foi construído o atual templo em sua honra.

O espaço arquitetónico do Santuário é composto pelo templo-igreja principal, iniciado em 1838 e finalizado em 1857; pelo escadório das virtudes, obra de 1854 que apresenta estatuária representativa da Fé, Esperança, Caridade e Glória; pelo grande terreiro; pelo terreiro dos evangelistas (de 1860); pelo escadório e suas 20 capelas, bem como pelo largo do Anjo S. Gabriel e pórtico principal de entrada com imagem de Nossa Senhora da Encarnação, ambas realizações do século XVIII.

Fonte: Irmandade da Nossa Senhora da Peneda

opac-image.jpg

ROMARIA DE NOSSA SENHORA DA PENEDA É UMA DAS GRANDES FESTAS DA DIOCESE DE VIANA DO CASTELO – BISPO D. JOÃO LAVRADOR PRESIDE AO ENCERRAMENTO DA ROMARIA

Foto-Santuario-Diocesano-de-Nossa-Senhora-da-Peneda_Viana-do-Castelo.jpg

Foto: Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Peneda

Bispo diocesano, D. João Lavrador, preside ao encerramento da romaria, cantora Áurea apresenta concerto «Músicas à Senhora»

O Santuário de Nossa Senhora da Peneda, na Gavieira (Arcos de Valdevez), vai viver a sua romaria anual, “uma das grandes festas da Diocese de Viana do Castelo”, entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro.

“É num ‘ambiente de montanha, espiritual e religioso’, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês, que tudo se conjuga no Santuário da Peneda, situado na Paróquia de Gavieira, no Arciprestado de Arcos de Valdevez, para acolher uma das grandes festas da Diocese: a Romaria da Nossa Senhora da Peneda”, divulga a Diocese de Viana do Castelo.

O capelão do Santuário da Nossa Senhora da Peneda, o padre César Maciel, enviou o programa da romaria à Agência ECCLESIA que anualmente, acrescenta a Diocese de Viana do Castelo, leva “milhares de peregrinos até ao alto da montanha”.

A Romaria da Nossa Senhora da Peneda realiza-se de 31 de agosto a 8 de setembro, e, o segundo dia (1 de setembro), é dedicado à Eucaristia, “com especial intenção de oração pelos sacerdotes e pelas vocações”, informa o santuário mariano que divulgou o convite do bispo diocesano realizado “a todos os sacerdotes, seminaristas e religiosos a peregrinar”; as celebrações são 09h30, oração das laudes e Eucaristia (início da adoração Eucarística); 17h00, a Procissão Eucarística, e a oração de completas e encerramento da Adoração Eucarística, às 23h00.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

“O apelo é a passar pelo santuário durante este dia. Pelo menos, a participar nalguma das celebrações previstas para esse dia; como Santuário diocesano, com perspetivas de renovação pastoral, local de Indulgência neste ano jubilar, merece de todos nós sacerdotes um carinho e atenção especiais”, salientou D. João Lavrador, divulga o Santuário de Nossa Senhora da Peneda.

O bispo de Viana do Castelo vai presidir também ao encerramento da romaria – Eucaristia e procissão, a 8 de setembro (segunda-feira), dia solene de Nossa Senhora da Peneda, na Festa da Natividade de Maria, a partir das 11h00.

O programa da “maior romaria do Alto Minho”, a partir do dia 31 de agosto, é constituído pela sua dimensão religiosa – com celebrações e orações diárias, a adoração, procissões e confissões -, com lugar também para uma vigília mariana com cânticos de Taizé (4 de setembro, 21h00) e o hino bizantino mariano “Akathistos”, o “beijo da imagem” (6 de setembro, 22h00).

O bispo da diocese espanhola de Ourense, D. José Leonardo Montanet, vai presidir à Eucaristia em castelhano, no dia 5 (12h00), o santuário de Viana do Castelo, por tradição, recebe “muitos peregrinos galegos, oriundos das Dioceses de Tui-Vigo e de Ourense”.

O Santuário de Nossa Senhora da Peneda, na freguesia de Gavieira, também dinamiza uma programação cultural, nesta romaria, este ano destaca-se a exposição ‘Meu Cristo’, de Paulo Neves, a abertura é no dia 2 de setembro, após a oração e procissão do rosário das 17h00, o concerto ‘Músicas à Senhora’, com a cantora Áurea, a partir da 21h00, de 5 de setembro, a tradicional ‘bênção das concertinas’ e o baile popular, no dia seguinte, e a atuação de ranchos e ‘rusgas’.

O culto a Nossa Senhora, com raízes na Idade Média, consolidou-se, em definitivo, neste local, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, a partir do século XVIII com várias edificações como o templo-igreja principal, o escadório das virtudes, o terreiro dos evangelistas ou o monumental escadório e as 20 capelas temáticas, antecedido pelo largo do Anjo São Gabriel.

