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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MONÇÃO: AQUI VIMOS NÓS…

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Meia centena de crianças da Santa Casa da Misericórdia de Monção, acompanhadas por coordenadoras e auxiliares da instituição social, passaram pelo Edifício do Loreto, na manhã de hoje, para “Cantar os Reis” ao executivo municipal e aos funcionários da autarquia.

Com voz afinada, boa disposição e a tradicional coroa, foram recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal de Monção, António Barbosa, o qual desejou a todos um bom ano de 2026. Como recordação desta manhã diferente, levaram para casa uma caixinha colorida com guloseimas.

Além da visita ao Edifico do Loreto, o “cantar” das crianças ouviu-se um pouco por todo o centro histórico, bem como no Lar de Idosos Dona Maria Teresa Salgueiro, no Largo dos Néris. Um momento intergeracional de grande emotividade e partilha, onde as crianças e os idosos “abraçaram” uma tradição antiga e identitária da nossa região.

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ARCOS DE VALDEVEZ: FLORESTA ENCANTADA DA PORTA DO MEZIO RECEBE MAIS DE 80 MIL VISITANTES

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A Floresta Encantada da Porta do Mezio recebeu mais de 80 mil visitantes, entre 28 de novembro de 2025 e 11 de janeiro de 2026.

Um número que se reflete não só nas visitas, mas com impacto relevante nos setores da restauração, alojamento e comércio local do concelho.

Integrada na programação municipal Magia de Natal, a Floresta Encantada continua a ser um evento diferenciador e muito procurado por turistas a nível nacional e internacional.

Este ano, o Município voltou a investir em caraterísticas inovadoras como a neve, os passadiços e a animação com várias bandas.

O número de visitantes comprova o sucesso deste evento, que acentua a beleza deste lugar encantado, carregado de trilhos, luzes, magia e cenários fabulosos.

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PONTE DE LIMA VAI RECUPERAR CASARÃO DO CHOCOLATE – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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“Finalmente surgiu um comprador, o prédio vai ser restaurado”, ouvimos há dias a moradores na antiga Rua do Arrabalde de São João de Fóra, essa frase caracterizada de contentamento e alegria!

Referimo – nos a uma intervenção total por parte do novo proprietário, um promotor turístico residente em Lisboa, que vai transformar o edifício onde há uns oitenta anos funcionou uma pequena fábrica de chocolate por iniciativa de dois galegos ou espanhóis, e depois foi sede dos “Almeida & Fernandes”, uma sociedade comercial nos sectores da distribuição de cerveja nacional, tabacos e mercearia.

Conhecido por “prédio dos azeiteiros”, pois esta foi a primeira actividade comercial destes últimos empreendedores no histórico edifício, contudo há mais notas históricas sobre tal património como seguidamente informamos.

Construção do último quartel do século XIX, posterior a 1880, iniciativa da família Dantas, residentes em Salvador da Bahia, Brasil, a casa não ficou concluída. Uma nova volumetria adquiriu a residência com a compra em 1916 pelo grande benemérito local e capitalista João Francisco Rodrigues de Morais, fundador do palacete Villa Moraes e falecido vinte anos depois. No seu interior, destacavam-se artes decorativas da época aúrea do torna – viagem do outro lado do Atlântico: escadaria em madeira e balaústres torneados, caixas de escada com claraboias de vidro multicolor, tectos em estuque artístico, já numa transição para o estilo Belle Époque, testemunhos artísticos que o gabinete do arquitecto Limiano Duarte Cerqueira (foto) pretende recuperar, reconstruir, na medida do possível, asseverou – nos em conversa.

O destino da construção neogótica, em destaque perante suas vizinhas pela elegante fachada de cantaria com bases ornamentadas com almofadas, e marcenaria de portas de excelente qualidade, será um alojamento turístico de padrões invulgares de qualidade. Na recuperação de toda a área construída ou existente, está incluído o antigo armazém ou garagens, situado nas traseiras ou quintal da propriedade, pelo que todo o espaço urbano será transformado em quartos e suítes para lazer de quem nos visita.

