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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O FOLCLORE AO SERVIÇO DA REVOLUÇÃO

  • Crónica de Carlos Gomes

Há quarenta e seis anos, ao golpe militar que derrubou o Estado Novo sucedeu um movimento revolucionário que foi acompanhado e estimulado por um novo género musical – a música de intervenção – assim designada por pretender, através da mensagem que continha, intervir politicamente na transformação da sociedade portuguesa. Por outras palavras, um meio de propaganda com vista a promover um processo revolucionário.

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A imagem regista uma actuação em Sesimbra, no ano de 1976. Foto: João Aldeia

 

A utilização da música popular como veículo destinado a passar uma mensagem política não se cingiu aos temas da Beira Baixa interpretados por Zeca Afonso ao ritmo do adufe e ao melodioso cancioneiro do Alto Alentejo trazido por Vitorino Salomé. Também o traje e as danças com a sua coreografia própria foram trazidas a terreiro com manifesta preocupação política.

Nos finais da década de 70 do século passado, eis que um pequeno grupo muito estilizado que dava pelo nome Grupo de Danças Populares “Servir o Povo” , apresentava-se em palco com fatos que só muito vagamente poderíamos associar ao folclore, bem assim as músicas e danças que interpretavam. E, qual desiderato pleno de simbolismo, cruzavam a foice e o martelo apelando desse modo a uma aliança entre os operários e os camponeses – símbolo universal de todos os partidos comunistas – aqui representadas por umas toscas peças em madeira.

Este grupo estava associado ao então Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) e fazia parte do Departamento de Propaganda daquele partido político, o qual integrava ainda o histórico Cine-Clube Universitário de Lisboa (CCUL), a revista Yenan, o Grupo de Teatro "Mundo Novo", o Coro Popular “O Horizonte é Vermelho” que chegou a efectuar várias gravações em disco, um comité de arquitectura e gráficos responsáveis pela produção de cartazes e pinturas murais.

Na actualidade, esta representação pode-nos parecer absolutamente ridícula e caricata. E é realmente! Porém, devemos compreender os fenómenos dentro do seu contexto histórico. Actualmente ocorrem situações no folclore que, a seu tempo, iremos de igual modo encarar da mesma forma ridícula!

PARTIDO POPULAR MONÁRQUICO (PPM) FOI FUNDADO NA CASA DO MINHO HÁ 46 ANOS!

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  • Crónica de Carlos Gomes

O Partido Popular Monárquico (PPM) foi fundado em Lisboa no dia 23 de Maio de 1974, praticamente um mês decorrido da queda do anterior regime através do golpe militar do 25 de Abril. Porém, em lado algum é feita qualquer referência ao local onde a reunião que lhe deu origem teve lugar.

Os tempos que então se viviam eram agitados e por vezes causavam séria preocupação. Os monárquicos eram muitas vezes conotados com o Estado Novo, em parte explicado pelo facto de alguns deles terem com ele colaborado. Afinal de contas, também os militantes da Causa Monárquica integraram a União Nacional, até se aperceberem de que Salazar, apesar das conhecidas simpatias monárquicas, não considerava a possibilidade da restauração da Monarquia. E foi nessas circunstâncias que começaram a partir dos finais da década de 50 a divergir com o regime político então vigente.

O mesmo sucedia com as casas regionais que, entre os seus mais destacados dirigentes, contava com figuras gratas ao regime que acabava de ser derrubado. E, nesse contexto de mudança política, alguns notáveis trataram de desfiliar-se a tempo para poderem adaptar-se aos novos tempos sem serem incomodados…

Nessa altura, encontrava-se a Casa do Minho instalada na rua Victor Cordon, 14, dispondo de dois pisos. Porém, a sua actividade decorria geralmente no 2º andar onde nomeadamente se encontrava o amplo salão de festas. Actividade encontrava-se praticamente suspensa dadas as circunstâncias que então se viviam.

Entre os seus dirigentes, contava com o Professor Nuno Morais. Era natural de Ponte de Lima e, à altura, professor de Educação Física na Escola Comercial Ferreira Borges, em Lisboa. Chegou a ser atleta olímpico e também apaixonado pelas lides tauromáquicas que lhe deixaram mazelas físicas. Plenamente identificado com os ideias monárquicos.

Por influência do Professor Nuno Morais, reuniram-se os monárquicos na Casa do Minho num ambiente de quase secretismo, razão pela qual continua o local a não ser mencionado… havia que preservar a segurança do partido e também da própria instituição que lhes abria as portas!

