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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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“FÉ E RELIGIOSIDADE POPULAR EM PONTE DE LIMA: CRUZEIROS, VIAS-SACRAS, NICHOS E ALMINHAS” – OBRA APRESENTADA ONTEM EM PONTE DE LIMA

Integrada nas Comemorações do Dia de Ponte de Lima, realizadas ontem, 4 de Março, no Teatro Diogo Bernardes, foi apresentada a obra “Fé e Religiosidade Popular em Ponte de Lima: Cruzeiros, Vias-Sacras, Nichos e Alminhas”, da autoria de Carlos A. Brochado de Almeida, Mário Carlos Sousa Gonçalves e Ana Paula Azevedo Ramos B. de Almeida.

Esta edição municipal descreve várias dezenas daqueles belíssimos exemplares do património arquitetónico vernacular, devidamente ilustrados com recurso às fotografias da responsabilidade de Mola Olivarum – Cultura e Património, ao longo de 272 páginas com design e paginação de sigla_design e coordenação editorial de Ovídio de Sousa Vieira.

Segundo Victor Mendes, Presidente da Câmara Municipal, na apresentação escrita da obra, trata-se de “um levantamento que se impunha, que urgia realizar, para registar e fomentar o seu estudo de uma maneira mais sistemática e sistémica, com as devidas metodologias, independentemente da finalidade a alcançar.

Aguçando o apetite à leitura, deixamos um pequeno trecho da introdução, da lavra de Brochado de Almeida:

Com o rodar dos séculos a cruz saiu do interior das igrejas e passou a povoar os espaços adjacentes ou seja os adros onde se enterravam muitos dos crentes que não tinham cabimento no interior das igrejas. Invadiu, também, por razões várias, territórios mais distantes, ajudando a demarcar espaços paroquiais, a sacralizar sítios, a servir de farol religioso a viajantes e de aviso às forças maléficas que, de acordo com a mística da época, atentavam contra a quietude das populações cristãs, nada expurgadas de superstições e de religiosidades de outras eras.

Desde os tempos mais recuados do cristianismo ocidental que a cruz irradiava um forte valor apotropaico paralelamente ao seu valor devocional. Postada em todos os quadrantes da sociedade ocidental, a cruz tornou-se num refúgio, porque, pensava-se, que a seus pés tombavam aterrorizados toda a sorte de espíritos malignos. O seu poder taumatúrgico tornava-a insubstituível nas práticas de esconjuro e do exorcismo. Perante ela as intempéries amainavam, as pragas que afligiam os campos desapareciam, as sementeiras cresciam, os rebanhos medravam. Muitas cruzes em madeira foram então disseminadas pelos campos para proteger as colheitas, do mesmo modo que entraram nos barcos para os defender contra as tempestades.