A necessidade de um outro destino ao “casarão do chocolate e da cerveja “ em Ponte de Lima, que não a ruína, vem ao encontro da última visita que a ele efectuamos há meses, registada nas imagens da notícia. A deslocação integrou os amigos e manos Nuno Abreu e Lima, secretário da embaixada de Portugal na Venezuela e Leonel, arquitecto que reparte sua actividade  entre Madrid e o Porto, além de desenhador como o testemunhou nessa magnífica obra do dedicado investigador Miguel Ayres de Campos -Tovar, À Descoberta dos Solares da Ribeira Lima e editado em 2023, para umas explicações históricas sobre um icónico monumento neogótico no nosso concelho.

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CÂMARA MUNICIPAL DE VIZELA APRESENTA PROVAS DESPORTIVAS

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No seguimento da estratégia e os objetivos definidos no programa Vizela Cidade Desportiva, a Câmara Municipal apresenta no próximo dia 15 de janeiro, pelas 15.00h, no miniauditório do edifício sede da Câmara Municipal, as seguintes provas desportivas:

  • Campeonato Regional de Corta-Mato Curto (já realizada)
  • Corta-Mato Regional Escolar
  • Milha urbana Cidade de Vizela
  • Trail Rota do Bolinhol
  • Corrida Colorida
  • Neon Walk Bombeiros
  • Grande Prémio da Airev
  • Triatlo Jovem (1ª vez que se vai organizar)
  • Torneio de Atletismo de Pavilhão
  • S. Silvestre de Vizela.

Assim, no âmbito de um dos eixos do programa Vizela Cidade Desportiva, o Desporto para a Comunidade, e dando continuidade ao trabalho efetuado no mandato anterior, a Câmara Municipal mantem as parcerias que visam organizar, coorganizar e acolher eventos desportivos de diversas naturezas, sejam de carácter local, regional, nacional ou internacional, implementando várias iniciativas anuais em distintas áreas do desporto.

São disso exemplo a parceria com a Associação de Atletismo de Braga, a Coordenação Local do Desporto Escolar de Braga, o Vizela Corre – Clube de Atletismo, o Futebol Clube de Vizela, a AIREV e os BVV.

Consciente da importância e consistência que o movimento desportivo representa para toda a comunidade vizelense, a Câmara Municipal quer continuar a promover uma intervenção participativa e atenta, enquanto parceira social, no sentido de generalizar o acesso à prática desportiva, implementando para isso, um conjunto de diretrizes que vão de encontro às necessidades mais prementes do tecido associativo desportivo concelhio.

PÓVOA DE LANHOSO REALIZOU MERCADO DE OPORTUNIDADES 2026

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Mercado de Oportunidades 2026 contou com a presença, pela primeira vez, de uma empresa estrangeira – alarga-se a abrangência territorial do evento

Entre as presenças no Mercado de Oportunidades que este ano contou com a participação de 17 entidades, importa destacar a empresa espanhola Tainer Plus, que escolheu o concelho da Póvoa de Lanhoso para a criação de uma nova empresa – a ABETAI.

É ainda de sublinhar também a presença, pela primeira vez, do INL – International Iberian Nanotechnology Laboratory, uma entidade de referência internacional, cuja participação reforçou a relevância, a credibilidade e a projeção externa do Mercado de Oportunidades 2026.

Este evento, que decorreu nos passados dias 7 e 8 de Janeiro na Póvoa de Lanhoso, voltou a afirmar-se como um espaço privilegiado de encontro entre empresas, candidatos, jovens e entidades, reforçando a ligação entre o território, o tecido empresarial e as pessoas.

Ao longo do evento, os stands empresariais e institucionais mantiveram um contacto permanente com o público, permitindo conhecer oportunidades de emprego, esclarecer dúvidas e iniciar processos de recrutamento. Estiveram presentes empresas e entidades de diversos setores de atividade, refletindo a diversidade e o dinamismo do mercado de trabalho local e regional.

Em paralelo, realizaram-se vários painéis temáticos, que promoveram a reflexão e a partilha de experiências em áreas-chave como a empregabilidade, a qualificação, o empreendedorismo e o desenvolvimento económico, contribuindo para uma visão mais informada e estratégica sobre os desafios atuais do mercado de trabalho.

