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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A HISTÓRIA É UMA FESTA EM VILA NOVA DE CERVEIRA

Festa da História 2019 já tem data e inscrições abertas

Está a decorrer até 7 de junho, o período de inscrições para mais uma edição da Festa da História de Vila Nova de Cerveira. Mercadores, taberneiros, artesãos e associações interessados em participar devem submeter a respetiva inscrição junto dos serviços culturais da Câmara Municipal ou da Associação Velha Lamparina (mediante o local de residência). Viagem à época medieval está marcada para de 22 a 25 de agosto.

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Ano após ano, a Festa da História de Vila Nova de Cerveira tem afirmado a sua posição no roteiro nacional das Feiras Medievais e, 2019, não será exceção.

Com uma vasta e animada programação minuciosamente elaborada pela Câmara Municipal em parceria com a Associação Velha Lamparina, não vai faltar o habitual cortejo medieval, um conjunto diversificado de espetáculos de teatro, música, falcoaria real, malabarismo e acrobacias, demonstração de serpentes, danças orientais e ofícios, para além da mostra e venda de produtos artesanais e gastronómicos.

A Festa da História 2019 decorre de 22 a 25 de agosto, entre o Castelo e as várias artérias do centro histórico, ornamentadas a preceito para receber milhares de pessoas.

A participação de artesãos e associações carece de inscrição, cujo período está a decorrer até ao próximo dia 7 de junho. Para os interessados locais através dos serviços culturais da autarquia via correio postal ou eletrónico (geral.cultura@cm-vncerveira.pt) e para os não locais através da Associação Velha Lamparina via correio postal ou eletrónico (velhalamparina@hotmail.com)

D. MIGUEL PEREIRA FORJAZ NASCEU HÁ 250 ANOS - O LIMIANO QUE FOI O HERÓI DA RESISTÊNCIA ÀS INVASÕES FRANCESAS

Um limiano que foi um dos mais distintos generais do Exército Português. Ponte de Lima deveria prestar-lhe homenagem

Miguel Pereira Forjaz Coutinho Barreto de Sá e Resende nasceu em Ponte de Lima em 1 de Novembro de 1769. Foi um dos mais distintos generais do Exército Português, porventura a quem mais devemos a recuperação da soberania nacional na sequência das invasões francesas.

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Membro do Conselho de Regência em 1807 e 1809, este órgão estava incumbido de governar o Reino de Portugal enquanto a corte permanecia no Brasil a fim de salvaguardar a integridade física da Família Real e, consequentemente, evitar a imposição de qualquer acto de capitulação, como aliás sucedeu noutros países.

O escritor Raul Brandão, na sua obra El Rei Junot, faz uma descrição bastante exaustiva do seu envolvimento na organização da resistência popular aos invasores, nomeadamente através da constituição e armamento de ordenanças, termo com que então se designavam as milícias populares.

O seu nome veio posteriormente a ficar associado ao julgamento e execução dos membros do Sinédrio – organização para-maçónica que planeava destinada a desencadear uma revolução com vista à implantação de uma monarquia constitucional – entre os quais se incluía o seu primo, o General Gomes Freire de Andrade. É, aliás, a si atribuída a célebre frase “Felizmente há luar!” que mais tarde serviu de título a uma obra teatral da autoria de Luís de Stau Monteiro. E é porventura essa a razão pela qual, em edições mais recentes da obra de Raul Brandão, foram suprimidas as passagens acerca de D. Miguel Pereira Forjaz… a História é escrita pelos vencedores!

Em 1820, recebeu o título de Conde da Feira e, em 1826, por ocasião da outorga da Carta Constitucional por D. Pedro IV, foi eleito par do Reino.

Estes e outros aspectos a respeito do ilustre limiano que foi D. Miguel Pereira Forjaz constam de um artigo inserto na revista “O Anunciador das Feiras Novas” que anualmente se publica em Ponte de Lima.

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DANIEL BASTOS APRESENTA EM BRAGA NOVO LIVRO SOBRE GERÁLD BLONCOURT E O NASCIMENTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

No dia 7 de junho (sexta-feira), é apresentado na capital do Minho o livro “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

A obra, concebida pelo historiador minhoto Daniel Bastos a partir do espólio de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes mundiais da fotografia humanista, recentemente falecido na capital francesa, é apresentada às 21h00 na FNAC-Braga.