O Partido Popular Monárquico foi criado por iniciativa da Convergência Monárquica, organização constituída em 1971 que juntava monárquicos oposicionistas ao regime do Estado Novo e que congregava o Movimento Popular Monárquico, fundado em 1957 e dirigido por Gonçalo Ribeiro Telles, a Renovação Portuguesa criada em 1962 por Henrique Barrilaro Ruas e uma facção da Liga Popular Monárquica, surgida em 1964 e dirigida por João Vaz de Serra e Moura.

Gonçalo Ribeiro Telles assumiu a liderança enquanto Francisco Rolão Preto – que antes fora fundador do Integralismo Lusitano e mais tarde tembém do Nacional-Sindicalismo do qual foi dirigente – assumiu a Presidência do Directório e do Congresso.

A reunião então decorrida na Casa do Minho resultou num sobressalto para os sócios que não haviam tomado conhecimento prévio da sua realização. Mas o encontro passou despercebido e o movimento revolucionário que acabava de ser despoletado tinha outras preocupações. O Partido Popular Monárquico (PPM) intregou-se no regime saído do 25 de Abril de 1974, tendo o Gonçalo Ribeiro Telles participado em vários governos e sendo uma figura muito respeitada pela sua defesa da ecologia e do meio ambiente.

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As instalações da Casa do Minho, na rua Víctor Condon, onde teve lugar a fundação do PPM

25 DE ABRIL: O POVO É AINDA QUEM MAIS ORDENA?

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Lisboa. Praça do Comércio. Em 1980, ainda as comemorações se faziam com a actuação de ranchos folclóricos...

Nesse ano, foram instalados 4 palcos na Praça do Comércio onde actuaram alternadamente grupos folclóricos provinentes de todos os recantos do país... depois desses festejos, o folclore acabou. O povo deixou de ordenar!

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

DISCURSO DA LÍDER PARLAMENTAR DO PAN – PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA, INÊS DE SOUSA REAL

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SESSÃO SOLENE COMEMORATIVA DO 46.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL DE 1974

Intervenção da Líder Parlamentar e Deputada do PAN - Pessoas-Animais-Natureza Inês de Sousa Real

Sr. Presidente da República,

Sr. Presidente da Assembleia da República,

Sr. Primeiro-Ministro,

Ilustres entidades,

Altas autoridades,

Distintas e distintos convidados,

Sras. e Srs. Deputados

A 25 de Abril de 1974, os jovens capitães iniciaram a concretização do sonho das gerações que os haviam precedido: o derrube de uma ditadura opressora que durava há 48 anos e a construção de um Estado democrático. Este sonho não teria sido possível sem o empenho e a mobilização da sociedade portuguesa, que se organizou para dar resposta aos novos desafios de participação política para a criação de um país livre.

Evocar Abril em 2020 tem de ir além da homenagem àqueles que fizeram a História. Requer a renovação e o fortalecimento dos valores democráticos, reflectindo o presente e a liberdade de construir o futuro.

Contudo, ao constatar o presente e as fragilidades que até aqui persistem, vemos que Abril continua por cumprir!

Abril está por cumprir nos seus princípios fundamentais como o princípio da Igualdade!

Apesar do caminho até aqui feito, nem todas as pessoas têm a mesma dignidade social ou são tratadas como iguais. O rosto da violência doméstica continua a ser marcadamente feminino. Para o desempenho do mesmo trabalho, as mulheres recebem menos que os homens e, apesar de mais habilitadas, têm mais dificuldade em chegar aos lugares de topo e continuam a estar subrepresentadas nos principais cargos políticos.

Abril está por cumprir no combate à pobreza.

Basta olharmos para o nosso país e verificamos que mais de 10% das pessoas se encontram em situação de pobreza, apesar de empregadas. E a vulnerabilidade atinge, sobretudo, as crianças e pessoas idosas, na sua grande maioria mulheres.

Abril está por cumprir no acesso à Justiça.

A defesa dos direitos e interesses protegidos pela Constituição é tratada como um luxo, pondo em causa o acesso ao Direito e, em contrapartida, não investindo num combate sério à corrupção.

Abril está por cumprir nos tempos de resposta do Serviço Nacional de Saúde.

Durante sucessivos governos houve um desinvestimento na Saúde, seja na valorização dos seus recursos humanos, seja nos meios de resposta existentes.

Abril está por cumprir no direito universal à habitação.