Em termos de resultados, a quarta edição deste evento registou a recolha de dezenas de currículos e a realização inúmeras entrevistas in loco, o que evidencia o impacto prático do evento e a sua capacidade de gerar contactos efetivos e oportunidades reais de integração no mercado de trabalho.

Apesar dos resultados alcançados, continuam por preencher diversas vagas, estando o Gabinete de Empregabilidade do Município disponível para apoiar todos os interessados que não tiveram oportunidade de participar no evento, assegurando a continuidade do trabalho iniciado durante o Mercado de Oportunidades - gab.empregabilidade@mun-planhoso.pt

Destaque ainda para o workshop prático de empreendedorismo, que registou um impacto muito positivo junto dos participantes, em particular entre os jovens, que rondaram a centena de presenças, reforçando a importância de estimular competências, ideias e projetos empreendedores desde cedo.

O Mercado de Oportunidades 2026 confirmou, assim, a relevância deste modelo de proximidade, escuta ativa e resposta concreta às necessidades do território, reforçando o compromisso com a empregabilidade, o desenvolvimento económico e a valorização das pessoas.

PORTUGAL É A PÁTRIA DOS GALEGOS

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["Fui gerado em Lisboa, mas os meus pais, como bons galegos, foram-me desovar lá. Subi o rio Minho como a lampreia e fui nascer quase em frente a Monção, numa aldeola que é As Neves. E depois vim para cá, há 65 anos e... nove meses." José António Castro, sentado à mesa no final de um almoço bem regado, com três amigos de raízes comuns: Amâncio Dominguez, Alfonso Mateo e Manolo Bello.

Estão todos na casa dos 60 e a vida corre-lhes bem. O almoço-algazarra, em que contam as novidades e recordam as cumplicidades, é um privilégio de quem pode andar mais devagar.

José Castro é proprietário da Funerária Gil, a mais antiga do país, fundada em 1873. Fez toda a vida em Lisboa, nos bairros de Alfama e do Castelo e, ao contrário dos amigos, andou na escola portuguesa onde... "era o espanhol". Não tinha sotaque e só o Suaréz do nome denunciava a viagem à Galiza que os pais fizeram a poucos dias do seu nascimento.

"Galego sempre me senti, lisboeta também. Nunca me senti estrangeiro aqui." Trabalhou 25 anos, em contabilidade até à morte da avó, que era quem geria a funerária. Depois tomou conta do negócio. "Tinha a experiência de toda a vida ali na agência, sabia como aquilo funcionava. É como a série da televisão." Ri-se.

Os amigos não perdem a oportunidade para voltar à velha brincadeira. Dizem que a Gil fez o funeral de todos os galegos de Lisboa, e José Castro não diz que não: "Os galegos procuravam a agência, claro, era a única que havia. Agora há a Servilusa." O filho anda pela agência, mas José não tem a certeza de que este seja o caminho dele. "Se ele não quiser fecha-se a porta, e pronto."

Do almoço restam os copos quase vazios, chegam os cafés e os digestivos. Parecem estar em casa. E pelo menos um deles é como se estivesse. Amâncio Dominguez é o sócio do Hotel Santa Justa, na Baixa de Lisboa, onde se reúnem todos. Começou por trabalhar numa carvoaria e na tasca do pai no Cais do Sodré. Veio com 7 anos, em 1960, para Lisboa. "Vivia no Cais do Sodré, a família tinha ali as tascas todas e as carvoarias. Agora já está tudo alterado, morreram uns, outros reformaram-se.

Os filhos já cá nasceram, estudaram e já têm outra atividade." Por isso, a tradicional ligação dos galegos à restauração está-se a perder. "Já não vêm os galegos com vontade de trabalhar que vinham antes, antigamente vinham por necessidade e agarravam-se aos negócios que ninguém queria. Até vendiam água!", diz Amâncio. "Hoje, por exemplo, temos aqui a diretora [do hotel] que é galega, é gente que vem mais preparada e agarra outras profissões.