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O historiador Daniel Bastos (dir.) foi em 2015 o responsável pela realização do livro de Gérald Bloncourt (esq.) “O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, que retrata a emigração portuguesa nos anos 60, e que contou com prefácio do ensaísta e pensador Eduardo Lourenço.

A apresentação da obra, uma edição trilingue (português, francês e inglês) traduzida por Paulo Teixeira, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, estará a cargo da Professora de Ciência Política da Universidade do Minho, Isabel Estrada Carvalhais.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, uma das instituições de referência do Portugal democrático, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa nos anos 60, mas que foi também um espectador privilegiado da explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o investigador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

A publicação do livro, que contou com a colaboração de Isabelle Repiton, viúva de Gérald Bloncourt, e é enriquecida com memórias e testemunhos do fotojornalista franco-haitiano, representa cerca de meio século após a Revolução de Abril um novo contributo e oportunidade para revisitar a génese da democracia portuguesa.

Segundo Vasco Lourenço, esta obra ilustrada pela lente humanista de Bloncourt, fotógrafo que em 2016 foi agraciado pelo Presidente República Portuguesa com a Ordem do Infante D. Henrique, constitui uma viagem ao “tempo dos sonhos cheios de esperança, da afirmação da cidadania, da construção de uma sociedade mais livre e mais justa, do fim e do regresso de uma guerra sem sentido com a ajuda ao nascimento de novos países independentes, onde a língua portuguesa continuou a ser o principal factor congregador”.

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ANGOLA: MINHOTOS QUE VIVIAM EM LUANDA FUNDARAM A CASA DO MINHO HÁ 87 ANOS

A Casa do Minho em Luanda foi dissolvida na sequência da descolonização de Angola e, sobretudo, da guerra civil que se seguiu, após o 25 de Abril de 1974. Porém, se o processo político tivesse ocorrido de forma pacífica e ordeira permitindo a permanencia das gentes que idas da Metrópole fizeram daquele território ultramarino a sua própria terra, a Casa do Minho contaria hoje com 87 anos de existência.

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Actuação do Rancho da Casa do Minho no N'Gola Cine, em Luanda

 

Com efeito, os Estatutos da Casa do Minho foram aprovados por alvará do Governo Geral de Angola, nº 2, de 29 de Janeiro de 1932. E, pelo menos à data da independência política de Angola, aquela instituição regionalistasituava-se na rua Luciano Cordeiro, actual rua do Assalto ao Quartel de Moncada, fazendo esquina com a rua Serpa Pinto, actual rua Amílcar Cabral. Era ali o ponto de encontro de muitos dos nossos conterrâneos que viviam naquela cidade, em muitos casos há várias gerações.

À semelhança do que sucedia em Moçambique com a Casa do Minho em Lourenço Marques e porventura com a sua congénere na cidade da Beira, a Casa do Minho em Luanda possuía um rancho folclórico que constituía a sua principal atracção. De resto, é notável a especial afeição que o minhoto possui pelas suas tradições e o seu folclore onde quer que se encontre.

O tempo passa mas temos conhecimento de que muitos daqueles que passaram pela Casa do Minho em Luanda e dela foram filiados, encontram-se actualmente dispersos a viver sobretudo no Minho ou na região de Lisboa.

Pouco mais sabemos acerca daquela instituição regionalista. Mas, com a colaboração dos nossos leitores, talvez possa o BLOGUE DO MINHO dar a conhecer mais aspectos da vivência das nossas gentes naquelas paragens. E, quem sabe, contribuir para a reunião dos ex-sócios e amigos da Casa do Minho em Luanda, à semelhança do que sucede com a ex-Casa do Minho em Lourenço Marques.

Fotos: Maria Fernanda Barbosa

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Actuação em Massangano, no Cuanza Norte

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Início do Grupo da Casa do Minho, em Luanda

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Actuação no Bairro Popular, em Luanda, em 30 de Maio de 1968

HISTORIADOR DANIEL BASTOS APRESENTA EM FAFE OBRA SOBRE HOSPITAIS E SAÚDE NO BRASIL E PORTUGAL

Obra coletiva sobre Hospitais e Saúde entre Brasil e Portugal apresentada em Fafe

No dia 4 de junho (terça-feira), vai ser apresentado em Fafe o livro “Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal”. 