No nosso país, são milhares os que não têm uma casa, um tecto, e são muitos mais aqueles que não têm uma habitação digna, com condições de higiene e de conforto.

Abril está por cumprir na protecção de todos os cidadãos na doença, velhice, invalidez e desemprego.

Para com os que não têm dinheiro para aquecer a casa no inverno, para comprar medicamentos ou que não têm um salário ou uma pensão condigna para viver.

Abril está por cumprir na igualdade de acesso à educação com qualidade.

No nosso país ainda falta trilhar um longo caminho para garantirmos uma Educação Inclusiva e que contribua para reduzir o fosso das desigualdades sociais e regionais.

Abril está por cumprir no respeito que devemos também para com os animais.

No nosso país, os animais continuam a ser votados ao abandono, aos maus tratos, à privação da sua liberdade ou à sujeição a actividades cruéis, que ferem os valores humanitários que nos devem nortear.

Abril está por cumprir no direito à qualidade de vida e ambiental.

Vivemos submersos num modelo de um desenvolvimento insustentável, marcado pelo aproveitamento irracional dos recursos naturais e em violação do princípio da solidariedade entre gerações. Neste país, é o interesse económico quem mais ordena, com licença para devastar ecossistemas de valor único, que são ainda um importante motor de combate às alterações climáticas.

Abril está por cumprir no funcionamento das Instituições.

Na própria Casa da Democracia ainda há quem mostre intolerância a desvios ao pensamento único do sistema. Nesta Casa não nos podemos esquecer que a Democracia é de todos e para todos. Não há donos da democracia! Só respeitando a pluralidade democrática e as vozes discordantes que Abril nos permitiu é que se trava o caminho dos populismos e a demagogia crescentes.

À Democracia, de pouco ou nada servirão cerimónias e demais simbologias, que se mostrem alheadas das aspirações e preocupações das pessoas e muito menos das consequências da actual crise sanitária, económica, social e ambiental, ditada por uma doença silenciosa e desconhecida.

Bem sabemos que os próximos tempos permanecerão difíceis. Esta doença pôs um foco sobre as forças e as fragilidades do nosso regime democrático. Ao olhar para elas sabemos que precisamos de uma força redobrada para livremente reerguer o país, promover o bem-estar social e económico e a qualidade de vida das pessoas e de um Estado criador de um novo modelo de desenvolvimento económico mais justo, sustentável e climaticamente neutro e que, acima de tudo, não permita que esta crise se transforme também numa crise humanitária.

São muitos os desafios que nos esperam. Mas neste mar turbulento, provocado por este coronavírus e que ameaça a humanidade, não estamos todos no mesmo barco. Por isso, como bem referiu o Secretário-geral da ONU, o mantra “Não deixar ninguém para trás” importa mais do que nunca.

Precisamos de uma nova alvorada. De um despertar para um novo paradigma.

O nosso país precisa de novas políticas de conciliação do trabalho, família e lazer.

Pensemos no papel do trabalho na nossa sociedade, nas consequências do encerramento de milhares de empresas e de mais de um milhão de cidadãos em Lay-off ou no aumento drástico dos números do desemprego a cada dia. Pensemos na importância das nossas crianças terem não só o direito efectivo de acesso à educação, o direito de ser crianças e de todos termos direito ao desenvolvimento pessoal e ao tempo livre.

O nosso país precisa de novas políticas de apoio à criação cultural e artística.

Pensemos na ironia de viver num país que iniciou uma Revolução com canções de resistência e que nega agora o devido apoio e valorização dos seus artistas.

O nosso país precisa de novas políticas ambientais e de mais empatia e sensibilidade para com os animais.

Pensemos no autofágico modelo de desenvolvimento vigente, assente na produção e consumo desmedidos, que polui e invade ecossistemas intocados, destrói habitats e extingue espécies. A ciência não se cansa de alertar para a necessidade de mudança dos nossos hábitos e comportamentos, caso contrário não conseguiremos achatar a curva das emissões de carbono nem evitar o aumento da temperatura média global. E isto também nos matará, e mais crises como aquela com a qual nos debatemos hoje se seguirão.

O nosso país democrático não sobreviverá sem novas políticas.