Paula Ferro acede e junta-se à conversa. Veio de Padrón, a terra dos famosos pimentos, há quatro anos. Formara-se no Centro Superior de Hotelaria da Galiza e calhou saber que o hotel de Amâncio precisava de uma diretora. O marido já cá estava e Paula veio também. Tem 34 anos e o primeiro filho, de 9 meses, nasceu em Lisboa. "Nós não temos cá família, não temos pais, não temos primos. Tenho saudades da família, mas nunca me senti fora de casa como podemos sentir-nos, se calhar, noutras cidades de Espanha, que são mais fechadas. O português e as pessoas de Lisboa são muito acolhedoras."

Paula é o que Álvaro Moreira Muiños chama de "galegos de pouca duração". O presidente da Xuventude da Galicia - Centro Galego de Lisboa considera que "a Galiza teve três momentos de emigração: entre o século XVII e princípios do XX, que eram galegos com profissões nómadas que vinham porque lá não tinham meios de subsistência. Depois houve a emigração do tempo da guerra [civil] e hoje há a emigração em comissão, por exemplo, os funcionários do El Corte Inglés, dos bancos ou das empresas. São galegos de pouca duração".

Muiños lembra "os galegos iniciais que inundaram isto tudo de tascas e restaurantes". E os amoladores, que vinham de Ourense. Como o pai do senhor Garcia, que está a amolar uma faca de pastelaria enquanto no rádio toca o Purple Rain. Não chovia naquela manhã, ou o número 173C da Av. Almirante Reis seria um corrupio de gente com emergências relacionadas com chapéus de chuva, que também ali se reparam.

O pai de António Garcia abriu a Casa Garcia em 1943, quando o negócio do carrinho de madeira do amolador com que calcorreava a cidade permitiu. Foi o sustento da família, até agora. "É uma coisa que não dá para enriquecer. Para trabalhar e viver desafogadamente tudo bem, agora para enriquecer não dá. Continuei aqui porque comecei a gostar disto e a coisa correu bem. Para quem não gosta é difícil." O caso do seu filho. Não se adaptou. Quando António, de 72 anos, parar de dar uso à roda de esmeril, a Casa Garcia fecha.

Tal como os amigos à mesa de almoço, também os Garcia eram habitués na Xuventude da Galicia. Atualmente, a associação habita um palacete cor-de-rosa ao lado do Jardim do Torel. Na juventude destes galegos era na Rua da Madalena que se faziam as "comezainas" e as atividades. "Comemorávamos tudo", diz Muiños, as festas portuguesas, as espanholas e as galegas.

Agora a Xuventude da Galicia tem três a quatro atividades por mês e 560 sócios, dos quais 370 são efetivos (têm alguma ligação familiar à Galiza) e os restantes são simpatizantes (sem ligação à Galiza são, na maioria, os alunos das atividades).

Pagam uma quota de cinco euros por mês. "Não dá para nada", desabafa o presidente. Em 1988 receberam o palacete de um outro galego com jeito para o negócio, Manuel Cordo Boullosa. Começou como aguadeiro e carvoeiro e acabou dono de uma petrolífera, a Sonap. Doou a casa para a associação promover o intercâmbio entre a cultura galega e a cultura portuguesa. "Foi assim que nasceu este palacete e temos de o aguentar com dificuldade. É nosso enquanto a Xuventude da Galicia cumprir os estatutos", diz Muiños.

Nos últimos anos, a associação - declarada de utilidade pública em 1980 - perdeu vida. Os anos 1990, em que tinha 900 sócios, já lá vão. "O decréscimo deve-se às pessoas que se reformaram e regressaram à Galiza, outros morreram, os herdeiros que vinham cá e deixaram de vir." A vida agora é diferente, mudaram as comunicações, se antes demoravam 12 horas a chegar à Galiza, agora vão lá de fim de semana e já não se procuram tanto uns aos outros.

Apesar disso, o Muiños não acredita que a instituição esteja em risco, até porque tem muitas atividades dirigidas à população. Mostra-nos a aula de guitarra, depois a de gaita-de-foles, mais tarde a de SEVILHANAS.