A obra coletiva de referência na área da História e Saúde, resultado de um conjunto de trabalhos elaborados por investigadores luso-brasileiros sobre arquitetura, urbanismo, património cultural e saúde no séc. XIX, é apresentada às 17h30 no salão nobre da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, uma das maiores instituições sociais do Norte de Portugal.

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O historiador Daniel Bastos (esq), que em conjunto com a docente Cybelle Salvador Miranda (centro) e o arquiteto Renato Gama-Rosa (dir.) integra uma rede luso-brasileira de estudo dos Hospitais de Beneficência Portuguesa, é o autor do livro “Santa Casa da Misericórdia de Fafe – 150 Anos ao Serviço da Comunidade, obra que foi apresentada em 2012 no evento comemorativo do Ano de Portugal no Brasil da Fundação Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro

A apresentação da obra, uma publicação da editora Fiocruz, que concentra a maior parte dos lançamentos da Fundação Oswaldo Cruz, a mais importante instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, e uma das principais instituições mundiais de pesquisa em saúde pública, localizada no Rio de Janeiro, estará a cargo do historiador fafense Daniel Bastos. E do arquiteto e urbanista brasileiro Renato Gama-Rosa, do Departamento de Património Histórico da Casa de Oswaldo Cruz, um dos organizadores do livro, em conjunto com a docente brasileira Cybelle Salvador Miranda, da Universidade Federal do Pará.

Refira-se, que um dos sete capítulos do livro, onde os cientistas sociais luso-brasileiros revisitam a benemérita rede de dezenas de associações de beneficência fundadas por emigrantes portugueses na transição do séc. XIX para o séc. XX, e que ainda hoje são instituições de referência no Brasil, principal destino da emigração lusa na época, é assinado pelo historiador Daniel Bastos com o título “O Hospital da Misericórdia de Fafe e a Contribuição da Benemerência Brasileira em Portugal no Século XIX”.

No decurso do seu contributo historiográfico, o investigador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia destaca o concelho de Fafe como uma construção contemporânea dos “brasileiros de torna-viagem”, enquadrando o Hospital da Misericórdia de Fafe, que desempenha um papel estruturante no campo social local, como uma obra paradigmática da benemerência brasileira oitocentista, gizada a partir do modelo arquitetónico da “Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro”. 

Esta é a primeira apresentação do livro em Portugal, após o seu lançamento no Brasil no início do ano no Rio de Janeiro, na Fundação Oswaldo Cruz, e posteriormente em Belém, na Universidade Federal do Pará.

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MONÇÃO REALIZA RECRIAÇÃO HISTÓRICA “PONTE DO MOURO MEDIEVAL”

Dias 8 e 9 de junho, em Barbeita/Ceivães - Monção

Ponte do Mouro Medieval, iniciativa promovida pela Associação “Buraca da Moura” com apoio da Câmara Municipal de Monção, é a recriação histórica do Encontro de D. João l e do Duque de Lencastre, precisamente em Ponte do Mouro, lugar pertencente às freguesias de Barbeita e Ceivães.

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Naquele encontro, realizado com pompa e circunstância no ano de 1386, estabeleceram-se as condições de cooperação militar entre os dois países, acertando-se os pormenores do casamento entre o Rei D. João I e D. Filipa de Lencastre, filha do Duque.

Nesta viagem ao passado, os visitantes poderão apreciar e viver todo o contexto histórico da época, degustando sabores tradicionais e participando nas recriações medievais alusivas àquele período: música e danças da época, torneios, animadores de rua, espetáculos de fogo, falcoaria, cânticos à capela, demonstrações de ofícios e mercado medieval.

QUEM AINDA SE LEMBRA QUANDO HÁ 44 ANOS A AOC QUERIA SUBSTITUIR A ESFERA ARMILAR PELO CASTELO DE GUIMARÃES NA BANDEIRA NACIONAL?

Já lá vão aproximadamente 44 anos. A bandeira nacional era então por alguns sectores políticos apelidada de “colonial-fascista” – apesar de ter sido criada pela Primeira República à imagem da bandeira da Carbonária! – e havia mesmo quem prenonizasse a sua substituição.

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Entre os que tal defendiam, destacou-se um pequeno grupo político maoísta denominado Aliança Operário-Camponesa (AOC) – na realidade uma espécie de heterónimo do PCP (M-L) cujo principal dirigente veio mais tarde a aderir ao PSD.