CB | Agência Ecclesia

senhora-peneda.jpg

ARCOS DE VALDEVEZ: ROMEIROS VÃO À GAVIEIRA EM ROMAGEM À SENHORA DA PENEDA – O DIA 5 DE SETEMBRO É ESPECIALMENTE DEDICADO AOS ROMEIROS PROVENIENTES DA GALIZA

504432047_694480106688995_9153820813126940317_n (12).jpg

A Romaria da Senhora da Peneda, em Arcos de Valdevez, decorre de 31 de agosto a 8 de setembro. O evento religioso e cultural atrai milhares de peregrinos e visitantes, com destaque para o concerto "Músicas à Senhora", no dia 4 de setembro, com a participação de Augusto Canário e Amigos. A programação inclui também celebrações eucarísticas, procissões e outras atividades religiosas, como a Eucaristia da Festa da Natividade de Maria, no dia 8 de setembro, presidida pelo Bispo de Viana do Castelo.

532132925_1176478491183243_3309453746265783582_n.jpg

532137342_1176478527849906_7562772613627358084_n.jpg

ARCOS DE VALDEVEZ: ROMARIA DE NOSSA SENHORA DA PENEDA REALIZA-SE DE 31 DE AGOSTO A 8 DE SETEMBRO – OUTRORA OS DEVOTOS ÍAM DE CAIXÃO

504432047_694480106688995_9153820813126940317_n (8).jpg

Ao santuário da Senhora da Peneda, situado na serra minhota do mesmo nome, onde este ano a romaria decorre de 31 de agosto a 8 de setembro, até ao final da primeira metade deste século, os romeiros que pagavam promessas iam metidos dentro de caixões. Costume, aliás, que ainda se pratica nalgumas localidades da Galiza.

Algumas pessoas da região, principalmente as de mais idade, ainda se lembram de tão estranho ritual, o qual tinha a ver com o fato de os miraculados, aos sentirem-se curados por promessa feita à santa, pretenderem demonstrar não só a sua gratidão como teatralizar o que lhe teria acontecido caso os poderes divinos não lhe tivessem dedicado a sua benéfica e misteriosa ação.

Alguns dos “defuntos” da Senhora da Peneda ainda são vivos e o padre Bernardo Pintor, no seu livro sobre este local do culto a que deu o título de “Uma Joia do Alto Minho”, regista fartas referências sobre o insólito e antigo costume de se entrar no santuário devidamente amortalhado em vida.

“Na Peneda muitos romeiros eram levados em caixões como se fossem defuntos – escreve o padre Bernardo Pintor, prosseguindo – e o trajeto era desde o pórtico, lá no fundo das capelas, até á igreja, enquanto alguns iam também de caixão até ao cemitério”.

Cortejo de “mortos” ainda vivos

Os inúmeros cortejos “funerários” tinham, assim, de subir quase duzentos degraus, enquanto o penitente, baldeando-se dentro da urna pela irregularidade continuada do caminho ascendente, por certo teria tempo para meditar e concluir em como são vãs as ilusões, as paixões, o orgulho e as vaidades da vida.

Parecido, em certos pormenores, com os antigos métodos de iniciação, o cortejo dos mortos-vivos era acompanhado, por vezes, pela banda de música e quando chegava ao interior da igreja dizia-se Missa a que alguns assistiam ainda dentro do caixão, em geral já aberto, outros ao lado havendo até quem mandasse cantar ofícios de defunto por si próprio.

O autor de “Uma Joia do Alto Minho”, inclusivamente, recorda: “Tudo isto observei de pequeno e lembra-me de ouvir falar de uma pessoa que foi até à beira da sepultura, mandada abrir no cemitério, onde lançou a sua roupa exterior, e, também de uma outra que seguia em caixão aberto mas que se impressionou de tal modo ao entrar no templo que saltou fora e rachou a cabeça de encontro aos umbrais da portaria”…

Aliás, os sacerdotes do velho Egipto já sabiam que o facto de se permanecer dentro de uma caixa de madeira com certo formato, usualmente destinada a encerrar cadáveres, constitui um paradigma de grande intensidade cuja prática poderá levar a mente dos vivos a processos de meditação sobre as realidades da sua existência capazes de despoletarem estados de consciência mais elevados.

Trata-se de um processo rápido para atingir aquilo a que o investigador contemporâneo Peter Russell chama “contacto com o nível universal do Eu”, aliás conhecido desde tempos imemoriais, mas que tanto pode resultar na iluminação do Ser como no pânico do peregrino, tal como o padre Bernardo Pintor lembra, que saltou do caixão de tal forma apavorado ao ponto de rachar a cabeça de encontro aos umbrais da igreja.

Na natureza nada dá saltos e sendo a carne para os adultos e o leite para as crianças, inevitavelmente que o mesmo remédio tanto pode curar um doente como matar outro, devido aos efeitos secundários…

Victor Mendanha in Correio da Manhã, 19 de julho de 1993

524204_396440597080576_1379788820_n