Na Baixa, os quatro galegos vão contando histórias que, irremediavelmente, passam pelo centro galego. "É a grande mútua mundial", onde há sempre apoio para quando é preciso. É Manolo Bello quem traz o tema da solidariedade para a conversa.

O jornalista e produtor acabava de chegar ao fim da sua atribulada história de vida, resumindo esta condição de não ser estrangeiro na cidade que escolheu para viver. A face mais visível da sua carreira aconteceu na SIC, como produtor. Agora está reformado. Demorou dois anos a perceber que é dono do seu tempo e que não vai continuar a acordar com os números das audiências. Dizia ele: "O galego na diáspora é solidário, o galego na Galiza é um malandro, há muita inveja, muita trica, são uns bufos. Na diáspora são amigos."

Alfonso Mateo não descansa enquanto não conta a sua história. "Um dia estávamos aqui a almoçar e roubaram-me um saco de bacalhau. Foi num dia de Santo António, tinha comprado para levar de prenda. Quando me apercebi, este levantou-se, não disse nada a ninguém, foi comprar e dividiram entre todos." Aponta para Amâncio, caladinho do outro lado da mesa. E dias depois, diz José, ele [Alfonso] apareceu-nos com um cabrito para cada um e até trouxe bacalhau. E assim continua a acontecer. "Esta é a essência do galego fora da Galiza", diz, orgulhoso, Alfonso.]

Fonte: Portugaliza 112

OS TABERNEIROS MINHOTOS EM LISBOA E O ZÉ POVINHO DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO: QUERES FIADO… TOMA!

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Foto: Museu Bordalo Pinheiro

A figura do Zé Povinho foi durante muitas décadas – a par de Santo António – um ícone nas tabernas de Lisboa, que tinham invariavelmente como donos galegos ou minhotos, com especial predominância para os oriundos de Ponte de Lima e Paredes de Coura.

“Um ramo de louro à porta / Indicava uma taberna / À noite era uma lanterna / Com sua luz quase morta” – tal como canta a barcelense Gisela João.

Lá dentro, em lugar cimeiro, Santo António segurava o menino dentro da sua capelinha e, a seu lado, a figura rústica do Zé Povinho garantia: Queres fiado… toma!

O taberneiro, qual sacerdote de Dionysos, perfila-se diante do balcão como se da ara dos ritos sacrificiais se tratasse, presidindo à liturgia pagã do vinho junto dos seus ungidos. E, no seu subido altar, nas suas funções de Baco, Zé Povinho assegurava o cumprimento do dever dos fiéis não deixarem de cumprir a sua obrigação do pagamento da despesa. Isto acontecia outrora quando existiam tabernas dos minhotos em Lisboa.

PAÇOS DO CONCELHO DE PONTE DA BARCA ACOLHEM EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE ROSALINA SANTOS

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O Átrio dos Paços do Concelho de Ponte da Barca acolheu, ontem, a inauguração de uma exposição fotográfica da autoria de Rosalina Santos. A mostra reúne 39 peças fotográficas que procuram transmitir as sensações e os momentos vividos pela autora durante o percurso realizado na mina de Freixo de Numão, em Vila Nova de Foz Côa. Durante a sessão inaugural, Rosalina Santos explicou que as imagens foram captadas em 2018, salientando que, até então, “nunca ninguém tinha fotografado aquela mina”, acrescentando ainda que todas as fotografias foram registadas com o seu telemóvel.

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, Augusto Martinho, deixou uma palavra de agradecimento à autora pela disponibilidade em apresentar o seu trabalho no concelho e pela confiança depositada na sua divulgação, sublinhando que a colaboração dos artistas é essencial para afirmar Ponte da Barca como um território atento à cultura e à criatividade.

A sessão foi ainda abrilhantada por um momento musical protagonizado por uma aluna da Academia de Música de Ponte da Barca, contribuindo para um ambiente de celebração artística e cultural.

A exposição estará patente ao público até ao dia 13 de fevereiro, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, das 09h às 12h30 e das 14h às 17h30.