A sua proposta na altura era, nem mais nem menos, a substituição da esfera armilar e do escudo nacional pelo castelo de Guimarães encimado com a estrela de cinco pontas que simboliza o internacionalismo proletário, identificador de todos os partidos de orientação marxista. Em causa estava sobretudo a esfera armilar, à época entendida como simbolizando o imperialismo colonialista… as ideologias sempre inebriam em todas as épocas!

Fonte: Ephémera

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AS CARTAS DO BISPO BARCELENSE ANTÓNIO BARROSO

As cartas do bispo António Barroso: rara lucidez, energia do pioneiro (pré-publicação)

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António Barroso e o Vaticano – Correspondência é o título do livro que, recolhendo mais de 400 documentos guardados no Arquivo do Vaticano e pesquisados durante três anos, dá a conhecer diversas facetas do homem que foi missionário no Congo e bispo de Moçambique, de Meliapor (Índia) e do Porto, tendo assumido também a defesa da liberdade religiosa perante as perseguições da República.

Da autoria de Carlos A. Moreira Azevedo, o livro complementa a biografia de que o bispo e historiador é coautor, com Amadeu Gomes de Araújo, intitulada Réu da República (ed. Alêtheia),

António Barroso (Barcelos, 1854) – Porto, 1918) catalisa em si os debates do seu tempo, seja sobre a presença das missões católicas nas então colónias portuguesas, sobre a relação da Igreja com o Estado, a liberdade religiosa ou a renovação da vida religiosa.

O 7MARGENS publica a seguir alguns excertos da introdução da obra e cinco das cartas reproduzidas no livro. A obra será apresentada no Porto nesta sexta-feira, dia 17 de Maio, por Jorge Teixeira da Cunha, professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. A sessão, que contará com a presença do autor e do bispo do Porto, realiza-se a partir das 21h00 no Paço Episcopal do Porto e tem entrada livre.

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Entrar no ânimo de um bispo santo

(Excertos da Introdução)

Em figuras cristãs de rara lucidez unem-se exemplar determinação e simplicidade evangélica, transparecem unidas a coragem e a fidelidade ao ideal. Não podem, por isso, negligenciar-se esforços para conhecer os detalhes das suas vidas, o itinerário das suas lutas, a clareza do seu pensamento.

Com este livro, não se oferece mais uma biografia do ilustre missionário de Remelhe (Barcelos), mas recolhe-se documentação essencial para entrar no ânimo de um bispo santo[1]. De facto, a correspondência conservada no Arquivo Secreto Vaticano, em grande parte inédita, constituirá fonte primária para analisar posições pastorais, liberdade política e notável discernimento.

Reuni aqui 400 cartas, sendo metade desconhecidas do processo de canonização, âmbito em que foi realizado um primeiro levantamento. (…)

Aqui despontam as marcas de uma personalidade paradigmática: não é apenas o missionário entregue à catequese e às estruturas da missão. António Barroso atende à geografia, à etnografia; desafia o tipo de política ultramarina reinante e conserva um firme amor à Pátria.

Como missionário no Congo, entre 1881 e 1888, espanta-nos a energia do pioneiro. Diante do total desamparo do ambiente, febres, condições inclementes, escassez de alimentos, rasga caminhos a partir de ruínas e escombros: funda um posto meteorológico, promove uma escola agrícola. Descobre rapidamente que o missionário tende a levar «em uma das mãos a cruz e na outra a enxada […] ser padre e ser artista, pai e mestre, doutor e homem da terra»…[2]Observa a realidade desastrosa, mas não tece lamentos, deita antes mãos à obra. Reconhece o trabalho protestante e sente quanto tem de esforçar-se para lhe estar a par. Não embandeira por caminhos fáceis de eficácia aparente. (…)

Os talentos excecionais revelados no Congo, do qual António Barroso manteria gratíssima recordação para sempre, quis o novo ministro da Marinha e do Ultramar, António Enes, escritor e político anticlerical e da Maçonaria, fossem alargados a uma região mais vasta. Barroso foi, então, nomeadoprelado de Moçambique por decreto real de 12 de fevereiro de1891. O núncio comunica, em carta de 16 de fevereiro de 1891 para o secretário de estado do Vaticano, o acordo do governo “pela nomeação do egrégio missionário Barroso”[3]. (…)