Novas políticas que reforcem e aprofundem aquilo que esta crise ainda mais evidenciou: a importância e a necessidade de um Estado social forte, que ponha as pessoas em primeiro plano e que actue na defesa e na protecção do interesse 6 dos seus cidadãos, sem qualquer tipo de distinção ou discriminação e que reforcem o caminho para a igualdade. Recorde-se que em democracia a força de um Estado depende directamente da confiança que os seus cidadãos nele depositam. E não há confiança sem transparência. E a falta dela também alimenta populismos antidemocráticos.

Antes de terminar, não podemos deixar de referir que hoje não podemos todos celebrar o 25 de Abril. Faltam aqueles cujas vidas perdemos e cujo pesar não podemos deixar de manifestar às suas famílias.

Àqueles que estão doentes ou em isolamento social deixamos uma palavra de força e ânimo, assim como para com aqueles que estão em casa a cuidar dos seus ou a zelar pelo cumprimento das regras recomendadas pela Direção-Geral da Saúde.

Começámos esta intervenção agradecendo a quem abriu o caminho da Liberdade. Terminamos enaltecendo a atitude solidária e altruísta de todos os nossos concidadãos e, em particular, aos que têm assegurado o funcionamento do país, garantido a saúde dos que estão doentes, assegurando os cuidados à população, a segurança dos demais, a distribuição dos bens, a recolha dos resíduos e todos os outros serviços essenciais, nas palavras de Ghandi, “cumprindo o nosso dever de cidadãos do mundo”.

São vocês o nosso garante da Liberdade! E que Abril continue a viver em todas e todos nós!

Viva o 25 de Abril!

EDUARDO GAGEIRO FOI O FOTÓGRAFO DA REVOLUÇÃO

Há quarenta e seis anos, mal o sol despontava no horizonte, o fotógrafo Eduardo Gageiro acompanhou as operações militares que levaram ao derrube do anterior regime político. Ele próprio o descreve quando afirma “Fui avisado e avancei”, lembrando que o capitão Salgueiro Maia o autorizou a segui-lo “com risco de vida”.

“O 25 de Abril foi uma esperança. Foi o dia mais feliz da minha vida. Senti que as pessoas iriam ter uma vida melhor, falar livremente. Mas é triste porque aquele dia magnífico foi uma esperança que não se concretizou. Muitas pessoas continuam a viver mesmo muito mal. Outros enriquecem e vivem no luxo. Deixou de haver vergonha", lamenta.

Eduardo Gageiro anda sempre com a máquina fotográfica, uma companhia permanente que hoje, como antes, "continua a ser um instrumento de denúncia e de protesto".

Chegou a ser preso pela PIDE, a polícia política da ditadura de Salazar, por exibir no estrangeiro "imagens dos humildes e da miséria do país", recordou.

"Ainda hoje penso que esta profissão (fotojornalismo) é muito nobre e pode ajudar as pessoas. O que está aqui [na exposição] foi feito com o coração e é o meu contributo", disse, manifestando um agradecimento aos habitantes de Sacavém, onde nasceu, em 1935.

Foi na antiga fábrica de cerâmica local que Gageiro começou a trabalhar, ainda muito jovem, e foi nessa altura que lhe despertou a paixão pela fotografia, captando imagens dos funcionários.

Como fotojornalista iniciou atividade no "Diário Ilustrado", e também colaborou com o "Diário de Notícias" e o "Século Ilustrado". Recebeu mais de 300 prémios de todo o mundo, incluindo o 2º lugar na categoria Retratos do World Press Photo. Em 2004, foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique.

Eduardo Gageiro nasceu em Sacavém, em 1935, tendo começado a sua atividade como repórter fotográfico em 1957 no Diário Ilustrado.

No momento em que se assinala o 40º aniversário do 25 de abril de 1974, é da mais elementar justiça lembrar aqui aquele a quem devemos porventura os melhores registos fotográficos do acontecimento histórico, publicando inclusive uma foto de nossa autoria.

Fonte: http://rr.sapo.pt/

Foto: Carlos Gomes

PALÁCIO DOS MARQUESES DE VALENÇA EM 1968

À excepção da imagem que mostra a construção em 1977 de um enorme prédio por detrás do Palácio dos Marqueses de Valença, todas as demais fotos datam de 1968.

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Situado na Alameda das Linhas de Torres, perto do Campo Grande, trata-se do Palácio que nos primórdios do século XIX pertenceu aos 2ºs Marqueses de Valença, tendo sido comprado ao conde de Vimioso por Pinto da Cunha.

A quinta era muito maior do que é hoje. O campo de futebol onde estiveram instalados primeiramente o Sporting e depois o Benfica, foi construído em terrenos que pertenciam ao Palácio.