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MINHOTOS FESTEJAM A S. SEBASTIÃO – PROTETOR CONTRA A EPIDEMIA, A FOME E A GUERRA

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Escultura de S. Sebastião em Travassós, Fafe

Um pouco por todo o Minho, celebra-se no próximo dia 20 de janeiro a festa litúrgica a S. Sebastião, advogado contra a epidemia, a fome e a guerra. Tais festividades, na maioria dos casos, tiveram origem precisamente em ocasiões que se verificaram a propagação de pestes muito recorrentes durante a Idade Média e que, quase sempre vitimavam uma parte considerável da população. Em Portugal, foi sobretudo a partir do século XVI que o culto se desenvolveu, não sendo alheio o facto de seu nome ter sido atribuído ao Rei D. Sebastião por este ter nascido a 20 de Janeiro, dia que é consagrado ao mártir S. Sebastião.

O culto a S. Sebastião alcançou tamanha popularidade que, só na Diocese de Braga é padroeiro de quinze confrarias e, em todo o Minho, dá o nome às freguesias de Vile, em Caminha; São Sebastião, em Guimarães; Chafé e Darque em Viana do Castelo. Em Ponte de Lima, realiza-se por esta altura a “mesa dos quatro abades” à volta da qual se reunia o povo de quatro paróquias, precisamente na confluência dos seus limites geográficos.

Reza a lenda que S. Sebastião nasceu em Narbonne, no sul de França – ou terá sido em Milão – oriundo de uma família nobre. Atingida a idade adulta, terá ido viver para Roma onde se alistou no exército romano, ao tempo de Dioclesiano, altura em que se intensificaram as perseguições aos cristãos. Desconhecendo, porém, a sua fé cristã, o Imperador chegou a promovê-lo capitão da guarda pretoriana.

Mas, a sua fé e conduta branca em relação aos prisioneiros acabaram por atrair sobre si a ira do imperador que o julgou como traidor e condenou à morte, tendo sido cravado de flexas e o seu corpo lançado ao rio. Tendo, no entanto, sobrevivido ao ser sobrevivido por Santa Irene, viria a ser de novo condenado à morte por espancamento e o seu corpo atirado aos esgotos de Roma. O seu corpo veio a ser resgatado por Santa Luciana que o depositou nas catacumbas da cidade.

Para além da data do seu martírio e local do seu sepultamento, a narrativa histórica é inexata e pouco consistente. Não deixa, contudo, do seu culto ser um dos mais celebrados entre os cristãos, tanto católicos como ortodoxos.

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Escultura de S. Sebastião em Travassós, Fafe

BARCELOS: CENTRO ESCOLAR DA FOGAÇA – 1º CICLO VENCE PRÉMIO DO JÚRI NO CONCURSO “NATAL ECOLÓGICO 2025”

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O Centro Escolar da Fogaça - 1.º ciclo foi o grande vencedor do Prémio do Júri da edição de 2025 do concurso “Natal Ecológico”, promovido pelo Município de Barcelos, sendo contemplado com 300 euros.

Na segunda posição, ficou o trabalho realizado pela Associação de Pais do Jardim de Infância de Courel, arrecadando 200 euros, enquanto o terceiro posto coube à Escola Básica do 1.º ciclo de Remelhe, que receberá 100 euros.

Os premiados resultaram da votação de um júri composto por vários departamentos do Município de Barcelos. 
Quanto à categoria “Prémio do Público”, cuja votação decorreu online, saiu vencedor o Jardim de Infância de Silveiros, que irá receber um prémio de 100 euros. Os restantes 28 participantes no concurso receberão o prémio de participação, no valor de 50 euros.

Os trabalhos elaborados pelos alunos das escolas concorrentes estiveram em exposição no Largo da Porta Nova (Jardim dos Assentos), durante a época natalícia.

Ao todo, participaram no concurso, na edição de 2025 do “Natal Ecológico”, 29 trabalhos alusivos à quadra natalícia, todos eles feitos “com material reutilizado/reciclado” e elaborados por crianças de jardins de infância, alunos do 1.º, 2.º e 3.º ciclos, IPSS, ensino especial e associações de pais.

Paralelamente à mostra destes trabalhos, no Largo da Porta Nova, os mesmos estiveram em exposição virtual no Facebook do Município, entre os dias 12 de dezembro e 6 de janeiro.