O espírito crítico acerca do modo de colonizar e a intenção de avançar no seu projeto ficam evidentes. De facto, o que anuncia vai cumprir: criou paróquias e deu início a várias missões como Maputo, Lhanguene. Muitas vezes teve de escrever ao ministro do Ultramar para exigir meios para as escolas, porque, como declarava António Barroso: a instrução pública não pesava sobre os seus ombros, mas era condição fundamental para uma evangelização séria e eficaz. (…)

Facto, porém, mais relevante são as quatro grandes viagens a que se aventurou. Constituem verdadeira epopeia missionária. Lançou-se a penosos itinerários pastorais para conhecer de perto a realidade indígena e para incentivar, pela experiência de vida, os seus colaboradores para não se pouparem ao desgaste, nem evitarem os contratempos. Assim podia incentivar a mudança e provocar o marasmo colonial. Os processos de uma errada colonização eram claros para D. António Barroso. (…)

O bispo de Meliapor percorreu inteiramente a diocese deliberando atritos, construindo a almejada comunhão, não obstante a dificuldade de locomoção devida aos antigos caminhos. Na Índia, em menos de dois anos, realizou 14 visitas pastorais às igrejas do Maduré, percorreu o vale do Ganges e fez visita às missões de Calentá, expondo-se às neblinas do grande rio e agravando o impaludismo, já crónico, levado de África. Apesar das frequentes febres, percorria, por dois, três ou quatro dias, geralmente em carros de bois, por entre pântanos ou desertos de calor abrasador, o caminho entre as comunidades cristãs. (…)

Uma questão que podemos verificar nesta correspondência consiste na emergência do lento processo da colegialidade dos bispos. (…) o quadro desarticulado entre os bispos era visto assim pelo Vaticano: “ausência absoluta de organização séria e de posição comum; e portanto de concórdia e de coesão”[4]. Perante tal retrato, aconselhava-se o núncio a insistir em conferências anuais. Curioso que o bispo do Porto, em carta a monsenhor Tonti, em 8 de abril de 1907, lamente, que após reunião de janeiro em Lisboa, na qual tinham manifestado desejo de se reunirem de novo para tratar de um catecismo comum, nada recebeu até agora e está dependente de aviso do patriarca[5]. Novamente, em 1915, esperava reunião, mas “parece ficar para as calendas gregas”[6].

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Cinco cartas

Uma desgraça, sobretudo para os pobres

As medidas do Governo de Hintze Ribeiro contra a ação das congregações religiosas querem agradar aos republicanos e situam-se dentro do espírito do Caso Calmon. Ao conhecer o Decreto do Governo de 10 de março de 1901, exigindo estatutos às congregações religiosas, o bispo do Porto manifesta a sua preocupação, pois muitas instituições de ensino e de caridade, dedicadas aos mais pobres, não têm estatutos.

– Carta ao núncio Andrea Aiuti. Porto, 12-03-1901.

Ex.moe Rev.moSenhor de toda a minha consideração e amizade

(reservada)

Publicaram os jornais o Decreto de 10 do corrente com respeito a congregações religiosas. Aqui há um grande número de instituições sobretudo de mulheres para o ensino dos pobres e caridade. Algumas destas instituições tem estatutos aprovados, mas na maior parte não existem tais estatutos; deste modo se o Decreto se executar à letra tem de retirar muita gente, o que significa uma desgraça, sobretudo para os pobres. Quais serão as vistas subliminares do Governo? Era um ponto importante a conhecer, mas importa dar força [?] aos católicos. Que será mais conveniente que eles façam neste momento? Eu desejava ouvir a opinião de V. E. R. em confidência sobre este assunto; e muito agradecia se V. E. me quisesse dizer um destes dias.

Aqui na rua há paz, mas os espíritos estão ainda muito exaltados e não é fácil ainda provar até onde poderá isto levar-nos.

Deus Nosso Senhor se compadeça deste pais que tão desorientado está. A mim tudo isto me tem causado profunda amargura. […]

António, bispo do Porto.