Algumas das salas conservam-se como estavam no século XIX. O cruzeiro é Monumento Nacional e o Palácio, Imóvel de Interesse Público.

Também a Câmara Municipal dos Olivais esteve instalada neste palácio durante algum tempo Algumas destas imagens fazem parte de um conjunto que integra a monografia Dispersos, do engenheiro Augusto Vieira da Silva.

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

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ARQUITECTO MIGUEL VENTURA TERRA E O “PRÉMIO VALMOR” DA RUA ALEXANDRE HERCULANO EM LISBOA

Rua Alexandre Herculano, Lisboa, na varanda do Arq. Miguel Ventura Terra, prédio doado às Belas Artes de Lisboa e Porto para com o seu rendimento pagar bolsas de estudos a alunos talentosos sem possibilidades financeiras, conforme placa gravada no edificio.

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Esta foto deve ser de 1904, a Rua Alexandre Herculano ainda tinha este aspeto. A foto pertence á família Terra e o seu autor é António Joaquim Terra, irmão de Miguel Ventura Terra.

Texto: Alda Sarria Terra (Sobrinha-bisneta de Miguel Ventura Terra)

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GRUPO FOLCLÓRICO DOUTOR GONÇALO SAMPAIO APRESENTOU-SE EM 1960 AOS REIS DA TAILÂNDIA

Em 1960, os soberanos da Tailândia estiveram em Portugal e foram recebidos em Lisboa nos Paços do Concelho pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Vitorino França Borges.

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A imagem em destaque data de 23 de Agosto desse ano e mostra o rei Bhumibol Adulyadej e espôsa a observar atentamente o traje de uma figurante do Grupo Folclórico Doutor Gonçalo Sampaio, de Braga, durante um banquete de gala que teve lugar na Estufa Fria do Parque Eduardo VII. As demais fotos registam a actuação do grupo folclórico no local e também nos Paços do Concelho.

Refira-se que Portugal tem com o Reino da Tailândia – antigo Sião – a segunda mais antiga aliança com mais de 5 séculos de História.

Foto: Armando Maia Serôdio / Arquivo Municipal de Lisboa

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QUEM FOI ARTUR MACIEL - FIGURA CIMEIRA DO REGIONALISMO MINHOTO EM LISBOA?

Artur Maciel, nome profissional e literário de Artur Santiago Maciel da Costa, (Lisboa, 21 de Fevereiro de 1900 — Lisboa, 18 de Dezembro de 1977), foi um jornalista e escritor português.

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A fotografia data de 10 de Junho de 1935 e retra a chega ao Rossio do Conde Vladimiro D’Omerson, podendo ser identificados, a contar da esquerda, Artur Maciel, François Mauriac, Condessa d’Omerson, Madame Mauriac, Ferreira dos Santos, Guilherme Pereira de Carvalho, António Ferro, Conde Vladimiro d’Omerson e António Eça de Queirós. (Foto: ANTT)

Artur Santiago Maciel da Costa de seu nome completo foi um conceituado jornalista e escritor com vasta colaboração nos jornais “O Século da Noite”, “A Voz”, “Noite” e “Diário de Notícias”. Lisboeta de nascimento, ao Minho – região à qual lhe ligavam as raízes familiares – dedicou Artur Maciel toda a sua vida e empenho à causa regionalista, a ele devendo a Casa do Minho, em Lisboa, os seus períodos mais áureos. Artur Maciel nasceu em 21 de Fevereiro de 1900.

No decorrer da sessão de 14 de Fevereiro de 1967, o deputado bracarense António Santos da Cunha não lhe poupou rasgados elogios, referindo-se-lhe nos seguintes termos: “A Casa do Minho, a que actualmente preside o distinto jornalista e escritor Artur Maciel, tem desenvolvido uma tarefa que quero disso tenho obrigação especial destacar.

Ainda há poucos dias me foi dado tomar parte numa reunião, a que assistiram pessoas do maior valor, que serviu não só para denunciar mais uma vez as delícias da cozinha minhota, como para que convivessem os naturais da região das mais variadas classes e fossem discutidos problemas de grande interesse para a mesma.

Será que a sua esforçada e dinâmica direcção pensa em organizar uma semana de estudos na capital, semana em que os mais candentes problemas regionais serão abordados por autoridades competentes nas diferentes matérias, o que será contributo apreciável para a resolução dos mesmos, e ainda, o que muito é de Ter em conta, poderosa alavanca para a mentalização dos responsáveis quanto á necessidade de esses problemas serem encarados de frente.”