Este projeto visa estimular e promover a criatividade dos alunos e aguçar a sua consciência ambiental, numa quadra em que, por norma, há maior consumismo e desperdício.

2.º Prémio - Associação de Pais do Jardim de I

3.º Prémio - Escola Básica do 1.º ciclo de Rem

Prémio do Público – Jardim de Infância de Sil

BANDA DA SOCIEDADE MUSICAL DE ARCOS DE VALDEVEZ DEU AS BOAS-VINDAS A 2026 NUM CONCERTO COM CASA CHEIA

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O Executivo Municipal marcou presença no tradicional Concerto de Ano Novo da Banda da Sociedade Musical de Arcos de Valdevez, que decorreu na tarde deste domingo, no auditório da Casa das Artes arcuense.

O espetáculo encerrou a programação municipal da Magia de Natal e deu as boas vindas a 2026 com casa cheia, sempre com o registo de qualidade e inovação que caracteriza esta instituição centenária, amplamente reconhecida a nível nacional e internacional.

No discurso de encerramento do concerto, o Presidente da Câmara Municipal, Olegário Gonçalves, elogiou a excelência da interpretação destacando a integração de novos membros, num claro sinal de futuro e vitalidade da Banda.

O autarca arcuense sublinhou ainda o investimento na requalificação da sede da instituição, que dará maiores e melhores condições a todos os elementos, e que irá permitir ensaiar e trabalhar com condições dignas e adequadas.

O Presidente destacou também a construção da Escola de Ensino Artístico da Música, Dança e Teatro, nas instalações da EB 2,3/S, que está a decorrer a bom ritmo e que vai permitir alargar a oferta educativa em áreas com muita procura no concelho.

O edil arcuense realçou o investimento no Alameda – Cineteatro e Galeria Municipal, cujas obras estão já a decorrer, e que irá aumentar, de forma significativa, a capacidade de albergar novos eventos e produções, cimentando a agenda cultural do território.

Por fim, o Presidente do Município salientou a construção do PLACA –Plataforma Criativa de Arcos de Valdevez, um projeto inovador que pretende dar condições para que os artistas arcuenses, e não só, possam criar e trabalhar, estando prevista, entre outros, a construção de um estúdio de gravação.

Com um vasto e renovado repertório, a Banda interpretou temas de diferentes épocas e estilos, terminando com a Marcha de Arcos de Valdevez, deixando o público rendido à magnífica atuação.

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PONTE DE LIMA ATRAI MILHARES DE VISITANTES NO FIM DE SEMANA GASTRONÓMICO DO ARROZ DE SARRABULHO… E NÃO VÃO FALTAR OS CANTARES AO DESAFIO!

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O arroz de sarrabulho com rojões à moda de Ponte de Lima constitui uma das maiores atrações gastronómicas do Minho, atraindo à nossa região milhares de visitantes que procuram degustar esta especialidade da nossa cozinha tradicional, confecionada com o maior rigor. Não admira, pois, que se tenha tornado numa das iguarias mais emblemáticas e responsável pela manutenção de muitos postos de trabalho, fator de afirmação do turismo e do crescimento económico.

Com efeito, as Papas de Sarrabulho e o Arroz de Sarrabulho constituem dois pratos emblemáticos da nossa região que têm as delícias do porco como elemento central da sua confecção. Encontram-se, por conseguinte, associados à matança do porco, animal que constitui desde sempre uma das principais fontes de rendimento do agricultor, razão pela qual ele simboliza o mealheiro.

Em termos genéricos, o sarrabulho caracteriza-se por se tratar de um guisado com as miudezas do porco com sangue associado à farinha de milho ou ao arroz, tal como foi inventado em Ponte de Lima.

Acredita-se que as origens do sarrabulho remontem à Idade Média, por ocasião da crise ocorrida no século XIV. À escassez de bens alimentares devido à ocorrência de secas prolongadas nos campos, faziam do pão praticamente o único alimento da população nas zonas rurais. Porém, como a necessidade aguça o engenho, passaram a juntar-lhe o sangue e as miudezas que, por caridade, eram pelas famílias mais abastadas oferecidas aos mais necessitados sempre que efectuavam uma matança… e assim nasceram as papas de sarrabulho!

