TRAJE À VIANESA: SANTA MARTA DE PORTUZELO

Se, dos trajes “à lavradeira”, o de Afife é o mais simples – o “vermelho” de Santa Marta-de-Portuzelo é o mais complexo na riqueza de ornatos e de côres.
Olhando-se êste vestuário santamartense, o que logo sobressai é o avental, comprido e largo, de campo vermelho variegadamente bordado.
Na parte superior – como é de regra nos aventais “à lavradeira” – tem listas ao alto, com mais ou menos bordados – e, para baixo das listas, o rectângulo com a bordadura que dá carácter a esta peça de vestuário. A bordadura possui, certamente, algo do gosto pessoal das tecedeiras, na forma e disposição dos desenhos, mas há sempre nela o que é do gosto geral: a intensidade das côres e a complexidade dos ornatos.
Equivale isto a dizer que é multiforme a ornamentação dêstes aventais, mas os que as raparigas mais querem, os mais luxuosos, são os floridos.
A estes aventais, enfeitam-nos, pelo comum, grandes fôlhas e flôres, estilizadas por diversa maneira, de colorido alegre e vário: róseo, amarelo, verde, branco… - e, quási sempre, uma caprichosa “silva” negra surge aqui, ali, pela barra do avental, entre as fôlhas e flôres enormes.
O bordado faz parte do próprio tecido, mas em relevo, obtido por meio de puxamento dos fios, que, assim, formam pequenas ansas que denominam “moscas” e comparáveis no aspecto às obtidas com o moderno ponto de fada.
Para os ornatos tomarem mais vista, usam tecer-lhes uma orla de côr diferente – no que as lavradeiras-tecedeiras revelam, por mais uma forma, o seu natural sentimento artístico.
Cláudio Basto em “Traje à Vianesa”. Edições Apolonio. Gaia. 1930