O deputado António Maria Santos da Cunha era natural de Braga. Foi Secretário da Comissão Distrital da União Nacional, de Braga, em 1953, Vice-presidente daquele órgão em 1965 e Presidente da Comissão Concelhia de Braga da União nacional. Foi ainda Presidente das câmaras municipais de Braga e da Póvoa de Lanhoso, da Comissão Municipal de Turismo de Braga e Procurador à Câmara Corporativa na VI Legislatura.

Artur Maciel deixou-nos vasta obra publicada de que destacamos “Uma noite nos jardins de Espanha – Una noche en los jardines de España (1977)”; “Viagem de cem anos (1855-1955, editado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo (1958)”; “Angola Heróica. Bertrand (1963)”; “A colecção de pintura da Fundação Caloute Gulbenkian exposta no Museu de Arte Antiga”, edição do Museu de Arte Antiga (1961)”; “As artes ao serviço da nação: panorama e índice de uma época. Livraria Bertrand (1967)”; “Ritmo do bilros”, Porto, Companhia Portuguesa (19?2); “Um português nas espanhas : Galiza, Astúrias, Leão, Castelas, Catalunha e Andaluzia. Lisboa. Bertrand, (1965)”; “Condes e Senhores de Viana da Foz do Lima. Viana do Castelo. (1938)”; “Viana centro de turismo: itinerário de grandes pequenas coisas tradicionais, típicas e pitorescas (1938)”; “A mono-arquia do Prof. Doutor Marcelo Caetano. Lisboa. Liv. Bertrand (1952)”; “Ritmo de bilros : livro que contem vários casos e lendas da Beira-Lima / dado à estampa por Artur Maciel; com muitos desenhos do artista José Cyrne. Porto: Portugueza Editora. (1924)”.

O seu livro “Angola Heróica” que relata uma reportagem que fez durante 120 dias naquela frente de combate, nos primeiros anos do conflito, dedicou-o “em homenagem aos veteranos que no 1º de Maio de 1961 desembarcaram em Luanda”, prefaciando com as seguintes palavras: “... ao mais humilde e ignorado de todos esses soldados, brancos, mestiços e negros, que vi nas selvas do nosso Congo a defender Portugal - com a mesma fé, a mesma abnegação, o mesmo silencioso heroísmo de quantos dos nossos, através dos séculos, com a sua alma, o seu sangue e o seu esforço descobriram, criaram e engrandeceram Angola...”.

Para além da dinâmica que imprimiu à actividade da Casa do Minho, deixou verdadeiras pérolas literárias como sucede com os textos insertos nos cardápios dos almoços regionalistas ali realizados. A ele se deve, aliás, a divisa “Uma boa mesa para uma boa política regionalista”!

Em 1977, Artur Maciel ocupava o cargo de Presidente do Conselho Regional quando, no decorrer de uma assembleia geral que teve lugar em 18 de Dezembro desse ano, foi destituído do lugar que ocupava, através de uma votação maciça por procuração, prática que então ainda era autorizada. Seguramente movido pelo desgosto, veio momentos depois a falecer em casa.

Decorridas quase quatro décadas sobre a data do seu falecimento, Artur Maciel continua a constituir uma personalidade de referência do regionalismo minhoto na capital e, sobretudo, da Casa do Minho à qual prestou inestimáveis serviços!

Fonte: Wikipédia

REGIONALISMO EM MOVIMENTO: XUVENTUD DE GALICIA É O CENTRO GALEGO EM LISBOA

A Xuventud de Galicia é a “Asociación de persoas interesadas en difundir e dar a coñecer a cultura e as tradicións galegas en todas as súas manifestacións”.

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Conferência realizada na Xuventud de Galicia em 18 de junho de 1930

 

Fundada em 10 de Novembro de 1908 com vista a congregar a numerosa comunidade galega radicada em Lisboa, a Xuventud de Galicia tem como objectivo “fomentar, entre os seus asociados, actividades culturais, recreativas e sociais, creando entre eles vencellos de amizade e compañeirismo. Procura tamén manter a continuidade dos valores, costumes e usos tradicionais de Galicia, non deixando de promover, por outra banda, un proficuo intercambio cultural con outras asociacións similares. A Xuventude de Galicia está inscrita con o número 13 na “Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio” e foi declarada de Utilidade Pública en 26 de novembro de 1980, distinción que é concedida a Asociacións que presten servizos relevantes á comunidade ou teñan actividades de interese xeral.”.