À época ainda não existia o milho na nossa região uma vez que a introdução do mesmo no noroeste peninsular se deve ao Descobrimento da América por Cristóvão Colombo, cereal que inicialmente era designado por “trigo índio”. Por conseguinte, deveria ter sido o centeio o cereal até então produzido e inicialmente utilizado na confecção das papas de sarrabulho.

Por sua vez, a expansão da cultura do arroz em Portugal regista-se nos começos do século XX, muito embora a sua introdução remonte ao início do século VIII, trazido pelos árabes aquando da sua conquista da Península Ibérica em 711. Contudo, durante muito tempo, este alimento era apenas acessível às famílias mais abastadas, razão pela qual demorou muito tempo a ser incorporado na culinária tradicional de cariz popular. Além disso, o seu cultivo estava limitado às “terras alagadiças dos vales do Vouga, Mondego, Sado, Mira e Guadiana”, o que não era o caso de Ponte de Lima.

Uma vez substituída a farinha pelo arroz na confecção do sarrabulho, Ponte de Lima inaugurou um novo prato que foi ao longo dos anos adquirindo cada vez maior número de apreciadores a tal ponto que passou a constituir a sua principal referência gastronómica – o arroz de sarrabulho com rojões à moda de Ponte de Lima!

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QUEM FOI CLARA PENHA – GRANDE REFERÊNCIA DA ORIGEM DO ARROZ DE SARRABULHO À MODA DE PONTE DE LIMA?

Clara Penha (1836–1924) é considerada a pioneira da restauração contemporânea de Ponte de Lima e a grande referência da origem do Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima.

No início do século XX, pela intervenção de Clara Penha, dona de uma das mais importantes pensões de Ponte de Lima, o Sarrabulho, de cozinha étnica e familiar, rico de ingredientes e sabores, passou a ser servido nos mais diversos restaurantes da Ribeira Lima.

Conhece-se o profissionalismo de Clara Penha, que alguns textos registaram para o futuro, como acontece com o testemunho de um dos primórdios momentos de restauração do Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima, na Missa Nova do Cónego Barbosa Correia:

Tocavam os sinos… Fatos domingueiros, argolas e fios a reluzir… A Matriz enchia-se, nesse primeiro dia de 1916, para ver Manuel José Barbosa Correia, o filho do Mestre-de-obras do rico brasileiro da Villa Morais a celebrar a sua Missa Nova.

Clara comandava um regimento de mulheres a preparar o repasto para o jovem padre, fidalgos, clero e ricos-homens do Vale do Lima. Cozia-se o arroz, fritava-se a beloura, alourava-se os rojões, enfim preparava-se o Sarrabulho enquanto a pequena sobrinha, vaidosa nos socos novos, namoriscava o leite-creme e a aletria...

Sua sobrinha, Belozinda Penha Varela (1908-2002), deu seguimento ao seu labor, o qual se foi proliferando na restauração de Ponte de Lima, pelas ligações matrimoniais com outras famílias ligadas à gastronomia limiana, sobretudo a de Rosa de Sá, bem como através de muitas cozinheiras afamadas, originando um notável conjunto de restaurantes que dão continuidade ao trabalho iniciado por todas aquelas precursoras.

O emblemático edifício onde funcionou o Restaurante Clara Penha, na Rua General Norton de Matos, em Ponte de Lima, foi recuperado pelo Município de Ponte de Lima em 2013, sendo actualmente um espaço (Clara Penha – Casa dos Sabores) destinado a promover e a valorizar a cozinha do Alto Minho, nomeadamente o típico e genuíno Arroz de Sarrabulho, bem como a desenvolver acções de defesa e promoção da gastronomia tradicional limiana, funcionando também como centro de formação na área gastronómica.

Fonte: Sarrabulho de Ponte de Lima – A Gastronomia da Tradição, 2011 (via: Ponte de Lima Cultural)

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Edifício onde funcionou o Restaurante Clara Penha (Fotografia: Amândio de Sousa Vieira)

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