A orientação política divide os católicos

A incapacidade governativa do final do regime monárquico e a falta de uma resposta dos católicos, demasiado divididos em fações partidárias, faz sofrer o bispo do Porto. Antes desta obra que publico não era conhecida a advertência feita, em mensagem breve, ao cardeal Merry del Val, secretário de estado do Vaticano, a 6 de março de 1910: “uma questão gravíssima divide os ânimos entre os católicos portugueses, isto é a orientação política. Creio ser meu dever levar este facto ao conhecimento da Santa Sé, a fim de que determine o que julgue oportuno para a tranquilidade dos espíritos e para o bem da Igreja”[7].

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“Saúde e fraternidade” numa carta para Afonso Costa

Reveladora da responsabilidade pastoral e da audácia apostólica, com pés bem assentes nas dificuldades, mas sem qualquer temor, é a atitude com que Barroso encara a mudança de regime e a perseguição do governo republicano.

Não foi só no auge republicano de 1910 que teve início a luta de António Barroso a favor da liberdade religiosa e que começou a sua firmeza corajosa. Chegaria, contudo, a ocasião para revelar o carácter destemido da sua fé e amor à liberdade da Igreja. O Governo republicano apressou-se a lançar legislação abundante, destinada a erradicar o catolicismo em Portugal. As medidas legais contra a Igreja Católica multiplicam-se na incipiente República. O bispo escreve, em 12 de outubro, a Afonso Costa apelando para o fim da legislação contra a Igreja, uma vez que não está a ser submetida à aprovação da Assembleia Constituinte[8]. Os termos são hábeis e medidos. No entanto, o ministro não atende à carta e as medidas sucedem-se em crescendo.

– Carta ao ministro da Justiça, Porto, 12-10-1910.

Ex.mo Senhor Ministro da Justiça

Permita V. E. que, com vista nos altos interesses morais que me estão confiados, e que tanto importam ao Estado português, eu venha pedir a V. E. que as medidas, que se diz o Governo Provisório da República Portuguesa tenciona tomar, com respeito a assuntos eclesiásticos, não sejam decretadas antes da reunião da Assembleia constituinte, mas sim sejam a ela presentes.

Como cidadão português, ouso esperar que o Governo do meu país, nas medidas que sobre tais assuntos houver de tomar ou propor, se inspirará nos elevados princípios e sentimentos de liberdade, de justiça e de equidade, que podem concorrer para a ordem pública e para a tranquilidade e bem de todos, o que certamente constitui a aspiração do Governo.

Fico fazendo votos para que este pedido, que assim faço, seja benevolamente acolhido, se não por atenção a mim, pela consideração dos vitais interesses, a que respeita e cuja importância não careço expender, porque de sobejo a reconhece o esclarecidíssimo espírito de V. E., que, na actual conjuntura, quererá por certo proceder com aquela cordura e ponderação, que tão bem quadram a um homem de Estado.

Saúde e fraternidade.

Porto e Paço Episcopal 12 de Outubro de 1910.

António, bispo do Porto.

Abstenção é uma doce forma de nada se fazer

– Carta a monsenhor Masella. Porto, 06-06-1915

Porto 6-6-915

Ex.moe Rev.moSenhor

(…) Continuo com a opinião de que a abstenção é um erro e uma doce forma de nada se fazer.

Assim vimos sempre contemporizando com monárquicos e com republicanos; uns dizem que estamos enfeudados aos primeiros e os outros que tememos os segundos. Isto assim é talvez cómodo, mas não é digno e quem perde é a Igreja e também a Pátria.

Disponha sempre V. E. R. do que é […]

António, bispo do Porto.

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Monárquicos e republicanos, a distinção necessária

Em 1917, os bispos escrevem uma carta pastoral coletiva e em resposta a recomendações de Masella, referentes à imprensa católica, Barroso escreve: “Sempre me tenho esforçado por manter a necessária distinção e todos os dias verifico que é um erro muito grave imputar à monarquia ou à república, o que por sua natureza deve estar sempre acima do que pertence às disputas e paixões dos homens. Parece-me que a imprensa católica do Porto, que bem reduzida é, se tem mantido quanto possível nesta linha de conduta. O que às vezes lhe causa sacrifícios, pois a corrente mais forte deseja que a religião se ponha ao serviço dos interesses monárquicos[9].

Notas

[1]Os escritos oficiais de António Barroso, como missionário em África e Ásia, já mereceram uma publicação de António Brásio – D. António Barroso, missionário, cientista, missiólogo. Lisboa: Centro de estudos históricos ultramarinos, 1961.