Durante muitos anos desenvolveu actividades conjuntamente com o então Grémio do Minho – actual Casa do Minho – mormente a realização da chamada “Romaria de São Tiago” que ocorria invariavelmente junto a uma pequena ermida ede Nossa Senhora da Boa Viagem, em Caxias, onde se encontra o farol do Esteiro. Porém, um desentendimento entre as direcções das respectivas associações levou ao seu afastamento, situação que lamentavelmente se mantém até à actualidade.

Espera-se, no entanto, que minhotos e galegos venham no futuro a estreitar os laços que os unem, traduzido na cooperação e realização de iniciativas conjuntas: os galegos são nossos irmãos!

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A imagem mostra a realização de uma sessão solene comemorativa do Dia da Raça, na Xuventud de Galicia, em 12 de Outubro de 1933

Fotos: ANTT

SESSÃO DE HOMENAGEM AO PROFESSOR QUEIRÓS VELOSO NO GRÉMIO DO MINHO EM 22 DE MAIO DE 1932

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José Maria de Queiroz Veloso (Barcelos, 26 de Agosto de 1860 — Lisboa, 31 de Outubro de 1952) foi um professor universitário, político, jornalista e historiador português. Formado em Medicina, enveredou por uma carreira na docência que o levaria a professor do Curso Superior de Letras e depois a vice-reitor da Universidade de Lisboa. Foi deputado, governador civil e director-geral do ensino superior.

Concluiu o ensino secundário no Liceu do Porto, ingressando seguidamente no curso de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, que concluiu em 1884.

Ainda estudante mostrou grande propensão para as letras, iniciando-se como colaborador de diversos periódicos e integrando as tertúlias literárias então existentes na cidade do Porto. Nelas conheceu intelectuais como Joaquim Pedro de Oliveira Martins, Antero de Quental, Eça de Queirós e Guerra Junqueiro.

O seu interesse pelas letras levou ao abandono do exercício da Medicina, passando a dedicar-se ao jornalismo, colaborando em periódicos como a Folha Nova e A Província (ambos editados por Oliveira Martins) e o Novidades, o Repórter e o Tempo.

Também se interessou pela actividade política, sendo eleito deputado às Cortes da Monarquia Constitucional Portuguesa, nas listas do Partido Regenerador. Exerceu também as funções de Governador Civil do Distrito de Viana do Castelo.

Dedicou-se depois à docência, ingressando em 1896 no corpo docente do Liceu de Évora, cidade onde se fixa e onde, paralelamente às suas funções como docente do ensino secundário, assumiu os cargos de director da Escola de Habilitação para o Magistério Primário e da Biblioteca Pública.

Em 1902, na sequência da reforma de 24 de Dezembro de 1901 que conferiu ao Curso Superior de Letras funções de habilitação para o magistério secundário, ingressou, por concurso, naquela instituição, sendo encarregado de reger a cadeira de História da Pedagogia.

Em 1910, após o falecimento de Consiglieri Pedroso, foi nomeado director do Curso Superior de Letras, cargo que manteve após a reforma republicana de 1911 que transformou a instituição em Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Na novel Universidade ocupou, entre outros cargos, o de vice-reitor.

Também assumiu cargos administrativos no Ministério da Instrução Pública, entre os quais o de Chefe da Repartição do Ensino Secundário, Superior e Especial e o de Director-Geral do Ensino Superior.

Jubilou-se em 1930, aos 70 anos de idade, dedicando-se então a intensa actividade de investigação historiográfica, investigando em particular a história das relações luso-espanholas. Visitou por dezasseis vezes a Espanha, onde estudou os arquivos do Ministério dos Assuntos Exteriores, o Arquivo Histórico de Madrid e o Arquivo Geral de Simancas.

Dedicou particular atenção ao estudo do litígio luso-espanhol sobre Olivença, publicando uma importante obra sobre a história da perda e da tentativa de recuperação daquele território por Portugal, trazendo a público documentos diplomáticos até então ignorados referente ao Litígio Fronteiriço de Olivença. Neste campo mantém actualidade a sua obra Como perdemos Olivença, editada em 1932 por Ventura Ledesma Abrantes, com uma segunda edição em 1939 com a chancela da Academia das Ciências de Lisboa.

Foi um dos 40 sócios fundadores do Grupo dos Amigos de Olivença, constando em 11.º lugar na lista datada de 10 de Novembro de 1958.

Fonte: Wikipédia

REGIONALISMO EM MOVIMENTO: GRÉMIO LAFONENSE É UMA COLECTIVIDADE CENTENÁRIA

A Casa de Lafões foi fundada em 5 de Outubro de 1911 com o nome de "Grémio Lafonense".

Como os seus estatutos referem, “A "Casa de Lafões" é uma associação regionalista e tem como objectivos promover, defender e valorizar a região de Lafões e fomentar a união de todos os seus associados com vista à sua valorização sócio-cultural e desportiva”, abrangendo os concelhos de Vouzela, S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades.

A imagem data de 19 de junho de 1938 e regista o almoço de confraternização dos sócios do Grémio Lafonense para comemorar o 28º aniversário da sua fundação.

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Fonte: ANTT

CALIPOLENSES TRAJAM À MODA DO MINHO

A imagem mostra um aspecto das festas no Colégio Calipolense realizdas em 18 de Junho de 1926, vendo-se as alunas com trajes de lavradeiras minhotas. De referir que calipolense constituí o gentílico das gentes de Vila Viçosa, no Alentejo, devendo-se tal denominação à helenização do topónimo Vila Viçosa em Kallipolis, de kallos, «formoso», e polis, «cidade». Acrescenta que esta helenização se deve a André de Resende, que a deixou registada nas suas Antiquitates Lusitaniae.

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Fonte: ANTT

REGIONALISMO EM MOVIMENTO: CASA DE TRÁS-OS-MONTES É A MAIS ANTIGA ASSOCIAÇÃO REGIONALISTA EM LISBOA

Constituída no longínquo ano de 1905 sob a denominação de “Clube Transmontano”, a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa é a mais antiga associação regionalista existente em Lisboa.

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Acto de posse dos Corpos Gerentes do Grémio de Trás-os-Montes em 1936. Identificados no álbum: Dr. Cândido Bragança, Coronel Bento Roma, Tenente-Coronel Carvalho Teixeira, Luís Machado Pinto, Dr. Ferreira Deusdado, João Pereira Fernandes, Dr. Abreu Lopes, Comandante Celestino da Silva, Engº Álvaro da Rocha Cabral, Alferes Guedes da Silva, Artur José Severo de Oliveira, Dr. Luís Gonzaga Nouza, Virgílio Alves Garcia, Fernando José da Costa, Pinto Saraiva e Alfredo de Araújo Mourão.

 

A sua síntese histórica é por ela própria apresentada no seu site oficial e dispensa comentários: “A primeira sede, à data da fundação, ficava situada na Rua Capelo, nº5, onde actualmente está a Rádio Renascença. Em 1907, passou para a Rua Nova do Almada, nº109-1º, onde se manteve 5 anos passando depois para o Largo Camões, nº6 –2º . De 1916 a 1929, sob a direcção de uma Comissão Administrativa, esteve localizada na Travessa da Glória, nº22 A – 1º, e já com a designação de Grémio, a sede esteve dois anos na Rua do Telhal, 71 – 2ºDº, transferindo-se, em 1931, para a Rua do Mundo nº20 – 2º, que viria a chamar-se Rua da Misericórdia. Em 1934, a sede ocupava o 2º andar do Palácio Regaleira, Largo de S. Domingos nº14 C e 14 D, aparecendo localizada na Avenida Elias Garcia, nº135, no ano de 1939. No ano seguinte, em 1940, regressa à Rua da Misericórdia, nº20 – 2º. Em 1991, a sede passou para o 3º andar do edifício nº50, no Campo Pequeno, onde presentemente se encontra.

A actual sede é propriedade da CTMAD, tem uma área total da ordem dos 150 m2, distribuída da seguinte forma: salão / biblioteca para reuniões, sala com hall a funcionar como secretaria, corredor, outra sala destinada a reuniões e convívios com maior número de assistentes, cozinha, duas casas de banho, uma sala / bar e uma marquise / arrecadação.

Além da área ser muito limitada e os espaços disponíveis pouco funcionais para o bom desempenho das suas actividades normais, a sede da CTMAD apresenta outro grande inconveniente, que é o facto de estar localizada num terceiro andar sem elevador.”

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Homenagem às senhoras da Comissão de Assistência, em 1934

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Audição de Canto Coral

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1931. Em dia de festa

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1930. Em dia de Festa

Fotos: ANTT