[2] BARROSO, A. – O Congo: seu passado, presente e futuro. Lisboa: Imprensa Nacional, 1889, p. 70.

[3] Ver ANL 312, fasc. 2, f. 243. A apresentação do rei data de 14-02-1891. Existe cópia em ASV, Segreteria di Stato1891, rub. 250, f. 139.

[4] ANL 363, fasc. 1, f. 20.

[5] ANL 365, fasc. 3, ff. 21-22.

[6] ANL 397, fasc. 3, ff. 44-45v.

[7] Ver carta de 06-03-1910.

[8] Ver carta de 12-10-1910.

[9] ANL 393, fasc. 2, f. 72 (10-03-1917).

Fonte: https://setemargens.com/

RETRATO DE CARDEAL SARAIVA É A PEÇA DO MÊS NO BOLETIM DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

PEÇA DO MÊS | FREI FRANCISCO DE SÃO LUÍS (CARDEAL SARAIVA)

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Retrato de Fr. Francisco de São Luís (1822-23), de Francisco António Silva Oeirense (1797-1868), litografia, 35 x 25,5 cm, n.º inv. MAR 151, fotografia AF 00213/2014, Arquivo Histórico Parlamentar

 

Retrato de Frei Francisco de São Luís Saraiva (Ponte de Lima, 26.01.1766 – Lisboa, 07.05.1845), integrado na coleção de retratos litográficos dos «Beneméritos Cidadãos Regeneradores» da Revolução de 24 de Agosto de 1820, da autoria de Francisco António Silva Oeirense (1797-1868), feita em homenagem ao rei D. João VI. Os desenhos originais foram oferecidos pelo autor às Cortes em 1823.

Retrato a meio corpo, a ¾ à esquerda, olhar de frente, veste hábito negro de monge beneditino e solidéu, apresenta o braço direito caído e o esquerdo fletido com um livro na mão. Na parte inferior apresenta a legenda: «Fr. FRANCISCO DE S. LUIZ / DOUTOR E LENTE DE LOGICA / Pela Universidade de Coimbra, Membro da Junta Provisional do / Supremo Governo do Reino instalada no sempre memoravel dia de / 24 de Agosto de 1820». Subscrição: «F.A. Silva Oeirensis ad vivum delineavit, et sculpsit.»

Admitido no Mosteiro de São Martinho de Tibães, casa-mãe da Ordem de São Bento (OSB), em abril de 1780, estudou nos colégios de Rendufe e da Estrela, na Faculdade de Teologia de Coimbra (1785), concluindo o doutoramento em 1791 e onde foi professor de Filosofia e Teologia. Na OSB desempenhou, entre outros, os cargos de secretário do Abade geral, abade do Colégio de Coimbra, visitador-geral e cronista-mor. Em 1817 foi nomeado lente de Filosofia no Colégio das Artes, tendo ainda sido Membro da Academia Real das Ciências, desde a sua fundação. É vasta a sua obra sobre a história da OSB, assim como sobre temas de agricultura, história, literatura, linguística, administração pública e estatística, reunida postumamente em dez volumes, com o título de Obras Completas (1855).

No Minho, em 1808, participou nos combates contra os franceses. Em 1820, integrou a Junta Provisional do Governo Supremo, em representação da Universidade de Coimbra. Foi Deputado às Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes (1821-1822), onde foi eleito membro da Regência e exerceu o cargo de Presidente das Cortes Ordinárias e Extraordinárias (01.03.1823 – 14.05.1823). Foi Presidente da Câmara dos Deputados (06.11.1826 – 14.03.1828; 21.08.1834 – 14.09.1834) e, por sugestão de D. João VI, foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra, com direito a sucessão do bispado de Coimbra (1822-1823).

Perseguido e deportado pelos absolutistas, após a vitória liberal assumiu o cargo de guarda-mor da Torre do Tombo. Foi, também, Par do Reino (a partir de 1835), ministro do reino (1834-1835), conselheiro de Estado, vice-presidente da Câmara dos Pares (1842-1845) e cardeal patriarca de Lisboa (1840-1845), sendo responsável pelo reatamento das relações diplomáticas entre Portugal e o Vaticano.

Foi iniciado na Maçonaria, antes de 1821, adotando o nome simbólico de Condorcet, na qual se manteve membro ativo até à sua morte.

A coleção de 32 retratos dos «Beneméritos Cidadãos Regeneradores» da Revolução de 24 de Agosto de 1820 foi oferecida por Joaquim da Cunha Souto Maior, em 29.11.1940, ao então Museu da Assembleia Nacional, descendente de João da Cunha Souto Maior, um dos “vintistas” retratados.

BRAGA REVIVE BRACARA AUGUSTA

Braga Romana celebra a memória e identidade de Bracara Augusta

A Cidade de Braga volta a vestir-se a rigor para recriar o quotidiano de Bracara Augusta, com a 16.ª edição da Braga Romana. De 22 a 26 de Maio, a Braga Romana convida Bracarenses e visitantes a conhecer as origens de Bracara Augusta e a partilhar a paixão pela história de Braga.

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Este ano, a Braga Romana apresenta-se com diversas novidades, desde logo com a relocalização do Acampamento Militar no Largo Paulo Orósio (frente aos Bombeiros Voluntários), e da área pedagógica no Largo de Santiago. Nesta edição, os principais espectáculos – Concílio dos Deuses, Casamento Romano e Funeral Romano – terão lugar no palco instalado no átrio do Museu D. Diogo de Sousa.

A vereadora da Cultura, Lídia Dias, explica as alterações com a necessidade de levar o evento para o local onde Bracara Augusta tinha a sua área delimitada pela muralha romana. Esta será também uma oportunidade para atrair mais visitantes a espaços como as Termas da Cidade, ao Largo de S. Paulo, Largo de Santiago e até ao Museu D. Diogo de Sousa.

“Queremos que as pessoas consigam vivenciar ao máximo a Braga Romana. Ao longo de cinco dias, os Bracarenses debruçam-se particularmente sobre este pedaço da sua história, através da recriação do contexto social e das actividades económicas. Queremos continuar a fazer da Braga Romana uma grande festa da memória e da identidade”, referiu Lídia Dias na apresentação do evento que decorreu esta Terça-feira, 14 de Maio.

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Também o mercado será distribuído pela rua Francisco Sanches, Largo de S. João do Souto, rua de S. João, Rua do Forno, Rua de Nossa Senhora do Leite, Rua Gonçalo Pereira. Já a Praça da Alimentação continua instalada nas Carvalheiras e no Largo de S. Paulo.

A 16.ª edição coloca à disposição do grande público oportunidades para um contacto mais efectivo com a memória da civilização romana no território Bracarense, com a recriação do quotidiano romano nas suas mais diversas áreas. A Braga Romana dá ainda a oportunidade ao público para visitar museus e espaços arqueológicos que, nestes dias, se enchem de vida e novas experiências.

Números

  • 200 actuações
  • 5 palcos: Rossio da Sé; átrio Museu D. Diogo; Largo de S. João do Souto; Largo de Santiago, Termas Romanas
  • 80 actividades pedagógicas
  • 139 mercadores
  • 90 entidades (associações e escolas)
  • 39 agentes artísticos

Espaços

  • Lyceus Romanus(Área Pedagógica) | Seminário de Santiago
  • Domus Camalus(Casa Camalus) | Largo de Santiago
  • Bestiarum Locus(Exposição e Demonstrações de Cetraria, Cavalos e Cães) | Largo Paulo Orósio
  • Ars Monetae(Cunhagem de Moeda) | Largo S. João do Souto e Largo Paulo Orósio
  • Spatium Ludicum(Espaço Lúdico para criança e famílias) | Sala da Pedra do Museu Pio XII
  • Castra Leg. VI Victrix(Acampamento Militar) | Largo Paulo Orósio
  • Locus Artium et Officiorum “Sol-a- Sol” (Escola de Artes e Ofícios) | Rossio da Sé
  • Villa(Quinta com animais e Animais Exóticos) | Termas Romanas do Alto da Cividade
  • Domus Officiorum(Casa de Ofícios) | Termas Romanas do Alto da Cividade
  • Mercatus Romanus(Artesãos e Mercadores) | Ruas do Centro Histórico
  • Domus Ciborum(Áreas de Alimentação):

Platea Apicii - Praça do Apício | Largo das Carvalheiras

Platea Gari - Praça do Garum | Largo de S. Paulo

Programa Completo pode ser consultado no portal do Município ou através do link http://bit.ly/2Q1lZX4

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